ŚB 4.11.22

केचित्कर्म वदन्त्येनं स्वभावमपरे नृप ।
एके कालं परे दैवं पुंस: काममुतापरे ॥ २२ ॥
kecit karma vadanty enaṁ
svabhāvam apare nṛpa
eke kālaṁ pare daivaṁ
puṁsaḥ kāmam utāpare

Synonyms

kecitalguns; karmaatividades fruitivas; vadantiexplicam; enamisto; svabhāvamnatureza; apareoutros; nṛpameu querido rei Dhruva; ekealguns; kālamtempo; pareoutros; daivamdestino; puṁsaḥda entidade viva; kāmamdesejo; utatambém; apareoutros.

Translation

A distinção entre variedades de vida e suas condições de sofrimento e prazer são explicadas por alguns como sendo resultado do karma. Outros dizem que se devem à natureza, outros ao tempo, outros ao destino, e ainda outros dizem que tudo se deve ao desejo.

Purport

SIGNIFICADO—Existem diversas classes de filósofos – mīmāṁsakas, ateístas, astrônomos, sexólogos e tantas outras classificações de especuladores mentais. A verdadeira conclusão é que é apenas o nosso trabalho que nos prende a este mundo material em diferentes variedades de vida. Nos Vedas, explica-se como essas variedades surgiram: elas se devem ao desejo da entidade viva. A entidade viva não é uma pedra morta; ela tem diferentes variedades de desejos, ou kāma. Os Vedas dizem: kāmo ’karṣīt. As entidades vivas são originalmente partes do Senhor, como centelhas de um fogo, mas caíram neste mundo material, atraídas por um desejo de se assenhorearem da natureza. Isso é um fato. Toda entidade viva está se esforçando para assenhorear-se o máximo que pode dos recursos materiais.
Esse kāma, ou desejo, não pode ser aniquilado. Certos filósofos dizem que, se alguém renuncia a seus desejos, novamente se libera. Mas não é absolutamente possível renunciar aos desejos, pois o desejo é um sintoma da entidade viva. Se não houvesse desejos, a entidade viva seria uma pedra morta. Śrīla Narottama Dāsa Ṭhākura, portanto, aconselha que voltemos nosso desejo para o serviço à Suprema Personalidade de Deus. Dessa maneira, os desejos se purificarão. E, quando nossos desejos se purificam, nós nos libertamos de toda a contaminação material. A conclusão é que as teorias dos diferentes filósofos para explicar as variedades de vida e suas dores e prazeres são todas imperfeitas. A verdadeira explicação é que somos servos eternos de Deus e que, tão logo nos esquecemos dessa relação, somos atirados no mundo material, onde criamos nossas diferentes atividades e sofremos ou gozamos de seus resultados. Somos atirados neste mundo material pelo desejo, mas o mesmo desejo deve ser purificado e empregado no serviço devocional ao Senhor. Somente então eliminaremos nossa doença de vaguear pelo universo sob diferentes formas e condições.