ŚB 5.24.16

अथातले मयपुत्रोऽसुरो बलो निवसति येन ह वा इह सृष्टा: षण्णवतिर्माया: काश्चनाद्यापि मायाविनो धारयन्ति यस्य च जृम्भमाणस्य मुखतस्त्रय: स्त्रीगणा उदपद्यन्त स्वैरिण्य: कामिन्य: पुंश्चल्य इति या वै बिलायनं प्रविष्टं पुरुषं रसेन हाटकाख्येन साधयित्वा स्वविलासावलोकनानुरागस्मितसंलापोपगूहनादिभि: स्वैरं किल रमयन्ति यस्मिन्नुपयुक्ते पुरुष ईश्वरोऽहं सिद्धोऽहमित्ययुतमहागजबलमात्मानमभिमन्यमान: कत्थते मदान्ध इव ॥ १६ ॥
athātale maya-putro ’suro balo nivasati yena ha vā iha sṛṣṭāḥ ṣaṇ-ṇavatir māyāḥ kāścanādyāpi māyāvino dhārayanti yasya ca jṛmbhamāṇasya mukhatas trayaḥ strī-gaṇā udapadyanta svairiṇyaḥ kāminyaḥ puṁścalya iti yā vai bilāyanaṁ praviṣṭaṁ puruṣaṁ rasena hāṭakākhyena sādhayitvā sva-vilāsāvalokanānurāga-smita-saṁlāpopagūhanādibhiḥ svairaṁ kila ramayanti yasminn upayukte puruṣa īśvaro ’haṁ siddho ’ham ity ayuta-mahā-gaja-balam ātmānam abhimanyamānaḥ katthate madāndha iva.

Synonyms

athaagora; ataleno planeta chamado Atala; maya-putraḥ asuraḥo demônio filho de Maya; balaḥBala; nivasatireside; yenapor quem; ha na verdade; ihanesse; sṛṣṭāḥpropagadas; ṣaṭ-ṇavatiḥnoventa e seis; māyāḥvariedades de ilusão; kāścanaalguns; adya apimesmo hoje em dia; māyā-vinaḥaqueles que conhecem a arte de feitos mágicos (por exemplo, como fabricar ouro); dhārayantiutilizam; yasyade quem; catambém; jṛmbhamāṇasyaenquanto boceja; mukhataḥda boca; trayaḥtrês; strī-gaṇāḥvariedades de mulheres; udapadyantaforam geradas; svairiṇyaḥsvairiṇī (aquela que somente se casa em sua mesma classe); kāminyaḥkāmiṇī (aquela que, sendo luxuriosa, casa-se com um homem de qualquer linhagem); puṁścalyaḥpuṁścalī (aquela que quer ir de marido em marido); itiassim; yāḥquem; vaidecerto; bila-ayanamos planetas subterrâneos; praviṣṭamadentrando; puruṣamum varão; rasenacom um suco; hāṭaka-ākhyenafeito de uma erva intoxicante conhecida como hāṭaka; sādhayitvātornando sexualmente potente; sva-vilāsapara seu próprio gozo dos sentidos; avalokanaatravés de olhares; anurāgaluxuriosos; smitasorrindo; saṁlāpaconversando; upagūhana-ādibhiḥe abraçando; svairamde acordo com seus próprios desejos; kilana verdade; ramayantidesfrutam do prazer sexual; yasminque; upayuktequando usado; puruṣaḥum homem; īśvaraḥ ahameu sou a pessoa mais poderosa; siddhaḥ ahameu sou a pessoa maior e mais elevada; itiassim; ayutadez mil; mahā-gajade grandes elefantes; balama força; ātmānamele próprio; abhimanyamānaḥestando cheio de orgulho; katthateeles dizem; mada-andhaḥcego pelo falso prestígio; ivacomo.

Translation

Meu querido rei, começando por Atala, passarei, então, a descrever-te cada um dos sistemas planetários inferiores. Em Atala, existe um demônio, o filho de Maya Dānava chamado Bala, que criou noventa e seis espécies de poder místico. Alguns pretensos yogīs e svāmīs aproveitam-se desse poder místico para enganar as pessoas até a atualidade. Mediante seu simples bocejo, o demônio Bala criou três classes de mulheres, conhecidas como svairiṇī, kāmiṇī e puṁścalī. As svairiṇīs gostam de se casar com homens de sua própria linhagem, as kāmiṇīs se casam com homens de qualquer linhagem, e as puṁścalīs estão sempre trocando de marido. Se um homem entra no planeta de Atala, essas mulheres imediatamente o capturam e o induzem a tomar uma bebida intoxicante feita com uma droga conhecida como hāṭaka [Cannabis indica]. Essa substância intoxicante concede ao homem grande poder sexual, e as mulheres se aproveitam disso para o seu prazer. Uma mulher o seduz com olhares atrativos, palavras íntimas, sorrisos amorosos e, em seguida, com abraços. Dessa maneira, ela o induz a fazer sexo com ela até se sentir plenamente satisfeita. Devido ao desmesurado poder sexual, o homem se julga mais forte do que dez mil elefantes e se considera perfeitíssimo. De fato, iludido e embriagado pelo falso orgulho, ele se julga Deus, ignorando a morte iminente.