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Purport

Capítulo Dois

A Crise do Elefante Gajendra

O segundo, terceiro e quarto capítulos deste canto descrevem como, durante o reinado do quarto Manu, o Senhor conferiu Sua prote­ção ao rei dos elefantes. De acordo com o que se descreve neste segundo capítulo, quando o rei dos elefantes, juntamente com suas elefantas, divertia-se na água, um crocodilo o atacou subitamente, e, em busca de proteção, o elefante se rendeu aos pés de lótus da Suprema Personalidade de Deus.
No meio do oceano de leite, existe uma altíssima e bela montanha que tem a altitude de dez mil yojanas, ou cento e vinte e oito mil quilômetros. Essa montanha é conhecida como Trikūṭa. Em um vale de Trikūṭa, há um belo jardim chamado Ṛtumat, que foi construí­do por Varuṇa, e, naquela área, existe um lago encantador. Certa vez, o chefe dos elefantes, juntamente com suas elefantas, foi des­frutar de um banho naquele lago, de modo que eles perturbaram os ha­bitantes da água. Por causa disso, o principal crocodilo daquele lago, que era muito poderoso, imediatamente se arremeteu contra uma perna do elefante. Assim, seguiu-se uma grande luta entre o elefante e o crocodilo. Essa peleja continuou por mil anos. Nem o elefante nem o crocodilo morriam, mas, como estavam na água, o elefante foi aos poucos enfraquecendo, e o poder do crocodilo aumentava cada vez mais. O crocodilo, portanto, sentia-se mais e mais encorajado. Por fim, o elefante, estando desamparado e vendo que não havia outra maneira de se proteger, buscou refúgio nos pés de lótus da Suprema Personalidade de Deus.
श्रीशुक उवाच
आसीद् गिरिवरो राजंस्त्रिकूट इति विश्रुत: ।
क्षीरोदेनावृत: श्रीमान्योजनायुतमुच्छ्रित: ॥ १ ॥
śrī-śuka uvāca
āsīd girivaro rājaṁs
trikūṭa iti viśrutaḥ
kṣīrodenāvṛtaḥ śrīmān
yojanāyutam ucchritaḥ

Synonyms

śrī-śukaḥ uvāca Śrī Śukadeva Gosvāmī disse; āsīthavia; giri­varaḥuma enorme montanha; rājanó rei; tri-kūṭaḥTrikūṭa; itiassim; viśrutaḥcélebre; kṣīra-udena pelo oceano de leite; āvṛtaḥcercada; śrīmānbelíssima; yojanauma medida que equi­vale a 12,8 quilômetros; ayutamdez mil; ucchritaḥmuito alta.

Translation

Śukadeva Gosvāmī disse: Meu querido rei, existe uma grande montanha chamada Trikūṭa, que tem dez mil yojanas [cento e vinte e oito mil quilômetros] de altura. Cercada pelo oceano de leite, sua localização é belíssima.
तावता विस्तृत: पर्यक्त्रिभि: श‍ृङ्गै: पयोनिधिम् ।
दिश: खं रोचयन्नास्ते रौप्यायसहिरण्मयै: ॥ २ ॥
अन्यैश्च ककुभ: सर्वा रत्नधातुविचित्रितै: ।
नानाद्रुमलतागुल्मैर्निर्घोषैर्निर्झराम्भसाम् ॥ ३ ॥
tāvatā vistṛtaḥ paryak
tribhiḥ śṛṅgaiḥ payo-nidhim
diśaḥ khaṁ rocayann āste
raupyāyasa-hiraṇmayaiḥ
anyaiś ca kakubhaḥ sarvā
ratna-dhātu-vicitritaiḥ
nānā-druma-latā-gulmair
nirghoṣair nirjharāmbhasām

Synonyms

tāvatādessa maneira; vistṛtaḥlargura e comprimento (cento e vinte e oito mil quilômetros); paryakem toda a volta; tribhiḥcom três; śṛṅgaiḥpicos; payaḥ-nidhimsituada em uma ilha do oceano de leite; diśaḥtodas as direções; khamo céu; rocayanembelezando; āsteerguendo-se; raupyafeito de prata; ayasaferro; hiraṇmayaiḥe ouro; anyaiḥcom outros picos; catambém; kakubhaḥas direções; sarvāḥtodas; ratna com joias; dhātue minerais; vicitritaiḥmuito bem decorados; nānācom várias; druma-latāárvores e trepadeiras; gulmaiḥe arbustos; nirgho­ṣaiḥcom os sons de; nirjharacataratas; ambhasāmde água.

Translation

O comprimento e a largura da montanha têm as mesmas dimensões [cento e vinte e oito mil quilômetros]. Seus três picos principais, que são feitos de ferro, prata e ouro, embelezam todas as direções e o céu. A montanha tem também outros picos, que estão cheios de joias e minerais e são decorados com belas árvores, trepadeiras e arbustos. Os sons das cascatas da montanha produzem uma vibra­ção agradável. É dessa maneira que a montanha se ergue, aumentando a beleza de todas as direções.
स चावनिज्यमानाङ्‍‍घ्रि: समन्तात् पयऊर्मिभि: ।
करोति श्यामलां भूमिं हरिन्मरकताश्मभि: ॥ ४ ॥
sa cāvanijyamānāṅghriḥ
samantāt paya-ūrmibhiḥ
karoti śyāmalāṁ bhūmiṁ
harin-marakatāśmabhiḥ

Synonyms

saḥ essa montanha; catambém; avanijyamāna-aṅghriḥcujo sopé sempre é banhado; samantāt em todo o arredor; payaḥ-ūr­mibhiḥpor ondas de leite; karotifaz; śyāmalāmverde es­curo; bhūmimterreno; harit verde; marakatacom esmeralda; aśmabhiḥ pedras.

Translation

O terreno situado no sopé da montanha é sempre banhado por ondas de leite que produzem esmeraldas em todo o entorno, nas oito direções [norte, sul, leste, oeste e direções intermediárias].

Purport

SIGNIFICADO—A partir do Śrīmad-Bhāgavatam, compreendemos que existem vários oceanos. Em alguma parte, existe um oceano cheio de leite e, em outras partes, um oceano de bebida inebriante, um oceano de ghī, um oceano de óleo e um oceano de água doce. Logo, existem variedades de oceanos dentro deste universo. Os cientis­tas modernos, que têm apenas uma experiência limitada, não podem refu­tar essas afirmações. Eles não conseguem apresentar-nos informações exatas sobre planeta algum, nem mesmo sobre o planeta em que vivemos. Entretanto, através deste verso, podemos compreender que, se os vales de algumas montanhas são banhados por leite, isso produz es­meraldas. Ninguém tem habilidade para imitar as atividades da natureza material da forma como são conduzidas pela Suprema Personalidade de Deus.
सिद्धचारणगन्धर्वैर्विद्याधरमहोरगै: ।
किन्नरैरप्सरोभिश्च क्रीडद्भ‍िर्जुष्टकन्दर: ॥ ५ ॥
siddha-cāraṇa-gandharvair
vidyādhara-mahoragaiḥ
kinnarair apsarobhiś ca
krīḍadbhir juṣṭa-kandaraḥ

Synonyms

siddha pelos habitantes de Siddhaloka; cāraṇaos habitantes de Cāraṇaloka; gandharvaiḥ os habitantes de Gandharvaloka; vidyādharaos habitantes de Vidyādhara-loka; mahā-uragaiḥos habitantes do loka das serpentes; kinnaraiḥos Kinnaras; apsarobhiḥas Apsarās; cae; krīḍadbhiḥque estavam ocupados em se divertir; juṣṭadesfrutavam; kandaraḥdas cavernas.

Translation

Os habitantes dos planetas superiores – os Siddhas, os Cāraṇas, os Gandharvas, os Vidyādharas, as serpentes, os Kinnaras e as Apsarās – vão a essa montanha a fim de se divertirem. Por conseguinte, todas as cavernas da montanha ficam repletas desses cidadãos dos planetas celestiais.

Purport

SIGNIFICADO—Assim como os homens comuns podem divertir-se no oceano salgado, os habitantes dos sistemas planetários superiores vão ao oceano de leite. Eles flutuam no oceano de leite e também praticam vários esportes dentro das cavernas da montanha Trikūṭa.
यत्र सङ्गीतसन्नादैर्नदद्गुहममर्षया ।
अभिगर्जन्ति हरय: श्लाघिन: परशङ्कया ॥ ६ ॥
yatra saṅgīta-sannādair
nadad-guham amarṣayā
abhigarjanti harayaḥ
ślāghinaḥ para-śaṅkayā

Synonyms

yatra naquela montanha (Trikūṭa); saṅgītado canto; sannādaiḥcom as vibrações; nadatressoando; guham nas cavernas; amarṣayādevido à ira ou inveja avassaladoras; abhigarjanti rugem; harayaḥos leões; ślāghinaḥestando muito orgulhosos de sua força; para-śaṅkayāporque suspeitam da presença de outro leão.

Translation

Devido às tonitruantes vibrações dos cidadãos do céu cantando nas cavernas, os leões que estão por lá, sentindo muito orgulho de sua força, rugem uma inveja avassaladora, pensando que o outro barulho também é o rugido de um leão.

Purport

SIGNIFICADO—Nos sistemas planetários superiores, não existem apenas várias categorias de seres humanos, senão que também existem animais, tais como leões e elefantes. Existem árvores, e a terra é feita de esmeraldas. Tal é a criação da Suprema Personalidade de Deus! A esse respeito, Śrīla Bhaktivinoda Ṭhākura canta que keśava! tuyā jagata vicitra: “Meu Senhor Keśava, Vossa criação é colorida e cheia de variedades.” Os geólogos, os botânicos e outros que se dizem cientistas especulam sobre outros sistemas planetários, mas, sendo incapazes de avaliar as variedades encontradas em outros planetas, falsamente imaginam que, com exceção deste, todos os planetas são vazios, desabitados e cheios de areia. Embora não possam sequer detectar as variedades que existem em todo o universo, eles se orgulham muito de seu conhecimento, e pessoas de igual calibre os aceitam como eruditos. Como se descreve no Śrīmad-Bhāgavatam (2.3.19), śva-vid-varāhoṣṭra-kharaiḥ saṁstutaḥ puruṣaḥ paśuḥ: os líderes materialistas são glorificados por cães, porcos, camelos e asnos, e eles próprios também são grandes animais. Ninguém deve satisfazer-se com o conhecimento transmitido por um grande animal. Ao contrário, deve-se receber co­nhecimento de pessoas perfeitas como Śukadeva Gosvāmī. Mahā­jano yena gataḥ sa panthāḥ: nosso dever é seguir as instruções dos mahājanas. Existem doze mahājanas, e Śukadeva Gosvāmī é um deles.
svayambhūr nāradaḥ śambhuḥ
kumāraḥ kapilo manuḥ
prahlādo janako bhīṣmo
balir vaiyāsakir vayam
(Bhāg. 6.3.20)
Vaiyāsaki é Śukadeva Gosvāmī. Tudo o que ele diz consideramos verídico. Este conhecimento é perfeito.
नानारण्यपशुव्रातसङ्कुलद्रोण्यलङ्‌कृत: ।
चित्रद्रुमसुरोद्यानकलकण्ठविहङ्गम: ॥ ७ ॥
nānāraṇya-paśu-vrāta-
saṅkula-droṇy-alaṅkṛtaḥ
citra-druma-surodyāna-
kalakaṇṭha-vihaṅgamaḥ

Synonyms

nānācom muitas variedades de; araṇya-paśuanimais silvestres; vrāta com uma multidão; saṅkulacheios; droṇicom vales; alaṅkṛtaḥmuito belamente decorados; citracom muitas varieda­des de; druma árvores; sura-udyānaem jardins mantidos pelos semideuses; kalakaṇṭhachilreando docemente; vihaṅgamaḥpássaros.

Translation

Os vales situados abaixo da montanha Trikūṭa são belamente decorados com muitas variedades de animais silvestres, e, pousados nas árvores, que são mantidas nos jardins pelos semideuses, muitas variedades de pássaros chilreiam com doces vozes.
सरित्सरोभिरच्छोदै: पुलिनैर्मणिवालुकै: ।
देवस्त्रीमज्जनामोदसौरभाम्ब्वनिलैर्युत: ॥ ८ ॥
sarit-sarobhir acchodaiḥ
pulinair maṇi-vālukaiḥ
deva-strī-majjanāmoda-
saurabhāmbv-anilair yutaḥ

Synonyms

saritcom rios; sarobhiḥe lagos; acchodaiḥcheios de água cristalina; pulinaiḥorlas; maṇicom pequenas pedras preciosas; vālukaiḥassemelhando-se a grãos de areia; deva-strīdas donzelas dos semideuses; majjanabanhando-se (naquela água); āmodaaroma corpóreo; saurabhamuito fragrante; ambucom a água; anilaiḥe o ar; yutaḥenriquecida (a atmosfera da montanha Trikūṭa).

Translation

A montanha Trikūṭa tem muitos lagos e rios, com as orlas cobertas por pequenas pedras preciosas semelhantes a grãos de areia. A água é tão clara como o cristal, e, quando as donzelas dos semideu­ses se banham nela, seus corpos perfumam a água e a brisa, enriquecendo assim a atmosfera.

Purport

SIGNIFICADO—Mesmo no mundo material, existem muitos graus de entidades vivas. Na Terra, os seres humanos geralmente aplicam fragrâncias externas em seu corpo para eliminar seus maus odores, mas aqui observamos que, devido à fragrância corpórea das donzelas dos se­mideuses, os rios, os lagos, a brisa e toda a atmosfera da montanha Trikūṭa também se perfumaram. Uma vez que os corpos das donzelas dos sistemas planetários superiores são tão belos, não nos é possível imaginar quão belamente formados são os corpos das donzelas de Vaikuṇṭha ou das donzelas de Vṛndāvana, as gopīs.
तस्य द्रोण्यां भगवतो वरुणस्य महात्मन: ।
उद्यानमृतुमन्नाम आक्रीडं सुरयोषिताम् ॥ ९ ॥
सर्वतोऽलङ्‌कृतं दिव्यैर्नित्यपुष्पफलद्रुमै: ।
मन्दारै: पारिजातैश्च पाटलाशोकचम्पकै: ॥ १० ॥
चूतै: पियालै: पनसैराम्रैराम्रातकैरपि ।
क्रमुकैर्नारिकेलैश्च खर्जूरैर्बीजपूरकै: ॥ ११ ॥
मधुकै: शालतालैश्च तमालैरसनार्जुनै: ।
अरिष्टोडुम्बरप्लक्षैर्वटै: किंशुकचन्दनै: ॥ १२ ॥
पिचुमर्दै: कोविदारै: सरलै: सुरदारुभि: ।
द्राक्षेक्षुरम्भाजम्बुभिर्बदर्यक्षाभयामलै: ॥ १३ ॥
tasya droṇyāṁ bhagavato
varuṇasya mahātmanaḥ
udyānam ṛtuman nāma
ākrīḍaṁ sura-yoṣitām
sarvato ’laṅkṛtaṁ divyair
nitya-puṣpa-phala-drumaiḥ
mandāraiḥ pārijātaiś ca
pāṭalāśoka-campakaiḥ
cūtaiḥ piyālaiḥ panasair
āmrair āmrātakair api
kramukair nārikelaiś ca
kharjūrair bījapūrakaiḥ
madhukaiḥ śāla-tālaiś ca
tamālair asanārjunaiḥ
ariṣṭoḍumbara-plakṣair
vaṭaiḥ kiṁśuka-candanaiḥ
picumardaiḥ kovidāraiḥ
saralaiḥ sura-dārubhiḥ
drākṣekṣu-rambhā-jambubhir
badary-akṣābhayāmalaiḥ

Synonyms

tasyadaquela montanha (Trikūṭa); droṇyāmem um vale; bhagavataḥ da grande personalidade; varuṇasyao semideus Varuṇa; mahā-ātmanaḥque é um grande devoto do Senhor; udyānamum jardim; ṛtumat Ṛtumat; nāma chamado; ākrīḍamum lugar de passatempos esportivos; sura-yoṣitāmdas donzelas dos semideu­ses; sarvataḥem toda parte; alaṅkṛtambelamente decorado; divyaiḥ referentes aos semideuses; nityasempre; puṣpadas flores; phalae dos frutos; drumaiḥpelas árvores; mandāraiḥmandāra; pārijātaiḥpārijāta; ca também; pāṭalapāṭala; aśokaaśoka; campakaiḥcampaka; cūtaiḥfrutas cūta; piyālaiḥ frutas piyāla; panasaiḥfrutas panasa; āmraiḥ mangas; āmrātakaiḥfrutas azedas chamadas āmrātaka; apitambém; kramukaiḥfrutas kra­muka; nārikelaiḥcoqueiros; ca e; kharjūraiḥtamareiras; bīja­pūrakaiḥromãzeiras; madhukaiḥfrutas madhuka; śāla-tālaiḥfrutos da palmeira; cae; tamālaiḥárvores tamāla; asanaárvores asana; ar­junaiḥárvores arjuna; ariṣṭafrutas ariṣṭa; uḍumbaragrandes árvores uḍumbara; plakṣaiḥárvores plakṣa; vaṭaiḥ figueiras-de­-bengala; kiṁśukaflores vermelhas inodoras; candanaiḥsândalos; picumardaiḥflores picumarda; kovidāraiḥfrutas kovidāra; sara­laiḥ árvores sarala; sura-dārubhiḥárvores sura-dāru; drākṣāuvas; ikṣuḥcana-de-açúcar; rambhābananas; jambubhiḥjambos; ba­darīfrutas badarī; akṣa frutas akṣa; abhayafrutas abhaya; āmalaiḥāmalakī, uma fruta azeda.

Translation

Em um vale da montanha Trikūṭa, havia um jardim chamado Ṛtumat. Esse jardim pertencia ao grande devoto Varuṇa e era um lugar de diversão para as donzelas dos semideuses. Nele, flores e frutos cresciam em todas as estações. Entre eles, viam-se mandāras, pā­rijātas, pāṭalas, aśokas, campakas, cūtas, piyālas, panasas, mangas, āmrātakas, kramukas, coqueiros, tamareiras e romãzeiras. Havia madhukas, palmeiras, tamālas, asanas, arjunas, ariṣṭas, uḍumbaras, plakṣas, figueiras-de-bengala, kiṁśukas e sândalos. Também havia picumardas, kovidāras, saralas, sura-dārus, uvas, cana-de-açúcar, bananas, jambos, badarīs, akṣas, abhayas e āmalakīs.
८.२.१४-१९
बिल्वै: कपित्थैर्जम्बीरैर्वृतो भल्ल‍ातकादिभि: ।
तस्मिन्सर: सुविपुलं लसत्काञ्चनपङ्कजम् ॥ १४ ॥
कुमुदोत्पलकह्लारशतपत्रश्रियोर्जितम् ।
मत्तषट्पदनिर्घुष्टं शकुन्तैश्च कलस्वनै: ॥ १५ ॥
हंसकारण्डवाकीर्णं चक्राह्वै: सारसैरपि ।
जलकुक्कुटकोयष्टिदात्यूहकुलकूजितम् ॥ १६ ॥
मत्स्यकच्छपसञ्चारचलत्पद्मरज:पय: ।
कदम्बवेतसनलनीपवञ्जुलकैर्वृतम् ॥ १७ ॥
कुन्दै: कुरुबकाशोकै: शिरीषै: कूटजेङ्गुदै: ।
कुब्जकै: स्वर्णयूथीभिर्नागपुन्नागजातिभि: ॥ १८ ॥
मल्ल‍िकाशतपत्रैश्च माधवीजालकादिभि: ।
शोभितं तीरजैश्चान्यैर्नित्यर्तुभिरलं द्रुमै: ॥ १९ ॥
bilvaiḥ kapitthair jambīrair
vṛto bhallātakādibhiḥ
tasmin saraḥ suvipulaṁ
lasat-kāñcana-paṅkajam
kumudotpala-kahlāra-
śatapatra-śriyorjitam
matta-ṣaṭ-pada-nirghuṣṭaṁ
śakuntaiś ca kala-svanaiḥ
haṁsa-kāraṇḍavākīrṇaṁ
cakrāhvaiḥ sārasair api
jalakukkuṭa-koyaṣṭi-
dātyūha-kula-kūjitam
matsya-kacchapa-sañcāra-
calat-padma-rajaḥ-payaḥ
kadamba-vetasa-nala-
nīpa-vañjulakair vṛtam
kundaiḥ kurubakāśokaiḥ
śirīṣaiḥ kūṭajeṅgudaiḥ
kubjakaiḥ svarṇa-yūthībhir
nāga-punnāga-jātibhiḥ
mallikā-śatapatraiś ca
mādhavī-jālakādibhiḥ
śobhitaṁ tīra-jaiś cānyair
nityartubhir alaṁ drumaiḥ

Synonyms

bilvaiḥárvores bilva; kapitthaiḥárvores kapittha; jambīraiḥárvores jambīra; vṛtaḥcercado de; bhallātaka-ādibhiḥbhallāta­ka e outras árvores; tasminnaquele jardim; saraḥum lago; su­vipulamque era muito grande; lasatbrilhantes; kāñcana doura­das; paṅka-jamcheio de flores de lótus; kumudade flores kumuda; utpala flores utpala; kahlāraflores kahlāra; śatapatra e flores śatapatra; śriyā com a beleza; ūrjitam singular; matta embriaga­das; ṣaṭ-pada abelhas; nirghuṣṭamzumbiam; śakuntaiḥcom o chilrear dos pássaros; cae; kala-svanaiḥcujas canções eram muito melodiosas; haṁsacisnes; kāraṇḍavakāraṇḍavas; ākīrṇamre­pleto de; cakrāhvaiḥcakrāvakas; sārasaiḥgrous; apibem como; jalakukkuṭafrangos-d’água; koyaṣṭikoyaṣṭis; dātyūhadātyūhas; kulabandos de; kūjitamcacarejavam; matsya dos peixes; kacchapae tartarugas; sañcāradevido aos movimentos; calatbruscos; padma dos lótus; rajaḥpelo pólen; payaḥa água (era deco­rada); kadambakadambas; vetasavetasas; nalanalas; nīpanīpas; vañjulakaiḥvañjulakas; vṛtamrodeado por; kundaiḥkundas; kurubakakurubakas; aśokaiḥaśokas; śirīṣaiḥśirīṣas; kūṭajakūṭajas; iṅgudaiḥiṅgudas; kubjakaiḥkubjakas; svarṇa­-yūthībhiḥsvarṇa-yūthīs; nāganāgas; punnāgapunnāgas; jāti­bhiḥjātīs; mallikāmallikās; śatapatraiḥśatapatras; catambém; mādhavīmādhavīs; jālakādibhiḥjālakās; śobhitamadornado; tīrajaiḥcrescendo às margens; ca e; anyaiḥoutras; nitya-ṛtu­bhiḥem todas as estações; alamabundantemente; drumaiḥcom árvores (carregadas de flores e frutos).

Translation

Naquele jardim, havia um grande lago cheio de brilhantes flores de lótus douradas e de flores conhecidas como kumuda, kahlāra, ut­pala e śatapatra, que davam à montanha uma beleza singular. Também havia árvores bilva, kapittha, jambīra e bhallātaka. Abelhas se ine­briavam bebendo mel e zumbiam ao som do chilrear dos pássaros, cujas canções eram muito melodiosas. O lago estava repleto de cisnes, kāraṇḍavas, cakrāvakas, grous e bandos de frangos-d’água, dātyūhas, koyaṣṭis e outras aves cacarejantes. Devido aos movimen­tos rápidos dos peixes e tartarugas, a água se decorava com pólen caído das flores de lótus. O lago era rodeado por flores kadamba, flores vetasa, nalas, nīpas, vañjulakas, kundas, kurubakas, aśokas, śirīṣas, kūṭajas, iṅgudas, kubjakas, svarṇa-yūthīs, nāgas, punnāgas, jātīs, mallikās, śatapatras, jālakās e mādhavī-latās. As margens também eram ricamente adornadas com muitas variedades de árvo­res que produziam flores e frutas em todas as estações. Assim, toda a montanha se erguia gloriosamente decorada.

Purport

SIGNIFICADO—A julgar pela exaustiva descrição dos lagos e rios da montanha Trikūṭa, não existe nada na Terra que se compare a essa montanha. Em outros planetas, no entanto, existem muitas dessas maravilhas. Por exemplo, sabe-se que existem dois milhões de diferentes espécies de árvores, mas nem todas elas são vistas na Terra. No Śrīmad-Bhāgavatam, encontra-se todo o conhecimento das atividades universais. Ele não apenas descreve este universo, senão que também considera o mundo espiritual, situado além deste universo. Ninguém pode questionar as descrições sobre os mundos material e espiritual contidas no Śrīmad-Bhāgavatam. Embora a tentativa de o ser humano ir à Lua tenha fracassado, as pessoas da Terra têm todas as condições de saber o que existe em outros planetas. Não é preciso valer-se da imagi­nação; todos podem receber conhecimento verdadeiro a partir do Śrīmad­-Bhāgavatam e se satisfazer com isso.
तत्रैकदा तद्‌गिरिकाननाश्रय:
करेणुभिर्वारणयूथपश्चरन् ।
सकण्टकं कीचकवेणुवेत्रवद्
विशालगुल्मं प्ररुजन्वनस्पतीन् ॥ २० ॥
tatraikadā tad-giri-kānanāśrayaḥ
kareṇubhir vāraṇa-yūtha-paś caran
sakaṇṭakaṁ kīcaka-veṇu-vetravad
viśāla-gulmaṁ prarujan vanaspatīn

Synonyms

tatra ali; ekadācerta vez; tat-giri daquela montanha (Trikūṭa); kānana-āśrayaḥque vive na floresta; kareṇubhiḥ acompanhado pelas elefantas; vāraṇa-yūtha-paḥo líder dos elefantes; caran enquanto caminhava (em direção ao lago); sa-kaṇṭakamum lugar cheio de espinhos; kīcaka-veṇu-vetra-vatcom plantas e trepadeiras de diferentes nomes; viśāla-gulmammuitos arbustos; prarujanquebrando; vanaḥ-patīnárvores e plantas.

Translation

Certa vez, acompanhado de suas elefantas, o líder dos elefantes, que vivia na floresta da montanha Trikūṭa, caminhava em direção ao lago. Ele quebrava muitas plantas, trepadeiras, arbustos e árvores, não se importando com seus espinhos penetrantes.
यद्गन्धमात्राद्धरयो गजेन्द्रा
व्याघ्रादयो व्यालमृगा: सखड्‌गा: ।
महोरगाश्चापि भयाद्‌द्रवन्ति
सगौरकृष्णा: सरभाश्चमर्य: ॥ २१ ॥
yad-gandha-mātrād dharayo gajendrā
vyāghrādayo vyāla-mṛgāḥ sakhaḍgāḥ
mahoragāś cāpi bhayād dravanti
sagaura-kṛṣṇāḥ sarabhāś camaryaḥ

Synonyms

yat-gandha-mātrātdevido ao simples cheiro daquele elefante; harayaḥleões; gaja-indrāḥoutros elefantes; vyāghra-ādayaḥanimais ferozes, tais como os tigres; vyāla-mṛgāḥoutros animais ferozes; sakhaḍgāḥrinocerontes; mahā-uragāḥserpentes enormes; catambém; api na verdade; bhayāt de medo; dravantifugindo; sa com; gaura-kṛṣṇāḥ alguns brancos, outros pretos; sarabhāḥsarabhas; camaryaḥtambém os camarīs.

Translation

Pelo simples fato de sentir o cheiro daquele elefante, todos os outros elefantes, os tigres e os outros animais ferozes, tais como os leões, os rinocerontes, as grandes serpentes e os sarabhas brancos e pretos, fugiam de medo. O veado camarī também disparava em fuga.
गोपुच्छशालावृकमर्कटाश्च ।
अन्यत्र क्षुद्रा हरिणा: शशादय-
श्चरन्त्यभीता यदनुग्रहेण ॥ २२ ॥
vṛkā varāhā mahiṣarkṣa-śalyā
gopuccha-śālāvṛka-markaṭāś ca
anyatra kṣudrā hariṇāḥ śaśādayaś
caranty abhītā yad-anugraheṇa

Synonyms

vṛkāḥraposas; varāhāḥjavalis; mahiṣabúfalos; ṛkṣaursos; śalyāḥ porcos-espinhos; gopucchauma espécie de veado; śālā­vṛkalobos; markaṭāḥmacacos; cae; anyatraem outras partes; kṣudrāḥpequenos animais; hariṇāḥveados; śaśa-ādayaḥcoelhos e outros; caranti vagando (na floresta); abhītāḥsem medo; yat­anugraheṇapela misericórdia daquele elefante.

Translation

Pela misericórdia desse elefante, animais como as raposas, lobos, búfalos, ursos, javalis, gopucchas, porcos-espinhos, macacos, coelhos, outras espécies de veados e muitos outros animais perambulavam por outros lugares da floresta. Eles não o temiam.

Purport

SIGNIFICADO—Todos os animais eram praticamente controlados por esse elefante; contudo, embora eles pudessem mover-se sem temor, por questão de respeito, não se colocavam diante dele.
स घर्मतप्त: करिभि: करेणुभि-
र्वृतो मदच्युत्करभैरनुद्रुत: ।
गिरिं गरिम्णा परित: प्रकम्पयन्
निषेव्यमाणोऽलिकुलैर्मदाशनै: ॥ २३ ॥
सरोऽनिलं पङ्कजरेणुरूषितं
जिघ्रन्विदूरान्मदविह्वलेक्षण: ।
वृत: स्वयूथेन तृषार्दितेन तत्
सरोवराभ्यासमथागमद्‌द्रुतम् ॥ २४ ॥
sa gharma-taptaḥ karibhiḥ kareṇubhir
vṛto madacyut-karabhair anudrutaḥ
giriṁ garimṇā paritaḥ prakampayan
niṣevyamāṇo ’likulair madāśanaiḥ
saro ’nilaṁ paṅkaja-reṇu-rūṣitaṁ
jighran vidūrān mada-vihvalekṣaṇaḥ
vṛtaḥ sva-yūthena tṛṣārditena tat
sarovarābhyāsam athāgamad drutam

Synonyms

saḥele (o líder dos elefantes); gharma-taptaḥtranspirando; karibhiḥpelos outros elefantes; kareṇubhiḥbem como pelas elefantas; vṛtaḥcercado; mada-cyutbebida inebriante escorrendo de sua boca; karabhaiḥpelos filhotes de elefantes; anudrutaḥera segui­do; girimaquela montanha; garimṇāpelo peso do corpo; pari­taḥem toda a sua extensão; prakampayancompelida a tremer; niṣevyamāṇaḥsendo servido; alikulaiḥpelas abelhas; mada­-aśanaiḥque bebiam mel; saraḥdo lago; anilama brisa; paṅkaja-­reṇu-rūṣitamtransportando o pólen das flores de lótus; jighrancheirando; vidūrāt a distância; mada-vihvalaestando embriagada; īkṣaṇaḥcuja visão; vṛtaḥcercado; sva-yūthenapelos seus próprios associados; tṛṣā-arditenaatormentados pela sede; tataquela; sarovara-abhyāsamà margem do lago; atha assim; agamatfoi; drutam bem depressa.

Translation

Cercado por outros elefantes da manada, incluindo fêmeas, e seguido por filhotes, Gajapati, o líder dos elefantes, fazia a montanha Trikūṭa tremer em toda a sua extensão devido ao peso de seu corpo. Ele transpirava e, de sua boca, escorria bebida alcoólica, e sua visão estava sob os efeitos da embriaguez. Ele estava sendo servido por abelhas que bebiam mel, e, à distância, podia cheirar o pólen das flores de lótus, que era transportado pela brisa que vinha do lago. Cercado, então, por seus associados, que morriam de sede, ele logo chegou à margem do lago.
विगाह्य तस्मिन्नमृताम्बु निर्मलं
हेमारविन्दोत्पलरेणुरूषितम् ।
पपौ निकामं निजपुष्करोद्‌धृत-
मात्मानमद्भ‍ि: स्‍नपयन्गतक्लम: ॥ २५ ॥
vigāhya tasminn amṛtāmbu nirmalaṁ
hemāravindotpala-reṇu-rūṣitam
papau nikāmaṁ nija-puṣkaroddhṛtam
ātmānam adbhiḥ snapayan gata-klamaḥ

Synonyms

vigāhyaentrando; tasminno lago; amṛta-ambuágua tão pura como néctar; nirmalamcristalina; hemabem fria; aravinda-utpalados lírios e lótus; reṇucom o pólen; rūṣitamque estava misturada; papauele bebeu; nikāmamaté se sentir plenamente satisfeito; nijaprópria; puṣkara-uddhṛtamservindo-se com sua tromba; ātmānamele mesmo; adbhiḥcom água; snapayanbanhando-se esmeradamente; gata-klamaḥaliviou-se de toda a fadiga.

Translation

O rei dos elefantes entrou no lago, banhou-se esmeradamente e aliviou-se de sua fadiga. Em seguida, com a ajuda de sua tromba, e até se sentir inteiramente satisfeito, bebeu a água fria, clara e nectárea, que estava misturada com o pólen das flores de lótus e lírios aquáticos.
स पुष्करेणोद्‌धृतशीकराम्बुभि-
र्निपाययन्संस्‍नपयन्यथा गृही ।
घृणी करेणु: करभांश्च दुर्मदो
नाचष्ट कृच्छ्रं कृपणोऽजमायया ॥ २६ ॥
sa puṣkareṇoddhṛta-śīkarāmbubhir
nipāyayan saṁsnapayan yathā gṛhī
ghṛṇī kareṇuḥ karabhāṁś ca durmado
nācaṣṭa kṛcchraṁ kṛpaṇo ’ja-māyayā

Synonyms

saḥele (o líder dos elefantes); puṣkareṇacom sua tromba; uddhṛtaretirando; śīkara-ambubhiḥe espargindo a água; nipāyayanfazendo-os beber; saṁsnapayane os banhando; yathācomo; gṛhīum chefe de família; ghṛṇīsempre bondoso (com os membros de sua família); kareṇuḥa suas esposas, as elefantas; karabhānaos filhos; cabem como; durmadaḥ que é muito apegado aos membros de sua família; na não; ācaṣṭaconsiderava; kṛcchramdificuldade; kṛpaṇaḥnão tendo conhecimento espiritual; aja-­māyayādevido à influência da ilusória energia externa da Suprema Personalidade de Deus.

Translation

Tal qual um ser humano desprovido de conhecimento espiritual e muito apegado aos membros de sua família, o elefante, estando iludido pela energia externa de Kṛṣṇa, convidou suas esposas e filhos a se banharem e beberem água. Na realidade, com sua tromba, ele tirava água do lago e a espargia sobre eles. Ele não se importava com o enorme esforço necessário nesse empenho.
तं तत्र कश्चिन्नृप दैवचोदितो
ग्राहो बलीयांश्चरणे रुषाग्रहीत् ।
यद‍ृच्छयैवं व्यसनं गतो गजो
यथाबलं सोऽतिबलो विचक्रमे ॥ २७ ॥
taṁ tatra kaścin nṛpa daiva-codito
grāho balīyāṁś caraṇe ruṣāgrahīt
yadṛcchayaivaṁ vyasanaṁ gato gajo
yathā-balaṁ so ’tibalo vicakrame

Synonyms

tama ele (Gajendra); tatraali (na água); kaścitalgum; nṛpaó rei; daiva-coditaḥinspirado pela providência; grāhaḥcrocodilo; balīyān muito poderoso; caraṇeseu pé; ruṣāiradamente; agrahītagarrou; yadṛcchayā ocorrendo devido à providência; evamessa; vyasanamposição perigosa; gataḥtendo obtido; gajaḥo elefante; yathā-balamde acordo com sua força; saḥ ele; ati­-balaḥcom muito esforço; vicakrametentou escapar.

Translation

Por arranjo da providência, ó rei, um forte crocodilo irou-se com o elefante e, na água, atacou a perna desse. Como era realmente muito forte, o elefante fez tudo o que pôde para escapar desse perigo enviado pela providência.
तथातुरं यूथपतिं करेणवो
विकृष्यमाणं तरसा बलीयसा ।
विचुक्रुशुर्दीनधियोऽपरे गजा:
पार्ष्णिग्रहास्तारयितुं न चाशकन् ॥ २८ ॥
tathāturaṁ yūtha-patiṁ kareṇavo
vikṛṣyamāṇaṁ tarasā balīyasā
vicukruśur dīna-dhiyo ’pare gajāḥ
pārṣṇi-grahās tārayituṁ na cāśakan

Synonyms

tathādepois; āturamaquela grave situação; yūtha-patim o líder dos elefantes; kareṇavaḥsuas esposas; vikṛṣyamāṇamsendo atacado; tarasā pela força; balīyasāpela força (do crocodilo); vicukruśuḥcomeçaram a chorar; dīna-dhiyaḥque eram menos inteligentes; apareos outros; gajāḥelefantes; pārṣṇi-grahāḥsegu­rando-o na parte posterior; tārayitumde libertar; nanão; catambém; aśakanforam capazes.

Translation

Em seguida, vendo Gajendra naquela situação de grande gravidade, suas espo­sas se sentiram muitíssimo pesarosas e começaram a chorar. Os outros elefantes queriam ajudar Gajendra, mas, em virtude da imensa força do crocodilo, não conseguiram libertar o elefante ao agarrarem-no por trás.
नियुध्यतोरेवमिभेन्द्रनक्रयो-
र्विकर्षतोरन्तरतो बहिर्मिथ: ।
समा: सहस्रं व्यगमन् महीपते
सप्राणयोश्चित्रममंसतामरा: ॥ २९ ॥
niyudhyator evam ibhendra-nakrayor
vikarṣator antarato bahir mithaḥ
samāḥ sahasraṁ vyagaman mahī-pate
saprāṇayoś citram amaṁsatāmarāḥ

Synonyms

niyudhyatoḥluta; evamdessa maneira; ibha-indrado elefan­te; nakrayoḥe do crocodilo; vikarṣatoḥarrastando; antarataḥna água; bahiḥ fora da água; mithaḥum ao outro; samāḥanos; sahasrammil; vyagamanpassaram-se; mahī-pateó rei; sa-prāṇayoḥambos vivos; citrammaravilhoso; amaṁsataconsideraram; amarāḥos semideuses.

Translation

Ó rei, durante mil anos, o elefante e o crocodilo empreenderam essa luta, engalfinhando-se dentro e fora da água. Ao verem a luta, os semideuses ficaram muito surpresos.
ततो गजेन्द्रस्य मनोबलौजसां
कालेन दीर्घेण महानभूद् व्यय: ।
विकृष्यमाणस्य जलेऽवसीदतो
विपर्ययोऽभूत् सकलं जलौकस: ॥ ३० ॥
tato gajendrasya mano-balaujasāṁ
kālena dīrgheṇa mahān abhūd vyayaḥ
vikṛṣyamāṇasya jale ’vasīdato
viparyayo ’bhūt sakalaṁ jalaukasaḥ

Synonyms

tataḥdepois disso; gaja-indrasyado rei dos elefantes; manaḥda força do entusiasmo; balaa força física; ojasāme a força dos sentidos; kālenadevido aos anos de luta; dīrgheṇaprolonga­da; mahāngrande; abhūttornou-se; vyayaḥo gasto; vikṛṣya­māṇasyaque estava sendo arrastado (pelo crocodilo); jalepara a água (um lugar estranho); avasīdataḥreduzida (força mental, física e sensória); viparyayaḥ o oposto; abhūttornaram-se; saka­lamtodas elas; jala-okasaḥo crocodilo, cujo habitat é a água.

Translation

Em seguida, devido ao fato de que era arrastado para dentro da água e de que já estava lutando por muitos e muitos anos, o elefante começou a perder sua força mental, física e sensória. O crocodilo, ao contrário, sendo um animal da água, ganhava mais entusiasmo, força física e poder sensório.

Purport

SIGNIFICADO—Na luta entre o elefante e o crocodilo, a diferença era que, embo­ra fosse extremamente poderoso, o elefante estava em um lugar que não lhe era natural, a água. Durante mil anos de luta, ele não pôde obter nenhum alimento, e, nessas circunstâncias, sua força corpórea diminuiu, e, como sua força corpórea ficou reduzida, sua mente também se tornou fraca, e seus sentidos, menos poderosos. O crocodilo, no entanto, sendo um animal da água, não tinha dificuldades. Ele obtinha alimento e, portanto, estava ganhando força mental e revigoramento sensório. Assim, enquanto o elefante ficava com sua força reduzida, o crocodilo se tornava cada vez mais poderoso. Portanto, através disso, podemos tirar a lição de que, em nossa luta contra māyā, não devemos assumir uma posição em que nossa força, entusiasmo e sen­tidos encontrem dificuldade de lutar vigorosamente. Nosso movi­mento da consciência de Kṛṣṇa realmente declarou guerra contra a energia ilusória, na qual todas as entidades vivas estão apodrecendo em uma falsa compreensão acerca do que é civilização. Os soldados deste movimento da consciência de Kṛṣṇa sempre devem possuir força física, entusiasmo e poder sensório. Portanto, para se mante­rem em forma, eles devem aceitar uma condição de vida normal. Essa condição normal é definida de acordo com a posição da pessoa, e, portanto, existem as divisões de varṇāśrama – brāhmaṇa, kṣatriya, vaiśya, śūdra, brahmacarya, gṛhastha, vānaprastha e sannyāsa. Es­pecialmente nesta era, Kali-yuga, aconselha-se que ninguém tome sannyāsa.
aśvamedhaṁ gavālambhaṁ
sannyāsaṁ pala-paitṛkam
devareṇa sutotpattiṁ
kalau pañca vivarjayet
(Brahma-vaivarta Purāṇa)
Com isso, podemos entender que, nesta era, o sannyāsa-āśrama é proibido porque as pessoas não são muito fortes. Śrī Caitanya Mahāprabhu nos mostrou um exemplo, recebendo sannyāsa com a idade de vinte e quatro anos, mas mesmo Sārvabhauma Bhattācārya aconselhou Śrī Caitanya Mahāprabhu a ser extremamente cuidadoso porque Ele tomara sannyāsa em uma idade precoce. Em prol da prega­ção, damos sannyāsa a moços, mas o que se vê na prática é que eles não estão em condições de tomar sannyāsa. Não há nenhum mal, entretanto, se alguém pensa que é desqualificado para sannyāsa; se ele estiver muito agitado sexualmente, deverá ingressar no āśrama onde o sexo é permitido, ou seja, o gṛhastha-āśrama. Só porque se comprova que, em uma determinada posição, alguém é muito fraco, isso não significa que ele deva parar de lutar contra o crocodilo de māyā. A pessoa deve refugiar-se nos pés de lótus de Kṛṣṇa, fenôme­no que veremos acontecer no caso de Gajendra, e, ao mesmo tempo, a pessoa pode ser um gṛhastha se, para satisfazer-se, sentir a necessidade de ativi­dades sexuais. Não convém abandonar a luta. Śrī Caitanya Mahāprabhu, portanto, recomenda: sthāne sthitāḥ śruti-gatāṁ tanu-vān-manobhiḥ. As pessoas podem permanecer em qualquer āśrama que lhes seja adequado; não é essencial que tomem sannyāsa. Se alguém está sexualmente agitado, pode ingressar no gṛhastha-āśrama. Mas deve-se continuar lutando. Para quem não está em uma posição transcendental, tomar sannyāsa artificialmente não é muito meritório. Se sannyāsa não convier, a pessoa pode entrar no gṛhastha-āśrama e enfrentar māyā com muita garra. Mas ela não deve deixar de lutar e bater em retirada.
इत्थं गजेन्द्र: स यदाप सङ्कटं
प्राणस्य देही विवशो यद‍ृच्छया ।
अपारयन्नात्मविमोक्षणे चिरं
दध्याविमां बुद्धिमथाभ्यपद्यत ॥ ३१ ॥
itthaṁ gajendraḥ sa yadāpa saṅkaṭaṁ
prāṇasya dehī vivaśo yadṛcchayā
apārayann ātma-vimokṣaṇe ciraṁ
dadhyāv imāṁ buddhim athābhyapadyata

Synonyms

itthamdessa maneira; gaja-indraḥo rei dos elefantes; saḥ ele; yadā quando; āpaobteve; saṅkaṭamessa posição perigosa; prāṇasyade vida; dehīque é corporificado; vivaśaḥem circunstâncias desesperadoras; yadṛcchayāpela vontade da providência; apārayansendo incapaz; ātma-vimokṣaṇede salvar-se; ciramdemoradamente; dadhyaucomeçou a pensar com muita seriedade; imāmesta; buddhimdecisão; athaem seguida; abhyapadyata tomou.

Translation

Quando o rei dos elefantes percebeu que, pela vontade da providência, estava nas garras do crocodilo e, como era um ser corpori­ficado que se encontrava em tais circunstâncias desesperadoras, não podia, portanto, salvar-se do perigo, experimentou um intenso temor da morte. Em consequência disso, ele pensou demoradamente, após o que decidiu o seguinte.

Purport

SIGNIFICADO—No mundo material, todos se ocupam na luta pela existência. Todos tentam salvar-se do perigo, mas, quando é incapaz de salvar-se, se alguém é piedoso, refugia-se nos pés de lótus da Suprema Personalidade de Deus. Isso é confirmado na Bhagavad-gītā (7.16):
catur-vidhā bhajante māṁ
janāḥ sukṛtino ’rjuna
ārto jijñāsur arthārthī
jñānī ca bharatarṣabha
Quatro classes de homens piedosos – a saber, aquele que está em perigo, aquele que precisa de dinheiro, aquele que busca conheci­mento e aquele que é indagador – começam a refugiar-se na Su­prema Personalidade de Deus para se salvarem ou avançarem. O rei dos elefantes, estando em uma condição muito perigosa, decidiu buscar refúgio aos pés de lótus do Senhor. Após madura consideração, ele, com inteligência, chegou a essa decisão acertada. Semelhante decisão não ocorre ao homem pecaminoso. Portanto, na Bhagavad-gītā, afirma-se que aqueles que são piedosos (sukṛtī) concluem que, em uma condição perigosa e incômoda, a pessoa deve refugiar­-se nos pés de lótus de Kṛṣṇa.
न मामिमे ज्ञातय आतुरं गजा:
कुत: करिण्य: प्रभवन्ति मोचितुम् ।
ग्राहेण पाशेन विधातुरावृतो-
ऽप्यहं च तं यामि परं परायणम् ॥ ३२ ॥
na mām ime jñātaya āturaṁ gajāḥ
kutaḥ kariṇyaḥ prabhavanti mocitum
grāheṇa pāśena vidhātur āvṛto
’py ahaṁ ca taṁ yāmi paraṁ parāyaṇam

Synonyms

nanão; māma mim; imetodos esses; jñātayaḥamigos e parentes (os outros elefantes); āturamem minha aflição; gajāḥ o elefante; kutaḥ como; kariṇyaḥminhas esposas; prabhavanti são capazes; mocitumde salvar (desta posição perigosa); grāheṇa­pelo crocodilo; pāśena pela trama de cordas; vidhātuḥda provi­dência; āvṛtaḥcapturado; apiembora (eu esteja nessa posição); ahameu; catambém; tamesta (Suprema Personalidade de Deus); yāmi refugio-me em; paramque é transcendental; parāyaṇamque é o refúgio até mesmo de semideuses tão grandiosos como Brahmā e Śiva.

Translation

Se os outros elefantes, que são meus amigos e parentes, não pude­ram livrar-me deste perigo, o que dizer, então, de minhas esposas? Elas nada podem fazer. É pela vontade da providência que fui ata­cado por este crocodilo, e, portanto, buscarei o abrigo da Suprema Personalidade de Deus, que sempre é o refúgio de todos, inclusive das grandes personalidades.

Purport

SIGNIFICADO—Este mundo material é descrito como padaṁ padaṁ yad vipadām, o que significa que há um perigo a cada passo. O tolo pensa que é feliz neste mundo material, mas de fato ele não o é, pois quem cultiva esse pensamento está apenas iludido. A cada passo, a cada momento, há perigos. Na civilização moderna, pensa-se que, com uma boa casa e um bom carro, a vida é perfeita. Nos países ocidentais, especialmente nos Estados Unidos, é muito bom ter um carro de qualidade, mas logo que a pessoa está na estrada, surge o perigo, visto que, a qualquer momento, pode ocorrer um acidente fatal. As estatísticas realmente mostram que muitas pessoas morrem nesses acidentes. Portanto, se pensarmos que este mundo material é realmente um lugar feliz, isso se deve apenas à nossa ignorância. O verdadeiro conhecimento é sabermos que este mundo material está cheio de perigos. Talvez lutemos pela existência tanto quanto nossa existência o permita, e talvez tentemos cuidar de nós mesmos, mas, a menos que Kṛṣṇa, a Suprema Personalidade de Deus, em última análise nos salve do perigo, nossos esforços serão inúteis. Portanto, Prahlāda Mahārāja diz:
bālasya neha śaraṇaṁ pitarau nṛsiṁha
nārtasya cāgadam udanvati majjato nauḥ
taptasya tat-pratividhir ya ihāñjaseṣṭas
tāvad vibho tanu-bhṛtāṁ tvad-upekṣitānām
(Bhāg. 7.9.19)
Podemos inventar muitas maneiras de sermos felizes ou de anularmos os perigos deste mundo material, mas, se nossos esforços não forem sancionados pela Suprema Personalidade de Deus, nunca nos trarão felicidade. Aqueles que tentam ser felizes sem se refugiarem na Suprema Personalidade de Deus são mūḍhas, patifes. Na māṁ duṣkṛtino mūḍhāḥ prapadyante narādhamāḥ. Aqueles que são os mais baixos dos homens se recusam a adotar a consciência de Kṛṣṇa porque pensam que serão capazes de se proteger sem recorrer à ajuda de Kṛṣṇa. Esse é o erro deles. A decisão do rei dos elefan­tes, Gajendra, foi correta. Em uma condição tão perigosa, ele buscou re­fúgio na Suprema Personalidade de Deus.
य: कश्चनेशो बलिनोऽन्तकोरगात्
प्रचण्डवेगादभिधावतो भृशम् ।
भीतं प्रपन्नं परिपाति यद्भ‍या-
न्मृत्यु: प्रधावत्यरणं तमीमहि ॥ ३३ ॥
yaḥ kaścaneśo balino ’ntakoragāt
pracaṇḍa-vegād abhidhāvato bhṛśam
bhītaṁ prapannaṁ paripāti yad-bhayān
mṛtyuḥ pradhāvaty araṇaṁ tam īmahi

Synonyms

yaḥaquele que (a Suprema Personalidade de Deus); kaścanaalguém; īśaḥo controlador supremo; balinaḥ muito poderoso; an­taka-uragātda grande serpente do tempo, que traz a morte; pracaṇḍa-vegātcuja força é amedrontadora; abhidhāvataḥque está seguindo no encalço de; bhṛśaminterminavelmente (a cada hora e a cada minuto); bhītamaquele que teme a morte; prapannamque é rendido (à Suprema Personalidade de Deus); paripātiEle protege; yat-bhayātcom medo do Senhor; mṛtyuḥa própria morte; pradhāvatifoge; araṇamverdadeiro refúgio de todos; tama Ele; īmahirendo-me ou busco como meu refúgio.

Translation

A Suprema Personalidade de Deus na certa não é conhecido por todas as pessoas, mas Ele é muito poderoso e influente. Portanto, embora a serpente do tempo eterno, cuja força é amedrontadora, não se canse de correr no encalço de todos, pronta para engoli-los, se alguém que teme essa serpente busca abrigo no Senhor, o Senhor lhe confere proteção, pois até mesmo a morte foge com medo do Senhor. Portanto, rendo-me a Ele, a grande e poderosa autoridade suprema, o verdadeiro abrigo de todos.

Purport

SIGNIFICADO—Pessoas inteligentes compreendem que existe uma grande e suprema autoridade que está acima de tudo. Essa grande autoridade aparece em diferentes encarnações para que os inocentes possam salvar-se das perturbações. Como se confirma na Bhagavad-gītā (4.8), paritrāṇāya sādhūnāṁ vināśāya ca duṣkṛtām: o Senhor aparece em Suas várias encarnações com dois propósitos – aniquilar o duṣkṛtī, o pecaminoso, e proteger Seu devoto. O rei dos elefantes decidiu render-se a Ele. Essa foi uma medida inteligente. Todos devem conhecer essa grande Suprema Personalidade de Deus e se render a Ele. O Senhor vem pessoalmente nos instruir como devemos agir para sermos felizes, e somente os tolos e patifes não usam a inteligên­cia para ver essa autoridade suprema, a Pessoa Suprema. No śruti-mantra, afirma-se:
bhīṣāsmād vātaḥ pavate
bhīṣodeti sūryaḥ
bhīṣāsmād agniś candraś ca
mṛtyur dhāvati pañcamaḥ
(Taittirīya Upaniṣad 2.8)
É por temor à Suprema Personalidade de Deus que o vento sopra, que o Sol distribui calor e luz e que a morte segue no encalço de todos. Logo, existe um controlador supremo, como se confirma na Bhagavad-gītā (9.10): mayādhyakṣeṇa prakṛtiḥ sūyate sacarācaram. Esta manifestação material funciona muito bem devido ao controlador supremo. Portanto, toda pessoa inteligente pode entender que existe um controlador supremo. Ademais, o próprio controlador supremo aparece como o Senhor Kṛṣṇa, como o Senhor Caitanya Mahāprabhu e como o Senhor Rāmacandra para nos dar instruções e, através do exemplo, mostrar-nos como devemos proceder para nos rendermos à Suprema Personalidade de Deus. Entretanto, aqueles que são duṣkṛtī, os mais baixos dos homens, não se rendem (na māṁ duṣkṛtino mūḍhāḥ prapadyante narādhamāḥ).
Na Bhagavad-gītā, o Senhor claramente diz que mṛtyuḥ sarva-haraś cāham: “Eu sou a morte que tudo devora.” Assim, mṛtyu, ou a Morte, é o representante que leva tudo da entidade viva que aceitou um corpo material. Ninguém pode dizer: “Eu não temo a morte.” Isso é falso. Todos temem a morte. No entanto, quem busca o refúgio da Suprema Personalidade de Deus pode salvar-se da morte. Talvez alguém objete: “Acaso o devoto não morre?” A resposta é que o devoto certamente tem que abandonar seu corpo, pois o corpo é material. Entretanto, a diferença é que, para quem se rende completamente a Kṛṣṇa e é protegido por Kṛṣṇa, o corpo atual é o seu último corpo; ele não voltará a receber um corpo material que o torne suscetível a morrer. Isso está assegurado na Bhagavad-gītā (4.9), tyaktvā dehaṁ punar janma naiti mām eti so ’rjuna: após abandonar seu corpo, o devoto não aceita outro corpo mate­rial, senão que retorna ao lar, retorna ao Supremo. Sempre estamos em perigo porque, a qualquer momento, a morte pode acontecer. Que ninguém pense que apenas Gajendra, o rei dos elefantes, temia a morte! Todos devem temer a morte porque todos são capturados pelo crocodilo do tempo eterno e podem morrer a qualquer instante. A melhor atitude, portanto, é buscar refúgio em Kṛṣṇa, a Suprema Personalidade de Deus, e salvar-se da luta pela existência empreen­dida por todos aqueles que estão no mundo material, no qual a pessoa se submete a repetidos nascimentos e mortes. Alcançar essa compreensão é a meta última da vida.
Neste ponto, encerram-se os Significados Bhaktivedanta do oitavo canto, segundo capítulo, do Śrīmad-Bhāgavatam, intitulado “A Crise do Elefante Gajendra”.