Devanagari
Verse Text
Synonyms
Translation
Purport
Capítulo Onze
Svāyambhuva Manu Aconselha Dhruva Mahārāja a Parar de Lutar
Devanagari
मैत्रेय उवाच
निशम्य गदतामेवमृषीणां धनुषि ध्रुव: ।
सन्दधेऽस्त्रमुपस्पृश्य यन्नारायणनिर्मितम् ॥ १ ॥
निशम्य गदतामेवमृषीणां धनुषि ध्रुव: ।
सन्दधेऽस्त्रमुपस्पृश्य यन्नारायणनिर्मितम् ॥ १ ॥
Verse text
maitreya uvāca
niśamya gadatām evam
ṛṣīṇāṁ dhanuṣi dhruvaḥ
sandadhe ’stram upaspṛśya
yan nārāyaṇa-nirmitam
niśamya gadatām evam
ṛṣīṇāṁ dhanuṣi dhruvaḥ
sandadhe ’stram upaspṛśya
yan nārāyaṇa-nirmitam
Synonyms
maitreyaḥ uvāca — o sábio Maitreya continuou a falar; niśamya — tendo ouvido; gadatām — as palavras; evam — assim; ṛṣīṇām — dos sábios; dhanuṣi — em seu arco; dhruvaḥ — Dhruva Mahārāja; sandadhe — fixou; astram — uma flecha; upaspṛśya — após tocar na água; yat — aquilo que; nārāyaṇa — por Nārāyaṇa; nirmitam — foi feito.
Translation
Śrī Maitreya disse: Meu querido Vidura, ao ouvir as palavras encorajadoras dos grandes sábios, Dhruva Mahārāja executou ācamana tocando na água e, então, pegou sua flecha feita pelo Senhor Nārāyaṇa e fixou-a em seu arco.
Purport
SIGNIFICADO—Dhruva Mahārāja recebera uma flecha especial feita pelo Senhor Nārāyaṇa em pessoa, e agora ele a fixou em seu arco para acabar com a atmosfera ilusória criada pelos Yakṣas. Como se afirma na Bhagavad-gītā (7.14), mām eva ye prapadyante māyām etāṁ taranti te. Sem Nārāyaṇa, a Suprema Personalidade de Deus, ninguém é capaz de superar a ação da energia ilusória. Śrī Caitanya Mahāprabhu também nos deu uma boa arma para esta era, como se afirma no Bhāgavatam: sāṅgopāṅgāstra – nesta era, a nārāyaṇāstra, ou a arma para afastar māyā, é o canto do mantra Hare Kṛṣṇa de acordo com os associados do Senhor Caitanya, tais como Advaita Prabhu, Nityānanda, Gadādhara e Śrīvāsa.
Devanagari
सन्धीयमान एतस्मिन्माया गुह्यकनिर्मिता: ।
क्षिप्रं विनेशुर्विदुर क्लेशा ज्ञानोदये यथा ॥ २ ॥
क्षिप्रं विनेशुर्विदुर क्लेशा ज्ञानोदये यथा ॥ २ ॥
Verse text
sandhīyamāna etasmin
māyā guhyaka-nirmitāḥ
kṣipraṁ vineśur vidura
kleśā jñānodaye yathā
māyā guhyaka-nirmitāḥ
kṣipraṁ vineśur vidura
kleśā jñānodaye yathā
Synonyms
sandhīyamāne — enquanto introduzia em seu arco; etasmin — esta nārāyaṇāstra; māyāḥ — as ilusões; guhyaka-nirmitāḥ — criadas pelos Yakṣas; kṣipram — imediatamente; vineśuḥ — foram destruídas; vidura — ó Vidura; kleśāḥ — dores e prazeres ilusórios; jñāna-udaye — com o despertar do conhecimento; yathā — assim como.
Translation
Logo que Dhruva Mahārāja introduziu a flecha nārāyaṇāstra em seu arco, a ilusão criada pelos Yakṣas desapareceu de imediato, assim como todas as dores e prazeres materiais se extinguem quando alguém se conscientiza plenamente do eu.
Purport
SIGNIFICADO—Kṛṣṇa é como o Sol, e māyā, ou a energia ilusória de Kṛṣṇa, é como a escuridão. Escuridão significa ausência de luz; de modo semelhante, māyā significa ausência de consciência de Kṛṣṇa. A consciência de Kṛṣṇa e māyā sempre existem lado a lado. Logo que haja um despertar de consciência de Kṛṣṇa, todas as dores e prazeres ilusórios da existência material se extinguem. Māyām etāṁ taranti te: o cantar constante do mahā-mantra nos manterá sempre afastados da energia ilusória de māyā.
Devanagari
तस्यार्षास्त्रं धनुषि प्रयुञ्जत:
सुवर्णपुङ्खा: कलहंसवासस: ।
विनि:सृता आविविशुर्द्विषद्बलं
यथा वनं भीमरवा: शिखण्डिन: ॥ ३ ॥
सुवर्णपुङ्खा: कलहंसवासस: ।
विनि:सृता आविविशुर्द्विषद्बलं
यथा वनं भीमरवा: शिखण्डिन: ॥ ३ ॥
Verse text
tasyārṣāstraṁ dhanuṣi prayuñjataḥ
suvarṇa-puṅkhāḥ kalahaṁsa-vāsasaḥ
viniḥsṛtā āviviśur dviṣad-balaṁ
yathā vanaṁ bhīma-ravāḥ śikhaṇḍinaḥ
suvarṇa-puṅkhāḥ kalahaṁsa-vāsasaḥ
viniḥsṛtā āviviśur dviṣad-balaṁ
yathā vanaṁ bhīma-ravāḥ śikhaṇḍinaḥ
Synonyms
tasya — enquanto Dhruva; ārṣa-astram — a arma dada por Nārāyaṇa Ṛṣi; dhanuṣi — em seu arco; prayuñjataḥ — fixadas; suvarṇa-puṅkhāḥ — (flechas) com hastes douradas; kalahaṁsa-vāsasaḥ — com penas semelhantes às asas de um cisne; viniḥsṛtāḥ — disparadas; āviviśuḥ — penetravam; dviṣat-balam — nos soldados do inimigo; yathā — assim como; vanam — numa floresta; bhīma-ravāḥ — produzindo um som tumultuoso; śikhaṇḍinaḥ — pavões.
Translation
Ainda enquanto Dhruva Mahārāja fixava a arma feita por Nārāyaṇa Ṛṣi em seu arco, este já disparava flechas com hastes douradas e penas semelhantes às asas de um cisne. Elas penetravam os soldados inimigos sibilando muito sonoramente, assim como pavões entram em uma floresta produzindo um som tumultuoso.
Devanagari
तैस्तिग्मधारै: प्रधने शिलीमुखै-
रितस्तत: पुण्यजना उपद्रुता: ।
तमभ्यधावन् कुपिता उदायुधा:
सुपर्णमुन्नद्धफणा इवाहय: ॥ ४ ॥
रितस्तत: पुण्यजना उपद्रुता: ।
तमभ्यधावन् कुपिता उदायुधा:
सुपर्णमुन्नद्धफणा इवाहय: ॥ ४ ॥
Verse text
tais tigma-dhāraiḥ pradhane śilī-mukhair
itas tataḥ puṇya-janā upadrutāḥ
tam abhyadhāvan kupitā udāyudhāḥ
suparṇam unnaddha-phaṇā ivāhayaḥ
itas tataḥ puṇya-janā upadrutāḥ
tam abhyadhāvan kupitā udāyudhāḥ
suparṇam unnaddha-phaṇā ivāhayaḥ
Synonyms
taiḥ — por aquelas; tigma-dhāraiḥ — que tinham pontas afiadas; pradhane — no campo de batalha; śilī-mukhaiḥ — flechas; itaḥ tataḥ — aqui e ali; puṇya-janāḥ — os Yakṣas; upadrutāḥ — estando agitadíssimos; tam — em direção a Dhruva Mahārāja; abhyadhāvan — precipitaram-se; kupitāḥ — estando irados; udāyudhāḥ — empunhando suas armas; suparṇam — em direção a Garuḍa; unnaddha-phaṇāḥ — com capelos erguidos; iva — como; ahayaḥ — serpentes.
Translation
Aquelas flechas afiadas apavoraram os soldados inimigos, que ficaram quase inconscientes, mas vários Yakṣas no campo de batalha, enfurecidos com Dhruva Mahārāja, de alguma forma pegaram suas armas e atacaram-no. Assim como serpentes agitadas por Garuḍa rastejam em direção a Garuḍa com seus capelos erguidos, todos os soldados Yakṣas prepararam-se para derrotar Dhruva Mahārāja empunhando suas armas.
Devanagari
स तान् पृषत्कैरभिधावतो मृधे
निकृत्तबाहूरुशिरोधरोदरान् ।
निनाय लोकं परमर्कमण्डलं
व्रजन्ति निर्भिद्य यमूर्ध्वरेतस: ॥ ५ ॥
निकृत्तबाहूरुशिरोधरोदरान् ।
निनाय लोकं परमर्कमण्डलं
व्रजन्ति निर्भिद्य यमूर्ध्वरेतस: ॥ ५ ॥
Verse text
sa tān pṛṣatkair abhidhāvato mṛdhe
nikṛtta-bāhūru-śirodharodarān
nināya lokaṁ param arka-maṇḍalaṁ
vrajanti nirbhidya yam ūrdhva-retasaḥ
nikṛtta-bāhūru-śirodharodarān
nināya lokaṁ param arka-maṇḍalaṁ
vrajanti nirbhidya yam ūrdhva-retasaḥ
Synonyms
saḥ — ele (Dhruva Mahārāja); tān — todos os Yakṣas; pṛṣatkaiḥ — por suas flechas; abhidhāvataḥ — adiantando-se; mṛdhe — no campo de batalha; nikṛtta — sendo separados; bāhu — braços; ūru — coxas; śiraḥ-dhara — pescoços; udarān — e estômagos; nināya — libertou; lokam — para o planeta; param — supremo; arka-maṇḍalam — o globo solar; vrajanti — vão; nirbhidya — penetrando; yam — para o qual; ūrdhva-retasaḥ — aqueles que não ejaculam sêmen em momento algum.
Translation
Ao ver os Yakṣas adiantando-se, Dhruva Mahārāja imediatamente pegou suas flechas e despedaçou os inimigos. Separando seus braços, pernas, cabeças e estômagos de seus corpos, ele libertou os Yakṣas, transferindo-os para o sistema planetário que está situado acima do globo solar e que só pode ser alcançado por brahmacārīs de primeira classe, que nunca ejacularam sêmen.
Purport
SIGNIFICADO—Para os não-devotos, é auspicioso serem mortos pelo Senhor ou por Seus devotos. Os Yakṣas foram mortos indiscriminadamente por Dhruva Mahārāja, mas alcançaram o sistema planetário que somente brahmacārīs que jamais ejacularam sêmen podem alcançar. Assim como os jñānīs impersonalistas ou os demônios mortos pelo Senhor alcançam Brahmaloka, ou Satyaloka, as pessoas mortas por um devoto do Senhor também atingem Satyaloka. Para chegar ao sistema planetário Satyaloka aqui descrito, é preciso elevar-se acima do globo solar. Matar, portanto, não é sempre ruim. Se a matança é feita pela Suprema Personalidade de Deus ou por Seu devoto, ou em grandes sacrifícios, ela serve para o benefício da entidade morta dessa maneira. A dita não-violência material é muito insignificante em comparação com a matança feita pela Suprema Personalidade de Deus ou por Seus devotos. Mesmo quando um rei ou o governo do estado mata uma pessoa que é um assassino, isso serve para o benefício do assassino, pois assim ele pode purificar-se de todas as reações pecaminosas.
Uma expressão importante neste verso é ūrdhva-retasaḥ, que significa brahmacārīs que jamais ejacularam sêmen. O celibato é tão importante que, mesmo que alguém não se submeta a nenhuma das austeridades, penitências ou cerimônias ritualísticas prescritas nos Vedas, se simplesmente se mantiver um brahmacārī puro, não ejaculando sêmen, o resultado será que, após a morte, ele irá para Satyaloka. De um modo geral, a vida sexual é a causa de todos os sofrimentos no mundo material. Na civilização védica, restringe-se a vida sexual de várias maneiras. De toda a população da estrutura social, apenas os gṛhasthas têm permissão para a vida sexual restrita. Todos os outros se abstêm do sexo. Especialmente as pessoas desta era desconhecem o valor de não ejacular seu sêmen. Sendo assim, elas se envolvem de várias maneiras com qualidades materiais e sofrem em uma existência que se resume a trabalhar muito duro. A palavra ūrdhva-retasaḥ indica especialmente os sannyāsīs māyāvādīs, que se submetem a estritos princípios de austeridade. Porém, na Bhagavad-gītā (8.16), o Senhor diz que mesmo que alguém vá até Brahmaloka, ele retorna mais uma vez. (ābrahma-bhuvanāl lokāḥ punar āvartino ’rjuna) Portanto, verdadeiro mukti, ou liberação, só se pode alcançar através do serviço devocional, porque mediante o serviço devocional pode-se ultrapassar Brahmaloka, ou seja, alcançar o mundo espiritual, de onde jamais se volta. Os sannyāsīs māyāvādīs têm muito orgulho de se tornarem liberados, mas a verdadeira liberação não é possível a menos que se esteja em contato com o Senhor Supremo em serviço devocional. Declara-se que hariṁ vinā na mṛtiṁ taranti: sem a misericórdia de Kṛṣṇa, ninguém pode alcançar a liberação.
Devanagari
तान् हन्यमानानभिवीक्ष्य गुह्यका-
ननागसश्चित्ररथेन भूरिश: ।
औत्तानपादिं कृपया पितामहो
मनुर्जगादोपगत: सहर्षिभि: ॥ ६ ॥
ननागसश्चित्ररथेन भूरिश: ।
औत्तानपादिं कृपया पितामहो
मनुर्जगादोपगत: सहर्षिभि: ॥ ६ ॥
Verse text
tān hanyamānān abhivīkṣya guhyakān
anāgasaś citra-rathena bhūriśaḥ
auttānapādiṁ kṛpayā pitāmaho
manur jagādopagataḥ saharṣibhiḥ
anāgasaś citra-rathena bhūriśaḥ
auttānapādiṁ kṛpayā pitāmaho
manur jagādopagataḥ saharṣibhiḥ
Synonyms
tān — aqueles Yakṣas; hanyamānān — sendo mortos; abhivīkṣya — vendo; guhyakān — os Yakṣas; anāgasaḥ — inocentes; citra-rathena — por Dhruva Mahārāja, que tinha uma bela quadriga; bhūriśaḥ — muitíssimo; auttānapādim — ao filho de Uttānapāda; kṛpayā — por misericórdia; pitā-mahaḥ — o avô; manuḥ — Svāyambhuva Manu; jagāda — deu instruções; upagataḥ — aproximou-se; saha-ṛṣibhiḥ — com grandes sábios.
Translation
Ao ver que seu neto Dhruva Mahārāja estava matando tantos dos Yakṣas que não eram realmente ofensores, Svāyambhuva Manu, por sua grande compaixão, aproximou-se de Dhruva junto com grandes sábios para dar-lhe boas instruções.
Purport
SIGNIFICADO—Dhruva Mahārāja atacou Alakāpurī, a cidade dos Yakṣas, porque seu irmão fora morto por um deles. Na verdade, somente um dos cidadãos, e não todos eles, era culpado da morte de Uttama, seu irmão. Dhruva Mahārāja, evidentemente, tomou medidas muito drásticas quando seu irmão foi morto pelos Yakṣas. A guerra foi declarada e a luta prosseguia. Isso às vezes acontece também nos dias modernos – por culpa de um homem às vezes todo um estado é atacado. Esse tipo de ataque global não é aprovado por Manu, o pai e legislador da raça humana. Portanto, ele queria impedir seu neto Dhruva de continuar a matar os cidadãos Yakṣas que não eram ofensores.
Devanagari
मनुरुवाच
अलं वत्सातिरोषेण तमोद्वारेण पाप्मना ।
येन पुण्यजनानेतानवधीस्त्वमनागस: ॥ ७ ॥
अलं वत्सातिरोषेण तमोद्वारेण पाप्मना ।
येन पुण्यजनानेतानवधीस्त्वमनागस: ॥ ७ ॥
Verse text
manur uvāca
alaṁ vatsātiroṣeṇa
tamo-dvāreṇa pāpmanā
yena puṇya-janān etān
avadhīs tvam anāgasaḥ
alaṁ vatsātiroṣeṇa
tamo-dvāreṇa pāpmanā
yena puṇya-janān etān
avadhīs tvam anāgasaḥ
Synonyms
Translation
O senhor Manu disse: Meu querido filho, por favor, descontinua isso que fazes. Não é bom tornar-se desnecessariamente irado – esse é o caminho para a vida infernal. Agora estás transpondo os limites adequados, matando Yakṣas que, em verdade, não são ofensores.
Purport
SIGNIFICADO—Neste verso, a palavra atiroṣeṇa significa “com ira desnecessária”. Quando Dhruva Mahārāja passou dos limites da ira necessária, seu avô, Svāyambhuva Manu, veio logo protegê-lo de cometer mais ações pecaminosas. Com isso, podemos entender que matar não é ruim, mas, quando se mata desnecessariamente ou quando se mata uma pessoa inocente, isso abre o caminho para o inferno. Dhruva Mahārāja foi poupado de semelhante ação pecaminosa porque era um grande devoto.
O kṣatriya tem permissão de matar somente para manter a lei e a ordem do estado; ele não tem permissão de matar ou cometer violência sem um motivo. A violência é decerto um caminho que leva a condições de vida infernais, embora também seja necessária para se manter a lei e a ordem do estado. Aqui o senhor Manu proibiu Dhruva Mahārāja de matar os Yakṣas porque somente um deles era punível, por ter matado seu irmão, Uttama; não acontecia de todos os cidadãos Yakṣas serem passíveis de punição. Na guerra moderna, no entanto, observamos que cidadãos inocentes que não têm culpa de nada são atacados. Segundo a lei de Manu, semelhante guerra é uma atividade muito pecaminosa. Além disso, atualmente as nações civilizadas estão desnecessariamente mantendo muitos matadouros para matar animais inocentes. Quando uma nação é atacada por seus inimigos, as mortes em massa de cidadãos devem ser consideradas uma reação às próprias atividades pecaminosas deles. Essa é a lei da natureza.
Devanagari
नास्मत्कुलोचितं तात कर्मैतत्सद्विगर्हितम् ।
वधो यदुपदेवानामारब्धस्तेऽकृतैनसाम् ॥ ८ ॥
वधो यदुपदेवानामारब्धस्तेऽकृतैनसाम् ॥ ८ ॥
Verse text
nāsmat-kulocitaṁ tāta
karmaitat sad-vigarhitam
vadho yad upadevānām
ārabdhas te ’kṛtainasām
karmaitat sad-vigarhitam
vadho yad upadevānām
ārabdhas te ’kṛtainasām
Synonyms
na — não; asmat-kula — nossa família; ucitam — digno; tāta — meu querido filho; karma — ação; etat — isso; sat — por autoridades em religião; vigarhitam — proibida; vadhaḥ — a morte; yat — a qual; upadevānām — dos Yakṣas; ārabdhaḥ — foi praticada; te — por ti; akṛta-enasām — daqueles que são inocentes.
Translation
Meu querido filho, teres matado os Yakṣas inocentes é um ato inteiramente reprovado pelas autoridades, e não é digno de nossa família, que é tida como conhecedora das leis da religião e da irreligião.
Devanagari
नन्वेकस्यापराधेन प्रसङ्गाद् बहवो हता: ।
भ्रातुर्वधाभितप्तेन त्वयाङ्ग भ्रातृवत्सल ॥ ९ ॥
भ्रातुर्वधाभितप्तेन त्वयाङ्ग भ्रातृवत्सल ॥ ९ ॥
Verse text
nanv ekasyāparādhena
prasaṅgād bahavo hatāḥ
bhrātur vadhābhitaptena
tvayāṅga bhrātṛ-vatsala
prasaṅgād bahavo hatāḥ
bhrātur vadhābhitaptena
tvayāṅga bhrātṛ-vatsala
Synonyms
nanu — certamente; ekasya — de um (Yakṣa); aparādhena — com a ofensa; prasaṅgāt — por causa da associação deles; bahavaḥ — muitos; hatāḥ — foram mortos; bhrātuḥ — de teu irmão; vadha — pela morte; abhitaptena — estando pesaroso; tvayā — por ti; aṅga — meu querido filho; bhrātṛ-vatsala — afetuoso com teu irmão.
Translation
Meu querido filho, está provado que tens muita afeição por teu irmão e estás muito pesaroso pelo fato de ele ter sido morto pelos Yakṣas, mas considera isto: pela ofensa de um Yakṣa, mataste muitos outros, que são inocentes.
Devanagari
नायं मार्गो हि साधूनां हृषीकेशानुवर्तिनाम् ।
यदात्मानं पराग्गृह्य पशुवद्भूतवैशसम् ॥ १० ॥
यदात्मानं पराग्गृह्य पशुवद्भूतवैशसम् ॥ १० ॥
Verse text
nāyaṁ mārgo hi sādhūnāṁ
hṛṣīkeśānuvartinām
yad ātmānaṁ parāg gṛhya
paśuvad bhūta-vaiśasam
hṛṣīkeśānuvartinām
yad ātmānaṁ parāg gṛhya
paśuvad bhūta-vaiśasam
Synonyms
na — nunca; ayam — este; mārgaḥ — caminho; hi — decerto; sādhūnām — das pessoas honestas; hṛṣīkeśa — da Suprema Personalidade de Deus; anuvartinām — seguindo o caminho; yat — o qual; ātmānam — eu; parāk — o corpo; gṛhya — julgando ser; paśu-vat — como animais; bhūta — de entidades vivas; vaiśasam — matança.
Translation
Não se deve aceitar o corpo como o eu e assim, como os animais, matar os corpos alheios. Isso é especialmente proibido pelas pessoas santas, que seguem o caminho do serviço devocional à Suprema Personalidade de Deus.
Purport
SIGNIFICADO—As palavras sādhūnāṁ hṛṣīkeśānuvartinām são muito significativas. Sādhu significa “uma pessoa santa”. Mas quem é uma pessoa santa? Pessoa santa é aquela que segue o caminho da prestação de serviços à Suprema Personalidade de Deus, Hṛṣikeśa. O Nārada-pañcarātra diz que hṛṣīkeṇa hṛṣīkeśa-sevanaṁ bhaktir ucyate: o processo de prestar serviço favorável à Suprema Personalidade de Deus com os sentidos chama-se bhakti, ou serviço devocional. Portanto, por que uma pessoa já ocupada a serviço do Senhor deveria ocupar-se em gozo pessoal dos sentidos? Aqui o senhor Manu lembra a Dhruva Mahārāja que ele é um servo puro do Senhor. Por que ele deveria, tal qual o fazem os animais, envolver-se desnecessariamente no conceito corpóreo da vida? Um animal pensa que o corpo de outro animal é seu alimento; portanto, no conceito corpóreo da vida, um animal ataca o outro. Um ser humano, especialmente aquele que é devoto do Senhor, não deve agir assim. O sādhu, ou devoto santo, não deve matar animais desnecessariamente.
Devanagari
सर्वभूतात्मभावेन भूतावासं हरिं भवान् ।
आराध्याप दुराराध्यं विष्णोस्तत्परमं पदम् ॥ ११ ॥
आराध्याप दुराराध्यं विष्णोस्तत्परमं पदम् ॥ ११ ॥
Verse text
sarva-bhūtātma-bhāvena
bhūtāvāsaṁ hariṁ bhavān
ārādhyāpa durārādhyaṁ
viṣṇos tat paramaṁ padam
bhūtāvāsaṁ hariṁ bhavān
ārādhyāpa durārādhyaṁ
viṣṇos tat paramaṁ padam
Synonyms
sarva-bhūta — em todas as entidades vivas; ātma — na Superalma; bhāvena — com meditação; bhūta — de toda a existência; āvāsam — a morada; harim — Senhor Hari; bhavān — tu; ārādhya — adorando; āpa — alcançaste; durārādhyam — muito difícil de propiciar; viṣṇoḥ — do Senhor Viṣṇu; tat — esta; paramam — suprema; padam — situação.
Translation
É muito difícil alcançar a morada espiritual de Hari, nos planetas Vaikuṇṭha, mas és tão afortunado que já estás destinado a ir àquela morada, adorando-O como a morada suprema de todas as entidades vivas.
Purport
SIGNIFICADO—Os corpos materiais de todas as entidades vivas não podem existir a menos que sirvam de abrigo à alma espiritual e à Superalma. A alma espiritual depende da Superalma, que está presente mesmo dentro do átomo. Portanto, uma vez que qualquer coisa, material ou espiritual, é inteiramente dependente do Senhor Supremo, o Senhor Supremo é chamado aqui de bhūtāvāsa. Sendo um kṣatriya, Dhruva Mahārāja poderia ter argumentado com seu avô, Manu, quando este lhe pediu que parasse de lutar. No entanto, muito embora Dhruva pudesse ter argumentado que, como kṣatriya, era seu dever lutar contra o inimigo, ele foi informado que, como toda entidade viva é uma residência do Senhor Supremo e pode ser considerada um templo do Senhor, matar desnecessariamente qualquer entidade viva não é algo permitido.
Devanagari
स त्वं हरेरनुध्यातस्तत्पुंसामपि सम्मत: ।
कथं त्ववद्यं कृतवाननुशिक्षन् सतां व्रतम् ॥ १२ ॥
कथं त्ववद्यं कृतवाननुशिक्षन् सतां व्रतम् ॥ १२ ॥
Verse text
sa tvaṁ harer anudhyātas
tat-puṁsām api sammataḥ
kathaṁ tv avadyaṁ kṛtavān
anuśikṣan satāṁ vratam
tat-puṁsām api sammataḥ
kathaṁ tv avadyaṁ kṛtavān
anuśikṣan satāṁ vratam
Synonyms
saḥ — essa pessoa; tvam — tu; hareḥ — pelo Senhor Supremo; anudhyātaḥ — sendo sempre lembrado; tat — Seus; puṁsām — pelos devotos; api — também; sammataḥ — estimado; katham — por que; tu — então; avadyam — abominável (ato); kṛtavān — executaste; anuśikṣan — estabelecendo o exemplo; satām — de pessoas santas; vratam — um voto.
Translation
Por seres um devoto puro do Senhor, o Senhor está sempre pensando em ti, e também és reconhecido por todos os Seus devotos íntimos. Tua vida se destina a servir de exemplo. Portanto, estou surpreso – por que empreendeste um ato tão abominável?
Purport
SIGNIFICADO—Dhruva Mahārāja era um devoto puro e estava acostumado a pensar sempre no Senhor. Reciprocamente, o Senhor sempre pensa naqueles devotos puros que só pensam nEle, vinte e quatro horas por dia. Assim como o devoto puro não conhece nada além do Senhor, o Senhor não conhece nada além de Seu devoto puro. Svāyambhuva Manu chamou a atenção de Dhruva Mahārāja para este fato: “Não somente és um devoto puro, mas também és reconhecido por todos os devotos puros do Senhor. Deves sempre agir de maneira tão exemplar que os outros possam aprender contigo. Assim sendo, surpreende-me que tenhas matado tantos Yakṣas inocentes.”
Devanagari
तितिक्षया करुणया मैत्र्या चाखिलजन्तुषु ।
समत्वेन च सर्वात्मा भगवान् सम्प्रसीदति ॥ १३ ॥
समत्वेन च सर्वात्मा भगवान् सम्प्रसीदति ॥ १३ ॥
Verse text
titikṣayā karuṇayā
maitryā cākhila-jantuṣu
samatvena ca sarvātmā
bhagavān samprasīdati
maitryā cākhila-jantuṣu
samatvena ca sarvātmā
bhagavān samprasīdati
Synonyms
Translation
O Senhor fica muito satisfeito com Seu devoto quando o devoto acolhe outras pessoas com tolerância, misericórdia, amizade e equanimidade.
Purport
SIGNIFICADO—É dever de um devoto avançado, na segunda fase de perfeição devocional, agir de acordo com este verso. Há três fases de vida devocional. Na fase inferior, o devoto simplesmente se interessa pela Deidade no templo, e adora o Senhor com grande devoção, de acordo com as regras e regulações. Na segunda fase, o devoto conhece sua relação com o Senhor, sua relação com devotos afins, sua relação com pessoas inocentes e sua relação com pessoas invejosas. Às vezes, os devotos são maltratados por pessoas invejosas. Aconselha-se que o devoto avançado seja tolerante; ele deve demonstrar plena misericórdia para com pessoas que são ignorantes ou inocentes. O devoto-pregador deve demonstrar misericórdia para com pessoas inocentes, as quais ele pode elevar ao serviço devocional. Todos, por posição constitucional, são servos eternos de Deus. Portanto, é função de um devoto despertar a consciência de Kṛṣṇa em todos. Essa é a sua misericórdia. No que diz respeito ao tratamento que um devoto deve dar a outros devotos que estão em nível de igualdade com ele, ele deve manter amizade com esses devotos. Sua visão geral deve ser de encarar todas as entidades vivas como partes do Senhor Supremo. Diferentes entidades vivas aparecem em diferentes formas de roupagem, mas, segundo a instrução da Bhagavad-gītā, uma pessoa erudita vê todas as entidades vivas igualmente. Tal maneira de tratar os demais por parte do devoto é muitíssimo apreciada pelo Senhor Supremo. Por isso se diz que uma pessoa santa sempre é tolerante e misericordiosa; ela é amiga de todos, nunca inimiga de ninguém, e é pacífica. Essas são algumas das boas qualidades de um devoto.
Devanagari
सम्प्रसन्ने भगवति पुरुष: प्राकृतैर्गुणै: ।
विमुक्तो जीवनिर्मुक्तो ब्रह्म निर्वाणमृच्छति ॥ १४ ॥
विमुक्तो जीवनिर्मुक्तो ब्रह्म निर्वाणमृच्छति ॥ १४ ॥
Verse text
samprasanne bhagavati
puruṣaḥ prākṛtair guṇaiḥ
vimukto jīva-nirmukto
brahma nirvāṇam ṛcchati
puruṣaḥ prākṛtair guṇaiḥ
vimukto jīva-nirmukto
brahma nirvāṇam ṛcchati
Synonyms
samprasanne — com a satisfação; bhagavati — da Suprema Personalidade de Deus; puruṣaḥ — uma pessoa; prākṛtaiḥ — dos materiais; guṇaiḥ — modos da natureza; vimuktaḥ — libertando-se; jīva-nirmuktaḥ — livre também do corpo sutil; brahma — ilimitada; nirvāṇam — bem-aventurança espiritual; ṛcchati — alcança.
Translation
Uma pessoa que realmente satisfaz a Suprema Personalidade de Deus durante sua vida liberta-se das condições materiais grosseiras e sutis. Livrando-se assim de todos os modos materiais da natureza, ela alcança ilimitada bem-aventurança espiritual.
Purport
SIGNIFICADO—Explica-se no verso anterior que devemos tratar todas as entidades vivas com tolerância, misericórdia, amizade e equanimidade. Com tal comportamento, satisfazemos a Suprema Personalidade de Deus, e, com a satisfação dEle, o devoto livra-se imediatamente de todas as condições materiais. O Senhor também confirma isso na Bhagavad-gītā: “Qualquer pessoa que se ocupe sincera e seriamente em Meu serviço situa-se de imediato na fase transcendental, em que pode gozar de ilimitada bem-aventurança espiritual.” Todos neste mundo material lutam arduamente para obter uma vida bem-aventurada. Infelizmente, as pessoas não sabem como alcançá-la. Os ateístas não acreditam em Deus, e certamente não O satisfazem. Aqui se diz claramente que, ao satisfazermos a Suprema Personalidade de Deus, imediatamente atingimos a plataforma espiritual e gozamos de uma vida de ilimitada bem-aventurança. Livrar-se da existência material significa livrar-se da influência da natureza material.
A palavra samprasanne, que é usada neste verso, significa “estando satisfeito”. Cada um deve agir de tal maneira que o Senhor fique satisfeito com suas atividades: não é que a própria pessoa deva se satisfazer. Evidentemente, quando o Senhor fica satisfeito, o devoto automaticamente fica satisfeito. Esse é o segredo do processo de bhakti-yoga. Fora de bhakti-yoga, todos estão buscando a satisfação pessoal. Ninguém procura satisfazer o Senhor. Os karmīs procuram satisfazer seus sentidos de forma grosseira, mas mesmo aqueles que se elevam à plataforma de conhecimento também procuram satisfazer-se, de forma sutil. Os karmīs tentam satisfazer-se através do gozo dos sentidos, e os jñānīs tentam satisfazer-se através de atividades sutis ou de especulação mental e julgando-se Deus. Os yogīs também tentam satisfazer-se, pensando que podem alcançar diferentes perfeições místicas. Os devotos, porém, são os únicos que procuram satisfazer a Suprema Personalidade de Deus. O processo de autorrealização dos devotos é inteiramente diferente do processo dos karmīs, jnānīs e yogīs. Todos os demais estão buscando a satisfação pessoal, ao passo que o devoto tenta unicamente satisfazer o Senhor. O processo devocional é inteiramente diferente dos outros: trabalhando para satisfazer o Senhor por ocupar seus sentidos no serviço amoroso ao Senhor, o devoto situa-se imediatamente na plataforma transcendental, e goza de uma vida de ilimitada bem-aventurança.
Devanagari
भूतै: पञ्चभिरारब्धैर्योषित्पुरुष एव हि ।
तयोर्व्यवायात्सम्भूतिर्योषित्पुरुषयोरिह ॥ १५ ॥
तयोर्व्यवायात्सम्भूतिर्योषित्पुरुषयोरिह ॥ १५ ॥
Verse text
bhūtaiḥ pañcabhir ārabdhair
yoṣit puruṣa eva hi
tayor vyavāyāt sambhūtir
yoṣit-puruṣayor iha
yoṣit puruṣa eva hi
tayor vyavāyāt sambhūtir
yoṣit-puruṣayor iha
Synonyms
bhūtaiḥ — pelos elementos materiais; pañcabhiḥ — cinco; ārabdhaiḥ — desenvolvido; yoṣit — mulher; puruṣaḥ — homem; eva — de modo que; hi — certamente; tayoḥ — deles; vyavāyāt — pela vida sexual; sambhūtiḥ — a criação posterior; yoṣit — de mulheres; puruṣayoḥ — e de homens; iha — neste mundo material.
Translation
A criação do mundo material começa com os cinco elementos, de modo que tudo, inclusive o corpo de um homem ou de uma mulher, é criado a partir desses elementos. Através da vida sexual entre homem e mulher, o número de homens e mulheres neste mundo material aumenta cada vez mais.
Purport
SIGNIFICADO—Quando Svāyambhuva Manu viu que Dhruva Mahārāja entendia a filosofia do vaiṣṇavismo e, ao mesmo tempo, estava insatisfeito devido à morte de seu irmão, Svāyambhuva Manu colocou-se a explicar-lhe como este corpo material é criado a partir dos cinco elementos da natureza material. Confirma-se isso também na Bhagavad-gītā, prakṛteḥ kriyamāṇāni: tudo é criado, mantido e aniquilado pelos modos da natureza material. Por trás de tudo, é claro, está a orientação da Suprema Personalidade de Deus. Isso também é confirmado na Bhagavad-gītā (mayādhyakṣeṇa). No nono capítulo, Kṛṣṇa diz: “É sob Minha superintendência que a natureza material está agindo.” Svāyambhuva Manu queria convencer Dhruva Mahārāja de que a morte do corpo material de seu irmão não era realmente culpa dos Yakṣas: era um ato da natureza material. A Suprema Personalidade de Deus tem imensas variedades de potências, que atuam de diferentes maneiras grosseiras e sutis.
É por essas poderosas potências que o universo é criado, embora, grosseiramente, ele não pareça ser nada mais do que os cinco elementos – terra, água, fogo, ar e éter. De modo semelhante, os corpos de todas as espécies de entidades vivas, sejam seres humanos ou semideuses, quadrúpedes ou pássaros, também são criados com os mesmos cinco elementos, e, através da união sexual, eles se expandem em mais e mais entidades vivas. Esse é o processo de criação, manutenção e aniquilação. Não devemos nos deixar perturbar pelas ondas da natureza material neste processo. Dhruva Mahārāja foi aconselhado indiretamente a não ficar aflito pela morte de seu irmão, porque nossa relação com o corpo é inteiramente material. O verdadeiro eu, a alma espiritual, jamais é aniquilado ou pode ser morto por alguém.
Devanagari
एवं प्रवर्तते सर्ग: स्थिति: संयम एव च ।
गुणव्यतिकराद्राजन्मायया परमात्मन: ॥ १६ ॥
गुणव्यतिकराद्राजन्मायया परमात्मन: ॥ १६ ॥
Verse text
evaṁ pravartate sargaḥ
sthitiḥ saṁyama eva ca
guṇa-vyatikarād rājan
māyayā paramātmanaḥ
sthitiḥ saṁyama eva ca
guṇa-vyatikarād rājan
māyayā paramātmanaḥ
Synonyms
Translation
Manu continuou: Meu querido rei Dhruva, é simplesmente pela energia material ilusória da Suprema Personalidade de Deus e pela interação dos três modos da natureza material que ocorrem a criação, a manutenção e a aniquilação.
Purport
SIGNIFICADO—Primeiramente, a criação acontece com os ingredientes dos cinco elementos da natureza material. Depois, através da interação dos modos da natureza material, ocorre a manutenção também. Quando nasce uma criança, os pais imediatamente zelam por sua manutenção. Essa tendência à manutenção da progênie está presente, não somente na sociedade humana, mas também na sociedade animal. Mesmo os tigres cuidam de seus filhotes, embora a propensão deles seja a de comer outros animais. Através da interação dos modos da natureza material, a criação, a manutenção e também a aniquilação ocorrem inevitavelmente. Porém, ao mesmo tempo, devemos saber que tudo isso é conduzido sob a superintendência da Suprema Personalidade de Deus. Tudo está acontecendo como parte deste processo. A criação é a ação de rajo-guṇa, o modo da paixão; a manutenção é a ação de sattva-guṇa, o modo da bondade, e a aniquilação é a ação de tamo-guṇa, o modo da ignorância. Podemos ver que aqueles que estão situados no modo da bondade vivem mais do que os situados em tamo-guṇa ou rajo-guṇa. Em outras palavras, se alguém se eleva ao modo da bondade, eleva-se a um sistema planetário superior, onde a duração de vida é muito grande. Ūrdhvaṁ gacchanti sattva-sthāh: grandes ṛṣis, sábios e sannyāsīs que se mantêm em sattva-guṇa, ou no modo da bondade material, são elevados a um sistema planetário superior. Aqueles que são transcendentais inclusive aos modos materiais da natureza estão situados no modo da bondade pura; eles obtêm vida eterna no mundo espiritual.
Devanagari
निमित्तमात्रं तत्रासीन्निर्गुण: पुरुषर्षभ: ।
व्यक्ताव्यक्तमिदं विश्वं यत्र भ्रमति लोहवत् ॥ १७ ॥
व्यक्ताव्यक्तमिदं विश्वं यत्र भ्रमति लोहवत् ॥ १७ ॥
Verse text
nimitta-mātraṁ tatrāsīn
nirguṇaḥ puruṣarṣabhaḥ
vyaktāvyaktam idaṁ viśvaṁ
yatra bhramati lohavat
nirguṇaḥ puruṣarṣabhaḥ
vyaktāvyaktam idaṁ viśvaṁ
yatra bhramati lohavat
Synonyms
Translation
Meu querido Dhruva, a Suprema Personalidade de Deus não é contaminada pelos modos da natureza material. Ele é a causa remota da criação desta manifestação cósmica material. Quando Ele proporciona o ímpeto, muitas outras causas e efeitos se produzem, e, dessa maneira, todo o universo se move, assim como a força integrada de um ímã faz o ferro se mover.
Purport
SIGNIFICADO—Neste verso, explica-se como a energia externa da Suprema Personalidade de Deus atua dentro deste mundo material. Tudo acontece por intermédio da energia do Senhor Supremo. Os filósofos ateus, que não concordam em aceitar a Suprema Personalidade de Deus como a causa original da criação, pensam que o mundo material se move pela ação e reação de diferentes elementos materiais. Um simples exemplo da interação de elementos ocorre quando misturamos soda e ácido e se produz o movimento de efervescência. Porém, não se pode produzir vida através de semelhante interação de substâncias químicas. Existem 8.400.000 diferentes espécies de vida, com diferentes desejos e diferentes ações. Não é válida a explicação de que a força material está atuando simplesmente com base na reação química. Um exemplo adequado a esse respeito é o do oleiro e do torno do oleiro. O torno do oleiro gira, e muitas variedades de potes de barro surgem. Há muitas causas para os potes de barro, mas a causa original é o oleiro, que imprime certa força ao torno. Essa força surge por superintendência dele. A mesma ideia se explica na Bhagavad-gītā – por trás de todas as ações e reações materiais, está Kṛṣṇa, a Suprema Personalidade de Deus. Kṛṣṇa diz que tudo depende de Sua energia, mas Ele não está em toda parte. O pote é produzido sob determinadas condições de ação e reação da energia material, mas o oleiro não está no pote. De modo semelhante, a criação material é provocada pelo Senhor, mas Ele permanece à parte. Como se afirma nos Vedas, Ele simplesmente lançou um olhar sobre ela e a agitação da matéria começou de imediato.
Na Bhagavad-gītā, também se diz que o Senhor fecunda a energia material com as jīvas, partes integrantes, e assim as diferentes formas e diferentes atividades sucedem-se imediatamente. Devido aos diversos desejos e atividades cármicas da alma jīva, diversas classes de corpos em diferentes espécies são produzidas. Na teoria de Darwin, não se aceita que a entidade viva é uma alma espiritual, daí sua explicação da evolução ser incompleta. As variedades de fenômenos ocorrem dentro deste universo por causa das ações e reações dos três modos materiais, mas o criador, ou a causa original, é a Suprema Personalidade de Deus, que é mencionada aqui como nimitta-mātram, a causa remota. Ele simplesmente empurra o torno com Sua energia. Segundo os filósofos māyāvādīs, o Brahman Supremo transforma-Se em muitas variedades de formas, mas isso não é verdade. Ele é sempre transcendental às ações e reações dos guṇas materiais, embora seja a causa de todas as causas. O senhor Brahmā diz, portanto, na Brahma-saṁhitā (5.1):
īśvaraḥ paramaḥ kṛṣṇaḥ
sac-cid-ānanda-vigrahaḥ
anādir ādir govindaḥ
sarva-kāraṇa-kāraṇam
sac-cid-ānanda-vigrahaḥ
anādir ādir govindaḥ
sarva-kāraṇa-kāraṇam
Existem muitas causas e efeitos, mas a causa original é Śrī Kṛṣṇa.
Devanagari
स खल्विदं भगवान् कालशक्त्या
गुणप्रवाहेण विभक्तवीर्य: ।
करोत्यकर्तैव निहन्त्यहन्ता
चेष्टा विभूम्न: खलु दुर्विभाव्या ॥ १८ ॥
गुणप्रवाहेण विभक्तवीर्य: ।
करोत्यकर्तैव निहन्त्यहन्ता
चेष्टा विभूम्न: खलु दुर्विभाव्या ॥ १८ ॥
Verse text
sa khalv idaṁ bhagavān kāla-śaktyā
guṇa-pravāheṇa vibhakta-vīryaḥ
karoty akartaiva nihanty ahantā
ceṣṭā vibhūmnaḥ khalu durvibhāvyā
guṇa-pravāheṇa vibhakta-vīryaḥ
karoty akartaiva nihanty ahantā
ceṣṭā vibhūmnaḥ khalu durvibhāvyā
Synonyms
saḥ — o; khalu — contudo; idam — este (universo); bhagavān — a Personalidade de Deus; kāla — do tempo; śaktyā — pela força; guṇa-pravāheṇa — pela interação dos modos da natureza; vibhakta — divididas; vīryaḥ — (cujas) potências; karoti — atua sobre; akartā — o não-executante; eva — embora; nihanti — mate; ahantā — não-matador; ceṣṭā — a energia; vibhūmnaḥ — do Senhor; khalu — certamente; durvibhāvyā — inconcebível.
Translation
A Suprema Personalidade de Deus, por meio de Sua inconcebível energia suprema, o tempo, provoca a interação dos três modos da natureza material e, dessa forma, variedades de energia se manifestam. Parece que Ele age, mas Ele não é o agente. Ele mata, mas não é o matador. Assim, compreende-se que é somente por Seu poder inconcebível que tudo acontece.
Purport
SIGNIFICADO—A palavra durvibhāvyā significa “não concebível por nosso cérebro minúsculo”, e vibhakta-vīryaḥ significa “divididas em variedades de potências”. Essa é a explicação correta para a manifestação de energias criativas no mundo material. Podemos melhor entender a misericórdia do Senhor através de um exemplo: um governo estatal sempre deve ser misericordioso, mas às vezes, para manter a lei e a ordem, o governo emprega sua força policial e, assim, impõe castigo aos cidadãos rebeldes. Do mesmo modo, a Suprema Personalidade de Deus é sempre misericordiosa e plena de qualidades transcendentais, mas determinadas almas individuais esqueceram-se de sua relação com Kṛṣṇa e se esforçam por assenhorear-se da natureza material. Como resultado de seu esforço, elas se envolvem com variedades de interação material. É correto argumentar, contudo, que, como a energia surge da Suprema Personalidade de Deus, Ele é o executor. No verso anterior, a expressão nimitta-mātram indica que o Senhor Supremo está completamente à parte da ação e reação deste mundo material. Como tudo está sendo feito? A esse respeito, tem-se usado a palavra “inconcebível”. A compreensão disso não está dentro do poder do pequeno cérebro de ninguém; a menos que aceitemos o poder e a energia inconcebíveis do Senhor, não podemos fazer progresso algum. As forças que atuam são decerto estabelecidas pela Suprema Personalidade de Deus, mas Ele está sempre à parte das ações e reações delas. As variedades de energia produzidas pela interação da natureza material produzem as variedades de espécies de vida e sua felicidade e infelicidade resultantes.
No Viṣṇu Purāṇa, explica-se muito bem como o Senhor age: o fogo está situado em um determinado lugar, ao passo que o calor e a luz produzidos pelo fogo agem de muitas maneiras diversas. Outro exemplo dado é que a central elétrica está situada em um lugar só, mas, através de suas energias, vários tipos de maquinarias se movem. A produção jamais é idêntica à fonte original de energia, mas a fonte original de energia, sendo o fator primário, é simultaneamente igual ao produto e diferente dele. Portanto, a filosofia do Senhor Caitanya, acintya-bhedābheda-tattva, é a maneira perfeita de entendimento. Neste mundo material, o Senhor encarna em três formas – como Brahmā, Viṣṇu e Śiva –, através das quais Ele Se encarrega dos três modos da natureza material. Através de Sua encarnação como Brahmā, Ele cria; na encarnação de Viṣṇu, Ele mantém, e, através de Sua encarnação como Śiva, Ele também aniquila. Porém, a fonte original de Brahmā, Viṣṇu e Śiva – Garbhodakaśāyī Viṣṇu – está sempre à parte dessas ações e reações da natureza material.
Devanagari
सोऽनन्तोऽन्तकर: कालोऽनादिरादिकृदव्यय: ।
जनं जनेन जनयन्मारयन्मृत्युनान्तकम् ॥ १९ ॥
जनं जनेन जनयन्मारयन्मृत्युनान्तकम् ॥ १९ ॥
Verse text
so ’nanto ’nta-karaḥ kālo
’nādir ādi-kṛd avyayaḥ
janaṁ janena janayan
mārayan mṛtyunāntakam
’nādir ādi-kṛd avyayaḥ
janaṁ janena janayan
mārayan mṛtyunāntakam
Synonyms
Translation
Meu querido Dhruva, a Suprema Personalidade de Deus existe eternamente, mas, sob a forma do tempo, Ele é o matador de tudo. Ele não tem começo, embora seja o começo de tudo, tampouco Ele Se esgota em algum momento, embora tudo se esgote no devido curso do tempo. As entidades vivas são criadas por intermédio do pai e mortas por intermédio da morte, mas Ele está perpetuamente livre do nascimento e da morte.
Purport
SIGNIFICADO—A autoridade suprema e o poder inconcebível da Suprema Personalidade de Deus podem ser minuciosamente estudados a partir deste verso. Ele sempre é ilimitado. Isso significa que Ele não é criado nem tem fim. Ele é, entretanto, a morte (sob a forma do tempo), como se descreve na Bhagavad-gītā. Kṛṣṇa diz: “Eu sou a morte. No fim da vida de alguém, Eu lhe tiro tudo.” O tempo eterno também não tem começo, mas é o criador de todas as criaturas. Dá-se o exemplo da pedra filosofal, que cria muitas pedras preciosas e joias, mas não decresce em poder. De modo semelhante, a criação ocorre muitas vezes, tudo é mantido e, após certo tempo, tudo é aniquilado – mas o criador original, o Senhor Supremo, permanece intacto e não tem Seu poder diminuído. A criação secundária é feita por Brahmā, mas Brahmā é criado pela Divindade Suprema. O senhor Śiva aniquila toda a criação, mas, no fim, ele também é aniquilado por Viṣṇu. O Senhor Viṣṇu permanece. Nos hinos védicos, afirma-se que, no início, existe apenas Viṣṇu e que somente Ele permanece no final.
Um exemplo pode ajudar-nos a entender a potência inconcebível do Senhor Supremo. Na recente história da guerra, a Suprema Personalidade de Deus criou um Hitler e, antes disso, um Napoleão Bonaparte, cada um dos quais matou muitas entidades vivas na guerra. No fim, entretanto, Bonaparte e Hitler também foram mortos. Ainda hoje, as pessoas estão muito interessadas em escrever e ler livros sobre Hitler e Bonaparte e sobre como eles mataram muitas pessoas na guerra. Ano após ano, publicam-se muitos livros para o público ler sobre como Hitler matou milhares de judeus nos campos de concentração. Mas ninguém realiza investigações sobre quem matou Hitler e quem criou tão gigantesco matador de seres humanos. Os devotos do Senhor não estão muito interessados no estudo da transitória história do mundo. Eles estão interessados somente nEle, que é o criador, mantenedor e aniquilador original. Esse é o propósito do movimento para a consciência de Kṛṣṇa.
Devanagari
न वै स्वपक्षोऽस्य विपक्ष एव वा
परस्य मृत्योर्विशत: समं प्रजा: ।
तं धावमानमनुधावन्त्यनीशा
यथा रजांस्यनिलं भूतसङ्घा: ॥ २० ॥
परस्य मृत्योर्विशत: समं प्रजा: ।
तं धावमानमनुधावन्त्यनीशा
यथा रजांस्यनिलं भूतसङ्घा: ॥ २० ॥
Verse text
na vai sva-pakṣo ’sya vipakṣa eva vā
parasya mṛtyor viśataḥ samaṁ prajāḥ
taṁ dhāvamānam anudhāvanty anīśā
yathā rajāṁsy anilaṁ bhūta-saṅghāḥ
parasya mṛtyor viśataḥ samaṁ prajāḥ
taṁ dhāvamānam anudhāvanty anīśā
yathā rajāṁsy anilaṁ bhūta-saṅghāḥ
Synonyms
na — não; vai — entretanto; sva-pakṣaḥ — aliado; asya — da Suprema Personalidade de Deus; vipakṣaḥ — inimigo; eva — certamente; vā — ou; parasya — do Supremo; mṛtyoḥ — sob a forma do tempo; viśataḥ — entrando; samam — igualmente; prajāḥ — entidades vivas; tam — a Ele; dhāvamānam — movendo; anudhāvanti — seguem; anīśāḥ — entidades vivas dependentes; yathā — assim como; rajāṁsi — partículas de poeira; anilam — o vento; bhūta-saṅghāḥ — outros elementos materiais.
Translation
A Suprema Personalidade de Deus, sob Seu aspecto do tempo eterno, está presente no mundo material e é neutro em relação a todos. Ninguém é Seu aliado, e ninguém é Seu inimigo. Dentro da jurisdição do elemento tempo, todos desfrutam ou sofrem o resultado de seu próprio karma, ou atividades fruitivas. Assim como, quando o vento sopra, pequenas partículas de poeira voam no ar, do mesmo modo, segundo nosso karma específico, sofremos ou gozamos da vida material.
Purport
SIGNIFICADO—Embora a Suprema Personalidade de Deus seja a causa original de todas as causas, Ele não é responsável pelos sofrimentos ou gozos materiais de ninguém. Não existe tal parcialidade da parte do Senhor Supremo. Os menos inteligentes acusam o Senhor Supremo de ser parcial e proclamam que esse é o motivo pelo qual uma pessoa desfruta neste mundo material e outra sofre. Mas esse verso diz especificamente que não existe tal parcialidade da parte do Senhor Supremo. As entidades vivas, entretanto, nunca são independentes. Logo que declaram sua independência do controlador supremo, elas são imediatamente postas neste mundo material para tentar a sorte livremente, na medida do possível. Quando o mundo material é criado para tais entidades vivas desorientadas, elas criam seu próprio karma, atividades fruitivas, e se aproveitam do elemento tempo, criando, desse modo, sua própria fortuna ou infortúnio. Todos são criados, todos são mantidos e todos são mortos por fim. Quanto a essas três coisas, o Senhor é igual para com todos; é de acordo com nosso karma que sofremos e desfrutamos. A posição superior ou inferior da entidade viva, seu sofrimento e desfrute, devem-se a seu próprio karma. A palavra exata usada a esse respeito é anīśāḥ, que significa “dependente de seu próprio karma”. É costume dar-se o exemplo de que o governo oferece a todos as oportunidades para ação e administração governamental, porém, por nossa própria escolha, criamos uma situação que nos obriga a existir sob diferentes tipos de consciência. O exemplo dado neste verso é que, ao soprar, o vento faz partículas de poeira flutuarem no ar. Ocasionalmente ocorre o relâmpago e, depois, seguem-se torrentes de chuva, e assim a estação chuvosa cria uma situação de variedades na floresta. Deus é muito bondoso – Ele dá a todos a mesma oportunidade –, mas, pelas ações resultantes de nosso próprio karma, sofremos ou gozamos deste mundo material.
Devanagari
आयुषोऽपचयं जन्तोस्तथैवोपचयं विभु: ।
उभाभ्यां रहित: स्वस्थो दु:स्थस्य विदधात्यसौ ॥ २१ ॥
उभाभ्यां रहित: स्वस्थो दु:स्थस्य विदधात्यसौ ॥ २१ ॥
Verse text
āyuṣo ’pacayaṁ jantos
tathaivopacayaṁ vibhuḥ
ubhābhyāṁ rahitaḥ sva-stho
duḥsthasya vidadhāty asau
tathaivopacayaṁ vibhuḥ
ubhābhyāṁ rahitaḥ sva-stho
duḥsthasya vidadhāty asau
Synonyms
āyuṣaḥ — da duração de vida; apacayam — diminuição; jantoḥ — das entidades vivas; tathā — de modo semelhante; eva — também; upacayam — aumento; vibhuḥ — a Suprema Personalidade de Deus; ubhābhyām — de ambas; rahitaḥ — livre; sva-sthaḥ — sempre situado em Sua posição transcendental; duḥsthasya — das entidades vivas sob as leis do karma; vidadhāti — concede; asau — Ele.
Translation
A Suprema Personalidade de Deus, Viṣṇu, é todo-poderosa, e concede os resultados de nossas atividades fruitivas. Assim, embora a duração de vida de uma entidade viva seja muito pequena, ao passo que a de outra é muito grande, Ele sempre está em Sua posição transcendental, e não há possibilidade de Sua duração de vida diminuir ou aumentar.
Purport
SIGNIFICADO—Tanto o mosquito quanto o senhor Brahmā são entidades vivas no mundo material; ambos são centelhas diminutas e partes do Senhor Supremo. Tanto a curtíssima duração de vida do mosquito quanto a descomunal vida do senhor Brahmā são concedidas pela Suprema Personalidade de Deus de acordo com os resultados do karma deles. Na Brahma-saṁhitā, no entanto, encontramos esta afirmação, karmāṇi nirdahati: o Senhor diminui ou extingue as reações dos devotos. O mesmo fato é explicado na Bhagavad-gītā. Yajñārthāt karmaṇo ’nyatra: devemos executar o karma somente com o propósito de satisfazer o Senhor Supremo, ou ficaremos presos pelas ações e reações do karma. Sob as leis do karma, uma entidade viva vagueia dentro do universo sob a regência do tempo eterno, e ora se torna um mosquito, ora se torna o senhor Brahmā. Para um homem sensato, isso não é muito frutífero. A Bhagavad-gītā (9.25) adverte às entidades vivas, yānti deva-vratā devān: aqueles que são propensos a adorar os semideuses vão para os planetas dos semideuses, e aqueles que são propensos a adorar os Pitās, antepassados, vão aos Pitās. Aqueles que são inclinados a atividades materiais permanecem na esfera material. Porém, quem se ocupa em serviço devocional alcança a morada da Suprema Personalidade de Deus, onde não há nem nascimento nem morte, nem diversas variedades de vida sob a influência da lei do karma. O principal interesse da entidade viva é ocupar-se em serviço devocional e voltar ao lar, voltar ao Supremo. Śrīla Bhaktivinoda Ṭhākura aconselhava: “Meu amigo, estás sendo arrastado pelas ondas do tempo da natureza material. Por favor, procura entender que és um servo eterno do Senhor. Então, tudo terminará, e serás eternamente feliz.”
Devanagari
केचित्कर्म वदन्त्येनं स्वभावमपरे नृप ।
एके कालं परे दैवं पुंस: काममुतापरे ॥ २२ ॥
एके कालं परे दैवं पुंस: काममुतापरे ॥ २२ ॥
Verse text
kecit karma vadanty enaṁ
svabhāvam apare nṛpa
eke kālaṁ pare daivaṁ
puṁsaḥ kāmam utāpare
svabhāvam apare nṛpa
eke kālaṁ pare daivaṁ
puṁsaḥ kāmam utāpare
Synonyms
Translation
A distinção entre variedades de vida e suas condições de sofrimento e prazer são explicadas por alguns como sendo resultado do karma. Outros dizem que se devem à natureza, outros ao tempo, outros ao destino, e ainda outros dizem que tudo se deve ao desejo.
Purport
SIGNIFICADO—Existem diversas classes de filósofos – mīmāṁsakas, ateístas, astrônomos, sexólogos e tantas outras classificações de especuladores mentais. A verdadeira conclusão é que é apenas o nosso trabalho que nos prende a este mundo material em diferentes variedades de vida. Nos Vedas, explica-se como essas variedades surgiram: elas se devem ao desejo da entidade viva. A entidade viva não é uma pedra morta; ela tem diferentes variedades de desejos, ou kāma. Os Vedas dizem: kāmo ’karṣīt. As entidades vivas são originalmente partes do Senhor, como centelhas de um fogo, mas caíram neste mundo material, atraídas por um desejo de se assenhorearem da natureza. Isso é um fato. Toda entidade viva está se esforçando para assenhorear-se o máximo que pode dos recursos materiais.
Esse kāma, ou desejo, não pode ser aniquilado. Certos filósofos dizem que, se alguém renuncia a seus desejos, novamente se libera. Mas não é absolutamente possível renunciar aos desejos, pois o desejo é um sintoma da entidade viva. Se não houvesse desejos, a entidade viva seria uma pedra morta. Śrīla Narottama Dāsa Ṭhākura, portanto, aconselha que voltemos nosso desejo para o serviço à Suprema Personalidade de Deus. Dessa maneira, os desejos se purificarão. E, quando nossos desejos se purificam, nós nos libertamos de toda a contaminação material. A conclusão é que as teorias dos diferentes filósofos para explicar as variedades de vida e suas dores e prazeres são todas imperfeitas. A verdadeira explicação é que somos servos eternos de Deus e que, tão logo nos esquecemos dessa relação, somos atirados no mundo material, onde criamos nossas diferentes atividades e sofremos ou gozamos de seus resultados. Somos atirados neste mundo material pelo desejo, mas o mesmo desejo deve ser purificado e empregado no serviço devocional ao Senhor. Somente então eliminaremos nossa doença de vaguear pelo universo sob diferentes formas e condições.
Devanagari
अव्यक्तस्याप्रमेयस्य नानाशक्त्युदयस्य च ।
न वै चिकीर्षितं तात को वेदाथ स्वसम्भवम् ॥ २३ ॥
न वै चिकीर्षितं तात को वेदाथ स्वसम्भवम् ॥ २३ ॥
Verse text
avyaktasyāprameyasya
nānā-śakty-udayasya ca
na vai cikīrṣitaṁ tāta
ko vedātha sva-sambhavam
nānā-śakty-udayasya ca
na vai cikīrṣitaṁ tāta
ko vedātha sva-sambhavam
Synonyms
avyaktasya — do imanifesto; aprameyasya — da Transcendência; nānā — várias; śakti — energias; udayasya — dEle que dá origem a; ca — também; na — jamais; vai — certamente; cikīrṣitam — o plano; tāta — meu querido filho; kaḥ — quem; veda — pode conhecer; atha — portanto; sva — própria; sambhavam — origem.
Translation
A Verdade Absoluta, a Transcendência, jamais Se sujeita ao entendimento do esforço sensório imperfeito, tampouco Se sujeita à experiência direta. Ele é o senhor de variedades de energias, como a energia material plena, e ninguém pode entender Seus planos e ações; portanto, deve-se concluir que, embora Ele seja a causa original de todas as causas, ninguém pode conhecê-lO através da especulação mental.
Purport
SIGNIFICADO—Pode-se levantar esta questão: “Uma vez que há tantas variedades de filósofos teorizando de diferentes maneiras, qual deles está correto?” A resposta é que a Verdade Absoluta, a Transcendência, jamais está sujeita à experiência direta ou à especulação mental. O especulador mental pode ser chamado de Doutor Sapo. Conta-se a história de um sapo em um poço de um metro de profundidade que queria calcular as dimensões do Oceano Atlântico com base no conhecimento de seu próprio poço. Porém, essa tarefa era impossível para o Doutor Sapo. Pode ser que alguém seja um grande acadêmico, intelectual ou professor, mas não adianta ele especular para entender a Verdade Absoluta, pois seus sentidos são limitados. A causa de todas as causas, a Verdade Absoluta, pode ser conhecida através da própria Verdade Absoluta, e não através de nosso processo de abordagem ascendente. Quando o Sol não é visível à noite ou quando está coberto por uma nuvem de dia, não é possível deixá-lo descoberto, seja através da força física ou mental, seja através de instrumentos científicos, muito embora o Sol esteja no céu. Ninguém pode dizer que descobriu um holofote tão poderoso que, se alguém subir a um telhado e o focalizar em direção ao céu noturno, poderá fazer com que o Sol seja visto. Semelhante holofote não existe, nem é possível.
Neste verso, a palavra avyakta, “imanifesto”, indica que nenhum esforço de suposto avanço científico de conhecimento pode manifestar a Verdade Absoluta. A Transcendência não é objeto de experiência direta. Pode-se conhecer a Verdade Absoluta da mesma maneira que se pode conhecer o Sol coberto por uma nuvem ou coberto pela noite, pois, quando o Sol nasce de manhã, por sua própria conta, então todos podem vê-lo, todos podem ver o mundo e todos podem ver-se a si mesmos. Essa compreensão da autorrealização chama-se ātma-tattva. Contudo, a menos que cheguemos a entender ātma-tattva, permaneceremos na escuridão em que nascemos. Sendo assim, ninguém pode entender o plano da Suprema Personalidade de Deus. O Senhor está equipado com variedades de energias, como se afirma na literatura védica (parāsya śaktir vividhaiva śrūyate). Ele está equipado com a energia do tempo eterno. Ele não apenas possui a energia material que vemos e experimentamos, como também possui muitas energias de reserva, as quais pode manifestar no devido curso do tempo, quando necessário. O cientista material pode apenas estudar a compreensão parcial das variedades de energias; ele pode tomar uma das energias e tentar entendê-la com conhecimento limitado, mas, de qualquer modo, não é possível entender a Verdade Absoluta plenamente por meio da ciência material. Nenhum cientista material pode predizer o que acontecerá no futuro. O processo de bhakti-yoga, contudo, é inteiramente diferente do dito avanço científico de conhecimento. O devoto rende-se totalmente ao Supremo, que Se lhe revela por Sua misericórdia imotivada. Como se afirma na Bhagavad-gītā, dadāmi buddhi-yogaṁ tam. O Senhor diz: “Eu lhe dou a inteligência.” O que é essa inteligência? Yena mām upayānti te. O Senhor nos dá a inteligência para cruzar o oceano de necedade e voltar ao lar, voltar ao Supremo. Em conclusão, não se pode entender a causa de todas as causas, a Verdade Absoluta, ou o Brahman Supremo, por meio da especulação filosófica, mas Ele Se revela a Seu devoto porque o devoto rende-se plenamente a Seus pés de lótus. A Bhagavad-gītā deve ser aceita, portanto, como uma escritura revelada e proferida pela própria Verdade Absoluta quando veio a este planeta. Se qualquer pessoa inteligente quiser saber o que é Deus, deverá estudar esta literatura transcendental sob a orientação de um mestre espiritual fidedigno. Isso tornará muito fácil compreender Kṛṣṇa como Ele é.
Devanagari
न चैते पुत्रक भ्रातुर्हन्तारो धनदानुगा: । विसर्गादानयोस्तात पुंसो दैवं हि कारणम् ॥ २४ ॥
Verse text
na caite putraka bhrātur
hantāro dhanadānugāḥ
visargādānayos tāta
puṁso daivaṁ hi kāraṇam
hantāro dhanadānugāḥ
visargādānayos tāta
puṁso daivaṁ hi kāraṇam
Synonyms
na — nunca; ca — também; ete — todos esses; putraka — meu querido filho; bhrātuḥ — de teu irmão; hantāraḥ — matadores; dhanada — de Kuvera; anugāḥ — seguidores; visarga — do nascimento; ādānayoḥ — da morte; tāta — meu querido filho; puṁsaḥ — de uma entidade viva; daivam — o Supremo; hi — certamente; kāraṇam — a causa.
Translation
Meu querido filho, aqueles Yakṣas, que são descendentes de Kuvera, não são realmente os matadores de teu irmão; o nascimento e a morte de cada entidade viva são causados pelo Supremo, que é certamente a causa de todas as causas.
Devanagari
स एव विश्वं सृजति स एवावति हन्ति च ।
अथापि ह्यनहङ्कारान्नाज्यते गुणकर्मभि: ॥ २५ ॥
अथापि ह्यनहङ्कारान्नाज्यते गुणकर्मभि: ॥ २५ ॥
Verse text
sa eva viśvaṁ sṛjati
sa evāvati hanti ca
athāpi hy anahaṅkārān
nājyate guṇa-karmabhiḥ
sa evāvati hanti ca
athāpi hy anahaṅkārān
nājyate guṇa-karmabhiḥ
Synonyms
saḥ — Ele; eva — certamente; viśvam — o universo; sṛjati — cria; saḥ — Ele; eva — certamente; avati — mantém; hanti — aniquila; ca — também; atha api — além disso; hi — certamente; anahaṅkārāt — de ser sem ego; na — não; ajyate — Se enreda; guṇa — pelos modos da natureza material; karmabhiḥ — pelas atividades.
Translation
A Suprema Personalidade de Deus cria este mundo material, o mantém e o aniquila no devido curso do tempo, mas, como Ele é transcendental a essas atividades, nunca é afetado pelo ego em tal ação ou pelos modos da natureza material.
Purport
SIGNIFICADO—Neste verso, a palavra anahaṅkāra significa “sem ego”. A alma condicionada tem um ego falso e, como resultado de seu karma, obtém diferentes tipos de corpos neste mundo material. Às vezes, ela obtém o corpo de um semideus, e passa a pensar que esse corpo é sua identidade. De modo semelhante, ao obter um corpo de cão, ela identifica seu eu com esse corpo de cão. Porém, para a Suprema Personalidade de Deus, não há semelhante distinção entre o corpo e a alma. A Bhagavad-gītā, portanto, declara que qualquer pessoa que considere Kṛṣṇa um ser humano comum desconhece Sua natureza transcendental e é um grande tolo. O Senhor diz que na māṁ karmāṇi limpanti: nada que Ele faça O afeta, visto que Ele nunca é contaminado pelos modos da natureza material. O fato de termos um corpo material prova que estamos infectados pelos três modos da natureza material. O Senhor diz a Arjuna: “Tu e Eu tivemos muitíssimos nascimentos antes, mas Eu Me lembro de todos, ao passo que tu não te lembras.” Eis a diferença entre a entidade viva, ou alma condicionada, e a Alma Suprema. A Superalma, a Suprema Personalidade de Deus, não tem um corpo material, e, como não tem um corpo material, nenhum trabalho que execute afeta Sua pessoa. Há muitos filósofos māyāvādīs que consideram que o corpo de Kṛṣṇa é o efeito de uma concentração do modo material da bondade, e distinguem a alma de Kṛṣṇa do corpo de Kṛṣṇa. A situação real, entretanto, é que o corpo da alma condicionada, mesmo que tenha grande acúmulo de bondade material, é material, ao passo que o corpo de Kṛṣṇa jamais é material: ele é transcendental. Kṛṣṇa não tem um ego falso, pois Ele não Se identifica com o corpo falso e temporário. Seu corpo é sempre eterno; Ele desce a este mundo em Seu corpo espiritual original. Explica-se isso na Bhagavad-gītā como paraṁ bhāvam. As palavras paraṁ bhāvaṁ e divyam são especialmente significativas na compreensão da personalidade de Kṛṣṇa.
Devanagari
एष भूतानि भूतात्मा भूतेशो भूतभावन: ।
स्वशक्त्या मायया युक्त: सृजत्यत्ति च पाति च ॥ २६ ॥
स्वशक्त्या मायया युक्त: सृजत्यत्ति च पाति च ॥ २६ ॥
Verse text
eṣa bhūtāni bhūtātmā
bhūteśo bhūta-bhāvanaḥ
sva-śaktyā māyayā yuktaḥ
sṛjaty atti ca pāti ca
bhūteśo bhūta-bhāvanaḥ
sva-śaktyā māyayā yuktaḥ
sṛjaty atti ca pāti ca
Synonyms
eṣaḥ — esta; bhūtāni — todos os seres criados; bhūta-ātmā — a Superalma de todas as entidades vivas; bhūta-īśaḥ — o controlador de todos; bhūta-bhāvanaḥ — o mantenedor de todos; sva-śaktyā — por intermédio de Sua energia; māyayā — a energia externa; yuktaḥ — através de tal agente; sṛjati — cria; atti — aniquila; ca — e; pāti — mantém; ca — e.
Translation
A Suprema Personalidade de Deus é a Superalma de todas as entidades vivas. Ele é o controlador e mantenedor de todos; por intermédio de Sua energia externa, Ele cria, mantém e aniquila a todos.
Purport
SIGNIFICADO—Existem duas classes de energias no tocante à criação. O Senhor cria este mundo material através de Sua energia material externa, ao passo que o mundo espiritual é uma manifestação de Sua energia interna. Ele está sempre ligado à energia interna, mas está sempre à parte da energia material. Portanto, na Bhagavad-gītā (9.4), o Senhor diz que mat-sthāni sarva-bhūtāni na cāhaṁ teṣv avasthitaḥ: “Todas as entidades vivas dependem de Mim ou de Minha energia, mas Eu não estou em toda parte.” Ele está sempre pessoalmente situado no mundo espiritual. No mundo material, também, onde quer que o Senhor Supremo esteja pessoalmente presente, deve-se compreender que ali é o mundo espiritual. Por exemplo, o Senhor é adorado no templo pelos devotos puros. Logo, entende-se que o templo é o mundo espiritual.
Devanagari
तमेव मृत्युममृतं तात दैवं
सर्वात्मनोपेहि जगत्परायणम् ।
यस्मै बलिं विश्वसृजो हरन्ति
गावो यथा वै नसि दामयन्त्रिता: ॥ २७ ॥
सर्वात्मनोपेहि जगत्परायणम् ।
यस्मै बलिं विश्वसृजो हरन्ति
गावो यथा वै नसि दामयन्त्रिता: ॥ २७ ॥
Verse text
tam eva mṛtyum amṛtaṁ tāta daivaṁ
sarvātmanopehi jagat-parāyaṇam
yasmai baliṁ viśva-sṛjo haranti
gāvo yathā vai nasi dāma-yantritāḥ
sarvātmanopehi jagat-parāyaṇam
yasmai baliṁ viśva-sṛjo haranti
gāvo yathā vai nasi dāma-yantritāḥ
Synonyms
tam — a Ele; eva — certamente; mṛtyum — morte; amṛtam — imortalidade; tāta — meu querido filho; daivam — o Supremo; sarva-ātmanā — sob todos os aspectos; upehi — rende-te; jagat — do mundo; parāyaṇam — meta última; yasmai — a quem; balim — oferendas; viśva-sṛjaḥ — todos os semideuses como Brahmā; haranti — guardam; gāvaḥ — touros; yathā — como; vai — sem falta; nasi — no focinho; dāma — por uma corda; yantritāḥ — controlado.
Translation
Dhruva, Meu caro menino, por favor, rende-te à Suprema Personalidade de Deus, que é a meta última do progresso do mundo. Todos, incluindo os semideuses encabeçados pelo senhor Brahmā, trabalham sob Seu controle, assim como um touro, puxado por uma corda amarrada em seu focinho, é controlado por seu dono.
Purport
SIGNIFICADO—A doença material é declarar-se independente do controlador supremo. De fato, nossa existência material começa quando nos esquecemos do controlador supremo e desejamos assenhorear-nos da natureza material. No mundo material, todos esforçam-se ao máximo para tornarem-se o controlador supremo – individual, nacional, socialmente e de muitas outras maneiras. Svāyambhuva Manu, o avô de Dhruva Mahārāja, aconselhou-o a parar de lutar, pois estava preocupado com o fato de Dhruva ter desenvolvido uma ambição pessoal de lutar para aniquilar toda a raça dos Yakṣas. Neste verso, portanto, Svāyambhuva Manu procura erradicar a última mancha de falsa ambição em Dhruva, explicando a posição do controlador supremo. As palavras mṛtyum amṛtam, “morte e imortalidade”, são significativas. Na Bhagavad-gītā, o Senhor diz: “Eu sou a morte derradeira, que tira tudo dos demônios.” O interesse dos demônios é lutar continuamente pela vida como senhores da natureza material. Os demônios repetidamente encontram morte após morte e criam uma rede de envolvimento no mundo material. O Senhor é a morte para os demônios, mas, para os devotos, Ele é amṛta, vida eterna. Os devotos que prestam serviço contínuo ao Senhor já alcançaram a imortalidade, pois qualquer coisa que estejam fazendo nesta vida continuarão a fazer na próxima. Eles simplesmente trocarão seus corpos materiais por corpos espirituais. Ao contrário dos demônios, eles não precisam mais mudar para corpos materiais. O Senhor, portanto, é simultaneamente a morte e a imortalidade. Ele é a morte para os demônios e a imortalidade para os devotos. Ele é a meta última de todos por ser a causa de todas as causas. Dhruva Mahārāja foi aconselhado a render-se a Ele sob todos os aspectos, sem manter nenhuma ambição pessoal. Pode ser que se apresente o seguinte argumento: “Por que adoram os semideuses?” A resposta dada aqui é que os semideuses são adorados por homens menos inteligentes. Os semideuses, pessoalmente, aceitam sacrifícios para a satisfação última da Suprema Personalidade de Deus.
Devanagari
य: पञ्चवर्षो जननीं त्वं विहाय
मातु: सपत्न्या वचसा भिन्नमर्मा ।
वनं गतस्तपसा प्रत्यगक्ष-
माराध्य लेभे मूर्ध्नि पदं त्रिलोक्या: ॥ २८ ॥
मातु: सपत्न्या वचसा भिन्नमर्मा ।
वनं गतस्तपसा प्रत्यगक्ष-
माराध्य लेभे मूर्ध्नि पदं त्रिलोक्या: ॥ २८ ॥
Verse text
yaḥ pañca-varṣo jananīṁ tvaṁ vihāya
mātuḥ sapatnyā vacasā bhinna-marmā
vanaṁ gatas tapasā pratyag-akṣam
ārādhya lebhe mūrdhni padaṁ tri-lokyāḥ
mātuḥ sapatnyā vacasā bhinna-marmā
vanaṁ gatas tapasā pratyag-akṣam
ārādhya lebhe mūrdhni padaṁ tri-lokyāḥ
Synonyms
yaḥ — aquele que; pañca-varṣaḥ — cinco anos de idade; jananīm — mãe; tvam — tu; vihāya — deixando de lado; mātuḥ — da mãe; sa-patnyāḥ — da co-esposa; vacasā — pelas palavras; bhinna-marmā — com o coração aflito; vanam — para a floresta; gataḥ — foste; tapasā — mediante austeridades; pratyak-akṣam — o Senhor Supremo; ārādhya — adorando; lebhe — alcançaste; mūrdhni — no alto; padam — a posição; tri-lokyāḥ — dos três mundos.
Translation
Meu querido Dhruva, com apenas cinco anos de idade, foste muito dolorosamente afligido pelas palavras da co-esposa de tua mãe, e bem audaciosamente abandonaste a proteção de tua mãe e foste para a floresta a fim de te ocupares no processo ióguico de compreensão da Suprema Personalidade de Deus. Como resultado disso, já alcançaste a mais elevada posição em todos os três mundos.
Purport
SIGNIFICADO—Manu estava muito orgulhoso por ser Dhruva Mahārāja um dos descendentes de sua família, visto que, com apenas cinco anos de idade, Dhruva começara a meditar na Suprema Personalidade de Deus e, dentro de seis meses, fora capaz de ver o Senhor Supremo face a face. De fato, Dhruva Mahārāja é a glória da dinastia Manu, ou da família humana. A família humana começa com Manu. A palavra sânscrita para homem é manuṣya, que significa “descendente de Manu”. Dhruva Mahārāja é não apenas a glória da família de Svāyambhuva Manu, como também é a glória de toda a sociedade humana. Como Dhruva Mahārāja já se rendera à Divindade Suprema, foi especialmente solicitado a não fazer nada indigno da parte de uma alma rendida.
Devanagari
तमेनमङ्गात्मनि मुक्तविग्रहे
व्यपाश्रितं निर्गुणमेकमक्षरम् ।
आत्मानमन्विच्छ विमुक्तमात्मदृग्
यस्मिन्निदं भेदमसत्प्रतीयते ॥ २९ ॥
व्यपाश्रितं निर्गुणमेकमक्षरम् ।
आत्मानमन्विच्छ विमुक्तमात्मदृग्
यस्मिन्निदं भेदमसत्प्रतीयते ॥ २९ ॥
Verse text
tam enam aṅgātmani mukta-vigrahe
vyapāśritaṁ nirguṇam ekam akṣaram
ātmānam anviccha vimuktam ātma-dṛg
yasminn idaṁ bhedam asat pratīyate
vyapāśritaṁ nirguṇam ekam akṣaram
ātmānam anviccha vimuktam ātma-dṛg
yasminn idaṁ bhedam asat pratīyate
Synonyms
tam — a Ele; enam — este; aṅga — meu querido Dhruva; ātmani — na mente; mukta-vigrahe — livre da ira; vyapāśritam — situado; nirguṇam — transcendental; ekam — uno; akṣaram — o Brahman infalível; ātmānam — o eu; anviccha — tenta encontrar; vimuktam — não contaminado; ātma-dṛk — voltando-te para a Superalma; yasmin — em que; idam — esta; bhedam — distinção; asat — irreal; pratīyate — parece ser.
Translation
Meu querido Dhruva, portanto, por favor, volta tua atenção para a Pessoa Suprema, que é o Brahman infalível. Volta-te para a Suprema Personalidade de Deus em tua posição original, e assim, através da autorrealização, observarás que esta distinção material é meramente oscilante.
Purport
SIGNIFICADO—As entidades vivas têm três espécies de visão, de acordo com suas posições na autorrealização. Segundo o conceito corpóreo de vida, veem-se distinções em termos das variedades de corpos. A entidade viva, na verdade, passa por muitas variedades de formas materiais, mas, apesar de todas essas mudanças de corpo, ela é eterna. Portanto, quando as entidades vivas são encaradas sob o conceito corpóreo de vida, uma pessoa parece ser diferente da outra. O Senhor Manu queria mudar a visão de Dhruva Mahārāja, que considerava os Yakṣas diferentes dele, ou seja, seus inimigos. De fato, ninguém é amigo ou inimigo. Todos estão passando por diferentes espécies de corpos sob a lei do karma, mas, tão logo alguém se situe em sua identidade espiritual, não vê diferença em termos dessa lei. Em outras palavras, como se afirma na Bhagavad-gītā (18.54):
brahma-bhūtaḥ prasannātmā
na śocati na kāṅkṣati
samaḥ sarveṣu bhūteṣu
mad-bhaktiṁ labhate parām
na śocati na kāṅkṣati
samaḥ sarveṣu bhūteṣu
mad-bhaktiṁ labhate parām
Um devoto já liberado não vê distinção em termos do corpo externo: ele vê todas as entidades vivas como almas espirituais, servas eternas do Senhor. O senhor Manu aconselhou Dhruva Mahārāja a ter essa visão. Ele foi especificamente aconselhado a tê-la porque era um grande devoto e não deveria ter encarado outras entidades vivas com visão ordinária. Indiretamente, Manu chamou a atenção de Dhruva Mahārāja para o fato de que, devido à afeição material, Dhruva julgara seu irmão como seu parente e julgara os Yakṣas como seus inimigos. Semelhante percepção de distinção cede tão logo nos situemos em nossa posição original como servos eternos do Senhor.
Devanagari
त्वं प्रत्यगात्मनि तदा भगवत्यनन्त
आनन्दमात्र उपपन्नसमस्तशक्तौ ।
भक्तिं विधाय परमां शनकैरविद्या-
ग्रन्थिं विभेत्स्यसि ममाहमिति प्ररूढम् ॥ ३० ॥
आनन्दमात्र उपपन्नसमस्तशक्तौ ।
भक्तिं विधाय परमां शनकैरविद्या-
ग्रन्थिं विभेत्स्यसि ममाहमिति प्ररूढम् ॥ ३० ॥
Verse text
tvaṁ pratyag-ātmani tadā bhagavaty ananta
ānanda-mātra upapanna-samasta-śaktau
bhaktiṁ vidhāya paramāṁ śanakair avidyā-
granthiṁ vibhetsyasi mamāham iti prarūḍham
ānanda-mātra upapanna-samasta-śaktau
bhaktiṁ vidhāya paramāṁ śanakair avidyā-
granthiṁ vibhetsyasi mamāham iti prarūḍham
Synonyms
tvam — tu; pratyak-ātmani — a Superalma; tadā — nessa altura; bhagavati — à Suprema Personalidade de Deus; anante — que é ilimitada; ānanda-mātre — o reservatório de todo o prazer; upapanna — possuidor de; samasta — todas; śaktau — potências; bhaktim — serviço devocional; vidhāya — prestando; paramām — supremo; śanakaiḥ — muito em breve; avidyā — da ilusão; granthim — o nó; vibhetsyasi — vais desfazer; mama — meu; aham — eu; iti — assim; prarūḍham — firmemente fixo.
Translation
Recuperando assim tua posição natural e prestando serviço ao Senhor Supremo, que é o reservatório todo-poderoso de todo prazer e que vive em todas as entidades vivas como a Superalma, muito em breve te esquecerás da compreensão ilusória de “eu” e “meu”.
Purport
SIGNIFICADO—Dhruva Mahārāja já era uma pessoa liberada porque, aos cinco anos de idade, vira a Suprema Personalidade de Deus. Porém, apesar de ser liberado, temporariamente ele estava sofrendo da ilusão de māyā, julgando-se o irmão de Uttama no conceito corpóreo da vida. Todo o mundo material funciona com base nos conceitos de “eu” e “meu”. Essa é a raiz da atração pelo mundo material. Se alguém se deixar atrair por essa raiz de concepções ilusórias – “eu” e “meu” –, será obrigado a permanecer neste mundo material em diferentes posições elevadas ou abomináveis. Pela graça do Senhor Kṛṣṇa, os sábios e o senhor Manu lembraram a Dhruva Mahārāja que ele não deveria continuar com esse conceito material de “eu” e “meu”. Simplesmente através do serviço devocional ao Senhor sua ilusão poderia ser erradicada sem dificuldade alguma.
Devanagari
संयच्छ रोषं भद्रं ते प्रतीपं श्रेयसां परम् ।
श्रुतेन भूयसा राजन्नगदेन यथामयम् ॥ ३१ ॥
श्रुतेन भूयसा राजन्नगदेन यथामयम् ॥ ३१ ॥
Verse text
saṁyaccha roṣaṁ bhadraṁ te
pratīpaṁ śreyasāṁ param
śrutena bhūyasā rājann
agadena yathāmayam
pratīpaṁ śreyasāṁ param
śrutena bhūyasā rājann
agadena yathāmayam
Synonyms
Translation
Meu querido rei, simplesmente considera o que acabo de te dizer, o que agirá como um tratamento médico sobre a doença. Controla tua ira, pois a ira é o principal inimigo no caminho da compreensão espiritual. Desejo-te toda a boa fortuna. Por favor, segue minhas instruções.
Purport
SIGNIFICADO—Dhruva Mahārāja era uma alma liberada e, na verdade, não ficava irado com ninguém. Contudo, por ser o governante, era seu dever ficar irado por algum tempo a fim de manter a lei e a ordem no estado. Seu irmão, Uttama, não tinha culpa de nada, mas fora morto por um dos Yakṣas. Era dever de Dhruva Mahārāja matar o ofensor (vida por vida) porque Dhruva era o rei. Quando surgiu o desafio, Dhruva Mahārāja lutou com todo o ardor e puniu os Yakṣas suficientemente. Mas a natureza da ira é tal que, se alguém a alimenta, ela aumenta sem limites. Para que a ira real de Dhruva Mahārāja não excedesse o limite, Manu fez o obséquio de conter seu neto. Dhruva Mahārāja pôde compreender a intenção de seu avô e parou de lutar de imediato. As palavras śrutena bhūyasā, “ouvindo constantemente”, são muito importantes neste verso. Ouvindo constantemente sobre o serviço devocional, podemos deter a força da ira, que é prejudicial ao processo de serviço devocional. Śrīla Parīkṣit Mahārāja disse que a audição constante dos passatempos do Senhor é a panaceia para todas as doenças materiais. Todos, portanto, devem ouvir sobre a Suprema Personalidade de Deus constantemente. Ouvindo, poderemos permanecer sempre equilibrados, em consequência do que nosso progresso na vida espiritual não será impedido.
O fato de Dhruva Mahārāja ter-se irritado com os canalhas era bastante apropriado. Há uma breve história a esse respeito, sobre uma serpente que se tornou devota ao receber instruções de Nārada, o qual mandou que ela não mordesse mais ninguém. Já que normalmente a ocupação da serpente é morder fatalmente outras entidades vivas, como devota ela foi proibida de fazê-lo. Infelizmente, as pessoas passaram a aproveitar-se dessa não-violência da parte da serpente, em especial as crianças, que começaram a atirar-lhe pedras. Mas ela não picava ninguém, porque assim fora instruída pelo mestre espiritual. Depois de algum tempo, ao encontrar-se com Nārada, seu mestre espiritual, a serpente se queixou: “Eu abandonei meu mau hábito de picar entidades vivas inocentes, mas elas estão me maltratando, atirando-me pedras.” Ao ouvir isso, Nārada Muni lhe deu a seguinte instrução: “Não piques, mas não te esqueças de eriçar teu capelo como se fosses picar. Então, eles irão embora.” De modo semelhante, o devoto é sempre não-violento; ele está qualificado com todas as boas características. Porém, no mundo comum, quando outros fazem perversidades, ele não deve esquecer-se de ficar irado, pelo menos temporariamente, a fim de afastar os canalhas.
Devanagari
येनोपसृष्टात्पुरुषाल्लोक उद्विजते भृशम् ।
न बुधस्तद्वशं गच्छेदिच्छन्नभयमात्मन: ॥ ३२ ॥
न बुधस्तद्वशं गच्छेदिच्छन्नभयमात्मन: ॥ ३२ ॥
Verse text
yenopasṛṣṭāt puruṣāl
loka udvijate bhṛśam
na budhas tad-vaśaṁ gacched
icchann abhayam ātmanaḥ
loka udvijate bhṛśam
na budhas tad-vaśaṁ gacched
icchann abhayam ātmanaḥ
Synonyms
yena — pela qual; upasṛṣṭāt — estando dominada; puruṣāt — pela pessoa; lokaḥ — todos; udvijate — ficam aterrorizados; bhṛśam — muitíssimo; na — nunca; budhaḥ — uma pessoa erudita; tat — da ira; vaśam — sob o controle; gacchet — deve ir; icchan — desejando; abhayam — destemor, liberação; ātmanaḥ — do eu.
Translation
Uma pessoa que deseja libertar-se deste mundo material não deve cair sob o controle da ira, porque, quando confundida pela ira, ela se torna uma fonte de temor para todas as outras.
Purport
SIGNIFICADO—Um devoto ou pessoa santa não deve ser motivo de terror para os outros, tampouco deve alguém ser uma fonte de temor para ele. Se alguém tratar os outros sem ser hostil, ninguém se tornará seu inimigo. Existe o exemplo, entretanto, de Jesus Cristo, que tinha inimigos, e esses o crucificaram. Os seres demoníacos sempre estão presentes, e procuram defeitos inclusive em pessoas santas. Mas uma pessoa santa nunca se ira, mesmo diante das maiores provocações.
Devanagari
हेलनं गिरिशभ्रातुर्धनदस्य त्वया कृतम् ।
यज्जघ्निवान् पुण्यजनान् भ्रातृघ्नानित्यमर्षित: ॥ ३३ ॥
यज्जघ्निवान् पुण्यजनान् भ्रातृघ्नानित्यमर्षित: ॥ ३३ ॥
Verse text
helanaṁ giriśa-bhrātur
dhanadasya tvayā kṛtam
yaj jaghnivān puṇya-janān
bhrātṛ-ghnān ity amarṣitaḥ
dhanadasya tvayā kṛtam
yaj jaghnivān puṇya-janān
bhrātṛ-ghnān ity amarṣitaḥ
Synonyms
Translation
Meu querido Dhruva, pensaste que os Yakṣas mataram teu irmão e, em razão disso, mataste muitos deles. Mas, agindo assim, agitaste a mente de Kuvera, o irmão do senhor Śiva e tesoureiro dos semideuses. Por favor, observa que tuas ações foram muito desrespeitosas a Kuvera e ao senhor Śiva.
Purport
SIGNIFICADO—O senhor Manu afirmou que Dhruva Mahārāja havia ofendido o senhor Śiva e seu irmão Kuvera porque os Yakṣas pertenciam à família de Kuvera. Eles não eram pessoas comuns, tanto que são descritos como puṇya-janān, homens piedosos. De alguma forma, a mente de Kuvera havia sido agitada, e Dhruva Mahārāja foi aconselhado a apaziguá-lo.
Devanagari
तं प्रसादय वत्साशु सन्नत्या प्रश्रयोक्तिभि: ।
न यावन्महतां तेज: कुलं नोऽभिभविष्यति ॥ ३४ ॥
न यावन्महतां तेज: कुलं नोऽभिभविष्यति ॥ ३४ ॥
Verse text
taṁ prasādaya vatsāśu
sannatyā praśrayoktibhiḥ
na yāvan mahatāṁ tejaḥ
kulaṁ no ’bhibhaviṣyati
sannatyā praśrayoktibhiḥ
na yāvan mahatāṁ tejaḥ
kulaṁ no ’bhibhaviṣyati
Synonyms
tam — a ele; prasādaya — apazigua; vatsa — meu filho; āśu — imediatamente; sannatyā — oferecendo reverências; praśrayā — com comportamento respeitoso; uktibhiḥ — com palavras amáveis; na yāvat — antes; mahatām — de grandes personalidades; tejaḥ — ira; kulam — família; naḥ — nossa; abhibhaviṣyati — afetará.
Translation
Por essa razão, meu filho, deves imediatamente apaziguar Kuvera com palavras amáveis e orações, e assim sua ira talvez não afete a nossa família.
Purport
SIGNIFICADO—Em nossos relacionamentos comuns, devemos manter amizade com todos e certamente também com semideuses tão elevados como Kuvera. Nosso comportamento deve ser tal que ninguém fique irado e, assim, maltrate indivíduos, famílias ou sociedades.
Devanagari
एवं स्वायम्भुव: पौत्रमनुशास्य मनुर्ध्रुवम् ।
तेनाभिवन्दित: साकमृषिभि: स्वपुरं ययौ ॥ ३५ ॥
तेनाभिवन्दित: साकमृषिभि: स्वपुरं ययौ ॥ ३५ ॥
Verse text
evaṁ svāyambhuvaḥ pautram
anuśāsya manur dhruvam
tenābhivanditaḥ sākam
ṛṣibhiḥ sva-puraṁ yayau
anuśāsya manur dhruvam
tenābhivanditaḥ sākam
ṛṣibhiḥ sva-puraṁ yayau
Synonyms
evam — assim; svāyambhuvaḥ — senhor Svāyambhuva Manu; pautram — a seu neto; anuśāsya — após dar instruções; manuḥ — senhor Manu; dhruvam — a Dhruva Mahārāja; tena — por ele; abhivanditaḥ — recebendo reverências de; sākam — junto; ṛṣibhiḥ — com os sábios; sva-puram — a sua própria morada; yayau — foi.
Translation
Assim, Svāyambhuva Manu, após dar suas instruções a Dhruva Mahārāja, seu neto, recebeu respeitosas reverências deste. Em seguida, o senhor Manu e os grandes sábios voltaram aos seus respectivos lares.
Purport
Neste ponto, encerram-se os Significados Bhaktivedanta do quarto canto, décimo primeiro capítulo, do Śrīmad-Bhāgavatam, intitulado “Svāyambhuva Manu Aconselha Dhruva Mahārāja a Parar de Lutar”.