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Devanagari
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Purport
CAPÍTULO VINTE
Um Estudo da Estrutura do Universo
Neste capítulo, descrevem-se várias ilhas, começando com Plakṣadvīpa, e os oceanos pelos quais estão rodeadas. Também se relata a localização e as dimensões da montanha conhecida como Lokāloka. A ilha de Plakṣadvīpa, que tem o dobro da largura de Jambūdvīpa, está cercada por um oceano de água salgada. A autoridade máxima desta ilha é Idhmajihva, um dos filhos de Mahārāja Priyavrata. A ilha se divide em sete regiões, em cada uma das quais existe uma montanha e um grande rio.
A segunda ilha se chama Śālmalīdvīpa. Ela está cercada por um oceano de bebida alcoólica, e sua largura de 5.120.000 quilômetros é duas vezes a largura de Plakṣadvīpa. O senhor desta ilha é Yajñabāhu, um dos filhos de Mahārāja Priyavrata. Como Plakṣadvīpa, essa ilha também se divide em sete regiões, encontrando-se em cada uma delas uma montanha e um grande rio. Os habitantes dessa ilha adoram a Suprema Personalidade de Deus sob a forma de Candrātmā.
A terceira ilha, que está cercada por um oceano de manteiga clarificada e também se divide em sete regiões, chama-se Kuśadvīpa. Seu mestre é Hiraṇyaretā, outro filho de Mahārāja Priyavrata, e seus habitantes adoram a Suprema Personalidade de Deus sob a forma de Agni, o deus do fogo. A largura desta ilha é de 10.240.000 quilômetros, ou, em outras palavras, o dobro da largura de Śālmalīdvīpa.
A quarta ilha, Krauñcadvīpa, que está cercada por um oceano de leite, tem 20.480.000 quilômetros de largura e, como as outras, também se divide em sete regiões, em cada uma das quais existe uma grande montanha e um grande rio. A autoridade máxima desta ilha é Ghṛtapṛṣṭha, outro filho de Mahārāja Priyavrata. Os habitantes desta ilha adoram a Suprema Personalidade de Deus sob a forma da água.
A quinta ilha, Śākadvīpa, que mede 40.960.000 quilômetros de largura, está cercada por um oceano de iogurte. Seu senhor é Medhātithi, outro filho de Mahārāja Priyavrata. Divide-se, também, em sete regiões, cada uma tendo uma grande montanha e um grande rio. Seus habitantes adoram a Suprema Personalidade de Deus sob a forma de Vāyu, o ar.
A sexta ilha, Puṣkaradvīpa, cuja largura é o dobro daquela da ilha anterior, está cercada por um oceano de água cristalina. Seu senhor é Vītihotra, outro filho de Mahārāja Priyavrata. Uma grande montanha chamada Mānasottara divide a ilha em duas partes. Os habitantes dessa ilha adoram Svayambhū, outra manifestação da Suprema Personalidade de Deus. Existem outras duas ilhas, uma sempre iluminada pelo brilho solar, e outra sempre escura. Entre elas existe uma montanha chamada Lokāloka, que está situada a um bilhão e seiscentos milhões de quilômetros da orla do universo. O Senhor Nārāyaṇa, expandindo Sua opulência, reside sobre essa montanha. A área que está depois da montanha de Lokāloka se chama Aloka-varṣa, e, depois de Aloka-varṣa, está o destino puro das pessoas que desejam a liberação.
Verticalmente, o globo solar está situado bem no meio do universo, em Antarikṣa, o espaço entre Bhūrloka e Bhuvarloka. A distância entre o Sol e a circunferência de Aṇḍa-golaka, o globo do universo, é calculada em vinte e cinco koṭi yojanas (três bilhões e duzentos milhões de quilômetros). Porque entra no universo e divide o céu, o Sol é conhecido como Mārtaṇḍa, e, porque é produzido de Hiraṇyagarbha, o corpo do mahat-tattva, também é chamado de Hiraṇyagarbha.
Devanagari
श्रीशुक उवाच
अत: परं प्लक्षादीनां प्रमाणलक्षणसंस्थानतो वर्षविभाग उपवर्ण्यते ॥ १ ॥
अत: परं प्लक्षादीनां प्रमाणलक्षणसंस्थानतो वर्षविभाग उपवर्ण्यते ॥ १ ॥
Verse text
śrī-śuka uvāca
ataḥ paraṁ plakṣādīnāṁ pramāṇa-lakṣaṇa-saṁsthānato varṣa-vibhāga upavarṇyate.
ataḥ paraṁ plakṣādīnāṁ pramāṇa-lakṣaṇa-saṁsthānato varṣa-vibhāga upavarṇyate.
Synonyms
Translation
O grande sábio Śukadeva Gosvāmī disse: A partir de agora, passo a descrever as dimensões, as características e as formas das seis ilhas, começando com a ilha de Plakṣa.
Devanagari
जम्बूद्वीपोऽयं यावत्प्रमाणविस्तारस्तावता क्षारोदधिना परिवेष्टितो यथा मेरुर्जम्ब्वाख्येन लवणोदधिरपि ततो द्विगुणविशालेन प्लक्षाख्येन परिक्षिप्तो यथा परिखा बाह्योपवनेन । प्लक्षो जम्बूप्रमाणो द्वीपाख्याकरो हिरण्मय उत्थितो यत्राग्निरुपास्ते सप्तजिह्वस्तस्याधिपति: प्रियव्रतात्मज इध्मजिह्व: स्वं द्वीपं सप्तवर्षाणि विभज्य सप्तवर्षनामभ्य आत्मजेभ्य आकलय्य स्वयमात्मयोगेनोपरराम ॥ २ ॥
Verse text
jambūdvīpo ’yaṁ yāvat-pramāṇa-vistāras tāvatā kṣārodadhinā pariveṣṭito yathā merur jambv-ākhyena lavaṇodadhir api tato dvi-guṇa-viśālena plakṣākhyena parikṣipto yathā parikhā bāhyopavanena; plakṣo jambū-pramāṇo dvīpākhyākaro hiraṇmaya utthito yatrāgnir upāste sapta-jihvas tasyādhipatiḥ priyavratātmaja idhmajihvaḥ svaṁ dvīpaṁ sapta-varṣāṇi vibhajya sapta-varṣa-nāmabhya ātmajebhya ākalayya svayam ātma-yogenopararāma.
Synonyms
jambū-dvīpaḥ — Jambūdvīpa, a ilha chamada Jambū; ayam — esta; yāvat pramāṇa-vistāraḥ — tendo a mesma medida de sua largura, a saber, 100.000 yojanas (um yojana é igual a treze quilômetros); tāvatā — esse tanto; kṣāra-udadhinā — pelo oceano de água salgada; pariveṣṭitaḥ — cercada; yathā — assim como; meruḥ — montanha Sumeru; jambū-ākhyena — pela ilha chamada Jambū; lavaṇa-udadhiḥ — o oceano de água salgada; api — decerto; tataḥ — depois disto; dvi-guṇa-viśālena — que tem o dobro da largura; plakṣa-ākhyena — pela ilha chamada Plakṣa; parikṣiptaḥ — cercado; yathā — como; parikhā — um fosso; bāhya — externo; upavanena — por uma floresta parecida com um jardim; plakṣaḥ — uma árvore plakṣa; jambū-pramāṇaḥ — tendo a altura da árvore jambū; dvīpa-ākhyā-karaḥ — dando origem ao nome da ilha; hiraṇmayaḥ — magnificamente esplendorosa; utthitaḥ — erguendo-se; yatra — onde; agniḥ — um fogo; upāste — está situado; sapta-jihvaḥ — tendo sete chamas; tasya — daquela ilha; adhipatiḥ — o rei ou senhor; priyavrata-ātmajaḥ — o filho do rei Priyavrata; idhma-jihvaḥ — chamado Idhmajihva; svam — própria; dvīpam — ilha; sapta — sete; varṣāṇi — trechos de terra; vibhajya — dividindo em; sapta-varṣa-nāmabhyaḥ — de quem os trechos de terra receberam os nomes; ātmajebhyaḥ — aos seus próprios filhos; ākalayya — oferecendo; svayam — pessoalmente; ātma-yogena — através do serviço devocional do Senhor; upararāma — ele se afastou de todas as atividades materiais.
Translation
Assim como a montanha Sumeru é rodeada por Jambūdvīpa, Jambūdvīpa também é cercada por um oceano de água salgada. A largura de Jambūdvīpa é 100.000 yojanas [1.300.000 quilômetros], sendo também esta a medida da largura do oceano de água salgada. Assim como um fosso em volta de um forte às vezes é cercado por uma floresta parecida com um jardim, por sua vez, o oceano de água salgada, que fica em volta de Jambūdvīpa, está cercado por Plakṣadvīpa. A largura de Plakṣadvīpa é duas vezes a do oceano de água salgada – em outras palavras, 200.000 yojanas [2.600.000 quilômetros]. Em Plakṣadvīpa, existe uma árvore que brilha como ouro e é da mesma altura que a árvore jambū de Jambūdvīpa. Em sua raiz, existe um fogo com sete chamas. A ilha se chama Plakṣadvīpa porque essa árvore é uma árvore plakṣa. Plakṣadvīpa era governada por ldhmajihva, um dos filhos de Mahārāja Priyavrata. Ele deu às sete ilhas os nomes de seus sete filhos, dividiu-as entre eles e, em seguida, retirou-se da vida ativa para se ocupar no serviço devocional ao Senhor.
Devanagari
शिवं यवसं सुभद्रं शान्तं क्षेमममृतमभयमिति वर्षाणि तेषु गिरयो नद्यश्च सप्तैवाभिज्ञाता: ॥ ३ ॥ मणिकूटो वज्रकूट इन्द्रसेनो ज्योतिष्मान् सुपर्णो हिरण्यष्ठीवो मेघमाल इति सेतुशैला: । अरुणा नृम्णाऽऽङ्गिरसी सावित्री सुप्तभाता ऋतम्भरा सत्यम्भरा इति महानद्य: । यासां जलोपस्पर्शनविधूतरजस्तमसो हंसपतङ्गोर्ध्वायनसत्याङ्गसंज्ञाश्चत्वारो वर्णा: सहस्रायुषो विबुधोपमसन्दर्शनप्रजनना: स्वर्गद्वारं त्रय्या विद्यया भगवन्तं त्रयीमयं सूर्यमात्मानं यजन्ते ॥ ४ ॥
Verse text
śivaṁ yavasaṁ subhadraṁ śāntaṁ kṣemam amṛtam abhayam iti varṣāṇi teṣu girayo nadyaś ca saptaivābhijñātāḥ; maṇikūṭo vajrakūṭa indraseno jyotiṣmān suparṇo hiraṇyaṣṭhīvo meghamāla iti setu-śailāḥ aruṇā nṛmṇāṅgirasī sāvitrī suptabhātā ṛtambharā satyambharā iti mahā-nadyaḥ; yāsāṁ jalopasparśana-vidhūta-rajas-tamaso haṁsa-pataṅgordhvāyana-satyāṅga-saṁjñāś catvāro varṇāḥ sahasrāyuṣo vibudhopama-sandarśana-prajananāḥ svarga-dvāraṁ trayyā vidyayā bhagavantaṁ trayīmayaṁ sūryam ātmānaṁ yajante.
Synonyms
śivam — Śiva; yavasam — Yavasa; subhadram — Subhadra; śāntam — Śānta; kṣemam — Kṣema; amṛtam — Amṛta; abhayam — Abhaya; iti — assim; varṣāni — as extensões territoriais de acordo com os nomes dos sete filhos; teṣu — nelas; girayaḥ — montanhas; nadyaḥ ca — e rios; sapta — sete; eva — na verdade; abhijñātāḥ — são conhecidos; maṇi-kūṭaḥ — Maṇikūṭa; vajra-kūṭaḥ — Vajrakūṭa; indra-senaḥ — Indrasena; jyotiṣmān — Jyotiṣmān; suparṇaḥ — Suparṇa; hiraṇya-ṣṭhīvaḥ — Hiraṇyaṣṭhīva; megha-mālaḥ — Meghamāla; iti — assim; setu-śailāḥ — as cordilheiras que delimitam os varṣas; aruṇā — Aruṇā; nṛmṇā — Nṛmṇā; āṅgirasī — Āṅgirasī; sāvitrī — Sāvitrī; supta-bhātā — Suptabhātā; ṛtambharā — Ṛtambharā; satyambharā — Satyambharā; iti — assim; mahā-nadyaḥ — rios enormes; yāsām — dos quais; jala-upasparśana — simplesmente tocando na água; vidhūta — extinguem-se; rajaḥ-tamasaḥ — cujos modos da paixão e da ignorância; haṁsa — Haṁsa; pataṅga — Pataṅga; ūrdhvāyana — Ūrdhvāyana; satyāṅga — Satyāṅga; saṁjñāḥ — chamadas; catvāraḥ — quatro; varṇāḥ — castas ou divisões de homens; sahasra-āyuṣaḥ — vivendo mil anos; vibudha-upama — parecidos com os semideuses; sandarśana — no que se refere a terem formas belíssimas; prajananāḥ — e em relação a gerar filhos; svarga-dvāram — a porta de entrada para os planetas celestiais; trayyā vidyayā — executando cerimônias ritualísticas de acordo com os princípios védicos; bhagavantam — a Suprema Personalidade de Deus; trayī-mayam — estabelecido nos Vedas; sūryam ātmānam — a Superalma, representada pelo deus do Sol; yajante — eles adoram.
Translation
As sete ilhas [varṣas] são conhecidas de acordo com os nomes desses sete filhos – Śiva, Yavasa, Subhadra, Śānta, Kṣema, Amṛta e Abhaya. Naquelas sete extensões territoriais, existem sete montanhas e sete rios. As montanhas se chamam Maṇikūṭa, Vajrakūṭa, Indrasena, Jyotiṣmān, Suparṇa, Hiraṇyaṣṭhīva e Meghamāla, e os rios se chamam Aruṇā, Nṛmṇā, Āṅgirasī, Sāvitrī, Suptabhātā, Ṛtambharā e Satyambharā. Pode livrar-se imediatamente da contaminação material quem toca ou se banha nesses rios, e as quatro castas de pessoas que vivem em Plakṣadvīpa – os Haṁsas, Pataṅgas, Ūrdhvāyanas e Satyāṅgas – purificam-se dessa maneira. Os habitantes de Plakṣadvīpa vivem mil anos. Eles são belos como os semideuses, e também geram filhos parecidos com os semideuses. Executando perfeitamente as cerimônias ritualísticas mencionadas nos Vedas e adorando a Suprema Personalidade de Deus, representado pelo deus do Sol, eles viverão no Sol, que é um planeta celestial.
Purport
SIGNIFICADO—De acordo com a compreensão geral, existem três deidades originalmente – o senhor Brahmā, o Senhor Viṣṇu e o senhor Śiva – e as pessoas com um pobre fundo de conhecimento consideram que o Senhor Viṣṇu não está em um nível superior ao senhor Brahmā ou ao senhor Śiva. Essa conclusão, contudo, não é válida. Como afirmam os Vedas, iṣṭāpūrtaṁ bahudhā jāyamānaṁ viśvaṁ bibharti bhuvanasya nābhiḥ tad evāgnis tad vāyus tat sūryas tad u candramāḥ agniḥ sarvadaivataḥ. Isso significa que o Senhor Supremo, que aceita e desfruta os resultados das cerimônias ritualísticas védicas (tecnicamente chamadas iṣṭāpūrta), que mantém toda a criação, que provê as necessidades de todas as entidades vivas (eko bahūnāṁ yo vidadhāti kāmān) e que é o ponto central de toda a criação, é o Senhor Viṣṇu. O Senhor Viṣṇu expande-Se sob a forma de semideuses conhecidos como Agni, Vāyu, Sūrya e Candra, que são meras partes integrantes do Seu corpo. O Senhor Kṛṣṇa diz no Śrīmad-Bhagavad-gītā (9.23):
ye ’py anya-devatā-bhaktā
yajante śraddhayānvitāḥ
te ’pi mām eva kaunteya
yajanty avidhi-pūrvakam
yajante śraddhayānvitāḥ
te ’pi mām eva kaunteya
yajanty avidhi-pūrvakam
“Os devotos que, com fé inabalável, adoram semideuses, também Me adoram, mas essa adoração não é executada de acordo com os princípios reguladores.” Em outras palavras, se alguém adora os semideuses, mas não compreende a relação que existe entre os semideuses e a Suprema Personalidade de Deus, sua adoração é imperfeita. Na Bhagavad-gītā (9.24), Kṛṣṇa também diz que ahaṁ hi sarva-yajñānāṁ bhoktā ca prabhur eva ca: “Eu sou o único desfrutador das cerimônias ritualísticas.”
Seria possível argumentar que os semideuses são tão importantes como o Senhor Viṣṇu, pois os nomes dos semideuses são diferentes nomes de Viṣṇu. Contudo, essa conclusão não é sensata, pois os textos védicos a impugnam. Os Vedas declaram:
candramā manaso jātaś cakṣoḥ sūryo ajāyata; śrotrādayaś ca prāṇaś ca mukhād agnir ajāyata; nārāyaṇād brahmā, nārāyaṇād rudro jāyate, nārāyaṇāt prajāpatiḥ jāyate, nārāyaṇād indro jāyate, nārāyaṇād aṣṭau vasavo jāyante, nārāyaṇād ekādaśa rudrā jāyante.
“Candra, o semideus da Lua, proveio da mente de Nārāyaṇa, e o deus do Sol adveio dos Seus olhos. As deidades controladoras da audição e do ar vital procederam de Nārāyaṇa, e a deidade controladora do fogo foi gerada de Sua boca. Prajāpati, o senhor Brahmā, proveio de Nārāyaṇa, Indra proveio de Nārāyaṇa, e os oito Vasus, as onze expansões do senhor Śiva e os doze ādityas também advieram de Nārāyaṇa.” Na literatura védica smṛti, também se diz:
brahmā śambhus tathaivārkaś
candramāś ca śatakratuḥ
evam ādyās tathaivānye
yuktā vaiṣṇava-tejasā
candramāś ca śatakratuḥ
evam ādyās tathaivānye
yuktā vaiṣṇava-tejasā
jagat-kāryāvasāne tu
viyujyante ca tejasā
vitejaś ca te sarve
pañcatvam upayānti te
viyujyante ca tejasā
vitejaś ca te sarve
pañcatvam upayānti te
“Brahmā, Śambhu, Sūrya e Indra são todos meros efeitos do poder da Suprema Personalidade de Deus. Isso também se aplica aos muitos outros semideuses cujos nomes não estão mencionados aqui. Quando a manifestação cósmica for aniquilada, essas diferentes expansões das potências de Nārāyaṇa ficarão imersas em Nārāyaṇa. Em outras palavras, todos esses semideuses morrerão. Sua força vital será retirada, e eles imergirão em Nārāyaṇa.”
Portanto, deve-se concluir que o Senhor Viṣṇu, e não o senhor Brahmā ou o senhor Śiva, é a Suprema Personalidade de Deus. Assim como um representante do governo às vezes é aceito como sendo todo o governo, embora, na verdade, seja apenas o administrador de algum departamento, isso também acontece em relação aos semideuses que, sendo investidos de poderes por Viṣṇu, agem em Seu nome, embora não sejam tão poderosos como Ele. Todos os semideuses têm que trabalhar sob as ordens de Viṣṇu. Portanto, afirma-se que ekale īśvara kṛṣṇa, āra saba bhṛtya. O único amo é o Senhor Kṛṣṇa, ou o Senhor Viṣṇu, e todos os demais são Seus servos obedientes, que agem exatamente de acordo com Suas ordens. A diferença entre o Senhor Viṣṇu e os semideuses também é expressa na Bhagavad-gītā (9.25).
yānti deva-vratā devān
pitṝn yānti pitṛ-vratāḥ
bhūtāni yānti bhūtejyā
yānti mad-yājino ’pi mām
pitṝn yānti pitṛ-vratāḥ
bhūtāni yānti bhūtejyā
yānti mad-yājino ’pi mām
Aqueles que adoram os semideuses vão para os planetas dos semideuses, ao passo que os adoradores do Senhor Kṛṣṇa e do Senhor Viṣṇu vão aos planetas Vaikuṇṭha. Essas afirmações constam no smṛti. Portanto, a ideia de que os semideuses estão em nível de igualdade com o Senhor Viṣṇu é contrária aos śāstras. Os semideuses não são supremos. A supremacia dos semideuses depende da misericórdia do Senhor Nārāyaṇa (Viṣṇu, ou Kṛṣṇa).
Devanagari
प्रत्नस्य विष्णो रूपं यत्सत्यस्यर्तस्य ब्रह्मण: ।
अमृतस्य च मृत्योश्च सूर्यमात्मानमीमहीति ॥ ५ ॥
अमृतस्य च मृत्योश्च सूर्यमात्मानमीमहीति ॥ ५ ॥
Verse text
pratnasya viṣṇo rūpaṁ yat
satyasyartasya brahmaṇaḥ
amṛtasya ca mṛtyoś ca
sūryam ātmānam īmahīti
satyasyartasya brahmaṇaḥ
amṛtasya ca mṛtyoś ca
sūryam ātmānam īmahīti
Synonyms
pratnasya — da pessoa mais velha; viṣṇoḥ — Senhor Viṣṇu; rūpam — a forma; yat — a qual; satyasya — da Verdade Absoluta; ṛtasya — de dharma; brahmaṇaḥ — do Brahman Supremo; amṛtasya — do resultado auspicioso; ca — e; mṛtyoḥ — da morte (o resultado inauspicioso); ca — e; sūryam — o semideus Sūrya; ātmānam — a Superalma ou a origem de todas as almas; īmahi — nós nos aproximamos em busca de refúgio; iti — assim.
Translation
[Este é o mantra com o qual os habitantes de Plakṣadvīpa adoram o Senhor Supremo.] Refugiemo-nos no deus do Sol, que é um reflexo do Senhor Viṣṇu, a Suprema Personalidade de Deus, que sempre Se expande e é a mais velha de todas as pessoas. Viṣṇu é o único Senhor adorável. Ele é os Vedas, Ele é a religião, e Ele é a origem de todos os resultados auspiciosos e inauspiciosos.
Purport
SIGNIFICADO—Como se confirma na Bhagavad-gītā (mṛtyuḥ sarva-haraś cāham), o Senhor Viṣṇu é inclusive o Supremo Senhor da morte. Existem duas classes de atividades – as auspiciosas e as inauspiciosas –, e ambas são controladas pelo Senhor Viṣṇu. Afirma-se que as atividades inauspiciosas situam-se atrás do Senhor Viṣṇu, ao passo que as atividades auspiciosas ficam postadas diante dEle. No mundo todo, existem o auspicioso e o inauspicioso, e o Senhor Viṣṇu controla ambos.
Com relação a esse verso, Śrīla Madhvācārya diz:
sūrya-somāgni-vārīśa-
vidhātṛṣu yathā-kramam
plakṣādi-dvīpa-saṁsthāsu
sthitaṁ harim upāsate
vidhātṛṣu yathā-kramam
plakṣādi-dvīpa-saṁsthāsu
sthitaṁ harim upāsate
Existem muitas terras, campos, montanhas e oceanos em toda a criação, e em toda parte a Suprema Personalidade de Deus é adorado através de Seus diferentes nomes.
Śrīla Vīrarāghava Ācārya explica da seguinte maneira este verso do Śrīmad-Bhāgavatam. A causa que origina a manifestação cósmica tem que ser a pessoa mais velha e, portanto, tem que estar além das transformações materiais. Ele é o desfrutador de todas as atividades auspiciosas e é a causa da vida condicionada, e também da liberação. O semideus Sūrya, que é definido como uma jīva, ou entidade viva, poderosíssima, representa uma das partes do Seu corpo. Por certo que estamos subordinados a poderosas entidades vivas e, portanto, podemos adorar os vários semideuses como seres vivos que são representantes poderosos da Suprema Personalidade de Deus. Embora neste mantra recomende-se adorar o deus do Sol, ele não é adorado como a Suprema Personalidade de Deus, senão que é adorado como Seu representante poderoso.
A Kaṭha Upaniṣad (1.3.1) diz:
ṛtaṁ pibantau sukṛtasya loke
guhāṁ praviṣṭau parame parārdhe
chāyātapau brahmavido vadanti
pañcāgnayo ye ca tri-ṇāciketāḥ
guhāṁ praviṣṭau parame parārdhe
chāyātapau brahmavido vadanti
pañcāgnayo ye ca tri-ṇāciketāḥ
“Ó Nāciketā, as expansões do Senhor Viṣṇu, sob a forma de frágil entidade viva e da Superalma, estão ambas situadas dentro do recôndito do coração deste corpo. Tendo entrado nessa cavidade, a entidade viva, repousando no dirigente dos ares vitais desfruta dos resultados das atividades, e a Superalma, agindo como testemunha, capacita-a a desfrutar deles. Aqueles que são versados no conhecimento do Brahman e os chefes de família que seguem criteriosamente os preceitos védicos dizem que a diferença entre os dois é como a diferença entre a sombra e o Sol.”
A Śvetāśvatara Upaniṣad (6.16) diz:
sa viśvakṛd viśvavidātmayoniḥ
jñaḥ kālākāro guṇī sarvavid yaḥ
pradhāna-kṣetrajña-patir guṇeśaḥ
saṁsāra-mokṣa-sthiti-bandha-hetuḥ
jñaḥ kālākāro guṇī sarvavid yaḥ
pradhāna-kṣetrajña-patir guṇeśaḥ
saṁsāra-mokṣa-sthiti-bandha-hetuḥ
“O Senhor Supremo, o criador desta manifestação cósmica, conhece todos os cantos de Sua criação. Embora Ele seja a causa da criação, não há causa para o Seu aparecimento. Ele tem completa onisciência. Ele é a Superalma, o senhor de todas as qualidades transcendentais, e Ele é o mestre desta manifestação cósmica no que diz respeito tanto ao cativeiro do estado condicionado de existência material quanto à liberação desse cativeiro.”
Igualmente, a Taittirīya Upaniṣad (2.8) afirma:
bhīṣāsmād vātaḥ pavate
bhīṣodeti sūryaḥ
bhīṣāsmād agniś candraś ca
mṛtyur dhāvati pañcamaḥ
bhīṣodeti sūryaḥ
bhīṣāsmād agniś candraś ca
mṛtyur dhāvati pañcamaḥ
“É por temor ao Brahman Supremo que o vento sopra, é por temor a Ele que o Sol regularmente nasce e se põe, e é por temor a Ele que o fogo queima. É unicamente devido ao temor a Ele que a morte e Indra, o rei dos céus, executam seus respectivos deveres.”
Como se descreve neste capítulo, os habitantes das cinco ilhas, começando com Plakṣadvīpa, adoram o deus do Sol, o deus da Lua, o deus do fogo, o deus do ar e o senhor Brahmā, respectivamente. Todavia, embora se ocupem em adorar esses cinco semideuses, realmente adoram o Senhor Viṣṇu, a Superalma de todas as entidades vivas, como neste verso fica caracterizado através das palavras pratnasya viṣṇo rūpam. Viṣṇu é brahma, amṛta, mṛtyu – o Brahman Supremo e a origem de tudo: do auspicioso e do inauspicioso. Ele está situado no coração de todas as pessoas, entre as quais se incluem todos os semideuses. Como se afirma na Bhagavad-gītā (7.20), kāmais tais tair hṛta-jñānāḥ prapadyante ’nya devatāḥ: aqueles cujas mentes são distorcidas por desejos materiais rendem-se aos semideuses. Às pessoas que estão quase cegas devido aos desejos luxuriosos, é recomendado que adorem os semideuses para que seus desejos materiais sejam satisfeitos, mas, na verdade, esses desejos não são satisfeitos pelos semideuses materiais. Tudo o que os semideuses fazem é através da sanção do Senhor Viṣṇu. As pessoas que são demasiadamente luxuriosas adoram vários semideuses ao invés de adorarem o Senhor Viṣṇu, a Superalma de todas as entidades vivas, mas, em última análise, elas adoram o Senhor Viṣṇu, pois Ele é a Superalma de todos os semideuses.
Devanagari
प्लक्षादिषु पञ्चसु पुरुषाणामायुरिन्द्रियमोज: सहो बलं बुद्धिर्विक्रम इति च सर्वेषामौत्पत्तिकी सिद्धिरविशेषेण वर्तते ॥ ६ ॥
Verse text
plakṣādiṣu pañcasu puruṣāṇām āyur indriyam ojaḥ saho balaṁ buddhir vikrama iti ca sarveṣām autpattikī siddhir aviśeṣeṇa vartate.
Synonyms
plakṣa-ādiṣu — nas ilhas lideradas por Plakṣa; pañcasu — cinco; puruṣāṇām — dos habitantes; āyuḥ — longa duração de vida; indriyam — sentidos saudáveis; ojaḥ — força corpórea; sahaḥ — força mental; balam — força física; buddhiḥ — inteligência; vikramaḥ — bravura; iti — assim; ca — também; sarveṣām — de todos eles; autpattikī — inata; siddhiḥ — perfeição; aviśeṣeṇa — sem distinção; vartate — existe.
Translation
Ó rei, longevidade, proeza sensorial, força física e mental, inteligência e bravura se manifestam natural e igualmente em todos os habitantes das cinco ilhas, lideradas por Plakṣadvīpa.
Devanagari
प्लक्ष: स्वसमानेनेक्षुरसोदेनावृतो यथा तथा द्वीपोऽपि शाल्मलो द्विगुणविशाल: समानेन सुरोदेनावृत: परिवृङ्क्ते ॥ ७ ॥
Verse text
plakṣaḥ sva-samānenekṣu-rasodenāvṛto yathā tathā dvīpo ’pi śālmalo dvi-guṇa-viśālaḥ samānena surodenāvṛtaḥ parivṛṅkte.
Synonyms
plakṣaḥ — a terra conhecida como Plakṣadvīpa; sva-samānena — igual em largura; ikṣu-rasa — de caldo de cana; udena — por um oceano; āvṛtaḥ — cercada; yathā — assim como; tathā — do mesmo modo; dvīpaḥ — outra ilha; api — também; śālmalaḥ — conhecida como Śālmala; dvi-guṇa-viśālaḥ — duas vezes maior; samānena — igual em largura; surā-udena — por um oceano de bebida alcoólica; āvṛtaḥ — cercada; parivṛṅkte — existe.
Translation
Plakṣadvīpa está cercado por um oceano de caldo de cana, o qual tem a mesma largura da própria ilha. Igualmente, existe, então, outra ilha – Śālmalīdvīpa – com o dobro da largura de Plakṣadvīpa [400.000 yojanas, ou 5.120.000 quilômetros] e cercada por um corpo de água de largura igual e chamado Surāsāgara, o oceano que tem gosto de bebida alcoólica.
Devanagari
यत्र ह वै शाल्मली प्लक्षायामा यस्यां वाव किल निलयमाहुर्भगवतश्छन्द: स्तुत: पतत्त्रिराजस्य सा द्वीपहूतये उपलक्ष्यते ॥ ८ ॥
Verse text
yatra ha vai śālmalī plakṣāyāmā yasyāṁ vāva kila nilayam āhur bhagavataś chandaḥ-stutaḥ patattri-rājasya sā dvīpa-hūtaye upalakṣyate.
Synonyms
yatra — onde; ha vai — decerto; śālmalī — uma árvore śālmalī; plakṣaāyāmā — tão grande como a árvore plakṣa (cem yojanas de largura e mil e cem yojanas de altura); yasyām — na qual; vāva kila — na verdade; nilayam — lugar de descanso ou residência; āhuḥ — dizem; bhagavataḥ — do poderosíssimo; chandaḥ-stutaḥ — que adora o Senhor com orações védicas; patattri-rājasya — de Garuḍa, o carregador do Senhor Viṣṇu; sā — essa árvore; dvīpa-hūtaye — pelo nome da ilha; upalakṣyate — distingue-se.
Translation
Em Śālmalīdvīpa, existe uma árvore śālmalī, da qual a ilha recebe seu nome. Essa árvore é tão larga e alta como a árvore plakṣa – em outras palavras, 100 yojanas [1.300 quilômetros] de largura e 1.100 yojanas [14.300 quilômetros] de altura. Os estudiosos eruditos dizem que essa árvore gigantesca é a residência de Garuḍa, o rei de todos os pássaros e carregador do Senhor Viṣṇu. Nessa árvore, Garuḍa oferece suas orações védicas ao Senhor Viṣṇu.
Devanagari
तद्द्वीपाधिपति: प्रियव्रतात्मजो यज्ञबाहु: स्वसुतेभ्य: सप्तभ्यस्तन्नामानि सप्तवर्षाणि व्यभजत्सुरोचनं सौमनस्यं रमणकं देववर्षं पारिभद्रमाप्यायनमविज्ञातमिति ॥ ९ ॥
Verse text
tad-dvīpādhipatiḥ priyavratātmajo yajñabāhuḥ sva-sutebhyaḥ saptabhyas tan-nāmāni sapta-varṣāṇi vyabhajat surocanaṁ saumanasyaṁ ramaṇakaṁ deva-varṣaṁ pāribhadram āpyāyanam avijñātam iti.
Synonyms
tat-dvīpa-adhipatiḥ — o senhor desta ilha; priyavrata-ātmajaḥ — o filho de Mahārāja Priyavrata; yajña-bāhuḥ — chamado Yajñabāhu; sva-sutebhyaḥ — a seus filhos; saptabhyaḥ — em número de sete; tat-nāmāni — tendo nomes de acordo com os nomes deles; sapta-varṣāṇi — sete extensões territoriais; vyabhajat — dividiu; surocanam — Surocana; saumanasyam — Saumanasya; ramaṇakam — Ramaṇaka; deva-varṣam — Deva-varṣa; pāribhadram — Pāribhadra; āpyāyanam — Āpyāyana; avijñātam — Avijñāta; iti — assim.
Translation
O filho de Mahārāja Priyavrata, chamado Yajñabāhu, o mestre de Śālmalīdvīpa, dividiu a ilha em sete extensões territoriais, as quais deu a seus sete filhos. Os nomes dessas regiões, que correspondem aos nomes dos filhos, são Surocana, Saumanasya, Ramaṇaka, Deva-varṣa, Pāribhadra, Āpyāyana e Avijñāta.
Devanagari
तेषु वर्षाद्रयो नद्यश्च सप्तैवाभिज्ञाता: स्वरस: शतशृङ्गो वामदेव: कुन्दो मुकुन्द: पुष्पवर्ष: सहस्रश्रुतिरिति । अनुमति: सिनीवाली सरस्वती कुहू रजनी नन्दा राकेति ॥ १० ॥
Verse text
teṣu varṣādrayo nadyaś ca saptaivābhijñātāḥ svarasaḥ śataśṛṅgo vāmadevaḥ kundo mukundaḥ puṣpa-varṣaḥ sahasra-śrutir iti; anumatiḥ sinīvālī sarasvatī kuhū rajanī nandā rāketi.
Synonyms
teṣu — nessas extensões territoriais; varṣa-adrayaḥ — montanhas; nadyaḥ ca — bem como rios; sapta eva — em número de sete; abhijñātāḥ — compreendidos; svarasaḥ — Svarasa; śata-śṛṅgaḥ — Śataśṛṅga; vāma-devaḥ — Vāmadeva; kundaḥ — Kunda; mukundaḥ — Mukunda; puṣpa-varṣaḥ — Puṣpa-varṣa; sahasra-śrutiḥ — Sahasra-śruti; iti — assim; anumatiḥ — Anumati; sinīvālī — Sinīvālī; sarasvatī — Sarasvatī; kuhū — Kuhū; rajanī — Rajanī; nandā — Nandā; rākā — Rākā; iti — assim.
Translation
Nessas extensões territoriais, existem sete montanhas – Svarasa, Śataśṛṅga, Vāmadeva, Kunda, Mukunda, Puṣpa-varṣa e Sahasraśruti. Existem, também, sete rios – Anumati, Sinīvālī, Sarasvatī, Kuhū, Rajanī, Nandā e Rākā. Eles ainda existem.
Devanagari
तद्वर्षपुरुषा: श्रुतधरवीर्यधरवसुन्धरेषन्धरसंज्ञा भगवन्तं वेदमयं सोममात्मानं वेदेन यजन्ते ॥ ११ ॥
Verse text
tad-varṣa-puruṣāḥ śrutadhara-vīryadhara-vasundhareṣandhara-saṁjñā bhagavantaṁ vedamayaṁ somam ātmānaṁ vedena yajante.
Synonyms
tat-varṣa-puruṣāḥ — os residentes desses territórios; śrutadhara — Śrutadhara; vīryadhara — Vīryadhara; vasundhara — Vasundhara; iṣandhara — Iṣandhara; saṁjñāḥ — conhecidos como; bhagavantam — a Suprema Personalidade de Deus; veda-mayam — plenamente versados no conhecimento védico; somam ātmānam — representado pela entidade viva conhecida como Soma; vedena — seguindo as regras e regulações védicas; yajante — eles adoram.
Translation
Seguindo estritamente o culto do varṇāśrama-dharma, todos os habitantes dessas ilhas, conhecidos como Śrutidharas, Vīryadharas, Vasundharas e Iṣandharas, adoram a expansão da Suprema Personalidade de Deus chamada Soma, o deus da Lua.
Devanagari
स्वगोभि: पितृदेवेभ्यो विभजन् कृष्णशुक्लयो: ।
प्रजानां सर्वासां राजान्ध: सोमो न आस्त्विति ॥ १२ ॥
प्रजानां सर्वासां राजान्ध: सोमो न आस्त्विति ॥ १२ ॥
Verse text
sva-gobhiḥ pitṛ-devebhyo
vibhajan kṛṣṇa-śuklayoḥ
prajānāṁ sarvāsāṁ rājā-
ndhaḥ somo na āstv iti
vibhajan kṛṣṇa-śuklayoḥ
prajānāṁ sarvāsāṁ rājā-
ndhaḥ somo na āstv iti
Synonyms
sva-gobhiḥ — com a expansão de seus próprios raios iluminantes; pitṛ-devebhyaḥ — aos pitas e semideuses; vibhajan — dividindo; kṛṣṇa-śuklayoḥ — nas duas quinzenas, escuras e claras; prajānām — dos cidadãos; sarvāsām — de todos; rājā — o rei; andhaḥ — grãos alimentícios; somaḥ — o deus da Lua; naḥ — a nós; āstu — que ele permaneça favorável; iti — assim.
Translation
[Com as seguintes palavras, os habitantes de Śālmalīdvīpa adoram o semideus da Lua.] Para a distribuição de grãos alimentícios aos pitās e semideuses, o deus da Lua, com seus próprios raios, dividiu o mês em duas quinzenas, conhecidas como śukla e kṛṣṇa. O semideus da Lua é aquele que divide o tempo, e ele é o rei de todos os residentes do universo. Oramos, portanto, para que ele possa permanecer nosso rei e guia, e lhe oferecemos nossas respeitosas reverências.
Devanagari
एवं सुरोदाद्बहिस्तद्द्विगुण: समानेनावृतो घृतोदेन यथापूर्व: कुशद्वीपो यस्मिन् कुशस्तम्बो देवकृतस्तद्द्वीपाख्याकरो ज्वलन इवापर: स्वशष्परोचिषा दिशो विराजयति ॥ १३ ॥
Verse text
evaṁ surodād bahis tad-dvi-guṇaḥ samānenāvṛto ghṛtodena yathā-pūrvaḥ kuśa-dvīpo yasmin kuśa-stambo deva-kṛtas tad-dvīpākhyākaro jvalana ivāparaḥ sva-śaṣpa-rociṣā diśo virājayati.
Synonyms
evam — assim; surodāt — do oceano de bebida alcoólica; bahiḥ — do lado externo; tat-dvi-guṇaḥ — duas vezes isto; samānena — igual em largura; āvṛtaḥ — cercada; ghṛta-udena — um oceano de manteiga clarificada; yathā-pūrvaḥ — como anteriormente no caso de Śālmalīdvīpa; kuśa-dvīpa — a ilha chamada Kuśadvīpa; yasmin — na qual; kuśa-stambaḥ — grama kuśa; deva-kṛtaḥ — criada pela vontade suprema da Suprema Personalidade de Deus; tat-dvīpa-ākhyā-karaḥ — emprestando seu nome à ilha; jvalanaḥ — fogo; iva — como; aparaḥ — outro; sva-śaṣpa-rociṣā — pela refulgência das gramas que vão brotando; diśaḥ — todas as direções; virājayati — ilumina.
Translation
Externamente ao oceano de bebida alcoólica, existe outra ilha, conhecida como Kuśadvīpa, que, tendo 800.000 yojanas [10.240.000 quilômetros] de largura, mede o dobro da largura do oceano de bebida alcoólica. Assim como Śālmalīdvīpa está cercada por um oceano de bebida alcoólica, Kuśadvīpa está cercada por um oceano de ghī, tão extenso como a própria ilha. Em Kuśadvīpa, existe grama kuśa em profusão, e é daí que vem o nome da ilha. Essa grama kuśa, que os semideuses criaram obedecendo ao desejo do Senhor, aparece como uma segunda forma do fogo, mas com chamas muito suaves e agradáveis. Seus rebentos iluminam todas as direções.
Purport
SIGNIFICADO—Pelas descrições deste verso, podemos fazer uma ideia razoável da natureza das chamas na Lua. Como o Sol, a Lua também tem que estar cheia de chamas, haja vista que, sem chamas, não pode haver iluminação. Contudo, as chamas da Lua, ao contrário das do Sol, têm que ser suaves e agradáveis. Essa é a nossa convicção. A teoria moderna de que a Lua está cheia de poeira não é aceita nos versos do Śrīmad-Bhāgavatam. Em relação a este verso, Śrīla Viśvanātha Cakravartī Ṭhākura diz que suśaṣpāṇi sukomala-śikhās teṣāṁ rociṣā: a grama kuśa ilumina todas as direções, mas suas chamas são muito suaves e agradáveis. Isso é um indicativo das chamas existentes na Lua.
Devanagari
तद्द्वीपपति: प्रैयव्रतो राजन् हिरण्यरेता नाम स्वं द्वीपं सप्तभ्य: स्वपुत्रेभ्यो यथाभागं विभज्य स्वयं तप आतिष्ठत वसुवसुदानदृढरुचिनाभिगुप्तस्तुत्यव्रतविविक्तवामदेवनामभ्य: ॥ १४ ॥
Verse text
tad-dvīpa-patiḥ praiyavrato rājan hiraṇyaretā nāma svaṁ dvīpaṁ saptabhyaḥ sva-putrebhyo yathā-bhāgaṁ vibhajya svayaṁ tapa ātiṣṭhata vasu-vasudāna-dṛḍharuci-nābhigupta-stutyavrata-vivikta-vāmadeva-nāmabhyaḥ.
Synonyms
tat-dvīpa-patiḥ — o senhor dessa ilha; praiyavrataḥ — o filho de Mahārāja Priyavrata; rājan — ó rei; hiraṇyaretā — Hiraṇyaretā; nāma — chamado; svam — sua própria; dvīpam — ilha; saptabhyaḥ — em sete; sva-putrebhyaḥ — seus próprios filhos; yathā-bhāgam — de acordo com a divisão; vibhajya — repartindo; svayam — ele próprio; tapaḥ ātiṣṭhata — ocupou-se em austeridades; vasu — a Vasu; vasudāna — Vasudāna; dṛḍharuci — Dṛḍharuci; nābhi-gupta — Nābhigupta; stutya-vrata — Stutyavrata; vivikta — Vivikta; vāmadeva — Vāmadeva; nāmabhyaḥ — chamados.
Translation
Ó rei, Hiraṇyaretā, outro filho de Mahārāja Priyavrata, era o rei desta ilha. Ele a dividiu em sete partes, as quais distribuiu entre seus sete filhos de acordo com os direitos hereditários. Em seguida, o rei se retirou da vida familiar para se ocupar em austeridades. Os nomes daqueles filhos eram Vasu, Vasudāna, Dṛḍharuci, Stutyavrata, Nābhigupta, Vivikta e Vāmadeva.
Devanagari
तेषां वर्षेषु सीमागिरयो नद्यश्चाभिज्ञाता: सप्त सप्तैव चक्रश्चतु:शृङ्ग: कपिलश्चित्रकूटो देवानीक ऊर्ध्वरोमा द्रविण इति रसकुल्या मधुकुल्या मित्रविन्दा श्रुतविन्दा देवगर्भा घृतच्युता मन्त्रमालेति ॥ १५ ॥
Verse text
teṣāṁ varṣeṣu sīmā-girayo nadyaś cābhijñātāḥ sapta saptaiva cakraś catuḥśṛṅgaḥ kapilaś citrakūṭo devānīka ūrdhvaromā draviṇa iti rasakulyā madhukulyā mitravindā śrutavindā devagarbhā ghṛtacyutā mantramāleti.
Synonyms
teṣām — todos aqueles filhos; varṣeṣu — nas extensões territoriais; sīmā-girayaḥ — montanhas fronteiriças; nadyaḥ ca — bem como rios; abhijñātāḥ — conhecidos; sapta — sete; sapta — sete; eva — decerto; cakraḥ — Cakra; catuḥ-śṛṅgaḥ — Catuḥ-śṛṅga; kapilaḥ — Kapila; citra-kūṭaḥ — Citrakūṭa; devānīkaḥ — Devānīka; ūrdhva-romā — Ūrdhvaromā; draviṇaḥ — Draviṇa; iti — assim; rasa-kulyā — Ramakulyā; madhu-kulyā — Madhukulyā; mitra-vindā — Mitravindā; śruta-vindā — Śrutavindā; deva-garbhā — Devagarbhā; ghṛta-cyutā — Ghṛtacyutā; mantra-mālā — Mantramālā; iti — assim.
Translation
Nessas sete ilhas, existem sete montanhas fronteiriças, conhecidas como Cakra, Catuḥśṛṅga, Kapila, Citrakūṭa, Devānīka, Ūrdhvaromā e Draviṇa. Existem, também, sete rios, conhecidos como Ramakulyā, Madhukulyā, Mitravindā, Śrutavindā, Devagarbhā, Ghṛtacyutā e Mantramālā.
Devanagari
यासां पयोभि: कुशद्वीपौकस: कुशलकोविदाभियुक्तकुलकसंज्ञा भगवन्तं जातवेदसरूपिणं कर्मकौशलेन यजन्ते ॥ १६ ॥
Verse text
yāsāṁ payobhiḥ kuśadvīpaukasaḥ kuśala-kovidābhiyukta-kulaka-saṁjñā bhagavantaṁ jātaveda-sarūpiṇaṁ karma-kauśalena yajante.
Synonyms
yāsām — dos quais; payobhiḥ — pela água; kuśa-dvīpa-okasaḥ — os habitantes da ilha conhecida como Kuśadvīpa; kuśala — Kuśala; kovida — Kovida; abhiyukta — Abhiyukta; kulaka — Kulaka; saṁjñāḥ — chamados; bhagavantam — à Suprema Personalidade de Deus; jātaveda — o semideus do fogo; sa-rūpiṇam — manifestando a forma; karma-kauśalena — pela habilidade em cerimônias ritualísticas; yajante — eles adoram.
Translation
Os habitantes da ilha de Kuśadvīpa são célebres como Kuśalas, Kovidas, Abhiyuktas e Kulakas. São como os brāhmaṇas, kṣatriyas, vaiśyas e śūdras, respectivamente. Banhando-se nas águas desses rios, todos eles se purificam. Eles são hábeis em executar cerimônias ritualísticas de acordo com os preceitos das escrituras védicas. Assim, eles adoram o Senhor sob Seu aspecto de semideus do fogo.
Devanagari
परस्य ब्रह्मण: साक्षाज्जातवेदोऽसि हव्यवाट् ।
देवानां पुरुषाङ्गानां यज्ञेन पुरुषं यजेति ॥ १७ ॥
देवानां पुरुषाङ्गानां यज्ञेन पुरुषं यजेति ॥ १७ ॥
Verse text
parasya brahmaṇaḥ sākṣāj
jāta-vedo ’si havyavāṭ
devānāṁ puruṣāṅgānāṁ
yajñena puruṣaṁ yajeti
jāta-vedo ’si havyavāṭ
devānāṁ puruṣāṅgānāṁ
yajñena puruṣaṁ yajeti
Synonyms
parasya — ao Supremo; brahmaṇaḥ — Brahman; sākṣāt — diretamente; jāta-vedaḥ — ó deus do fogo; asi — sois; havyavāṭ — aquele que entrega as oferendas védicas de grãos e ghī; devānām — de todos os semideuses; puruṣa-aṅgānām — que são membros da Pessoa Suprema; yajñena — executando os sacrifícios ritualísticos; puruṣam — à Pessoa Suprema; yaja — por favor, levai as oblações; iti — assim.
Translation
[Este é o mantra com o qual os habitantes de Kuśadvīpa adoram o deus do fogo.] Ó deus do fogo, sois uma parte da Suprema Personalidade de Deus, Hari, e entregais a Ele todas as oferendas de sacrifícios. Portanto, pedimos que ofereçais à Suprema Personalidade de Deus os artigos de yajña que estamos oferecendo aos semideuses, pois o Senhor é o verdadeiro desfrutador.
Purport
SIGNIFICADO—Os semideuses são servos que auxiliam a Suprema Personalidade de Deus. Se alguém adora os semideuses, esses, como servos do Supremo, apresentam as oferendas sacrificatórias ao Senhor, assim como cobradores de impostos que coletam impostos dos cidadãos e nos levam ao tesouro governamental. Os semideuses não podem aceitar as oferendas sacrificatórias; eles simplesmente apresentam as oferendas à Suprema Personalidade de Deus. Quanto a isso, Śrīla Viśvanātha Cakravartī Ṭhākura afirma que yasya prasādād bhagavat-prasādaḥ: como é o representante da Suprema Personalidade de Deus, o guru apresenta ao Senhor tudo o que lhe é oferecido. Do mesmo modo, todos os semideuses, como servos fiéis do Senhor Supremo, passam ao Senhor Supremo tudo o que lhes é oferecido na realização de sacrifícios. Com essa compreensão, não está errado adorar os semideuses, mas pensar que os semideuses são independentes da Suprema Personalidade de Deus e iguais a Ele chama-se hṛta-jñāna, falta de inteligência (kāmais tais tair hṛta jñānāḥ). Aquele que pensa que os próprios semideuses são os verdadeiros benfeitores está enganado.
Devanagari
तथा घृतोदाद्बहि: क्रौञ्चद्वीपो द्विगुण: स्वमानेन क्षीरोदेन परित उपक्लृप्तो वृतो यथा कुशद्वीपो घृतोदेन यस्मिन् क्रौञ्चो नाम पर्वतराजो द्वीपनामनिर्वर्तक आस्ते ॥ १८ ॥
Verse text
tathā ghṛtodād bahiḥ krauñcadvīpo dvi-guṇaḥ sva-mānena kṣīrodena parita upakḷpto vṛto yathā kuśadvīpo ghṛtodena yasmin krauñco nāma parvata-rājo dvīpa-nāma-nirvartaka āste.
Synonyms
tathā — assim também; ghṛta-udāt — ao oceano de manteiga clarificada; bahiḥ — externamente; krauñca-dvīpaḥ — outra ilha, conhecida como Krauñcadvīpa; dvi-guṇaḥ — duas vezes maior; sva-mānena — com a mesma medida; kṣīra-udena — por um oceano de leite; paritaḥ — em todo o arredor; upakḷptaḥ — cercada; vṛtaḥ — cercada; yathā — como; kuśa-dvīpaḥ — a ilha conhecida como Kuśadvīpa; ghṛta-udena — por um oceano de manteiga clarificada; yasmin — na qual; krauñcaḥ nāma — chamada Krauñca; parvata-rājaḥ — uma montanha que sobressai; dvīpa-nāma — o nome da ilha; nirvartakaḥ — dando origem; āste — existe.
Translation
Externamente ao oceano de manteiga clarificada, fica outra ilha, conhecida como Krauñcadvīpa, cuja largura de 1.600.000 yojanas [20.480.000 quilômetros] é duas vezes a largura do oceano de manteiga clarificada. Assim como Kuśadvīpa está cercada por um oceano de manteiga clarificada, Krauñcadvīpa está cercada por um oceano de leite tão largo como a própria ilha. Em Krauñcadvīpa, existe uma grande montanha conhecida como Krauñca, a partir da qual a ilha recebe o nome.
Devanagari
योऽसौ गुहप्रहरणोन्मथितनितम्बकुञ्जोऽपि क्षीरोदेनासिच्यमानो भगवता वरुणेनाभिगुप्तो विभयो बभूव ॥ १९ ॥
Verse text
yo ’sau guha-praharaṇonmathita-nitamba-kuñjo ’pi kṣīrodenā-sicyamāno bhagavatā varuṇenābhigupto vibhayo babhūva.
Synonyms
yaḥ — a qual; asau — essa (montanha); guha-praharaṇa — pelas armas de Kārttikeya, filho do senhor Śiva; unmathita — fustigadas; nitamba-kuñjaḥ — cujas árvores e vegetação que se encontram ao longo dos declives; api — embora; kṣīra-udena — pelo oceano de leite; āsicyamānaḥ — sendo sempre banhada; bhagavatā — pelo poderosíssimo; varuṇena — o semideus conhecido como Varuṇa; abhiguptaḥ — protegida; vibhayaḥ babhūva — tornou-se destemida.
Translation
Embora a vegetação que se encontra nos declives do monte Krauñca fosse atacada e devastada pelas armas de Kārttikeya, a montanha se tornou destemida porque um oceano de leite sempre lhe banha todos os lados e Varuṇadeva a protege.
Devanagari
तस्मिन्नपि प्रैयव्रतो घृतपृष्ठो नामाधिपति: स्वे द्वीपे वर्षाणि सप्त विभज्य तेषु पुत्रनामसु सप्त रिक्थादान् वर्षपान्निवेश्य स्वयं भगवान् भगवत: परमकल्याणयशस आत्मभूतस्य हरेश्चरणारविन्दमुपजगाम ॥ २० ॥
Verse text
tasminn api praiyavrato ghṛtapṛṣṭho nāmādhipatiḥ sve dvīpe varṣāṇi sapta vibhajya teṣu putra-nāmasu sapta rikthādān varṣapān niveśya svayaṁ bhagavān bhagavataḥ parama-kalyāṇa-yaśasa ātma-bhūtasya hareś caraṇāravindam upajagāma.
Synonyms
tasmin — naquela ilha; api — também; praiyavrataḥ — o filho de Mahārāja Priyavrata; ghṛta-pṛṣṭaḥ — Ghṛtapṛṣṭha; nāma — chamado; adhipatiḥ — o rei daquela ilha; sve — sua própria; dvīpe — na ilha; varṣāṇi — territórios; sapta — sete; vibhajya — dividindo; teṣu — em cada um deles; putra-nāmasu — possuindo os nomes de seus filhos; sapta — sete; rikthā-dān — filhos; varṣa-pān — senhores dos varṣas; niveśya — designando como; svayam — ele próprio; bhagavān — poderosíssimo; bhagavataḥ — da Suprema Personalidade de Deus; parama-kalyāṇa-yaśasaḥ — cujas glórias são muito auspiciosas; ātma-bhūtasya — a alma de todas as almas; hareḥ caraṇa-aravindam — os pés de lótus do Senhor; upajagāma — refugiou-se em.
Translation
O governante dessa ilha era outro filho de Mahārāja Priyavrata. Seu nome era Ghṛtapṛṣṭha, e ele era um estudioso muito erudito. Ele também dividiu sua própria ilha entre seus sete filhos. Após dividir a ilha em sete partes, batizadas de acordo com os nomes de seus filhos, Ghṛtapṛṣṭha Mahārāja se afastou por completo da vida familiar e se refugiou aos pés de lótus do Senhor, a alma de todas as almas, que tem todas as qualidades auspiciosas. Assim, ele alcançou a perfeição.
Devanagari
आमो मधुरुहो मेघपृष्ठ: सुधामा भ्राजिष्ठो लोहितार्णो वनस्पतिरिति घृतपृष्ठसुतास्तेषां वर्षगिरय: सप्त सप्तैव नद्यश्चाभिख्याता: शुक्लो वर्धमानो भोजन उपबर्हिणो नन्दो नन्दन: सर्वतोभद्र इति अभया अमृतौघा आर्यका तीर्थवती रूपवती पवित्रवती शुक्लेति ॥ २१ ॥
Verse text
āmo madhuruho meghapṛṣṭhaḥ sudhāmā bhrājiṣṭho lohitārṇo vanaspatir iti ghṛtapṛṣṭha-sutās teṣāṁ varṣa-girayaḥ sapta saptaiva nadyaś cābhikhyātāḥ śuklo vardhamāno bhojana upabarhiṇo nando nandanaḥ sarvatobhadra iti abhayā amṛtaughā āryakā tīrthavatī rūpavatī pavitravatī śukleti.
Synonyms
āmaḥ — Āma; madhu-ruhaḥ — Madhuruha; megha-pṛṣṭhaḥ — Meghapṛṣṭha; sudhāmā — Sudhāmā; bhrājiṣṭhaḥ — Bhrājiṣṭha; lohitārṇaḥ — Lohitārṇa; vanaspatiḥ — Vanaspati; iti — assim; ghṛtapṛṣṭha-sutāḥ — os filhos de Ghṛtapṛṣṭha; teṣām — desses filhos; varṣa-girayaḥ — colinas demarcadoras das porções de terras; sapta — sete; sapta — sete; eva — também; nadyaḥ — rios; ca — e; abhikhyātāḥ — célebres; śuklaḥ vardhamānaḥ — Śukla e Vardhamāna; bhojanaḥ — Bhojana; upabarhiṇaḥ — Upabarhiṇa; nandaḥ — Nanda; nandanaḥ — Nandana; sarvataḥ-bhadraḥ — Sarvatobhadra; iti — assim; abhayā — Abhayā; amṛtaughā — Amṛtaughā; āryakā — Āryakā; tīrthavatī — Tīrthavatī; rūpavatī — Rūpavatī; pavitravatī — Pavitravatī; śuklā — Śuklā; iti — assim.
Translation
Os filhos de Mahārāja Ghṛtapṛṣṭha se chamavam Āma, Madhuruha, Meghapṛṣṭha, Sudhāmā, Bhrājiṣṭha, Lohitārṇa e Vanaspati. Na ilha deles, existem sete montanhas, que delimitam as sete porções de terra, e também existem sete rios. As montanhas se chamam Śukla, Vardhamāna, Bhojana, Upabarhiṇa, Nanda, Nandana e Sarvatobhadra. Os rios se chamam Abhayā, Amṛtaughā, Āryakā, Tīrthavatī, Rūpavatī, Pavitravatī e Śuklā.
Devanagari
यासामम्भ: पवित्रममलमुपयुञ्जाना: पुरुषऋषभद्रविणदेवकसंज्ञा वर्षपुरुषा आपोमयं देवमपां पूर्णेनाञ्जलिना यजन्ते ॥ २२ ॥
Verse text
yāsām ambhaḥ pavitram amalam upayuñjānāḥ puruṣa-ṛṣabha-draviṇa-devaka-saṁjñā varṣa-puruṣā āpomayaṁ devam apāṁ pūrṇenāñjalinā yajante.
Synonyms
yāsām — de todos os rios; ambhaḥ — a água; pavitram — muito santificada; amalam — muito limpa; upayuñjānāḥ — usando; puruṣa — Puruṣa; ṛṣabha — Ṛṣabha; draviṇa — Dravina; devaka — Devaka; saṁjñāḥ — dotados com os nomes; varṣa-puruṣāḥ — os habitantes desses varṣas; āpaḥ-mayam — Varuṇa, o senhor da água; devam — como a deidade adorável; apām — de água; pūrṇena — estando cheias; añjalinā — de mãos postas; yajante — adoram.
Translation
Os habitantes de Krauñcadvīpa se dividem em quatro castas, chamadas Puruṣas, Ṛṣabhas, Draviṇas e Devakas. Usando as águas daqueles rios santificados, eles adoram a Suprema Personalidade de Deus, oferecendo um palmo de água aos pés de lótus de Varuṇa, o semideus que tem a forma de água.
Purport
SIGNIFICADO—Viśvanātha Cakravartī Ṭhākura diz que āpomayaḥ asmayam: juntando as palmas de suas mãos, os habitantes das várias divisões territoriais de Krauñcadvīpa oferecem a uma deidade feita de pedra ou ferro as santificadas águas fluviais.
Devanagari
आप: पुरुषवीर्या: स्थ पुनन्तीर्भूर्भुव:सुव: ।
ता न: पुनीतामीवघ्नी: स्पृशतामात्मना भुव इति ॥ २३ ॥
ता न: पुनीतामीवघ्नी: स्पृशतामात्मना भुव इति ॥ २३ ॥
Verse text
āpaḥ puruṣa-vīryāḥ stha
punantīr bhūr-bhuvaḥ-suvaḥ
tā naḥ punītāmīva-ghnīḥ
spṛśatām ātmanā bhuva iti
punantīr bhūr-bhuvaḥ-suvaḥ
tā naḥ punītāmīva-ghnīḥ
spṛśatām ātmanā bhuva iti
Synonyms
āpaḥ — ó água; puruṣa-vīryāḥ — dotada com a energia da Suprema Personalidade de Deus; stha — sois; punantīḥ — santificadora; bhūḥ — do sistema planetário conhecido como Bhūḥ; bhuvaḥ — do sistema planetário Bhuvaḥ; suvaḥ — do sistema planetário Svaḥ; tāḥ — essa água; naḥ — nossos; punīta — purificai; amīva-ghnīḥ — que extinguis os pecados; spṛśatām — daqueles que entram em contato com; ātmanā — mediante vossa posição constitucional; bhuvaḥ — os corpos; iti — assim.
Translation
[Os habitantes de Krauñcadvīpa adoram com este mantra.] Ó água dos rios, obtivestes energia através da Suprema Personalidade de Deus. Portanto, purificais os três sistemas planetários, conhecidos como Bhūloka, Bhuvarloka e Svarloka. Por vossa natureza constitucional, afastais os pecados, e é por isso que tocamos em vós. Por favor, continuai purificando-nos.
Purport
SIGNIFICADO—Na Bhagavad-gītā (7.4), Kṛṣṇa diz:
bhūmir āpo ’nalo vāyuḥ
khaṁ mano buddhir eva ca
ahaṅkāra itīyaṁ me
bhinnā prakṛtir aṣṭadhā
khaṁ mano buddhir eva ca
ahaṅkāra itīyaṁ me
bhinnā prakṛtir aṣṭadhā
“Terra, água, fogo, ar, éter, mente, inteligência e falso ego – juntos, todos estes oito elementos formam Minhas energias materiais separadas.”
A energia do Senhor age através da criação, assim como o calor e a luz, as energias solares, agem dentro do universo e fazem tudo funcionar. Os rios específicos mencionados nos śāstras são também energias da Suprema Personalidade de Deus, e as pessoas que se banham regularmente neles se purificam. Com efeito, é possível ver que muitas pessoas são curadas de doenças pelo simples fato de se banharem no Ganges. Do mesmo modo, os habitantes de Krauñcadvīpa se purificam ao tomarem banho nos rios ali existentes.
Devanagari
एवं पुरस्तात्क्षीरोदात्परित उपवेशित: शाकद्वीपो द्वात्रिंशल्लक्षयोजनायाम: समानेन च दधिमण्डोदेन परीतो यस्मिन् शाको नाम महीरुह: स्वक्षेत्रव्यपदेशको यस्य ह महासुरभिगन्धस्तं द्वीपमनुवासयति ॥ २४ ॥
Verse text
evaṁ purastāt kṣīrodāt parita upaveśitaḥ śākadvīpo dvātriṁśal-lakṣa-yojanāyāmaḥ samānena ca dadhi-maṇḍodena parīto yasmin śāko nāma mahīruhaḥ sva-kṣetra-vyapadeśako yasya ha mahā-surabhi-gandhas taṁ dvīpam anuvāsayati.
Synonyms
evam — assim; parastāt — além; kṣīra-udāt — do oceano de leite; paritaḥ — em todo o arredor; upaveśitaḥ — situada; śāka-dvīpaḥ — outra ilha, conhecida como Śākadvīpa; dvā-triṁśat — trinta e duas; lakṣa — 100.000; yojana — yojanas; āyāmaḥ — cuja medida; samānena — de igual comprimento; ca — e; dadhi-maṇḍa-udena — por um oceano contendo água que parece iogurte batido; parītaḥ — cercada; yasmin — a terra onde; śākaḥ — śāka; nāma — chamada; mahīruhaḥ — uma figueira; sva-kṣetra-vyapadeśakaḥ — dando seu nome à ilha; yasya — da qual; ha — na verdade; mahā-surabhi — muitíssimo perfumado; gandhaḥ — um aroma; tam dvīpam — esta ilha; anuvāsayanti — perfuma.
Translation
Externamente ao oceano de leite, existe outra ilha, Śākadvīpa, cuja largura mede 3.200.000 yojanas [40.960.000 quilômetros]. Assim como Krauñcadvīpa está cercada por seu próprio oceano de leite, Śākadvīpa está cercada por um oceano de iogurte batido tão largo como a própria ilha. Em Śākadvīpa, existe uma grande árvore śāka, da qual a ilha recebe o nome. Essa árvore é muito fragrante. Na verdade, com seu odor, ela perfuma toda a ilha.
Devanagari
तस्यापि प्रैयव्रत एवाधिपतिर्नाम्ना मेधातिथि: सोऽपि विभज्य सप्त वर्षाणि पुत्रनामानि तेषु स्वात्मजान् पुरोजवमनोजवपवमानधूम्रानीकचित्ररेफबहुरूपविश्वधारसंज्ञान्निधाप्याधिपतीन् स्वयं भगवत्यनन्त आवेशितमतिस्तपोवनं प्रविवेश ॥ २५ ॥
Verse text
tasyāpi praiyavrata evādhipatir nāmnā medhātithiḥ so ’pi vibhajya sapta varṣāṇi putra-nāmāni teṣu svātmajān purojava-manojava-pavamāna-dhūmrānīka-citrarepha-bahurūpa-viśvadhāra-saṁjñān nidhāpyādhipatīn svayaṁ bhagavaty ananta ā-veśita-matis tapovanaṁ praviveśa.
Synonyms
tasya api — também dessa ilha; praiyavrataḥ — um filho de Mahārāja Priyavrata; eva — decerto; adhipatiḥ — o governante; nāmnā — pelo nome; medhā-tithiḥ — Medhātithi; saḥ api — ele também; vibhajya — dividindo; sapta varṣāṇi — sete regiões da ilha; putra-nāmāni — possuindo os nomes dos seus filhos; teṣu — nelas; sva-ātmajān — seus próprios filhos; purojava — Purojava; manojava — Manojava; pavamāna — Pavamāna; dhūmrānīka — Dhūmrānīka; citra-repha — Citrarepha; bahu-rūpa — Bahurūpa; viśvadhāra — Viśvadhāra; saṁjñān — tendo como nomes; nidhāpya — estabelecendo como; adhipatīn — os governantes; svayam — ele próprio; bhagavati — na Suprema Personalidade de Deus; anante — no ilimitado; āveśita-matiḥ — cuja mente estava absorta por completo; tapaḥ-vanam — a floresta onde se pratica meditação; praviveśa — ele adentrou.
Translation
O senhor desta ilha, também um dos filhos de Priyavrata, era conhecido como Medhātithi. Ele também dividiu sua ilha em sete porções, batizadas de acordo com os nomes de seus próprios filhos, os quais ele tornou reis daquela ilha. Os nomes desses filhos são Purojava, Manojava, Pavamāna, Dhūmrānīka, Citrarepha, Bahurūpa e Viśvadhāra. Após dividir a ilha e estabelecer seus filhos como governantes, Medhātithi pessoalmente abdicou, e, para fixar toda a sua mente nos pés de lótus da Suprema Personalidade de Deus, ele adentrou uma floresta apropriada à prática da meditação.
Devanagari
एतेषां वर्षमर्यादागिरयो नद्यश्च सप्त सप्तैव ईशान उरुशृङ्गो बलभद्र: शतकेसर: सहस्रस्रोतो देवपालो महानस इति अनघाऽऽयुर्दा उभयस्पृष्टिरपराजिता पञ्चपदी सहस्रस्रुतिर्निजधृतिरिति ॥ २६ ॥
Verse text
eteṣāṁ varṣa-maryādā-girayo nadyaś ca sapta saptaiva īśāna uruśṛṅgo balabhadraḥ śatakesaraḥ sahasrasroto devapālo mahānasa iti anaghāyurdā ubhayaspṛṣṭir aparājitā pañcapadī sahasrasrutir nijadhṛtir iti.
Synonyms
eteṣām — de todas essas regiões; varṣa-maryādā — agindo como os limites; girayaḥ — as grandes colinas; nadyaḥ ca — e também os rios; sapta — sete; sapta — sete; eva — na verdade; īśānaḥ — Īśāna; uruśṛṅgaḥ — Uruśṛṅga; bala-bhadraḥ — Balabhadra; śata-kesaraḥ — Śatakesara; sahasra-srotaḥ — Sahasrasrota; deva pālaḥ — Devapāla; mahānasaḥ — Mahānasa; iti — assim; anaghā — Anaghā; āyurdā — Āyurdā; ubhayaspṛṣṭiḥ — Ubhayaspṛṣṭi; aparājitā — Aparājitā; pañcapadī — Pañcapadī; sahasra-srutiḥ — Sahasra-śruti; nija-dhṛtiḥ — Nijadhṛti; iti — assim.
Translation
Também naquelas terras, existem sete montanhas demarcatórias e sete rios. As montanhas são Īśāna, Uruśṛṅga, Balabhadra, Śatakesara, Sahasrasrota, Devapāla e Mahānasa. Os rios são Anaghā, Āyurdā, Ubhayaspṛṣṭi, Aparājitā, Pañcapadī, Sahasra-śruti e Nijadhṛti.
Devanagari
तद्वर्षपुरुषा ऋतव्रतसत्यव्रतदानव्रतानुव्रतनामानो भगवन्तं वाय्वात्मकं प्राणायामविधूतरजस्तमस: परमसमाधिना यजन्ते ॥ २७ ॥
Verse text
tad-varṣa-puruṣā ṛtavrata-satyavrata-dānavratānuvrata-nāmāno bhagavantaṁ vāyv-ātmakaṁ prāṇāyāma-vidhūta-rajas-tamasaḥ parama-samādhinā yajante.
Synonyms
tat-varṣa-puruṣāḥ — os habitantes desses territórios; ṛta-vrata — Ṛtavrata; satya-vrata — Satyavrata; dāna-vrata — Dānavrata; anuvrata — Anuvrata; nāmānaḥ — tendo os quatro nomes; bhagavantam — a Suprema Personalidade de Deus; vāyu-ātmakam — representado pelo semideus Vāyu; prāṇāyāma — pela prática de regular os ares do corpo; vidhūta — extinguem-se; rajaḥ-tamasaḥ — cuja paixão e ignorância; parama — sublime; samādhinā — através do transe; yajante — eles adoram.
Translation
Os habitantes dessas ilhas também se dividem em quatro castas – Ṛtavrata, Satyavrata, Dānavrata e Anuvrata – à semelhança de brāhmaṇas, kṣatriyas, vaiśyas e śūdras. Eles praticam prāṇāyāma e yoga místico e, em transe, adoram o Senhor Supremo sob a forma de Vāyu.
Devanagari
अन्त:प्रविश्य भूतानि यो बिभर्त्यात्मकेतुभि: ।
अन्तर्यामीश्वर: साक्षात्पातु नो यद्वशे स्फुटम् ॥ २८ ॥
अन्तर्यामीश्वर: साक्षात्पातु नो यद्वशे स्फुटम् ॥ २८ ॥
Verse text
antaḥ-praviśya bhūtāni
yo bibharty ātma-ketubhiḥ
antaryāmīśvaraḥ sākṣāt
pātu no yad-vaśe sphuṭam
yo bibharty ātma-ketubhiḥ
antaryāmīśvaraḥ sākṣāt
pātu no yad-vaśe sphuṭam
Synonyms
antaḥ-praviśya — entrando em; bhūtāni — todas as entidades vivas; yaḥ — que; bibharti — mantendes; ātma-ketubhiḥ — pelas funções dos ares internos (prāṇa, apāna etc.); antaryāmī — a Superalma situada dentro; īśvaraḥ — a Pessoa Suprema; sākṣāt — diretamente; pātu — por favor, mantende; naḥ — a nós; yat-vaśe — sob cujo controle; sphuṭam — a manifestação cósmica.
Translation
[Com as seguintes palavras, os habitantes de Śākadvīpa adoram a Suprema Personalidade de Deus manifesta sob a forma de Vāyu.] Ó Pessoa Suprema, situada como a Superalma dentro do corpo, Vós dirigis as várias ações dos diferentes ares, tais como o prāṇa, e assim mantendes todas as entidades vivas. Ó Senhor, ó Superalma de todos, ó controlador da manifestação cósmica sob cujo controle tudo existe, que Vós nos protejais de todos os perigos.
Purport
SIGNIFICADO—Através da prática do yoga místico chamada prāṇāyāma, o yogī controla os ares dentro do corpo para manter o corpo em uma condição saudável. Dessa maneira, ficando em transe, o yogī tenta ver a Superalma no âmago de seu coração. Prāṇāyāma é o meio para se alcançar samādhi, transe, a fim de que o yogī se concentre plenamente e procure ver o Senhor Supremo como o antaryāmī, a Superalma situada no âmago do coração.
Devanagari
एवमेव दधिमण्डोदात्परत: पुष्करद्वीपस्ततो द्विगुणायाम: समन्तत उपकल्पित: समानेन स्वादूदकेन समुद्रेण बहिरावृतो यस्मिन् बृहत्पुष्करं ज्वलनशिखामलकनकपत्रायुतायुतं भगवत: कमलासनस्याध्यासनं परिकल्पितम् ॥ २९ ॥
Verse text
evam eva dadhi-maṇḍodāt parataḥ puṣkaradvīpas tato dvi-guṇāyāmaḥ samantata upakalpitaḥ samānena svādūdakena samudreṇa bahir āvṛto yasmin bṛhat-puṣkaraṁ jvalana-śikhāmala-kanaka-patrāyutāyutaṁ bhagavataḥ kamalāsanasyādhyāsanaṁ parikalpitam.
Synonyms
evam eva — assim; dadhi-maṇḍa-udāt — o oceano de iogurte; parataḥ — além de; puṣkara-dvīpaḥ — outra ilha, chamada Puṣkaradvīpa; tataḥ — do que aquela (Śākadvīpa); dvi-guṇa-āyāmaḥ — cuja medida é duas vezes maior; samantataḥ — por todos os lados; upakalpitaḥ — cercada; samānena — igual em largura; svādu-udakena — possuindo água doce; samudreṇa — por um oceano; bahiḥ — externamente; āvṛtaḥ — cercada; yasmin — na qual; bṛhat — enorme; puṣkaram — flor de lótus; jvalana-śikhā — como as chamas de um fogo abrasador; amala — puro; kanaka — ouro; patra — folhas; ayuta-ayutam — possuindo 100.000.000; bhagavataḥ — grandemente poderoso; kamala āsanasya — do senhor Brahmā, cujo assento é a flor de lótus; adhyāsanam — assento; parikalpitam — considerada.
Translation
Externamente ao oceano de iogurte, encontra-se outra ilha, conhecida como Puṣkaradvīpa, cuja largura de 6.400.000 yojanas [81.920.000 quilômetros] é duas vezes a largura do oceano de iogurte. Ela está cercada pelo oceano de uma água saborosíssima, tão largo como a própria ilha. Em Puṣkaradvīpa, existe uma grande flor de lótus com 100.000.000 de pétalas de ouro puro, tão refulgentes como as chamas de uma fogueira. Essa flor de lótus é considerada o assento do senhor Brahmā, que é o ser vivo mais poderoso e que, portanto, às vezes é chamado de bhagavān.
Devanagari
तद्द्वीपमध्ये मानसोत्तरनामैक एवार्वाचीनपराचीनवर्षयोर्मर्यादाचलोऽयुतयोजनोच्छ्रायायामो यत्र तु चतसृषु दिक्षु चत्वारि पुराणि लोकपालानामिन्द्रादीनां यदुपरिष्टात्सूर्यरथस्य मेरुं परिभ्रमत: संवत्सरात्मकं चक्रं देवानामहोरात्राभ्यां परिभ्रमति ॥ ३० ॥
Verse text
tad-dvīpa-madhye mānasottara-nāmaika evārvācīna-parācīna-varṣayor maryādācalo ’yuta-yojanocchrāyāyāmo yatra tu catasṛṣu dikṣu catvāri purāṇi loka-pālānām indrādīnāṁ yad-upariṣṭāt sūrya-rathasya meruṁ paribhramataḥ saṁvatsarātmakaṁ cakraṁ devānām aho-rātrābhyāṁ paribhramati.
Synonyms
tat-dvīpa-madhye — dentro dessa ilha; mānasottara — Mānasottara; nāma — chamada; ekaḥ — uma; eva — na verdade; arvācīna — neste lado; parācīna — e além, ou do lado de fora; varṣayoḥ — das regiões de terra; maryādā — indicando o limite; acalaḥ — uma grande montanha; ayuta — dez mil; yojana — treze quilômetros; ucchrāya-āyāmaḥ — cuja altura e largura; yatra — onde; tu — porém; catasṛṣu — nas quatro; dikṣu — direções; catvāri — quatro; purāṇi — cidades; loka-pālānām — dos diretores dos sistemas planetários; indra-ādīnām — encabeçados por Indra; yat — da qual; upariṣṭāt — no topo; sūrya-rathasya — na quadriga do deus do Sol; merum — a montanha Meru; paribhramataḥ — enquanto circum-ambula; saṁvatsara-ātmakam — consistindo em um saṁvatsara; cakram — roda ou órbita; devānām — dos semideuses; ahaḥ-rātrābhyām — pelo dia e noite; paribhramati — move-se ao redor de.
Translation
No meio dessa ilha, existe uma grande montanha chamada Mānasottara, que forma o limite entre a parte interna e externa da ilha. Sua largura e altura são de 10.000 yojanas [130.000 quilômetros]. Nessa montanha, nas quatro direções, ficam as residências dos semideuses, tais como Indra. Na quadriga do deus do Sol, o Sol viaja no topo da montanha, em uma órbita chamada Saṁvatsara, que circunda o monte Meru. O caminho percorrido pelo Sol no lado norte se chama Uttarāyaṇa, e, no lado sul, Dakṣiṇāyana. Um dos lados representa um dia dos semideuses, e o outro, a noite.
Purport
SIGNIFICADO—Confirma-se o movimento do Sol na Brahma-saṁhitā (5.52): yasyājñāya bhramati saṁbhṛta-kāla-cakraḥ. O Sol orbita o monte Sumeru, durante seis meses no lado norte e durante seis meses no lado sul. Isso equivale à duração de um dia e de uma noite dos semideuses dos sistemas planetários superiores.
Devanagari
तद्द्वीपस्याप्यधिपति: प्रैयव्रतो वीतिहोत्रो नामैतस्यात्मजौ रमणकधातकिनामानौ वर्षपती नियुज्य स स्वयं पूर्वजवद्भगवत्कर्मशील एवास्ते ॥ ३१ ॥
Verse text
tad-dvīpasyāpy adhipatiḥ praiyavrato vītihotro nāmaitasyātmajau ramaṇaka-dhātaki-nāmānau varṣa-patī niyujya sa svayaṁ pūrvajavad-bhagavat-karma-śīla evāste.
Synonyms
tat-dvīpasya — dessa ilha; api — também; adhipatiḥ — o governante; praiyavrataḥ — um filho de Mahārāja Priyavrata; vītihotraḥ nāma — chamado Vītihotra; etasya — dele; ātma-jau — os dois filhos; ramaṇaka — Ramaṇaka; dhātaki — e Dhātaki; nāmānau — tendo os nomes; varṣa-patī — governantes das duas porções de terra; niyujya — designando para; saḥ svayam — ele próprio; pūrvaja-vat — tal qual seus outros irmãos; bhagavat-karma-śīlaḥ — estando absorto em atividades para satisfazer a Suprema Personalidade de Deus; eva — na verdade; āste — permanece.
Translation
O governante desta ilha, o filho de Mahārāja Priyavrata chamado Vītihotra, tinha dois filhos chamados Ramaṇaka e Dhātaki. Ele cedeu os dois lados da ilha a esses dois filhos e depois, tal qual seu irmão mais velho Medhātithi, ocupou-se pessoalmente em atividades em prol da Suprema Personalidade de Deus.
Devanagari
तद्वर्षपुरुषा भगवन्तं ब्रह्मरूपिणं सकर्मकेण कर्मणाऽऽराधयन्तीदं चोदाहरन्ति ॥ ३२ ॥
Verse text
tad-varṣa-puruṣā bhagavantaṁ brahma-rūpiṇaṁ sakarmakeṇa karmaṇārādhayantīdaṁ codāharanti.
Synonyms
tat-varṣa-puruṣāḥ — os habitantes dessa ilha; bhagavantam — a Suprema Personalidade de Deus; brahma-rūpiṇam — manifesto como o senhor Brahmā sentado no lótus; sa-karmakeṇa — para satisfazer os desejos materiais; karmaṇā — executando atividades ritualísticas de acordo com os Vedas; ārādhayanti — adoram; idam — isto; ca — e; udāharanti — eles cantam.
Translation
Para a realização dos desejos materiais, os habitantes dessa extensão territorial adoram a Suprema Personalidade de Deus, representado pelo senhor Brahmā. Eles oferecem orações ao Senhor da seguinte maneira.
Devanagari
यत्तत्कर्ममयं लिङ्गं ब्रह्मलिङ्गं जनोऽर्चयेत् ।
एकान्तमद्वयं शान्तं तस्मै भगवते नम इति ॥ ३३ ॥
एकान्तमद्वयं शान्तं तस्मै भगवते नम इति ॥ ३३ ॥
Verse text
yat tat karmamayaṁ liṅgaṁ
brahma-liṅgaṁ jano ’rcayet
ekāntam advayaṁ śāntaṁ
tasmai bhagavate nama iti
brahma-liṅgaṁ jano ’rcayet
ekāntam advayaṁ śāntaṁ
tasmai bhagavate nama iti
Synonyms
yat — a qual; tat — esta; karma-mayam — acessível mediante o sistema ritualístico védico; liṅgam — a forma; brahma-liṅgam — que torna conhecido o Brahman Supremo; janaḥ — uma pessoa; arcayet — deve adorar; ekāntam — que tem fé plena no único Supremo; advayam — não-diferente; śāntam — pacífico; tasmai — a ele; bhagavate — o poderosíssimo; namaḥ — nossos respeitos; iti — assim.
Translation
O senhor Brahmā é conhecido como karma-maya, a forma das cerimônias ritualísticas, porque, realizando cerimônias ritualísticas, a pessoa pode alcançar sua posição e porque os hinos ritualísticos védicos se manifestam a partir dele. Sua devoção à Suprema Personalidade de Deus é inabalável, de modo que, até certo ponto, ele não é diferente do Senhor. Entretanto, deve-se adorá-lo não como os monistas adoram-no, mas em dualidade. Todos devem sempre permanecer servos do Senhor Supremo, a Suprema Deidade adorável. Por conseguinte, oferecemos nossas respeitosas reverências ao senhor Brahmā, a forma do conhecimento védico manifesto.
Purport
SIGNIFICADO—Neste verso, a expressão karma-mayam (“acessível mediante o sistema ritualístico védico”) é significativa. Os Vedas dizem que svadharma-niṣṭhaḥ śata janmabhiḥ pumān viriñcatām eti: “Aquele que, durante pelo menos cem nascimentos, segue estritamente os princípios de varṇāśrama-dharma será recompensado com o posto do senhor Brahmā.” Também é significativo que, embora seja extremamente poderoso, o senhor Brahmā nunca se julga uno com a Suprema Personalidade de Deus; ele sempre reconhece que é um servo eterno do Senhor. Porque na plataforma espiritual o Senhor e o servo são idênticos, nesta passagem Brahmā é chamado de bhagavān. Bhagavān é a Suprema Personalidade de Deus, Kṛṣṇa, mas, se o devoto O serve com fé plena, o significado da literatura védica lhe é revelado. Portanto, Brahmā é chamado de brahma-liṅga, o que indica que toda a sua forma consiste em conhecimento védico.
Devanagari
ऋषिरुवाच
तत: परस्ताल्लोकालोकनामाचलो लोकालोकयोरन्तराले परित उपक्षिप्त: ॥ ३४ ॥
तत: परस्ताल्लोकालोकनामाचलो लोकालोकयोरन्तराले परित उपक्षिप्त: ॥ ३४ ॥
Verse text
tataḥ parastāl lokāloka-nāmācalo lokālokayor antarāle parita upakṣiptaḥ.
Synonyms
Translation
Mais além, depois do oceano de água doce e o cercando plenamente, existe uma montanha chamada Lokāloka, que separa as regiões que são repletas do brilho solar e aquelas que não são iluminadas pelo Sol.
Devanagari
यावन्मानसोत्तरमेर्वोरन्तरं तावती भूमि: काञ्चन्यन्याऽऽदर्शतलोपमा यस्यां प्रहित: पदार्थो न
कथञ्चित्पुन:
प्रत्युपलभ्यते तस्मात्सर्वसत्त्वपरिहृतासीत् ॥ ३५ ॥
कथञ्चित्पुन:
प्रत्युपलभ्यते तस्मात्सर्वसत्त्वपरिहृतासीत् ॥ ३५ ॥
Verse text
yāvan mānasottara-mervor antaraṁ tāvatī bhūmiḥ kāñcany anyādarśa-talopamā yasyāṁ prahitaḥ padārtho na kathañcit punaḥ pratyupalabhyate tasmāt sarva-sattva-parihṛtāsīt.
Synonyms
yāvat — tanto quanto; mānasottara-mervoḥ antaram — a terra entre Mānasottara e Meru (começando do meio do monte Sumeru); tāvatī — esse tanto; bhūmiḥ — terra; kāñcanī — feita de ouro; anyā — outra; ādarśa-tala-upamā — cuja superfície é como a superfície de um espelho; yasyām — na qual; prahitaḥ — caindo; padārthaḥ — uma coisa; na — não; kathañcit — de jeito algum; punaḥ — novamente; pratyupalabhyate — encontra-se; tasmāt — portanto; sarva-sattva — por todas as entidades vivas; parihṛtā — abandonada; āsīt — foi.
Translation
Externamente ao oceano de água doce, encontra-se um trecho de terra tão amplo como a área que vai do centro do monte Sumeru até os limites da montanha Mānasottara. Nessa extensão territorial, existem muitos seres vivos. Mais além dela, estendendo-se até a montanha Lokāloka, existe outra terra, feita de ouro. Devido à sua superfície dourada, ela reflete a luz como a superfície de um espelho, e qualquer objeto físico que caia sobre essa terra jamais poderá ser percebido novamente. Portanto, todas as entidades vivas se retiraram dessa terra dourada.
Devanagari
लोकालोक इति समाख्या यदनेनाचलेन लोकालोकस्यान्तर्वर्तिनावस्थाप्यते ॥ ३६ ॥
Verse text
lokāloka iti samākhyā yad anenācalena lokālokasyāntarvar-tināvasthāpyate.
Synonyms
loka — com luz (ou com habitantes); alokaḥ — sem luz (ou sem habitantes); iti — dessa maneira; samākhyā — designação; yat — a qual; anena — por esta; acalena — montanha; loka — da terra habitada por entidades vivas; alokasya — e da terra não habitada por entidades vivas; antarvartinā — que está no meio; avasthāpyate — ergue-se.
Translation
Entre as terras habitadas pelas entidades vivas e aquelas que são desabitadas, ergue-se uma grande montanha que separa as duas e que, portanto, é célebre como Lokāloka.
Devanagari
स लोकत्रयान्ते परित ईश्वरेण विहितो यस्मात्सूर्यादीनां ध्रुवापवर्गाणां ज्योतिर्गणानां गभस्तयोऽर्वाचीनांस्त्रींल्लोकानावितन्वाना न कदाचित्पराचीना भवितुमुत्सहन्ते तावदुन्नहनायाम: ॥ ३७ ॥
Verse text
sa loka-trayānte parita īśvareṇa vihito yasmāt sūryādīnāṁ dhruvāpavargāṇāṁ jyotir-gaṇānāṁ gabhastayo ’rvācīnāṁs trīl lokān āvitanvānā na kadācit parācīnā bhavitum utsahante tāvad unnahanāyāmaḥ.
Synonyms
saḥ — essa montanha; loka-traya-ante — no extremo dos três lokas (Bhūrloka, Bhuvarloka e Svarloka); paritaḥ — em todo o arredor; īśvareṇa — pela Suprema Personalidade de Deus, Kṛṣṇa; vihitaḥ — criada; yasmāt — da qual; sūrya-ādīnām — do planeta Sol; dhruva-apavargāṇām — até Dhruvaloka e outros luzeiros inferiores; jyotiḥ-gaṇānām — de todos os luzeiros; gabhastayaḥ — os raios; arvācīnān — neste lado, trīn — os três; lokān — sistemas planetários; āvitanvānāḥ — espalhando-se através de; na — não; kadācit — em tempo algum; parācīnāḥ — além da jurisdição dessa montanha; bhavitum — de existir; utsahante — são capazes; tāvat — esse tanto; unnahana-āyāmaḥ — a medida da altura da montanha.
Translation
Pela vontade suprema de Kṛṣṇa, a montanha conhecida como Lokāloka foi instalada como a margem externa dos três mundos – Bhūrloka, Bhuvarloka e Svarloka – para controlar os raios solares ao longo do universo. Todos os luzeiros, desde o Sol até Dhruvaloka, distribuem seus raios pelos três mundos, mas somente dentro do limite formado por essa montanha. Como ela é extremamente alta, prolongando-se inclusive a uma altura superior à de Dhruvaloka, ela intercepta os raios dos luzeiros, os quais, portanto, ficam impedidos de iluminar a região do outro lado da montanha.
Purport
SIGNIFICADO—Ao falarmos acerca de loka-traya, referimo-nos aos três sistemas planetários primários – Bhūḥ, Bhuvaḥ e Svaḥ – em que o universo se divide. Cercando esses sistemas planetários, estão as oito direções, a saber, leste, oeste, norte, sul, nordeste, sudeste, noroeste e sudoeste. A montanha Lokāloka foi estabelecida como a margem externa de todos os lokas para distribuir uniformemente por todo o universo os raios solares e de outros luzeiros.
Essa descrição vívida de como os raios do Sol distribuem-se por todos os diversos sistemas planetários do universo é muito científica. Tendo sido instruído por seus predecessores, Śukadeva Gosvāmī, sem nada acrescentar ou tirar, descreveu a Mahārāja Parīkṣit esses assuntos referentes ao universo. Explicou esses fatos há cinco mil anos, mas o conhecimento já existia muitíssimo tempo antes, pois ele o recebeu através da sucessão discipular. Como é aceito através da sucessão discipular, esse conhecimento é perfeito. Por outro lado, a história do conhecimento científico moderno não possui mais do que algumas centenas de anos. Portanto, mesmo que não aceitem as outras afirmações verídicas encontradas no Śrīmad-Bhāgavatam, como os cientistas modernos podem negar os perfeitos cálculos astronômicos que existiam bem antes de que eles pudessem imaginar tais coisas? Existe muita informação a ser obtida a partir do Śrīmad-Bhāgavatam. Todavia, os cientistas modernos não têm informação alguma acerca dos outros sistemas planetários, e, na verdade, conhecem pouquíssimo o planeta no qual estamos vivendo atualmente.
Devanagari
एतावाँल्लोकविन्यासो मानलक्षणसंस्थाभिर्विचिन्तित: कविभि: स तु पञ्चाशत्कोटिगणितस्य भूगोलस्य तुरीयभागोऽयं लोकालोकाचल: ॥ ३८ ॥
Verse text
etāvāḻ loka-vinyāso māna-lakṣaṇa-saṁsthābhir vicintitaḥ kavibhiḥ sa tu pañcāśat-koṭi-gaṇitasya bhū-golasya turīya-bhāgo ’yaṁ lokālokācalaḥ.
Synonyms
etāvān — esse tanto; loka-vinyāsaḥ — a localização dos diversos planetas; māna — com as medidas; lakṣaṇa — as características; saṁsthābhiḥ — bem como com suas diferentes posições; vicintitaḥ — estabelecidas através de cálculos científicos; kavibhiḥ — pelos sábios eruditos; saḥ — isto; tu — porém; pañcāśat-koṭi — 500.000.000 de yojanas; gaṇitasya — que tem a medida de; bhū-golasya — do sistema planetário conhecido como Bhūgolaka; turīya-bhāgaḥ — um quarto; ayam — isto; lokāloka-acalaḥ — a montanha conhecida como Lokāloka.
Translation
Os sábios eruditos, que estão livres de erros, de ilusões e das propensões a enganar, descreveram assim os sistemas planetários e suas características, medidas e localizações específicas. Com grande discernimento, estabeleceram a verdade de que a distância entre Sumeru e a montanha conhecida como Lokāloka corresponde a um quarto do diâmetro do universo – ou, em outras palavras, 125.000.000 de yojanas [1 bilhão e 600 milhões de quilômetros].
Purport
SIGNIFICADO—Śrīla Viśvanātha Cakravartī Ṭhākura apresenta uma informação astronômica precisa sobre a localização da montanha Lokāloka, os movimentos do globo solar e a distância entre o Sol e a circunferência do universo. Contudo, os termos técnicos usados nos cálculos astronômicos dados pelo Jyotir Veda são difíceis de serem traduzidos. Portanto, para satisfazer o leitor, podemos incluir a afirmação exata em sânscrito, dada por Śrīla Viśvanatha Cakravartī Ṭhākura, que registra os cálculos exatos das dimensões do universo.
sa tu lokālokas tu bhū-golakasya bhū-sambandhāṇḍa-golakasyety arthaḥ; sūryasy eva bhuvo ’py aṇḍa-golakayor madhya-vartitvāt kha-golam iva bhū-golam api pañcāśat-koṭi-yojana-pramāṇaṁ tasya turīya-bhāgaḥ sārdha-dvādaśa-koṭi-yojana-vistārocchrāya ity arthaḥ bhūs tu catus-triṁśal-lakṣonapañcāśat-koṭi-pramāṇā jñeyā; yathā meru-madhyān mānasottara-madhya-paryantaṁ sārdha-sapta-pañcāśal-lakṣottara-koṭi-yojana-pramāṇam; mānasottara-madhyāt svādūdaka-samudra-paryantaṁ ṣaṇ-ṇavati-lakṣa-yojana-pramāṇaṁ tataḥ kāñcanī-bhūmiḥ sārdha-sapta-pañcāśal-lakṣottara-koṭi-yojana-pramāṇā evam ekato meru-lokālokayor antarālam ekādaśa-śal-lakṣādhika-catuṣ-koṭi-parimitam anyato ’pi tathatyeto lokālokāl loka-paryantaṁ sthānaṁ dvāviṁśati-lakṣottarāṣṭa-koṭi-parimitaṁ lokālokād bahir apy ekataḥ etāvad eva anyato ’py etāvad eva yad vakṣyate, yo ’ntar-vistāra etena hy aloka-parimāṇaṁ ca vyākhyātaṁ yad-bahir lokālokācalād ity ekato lokālokaḥ sārdha-dvādaśa-koṭi-yojana-parimāṇaḥ anyato ’pi sa tathety evaṁ catus-triṁśal-lakṣonapañcāśat-koṭi-pramāṇā bhūḥ sābdhi-dvīpa-parvatā jñeyā; ata evāṇḍa-golakāt sarvato dikṣu sapta-daśa-lakṣa-yojanāvakāśe vartamāne sati pṛthivyāḥ śeṣa-nāgena dhāraṇaṁ dig-gajaiś ca niścalī-karaṇaṁ sārthakaṁ bhaved anyathā tu vyākhyāntare pañcāśat-koṭi-pramāṇatvād aṇḍa-golaka-lagnatve tat tat sarvam akiñcit-karaṁ syāt cākṣuṣe manvantare cākasmāt majjanaṁ śrī-varāha-devenotthāpanaṁ ca durghaṭaṁ syād ity adikaṁ vivecanīyam.
Devanagari
तदुपरिष्टाच्चतसृष्वाशास्वात्मयोनिनाखिलजगद्गुरुणाधिनिवेशिता ये द्विरदपतय ऋषभ: पुष्करचूडो वामनोऽपराजित इति सकललोकस्थितिहेतव: ॥ ३९ ॥
Verse text
tad-upariṣṭāc catasṛṣv āśāsvātma-yoninākhila-jagad-guruṇādhiniveśitā ye dvirada-pataya ṛṣabhaḥ puṣkaracūḍo vāmano ’parājita iti sakala-loka-sthiti-hetavaḥ.
Synonyms
tat-upariṣṭāt — no topo da montanha Lokāloka; catasṛṣu āśāsu — nas quatro direções; ātma-yoninā — pelo senhor Brahmā; akhila-jagad-guruṇā — o mestre espiritual de todo o universo; adhiniveśitāḥ — estabelecidos; ye — todos aqueles; dvirada-patayaḥ — os melhores entre os elefantes; ṛṣabhaḥ — Ṛṣabha; puṣkara-cūḍaḥ — Puṣkaracūḍa; vāmanaḥ — Vāmana; aparājitaḥ — Aparājita; iti — assim; sakala-loka-sthiti-hetavaḥ — as causas da manutenção dos diferentes planetas dentro do universo.
Translation
No topo da montanha Lokāloka, há quatro gajapatis, os melhores elefantes, que foram estabelecidos nas quatro direções pelo senhor Brahmā, o mestre espiritual supremo de todo o universo. Os nomes desses elefantes são Ṛṣabha, Puṣkaracūḍa, Vāmana e Aparājita. Eles respondem pela manutenção dos sistemas planetários do universo.
Devanagari
तेषां स्वविभूतीनां लोकपालानां च विविधवीर्योपबृंहणाय भगवान् परममहापुरुषो महाविभूतिपतिरन्तर्याम्यात्मनो विशुद्धसत्त्वं धर्मज्ञानवैराग्यैश्वर्याद्यष्टमहासिद्ध्युपलक्षणं विष्वक्सेनादिभि: स्वपार्षदप्रवरै: परिवारितो निजवरायुधोपशोभितैर्निजभुजदण्डै: सन्धारय-माणस्तस्मिन् गिरिवरे समन्तात्सकललोकस्वस्तय आस्ते ॥ ४० ॥
Verse text
teṣāṁ sva-vibhūtīnāṁ loka-pālānāṁ ca vividha-vīryopabṛṁhaṇāya bhagavān parama-mahā-puruṣo mahā-vibhūti-patir antaryāmy ātmano viśuddha-sattvaṁ dharma-jñāna-vairāgyaiśvaryādy-aṣṭa-mahā-siddhy-upalakṣaṇaṁ viṣvaksenādibhiḥ sva-pārṣada-pravaraiḥ parivārito nija-varāyudhopaśobhitair nija-bhuja-daṇḍaiḥ sandhārayamāṇas tasmin giri-vare samantāt sakala-loka-svastaya āste.
Synonyms
teṣām — de todos eles; sva-vibhūtīnām — que são Suas expansões e assistentes pessoais; loka-pālānām — que estão encarregados de supervisionar os afazeres universais; ca — e; vividha — variedades; vīrya-upabṛṁhaṇāya — para expandir os poderes; bhagavān — a Suprema Personalidade de Deus; parama-mahā-puruṣaḥ — o principal senhor de toda espécie de opulência, a Suprema Personalidade de Deus; mahā-vibhūti-patiḥ — o mestre de todas as potências inconcebíveis; antaryāmī — a Superalma; ātmanaḥ — dEle próprio; viśuddha-sattvam — tendo uma existência sem a contaminação dos modos da natureza material; dharma-jñāna-vairāgya — da religião, conhecimento puro e renúncia; aiśvarya-ādi — de toda espécie de opulência; aṣṭa — oito; mahā-siddhi — e das grandes perfeições místicas; upalakṣaṇam — tendo as características; viṣvaksena-ādibhiḥ — mediante Sua expansão conhecida como Viṣvaksena e outras; sva-pārṣada-pravaraiḥ — o melhor de seus assistentes pessoais; parivāritaḥ — cercado; nija — Suas próprias; vara-āyudha — pelos diferentes tipos de armas; upaśobhitaiḥ — estando decorado; nija — próprios; bhuja-daṇḍaiḥ — com braços fortes; sandhārayamāṇaḥ — manifestando esta forma; tasmin — nessa; giri-vare — grande montanha; samantāt — em todo o arredor; sakala-loka-svastaye — para o benefício de todos os sistemas planetários; āste — existe.
Translation
A Suprema Personalidade de Deus é o mestre de todas as opulências transcendentais e o mestre do céu espiritual. Ele é a Pessoa Suprema, Bhagavān, a Superalma de todos. Os semideuses, encabeçados por Indra, o rei dos céus, ficam encarregados de supervisionar os afazeres do mundo material. Para beneficiar todos os seres vivos nos vários planetas e para aumentar o poder desses elefantes e semideuses, o Senhor, em um corpo espiritual que não se contamina pelos modos da natureza material, manifesta-Se no topo dessa montanha. Cercado por Suas expansões e assistentes pessoais como Viṣvaksena, Ele demonstra todas as Suas opulências perfeitas, tais como religião e conhecimento, e Seus poderes místicos, tais como aṇimā, laghimā e mahimā. Sua postura é belíssima, e, em Suas quatro mãos, Ele está decorado por diferentes armas.
Devanagari
आकल्पमेवं वेषं गत एष भगवानात्मयोगमायया विरचितविविधलोकयात्रागोपीयायेत्यर्थ: ॥ ४१ ॥
Verse text
ākalpam evaṁ veṣaṁ gata eṣa bhagavān ātma-yogamāyayā viracita-vividha-loka-yātrā-gopīyāyety arthaḥ.
Synonyms
ā-kalpam — para a duração do tempo da criação; evam — assim; veṣam — aparecimento; gataḥ — aceitou; eṣaḥ — isto; bhagavān — a Suprema Personalidade de Deus; ātma-yoga-māyayā — mediante Sua própria potência espiritual; viracita — aperfeiçoou; vividha-loka-yātrā — a subsistência dos diversos sistemas planetários; gopīyāya — só para garantir; iti — assim; arthaḥ — o propósito.
Translation
As várias formas da Suprema Personalidade de Deus, tais como Nārāyaṇa e Viṣṇu, estão belamente decoradas com diferentes armas. O Senhor manifesta semelhantes formas para manter todos os diversos planetas criados por yogamāyā, Sua potência pessoal.
Purport
SIGNIFICADO—Na Bhagavad-gītā (4.6), o Senhor Kṛṣṇa diz que sambhavāmy ātma-māyayā: “Eu apareço através de Minha potência interna.” A palavra ātmamāyā se refere à potência pessoal do Senhor, yogamāyā. Após criar os mundos materiais e espirituais através de yogamāyā, a Suprema Personalidade de Deus os mantém pessoalmente, expandindo-Se em diferentes formas de Viṣṇu e diversas categorias de semideuses. Ele mantém a criação material do princípio ao fim, e pessoalmente mantém o mundo espiritual.
Devanagari
योऽन्तर्विस्तार एतेन ह्यलोकपरिमाणं च व्याख्यातं यद्बहिर्लोकालोकाचलात् । तत: परस्ताद्योगेश्वरगतिं विशुद्धामुदाहरन्ति ॥ ४२ ॥
Verse text
yo ’ntar-vistāra etena hy aloka-parimāṇaṁ ca vyākhyātaṁ yad bahir lokālokācalāt; tataḥ parastād yogeśvara-gatiṁ viśuddhām udāharanti.
Synonyms
yaḥ — aquela que; antaḥ-vistāraḥ — a distância dentro da montanha Lokāloka; etena — com isto; hi — na verdade; aloka-parimāṇam — a largura do trecho de terra conhecido como Aloka-varṣa; ca — e; vyākhyātam — descrita; yat — ao qual; bahiḥ — externamente; lokālokaacalāt — para além da montanha Lokāloka; tataḥ — este; parastāt — além; yogeśvara-gatim — o caminho de Yogeśvara (Kṛṣṇa) na penetração das coberturas do universo; viśuddhām — sem contaminação material; udāharanti — dizem.
Translation
Meu querido rei, externamente à montanha Lokāloka, encontra-se o trecho de terra conhecido como Aloka-varṣa, cuja largura é igual à área interna da montanha – em outras palavras, 125.000.000 de yojanas [um bilhão e seiscentos milhões de quilômetros]. Para além de Alokavarṣa, está o destino daqueles que desejam se libertar do mundo material. Ultrapassa a jurisdição dos modos da natureza material e, portanto, é completamente puro. Para reaver os filhos do brāhmaṇa, o Senhor Kṛṣṇa levou Arjuna a esse lugar.
Devanagari
अण्डमध्यगत: सूर्यो द्यावाभूम्योर्यदन्तरम् ।
सूर्याण्डगोलयोर्मध्ये कोट्य: स्यु: पञ्चविंशति: ॥ ४३ ॥
सूर्याण्डगोलयोर्मध्ये कोट्य: स्यु: पञ्चविंशति: ॥ ४३ ॥
Verse text
aṇḍa-madhya-gataḥ sūryo
dyāv-ābhūmyor yad antaram
sūryāṇḍa-golayor madhye
koṭyaḥ syuḥ pañca-viṁśatiḥ
dyāv-ābhūmyor yad antaram
sūryāṇḍa-golayor madhye
koṭyaḥ syuḥ pañca-viṁśatiḥ
Synonyms
aṇḍa-madhya-gataḥ — situado no centro do universo; sūryaḥ — o globo solar; dyāv-ābhūmyoḥ — os dois sistemas planetários, Bhūrloka e Bhuvarloka; yat — o qual; antaram — entre; sūrya — do Sol; aṇḍa-golayoḥ — e o globo do universo; madhye — no meio; koṭyaḥ — grupos de dez milhões; syuḥ — são; pañca-viṁśatiḥ — vinte e cinco.
Translation
O Sol está situado [verticalmente] no meio do universo, na área entre Bhūrloka e Bhuvarloka, que se chama antarikṣa, o espaço exterior. A distância entre o Sol e a circunferência do universo é de vinte e cinco koṭi yojanas [três bilhões e duzentos milhões de quilômetros].
Purport
SIGNIFICADO—A palavra koṭi significa dez milhões, e um yojana é igual a treze quilômetros. O diâmetro do universo mede cinquenta koṭi yojanas (seis bilhões e quatrocentos milhões de quilômetros). Portanto, como o Sol fica no meio do universo, calcula-se que a distância entre o Sol e a orla do universo é de vinte e cinco koṭi yojanas (três bilhões e duzentos milhões de quilômetros).
Devanagari
मृतेऽण्ड एष एतस्मिन् यदभूत्ततो मार्तण्ड इति व्यपदेश: ।
हिरण्यगर्भ इति यद्धिरण्याण्डसमुद्भव: ॥ ४४ ॥
हिरण्यगर्भ इति यद्धिरण्याण्डसमुद्भव: ॥ ४४ ॥
Verse text
mṛte ’ṇḍa eṣa etasmin yad abhūt tato mārtaṇḍa iti vyapadeśaḥ; hiraṇyagarbha iti yad dhiraṇyāṇḍa-samudbhavaḥ.
Synonyms
mṛte — morto; aṇḍe — no globo; eṣaḥ — este; etasmin — neste; yat — no qual; abhūt — entrou pessoalmente no momento da criação; tataḥ — a partir daí; mārtaṇḍa — Mārtaṇḍa; iti — assim; vyapadeśaḥ — a designação; hiraṇya-garbhaḥ — conhecido como Hiraṇyagarbha; iti — assim; yat — porque; hiraṇya-aṇḍa-samudbhavaḥ — seu corpo material surgiu de Hiraṇyagarbha.
Translation
O deus do Sol também é conhecido como Vairāja, a totalidade do corpo material de todas as entidades vivas. Como, no momento da criação, ele entrou nesse ovo bruto do universo, é chamado de Mārtaṇḍa. Ele também é conhecido como Hiraṇyagarbha porque recebeu seu corpo material de Hiraṇyagarbha [senhor Brahmā].
Purport
SIGNIFICADO—O posto do senhor Brahmā se destina aos seres vivos altamente elevados que realizaram muito avanço espiritual. Quando não se dispõe desses seres vivos, o Senhor Viṣṇu, a Suprema Personalidade de Deus, expande-Se como o senhor Brahmā. Isso ocorre muito raramente. Portanto, existem duas classes de Brahmās. Às vezes, Brahmā é uma entidade viva comum, e, outras vezes, Brahmā é a Suprema Personalidade de Deus. O Brahmā aqui mencionado é um ser vivo comum. Quer seja a Suprema Personalidade de Deus, quer seja um ser vivo comum, Brahmā é conhecido como Vairāja Brahmā e Hiraṇyagarbha Brahmā. Portanto, o deus do Sol também é aceito como Vairāja Brahmā.
Devanagari
सूर्येण हि विभज्यन्ते दिश: खं द्यौर्मही भिदा ।
स्वर्गापवर्गौ नरका रसौकांसि
च सर्वश: ॥ ४५ ॥
स्वर्गापवर्गौ नरका रसौकांसि
च सर्वश: ॥ ४५ ॥
Verse text
sūryeṇa hi vibhajyante
diśaḥ khaṁ dyaur mahī bhidā
svargāpavargau narakā
rasaukāṁsi ca sarvaśaḥ
diśaḥ khaṁ dyaur mahī bhidā
svargāpavargau narakā
rasaukāṁsi ca sarvaśaḥ
Synonyms
sūryeṇa — pelo deus do Sol dentro do planeta Sol; hi — na verdade; vibhajyante — dividem-se; diśaḥ — as direções; kham — o firmamento; dyauḥ — os planetas celestiais; mahī — os planetas celestes; bhidā — outras divisões; svarga — os planetas celestiais; apavargau — os lugares destinados à liberação; narakāḥ — os planetas infernais; rasaukāṁsi — tais como Atala; ca — também; sarvaśaḥ — todos.
Translation
Ó rei, o deus do Sol e o planeta Sol dividem todas as direções do universo. É unicamente devido à presença do Sol que podemos compreender o que é o céu, os planetas superiores, este mundo e os planetas inferiores. Também é apenas por causa do Sol que podemos compreender quais são os lugares para gozo material, quais se destinam à liberação e quais são os lugares infernais e subterrâneos.
Devanagari
देवतिर्यङ्मनुष्याणां सरीसृपसवीरुधाम् ।
सर्वजीवनिकायानां सूर्य आत्मा
दृगीश्वर: ॥ ४६ ॥
सर्वजीवनिकायानां सूर्य आत्मा
दृगीश्वर: ॥ ४६ ॥
Verse text
deva-tiryaṅ-manuṣyāṇāṁ
sarīsṛpa-savīrudhām
sarva-jīva-nikāyānāṁ
sūrya ātmā dṛg-īśvaraḥ
sarīsṛpa-savīrudhām
sarva-jīva-nikāyānāṁ
sūrya ātmā dṛg-īśvaraḥ
Synonyms
deva — dos semideuses; tiryak — os animais inferiores; manuṣyānām — e os seres humanos; sarīsṛpa — os insetos e as serpentes; sa-vīrudhām — e as plantas e árvores; sarva-jīva-nikāyānām — de todos os grupos de entidades vivas; sūryaḥ — o deus do Sol; ātmā — a vida e alma; dṛk — dos olhos; īśvaraḥ — a Personalidade de Deus.
Translation
Todas as entidades vivas, incluindo os semideuses, os seres humanos, os animais, os pássaros, os insetos, os répteis, as trepadeiras e as árvores, dependem do calor e da luz que o deus do Sol fornece a partir do planeta Sol. Ademais, é devido à presença do Sol que todas as entidades vivas podem ver, daí ele se chamar dṛg-īśvara, a Personalidade de Deus que preside a visão.
Purport
SIGNIFICADO—Com relação a isso, Śrīla Viśvanātha Cakravartī Ṭhākura diz que sūrya ātmā ātmatvenopāsyaḥ. A verdadeira vida e alma de todas as entidades vivas que estão dentro do universo é o Sol. Portanto, ele é upāsya, adorável. Adoramos o deus do Sol cantando o mantra Gāyatrī (oṁ bhūr bhuvaḥ svaḥ tat savitur vareṇyaṁ bhargo devasya dhīmahi). Sūrya é a vida e alma deste universo, e existem inúmeros universos dos quais o respectivo deus do Sol é a vida e alma, assim como a Suprema Personalidade de Deus é a vida e alma de toda a criação. Sabe-se que Vairāja, Hiraṇyagarbha, entrou no enorme globo material e bruto chamado Sol. Isso denota que a teoria defendida pelos pretensos cientistas segundo a qual ninguém vive ali está errada. Na Bhagavad-gītā, também tomamos conhecimento de que foi ao deus do Sol que Kṛṣṇa apresentou primeiramente as instruções contidas no referido livro (imaṁ vivasvate yogaṁ proktavān aham avyayam). Portanto, o Sol não está vazio. Ele é habitado por entidades vivas, e a deidade predominante é Vairāja, ou Vivasvān. A diferença entre o Sol e a Terra é que aquele é um planeta ígneo, mas todos os seus habitantes têm um corpo adequado para ali viverem sem dificuldades.
Neste ponto, encerram-se os Significados Bhaktivedanta do quinto canto, vigésimo capítulo, do Śrīmad-Bhāgavatam, intitulado “Um Estudo da Estrutura do Universo”.