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Devanagari
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Purport
CAPÍTULO VINTE E QUATRO
Os Planetas Celestiais Subterrâneos
Este capítulo descreve o planeta Rāhu, que está a 10.000 yojanas (128.000 quilômetros) abaixo do Sol, e também descreve Atala e os outros sistemas planetários inferiores. Rāhu está situado abaixo do Sol e da Lua. Ele fica entre esses dois planetas e a Terra. Quando Rāhu se interpõe ao Sol e à Lua, ocorrem eclipses, totais ou parciais, dependendo do caso de Rāhu descrever uma trajetória reta ou curvilínea ao se mover.
A outros 1.000.000 de yojanas abaixo de Rāhu, encontram-se os planetas dos Siddhas, Cāraṇas e Vidyādharas, e, abaixo desses, localizam-se planetas tais como Yakṣaloka e Rakṣaloka. Abaixo desses planetas, está a Terra, e, a 70.000 yojanas abaixo da Terra, figuram os sistemas planetários inferiores – Atala, Vitala, Sutala, Talātala, Mahātala, Rasātala e Pātāla. Sempre ocupados em gozo dos sentidos e despreocupados em relação a seu próximo nascimento, os demônios e Rakṣasas, juntamente com suas esposas e filhos, vivem nesses sistemas planetários inferiores. O brilho solar não alcança esses planetas, que são iluminados por joias fixas nos capelos de serpentes. Devido a essas joias brilhantes, praticamente inexiste escuridão. Aqueles que vivem nesses planetas não envelhecem nem adoecem, e eles não temem nenhum tipo de morte, exceto quando manifestada através do fator tempo, a Suprema Personalidade de Deus.
No planeta Atala, o bocejo de um demônio produziu três classes de mulheres, chamadas svairiṇī (independentes), kāmiṇī (luxuriosas) e puṁścalī (muito facilmente conquistadas pelos homens). Abaixo de Atala, fica o planeta Vitala, onde residem o senhor Śiva e sua esposa Gaurī. Devido à presença deles, é produzida uma espécie de ouro chamado hāṭaka. Abaixo de Vitala, encontra-se o planeta Sutala, a morada de Bali Mahārāja, o rei mais afortunado. Devido ao seu intenso serviço devocional, Bali Mahārāja foi favorecido por Vāmanadeva, a Suprema Personalidade de Deus. O Senhor dirigiu-Se à arena sacrificatória que estava aos cuidados de Bali Mahārāja e lhe pediu três passos de terra, e, sob esse pretexto, o Senhor lhe tirou todas as posses. Quando Bali Mahārāja concordou com tudo isso, o Senhor ficou muito satisfeito e, portanto, o Senhor o serve como seu porteiro. A descrição de Bali Mahārāja aparece no oitavo canto do Śrīmad-Bhāgavatam.
Não é concedendo felicidade material ao devoto que a Suprema Personalidade de Deus realmente o favorece. Os semideuses, que tanto se envaidecem de sua opulência material, oram ao Senhor somente por felicidade material, desconhecendo existir algo melhor. Entretanto, devotos como Prahlāda Mahārāja não desejam a felicidade material. Se não desejam nem mesmo se libertar do cativeiro material, embora alguém possa alcançar essa liberação simplesmente cantando o santo nome do Senhor, mesmo que o pronuncie de maneira inapropriada, o que dizer, então, de desejarem obter a felicidade material?
Abaixo de Sutala, localiza-se o planeta Talātala, a morada do demônio Maya. Esse demônio é sempre feliz materialmente porque é favorecido pelo senhor Śiva, mas ele jamais consegue obter a felicidade espiritual. Abaixo de Talātala, fica o planeta Mahātala, onde existem muitas serpentes com centenas e milhares de capelos. Abaixo de Mahātala, está Rasātala, abaixo do qual fica Pātāla, onde a serpente Vasukī vive com seus associados.
Devanagari
श्रीशुक उवाच
अधस्तात्सवितुर्योजनायुते स्वर्भानुर्नक्षत्रवच्चरतीत्येके योऽसावमरत्वं ग्रहत्वं चालभत भगवदनुकम्पया स्वयमसुरापसद: सैंहिकेयो ह्यतदर्हस्तस्य तात जन्म कर्माणि चोपरिष्टाद्वक्ष्याम: ॥ १ ॥
अधस्तात्सवितुर्योजनायुते स्वर्भानुर्नक्षत्रवच्चरतीत्येके योऽसावमरत्वं ग्रहत्वं चालभत भगवदनुकम्पया स्वयमसुरापसद: सैंहिकेयो ह्यतदर्हस्तस्य तात जन्म कर्माणि चोपरिष्टाद्वक्ष्याम: ॥ १ ॥
Verse text
śrī-śuka uvāca
adhastāt savitur yojanāyute svarbhānur nakṣatravac caratīty eke yo ’sāv amaratvaṁ grahatvaṁ cālabhata bhagavad-anukampayā svayam asurāpasadaḥ saiṁhikeyo hy atad-arhas tasya tāta janma karmāṇi copariṣṭād vakṣyāmaḥ.
adhastāt savitur yojanāyute svarbhānur nakṣatravac caratīty eke yo ’sāv amaratvaṁ grahatvaṁ cālabhata bhagavad-anukampayā svayam asurāpasadaḥ saiṁhikeyo hy atad-arhas tasya tāta janma karmāṇi copariṣṭād vakṣyāmaḥ.
Synonyms
śrī-śukaḥ uvāca — Śrī Śukadeva Gosvāmī disse; adhastāt — abaixo de; savituḥ — o globo solar; yojana — uma medida igual a 12,8 quilômetros; ayute — dez mil; svarbhānuḥ — o planeta conhecido como Rāhu; nakṣatra-vat — como uma das estrelas; carati — está girando; iti — assim; eke — alguns que são versados nos Purāṇas; yaḥ — os quais; asau — isto; amaratvam — uma duração de vida semelhante à dos semideuses; grahatvam — uma posição como um dos principais planetas; ca — e; alabhata — obteve; bhagavat-anukampayā — graças à compaixão da Suprema Personalidade de Deus; svayam — pessoalmente; asura-apasadaḥ — o mais baixo dos asuras; saiṁhikeyaḥ — sendo filho de Siṁhikā; hi — na verdade; a-tat-arhaḥ — desqualificado para assumir essa posição; tasya — seu; tāta — ó meu querido rei; janma — nascimento; karmāṇi — atividades; ca — também; upariṣṭāt — oportunamente; vakṣyāmaḥ — explicarei.
Translation
Śrī Śukadeva Gosvāmī disse: Meu querido rei, alguns historiadores, os narradores dos Purāṇas, dizem que a 10.000 yojanas [128.000 quilômetros] abaixo do Sol, fica o planeta conhecido como Rāhu, que se move como uma estrela. A deidade que preside esse planeta é filho de Siṁhikā e o mais abominável de todos os asuras, mas, embora ele seja inteiramente desqualificado para assumir a posição de semideus ou deidade planetária, alcançou essa posição pela graça da Suprema Personalidade de Deus. Oportunamente, falarei mais sobre ele.
Devanagari
यददस्तरणेर्मण्डलं प्रतपतस्तद्विस्तरतो योजनायुतमाचक्षते द्वादशसहस्रं सोमस्य त्रयोदशसहस्रं राहोर्य: पर्वणि तद्व्यवधानकृद्वैरानुबन्ध: सूर्याचन्द्रमसावभिधावति ॥ २ ॥
Verse text
yad adas taraṇer maṇḍalaṁ pratapatas tad vistarato yojanāyutam ācakṣate dvādaśa-sahasraṁ somasya trayodaśa-sahasraṁ rāhor yaḥ parvaṇi tad-vyavadhāna-kṛd vairānubandhaḥ sūryā-candramasāv abhidhāvati.
Synonyms
yat — o qual; adaḥ — este; taraṇeḥ — do Sol; maṇḍalam — globo; pratapataḥ — que sempre está distribuindo calor; tat — isto; vistarataḥ — em termos de largura; yojana — uma distância de 12,8 quilômetros; ayutam — dez mil; ācakṣate — eles calculam; dvādaśa-sahasram — 20.000 yojanas (256.000 quilômetros); somasya — da Lua; trayodaśa — trinta; sahasram — mil; rāhoḥ — do planeta Rāhu; yaḥ — o qual; parvaṇi — vez por outra; tat-vyavadhāna-kṛt — que criou uma discórdia entre o Sol e a Lua no momento da distribuição de néctar; vairaanubandhaḥ — cujas intenções são inamistosas; sūryā — o Sol; candramasau — e a Lua; abhidhāvati — persegue-os nas noites de lua cheia e nos dias de lua nova.
Translation
O globo solar, que é a fonte do calor, estende-se por 10.000 yojanas [128.000 quilômetros]. A Lua se estende por 20.000 yojanas [256.000 quilômetros], e Rāhu se estende por 30.000 yojanas [384.000 quilômetros]. Outrora, quando o néctar estava sendo distribuído, Rāhu tentou criar discórdia entre o Sol e a Lua, interpondo-se entre eles. Rāhu é inimigo do Sol e da Lua, daí sempre tentar interceptar o brilho do Sol e o luar nos dias de lua nova e nas noites de lua cheia.
Purport
SIGNIFICADO—Como se afirma aqui, o Sol se estende por 10.000 yojanas, e a Lua tem o dobro disso, ou 20.000 yojanas. Deve-se entender que a palavra dvādaśa significa duas vezes dez, ou vinte. Na opinião de Vijayadhvaja, Rāhu deve ter o dobro do tamanho da Lua, ou 40.000 yojanas. Contudo, para conciliar essa contradição aparente entre esse dado e o texto do Bhāgavatam, Vijayadhvaja cita a seguinte passagem referente a Rāhu: rāhu-soma-ravīṇāṁ tu maṇḍalā dvi-guṇoktitām. Isso significa que Rāhu é duas vezes maior do que a Lua, que é duas vezes maior do que o Sol. Essa é a conclusão do exegeta Vijayadhvaja.
Devanagari
तन्निशम्योभयत्रापि भगवता रक्षणाय प्रयुक्तं सुदर्शनं नाम भागवतं दयितमस्त्रं तत्तेजसा दुर्विषहं मुहु: परिवर्तमानमभ्यवस्थितो मुहूर्तमुद्विजमानश्चकितहृदय आरादेव निवर्तते तदुपरागमिति वदन्ति लोका: ॥ ३ ॥
Verse text
tan niśamyobhayatrāpi bhagavatā rakṣaṇāya prayuktaṁ sudarśanaṁ nāma bhāgavataṁ dayitam astraṁ tat tejasā durviṣahaṁ muhuḥ parivartamānam abhyavasthito muhūrtam udvijamānaś cakita-hṛdaya ārād eva nivartate tad uparāgam iti vadanti lokāḥ.
Synonyms
tat — essa situação; niśamya — ouvindo; ubhayatra — em volta do Sol e da Lua; api — na verdade; bhagavatā — pela Suprema Personalidade de Deus; rakṣaṇāya — para a proteção deles; prayuktam — ocupado; sudarśanam — o disco de Kṛṣṇa; nāma — chamado; bhāgavatam — o devoto mais íntimo; dayitam — o predileto; astram — arma; tat — esta; tejasā — com sua refulgência; durviṣaham — calor insuportável; muhuḥ — repetidas vezes; parivartamānam — movendo-se em volta do Sol e da Lua; abhyavasthitaḥ — situado; muhūrtam — por um muhūrta (quarenta e oito minutos); udvijamānaḥ — cuja mente estava cheia de ansiedades; cakita — com medo; hṛdayaḥ — o âmago de cujo coração; ārāt — a um lugar distante; eva — decerto; nivartate — foge; tat — esta situação; uparāgam — um eclipse; iti — assim; vadanti — dizem; lokāḥ — as pessoas.
Translation
Após ouvir os semideuses do Sol e da Lua comentarem sobre o ataque de Rāhu, Viṣṇu, a Suprema Personalidade de Deus, empunha o Seu disco, conhecido como Sudarśana cakra, e lhes confere Sua proteção. O Sudarśana-cakra é o devoto mais querido do Senhor e tem o Seu favor. O intenso calor de sua refulgência, designado a matar os não-vaiṣṇavas, é insuportável para Rāhu, de modo que ele foge com medo dele. O tempo durante o qual Rāhu perturba o Sol ou a Lua corresponde ao que é vulgarmente conhecido como “eclipse”.
Purport
SIGNIFICADO—Viṣṇu, a Suprema Personalidade de Deus, é sempre o protetor de Seus devotos, que também são conhecidos como “semideuses”. Os semideuses controladores são muito obedientes ao Senhor Viṣṇu, embora também desejem gozo dos sentidos materiais, e é por isso que são chamados de semideuses, ou quase divinos. Embora Rāhu tente atacar o Sol e a Lua, eles são protegidos pelo Senhor Viṣṇu. Temendo muito o cakra do Senhor Viṣṇu, Rāhu não consegue permanecer diante do Sol e da Lua por mais do que um muhūrta (quarenta e oito minutos). O fenômeno que ocorre quando Rāhu intercepta a luz do Sol e da Lua chama-se eclipse. As tentativas empreendidas pelos cientistas desta Terra em que eles teimam em ir à Lua são tão demoníacas como as investidas de Rāhu. É claro que suas tentativas serão um fracasso, pois a ninguém é facultado entrar na Lua ou no Sol tão facilmente. Como o ataque de Rāhu, semelhantes tentativas decerto falharão.
Devanagari
ततोऽधस्तात्सिद्धचारणविद्याधराणां सदनानि तावन्मात्र एव ॥ ४ ॥
Verse text
tato ’dhastāt siddha-cāraṇa-vidyādharāṇāṁ sadanāni tāvan mātra eva.
Synonyms
Translation
A 10.000 yojanas [128.000 quilômetros] abaixo de Rāhu, ficam os planetas conhecidos como Siddhaloka, Cāraṇaloka e Vidyādharaloka.
Purport
SIGNIFICADO—Afirma-se que, sendo naturalmente dotados de poderes ióguicos, os habitantes de Siddhaloka podem viajar de um planeta a outro por meio de seus próprios poderes místicos naturais, sem precisar de aviões ou máquinas parecidas.
Devanagari
ततोऽधस्ताद्यक्षरक्ष: पिशाचप्रेतभूतगणानां विहाराजिरमन्तरिक्षं यावद्वायु: प्रवाति यावन्मेघा उपलभ्यन्ते ॥ ५ ॥
Verse text
tato ’dhastād yakṣa-rakṣaḥ-piśāca-preta-bhūta-gaṇānāṁ vihārājiram antarikṣaṁ yāvad vāyuḥ pravāti yāvan meghā upalabhyante.
Synonyms
tataḥ adhastāt — abaixo dos planetas habitados pelos Siddhas, Cāraṇas e Vidyādharas; yakṣa-rakṣaḥ-piśāca-preta-bhūta-gaṇānām — dos Yakṣas, Rākṣasas, Piśācas, fantasmas e assim por diante; vihāra-ajiram — o lugar de gozo material; antarikṣam — no firmamento ou espaço exterior; yāvat — até onde; vāyuḥ — o vento; pravāti — sopra; yāvat — até onde; meghāḥ — as nuvens; upalabhyante — são vistas.
Translation
Abaixo de Vidyādhara-loka, Cāraṇaloka e Siddhaloka, no céu chamado antarikṣa, ficam os lugares onde desfrutam os Yakṣas, Rākṣasas, Piśācas, fantasmas e assim por diante. Antarikṣa se estende até onde o vento sopra e as nuvens flutuam no céu. Acima disso, não existe mais ar.
Devanagari
ततोऽधस्ताच्छतयोजनान्तर इयं पृथिवी यावद्धंसभासश्येनसुपर्णादय: पतत्त्रिप्रवरा उत्पतन्तीति ॥ ६ ॥
Verse text
tato ’dhastāc chata-yojanāntara iyaṁ pṛthivī yāvad dhaṁsa-bhāsa-śyena-suparṇādayaḥ patattri-pravarā utpatantīti.
Synonyms
tataḥ adhastāt — abaixo disto; śata-yojana — de cem yojanas; antare — a um intervalo; iyam — este; pṛthivī — planeta Terra; yāvat — tão alto como; haṁsa — cisnes; bhāsa — abutres; śyena — águias; suparṇa-ādayaḥ — e outros pássaros; patattri pravarāḥ — os principais entre os pássaros; utpatanti — podem voar; iti — assim.
Translation
A 100 yojanas [1.280 quilômetros] abaixo das moradas dos Yakṣas e Rākṣasas, encontra-se o planeta Terra. Seus limites superiores atingem a altura em que os cisnes, gaviões, águias e outros grandes pássaros semelhantes podem voar.
Devanagari
उपवर्णितं भूमेर्यथासन्निवेशावस्थानमवनेरप्यधस्तात् सप्त भूविवरा एकैकशो योजनायुतान्तरेणायामविस्तारेणोपक्लृप्ता अतलं वितलं सुतलं तलातलं महातलं रसातलं पातालमिति ॥ ७ ॥
Verse text
upavarṇitaṁ bhūmer yathā-sanniveśāvasthānam avaner apy adhastāt sapta bhū-vivarā ekaikaśo yojanāyutāntareṇāyāma-vistāreṇopakḷptā atalaṁ vitalaṁ sutalaṁ talātalaṁ mahātalaṁ rasātalaṁ pātālam iti.
Synonyms
upavarṇitam — afirmado anteriormente; bhūmeḥ — do planeta Terra; yathā-sanniveśa-avasthānam — de acordo com a distribuição dos diferentes lugares; avaneḥ — a Terra; api — decerto; adhastāt — abaixo de; sapta — sete; bhū-vivarāḥ — outros planetas; eka-ekaśaḥ — sequencialmente até o limite externo do universo; yojana-ayuta-antareṇa — com um intervalo de dez mil yojanas (cento e vinte e oito mil quilômetros); āyāma-vistāreṇa — em largura e extensão; upakḷptāḥ — situados; atalam — chamados Atala; vitalam — Vitala; sutalam — Sutala; talātalam — Talātala; mahātalam — Mahātala; rasātalam — Rasātala; pātālam — Pātāla; iti — assim.
Translation
Meu querido rei, abaixo desta Terra, existem sete outros planetas, conhecidos como Atala, Vitala, Sutala, Talātala, Mahātala, Rasātala e Pātāla. Já expliquei a situação dos sistemas planetários da Terra. Calcula-se que a largura e o comprimento dos sete sistemas planetários inferiores são exatamente iguais aos da Terra.
Devanagari
एतेषु हि बिलस्वर्गेषु स्वर्गादप्यधिककामभोगैश्वर्यानन्दभूतिविभूतिभि: सुसमृद्धभवनोद्यानाक्रीडविहारेषु दैत्यदानवकाद्रवेया नित्यप्रमुदितानुरक्तकलत्रापत्यबन्धुसुहृदनुचरा गृहपतय ईश्वरादप्यप्रतिहतकामा मायाविनोदा निवसन्ति ॥ ८ ॥
Verse text
eteṣu hi bila-svargeṣu svargād apy adhika-kāma-bhogaiśvaryānanda-bhūti-vibhūtibhiḥ susamṛddha-bhavanodyānākrīḍa-vihāreṣu daitya-dānava-kādraveyā nitya-pramuditānurakta-kalatrāpatya-bandhu-suhṛd-anucarā gṛha-pataya īśvarād apy apratihata-kāmā māyā-vinodā nivasanti.
Synonyms
eteṣu — nesses; hi — decerto; bila-svargeṣu — conhecidos como os mundos celestiais subterrâneos; svargāt — do que os planetas celestiais; api — até mesmo; adhika — uma quantidade bem maior; kāma-bhoga — obtenção de gozo sensorial; aiśvarya-ānanda — bem-aventurança decorrente da opulência; bhūti — influência; vibhūtibhiḥ — por essas coisas e riquezas; su-samṛddha — bem acabadas; bhavana — casas; udyāna — jardins; ākrīḍa-vihāreṣu — em lugares reservados a diversas espécies de gozo dos sentidos; daitya — os demônios; dānava — fantasmas; kādraveyāḥ — serpentes; nitya — que sempre estão; pramudita — cheios de júbilo; anurakta — devido ao apego; kalatra — à esposa; apatya — filhos; bandhu — relações familiares; suhṛt — amigos; anucarāḥ — seguidores; gṛha-patayaḥ — os pais de família; īśvarāt — do que aqueles mais capazes, como os semideuses; api — mesmo; apratihata-kāmāḥ — cuja obtenção de desejos luxuriosos não é impedida; māyā — ilusória; vinodāḥ — que sentem felicidade; nivasanti — vivem.
Translation
Nesses sete sistemas planetários, que também são conhecidos como céus subterrâneos [bila-svarga], existem casas, jardins e lugares belíssimos que são um convite ao gozo sensorial e que chegam até mesmo a suplantar a opulência encontrada nos planetas superiores, pois os demônios têm um elevadíssimo padrão de prazer sensual, riqueza e influência. A maioria dos habitantes desses planetas, que são conhecidos como Daityas, Dānavas e Nāgas, vivem como pais de família. Suas esposas, seus filhos, seus amigos e a sociedade em que vivem estão completamente ocupados em felicidade material ilusória. Às vezes, o gozo sensorial dos semideuses é perturbado, mas os habitantes desses planetas levam uma vida em que desfrutam sem perturbações. Assim, vê-se que eles são muito apegados à felicidade ilusória.
Purport
SIGNIFICADO—De acordo com as afirmações de Prahlāda Mahārāja, o gozo material é māyā-sukha, um prazer ilusório. O vaiṣṇava deseja ardentemente que todas as entidades vivas se libertem desse prazer falso. Prahlāda Mahārāja diz que māyā-sukhāya bharam udvahato vimūḍhān: esses tolos (vimūḍhas) estão ocupados em felicidade material, que é temporária, certamente. Quer nos planetas celestiais, quer inferiores, quer terrestres, as pessoas estão absortas em felicidade material temporária, esquecendo-se de que, no decorrer do tempo e de acordo com as leis materiais, terão que mudar de corpo e se submeter a repetidos nascimentos, mortes, velhice e doenças. Não se importando com o que lhes acontecerá quando nascerem de novo, os grandes materialistas estão ocupados simplesmente em desfrutar durante sua curta vida atual. O vaiṣṇava sempre anseia por dar a esses materialistas desorientados a verdadeira felicidade da bem-aventurança espiritual.
Devanagari
येषु महाराज मयेन मायाविना विनिर्मिता: पुरो नानामणिप्रवरप्रवेकविरचितविचित्रभवनप्राकारगोपुरसभाचैत्यचत्वरायतनादिभिर्नागासुरमिथुनपारावतशुकसारिकाकीर्णकृत्रिमभूमिभिर्विवरेश्वरगृहोत्तमै: समलङ्कृताश्चकासति ॥ ९ ॥
Verse text
yeṣu mahārāja mayena māyāvinā vinirmitāḥ puro nānā-maṇi-pravara-praveka-viracita-vicitra-bhavana-prākāra-gopura-sabhā-caitya-catvarāyatanādibhir nāgāsura-mithuna-pārāvata-śuka-sārikākīrṇa-kṛtrima-bhūmibhir vivareśvara-gṛhottamaiḥ samalaṅkṛtāś cakāsati.
Synonyms
yeṣu — nesses sistemas planetários inferiores; mahā-rāja — ó meu querido rei; mayena — pelo demônio chamado Maya; māyā-vinā — possuindo muito conhecimento no que se refere à construção de confortos materiais; vinirmitāḥ — construídas; puraḥ — cidades; nānā-maṇi-pravara — de pedras preciosas; praveka — com excelentes; viracita — construídas; vicitra — maravilhosos; bhavana — casas; prākāra — paredes; gopura — portões; sabhā — assembleias legislativas; caitya — templos; catvara — escolas; āyatana-ādibhiḥ — com hotéis ou salões recreativos e assim por diante; nāga — das entidades vivas com corpos de serpente; asura — dos demônios, ou pessoas ímpias; mithuna — aos pares; pārāvata — pombos; śuka — papagaios; sārikā — estorninhos; ākīrṇa — repletas; kṛtrima — artificiais; bhūmibhiḥ — possuindo áreas; vivara-īśvara — dos líderes dos planetas; gṛha-uttamaiḥ — com casas de primeira classe; samalaṅkṛtāḥ — decoradas; cakāsati — brilham de maneira magnífica.
Translation
Meu querido rei, nos paraísos de imitação, conhecidos como bila-svarga, existe um grande demônio chamado Maya Dānava, que é um artista e arquiteto muito habilidoso. Ele construiu muitas cidades decoradas de maneira formidável. Existem muitas casas maravilhosas, muros, portões, assembleias, templos, pátios e recintos de templos, bem como muitos hotéis que servem de hospedagem para estrangeiros. As casas dos líderes desses planetas são construídas com joias das mais preciosas, e estão sempre repletas de entidades vivas conhecidas como Nāgas e Asuras, e também muitos pombos, pardais e pássaros afins. Em suma, essas cidades celestiais são muito belas e decoradas de modo muito atrativo.
Devanagari
उद्यानानि चातितरां मनइन्द्रियानन्दिभि: कुसुमफलस्तबकसुभगकिसलयावनतरुचिरविटपविटपिनां लताङ्गालिङ्गितानां श्रीभि: समिथुनविविधविहङ्गमजलाशयानाममलजलपूर्णानां झषकुलोल्लङ्घनक्षुभितनीरनीरजकुमुदकुवलयकह्लारनीलोत्पल लोहितशतपत्रादिवनेषुकृतनिकेतनानामेकविहाराकुलमधुरविविधस्वनादिभिरिन्द्रि-योत्सवैरमरलोकश्रियमतिशयितानि ॥ १० ॥
Verse text
udyānāni cātitarāṁ mana-indriyānandibhiḥ kusuma-phala-stabaka-subhaga-kisalayāvanata-rucira-viṭapa-viṭapināṁ latāṅgāliṅgitānāṁ śrībhiḥ samithuna-vividha-vihaṅgama-jalāśayānām amala-jala-pūrṇānāṁ jhaṣakulollaṅghana-kṣubhita-nīra-nīraja-kumuda-kuva-laya-kahlāra-nīlotpala-lohita-śatapatrādi-vaneṣu kṛta-niketanānām eka-vihārākula-madhura-vividha-svanādibhir indriyotsavair amara-loka-śriyam atiśayitāni.
Synonyms
udyānāni — os jardins e parques; ca — também; atitarām — muitíssimo; manaḥ — à mente; indriya — e aos sentidos; ānandibhiḥ — que causam prazer; kusuma — de flores; phala — de frutas; stabaka — cachos; subhaga — muito belos; kisalaya — ramos novos; avanata — curvam-se; rucira — atraentes; viṭapa — possuindo galhos; viṭapinām — das árvores; latā-aṅga-āliṅgitānām — que são abraçadas pelos ramos das trepadeiras; śrībhiḥ — pela beleza; sa-mithuna — aos pares; vividha — variedades; vihaṅgama — frequentados por pássaros; jala-āśayānām — dos reservatórios de água; amala-jala-pūrṇānām — cheios de água límpida e transparente; jhaṣa-kula-ullaṅghana — pelo saltitar de diversos peixes; kṣubhita — agitada; nīra — na água; nīraja — de flores de lótus; kumuda — lírios; kuvalaya — flores chamadas kuvalaya; kahlāra — flores kahlāra; nīla-utpala — flores de lótus azuis; lohita — vermelhas; śata-patra-ādi — flores de lótus com cem pétalas e assim por diante; vaneṣu — nas florestas; kṛta-niketanānām — de pássaros que fizeram seus ninhos; eka-vihāra-ākula — cheios de gozo ininterrupto; madhura — muito doces; vividha — variedades; svana-ādibhiḥ — pelas vibrações; indriya-utsavaiḥ — convidando ao gozo dos sentidos; amara-loka-śriyam — a beleza das residências dos semideuses; atiśayitāni — sobrepujando.
Translation
A beleza dos parques e jardins dos céus artificiais sobrepuja a dos planetas celestiais superiores. As árvores desses jardins, abraçadas por trepadeiras, sustêm pesada carga de ramos carregados de frutas e flores e, portanto, parecem extraordinariamente belas. Essa beleza pode atrair qualquer pessoa e fazer sua mente se encantar por completo com o prazer do gozo dos sentidos. Existem muitos lagos e reservatórios de água límpida e transparente, agitada por peixes saltitantes e decorada com muitas flores, tais como lírios, kuvalayas, kahlāras e lótus azuis e vermelhos. Casais de cakravākas e muitos outros pássaros aquáticos se aninham nos lagos e sempre desfrutam felizes, emitindo vibrações doces e agradáveis que causam muita satisfação e são um convite ao desfrute dos sentidos.
Devanagari
यत्र ह वाव न भयमहोरात्रादिभि: कालविभागैरुपलक्ष्यते ॥ ११ ॥
Verse text
yatra ha vāva na bhayam aho-rātrādibhiḥ kāla-vibhāgair upalakṣyate.
Synonyms
Translation
Como nesses planetas subterrâneos, não existe o brilho solar, o tempo não é dividido em dias e noites, e, em consequência disso, inexiste o medo produzido pelo tempo.
Devanagari
यत्र हि महाहिप्रवरशिरोमणय: सर्वं तम: प्रबाधन्ते ॥ १२ ॥
Verse text
yatra hi mahāhi-pravara-śiro-maṇayaḥ sarvaṁ tamaḥ prabādhante.
Synonyms
Translation
Muitas grandes serpentes vivem ali com joias em seus capelos, e a refulgência dessas gemas dissipa a escuridão por toda parte.
Devanagari
न वा एतेषु वसतां दिव्यौषधिरसरसायनान्नपानस्नानादिभिराधयो व्याधयो वलीपलितजरादयश्च देहवैवर्ण्यदौर्गन्ध्यस्वेदक्लमग्लानिरिति वयोऽवस्थाश्च भवन्ति ॥ १३ ॥
Verse text
na vā eteṣu vasatāṁ divyauṣadhi-rasa-rasāyanānna-pāna-snānādibhir ādhayo vyādhayo valī-palita-jarādayaś ca deha-vaivarṇya-daurgandhya-sveda-klama-glānir iti vayo ’vasthāś ca bhavanti.
Synonyms
na — não; vā — ou; eteṣu — nesses planetas; vasatām — daqueles que residem; divya — maravilhosas; auṣadhi — das ervas; rasa — os sucos; rasāyana — e elixires; anna — comendo; pāna — bebendo; snāna-ādibhiḥ — banhando-se em e assim por diante; ādhayaḥ — problemas mentais; vyādhayaḥ — doenças; valī — rugas; palita — cabelo grisalho; jarā — velhice; ādayaḥ — e assim por diante; ca — e; deha-vaivarṇya — o esmaecimento do brilho corpóreo; daurgandhya — mau odor; sveda — transpiração; klama — fadiga; glāniḥ — falta de energia; iti — assim; vayaḥ avasthāḥ — condições dolorosas em decorrência da decrepitude; ca — e; bhavanti — são.
Translation
Já que bebem sucos e elixires feitos com ervas maravilhosas, nos quais também se banham, os habitantes desses planetas estão livres de todas as ansiedades e doenças físicas. Eles não sabem o que são cabelos grisalhos, rugas ou invalidez, seu brilho corpóreo não esmaece, sua transpiração não exala mau odor e eles não são afligidos pela fadiga ou pela falta de energia ou de entusiasmo devido à decrepitude.
Devanagari
न हि तेषां कल्याणानां प्रभवति कुतश्चन मृत्युर्विना भगवत्तेजसश्चक्रापदेशात् ॥ १४ ॥
Verse text
na hi teṣāṁ kalyāṇānāṁ prabhavati kutaścana mṛtyur vinā bhagavat-tejasaś cakrāpadeśāt.
Synonyms
Translation
Eles vivem muito confortavelmente e não temem nenhum tipo de morte, exceto aquela estabelecida pelo tempo, que é a refulgência do Sudarśana-cakra da Suprema Personalidade de Deus.
Purport
SIGNIFICADO—Este é o defeito da existência material. Tudo nos céus subterrâneos é muito bem distribuído. Existem aposentos bem situados, prevalece uma atmosfera agradável e inexistem inconveniências corpóreas ou ansiedades mentais, mas seus habitantes, de acordo com o karma, têm que nascer de novo. As pessoas cujas mentes são obtusas não podem compreender esse defeito de uma civilização materialista louca por confortos materiais. A pessoa pode tornar suas condições de vida muito agradáveis aos sentidos, mas, apesar de todas as condições favoráveis, transcorrido algum tempo, ela deve ter um encontro com a morte. Os membros de uma civilização demoníaca se esforçam para tornarem muito confortáveis suas condições de vida, mas não podem impedir a morte. A influência do Sudarśana-cakra não permitirá que essa aparente felicidade material dure muito tempo.
Devanagari
यस्मिन् प्रविष्टेऽसुरवधूनां प्राय: पुंसवनानि भयादेव स्रवन्ति पतन्ति च ॥ १५ ॥
Verse text
yasmin praviṣṭe ’sura-vadhūnāṁ prāyaḥ puṁsavanāni bhayād eva sravanti patanti ca.
Synonyms
Translation
Quando o disco Sudarśana adentra aquelas províncias, com medo de sua refulgência, as esposas grávidas dos demônios abortam.
Devanagari
अथातले मयपुत्रोऽसुरो बलो निवसति येन ह वा इह सृष्टा: षण्णवतिर्माया: काश्चनाद्यापि मायाविनो धारयन्ति यस्य च जृम्भमाणस्य मुखतस्त्रय: स्त्रीगणा उदपद्यन्त स्वैरिण्य: कामिन्य: पुंश्चल्य इति या वै बिलायनं प्रविष्टं पुरुषं रसेन हाटकाख्येन साधयित्वा स्वविलासावलोकनानुरागस्मितसंलापोपगूहनादिभि: स्वैरं किल रमयन्ति यस्मिन्नुपयुक्ते पुरुष ईश्वरोऽहं सिद्धोऽहमित्ययुतमहागजबलमात्मानमभिमन्यमान: कत्थते मदान्ध इव ॥ १६ ॥
Verse text
athātale maya-putro ’suro balo nivasati yena ha vā iha sṛṣṭāḥ ṣaṇ-ṇavatir māyāḥ kāścanādyāpi māyāvino dhārayanti yasya ca jṛmbhamāṇasya mukhatas trayaḥ strī-gaṇā udapadyanta svairiṇyaḥ kāminyaḥ puṁścalya iti yā vai bilāyanaṁ praviṣṭaṁ puruṣaṁ rasena hāṭakākhyena sādhayitvā sva-vilāsāvalokanānurāga-smita-saṁlāpopagūhanādibhiḥ svairaṁ kila ramayanti yasminn upayukte puruṣa īśvaro ’haṁ siddho ’ham ity ayuta-mahā-gaja-balam ātmānam abhimanyamānaḥ katthate madāndha iva.
Synonyms
atha — agora; atale — no planeta chamado Atala; maya-putraḥ asuraḥ — o demônio filho de Maya; balaḥ — Bala; nivasati — reside; yena — por quem; ha vā — na verdade; iha — nesse; sṛṣṭāḥ — propagadas; ṣaṭ-ṇavatiḥ — noventa e seis; māyāḥ — variedades de ilusão; kāścana — alguns; adya api — mesmo hoje em dia; māyā-vinaḥ — aqueles que conhecem a arte de feitos mágicos (por exemplo, como fabricar ouro); dhārayanti — utilizam; yasya — de quem; ca — também; jṛmbhamāṇasya — enquanto boceja; mukhataḥ — da boca; trayaḥ — três; strī-gaṇāḥ — variedades de mulheres; udapadyanta — foram geradas; svairiṇyaḥ — svairiṇī (aquela que somente se casa em sua mesma classe); kāminyaḥ — kāmiṇī (aquela que, sendo luxuriosa, casa-se com um homem de qualquer linhagem); puṁścalyaḥ — puṁścalī (aquela que quer ir de marido em marido); iti — assim; yāḥ — quem; vai — decerto; bila-ayanam — os planetas subterrâneos; praviṣṭam — adentrando; puruṣam — um varão; rasena — com um suco; hāṭaka-ākhyena — feito de uma erva intoxicante conhecida como hāṭaka; sādhayitvā — tornando sexualmente potente; sva-vilāsa — para seu próprio gozo dos sentidos; avalokana — através de olhares; anurāga — luxuriosos; smita — sorrindo; saṁlāpa — conversando; upagūhana-ādibhiḥ — e abraçando; svairam — de acordo com seus próprios desejos; kila — na verdade; ramayanti — desfrutam do prazer sexual; yasmin — que; upayukte — quando usado; puruṣaḥ — um homem; īśvaraḥ aham — eu sou a pessoa mais poderosa; siddhaḥ aham — eu sou a pessoa maior e mais elevada; iti — assim; ayuta — dez mil; mahā-gaja — de grandes elefantes; balam — a força; ātmānam — ele próprio; abhimanyamānaḥ — estando cheio de orgulho; katthate — eles dizem; mada-andhaḥ — cego pelo falso prestígio; iva — como.
Translation
Meu querido rei, começando por Atala, passarei, então, a descrever-te cada um dos sistemas planetários inferiores. Em Atala, existe um demônio, o filho de Maya Dānava chamado Bala, que criou noventa e seis espécies de poder místico. Alguns pretensos yogīs e svāmīs aproveitam-se desse poder místico para enganar as pessoas até a atualidade. Mediante seu simples bocejo, o demônio Bala criou três classes de mulheres, conhecidas como svairiṇī, kāmiṇī e puṁścalī. As svairiṇīs gostam de se casar com homens de sua própria linhagem, as kāmiṇīs se casam com homens de qualquer linhagem, e as puṁścalīs estão sempre trocando de marido. Se um homem entra no planeta de Atala, essas mulheres imediatamente o capturam e o induzem a tomar uma bebida intoxicante feita com uma droga conhecida como hāṭaka [Cannabis indica]. Essa substância intoxicante concede ao homem grande poder sexual, e as mulheres se aproveitam disso para o seu prazer. Uma mulher o seduz com olhares atrativos, palavras íntimas, sorrisos amorosos e, em seguida, com abraços. Dessa maneira, ela o induz a fazer sexo com ela até se sentir plenamente satisfeita. Devido ao desmesurado poder sexual, o homem se julga mais forte do que dez mil elefantes e se considera perfeitíssimo. De fato, iludido e embriagado pelo falso orgulho, ele se julga Deus, ignorando a morte iminente.
Devanagari
ततोऽधस्ताद्वितले हरो भगवान् हाटकेश्वर: स्वपार्षदभूतगणावृत: प्रजापतिसर्गोपबृंहणाय भवो भवान्या सह मिथुनीभूत आस्ते यत: प्रवृत्ता सरित्प्रवरा हाटकी नाम भवयोर्वीर्येण यत्र चित्रभानुर्मातरिश्वना समिध्यमान ओजसा पिबति तन्निष्ठ्यूतं हाटकाख्यं सुवर्णं भूषणेनासुरेन्द्रावरोधेषु पुरुषा: सह पुरुषीभिर्धारयन्ति ॥ १७ ॥
Verse text
tato ’dhastād vitale haro bhagavān hāṭakeśvaraḥ sva-pārṣada-bhūta-gaṇāvṛtaḥ prajāpati-sargopabṛṁhaṇāya bhavo bhavānyā saha mithunī-bhūta āste yataḥ pravṛttā sarit-pravarā hāṭakī nāma bhavayor vīryeṇa yatra citrabhānur mātariśvanā samidhyamāna ojasā pibati tan niṣṭhyūtaṁ hāṭakākhyaṁ suvarṇaṁ bhūṣaṇenāsurendrāvarodheṣu puruṣāḥ saha puruṣībhir dhārayanti.
Synonyms
tataḥ — o planeta Atala; adhastāt — abaixo de; vitale — no planeta; haraḥ — senhor Śiva; bhagavān — a poderosíssima personalidade; hāṭakeśvaraḥ — o mestre do ouro; sva-pārṣada — pelos seus próprios associados; bhūta-gaṇa — que são seres vivos espectrais; āvṛtaḥ — rodeado; prajāpati-sarga — da criação do senhor Brahmā; upabṛṁhaṇāya — para aumentar a população; bhavaḥ — senhor Śiva; bhavānyā saha — com sua esposa Bhavānī; mithunī-bhūtaḥ — tendo relações sexuais; āste — permanece; yataḥ — daquele planeta (Vitala); pravṛttā — emanando; sarit-pravarā — o grande rio; hāṭakī — Hāṭakī; nāma — chamado; bhavayoḥ vīryeṇa — devido ao sêmen e ao óvulo do senhor Śiva e Bhavānī; yatra — onde; citra-bhānuḥ — o deus do fogo; mātariśvanā — pelo vento; samidhyamānaḥ — sendo incendiado com grande intensidade; ojasā — com muita força; pibati — bebe; tat — isto; niṣṭhyūtam — cospe com um ruído sibilante; hāṭaka-ākhyam — chamado Hāṭaka; suvarṇam — ouro; bhūṣaṇena — com diferentes espécies de ornamentos; asura-indra — dos grandes asuras; avarodheṣu — nos lares; puruṣāḥ — os varões; saha — com; puruṣībhiḥ — suas esposas e mulheres; dhārayanti — usam.
Translation
Em seguida, abaixo de Atala, fica o planeta Vitala, onde o senhor Śiva, que é conhecido como o mestre das minas de ouro, vive com seus associados pessoais, a saber, os fantasmas e entidades vivas semelhantes. Para produzir entidades vivas, o senhor Śiva, como progenitor, ocupa-se em sexo com Bhavānī, a progenitora, e da mistura de seus líquidos vitais gera-se o rio chamado Hāṭakī. Quando o fogo, ao ser transformado em labaredas pelo vento, bebe a água desse rio e então, chiando, cospe essa água, ele produz o ouro chamado Hāṭaka. Os demônios que vivem nesse planeta com suas esposas decoram-se com vários ornamentos feitos com esse ouro e, dessa maneira, levam uma vida repleta de felicidade.
Purport
SIGNIFICADO—Parece que quando Bhava e Bhavānī, o senhor Śiva e sua esposa, têm relação sexual, a emulsificação de suas secreções cria uma substância química que, aquecida pelo fogo, pode produzir ouro. Afirma-se que os alquimistas da era medieval tentavam preparar ouro a partir do bronze, e Śrīla Sanātana Gosvāmī também afirma que, ao ser tratado com mercúrio, o bronze pode transformar-se em ouro. Śrīla Sanātana Gosvāmī menciona isso em relação à iniciação de homens de classe inferior, quando se procura transformá-los em brāhmaṇas. Sanātana Gosvāmī disse:
yathā kāñcanatāṁ yāti
kāṁsyaṁ rasa-vidhānataḥ
tathā dīkṣā-vidhānena
dvijatvaṁ jāyate nṛṇām
kāṁsyaṁ rasa-vidhānataḥ
tathā dīkṣā-vidhānena
dvijatvaṁ jāyate nṛṇām
“Assim como alguém pode transformar kaṁsa, ou bronze, em ouro, tratando-o com mercúrio, também é possível transformar um homem de nascimento baixo em brāhmaṇa, iniciando-o apropriadamente em atividades vaiṣṇavas.” A Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna está tentando transformar mlecchas e yavanas em brāhmaṇas verdadeiros, iniciando-os apropriadamente e dissuadindo-os de entregarem-se ao consumo de carne, à intoxicação, ao sexo ilícito e aos jogos de azar. Alguém que larga esses quatro princípios de atividades pecaminosas e canta o mahā-mantra Hare Kṛṣṇa com certeza pode tornar-se um brāhmaṇa puro através do processo de iniciação autêntica, como sugere Śrīla Sanātana Gosvāmī.
Além disso, se alguém aceita a sugestão desse verso e aprende como misturar mercúrio com bronze aquecendo-os e derretendo-os apropriadamente, pode obter ouro com muita facilidade. Os alquimistas da era medieval tentaram fabricar ouro, mas se viram frustrados, talvez porque não seguiram as instruções corretamente.
Devanagari
ततोऽधस्तात्सुतले उदारश्रवा: पुण्यश्लोको विरोचनात्मजो बलिर्भगवता महेन्द्रस्य प्रियं
चिकीर्षमाणेनादितेर्लब्धकायो भूत्वा वटुवामनरूपेण पराक्षिप्तलोकत्रयो भगवदनुकम्पयैव पुन: प्रवेशित
इन्द्रादिष्वविद्यमानया सुसमृद्धया श्रियाभिजुष्ट: स्वधर्मेणाराधयंस्तमेव भगवन्तमाराधनीयमपगतसाध्वस
आस्तेऽधुनापि ॥ १८ ॥
चिकीर्षमाणेनादितेर्लब्धकायो भूत्वा वटुवामनरूपेण पराक्षिप्तलोकत्रयो भगवदनुकम्पयैव पुन: प्रवेशित
इन्द्रादिष्वविद्यमानया सुसमृद्धया श्रियाभिजुष्ट: स्वधर्मेणाराधयंस्तमेव भगवन्तमाराधनीयमपगतसाध्वस
आस्तेऽधुनापि ॥ १८ ॥
Verse text
tato ’dhastāt sutale udāra-śravāḥ puṇya-śloko virocanātmajo balir bhagavatā mahendrasya priyaṁ cikīrṣamāṇenāditer labdha-kāyo bhūtvā vaṭu-vāmana-rūpeṇa parākṣipta-loka-trayo bhagavad-anukampayaiva punaḥ praveśita indrādiṣv avidyamānayā susamṛddhayā śriyābhijuṣṭaḥ sva-dharmeṇārādhayaṁs tam eva bhagavantam ārādhanīyam apagata-sādhvasa āste ’dhunāpi.
Synonyms
tataḥ adhastāt — abaixo do planeta conhecido como Vitala; sutale — no planeta conhecido como Sutala; udāra-śravāḥ — muitíssimo festejado; puṇya-ślokaḥ — muito piedoso e avançado em consciência espiritual; virocana-ātmajaḥ — o filho de Virocana; baliḥ — Bali Mahārāja; bhagavatā — pela Suprema Personalidade de Deus; mahā-indrasya — do rei dos céus, Indra; priyam — o bem-estar; cikīrṣamāṇena — desejando proporcionar; āditeḥ — de Āditi; labdha-kāyaḥ — tendo obtido Seu corpo; bhūtvā — aparecendo; vaṭu — brahmacārī; vāmana-rūpeṇa — sob a forma de um anão; parākṣipta — usurpou; loka-trayaḥ — os três mundos; bhagavat-anukampayā — pela misericórdia imotivada da Suprema Personalidade de Deus; eva — decerto; punaḥ — novamente; praveśitaḥ — fez que entrasse; indra-ādiṣu — mesmo entre os semideuses, como o rei dos céus; avidyamānayā — não existindo; susamṛddhayā — muito enriquecido por essa grande opulência; śriyā — pela boa fortuna; abhijuṣṭaḥ — sendo abençoado; sva-dharmeṇa — desempenhando o serviço devocional; ārādhayan — adorando; tam — a Ele; eva — decerto; bhagavantam — a Suprema Personalidade de Deus; ārādhanīyam — que é muito adorável; apagatasādhvasaḥ — sem medo; āste — permanece; adhunā api — mesmo hoje em dia.
Translation
Abaixo do planeta Vitala, existe outro planeta, conhecido como Sutala, onde o grande filho de Mahārāja Virocana, Bali Mahārāja, célebre como o rei mais piedoso, reside até hoje. Para o bem-estar de Indra, o rei dos céus, o Senhor Viṣṇu apareceu sob a forma de um brahmacārī anão, filho de Aditi, e enganou Bali Mahārāja, pedindo-lhe apenas três passos de terra, mas levando todos os três mundos. Ficando muito satisfeito com Bali Mahārāja, que deu todas as suas posses, o Senhor lhe devolveu o reino e fez de Bali Mahārāja uma pessoa mais rica do que o opulento rei Indra. Mesmo nos dias de hoje, Bali Mahārāja se ocupa em serviço devocional, adorando a Suprema Personalidade de Deus no planeta Sutala.
Purport
SIGNIFICADO—Descreve-se a Suprema Personalidade de Deus como Uttamaśloka, “aquele que é adorado pelos versos sânscritos mais elevados e seletos”, e Seus devotos, tais como Bali Mahārāja, também são adorados com puṇya-ślokas, versos que intensificam a piedade das pessoas. Bali Mahārāja ofereceu tudo ao Senhor – sua riqueza, seu reino e inclusive o seu próprio corpo (sarvātma-nivedane baliḥ). O Senhor apareceu diante de Bali Mahārāja como um brāhmaṇa mendicante, e Bali Mahārāja Lhe deu tudo o que tinha. Contudo, Bali Mahārāja não se empobreceu; doando todas as suas posses à Suprema Personalidade de Deus, tornou-se um devoto exitoso e, com as bênçãos do Senhor, obteve tudo de volta. Igualmente, aqueles que dão contribuições para expandir as atividades do movimento da consciência de Kṛṣṇa e para ajudar este movimento a realizar os seus objetivos jamais sairão perdendo; eles obterão sua riqueza de volta, com as bênçãos do Senhor Kṛṣṇa. Por outro lado, aqueles que coletam contribuições em nome da Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna devem ter todo o cuidado de não usar nem mesmo uma moeda arrecada em algum propósito alheio ao transcendental serviço amoroso ao Senhor.
Devanagari
नो एवैतत्साक्षात्कारो भूमिदानस्य यत्तद्भगवत्यशेषजीवनिकायानां जीवभूतात्मभूते परमात्मनि वासुदेवे तीर्थतमे पात्र उपपन्ने परया श्रद्धया परमादरसमाहितमनसा सम्प्रतिपादितस्य साक्षादपवर्गद्वारस्य यद्बिलनिलयैश्वर्यम् ॥ १९ ॥
Verse text
no evaitat sākṣātkāro bhūmi-dānasya yat tad bhagavaty aśeṣa-jīva-nikāyānāṁ jīva-bhūtātma-bhūte paramātmani vāsudeve tīrthatame pātra upapanne parayā śraddhayā paramādara-samāhita-manasā sampratipāditasya sākṣād apavarga-dvārasya yad bila-nilayaiśvaryam.
Synonyms
no — não; eva — na verdade; etat — este; sākṣātkāraḥ — o resultado direto; bhūmi-dānasya — da doação de terra; yat — o qual; tat — isto; bhagavati — à Suprema Personalidade de Deus; aśeṣa-jīva-nikāyānām — de inumeráveis entidades vivas; jīva-bhūta-ātma-bhūte — que é a vida e a Superalma; parama-ātmani — o disciplinador Supremo; vāsudeve — Senhor Vāsudeva (Kṛṣṇa); tīrtha-tame — que é o melhor de todos os lugares de peregrinação; pātre — o recipiente mais digno; upapanne — tendo sido procurado; parayā — pela mais elevada; śraddhayā — fé; parama-ādara — com muito respeito; samāhita-manasā — com uma mente atenta; sampratipāditasya — que recebeu; sākṣāt — diretamente; apavarga-dvārasya — a entrada rumo à liberação; yat — a qual; bila-nilaya — de bila-svarga, os planetas celestiais de imitação; aiśvaryam — a opulência.
Translation
Meu querido rei, Bali Mahārāja doou todas as suas posses a Vāmanadeva, a Suprema Personalidade de Deus, mas nem por isso deve-se concluir que ele alcançou sua grande opulência material em bila-svarga só por causa de sua disposição caridosa. A Suprema Personalidade de Deus, que é a fonte da vida de todas as entidades vivas, está situado dentro de todos como a amigável Superalma, e, sob Sua direção, as entidades vivas desfrutam ou sofrem no mundo material. Apreciando grandemente as qualidades transcendentais do Senhor, Bali Mahārāja ofereceu tudo aos Seus pés de lótus. Seu propósito, contudo, não era obter bens materiais, mas se tornar um devoto puro. Para o devoto puro, a porta da liberação se abre automaticamente. Ninguém deve pensar que Bali Mahārāja recebeu tanta opulência material meramente devido à sua caridade. Quando alguém se torna um devoto puro e amoroso, também pode ser abençoado com uma boa posição material, pela vontade do Senhor Supremo. Contudo, ninguém deve pensar que a opulência material do devoto é o resultado de seu serviço devocional. O verdadeiro resultado do serviço devocional é o despertar do amor puro pela Suprema Personalidade de Deus, e esse amor continua em quaisquer circunstâncias.
Devanagari
यस्य ह वाव क्षुतपतनप्रस्खलनादिषु विवश: सकृन्नामाभिगृणन् पुरुष: कर्मबन्धनमञ्जसा विधुनोति यस्य हैव प्रतिबाधनं मुमुक्षवोऽन्यथैवोपलभन्ते ॥ २० ॥
Verse text
yasya ha vāva kṣuta-patana-praskhalanādiṣu vivaśaḥ sakṛn nāmābhigṛṇan puruṣaḥ karma-bandhanam añjasā vidhunoti yasya haiva pratibādhanaṁ mumukṣavo ’nyathaivopalabhante.
Synonyms
yasya — de quem; ha vāva — na verdade; kṣuta — quando está com fome; patana — caindo; praskhalana-ādiṣu — tropeçando e assim por diante; vivaśaḥ — estando desamparado; sakṛt — uma vez; nāma abhigṛṇam — cantando os santos nomes do Senhor; puruṣaḥ — uma pessoa; karma-bandhanam — o cativeiro das atividades fruitivas; añjasā — por completo; vidhunoti — afasta; yasya — do qual; ha — decerto; eva — dessa maneira; pratibādhanam — a repulsa; mumukṣavaḥ — pessoas que desejam livrar-se; anyathā — caso contrário; eva — por certo que; upalabhante — estão tentando compreender.
Translation
Se alguém, assolado pela fome, ou alguém que tropeça e cai, canta sequer uma vez o santo nome do Senhor, voluntária ou involuntariamente, ele se liberta de imediato das reações de seus feitos passados. Para alcançar essa mesma liberdade, os karmīs emaranhados em atividades materiais se defrontam com muitas dificuldades na prática de yoga místico e de outros processos.
Purport
SIGNIFICADO—Não é verdade que alguém deva oferecer suas posses materiais à Suprema Personalidade de Deus, obter a liberação e somente depois se ocupar em serviço devocional. O devoto naturalmente alcança a liberação, sem para isso recorrer a algum artifício seu. Bali Mahārāja não recebeu de volta todas as suas posses meramente por causa de sua caridade para com o Senhor. Alguém que se torna devoto, livre dos desejos e motivações materiais, considera todas as oportunidades, materiais e espirituais, como bênçãos do Senhor, e, dessa maneira, seu serviço ao Senhor nunca é estorvado. Bhukti, gozo material, e mukti, liberação, são meros subprodutos do serviço devocional. O devoto não precisa trabalhar separadamente para alcançar mukti. Śrīla Bilvamaṅgala Ṭhākura disse que muktiḥ svayaṁ mukulitāñjaliḥ sevate ’smān: o devoto puro do Senhor não precisa esforçar-se separadamente por obter mukti, porque mukti está sempre pronta para servi-lo.
Com relação a isso, o Caitanya-caritāmṛta (Antya 3.177-188) descreve como é que Haridāsa Ṭhākura confirma o efeito do cantar do santo nome do Senhor.
keha bale — ‘nāma haite haya pāpa-kṣaya’
keha bale — ‘nāma haite jīvera mokṣa haya’
keha bale — ‘nāma haite jīvera mokṣa haya’
Alguns dizem que, cantando o santo nome do Senhor, a pessoa se liberta de todas as reações de vidas pecaminosas, e outros dizem que, cantando o santo nome do Senhor, ela se liberta do cativeiro material.
haridāsa kahena, — “nāmera ei dui phala naya
nāmera phale kṛṣṇa-pade prema upajaya
nāmera phale kṛṣṇa-pade prema upajaya
Contudo, Haridāsa Ṭhākura, disse que o resultado desejado de se cantar o santo nome do Senhor não é libertar-se do cativeiro material ou se livrar das reações da vida pecaminosa. O verdadeiro resultado de se cantar o santo nome do Senhor é que a pessoa desperta sua ainda adormecida consciência de Kṛṣṇa, seu serviço amoroso ao Senhor.
ānuṣaṅgika phala nāmera — ‘mukti’, ‘pāpa-nāśa’
tāhāra dṛṣṭānta yaiche sūryera prakāśa
tāhāra dṛṣṭānta yaiche sūryera prakāśa
Haridāsa Ṭhākura disse que tanto a liberação quanto alguém ficar livre das reações das atividades pecaminosas são meros subprodutos de se cantar o santo nome do Senhor. Quem canta o santo nome do Senhor puramente, alcança a plataforma de serviço amoroso à Suprema Personalidade de Deus. A propósito, Haridāsa Ṭhākura deu um exemplo em que compara o poder do santo nome ao brilho do Sol.
ei ślokera artha kara paṇḍitera gaṇa”
sabe kahe, — ‘tumi kaha artha-vivaraṇa’
sabe kahe, — ‘tumi kaha artha-vivaraṇa’
Ele apresentou um verso a todos os estudiosos eruditos ali presentes, mas os eruditos lhe pediram que desse o significado do verso.
haridāsa kahena, — “yaiche sūryera udaya
udaya nā haite ārambhe tamera haya kṣaya
udaya nā haite ārambhe tamera haya kṣaya
Haridāsa Ṭhākura disse que, tão logo começa a aparecer, o Sol dissipa a escuridão da noite, mesmo antes de os raios do Sol se tornarem visíveis.
caura-preta-rākṣasādira bhaya haya nāśa
udaya haile dharma-karma-ādi parakāśa
udaya haile dharma-karma-ādi parakāśa
Mesmo antes de o Sol nascer, a luz da alvorada afasta o medo produzido pelos perigos da noite, tais como as perturbações causadas por ladrões, fantasmas e Rākṣasas, e quando o brilho do Sol realmente aparece, todos se ocupam em seus deveres.
aiche nāmodayārambhe pāpa-ādira kṣaya
udaya kaile kṛṣṇa-pade haya premodaya
udaya kaile kṛṣṇa-pade haya premodaya
Igualmente, mesmo antes de que seja puro o seu cantar do santo nome, a pessoa se livra de todas as reações pecaminosas, e, quando canta puramente, torna-se amante de Kṛṣṇa.
‘mukti’ tuccha-phala haya nāmābhāsa haite
ye mukti bhakta nā laya, se kṛṣṇa cāhe dite”
ye mukti bhakta nā laya, se kṛṣṇa cāhe dite”
O devoto nunca aceita mukti, mesmo se Kṛṣṇa a oferecer. Mukti, ficar livre de todas as reações pecaminosas, é algo obtido até mesmo através de nāmābhāsa, ou um vislumbre da luz do santo nome, antes que sua luz plena seja perfeitamente visível.
Nāmābhāsa é a fase entre nāma-aparādha, ou a etapa em que se canta o santo nome enquanto se cometem ofensas, e o cantar puro. Existem três etapas do cantar do santo nome do Senhor. Na primeira etapa, a pessoa comete dez espécies de ofensas enquanto canta. Na fase seguinte, nāmābhāsa, são muito poucas as ofensas cometidas, e ela vai se aproximando da plataforma do cantar puro. Na terceira etapa, quando o indivíduo canta o mantra Hare Kṛṣṇa e não comete ofensas, seu amor latente por Kṛṣṇa desperta prontamente. Isso é a perfeição.
Devanagari
तद्भक्तानामात्मवतां सर्वेषामात्मन्यात्मद आत्मतयैव ॥ २१ ॥
Verse text
tad bhaktānām ātmavatāṁ sarveṣām ātmany ātmada ātmatayaiva.
Synonyms
Translation
A Suprema Personalidade de Deus, que Se situa no coração de todos como a Superalma, vende-Se aos Seus devotos, tais como Nārada Muni. Em outras palavras, o Senhor confere amor puro a esses devotos e entrega-Se àqueles que O amam com pureza. Os grandes yogīs místicos autorrealizados, tais como os quatro Kumāras, também experimentam grande bem-aventurança transcendental ao perceberem a presença da Superalma dentro deles próprios.
Purport
SIGNIFICADO—O Senhor tornou-Se porteiro de Bali Mahārāja não pelo fato de ele ter dado tudo ao Senhor, mas devido à sua posição excelsa como um amante do Senhor.
Devanagari
न वै भगवान्नूनममुष्यानुजग्राह यदुत पुनरात्मानुस्मृतिमोषणं मायामयभोगैश्वर्यमेवातनुतेति ॥ २२ ॥
Verse text
na vai bhagavān nūnam amuṣyānujagrāha yad uta punar ātmānusmṛti-moṣaṇaṁ māyāmaya-bhogaiśvaryam evātanuteti.
Synonyms
na — não; vai — na verdade; bhagavān — a Suprema Personalidade de Deus; nūnam — decerto; amuṣya — a Bali Mahārāja; anujagrāha — mostrou Seu favor; yat — porque; uta — com certeza; punaḥ — novamente; ātma-anusmṛti — de se lembrar da Suprema Personalidade de Deus; moṣaṇam — que faz a pessoa desistir; māyā-maya — um atributo de Māyā; bhoga-aiśvaryam — a opulência material; eva — decerto; ātanuta — ampliada; iti — assim.
Translation
A Suprema Personalidade de Deus não concedeu Sua misericórdia a Bali Mahārāja sob a forma de felicidade e opulências materiais, pois essas coisas fazem a pessoa se esquecer do serviço amoroso ao Senhor. Ao obter opulência material, a pessoa não mais consegue absorver sua mente na Suprema Personalidade de Deus.
Purport
SIGNIFICADO—Existem duas classes de opulências. Uma, que resulta do karma, é material, ao passo que a outra é espiritual. A alma rendida, que depende por completo da Suprema Personalidade de Deus, não quer opulência material para então obter gozo dos sentidos. Portanto, quando se vê um devoto puro na posse de grande opulência material, isso não se deve a seu karma, senão que, ao contrário, deve-se à sua bhakti. Em outras palavras, ele está nessa posição porque o Senhor Supremo quer que ele Lhe preste serviço devocional com muita facilidade e opulência. Ao outorgar Sua misericórdia especial ao devoto neófito, o Senhor o empobrece materialmente. É essa a misericórdia do Senhor porque, ao se tornar materialmente rico, o devoto neófito se esquece do serviço ao Senhor. Contudo, se o Senhor favorece com opulência o devoto avançado, esta não é uma opulência material, mas uma oportunidade espiritual. A opulência material outorgada aos semideuses faz com que eles se esqueçam do Senhor, mas Bali Mahārāja recebeu opulência para continuar a servir ao Senhor, pois ele estava livre de qualquer resquício de māyā.
Devanagari
यत्तद्भगवतानधिगतान्योपायेन याच्ञाच्छलेनापहृतस्वशरीरावशेषितलोकत्रयो वरुणपाशैश्च सम्प्रतिमुक्तो गिरिदर्यां चापविद्ध इति होवाच ॥ २३ ॥
Verse text
yat tad bhagavatānadhigatānyopāyena yācñā-cchalenāpahṛta-sva-śarīrāvaśeṣita-loka-trayo varuṇa-pāśaiś ca sampratimukto giri-daryāṁ cāpaviddha iti hovāca.
Synonyms
yat — o qual; tat — essa; bhagavatā — pela Suprema Personalidade de Deus; anadhigata-anya-upāyena — que não é percebido por outros meios; yācñā-chalena — por uma artimanha de esmolar; apahṛta — tirou; sva-śarīra-avaśeṣita — restando apenas seu próprio corpo; loka-trayaḥ — os três mundos; varuṇa-pāśaiḥ — pelas cordas de Varuṇa; ca — e; sampratimuktaḥ — completamente amarrado; giri-daryām — em uma caverna de uma montanha; ca — e; apaviddhaḥ — ficando detido; iti — assim; ha — na verdade; uvāca — disse.
Translation
Ao perceber que não havia nenhum outro meio de tirar tudo de Bali Mahārāja, a Suprema Personalidade de Deus recorreu ao artifício de esmolar a ele para lhe tomar todos os três mundos. Assim, só lhe restou o corpo, mas o Senhor ainda não estava satisfeito. Prendendo Bali Mahārāja, Ele o amarrou com as cordas de Varuṇa e o atirou em uma caverna de uma montanha. Entretanto, embora toda a sua propriedade tivesse sido tomada e ele tivesse sido atirado em uma caverna, Bali Mahārāja era um devoto tão grandioso que falou da seguinte maneira.
Devanagari
नूनं बतायं भगवानर्थेषु न निष्णातो योऽसाविन्द्रो यस्य सचिवो मन्त्राय वृत एकान्ततो बृहस्पतिस्तमतिहाय स्वयमुपेन्द्रेणात्मानमयाचतात्मनश्चाशिषो नो एव तद्दास्यमतिगम्भीरवयस: कालस्य मन्वन्तरपरिवृत्तं कियल्लोकत्रयमिदम् ॥ २४ ॥
Verse text
nūnaṁ batāyaṁ bhagavān artheṣu na niṣṇāto yo ’sāv indro yasya sacivo mantrāya vṛta ekāntato bṛhaspatis tam atihāya svayam upendreṇātmānam ayācatātmanaś cāśiṣo no eva tad-dāsyam ati-gambhīra-vayasaḥ kālasya manvantara-parivṛttaṁ kiyal loka-trayam idam.
Synonyms
nūnam — decerto; bata — oh!; ayam — isto; bhagavān — muito erudito; artheṣu — em interesse próprio; na — não; niṣṇātaḥ — muito experiente; yaḥ — quem; asau — o rei dos céus; indraḥ — Indra; yasya — de quem; sacivaḥ — o primeiro-ministro; mantrāya — para dar instruções; vṛtaḥ — escolhido; ekāntataḥ — sozinho; bṛhaspatiḥ — chamado Bṛhaspati; tam — a ele; atihāya — ignorando; svayam — pessoalmente; upendreṇa — por intermédio de Upendra (Senhor Vāmanadeva); ātmānam — a mim mesmo; ayācata — pediu; ātmanaḥ — para ele próprio; ca — e; āśiṣaḥ — bênçãos (os três mundos); no — não; eva — decerto; tat-dāsyam — o serviço amoroso ao Senhor; ati — muito; gambhīra-vayasaḥ — tendo uma duração interminável; kālasya — de tempo; manvantara-parivṛttam — sujeito a mudanças ao final de uma vida de um Manu; kiyat — qual o valor de; loka-trayam — três mundos; idam — estes.
Translation
Ai de mim, quão lamentável é que, embora seja muito erudito e poderoso e embora tenha escolhido Bṛhaspati como seu primeiro ministro para instruí-lo, Indra, o rei dos céus, ignore por completo o que é avanço espiritual. Bṛhaspati também não tem inteligência porque não instruiu apropriadamente seu discípulo Indra. O Senhor Vāmanadeva estava parado à porta de Indra, mas o rei Indra, em vez de se valer da oportunidade para Lhe prestar transcendental serviço amoroso, induziu-O a me pedir esmolas para somente assim ganhar os três mundos e desfrutar de seus sentidos. A soberania sobre os três mundos é muito insignificante, pois toda opulência material que alguém possua dura somente uma era de Manu, que não passa de uma minúscula fração do tempo interminável.
Purport
SIGNIFICADO—Bali Mahārāja era tão poderoso que lutou com Indra e apoderou-se dos três mundos. Indra era com certeza muito avançado em conhecimento, mas, em vez de pedir a Vāmanadeva que o ocupasse a Seu serviço, ele recorreu ao Senhor para pedir bens materiais, que fatalmente terminam no final de uma era de Manu. Calcula-se que uma era de Manu, que é a duração da vida de Manu, prolongue-se por setenta e dois yugas. Um yuga consiste em 4.300.000 anos, de modo que Manu vive 309.600.000 anos. A opulência dos semideuses perdura apenas até o final da vida de Manu. O tempo é insuperável. O tempo reservado a alguém, mesmo que sejam milhões de anos, passa rapidamente. Os semideuses possuem seus bens materiais apenas dentro dos limites do tempo. Portanto, Bali Mahārāja lamentou que, embora Indra fosse muito erudito, não tivesse usado sua inteligência de forma apropriada, pois, em vez de pedir a Vāmanadeva que lhe permitisse se ocupar a Seu serviço, Indra usou-O para solicitar de Bali Mahārāja riquezas materiais. Embora Indra fosse erudito, e seu primeiro-ministro, Bṛhaspati, também fosse erudito, nenhum deles pediu a misericórdia de poder prestar serviço amoroso ao Senhor Vāmanadeva. Portanto, Bali Mahārāja se lamentou por Indra.
Devanagari
यस्यानुदास्यमेवास्मत्पितामह: किल वव्रे न तु स्वपित्र्यं यदुताकुतोभयं पदं दीयमानं भगवत: परमिति भगवतोपरते खलु स्वपितरि ॥ २५ ॥
Verse text
yasyānudāsyam evāsmat-pitāmahaḥ kila vavre na tu sva-pitryaṁ yad utākutobhayaṁ padaṁ dīyamānaṁ bhagavataḥ param iti bhagavatoparate khalu sva-pitari.
Synonyms
yasya — a quem (a Suprema Personalidade de Deus); anudāsyam — o serviço; eva — decerto; asmat — nosso; pitā-mahaḥ — avô; kila — na verdade; vavre — aceitou; na — não; tu — mas; sva — própria; pitryam — propriedade paterna; yat — a qual; uta — com certeza; akutaḥ-bhayam — destemida; padam — posição; dīyamānam — sendo oferecida; bhagavataḥ — que não a Suprema Personalidade de Deus; param — outra; iti — assim; bhagavatā — pela Suprema Personalidade de Deus; uparate — quando morto; khalu — na verdade; sva-pitari — seu próprio pai.
Translation
Bali Mahārāja disse: Meu avô Prahlāda Mahārāja é a única pessoa que compreendeu seu verdadeiro pessoal. Com a morte de Hiraṇyakaśipu, o pai de Prahlāda, o Senhor Nṛsiṁhadeva quis oferecer a Prahlāda o reino de seu pai e chegou até mesmo a lhe garantir que ele poderia livrar-se do cativeiro material, mas Prahlāda não aceitou nada disso. A liberação e a opulência material, pensou ele, são obstáculos ao serviço devocional, de modo que essas dádivas da Suprema Personalidade de Deus não são a Sua verdadeira misericórdia. Em decorrência disso, em vez de aceitar os resultados de karma e jñāna, Prahlāda Mahārāja simplesmente pediu que o Senhor lhe permitisse ocupar-se a serviço do servo do Senhor.
Purport
SIGNIFICADO—Śrī Caitanya Mahāprabhu ensina que o devoto imaculado deve considerar-se servo do servo do servo do Senhor Supremo (gopī-bhartuḥ pāda-kamalayor dāsa-dāsānudāsaḥ). Segundo a filosofia vaiṣṇava, ninguém deve sequer tornar-se servo direto. Ofereceram-se a Prahlāda Mahārāja todas as bênçãos de uma posição opulenta no mundo material e até mesmo a liberação para poder imergir no Brahman, mas ele recusou tudo isso. Ele simplesmente queria ocupar-se a serviço do servo do servo do Senhor. Portanto, Bali Mahārāja disse que, como seu avô Prahlāda Mahārāja rejeitara as bênçãos da Suprema Personalidade de Deus oferecidas sob a forma de opulência material e libertar-se do cativeiro material, ele compreendeu seu verdadeiro interesse.
Devanagari
तस्य महानुभावस्यानुपथममृजितकषाय: को वास्मद्विध: परिहीणभगवदनुग्रह उपजिगमिषतीति ॥ २६ ॥
Verse text
tasya mahānubhāvasyānupatham amṛjita-kaṣāyaḥ ko vāsmad-vidhaḥ parihīṇa-bhagavad-anugraha upajigamiṣatīti.
Synonyms
tasya — de Prahlāda Mahārāja; mahā-anubhāvasya — que era um devoto elevado; anupatham — o caminho; amṛjita-kaṣāyaḥ — uma pessoa que é materialmente contaminada; kaḥ — que; vā — ou; asmat-vidhaḥ — como nós; parihīṇa-bhagavat-anugrahaḥ — estando sem o favor da Suprema Personalidade de Deus; upajigamiṣati — deseja seguir; iti — assim.
Translation
Bali Mahārāja disse: Pessoas como nós, que ainda estamos apegados ao gozo material, que estamos contaminados pelos modos da natureza material e que não dispomos da misericórdia da Suprema Personalidade de Deus, não podemos seguir o caminho sublime de Prahlāda Mahārāja, o excelso devoto do Senhor.
Purport
SIGNIFICADO—É dito que, para se alcançar a percepção espiritual, devem-se seguir grandes personalidades, tais como o senhor Brahmā, Devarṣi Nārada, o senhor Śiva e Prahlāda Mahārāja. O caminho de bhakti não é difícil de modo algum se seguimos os passos dos ācāryas e autoridades anteriores, mas aqueles que são demasiadamente contaminados pelos modos da natureza material não conseguem segui-los. Embora estivesse realmente seguindo o caminho de seu avô, devido à sua grande humildade, Bali Mahārāja tinha a impressão de que não o estava. Uma característica dos devotos avançados, que seguem os princípios de bhakti, é que eles se julgam seres humanos comuns. Essa não é uma exibição artificial de humildade; o vaiṣṇava é sincero ao manifestar esse pensamento e, portanto, nunca admite sua elevada posição.
Devanagari
तस्यानुचरितमुपरिष्टाद्विस्तरिष्यते यस्य भगवान् स्वयमखिलजगद्गुरुर्नारायणो द्वारि गदापाणिरवतिष्ठते निजजनानुकम्पितहृदयो येनाङ्गुष्ठेन पदा दशकन्धरो योजनायुतायुतं दिग्विजय उच्चाटित: ॥ २७ ॥
Verse text
tasyānucaritam upariṣṭād vistariṣyate yasya bhagavān svayam akhila-jagad-gurur nārāyaṇo dvāri gadā-pāṇir avatiṣṭhate nija-janānukampita-hṛdayo yenāṅguṣṭhena padā daśa-kandharo yojanāyutāyutaṁ dig-vijaya uccāṭitaḥ.
Synonyms
tasya — de Bali Mahārāja; anucaritam — a narração; upariṣṭāt — oportunamente (no oitavo canto); vistariṣyate — será explicada; yasya — de quem; bhagavān — a Suprema Personalidade de Deus; svayam — pessoalmente; akhila-jagat-guruḥ — o mestre de todos os três mundos; nārāyaṇaḥ — o Senhor Supremo, o próprio Nārāyaṇa; dvāri — ao portão; gadā-pāṇiḥ — portando a maça em Sua mão; avatiṣṭhate — permanece; nija-jana-anukampita-hṛdayaḥ — cujo coração está sempre cheio de misericórdia para com Seus devotos; yena — por quem; aṅguṣṭhena — pelo primeiro dedo do pé; padā — de Seu pé; daśa-kandharaḥ — Rāvaṇa, que tinha dez cabeças; yojana-ayuta-ayutam — a uma distância de cento e trinta mil quilômetros; dik-vijaye — com o propósito de derrotar Bali Mahārāja; uccāṭitaḥ — repelido.
Translation
Śukadeva Gosvāmī prosseguiu: Meu querido rei, como glorificarei o caráter de Bali Mahārāja? A Suprema Personalidade de Deus, o mestre dos três mundos, que é muito compassivo para com Seu próprio devoto, permanece com uma maça na mão à porta de Bali Mahārāja. Quando Rāvaṇa, o poderoso demônio, tentou derrotar Bali Mahārāja, Vāmanadeva, com o primeiro dedo de Seu pé, chutou-o a uma distância de cento e trinta mil quilômetros. Oportunamente, [no oitavo canto do Śrīmad-Bhāgavatam], explicarei o caráter e as atividades de Bali Mahārāja.
Devanagari
ततोऽधस्तात्तलातले मयो नाम दानवेन्द्रस्त्रिपुराधिपतिर्भगवता पुरारिणा त्रिलोकीशं चिकीर्षुणा निर्दग्धस्वपुरत्रयस्तत्प्रसादाल्लब्धपदो मायाविनामाचार्यो महादेवेन परिरक्षितो विगतसुदर्शनभयो महीयते ॥ २८ ॥
Verse text
tato ’dhastāt talātale mayo nāma dānavendras tri-purādhipatir bhagavatā purāriṇā tri-lokī-śaṁ cikīrṣuṇā nirdagdha-sva-pura-trayas tat-prasādāl labdha-pado māyāvinām ācāryo mahādevena parirakṣito vigata-sudarśana-bhayo mahīyate.
Synonyms
tataḥ — o planeta conhecido como Sutala; adhastāt — abaixo de; talātale — no planeta conhecido como Talātala; mayaḥ — Maya; nāma — chamado; dānava-indraḥ — o rei dos demônios Dānavas; tri-pura-adhipatiḥ — o senhor das três cidades; bhagavatā — pelo poderosíssimo; purāriṇā — senhor Śiva, conhecido como Tripurāri; tri-lokī — dos três mundos; śam — a boa fortuna; cikīrṣuṇā — que desejava; nirdagdha — queimou; sva-pura-trayaḥ — cujas três cidades; tat-prasādāt — pela misericórdia do senhor Śiva; labdha — obteve; padaḥ — um reino; māyā-vinām ācāryaḥ — que é o ācārya, ou mestre, de todos os feiticeiros; mahā-devena — pelo senhor Śiva; parirakṣitaḥ — protegido; vigata-sudarśana-bhayaḥ — que não teme a Suprema Personalidade de Deus e Seu Sudarśana-cakra; mahīyate — é adorado.
Translation
Abaixo do planeta conhecido como Sutala, encontra-se outro planeta, chamado Talātala, que é governado pelo demônio Dānava chamado Maya. Maya é conhecido como o ācārya [mestre] de todos os māyāvīs, aqueles que têm a faculdade de invocar os poderes da feitiçaria. Para o benefício dos três mundos, o senhor Śiva, que é conhecido como Tripurāri, certa vez ateou fogo aos três reinos de Maya, mas, posteriormente, estando satisfeito com ele, devolveu-lhe o reino. Desde então, Maya Dānava recebe proteção do senhor Śiva e, portanto, pensa falsamente que não precisa temer o Sudarśana-cakra da Suprema Personalidade de Deus.
Devanagari
ततोऽधस्तान्महातले काद्रवेयाणां सर्पाणां नैकशिरसां क्रोधवशो नाम गण: कुहकतक्षककालियसुषेणादिप्रधाना महाभोगवन्त: पतत्त्रिराजाधिपते: पुरुषवाहादनवरतमुद्विजमाना: स्वकलत्रापत्यसुहृत्कुटुम्बसङ्गेन क्वचित्प्रमत्ता विहरन्ति ॥ २९ ॥
Verse text
tato ’dhastān mahātale kādraveyāṇāṁ sarpāṇāṁ naika-śirasāṁ krodhavaśo nāma gaṇaḥ kuhaka-takṣaka-kāliya-suṣeṇādi-pradhānā mahā-bhogavantaḥ patattri-rājādhipateḥ puruṣa-vāhād anavaratam udvijamānāḥ sva-kalatrāpatya-suhṛt-kuṭumba-saṅgena kvacit pramattā viharanti.
Synonyms
tataḥ — o planeta Talātala; adhastāt — abaixo de; mahātale — no planeta conhecido como Mahātala; kādraveyāṇām — dos descendentes de Kadrū; sarpāṇām — que são serpentes enormes; na eka-śirasām — que têm muitos capelos; krodha-vaśaḥ — sempre sujeitas à ira; nāma — chamadas; gaṇaḥ — o grupo; kuhaka — Kuhaka; takṣaka — Takṣaka; kāliya — Kāliya; suṣeṇa — Suṣeṇa; ādi — e assim por diante; pradhānāḥ — que são as proeminentes; mahā-bhogavantaḥ — viciadas em toda espécie de prazer material; patattri-rāja-adhipateḥ — do rei de todos os pássaros, Garuḍa; puruṣa-vāhāt — que carrega a Suprema Personalidade de Deus; anavaratam — constantemente; udvijamānāḥ — com medo; sva — de suas próprias; kalatra-apatya — esposa e filhos; suhṛt — amigos; kuṭumba — parentes; saṅgena — na companhia; kvacit — às vezes; pramattāḥ — enfurecidas; viharanti — divertem-se.
Translation
O sistema planetário localizado abaixo de Talātala é conhecido como Mahātala. Ele é a morada de serpentes de muitos capelos, descendentes de Kadrū, as quais vivem muito iradas. As serpentes mais grandiosas e proeminentes são Kuhaka, Takṣaka, Kāliya e Suṣeṇa. As serpentes de Mahātala são sempre perturbadas pelo medo trazido por Garuḍa, o carregador do Senhor Viṣṇu, mas, embora cheias de ansiedade, algumas delas se divertem com suas esposas, filhos, amigos e parentes.
Purport
SIGNIFICADO—Aqui se afirma que as serpentes que vivem no sistema planetário conhecido como Mahātala são muito poderosas e têm muitos capelos. Elas vivem com suas esposas e filhos e se consideram muito felizes, embora sempre estejam cheias de ansiedade por causa de Garuḍa, que vai até lá a fim de destruí-las. Essa é a representação fiel da vida material. Mesmo que alguém viva na condição mais abominável, ele se julga feliz ao lado de sua esposa, filhos, amigos e parentes.
Devanagari
ततोऽधस्ताद्रसातले दैतेया दानवा: पणयो नाम निवातकवचा: कालेया हिरण्यपुरवासिन इति विबुधप्रत्यनीका उत्पत्त्या महौजसो महासाहसिनो भगवत: सकललोकानुभावस्य हरेरेव तेजसा प्रतिहतबलावलेपा बिलेशया इव वसन्ति ये वै सरमयेन्द्रदूत्या वाग्भिर्मन्त्रवर्णाभिरिन्द्राद्बिभ्यति ॥ ३० ॥
Verse text
tato ’dhastād rasātale daiteyā dānavāḥ paṇayo nāma nivāta-kavacāḥ kāleyā hiraṇya-puravāsina iti vibudha-pratyanīkā utpattyā mahaujaso mahā-sāhasino bhagavataḥ sakala-lokānubhāvasya harer eva tejasā pratihata-balāvalepā bileśayā iva vasanti ye vai saramayendra-dūtyā vāgbhir mantra-varṇābhir indrād bibhyati.
Synonyms
tataḥ adhastāt — abaixo do sistema planetário Mahātala; rasātale — no planeta chamado Rasātala; daiteyāḥ — os filhos de Diti; dānavāḥ — os filhos de Danu; paṇayaḥ nāma — chamados Paṇis; nivāta-kavacāḥ — Nivāta-kavacas; kāleyāḥ — Kāleyas; hiraṇya-puravāsinaḥ — Hiraṇya-puravāsīs; iti — assim; vibudha-pratyanīkāḥ — inimigos dos semideuses; utpattyāḥ — desde o nascimento; mahā-ojasaḥ — muito poderosos; mahā-sāhasinaḥ — muito cruéis; bhagavataḥ — da Personalidade de Deus; sakala-loka-anubhāvasya — que é auspicioso para todos os sistemas planetários; hareḥ — da Suprema Personalidade de Deus; eva — decerto; tejasā — pelo Sudarśana-cakra; pratihata — derrotados; bala — força; avalepāḥ — e orgulho (por causa da força física); bila-īśayāḥ — as serpentes; iva — como; vasanti — eles vivem; ye — os quais; vai — na verdade; saramayā — por Saramā; indra-dūtyā — a mensageira de Indra; vāgbhiḥ — com as palavras; mantra-varṇābhiḥ — sob a forma de mantra; indrāt — do rei Indra; bibhyati — temem.
Translation
Abaixo de Mahātala, localiza-se o sistema planetário conhecido como Rasātala, a morada dos filhos demoníacos de Diti e Danu, chamados Paṇis, Nivāta-kavacas, Kāleyas e Hiraṇya-puravāsīs [aqueles que vivem em Hiraṇya-pura]. Todos eles são inimigos dos semideuses e, à semelhança das serpentes, residem em covas. Desde o nascimento, eles são extremamente poderosos e cruéis e, embora se orgulhem de sua força, sempre são derrotados pelo Sudarśana-cakra da Suprema Personalidade de Deus, que rege todos os sistemas planetários. Quando uma mensageira de Indra chamada Saramā canta certa maldição, os demônios serpentinos que habitam Mahātala ficam com muito medo de Indra.
Purport
SIGNIFICADO—Afirma-se que houve uma grande luta entre esses demônios serpentinos e Indra, o rei dos céus. Quando, após a derrota, encontraram-se com a mensageira Saramā, que cantava um mantra, os demônios ficaram com medo, em razão do que eles vivem no planeta chamado Rasātala.
Devanagari
ततोऽधस्तात्पाताले नागलोकपतयो वासुकिप्रमुखा: शङ्खकुलिकमहाशङ्खश्वेतधनञ्जयधृतराष्ट्रशङ्खचूडकम्बलाश्वतरदेवदत्तादयो महाभोगिनो महामर्षा निवसन्ति येषामु ह वै पञ्चसप्तदशशतसहस्रशीर्षाणां फणासु विरचिता महामणयो रोचिष्णव: पातालविवरतिमिरनिकरं स्वरोचिषा विधमन्ति ॥ ३१ ॥
Verse text
tato ’dhastāt pātāle nāga-loka-patayo vāsuki-pramukhāḥ śaṅkha-kulika-mahāśaṅkha-śveta-dhanañjaya-dhṛtarāṣṭra-śaṅkhacūḍa-kambalāśvatara-devadattādayo mahā-bhogino mahāmarṣā nivasanti yeṣām u ha vai pañca-sapta-daśa-śata-sahasra-śīrṣāṇāṁ phaṇāsu viracitā mahā-maṇayo rociṣṇavaḥ pātāla-vivara-timira-nikaraṁ sva-rociṣā vidhamanti.
Synonyms
tataḥ adhastāt — abaixo desse planeta Rasātala; pātāle — no planeta conhecido como Pātāla; nāga-loka-patayaḥ — os senhores dos Nāgalokas; vāsuki — por Vāsuki; pramukhāḥ — encabeçados; śaṅkha — Śaṅkha; kulika — Kulika; mahā-śaṅkha — Mahāśaṅkha; śveta — Śveta; dhanañjaya — Dhanañjaya; dhṛtarāṣṭra — Dhṛtarāṣṭra; śaṅkha-cūḍa — Śaṅkhacūḍa; kambala — Kambala; aśvatara — Aśvatara; deva-datta — Devadatta; ādayaḥ — e assim por diante; mahā-bhoginaḥ — muito viciados em felicidade material; mahā-amarṣāḥ — extremamente invejosos, por natureza; nivasanti — vivem; yeṣām — de todos eles; u ha — com certeza; vai — na verdade; pañca — cinco; sapta — sete; daśa — dez; śata — cem; sahasra — mil; śīrṣāṇām — daqueles que possuem capelos; phaṇāsu — nesses capelos; viracitāḥ — incrustadas; mahā-maṇayaḥ — pedras preciosíssimas; rociṣṇavaḥ — cheias de refulgência; pātāla-vivara — as cavernas do sistema planetário Pātāla; timira-nikaram — a escuridão cerrada; sva-rociṣā — pela refulgência de seus capelos; vidhamanti — desfazem.
Translation
Abaixo de Rasātala, figura outro sistema planetário, conhecido como Pātāla, ou Nāgaloka, onde existem muitas serpentes demoníacas, os senhores de Nāgaloka, tais como Śaṅkha, Kulika, Mahāśaṅkha, Śveta, Dhanañjaya, Dhṛtarāṣṭra, Śaṅkhacūḍa, Kambala, Aśvatara e Devadatta. A principal delas é Vāsuki. Elas são extremamente iracundas, e têm muitos e muitos capelos. Algumas serpentes têm cinco capelos, outras sete, outras dez, outras cem e outras mil capelos. Pedras preciosas estão incrustadas nesses capelos, e a luz que delas emana ilumina todo o sistema planetário de bila-svarga.
Purport
Neste ponto, encerram-se os Significados Bhaktivedanta do quinto canto, vigésimo quarto capítulo, do Śrīmad-Bhāgavatam, intitulado “Os Planetas Celestiais Subterrâneos”.