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Devanagari
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Purport
CAPÍTULO TRINTA E SEIS
A Morte de Ariṣṭa, o Demônio Touro
Este capítulo descreve como Kṛṣṇa matou Ariṣṭāsura e como Kaṁsa reagiu ao saber, através de Nārada, que Kṛṣṇa e Balarāma eram os filhos de Vasudeva.
O demônio Ariṣṭa queria matar Kṛṣṇa e Balarāma e, por isso, assumiu a forma de um enorme touro de chifres pontiagudos. Todos na vila pastoril de Kṛṣṇa ficaram aterrorizados quando Ariṣṭāsura se aproximou, mas o Senhor os tranquilizou e, quando o demônio touro O atacou, Ele o agarrou pelos chifres e o lançou a cerca de seis metros de distância. Embora enfraquecido, Ariṣṭa ainda queria atacar Kṛṣṇa. Então, pingando suor, ele atacou o Senhor novamente. Desta vez, Kṛṣṇa pegou-o pelos chifres, jogou-o no chão e bateu-o como um monte de roupa molhada. O demônio vomitou sangue e abandonou a vida. A seguir, Kṛṣṇa e Rāma, enquanto eram honrados pelos semideuses e vaqueirinhos, retornaram à vila.
Pouco tempo depois, Nārada Muni, o grande sábio entre os semideuses, foi ver o rei Kaṁsa. Ele informou ao rei que Kṛṣṇa e Balarāma não eram filhos de Nanda, mas sim de Vasudeva. Foi por temor a Kaṁsa que Vasudeva deixara os dois meninos aos cuidados de Nanda. Além disso, Nārada anunciou, Kaṁsa encontraria sua morte nas mãos dEles.
Kaṁsa tremeu de medo e ira ao ouvir tudo isso e, com grande perturbação, começou a pensar em como destruir Kṛṣṇa e Balarāma. Ele chamou os demônios Cāṇūra e Muṣṭika e os instruiu a matar os dois irmãos em um torneio de luta. Depois, falou com Akrūra, que era perito em executar seus deveres. Tomando Akrūra pela mão, Kaṁsa persuadiu-o a ir até Vraja e trazer os dois meninos para Mathurā. Akrūra concordou em cumprir a ordem de Kaṁsa e, então, voltou para casa.
Devanagari
श्री बादरायणिरुवाच
अथ तर्ह्यागतो गोष्ठमरिष्टो वृषभासुर: ।
महींमहाककुत्काय: कम्पयन्खुरविक्षताम् ॥ १ ॥
अथ तर्ह्यागतो गोष्ठमरिष्टो वृषभासुर: ।
महींमहाककुत्काय: कम्पयन्खुरविक्षताम् ॥ १ ॥
Verse text
śrī bādarāyaṇir uvāca
atha tarhy āgato goṣṭham
ariṣṭo vṛṣabhāsuraḥ
mahīm mahā-kakut-kāyaḥ
kampayan khura-vikṣatām
atha tarhy āgato goṣṭham
ariṣṭo vṛṣabhāsuraḥ
mahīm mahā-kakut-kāyaḥ
kampayan khura-vikṣatām
Synonyms
śrī bādarāyaṇiḥ uvāca — Śrī Śukadeva Gosvāmī disse; atha — em seguida; tarhi — então; āgataḥ — veio; goṣṭham — à vila dos vaqueiros; ariṣṭaḥ — chamado Ariṣṭa; vṛṣabha-asuraḥ — o demônio touro; mahīm — a terra; mahā — grande; kakut — que tinha uma corcova; kāyaḥ — cujo corpo; kampayan — fazendo tremer; khura — por seus cascos; vikṣatām — rasgada.
Translation
Śukadeva Gosvāmī disse: O demônio Ariṣṭa foi, então, à vila dos vaqueiros. Aparecendo sob a forma de um touro com uma grande corcova, ele fazia a terra tremer enquanto a partia com seus cascos.
Purport
SIGNIFICADO—De acordo com o Śrī Viṣṇu Purāṇa, Ariṣṭāsura entrou na vila de Kṛṣṇa ao entardecer, quando o Senhor Se preparava para dançar com as gopīs:
prodoṣārdhe kadācit tu
rāsāsakte janārdane
trāsayan sa-mado goṣṭham
ariṣṭaḥ sampāgataḥ
rāsāsakte janārdane
trāsayan sa-mado goṣṭham
ariṣṭaḥ sampāgataḥ
“Certa vez, no meio do período crepuscular, quando o Senhor Janārdana estava ávido para realizar a dança da rāsa, Ariṣṭāsura entrou enlouquecido na vila dos vaqueiros, aterrorizando a todos.”
Devanagari
रम्भमाण: खरतरं पदा च विलिखन् महीम् ।
उद्यम्य पुच्छं वप्राणि विषाणाग्रेण चोद्धरन् ।
किञ्चित्किञ्चिच्छकृन् मुञ्चन्मूत्रयन्स्तब्धलोचन: ॥ २ ॥
उद्यम्य पुच्छं वप्राणि विषाणाग्रेण चोद्धरन् ।
किञ्चित्किञ्चिच्छकृन् मुञ्चन्मूत्रयन्स्तब्धलोचन: ॥ २ ॥
Verse text
rambhamāṇaḥ kharataraṁ
padā ca vilikhan mahīm
udyamya pucchaṁ vaprāṇi
viṣāṇāgreṇa coddharan
kiñcit kiñcic chakṛn muñcan
mūtrayan stabdha-locanaḥ
padā ca vilikhan mahīm
udyamya pucchaṁ vaprāṇi
viṣāṇāgreṇa coddharan
kiñcit kiñcic chakṛn muñcan
mūtrayan stabdha-locanaḥ
Synonyms
rambhamāṇaḥ — berrando; khara-taram — com muita estridência; padā — com seus cascos; ca — e; vilikhan — riscando; mahīm — o chão; udyamya — erguendo bem alto; puccham — a cauda; vaprāṇi — as barragens; viṣāṇa — dos chifres; agreṇa — com as pontas; ca — e; uddharan — erguendo e destruindo; kiñcit kiñcit — um pouco; śakṛt — de excremento; muñcan — soltando; mūtrayan — urinando; stabdha — chamejantes; locanaḥ — os olhos.
Translation
Ariṣṭāsura berrava muito estridentemente e escavava o chão. Com a cauda erguida e os olhos chamejantes, ele começou a quebrar as barragens com as pontas dos chifres, soltando um pouco de excremento e urina a intervalos.
Devanagari
यस्य निर्ह्रादितेनाङ्ग निष्ठुरेण गवां नृणाम् ।
पतन्त्यकालतो गर्भा: स्रवन्ति स्म भयेन वै ॥ ३ ॥
निर्विशन्ति घना यस्य ककुद्यचलशङ्कया ।
तं तीक्ष्णशृङ्गमुद्वीक्ष्य गोप्यो गोपाश्च तत्रसु: ॥ ४ ॥
पतन्त्यकालतो गर्भा: स्रवन्ति स्म भयेन वै ॥ ३ ॥
निर्विशन्ति घना यस्य ककुद्यचलशङ्कया ।
तं तीक्ष्णशृङ्गमुद्वीक्ष्य गोप्यो गोपाश्च तत्रसु: ॥ ४ ॥
Verse text
yasya nirhrāditenāṅga
niṣṭhureṇa gavāṁ nṛṇām
patanty akālato garbhāḥ
sravanti sma bhayena vai
niṣṭhureṇa gavāṁ nṛṇām
patanty akālato garbhāḥ
sravanti sma bhayena vai
nirviśanti ghanā yasya
kakudy acala-śaṅkayā
taṁ tīkṣṇa-śṛṅgam udvīkṣya
gopyo gopāś ca tatrasuḥ
kakudy acala-śaṅkayā
taṁ tīkṣṇa-śṛṅgam udvīkṣya
gopyo gopāś ca tatrasuḥ
Synonyms
yasya — cujo; nirhrāditena — pelo som reverberante; aṅga — meu querido rei (Parīkṣit); niṣṭhureṇa — áspero; gavām — das vacas; nṛṇām — dos seres humanos; patanti — caem; akālataḥ — fora do tempo; garbhāḥ — os embriões; sravanti sma — são abortados; bhayena — por causa do medo; vai — de fato; nirviśanti — entram; ghanāḥ — as nuvens; yasya — cujo; kakudi — à corcova; acala — como uma montanha; śaṅkayā — pela identificação errônea; tam — a ele; tīkṣṇa — agudos; śṛṅgam — cujos chifres; udvīkṣya — vendo; gopyaḥ — as vaqueiras; gopāḥ — os vaqueiros; ca — e; tatrasuḥ — ficaram assustados.
Translation
Meu querido rei, nuvens pairavam sobre a corcova do Ariṣṭāsura de chifres pontiagudos, tomando-a por uma montanha, e quando os vaqueiros e as senhoras avistaram o demônio, ficaram aterrorizados. De fato, a reverberação estridente de seus berros assustou de tal maneira as vacas e mulheres grávidas que elas abortaram.
Purport
SIGNIFICADO—A literatura védica categoriza o aborto da seguinte maneira, ā-caturthād bhavet srāvaḥ pātaḥ pañcama-ṣaṣṭhayoḥ/ ata ūrdhvaṁ prasūtiḥ syāt: “Até o quarto mês, um parto prematuro chama-se srāva; no quinto mês e sexto mês, chama-se pāta, e, depois disso, é considerado um nascimento (prasūti).”
Devanagari
पशवो दुद्रुवुर्भीता राजन्सन्त्यज्य गोकुलम् ।
कृष्ण कृष्णेति ते सर्वे गोविन्दं शरणं ययु: ॥ ५ ॥
कृष्ण कृष्णेति ते सर्वे गोविन्दं शरणं ययु: ॥ ५ ॥
Verse text
paśavo dudruvur bhītā
rājan santyajya go-kulam
kṛṣṇa kṛṣṇeti te sarve
govindaṁ śaraṇaṁ yayuḥ
rājan santyajya go-kulam
kṛṣṇa kṛṣṇeti te sarve
govindaṁ śaraṇaṁ yayuḥ
Synonyms
Translation
Os animais domésticos fugiram do pasto amedrontados, ó rei, e todos os habitantes correram em direção ao Senhor Govinda em busca de abrigo, gritando “Kṛṣṇa, Kṛṣṇa!”
Devanagari
भगवानपि तद् वीक्ष्य गोकुलं भयविद्रुतम् ।
मा भैष्टेति गिराश्वास्य वृषासुरमुपाह्वयत् ॥ ६ ॥
मा भैष्टेति गिराश्वास्य वृषासुरमुपाह्वयत् ॥ ६ ॥
Verse text
bhagavān api tad vīkṣya
go-kulaṁ bhaya-vidrutam
mā bhaiṣṭeti girāśvāsya
vṛṣāsuram upāhvayat
go-kulaṁ bhaya-vidrutam
mā bhaiṣṭeti girāśvāsya
vṛṣāsuram upāhvayat
Synonyms
bhagavān — a Suprema Personalidade de Deus; api — de fato; tat — isto; vīkṣya — vendo; go-kulam — a comunidade dos vaqueiros; bhaya — com medo; vidrutam — afugentada ou perturbada; mā bhaiṣṭa — “não temais”; iti — assim; girā — com palavras; āśvāsya — acalmando; vṛṣaasuram — o demônio touro; upāhvayat — chamou.
Translation
Ao ver a comunidade dos vaqueiros perturbada e fugindo de medo, o Senhor Supremo os acalmou, dizendo: “Não temais.” Então, Ele chamou o demônio touro da seguinte maneira.
Devanagari
गोपालै: पशुभिर्मन्द त्रासितै: किमसत्तम ।
मयि शास्तरि दुष्टानां त्वद्विधानां दुरात्मनाम् ॥ ७ ॥
मयि शास्तरि दुष्टानां त्वद्विधानां दुरात्मनाम् ॥ ७ ॥
Verse text
gopālaiḥ paśubhir manda
trāsitaiḥ kim asattama
mayi śāstari duṣṭānāṁ
tvad-vidhānāṁ durātmanām
trāsitaiḥ kim asattama
mayi śāstari duṣṭānāṁ
tvad-vidhānāṁ durātmanām
Synonyms
Translation
Ó tolo! O que pensas estar fazendo, patife perverso, assustando a comunidade dos vaqueiros e seus animais quando Eu estou aqui unicamente para punir canalhas corruptos como tu!
Devanagari
इत्यास्फोत्याच्युतोऽरिष्टं तलशब्देन कोपयन् ।
सख्युरंसे भुजाभोगं प्रसार्यावस्थितो हरि: ॥ ८ ॥
सख्युरंसे भुजाभोगं प्रसार्यावस्थितो हरि: ॥ ८ ॥
Verse text
ity āsphotyācyuto ’riṣṭaṁ
tala-śabdena kopayan
sakhyur aṁse bhujābhogaṁ
prasāryāvasthito hariḥ
tala-śabdena kopayan
sakhyur aṁse bhujābhogaṁ
prasāryāvasthito hariḥ
Synonyms
iti — falando assim; āsphotya — batendo nos braços; acyutaḥ — o Senhor infalível; ariṣṭam — Ariṣṭāsura; tala — de Suas palmas; śabdena — com o som; kopayan — irritando; sakhyuḥ — de um amigo; aṁse — sobre o ombro; bhuja — Seu braço; ābhogam — (que é como) o corpo de uma serpente; prasārya — lançando; avasthitaḥ — estava de pé; hariḥ — o Senhor Hari.
Translation
Tendo falado estas palavras, o infalível Senhor Hari bateu nos braços com as palmas das mãos, irritando Ariṣṭa ainda mais com esse som alto. Então, o Senhor despreocupadamente passou Seu poderoso e serpentino braço sobre o ombro de um amigo e ficou de pé encarando o demônio.
Purport
SIGNIFICADO—O Senhor Kṛṣṇa mostrou Seu desprezo pelo demônio ignorante.
Devanagari
सोऽप्येवं कोपितोऽरिष्ट: खुरेणावनिमुल्लिखन् ।
उद्यत्पुच्छभ्रमन्मेघ: क्रुद्ध: कृष्णमुपाद्रवत् ॥ ९ ॥
उद्यत्पुच्छभ्रमन्मेघ: क्रुद्ध: कृष्णमुपाद्रवत् ॥ ९ ॥
Verse text
so ’py evaṁ kopito ’riṣṭaḥ
khureṇāvanim ullikhan
udyat-puccha-bhraman-meghaḥ
kruddhaḥ kṛṣṇam upādravat
khureṇāvanim ullikhan
udyat-puccha-bhraman-meghaḥ
kruddhaḥ kṛṣṇam upādravat
Synonyms
saḥ — ele; api — de fato; evam — dessa maneira; kopitaḥ — irritado; ariṣṭaḥ — Ariṣṭa; khureṇa — com seu casco; avanim — a terra; ullikhan — escarvando; udyat — levantado; puccha — com sua cauda; bhraman — vagueando; meghaḥ — nuvens; kruddhaḥ — furioso; kṛṣṇam — contra o Senhor Kṛṣṇa; upādravat — arremeteu.
Translation
Assim provocado, Ariṣṭa escarvou o chão com um de seus cascos e, então, com nuvens pairando ao redor de sua cauda erguida, arremeteu furiosamente contra Kṛṣṇa.
Devanagari
अग्रन्यस्तविषाणाग्र: स्तब्धासृग्लोचनोऽच्युतम् ।
कटाक्षिप्याद्रवत्तूर्णमिन्द्रमुक्तोऽशनिर्यथा ॥ १० ॥
कटाक्षिप्याद्रवत्तूर्णमिन्द्रमुक्तोऽशनिर्यथा ॥ १० ॥
Verse text
agra-nyasta-viṣāṇāgraḥ
stabdhāsṛg-locano ’cyutam
kaṭākṣipyādravat tūrṇam
indra-mukto ’śanir yathā
stabdhāsṛg-locano ’cyutam
kaṭākṣipyādravat tūrṇam
indra-mukto ’śanir yathā
Synonyms
agra — para frente; nyasta — apontando; viṣāṇa — de seus chifres; agraḥ — a ponta; stabdha — chamejantes; asṛk — sanguíneos; locanaḥ — seus olhos; acyutam — ao Senhor Kṛṣṇa; kaṭa-ākṣipya — olhando de lado; adravat — correu; tūrṇam — a toda a velocidade; indra-muktaḥ — soltado pelo senhor Indra; aśaniḥ — um raio; yathā — como.
Translation
Mirando as pontas de seus chifres bem para a frente e lançando dos cantos de seus olhos injetados de sangue olhares ameaçadores para o Senhor Kṛṣṇa, Ariṣṭa correu na direção dEle a toda a velocidade, como um raio lançado por Indra.
Devanagari
गृहीत्वा शृङ्गयोस्तं वा अष्टादश पदानि स: ।
प्रत्यपोवाह भगवान् गज: प्रतिगजं यथा ॥ ११ ॥
प्रत्यपोवाह भगवान् गज: प्रतिगजं यथा ॥ ११ ॥
Verse text
gṛhītvā śṛṅgayos taṁ vā
aṣṭādaśa padāni saḥ
pratyapovāha bhagavān
gajaḥ prati-gajaṁ yathā
aṣṭādaśa padāni saḥ
pratyapovāha bhagavān
gajaḥ prati-gajaṁ yathā
Synonyms
Translation
O Supremo Senhor Kṛṣṇa agarrou Ariṣṭāsura pelos chifres e lançou-o dezoito passos para trás, assim como faria um elefante quando em luta com um elefante rival.
Devanagari
सोऽपविद्धो भगवता पुनरुत्थाय सत्वरम् ।
आपतत् स्विन्नसर्वाङ्गो नि:श्वसन्क्रोधमूर्च्छित: ॥ १२ ॥
आपतत् स्विन्नसर्वाङ्गो नि:श्वसन्क्रोधमूर्च्छित: ॥ १२ ॥
Verse text
so ’paviddho bhagavatā
punar utthāya satvaram
āpatat svinna-sarvāṅgo
niḥśvasan krodha-mūrcchitaḥ
punar utthāya satvaram
āpatat svinna-sarvāṅgo
niḥśvasan krodha-mūrcchitaḥ
Synonyms
Translation
Depois de ser assim rechaçado pelo Senhor Supremo, o demônio touro levantou-se e, respirando com dificuldade e suando por todo o corpo, voltou a atacá-lO com um acesso de cólera irrefletida.
Devanagari
तमापतन्तं स निगृह्य शृङ्गयो:
पदा समाक्रम्य निपात्य भूतले ।
निष्पीडयामास यथार्द्रमम्बरं
कृत्वा विषाणेन जघान सोऽपतत् ॥ १३ ॥
पदा समाक्रम्य निपात्य भूतले ।
निष्पीडयामास यथार्द्रमम्बरं
कृत्वा विषाणेन जघान सोऽपतत् ॥ १३ ॥
Verse text
tam āpatantaṁ sa nigṛhya śṛṅgayoḥ
padā samākramya nipātya bhū-tale
niṣpīḍayām āsa yathārdram ambaraṁ
kṛtvā viṣāṇena jaghāna so ’patat
padā samākramya nipātya bhū-tale
niṣpīḍayām āsa yathārdram ambaraṁ
kṛtvā viṣāṇena jaghāna so ’patat
Synonyms
tam — a ele; āpatantam — atacando; saḥ — Ele; nigṛhya — agarrando; śṛṅgayoḥ — pelos chifres; padā — com o pé; samākramya — pisando; nipātya — fazendo-o cair; bhū-tale — no chão; niṣpīḍayām āsa — bateu-o; yathā — como; ardram — molhada; ambaram — uma roupa; kṛtvā — fazendo; viṣāṇena — com seu chifre; jaghāna — atacado; saḥ — ele; apatat — caiu.
Translation
Quando Ariṣṭa realizou seu ataque, o Senhor Kṛṣṇa agarrou-o pelos chifres e, com o pé, derrubou-o no chão. O Senhor bateu-o, então, como se fosse um pano molhado e, por fim, arrancou um dos chifres do demônio e golpeou-o com o próprio chifre até que o demônio caísse prostrado.
Devanagari
असृग् वमन् मूत्रशकृत् समुत्सृजन्
क्षिपंश्च पादाननवस्थितेक्षण: ।
जगाम कृच्छ्रं निऋर्तेरथ क्षयं
पुष्पै: किरन्तो हरिमीडिरे सुरा: ॥ १४ ॥
क्षिपंश्च पादाननवस्थितेक्षण: ।
जगाम कृच्छ्रं निऋर्तेरथ क्षयं
पुष्पै: किरन्तो हरिमीडिरे सुरा: ॥ १४ ॥
Verse text
asṛg vaman mūtra-śakṛt samutsṛjan
kṣipaṁś ca pādān anavasthitekṣaṇaḥ
jagāma kṛcchraṁ nirṛter atha kṣayaṁ
puṣpaiḥ kiranto harim īḍire surāḥ
kṣipaṁś ca pādān anavasthitekṣaṇaḥ
jagāma kṛcchraṁ nirṛter atha kṣayaṁ
puṣpaiḥ kiranto harim īḍire surāḥ
Synonyms
asṛk — sangue; vaman — vomitando; mūtra — urina; śakṛt — e fezes; samutsṛjan — excretando em profusão; kṣipan — debatendo-se; ca — e; pādān — com as patas; anavasthita — instáveis; īkṣaṇaḥ — seus olhos; jagāma — ele foi; kṛcchram — com dor; nirṛteḥ — da Morte; atha — então; kṣayam — à morada; puṣpaiḥ — flores; kirantaḥ — espalhando; harim — sobre o Senhor Kṛṣṇa; īḍire — adoraram; surāḥ — os semideuses.
Translation
Vomitando sangue e excretando profusa quantidade de excremento e urina, estrebuchando e revirando os olhos, Ariṣṭāsura partiu para a morada da Morte em meio a grandes dores. Os semideuses honraram o Senhor Kṛṣṇa lançando flores sobre Ele.
Devanagari
एवं कुकुद्मिनं हत्वा स्तूयमान: द्विजातिभि: ।
विवेश गोष्ठं सबलो गोपीनां नयनोत्सव: ॥ १५ ॥
विवेश गोष्ठं सबलो गोपीनां नयनोत्सव: ॥ १५ ॥
Verse text
evaṁ kukudminaṁ hatvā
stūyamānaḥ dvijātibhiḥ
viveśa goṣṭhaṁ sa-balo
gopīnāṁ nayanotsavaḥ
stūyamānaḥ dvijātibhiḥ
viveśa goṣṭhaṁ sa-balo
gopīnāṁ nayanotsavaḥ
Synonyms
evam — assim; kukudminam — o corcunda (demônio touro); hatvā — matando; stūyamānaḥ — sendo louvado; dvijātibhiḥ — pelos brāhmaṇas; viveśa — Ele entrou; goṣṭham — na vila dos vaqueiros; sa-balaḥ — junto do Senhor Balarāma; gopīnām — das gopīs; nayana — para os olhos; utsavaḥ — que é um festival.
Translation
Tendo assim matado o demônio touro Ariṣṭa, Ele, que é um festival para os olhos das gopīs, entrou na vila dos vaqueiros com Balarāma.
Purport
SIGNIFICADO—Este verso exemplifica o sublime contraste das qualidades espirituais no Senhor Kṛṣṇa. Em um verso de quatro linhas, aprendemos simultaneamente que o Senhor Kṛṣṇa matou um poderoso e perverso demônio e que a beleza adolescente dEle proporcionava festivo prazer a Suas jovens namoradas. O Senhor Kṛṣṇa é tão duro como um raio e tão suave como uma rosa, dependendo de nossa atitude para com Ele. Como o demônio Ariṣṭa queria matar Kṛṣṇa e todos os Seus amigos, o Senhor o surrou até ele virar um trapo molhado e, depois, Ele o matou. As gopīs, contudo, amavam Kṛṣṇa, de modo que o Senhor, tal qual um adolescente, correspondia aos sentimentos conjugais delas.
Devanagari
अरिष्टे निहते दैत्ये कृष्णेनाद्भुतकर्मणा ।
कंसायाथाह भगवान् नारदो देवदर्शन: ॥ १६ ॥
कंसायाथाह भगवान् नारदो देवदर्शन: ॥ १६ ॥
Verse text
ariṣṭe nihate daitye
kṛṣṇenādbhuta-karmaṇā
kaṁsāyāthāha bhagavān
nārado deva-darśanaḥ
kṛṣṇenādbhuta-karmaṇā
kaṁsāyāthāha bhagavān
nārado deva-darśanaḥ
Synonyms
Translation
Depois que Kṛṣṇa, que age de maneiras admiráveis, matou Ariṣṭāsura, Nārada Muni foi falar com o rei Kaṁsa. Aquele poderoso sábio de visão divina disse ao rei o seguinte.
Purport
SIGNIFICADO—Pode-se entender o termo deva-darśana de muitas maneiras, todas coerentes com o contexto e significado desta narração. Deva significa “Deus”, e darśanaḥ significa “ver” ou “uma audiência com uma grande personalidade”. Logo, deva-darśana, um nome referente a Nārada Muni, indica que Nārada alcançou a perfeição de ver Deus, que obter a audiência de Nārada é algo tão bom como obter a audiência de Deus (pois Nārada é um representante puro do Senhor), e também que a audiência de Nārada é tão boa como a dos semideuses, também conhecidos como devas. O fato de existirem todos estes significados para o termo deva-darśanaḥ revela algo da riqueza da linguagem do Śrīmad-Bhāgavatam.
A partir dos Purāṇas, Śrīla Viśvanātha Cakravartī Ṭhākura citou vinte versos que descrevem uma divertida conversa entre Rādhā e Kṛṣṇa, ocorrida depois que Kṛṣṇa matou o demônio Ariṣṭa. Este diálogo, tão bondosamente citado pelo ācārya, descreve a origem do Rādhā-kuṇḍa e do Śyāma-kuṇḍa, os balneários de Rādhā e Kṛṣṇa. Os versos são os seguintes:
māsmān spṛśādya vṛṣabhārdana hanta mugdhā
ghoro ’suro ’yam ayi kṛṣṇa tad apy ayaṁ gauḥ
vṛtro yathā dvija ihāsty ayi niṣkṛtiḥ kiṁ
śudhyed bhavāṁs tri-bhuvana-sthita-tīrtha-kṛcchrāt
ghoro ’suro ’yam ayi kṛṣṇa tad apy ayaṁ gauḥ
vṛtro yathā dvija ihāsty ayi niṣkṛtiḥ kiṁ
śudhyed bhavāṁs tri-bhuvana-sthita-tīrtha-kṛcchrāt
“As inocentes e jovens gopīs disseram: ‘Ah, Kṛṣṇa, não nos toques agora, ó matador de um touro! Oh! Embora fosse um terrível demônio, Ariṣṭa era um touro; logo, terás de submeter-Te à expiação, assim como fez o senhor Indra após matar Vṛtrāsura. Mas como podes purificar-Te sem passar pelo incômodo de visitar todos os lugares sagrados dos três mundos?’”
kiṁ paryaṭāmi bhuvanāny adhunaiva sarvā
ānīya tīrtha-vitatīḥ karavāṇi tāsu
snānaṁ vilokayata tāvad idaṁ mukundaḥ
procyaiva tatra kṛtavān bata pārṣṇi-ghātam
ānīya tīrtha-vitatīḥ karavāṇi tāsu
snānaṁ vilokayata tāvad idaṁ mukundaḥ
procyaiva tatra kṛtavān bata pārṣṇi-ghātam
“[Kṛṣṇa respondeu:] ‘Por que terei de vaguear pelo universo inteiro? Vou agora mesmo trazer todos os incontáveis lugares de peregrinação para cá e banhar-Me neles. Vede só!’ Depois disso, o Senhor Mukunda bateu Seu calcanhar no chão.”
pātālato jalam idaṁ kila bhogavatyā
āyātam atra nikhilā api tīrtha-saṅghāḥ
āgacchateti bhagavad-vacasā ta etya
tatraiva rejur atha kṛṣṇa uvāca gopīḥ
āyātam atra nikhilā api tīrtha-saṅghāḥ
āgacchateti bhagavad-vacasā ta etya
tatraiva rejur atha kṛṣṇa uvāca gopīḥ
“[Então, Ele disse:] ‘Esta é a água do rio Bhogavatī, que vem da região de Pātāla. E agora, ó lugares sagrados, todos vós, por favor, vinde aqui!’ Quando o Senhor Supremo falou estas palavras, todos os lugares sagrados foram até ali e apareceram diante dEle. Kṛṣṇa, então, disse o seguinte às gopīs.”
tīrthāni paśyata harer vacasā tavaivaṁ
naiva pratīma iti tā atha tīrtha-varyāḥ
procuḥ kṛtāñjali-puṭā lavaṇābdhir asmi
kṣīrābdhir asmi śṛṇutāmara-dīrghikāsmi
naiva pratīma iti tā atha tīrtha-varyāḥ
procuḥ kṛtāñjali-puṭā lavaṇābdhir asmi
kṣīrābdhir asmi śṛṇutāmara-dīrghikāsmi
“‘Vede todos os lugares sagrados!’
“Mas as gopīs responderam: ‘Não os vemos como Tu descreves.’
“Então, aqueles melhores dos lugares sagrados, de mãos postas em súplica, falaram:
“‘Sou o oceano salgado.’
“‘Sou o oceano de leite.’
“‘Sou o Amara-dīrghikā.’”
śoṇo ’pi sindhur aham asmi bhavāmi tāmra-
parṇī ca puṣkaram ahaṁ ca sarasvatī ca
godāvarī ravi-sutā sarayuḥ prayāgo
revāsmi paśyata jalaṁ kuruta pratītim
parṇī ca puṣkaram ahaṁ ca sarasvatī ca
godāvarī ravi-sutā sarayuḥ prayāgo
revāsmi paśyata jalaṁ kuruta pratītim
“‘Sou o rio Śoṇa.’
“‘Sou o Sindhu.’
“‘Sou o Tāmraparṇī.’
“‘Sou o lugar sagrado Puṣkara.’
“‘Sou o rio Sarasvatī.’
“‘E somos os rios Godāvarī, Yamunā e Revā e a confluência dos rios em Prayāga. Vede só nossas águas!’”
snātvā tato harir ati-prajagalbha eva
śuddhaḥ saro ’py akaravaṁ sthita-sarva-tīrtham
yuṣmābhir ātma-januṣīha kṛto na dharmaḥ
ko ’pi kṣitāv atha sakhīr nijagāda rādhā
śuddhaḥ saro ’py akaravaṁ sthita-sarva-tīrtham
yuṣmābhir ātma-januṣīha kṛto na dharmaḥ
ko ’pi kṣitāv atha sakhīr nijagāda rādhā
“Depois de purificar-Se mediante o banho, o Senhor Hari ficou bastante arrogante e disse: ‘Criei um lago que contém todos os vários lugares sagrados, ao passo que vós, gopīs, jamais executastes deveres religiosos nesta terra para o prazer do senhor Brahmā.’ Então, Śrīmatī Rādhārāṇī disse o seguinte a Suas amigas.”
kāryaṁ mayāpy ati-manohara-kuṇḍam ekaṁ
tasmād yatadhvam iti tad-vacanena tābhiḥ
śrī-kṛṣṇa-kuṇḍa-taṭa-paścima-diśya-mando
gartaḥ kṛto vṛṣabha-daitya-khurair vyaloki
tasmād yatadhvam iti tad-vacanena tābhiḥ
śrī-kṛṣṇa-kuṇḍa-taṭa-paścima-diśya-mando
gartaḥ kṛto vṛṣabha-daitya-khurair vyaloki
“‘Criarei um lago ainda mais belo. Mãos à obra!’ Depois de ouvirem aquelas palavras, as gopīs viram que os cascos de Ariṣṭāsura tinham cavado um fosso raso bem a oeste do lago de Śrī Kṛṣṇa.”
tatrārdra-mṛn-mṛdula-gola-tatīḥ prati-sva-
hastoddhṛtā anati-dūra-gatā vidhāya
divyaṁ saraḥ prakaṭitaṁ ghaṭikā-dvayena
tābhir vilokya sarasaṁ smarate sma kṛṣṇaḥ
hastoddhṛtā anati-dūra-gatā vidhāya
divyaṁ saraḥ prakaṭitaṁ ghaṭikā-dvayena
tābhir vilokya sarasaṁ smarate sma kṛṣṇaḥ
“Naquele lugar ali perto, todas as gopīs começaram a cavar, retirando com suas mãos o barro macio. Dessa maneira, um lago divino manifestou-se no curto período de uma hora. Kṛṣṇa admirou-Se de ver o lago que elas criaram.”
proce ca tīrtha-salilaiḥ paripūrayaitan
mat-kuṇḍataḥ sarasijākṣi sahālibhis tvam
rādhā tadā na na na neti jagāda yasmāt
tvat-kuṇḍa-nīram uru-go-vadha-pātakāktam
mat-kuṇḍataḥ sarasijākṣi sahālibhis tvam
rādhā tadā na na na neti jagāda yasmāt
tvat-kuṇḍa-nīram uru-go-vadha-pātakāktam
“Ele disse: ‘Continua, ó mulher de olhos de lótus. Tu e Tuas companheiras deveis encher este lago com a água do Meu.’
“Mas Rādhā retrucou: ‘Não, não, não e não! Isso é impossível, pois a água do Teu lago está contaminada pelo pecado terrível de teres matado uma vaca.’”
āhṛtya puṇya-salilaṁ śata-koṭi-kumbhaiḥ
sakhy-arbudena saha mānasa-jāhnavītaḥ
etat saraḥ sva-madhunā paripūrayāmi
tenaiva kīrtim atulāṁ tanavāni loke
sakhy-arbudena saha mānasa-jāhnavītaḥ
etat saraḥ sva-madhunā paripūrayāmi
tenaiva kīrtim atulāṁ tanavāni loke
“‘Mandarei minhas inúmeras companheiras gopīs trazerem a água pura do Mānasa-gaṅgā para cá em bilhões de cântaros. Desse modo, encherei este lago com Minha própria água e, assim, farei sua fama inigualável no mundo inteiro.’”
kṛṣṇeṅgitena sahasaitya samasta-tīrtha-
sakhyas tadīya-saraso dhṛta-divya-mūrtiḥ
tuṣṭāva tatra vṛṣabhānu-sutāṁ praṇamya
bhaktyā kṛtāñjali-puṭaḥ sravad-asra-dhāraḥ
sakhyas tadīya-saraso dhṛta-divya-mūrtiḥ
tuṣṭāva tatra vṛṣabhānu-sutāṁ praṇamya
bhaktyā kṛtāñjali-puṭaḥ sravad-asra-dhāraḥ
“Então, o Senhor Kṛṣṇa gesticulou para uma personalidade celestial, que era um companheiro íntimo de todos os lugares sagrados. De repente, aquela pessoa saiu do lago de Kṛṣṇa e prostrou-se diante da filha de Śrī Vṛṣabhānu [Rādhārāṇī]. Então, de mãos postas e com lágrimas nos olhos, passou a orar para Ela com devoção.”
devi tvadīya-mahimānam avaiti sarva
śāstrārtha-vin na ca vidhir na haro na lakṣmīḥ
kintv eka eva puruṣārtha-śiromaṇis tvat-
prasveda-mārjana-paraḥ svayam eva kṛṣṇaḥ
śāstrārtha-vin na ca vidhir na haro na lakṣmīḥ
kintv eka eva puruṣārtha-śiromaṇis tvat-
prasveda-mārjana-paraḥ svayam eva kṛṣṇaḥ
“‘Ó deusa, nem mesmo o próprio senhor Brahmā, o conhecedor de todas as escrituras, pode entender Vossas glórias, nem o senhor Śiva nem Lakṣmī. Somente Kṛṣṇa, a meta suprema de todo o esforço humano, pode compreendê-las, e, em razão disso, Ele Se sente obrigado a garantir pessoalmente que possas lavar Vossa perspiração quando estais fatigada.’”
yaś cāru-yāvaka-rasena bhavat-padābjam
ārajya nūpuram aho nidadhāti nityam
prāpya tvadīya-nayanābja-taṭa-prasādaṁ
svaṁ manyate parama-dhanyatamaṁ prahṛṣyan
ārajya nūpuram aho nidadhāti nityam
prāpya tvadīya-nayanābja-taṭa-prasādaṁ
svaṁ manyate parama-dhanyatamaṁ prahṛṣyan
tasyājñayaiva sahasā vayam ājagāma
tat-pārṣṇi-ghāṭa-kṛta-kuṇḍa-vare vasāmaḥ
tvaṁ cet prasīdasi karoṣi kṛpā-kaṭākṣaṁ
tarhy eva tarṣa-viṭapī phalito bhaven naḥ
tat-pārṣṇi-ghāṭa-kṛta-kuṇḍa-vare vasāmaḥ
tvaṁ cet prasīdasi karoṣi kṛpā-kaṭākṣaṁ
tarhy eva tarṣa-viṭapī phalito bhaven naḥ
“‘Ele está sempre ungindo Vossos pés de lótus com cāru e yāvaka nectáreos e decorando-os com guizos de tornozelo, e fica jubiloso e sente-Se afortunadíssimo apenas por satisfazer as pontas dos dedos de Vossos pés de lótus. Por ordem dEle, viemos de imediato para cá viver neste excelentíssimo lago, que Ele criou com um golpe de Seu calcanhar. Mas apenas se estiverdes satisfeita conosco e nos concederdes Vosso olhar misericordioso é que a árvore de nosso desejo dará fruto.’”
śrutvā stutiṁ nikhila-tīrtha-gaṇasya tuṣṭā
prāha sma tarṣam ayi vedayateti rādhā
yāma tvadīya-sarasīṁ sa-phalā bhavāma
ity eva no vara iti prakaṭaṁ tadocuḥ
prāha sma tarṣam ayi vedayateti rādhā
yāma tvadīya-sarasīṁ sa-phalā bhavāma
ity eva no vara iti prakaṭaṁ tadocuḥ
“Ao ouvir o representante de toda a assembleia dos lugares santos falar esta oração, Śrī Rādhā ficou satisfeita e disse: ‘Então, por favor, contai-Me o vosso desejo.’
“Então, disseram-Lhe francamente: ‘Nossas vidas seriam exitosas se pudéssemos vir para Vosso lago. Esta é a bênção que desejamos.’”
āgacchateti vṛṣabhānu-sutā smitāsyā
provāca kānta-vadanābja-dhṛtākṣi-koṇā
sakhyo ’pi tatra kṛta-sammatayaḥ sukhābdhau
magnā virejur akhilā sthira-jaṅgamāś ca
provāca kānta-vadanābja-dhṛtākṣi-koṇā
sakhyo ’pi tatra kṛta-sammatayaḥ sukhābdhau
magnā virejur akhilā sthira-jaṅgamāś ca
“Olhando do canto dos olhos para Seu amado, a filha de Vṛṣabhānu respondeu com um sorriso: ‘Vinde, por favor.’ Suas companheiras gopīs todas concordaram com a decisão dEla e imergiram no oceano de felicidade. De fato, ampliou-se a beleza de todas as criaturas, tanto móveis quanto inertes.”
prāpya prasādam atha te vṛṣabhānujāyāḥ
śrī-kṛṣṇa-kuṇḍa-gata-tīrtha-varāḥ prasahya
bhittveva bhittim ati-vegata eva rādhā-
kuṇḍaṁ vyadhuḥ sva-salilaiḥ paripūrṇam eva
śrī-kṛṣṇa-kuṇḍa-gata-tīrtha-varāḥ prasahya
bhittveva bhittim ati-vegata eva rādhā-
kuṇḍaṁ vyadhuḥ sva-salilaiḥ paripūrṇam eva
“Obtendo assim a graça de Śrīmatī Rādhārāṇī, os rios e lagos sagrados no Śrī Kṛṣṇa-kuṇḍa arrebentaram as paredes que os prendiam e logo encheram o Rādhā-kuṇḍa com suas águas.”
proce hariḥ priyatame tava kuṇḍam etan
mat-kuṇḍato ’pi mahimādhikam astu loke
atraiva me salila-kelir ihaiva nityaṁ
snānaṁ yathā tvam asi tadvad idaṁ saro me
mat-kuṇḍato ’pi mahimādhikam astu loke
atraiva me salila-kelir ihaiva nityaṁ
snānaṁ yathā tvam asi tadvad idaṁ saro me
“O Senhor Hari, então, disse: ‘Minha querida Rādhā, que este Teu lago se torne ainda mais famoso no mundo do que o Meu. Sempre virei aqui banhar-Me e desfrutar de Meus passatempos na água. De fato, este lago é tão querido a Mim como Tu Me és querida.’”
rādhābravīd aham api sva-sakhībhir etya
snāsyāmy ariṣṭa-śata-mardanam astu tasya
yo ’riṣṭa-mardana-sarasy uru-bhaktir atra
snāyād vasen mama sa eva mahā-priyo ’stu
snāsyāmy ariṣṭa-śata-mardanam astu tasya
yo ’riṣṭa-mardana-sarasy uru-bhaktir atra
snāyād vasen mama sa eva mahā-priyo ’stu
“Rādhā respondeu: ‘Também virei banhar-Me no Teu lago, ainda que mates centenas de demônios Ariṣṭa aqui. No futuro, qualquer um que possua intensa devoção por este lago, que fica no lugar em que castigaste Ariṣṭāsura, e que Se banhe ou resida aqui, com certeza se tornará muito querido para Mim.’”
rāsotsavaṁ prakurute sma ca tatra rātrau
kṛṣṇāmbudaḥ kṛta-mahā-rasa-harṣa-varṣaḥ
śrī-rādhikā-pravara-vidyud alaṅkṛta-śrīs
trailokya-madhya-vitatī-kṛta-divya-kīrtiḥ
kṛṣṇāmbudaḥ kṛta-mahā-rasa-harṣa-varṣaḥ
śrī-rādhikā-pravara-vidyud alaṅkṛta-śrīs
trailokya-madhya-vitatī-kṛta-divya-kīrtiḥ
“Naquela noite, o Senhor Kṛṣṇa iniciou a dança da rāsa no Rādhā-kuṇḍa, gerando uma torrente do mais esplendoroso humor de prazer. Śrī Kṛṣṇa assemelhava-Se a uma nuvem, e Śrīmatī Rādhārāṇī, um relâmpago brilhante enchendo o céu com exuberante beleza. Dessa maneira, Suas glórias divinas permeavam a vastidão dos três mundos.”
Como nota final, deve-se mencionar que Nārada Muni, sendo um grande sábio, compreendeu que a morte de Ariṣṭa mais ou menos concluía os passatempos de Kṛṣṇa em Vṛndāvana. Por isso, Nārada, ansioso para facilitar a transferência dos passatempos de Kṛṣṇa para Mathurā, aproximou-se de Kaṁsa e disse-lhe as seguintes palavras.
Devanagari
यशोदाया: सुतां कन्यां देवक्या: कृष्णमेव च ।
रामं च रोहिणीपुत्रं वसुदेवेन बिभ्यता ।
न्यस्तौ स्वमित्रे नन्दे वै याभ्यां ते पुरुषा हता: ॥ १७ ॥
रामं च रोहिणीपुत्रं वसुदेवेन बिभ्यता ।
न्यस्तौ स्वमित्रे नन्दे वै याभ्यां ते पुरुषा हता: ॥ १७ ॥
Verse text
yaśodāyāḥ sutāṁ kanyāṁ
devakyāḥ kṛṣṇam eva ca
rāmaṁ ca rohiṇī-putraṁ
vasudevena bibhyatā
nyastau sva-mitre nande vai
yābhyāṁ te puruṣā hatāḥ
devakyāḥ kṛṣṇam eva ca
rāmaṁ ca rohiṇī-putraṁ
vasudevena bibhyatā
nyastau sva-mitre nande vai
yābhyāṁ te puruṣā hatāḥ
Synonyms
yaśodāyāḥ — de Yaśodā; sutām — a filha; kanyām — a menina; devakyāḥ — de Devakī; kṛṣṇam — Kṛṣṇa; eva ca — também; rāmam — Balarāma; ca — e; rohiṇī-putram — o filho de Rohiṇī; vasudevena — por Vasudeva; bibhyatā — que estava com medo; nyastau — colocados; sva-mitre — com seu amigo; nande — Nanda Mahārāja; vai — de fato; yābhyām — pelos quais; te — teus; puruṣāḥ — homens; hatāḥ — foram mortos.
Translation
[Nārada contou a Kaṁsa:] O filho de Yaśodā era de fato uma menina, e Kṛṣṇa é o filho de Devakī. Além disso, Rāma é filho de Rohiṇī. Por temor, Vasudeva confiou Kṛṣṇa e Balarāma a seu amigo Nanda Mahārāja, e foram esses dois meninos que mataram teus homens.
Purport
SIGNIFICADO—Kaṁsa fora levado a crer que Kṛṣṇa era filho de Yaśodā e que o oitavo filho de Devakī era uma menina. A identidade do oitavo filho de Devakī era de extrema importância para Kaṁsa porque uma profecia predissera que o oitavo filho dela o mataria. Aqui, Nārada informa ao rei que o oitavo filho de Devakī era o formidável Kṛṣṇa, sugerindo assim que a profecia devia ser levada muito a sério. Depois de ter recebido esta informação, Kaṁsa obviamente fará agora tudo o que puder para matar Kṛṣṇa e Balarāma.
Devanagari
निशम्य तद्भोजपति: कोपात्प्रचलितेन्द्रिय: ।
निशातमसिमादत्त वसुदेवजिघांसया ॥ १८ ॥
निशातमसिमादत्त वसुदेवजिघांसया ॥ १८ ॥
Verse text
niśamya tad bhoja-patiḥ
kopāt pracalitendriyaḥ
niśātam asim ādatta
vasudeva-jighāṁsayā
kopāt pracalitendriyaḥ
niśātam asim ādatta
vasudeva-jighāṁsayā
Synonyms
Translation
Ao ouvir isso, o senhor dos Bhojas se enfureceu e perdeu o controle dos sentidos. Então, empunhou uma espada afiada para matar Vasudeva.
Devanagari
निवारितो नारदेन तत्सुतौ मृत्युमात्मन: ।
ज्ञात्वा लोहमयै: पाशैर्बबन्ध सह भार्यया ॥ १९ ॥
ज्ञात्वा लोहमयै: पाशैर्बबन्ध सह भार्यया ॥ १९ ॥
Verse text
nivārito nāradena
tat-sutau mṛtyum ātmanaḥ
jñātvā loha-mayaiḥ pāśair
babandha saha bhāryayā
tat-sutau mṛtyum ātmanaḥ
jñātvā loha-mayaiḥ pāśair
babandha saha bhāryayā
Synonyms
Translation
Mas Nārada impediu Kaṁsa, lembrando-lhe que eram os dois filhos de Vasudeva que causariam sua morte. Kaṁsa, então, mandou prender Vasudeva e sua esposa com grilhões de ferro.
Purport
SIGNIFICADO—Kaṁsa entendeu que não adiantava matar Vasudeva, pois eram os filhos de Vasudeva, isto é, Kṛṣṇa e Balarāma, que o matariam. Segundo os ācāryas, Nārada também aconselhou a Kaṁsa que, se ele matasse Vasudeva, os dois rapazes fugiriam e que, portanto, era melhor não matá-lo. Em vez disso, recomendou Nārada, Kaṁsa devia trazer Kṛṣṇa e Balarāma para sua capital, Mathurā.
Śrīla Viśvanātha Cakravartī salienta que Nārada não agiu com inimizade contra os grandes devotos Vasudeva e Devakī ao revelar esta informação a Kaṁsa. De fato, como se explica no décimo primeiro canto, Vasudeva ficou grato a Nārada porque ele estava providenciando a morte de Kaṁsa nas mãos de Kṛṣṇa e também preparando a vinda de Kṛṣṇa para morar em Mathurā, onde Seu amoroso pai poderia associar-se com Ele.
Devanagari
प्रतियाते तु देवर्षौ कंस आभाष्य केशिनम् ।
प्रेषयामास हन्येतां भवता रामकेशवौ ॥ २० ॥
प्रेषयामास हन्येतां भवता रामकेशवौ ॥ २० ॥
Verse text
pratiyāte tu devarṣau
kaṁsa ābhāṣya keśinam
preṣayām āsa hanyetāṁ
bhavatā rāma-keśavau
kaṁsa ābhāṣya keśinam
preṣayām āsa hanyetāṁ
bhavatā rāma-keśavau
Synonyms
Translation
Depois que Nārada partiu, o rei Kaṁsa mandou chamar Keśi e ordenou-lhe: “Vai e mata Rāma e Kṛṣṇa.”
Purport
SIGNIFICADO—Antes de mandar trazer Kṛṣṇa e Balarāma para Mathurā, Kaṁsa tentou enviar mais um demônio para Vṛndāvana.
Devanagari
ततो मुष्टिकचाणूरशलतोशलकादिकान् ।
अमात्यान् हस्तिपांश्चैव समाहूयाह भोजराट् ॥ २१ ॥
अमात्यान् हस्तिपांश्चैव समाहूयाह भोजराट् ॥ २१ ॥
Verse text
tato muṣṭika-cāṇūra
śala-tośalakādikān
amātyān hastipāṁś caiva
samāhūyāha bhoja-rāṭ
śala-tośalakādikān
amātyān hastipāṁś caiva
samāhūyāha bhoja-rāṭ
Synonyms
Translation
Em seguida, o rei dos Bhojas chamou seus ministros, chefiados por Muṣṭika, Cāṇūra, Śala e Tośala, e também seus guardadores de elefantes. O rei disse-lhes o seguinte.
Devanagari
भो भो निशम्यतामेतद् वीरचाणूरमुष्टिकौ ।
नन्दव्रजे किलासाते सुतावानकदुन्दुभे: ॥ २२ ॥
रामकृष्णौ ततो मह्यं मृत्यु: किल निदर्शित: ।
भवद्भ्यामिह सम्प्राप्तौ हन्येतां मल्ललीलया ॥ २३ ॥
नन्दव्रजे किलासाते सुतावानकदुन्दुभे: ॥ २२ ॥
रामकृष्णौ ततो मह्यं मृत्यु: किल निदर्शित: ।
भवद्भ्यामिह सम्प्राप्तौ हन्येतां मल्ललीलया ॥ २३ ॥
Verse text
bho bho niśamyatām etad
vīra-cāṇūra-muṣṭikau
nanda-vraje kilāsāte
sutāv ānakadundubheḥ
vīra-cāṇūra-muṣṭikau
nanda-vraje kilāsāte
sutāv ānakadundubheḥ
rāma-kṛṣṇau tato mahyaṁ
mṛtyuḥ kila nidarśitaḥ
bhavadbhyām iha samprāptau
hanyetāṁ malla-līlayā
mṛtyuḥ kila nidarśitaḥ
bhavadbhyām iha samprāptau
hanyetāṁ malla-līlayā
Synonyms
bhoḥ bhoḥ — meus caros (conselheiros); niśamyatām — por favor, escutai; etat — isto; vira — ó heróis; cāṇūra-muṣṭikau — Cāṇūra e Muṣṭika; nanda-vraje — na vila pastoril de Nanda; kila — de fato; āsāte — estão vivendo; sutau — os dois filhos; ānakadundubheḥ — de Vasudeva; rāma-kṛṣṇau — Rāma e Kṛṣṇa; tataḥ — por Eles; mahyam — minha; mṛtyuḥ — morte; kila — de fato; nidarśitaḥ — foi indicada; bhavadbhyām — por vós dois; iha — aqui; samprāptau — trazidos; hanyetām — Eles devem ser mortos; malla — de luta; līlayā — a pretexto de esporte.
Translation
Meus caros heróis Cāṇūra e Muṣṭika, por favor, escutai. Rāma e Kṛṣṇa, os filhos de Ānakadundubhi [Vasudeva], estão vivendo na vila pastoril de Nanda. Foi predito que esses dois rapazes serão a causa de minha morte. Quando Eles forem trazidos para cá, matai-Os a pretexto de envolvê-lOs em um torneio de luta.
Devanagari
मञ्चा: क्रियन्तां विविधा मल्लरङ्गपरिश्रिता: ।
पौरा जानपदा: सर्वे पश्यन्तु स्वैरसंयुगम् ॥ २४ ॥
पौरा जानपदा: सर्वे पश्यन्तु स्वैरसंयुगम् ॥ २४ ॥
Verse text
mañcāḥ kriyantāṁ vividhā
malla-raṅga-pariśritāḥ
paurā jānapadāḥ sarve
paśyantu svaira-saṁyugam
malla-raṅga-pariśritāḥ
paurā jānapadāḥ sarve
paśyantu svaira-saṁyugam
Synonyms
mañcāḥ — tablados; kriyantām — devem ser construídos; vividhāḥ — vários; malla-raṅga — um ringue de luta; pariśritāḥ — rodeando; paurāḥ — os residentes da cidade; jānapadāḥ — e os residentes dos distritos vizinhos; sarve — todos; paśyantu — devem ver; svaira — de participação voluntária; saṁyugam — a competição.
Translation
Erguei um ringue de luta com muitas arquibancadas para a audiência, e trazei todos os moradores da cidade e dos distritos vizinhos para verem a competição aberta.
Purport
SIGNIFICADO—A palavra mañcāḥ refere-se a plataformas construídas com grandes pilares. Kaṁsa queria uma atmosfera festiva para que Kṛṣṇa e Balarāma não tivessem medo de vir.
Devanagari
महामात्र त्वया भद्र रङ्गद्वार्युपनीयताम् ।
द्विप: कुवलयापीडो जहि तेन ममाहितौ ॥ २५ ॥
द्विप: कुवलयापीडो जहि तेन ममाहितौ ॥ २५ ॥
Verse text
mahāmātra tvayā bhadra
raṅga-dvāry upanīyatām
dvipaḥ kuvalayāpīḍo
jahi tena mamāhitau
raṅga-dvāry upanīyatām
dvipaḥ kuvalayāpīḍo
jahi tena mamāhitau
Synonyms
Translation
Tu, ó guardador de elefantes, meu bom homem, deves colocar o elefante Kuvalayāpīḍa na entrada da arena de luta e fazê-lo matar meus dois inimigos.
Devanagari
आरभ्यतां धनुर्यागश्चतुर्दश्यां यथाविधि ।
विशसन्तु पशून्मेध्यान् भूतराजाय मीढुषे ॥ २६ ॥
विशसन्तु पशून्मेध्यान् भूतराजाय मीढुषे ॥ २६ ॥
Verse text
ārabhyatāṁ dhanur-yāgaś
caturdaśyāṁ yathā-vidhi
viśasantu paśūn medhyān
bhūta-rājāya mīḍhuṣe
caturdaśyāṁ yathā-vidhi
viśasantu paśūn medhyān
bhūta-rājāya mīḍhuṣe
Synonyms
ārabhyatām — deve ser iniciado; dhanuḥ-yāgaḥ — o sacrifício do arco; caturdaśyām — no décimo quarto dia do mês; yathā-vidhi — de acordo com as prescrições védicas; viśasantu — oferecei em sacrifício; paśūn — animais; medhyān — adequados para serem oferecidos; bhūta-rājāya — ao senhor Śiva, o senhor dos fantasmas; mīḍhuṣe — o que concede bênçãos.
Translation
Começai o sacrifício do arco no dia de Caturdaśī segundo as prescrições védicas pertinentes. Em um ritual de imolação, oferecei as espécies apropriadas de animais ao magnânimo senhor Śiva.
Devanagari
इत्याज्ञाप्यार्थतन्त्रज्ञ आहूय यदुपुङ्गवम् ।
गृहीत्वा पाणिना पाणिं ततोऽक्रूरमुवाच ह ॥ २७ ॥
गृहीत्वा पाणिना पाणिं ततोऽक्रूरमुवाच ह ॥ २७ ॥
Verse text
ity ājñāpyārtha-tantra-jña
āhūya yadu-puṅgavam
gṛhītvā pāṇinā pāṇiṁ
tato ’krūram uvāca ha
āhūya yadu-puṅgavam
gṛhītvā pāṇinā pāṇiṁ
tato ’krūram uvāca ha
Synonyms
iti — com essas palavras; ājñāpya — ordenando; artha — do interesse e vantagem pessoais; tantra — da doutrina; jñaḥ — o conhecedor; āhūya — chamando; yadu-puṅgavam — o mais eminente dos Yadus; gṛhītvā — tomando; pāṇinā — com a própria mão; pāṇim — a mão dele; tataḥ — então; akrūram — a Akrūra; uvāca ha — disse.
Translation
Depois de ter dado essas ordens a seus ministros, Kaṁsa chamou Akrūra, o mais eminente dos Yadus. Kaṁsa conhecia a arte de obter vantagem para si próprio e, por isso, tomou a mão de Akrūra e disse-lhe o seguinte.
Devanagari
भो भो दानपते मह्यं क्रियतां मैत्रमादृत: ।
नान्यस्त्वत्तो हिततमो विद्यते भोजवृष्णिषु ॥ २८ ॥
नान्यस्त्वत्तो हिततमो विद्यते भोजवृष्णिषु ॥ २८ ॥
Verse text
bho bho dāna-pate mahyaṁ
kriyatāṁ maitram ādṛtaḥ
nānyas tvatto hitatamo
vidyate bhoja-vṛṣṇiṣu
kriyatāṁ maitram ādṛtaḥ
nānyas tvatto hitatamo
vidyate bhoja-vṛṣṇiṣu
Synonyms
bhoḥ bhoḥ — meu querido; dāna — da caridade; pate — mestre; mahyam — para mim; kriyatām — faze, por favor; maitram — um favor de amigo; ādṛtaḥ — por respeito; na — nenhum; anyaḥ — outro; tvattaḥ — senão tu; hita-tamaḥ — que ages muito favoravelmente; vidyate — existe; bhoja-vṛṣṇiṣu — entre os Bhojas e Vṛṣṇis.
Translation
Meu querido e caridosíssimo Akrūra, faze-me um favor de amigo por respeito a mim. Entre os Bhojas e Vṛṣṇis, não existe mais ninguém tão generoso para nós como tu.
Devanagari
अतस्त्वामाश्रित: सौम्य कार्यगौरवसाधनम् ।
यथेन्द्रो विष्णुमाश्रित्य स्वार्थमध्यगमद् विभु: ॥ २९ ॥
यथेन्द्रो विष्णुमाश्रित्य स्वार्थमध्यगमद् विभु: ॥ २९ ॥
Verse text
atas tvām āśritaḥ saumya
kārya-gaurava-sādhanam
yathendro viṣṇum āśritya
svārtham adhyagamad vibhuḥ
kārya-gaurava-sādhanam
yathendro viṣṇum āśritya
svārtham adhyagamad vibhuḥ
Synonyms
ataḥ — portanto; tvām — de ti; āśritaḥ — (estou) dependendo; saumya — ó pessoa gentil; kārya — os deveres prescritos; gaurava — sobriamente; sādhanam — que executas; yathā — assim como; indraḥ — Indra; viṣṇum — no Senhor Viṣṇu; āśritya — refugiando-se; sva-artham — suas metas; adhyagamat — alcançou; vibhuḥ — o poderoso rei dos céus.
Translation
Gentil Akrūra, sempre cumpres teus deveres com sobriedade, motivo pelo qual eu conto contigo, assim como o poderoso Indra refugiou-se no Senhor Viṣṇu para alcançar suas metas.
Devanagari
गच्छ नन्दव्रजं तत्र सुतावानकदुन्दुभे: ।
आसाते ताविहानेन रथेनानय मा चिरम् ॥ ३० ॥
आसाते ताविहानेन रथेनानय मा चिरम् ॥ ३० ॥
Verse text
gaccha nanda-vrajaṁ tatra
sutāv ānakadundubheḥ
āsāte tāv ihānena
rathenānaya mā ciram
sutāv ānakadundubheḥ
āsāte tāv ihānena
rathenānaya mā ciram
Synonyms
Translation
Por favor, vai à vila de Nanda, onde estão vivendo os dois filhos de Ānakadundubhi, e traze-Os aqui nesta quadriga sem demora.
Purport
SIGNIFICADO—Śrīla Viśvanātha Cakravartī apresenta a seguinte nota interessante: “Quando o rei Kaṁsa disse ‘com esta quadriga’, ele, com o indicador, apontou uma atraente quadriga completamente nova. Kaṁsa pensava que, como Akrūra era inocente por natureza, quando visse esse excelente veículo novo, ele naturalmente haveria de querer dirigi-lo e voltar logo trazendo os dois rapazes. Mas a verdadeira razão que levou Akrūra a ir em uma quadriga nova é que não seria adequado que a Suprema Personalidade de Deus subisse em uma quadriga que já tivesse sido usada pelo perverso Kaṁsa.”
Devanagari
निसृष्ट: किल मे मृत्युर्देवैर्वैकुण्ठसंश्रयै: ।
तावानय समं गोपैर्नन्दाद्यै: साभ्युपायनै: ॥ ३१ ॥
तावानय समं गोपैर्नन्दाद्यै: साभ्युपायनै: ॥ ३१ ॥
Verse text
nisṛṣṭaḥ kila me mṛtyur
devair vaikuṇṭha-saṁśrayaiḥ
tāv ānaya samaṁ gopair
nandādyaiḥ sābhyupāyanaiḥ
devair vaikuṇṭha-saṁśrayaiḥ
tāv ānaya samaṁ gopair
nandādyaiḥ sābhyupāyanaiḥ
Synonyms
Translation
Os semideuses, que estão sob a proteção de Viṣṇu, enviaram esses dois rapazes como minha morte. Traze-Os aqui e, além disso, faz com que Nanda e os outros vaqueiros venham com presentes de tributo.
Devanagari
घातयिष्य इहानीतौ कालकल्पेन हस्तिना ।
यदि मुक्तौ ततो मल्लैर्घातये वैद्युतोपमै: ॥ ३२ ॥
यदि मुक्तौ ततो मल्लैर्घातये वैद्युतोपमै: ॥ ३२ ॥
Verse text
ghātayiṣya ihānītau
kāla-kalpena hastinā
yadi muktau tato mallair
ghātaye vaidyutopamaiḥ
kāla-kalpena hastinā
yadi muktau tato mallair
ghātaye vaidyutopamaiḥ
Synonyms
ghātayiṣye — providenciarei que Eles sejam mortos; iha — aqui; ānītau — trazidos; kāla-kalpena — como a própria morte; hastinā — pelo elefante; yadi — se; muktau — Eles Se livrarem; tataḥ — então; mallaiḥ — por lutadores; ghātaye — providenciarei que sejam mortos; vaidyuta — raio; upamaiḥ — assim como.
Translation
Depois que trouxeres Kṛṣṇa e Balarāma, providenciarei que Eles sejam mortos por meu elefante, que é tão poderoso como a própria morte. E se por acaso escaparem dele, providenciarei que meus lutadores, que são tão fortes como o raio, matem os dois.
Devanagari
तयोर्निहतयोस्तप्तान् वसुदेवपुरोगमान् ।
तद्बन्धून् निहनिष्यामि वृष्णिभोजदशार्हकान् ॥ ३३ ॥
तद्बन्धून् निहनिष्यामि वृष्णिभोजदशार्हकान् ॥ ३३ ॥
Verse text
tayor nihatayos taptān
vasudeva-purogamān
tad-bandhūn nihaniṣyāmi
vṛṣṇi-bhoja-daśārhakān
vasudeva-purogamān
tad-bandhūn nihaniṣyāmi
vṛṣṇi-bhoja-daśārhakān
Synonyms
Translation
Quando esses dois estiverem mortos, matarei Vasudeva e todos os seus lastimosos parentes – os Vṛṣṇis, Bhojas e Daśārhas.
Purport
SIGNIFICADO—Mesmo hoje em dia, há perversos líderes políticos em todo o mundo que fazem semelhantes planos e chegam até mesmo a executá-los.
Devanagari
उग्रसेनं च पितरं स्थविरं राज्यकामुकं ।
तद्भ्रातरं देवकं च ये चान्ये विद्विषो मम ॥ ३४ ॥
तद्भ्रातरं देवकं च ये चान्ये विद्विषो मम ॥ ३४ ॥
Verse text
ugrasenaṁ ca pitaraṁ
sthaviraṁ rājya-kāmukaṁ
tad-bhrātaraṁ devakaṁ ca
ye cānye vidviṣo mama
sthaviraṁ rājya-kāmukaṁ
tad-bhrātaraṁ devakaṁ ca
ye cānye vidviṣo mama
Synonyms
Translation
Também matarei meu velho pai, Ugrasena, que cobiça o meu reino, e seu irmão Devaka, bem como todos os meus outros inimigos.
Devanagari
ततश्चैषा मही मित्र भवित्री नष्टकण्टका ॥ ३५ ॥
Verse text
tataś caiṣā mahī mitra
bhavitrī naṣṭa-kaṇṭakā
bhavitrī naṣṭa-kaṇṭakā
Synonyms
Translation
Então, meu amigo, esta terra ficará livre dos espinhos.
Devanagari
जरासन्धो मम गुरुर्द्विविदो दयित: सखा ।
शम्बरो नरको बाणो मय्येव कृतसौहृदा: ।
तैरहं सुरपक्षीयान् हत्वा भोक्ष्ये महीं नृपान् ॥ ३६ ॥
शम्बरो नरको बाणो मय्येव कृतसौहृदा: ।
तैरहं सुरपक्षीयान् हत्वा भोक्ष्ये महीं नृपान् ॥ ३६ ॥
Verse text
jarāsandho mama gurur
dvivido dayitaḥ sakhā
śambaro narako bāṇo
mayy eva kṛta-sauhṛdāḥ
tair ahaṁ sura-pakṣīyān
hatvā bhokṣye mahīṁ nṛpān
dvivido dayitaḥ sakhā
śambaro narako bāṇo
mayy eva kṛta-sauhṛdāḥ
tair ahaṁ sura-pakṣīyān
hatvā bhokṣye mahīṁ nṛpān
Synonyms
jarāsandhaḥ — Jarāsandha; mama — meu; guruḥ — mais velho (sogro); dvividaḥ — Dvivida; dayitaḥ — meu querido; sakhā — amigo; śambaraḥ — Śambara; narakaḥ — Naraka; bāṇaḥ — Bāṇa; mayi — por mim; eva — de fato; kṛta-sauhṛdāḥ — que têm forte amizade; taiḥ — com eles; aham — eu; sura — dos semideuses; pakṣīyān — aqueles que são aliados; hatvā — matando; bhokṣye — desfrutarei; mahīm — a Terra; nṛpān — os reis.
Translation
Jarāsandha, meu parente mais velho, e Dvivida, meu querido amigo, são sólidos benquerentes meus, bem como Śambara, Naraka e Bāṇa. Eu os usarei para aniquilar aqueles reis que são aliados dos semideuses, após o que governarei a Terra.
Devanagari
एतज्ज्ञात्वानय क्षिप्रं रामकृष्णाविहार्भकौ ।
धनुर्मखनिरीक्षार्थं द्रष्टुं यदुपुरश्रियम् ॥ ३७ ॥
धनुर्मखनिरीक्षार्थं द्रष्टुं यदुपुरश्रियम् ॥ ३७ ॥
Verse text
etaj jñātvānaya kṣipraṁ
rāma-kṛṣṇāv ihārbhakau
dhanur-makha-nirīkṣārthaṁ
draṣṭuṁ yadu-pura-śriyam
rāma-kṛṣṇāv ihārbhakau
dhanur-makha-nirīkṣārthaṁ
draṣṭuṁ yadu-pura-śriyam
Synonyms
Translation
Agora que compreendes minhas intenções, por favor, parte logo e traze Kṛṣṇa e Balarāma para assistirem ao sacrifício do arco e verem a opulência da capital dos Yadus.
Devanagari
श्रीअक्रूर उवाच
राजन् मनीषितं सध्र्यक् तव स्वावद्यमार्जनम् ।
सिद्ध्यसिद्ध्यो: समं कुर्याद्दैवं हि फलसाधनम् ॥ ३८ ॥
राजन् मनीषितं सध्र्यक् तव स्वावद्यमार्जनम् ।
सिद्ध्यसिद्ध्यो: समं कुर्याद्दैवं हि फलसाधनम् ॥ ३८ ॥
Verse text
śrī-akrūra uvāca
rājan manīṣitaṁ sadhryak
tava svāvadya-mārjanam
siddhy-asiddhyoḥ samaṁ kuryād
daivaṁ hi phala-sādhanam
rājan manīṣitaṁ sadhryak
tava svāvadya-mārjanam
siddhy-asiddhyoḥ samaṁ kuryād
daivaṁ hi phala-sādhanam
Synonyms
śrī-akrūraḥ uvāca — Śrī Akrūra disse; rājan — ó rei; manīṣitam — o pensamento; sadhryak — perfeito; tava — teu; sva — tua própria; avadya — desgraça; mārjanam — que limpará; siddhi-asiddhyoḥ — tanto no sucesso como no fracasso; samam — equânime; kuryāt — deve-se agir; daivam — destino; hi — afinal; phala — do fruto, resultado; sādhanam — a causa da obtenção.
Translation
Śrī Akrūra disse: Ó rei, habilmente tramaste um plano para livrar-te de qualquer desgraça. Ainda assim, deve-se ser equânime no sucesso e no fracasso, já que é com certeza o destino que produz os resultados do nosso trabalho.
Devanagari
मनोरथान् करोत्युच्चैर्जनो दैवहतानपि ।
युज्यते हर्षशोकाभ्यां तथाप्याज्ञां करोमि ते ॥ ३९ ॥
युज्यते हर्षशोकाभ्यां तथाप्याज्ञां करोमि ते ॥ ३९ ॥
Verse text
manorathān karoty uccair
jano daiva-hatān api
yujyate harṣa-śokābhyāṁ
tathāpy ājñāṁ karomi te
jano daiva-hatān api
yujyate harṣa-śokābhyāṁ
tathāpy ājñāṁ karomi te
Synonyms
Translation
Uma pessoa comum está determinada a agir de acordo com seus desejos mesmo quando o destino frustra a concretização deles. Por isso, ela se depara com a felicidade e o sofrimento. Porém, mesmo sendo este o caso, executarei tua ordem.
Purport
SIGNIFICADO—Śrīla Viśvanātha Cakravartī explica que, embora o que Akrūra disse fosse cortês e encorajador, seu significado oculto era bem diferente. O que ele realmente quis dizer foi o seguinte: “Teu plano não convém ser executado, mas vou levá-lo a cabo porque és o rei e sou teu súdito, e, seja como for, estás prestes a morrer.”
Devanagari
श्रीशुक उवाच
एवमादिश्य चाक्रूरं मन्त्रिणश्च विसृज्य स: ।
प्रविवेश गृहं कंसस्तथाक्रूर: स्वमालयम् ॥ ४० ॥
एवमादिश्य चाक्रूरं मन्त्रिणश्च विसृज्य स: ।
प्रविवेश गृहं कंसस्तथाक्रूर: स्वमालयम् ॥ ४० ॥
Verse text
śrī-śuka uvāca
evam ādiśya cākrūraṁ
mantriṇaś ca viṣṛjya saḥ
praviveśa gṛhaṁ kaṁsas
tathākrūraḥ svam ālayam
evam ādiśya cākrūraṁ
mantriṇaś ca viṣṛjya saḥ
praviveśa gṛhaṁ kaṁsas
tathākrūraḥ svam ālayam
Synonyms
śrī-śukaḥ uvāca — Śukadeva Gosvāmī disse; evam — assim; ādiśya — instruindo; ca — e; akrūram — Akrūra; mantriṇaḥ — seus ministros; ca — e; visṛjya — dispensando; saḥ — ele; praviveśa — entrou; gṛham — em seus aposentos; kaṁsaḥ — Kaṁsa; tathā — também; akrūraḥ — Akrūra; svam — sua própria; ālayam — residência.
Translation
Śukadeva Gosvāmī disse: Tendo assim instruído Akrūra, o rei Kaṁsa dispensou seus ministros e retirou-se para seus aposentos, e Akrūra voltou para casa.
Purport
Neste ponto, encerram-se os significados apresentados pelos humildes servos de Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupāda referentes ao décimo canto, trigésimo sexto capítulo, do Śrīmad-Bhāgavatam, intitulado “A Morte de Ariṣṭa, o Demônio Touro”.