Before Verses
Devanagari
Verse Text
Synonyms
Translation
Purport
Capítulo Dois
A Crise do Elefante Gajendra
O segundo, terceiro e quarto capítulos deste canto descrevem como, durante o reinado do quarto Manu, o Senhor conferiu Sua proteção ao rei dos elefantes. De acordo com o que se descreve neste segundo capítulo, quando o rei dos elefantes, juntamente com suas elefantas, divertia-se na água, um crocodilo o atacou subitamente, e, em busca de proteção, o elefante se rendeu aos pés de lótus da Suprema Personalidade de Deus.
No meio do oceano de leite, existe uma altíssima e bela montanha que tem a altitude de dez mil yojanas, ou cento e vinte e oito mil quilômetros. Essa montanha é conhecida como Trikūṭa. Em um vale de Trikūṭa, há um belo jardim chamado Ṛtumat, que foi construído por Varuṇa, e, naquela área, existe um lago encantador. Certa vez, o chefe dos elefantes, juntamente com suas elefantas, foi desfrutar de um banho naquele lago, de modo que eles perturbaram os habitantes da água. Por causa disso, o principal crocodilo daquele lago, que era muito poderoso, imediatamente se arremeteu contra uma perna do elefante. Assim, seguiu-se uma grande luta entre o elefante e o crocodilo. Essa peleja continuou por mil anos. Nem o elefante nem o crocodilo morriam, mas, como estavam na água, o elefante foi aos poucos enfraquecendo, e o poder do crocodilo aumentava cada vez mais. O crocodilo, portanto, sentia-se mais e mais encorajado. Por fim, o elefante, estando desamparado e vendo que não havia outra maneira de se proteger, buscou refúgio nos pés de lótus da Suprema Personalidade de Deus.
Devanagari
श्रीशुक उवाच
आसीद् गिरिवरो राजंस्त्रिकूट इति विश्रुत: ।
क्षीरोदेनावृत: श्रीमान्योजनायुतमुच्छ्रित: ॥ १ ॥
आसीद् गिरिवरो राजंस्त्रिकूट इति विश्रुत: ।
क्षीरोदेनावृत: श्रीमान्योजनायुतमुच्छ्रित: ॥ १ ॥
Verse text
śrī-śuka uvāca
āsīd girivaro rājaṁs
trikūṭa iti viśrutaḥ
kṣīrodenāvṛtaḥ śrīmān
yojanāyutam ucchritaḥ
āsīd girivaro rājaṁs
trikūṭa iti viśrutaḥ
kṣīrodenāvṛtaḥ śrīmān
yojanāyutam ucchritaḥ
Synonyms
śrī-śukaḥ uvāca — Śrī Śukadeva Gosvāmī disse; āsīt — havia; girivaraḥ — uma enorme montanha; rājan — ó rei; tri-kūṭaḥ — Trikūṭa; iti — assim; viśrutaḥ — célebre; kṣīra-udena — pelo oceano de leite; āvṛtaḥ — cercada; śrīmān — belíssima; yojana — uma medida que equivale a 12,8 quilômetros; ayutam — dez mil; ucchritaḥ — muito alta.
Translation
Śukadeva Gosvāmī disse: Meu querido rei, existe uma grande montanha chamada Trikūṭa, que tem dez mil yojanas [cento e vinte e oito mil quilômetros] de altura. Cercada pelo oceano de leite, sua localização é belíssima.
Devanagari
तावता विस्तृत: पर्यक्त्रिभि: शृङ्गै: पयोनिधिम् ।
दिश: खं रोचयन्नास्ते रौप्यायसहिरण्मयै: ॥ २ ॥
अन्यैश्च ककुभ: सर्वा रत्नधातुविचित्रितै: ।
नानाद्रुमलतागुल्मैर्निर्घोषैर्निर्झराम्भसाम् ॥ ३ ॥
दिश: खं रोचयन्नास्ते रौप्यायसहिरण्मयै: ॥ २ ॥
अन्यैश्च ककुभ: सर्वा रत्नधातुविचित्रितै: ।
नानाद्रुमलतागुल्मैर्निर्घोषैर्निर्झराम्भसाम् ॥ ३ ॥
Verse text
tāvatā vistṛtaḥ paryak
tribhiḥ śṛṅgaiḥ payo-nidhim
diśaḥ khaṁ rocayann āste
raupyāyasa-hiraṇmayaiḥ
tribhiḥ śṛṅgaiḥ payo-nidhim
diśaḥ khaṁ rocayann āste
raupyāyasa-hiraṇmayaiḥ
anyaiś ca kakubhaḥ sarvā
ratna-dhātu-vicitritaiḥ
nānā-druma-latā-gulmair
nirghoṣair nirjharāmbhasām
ratna-dhātu-vicitritaiḥ
nānā-druma-latā-gulmair
nirghoṣair nirjharāmbhasām
Synonyms
tāvatā — dessa maneira; vistṛtaḥ — largura e comprimento (cento e vinte e oito mil quilômetros); paryak — em toda a volta; tribhiḥ — com três; śṛṅgaiḥ — picos; payaḥ-nidhim — situada em uma ilha do oceano de leite; diśaḥ — todas as direções; kham — o céu; rocayan — embelezando; āste — erguendo-se; raupya — feito de prata; ayasa — ferro; hiraṇmayaiḥ — e ouro; anyaiḥ — com outros picos; ca — também; kakubhaḥ — as direções; sarvāḥ — todas; ratna — com joias; dhātu — e minerais; vicitritaiḥ — muito bem decorados; nānā — com várias; druma-latā — árvores e trepadeiras; gulmaiḥ — e arbustos; nirghoṣaiḥ — com os sons de; nirjhara — cataratas; ambhasām — de água.
Translation
O comprimento e a largura da montanha têm as mesmas dimensões [cento e vinte e oito mil quilômetros]. Seus três picos principais, que são feitos de ferro, prata e ouro, embelezam todas as direções e o céu. A montanha tem também outros picos, que estão cheios de joias e minerais e são decorados com belas árvores, trepadeiras e arbustos. Os sons das cascatas da montanha produzem uma vibração agradável. É dessa maneira que a montanha se ergue, aumentando a beleza de todas as direções.
Devanagari
स चावनिज्यमानाङ्घ्रि: समन्तात् पयऊर्मिभि: ।
करोति श्यामलां भूमिं हरिन्मरकताश्मभि: ॥ ४ ॥
करोति श्यामलां भूमिं हरिन्मरकताश्मभि: ॥ ४ ॥
Verse text
sa cāvanijyamānāṅghriḥ
samantāt paya-ūrmibhiḥ
karoti śyāmalāṁ bhūmiṁ
harin-marakatāśmabhiḥ
samantāt paya-ūrmibhiḥ
karoti śyāmalāṁ bhūmiṁ
harin-marakatāśmabhiḥ
Synonyms
Translation
O terreno situado no sopé da montanha é sempre banhado por ondas de leite que produzem esmeraldas em todo o entorno, nas oito direções [norte, sul, leste, oeste e direções intermediárias].
Purport
SIGNIFICADO—A partir do Śrīmad-Bhāgavatam, compreendemos que existem vários oceanos. Em alguma parte, existe um oceano cheio de leite e, em outras partes, um oceano de bebida inebriante, um oceano de ghī, um oceano de óleo e um oceano de água doce. Logo, existem variedades de oceanos dentro deste universo. Os cientistas modernos, que têm apenas uma experiência limitada, não podem refutar essas afirmações. Eles não conseguem apresentar-nos informações exatas sobre planeta algum, nem mesmo sobre o planeta em que vivemos. Entretanto, através deste verso, podemos compreender que, se os vales de algumas montanhas são banhados por leite, isso produz esmeraldas. Ninguém tem habilidade para imitar as atividades da natureza material da forma como são conduzidas pela Suprema Personalidade de Deus.
Devanagari
सिद्धचारणगन्धर्वैर्विद्याधरमहोरगै: ।
किन्नरैरप्सरोभिश्च क्रीडद्भिर्जुष्टकन्दर: ॥ ५ ॥
किन्नरैरप्सरोभिश्च क्रीडद्भिर्जुष्टकन्दर: ॥ ५ ॥
Verse text
siddha-cāraṇa-gandharvair
vidyādhara-mahoragaiḥ
kinnarair apsarobhiś ca
krīḍadbhir juṣṭa-kandaraḥ
vidyādhara-mahoragaiḥ
kinnarair apsarobhiś ca
krīḍadbhir juṣṭa-kandaraḥ
Synonyms
siddha — pelos habitantes de Siddhaloka; cāraṇa — os habitantes de Cāraṇaloka; gandharvaiḥ — os habitantes de Gandharvaloka; vidyādhara — os habitantes de Vidyādhara-loka; mahā-uragaiḥ — os habitantes do loka das serpentes; kinnaraiḥ — os Kinnaras; apsarobhiḥ — as Apsarās; ca — e; krīḍadbhiḥ — que estavam ocupados em se divertir; juṣṭa — desfrutavam; kandaraḥ — das cavernas.
Translation
Os habitantes dos planetas superiores – os Siddhas, os Cāraṇas, os Gandharvas, os Vidyādharas, as serpentes, os Kinnaras e as Apsarās – vão a essa montanha a fim de se divertirem. Por conseguinte, todas as cavernas da montanha ficam repletas desses cidadãos dos planetas celestiais.
Purport
SIGNIFICADO—Assim como os homens comuns podem divertir-se no oceano salgado, os habitantes dos sistemas planetários superiores vão ao oceano de leite. Eles flutuam no oceano de leite e também praticam vários esportes dentro das cavernas da montanha Trikūṭa.
Devanagari
यत्र सङ्गीतसन्नादैर्नदद्गुहममर्षया ।
अभिगर्जन्ति हरय: श्लाघिन: परशङ्कया ॥ ६ ॥
अभिगर्जन्ति हरय: श्लाघिन: परशङ्कया ॥ ६ ॥
Verse text
yatra saṅgīta-sannādair
nadad-guham amarṣayā
abhigarjanti harayaḥ
ślāghinaḥ para-śaṅkayā
nadad-guham amarṣayā
abhigarjanti harayaḥ
ślāghinaḥ para-śaṅkayā
Synonyms
yatra — naquela montanha (Trikūṭa); saṅgīta — do canto; sannādaiḥ — com as vibrações; nadat — ressoando; guham — nas cavernas; amarṣayā — devido à ira ou inveja avassaladoras; abhigarjanti — rugem; harayaḥ — os leões; ślāghinaḥ — estando muito orgulhosos de sua força; para-śaṅkayā — porque suspeitam da presença de outro leão.
Translation
Devido às tonitruantes vibrações dos cidadãos do céu cantando nas cavernas, os leões que estão por lá, sentindo muito orgulho de sua força, rugem uma inveja avassaladora, pensando que o outro barulho também é o rugido de um leão.
Purport
SIGNIFICADO—Nos sistemas planetários superiores, não existem apenas várias categorias de seres humanos, senão que também existem animais, tais como leões e elefantes. Existem árvores, e a terra é feita de esmeraldas. Tal é a criação da Suprema Personalidade de Deus! A esse respeito, Śrīla Bhaktivinoda Ṭhākura canta que keśava! tuyā jagata vicitra: “Meu Senhor Keśava, Vossa criação é colorida e cheia de variedades.” Os geólogos, os botânicos e outros que se dizem cientistas especulam sobre outros sistemas planetários, mas, sendo incapazes de avaliar as variedades encontradas em outros planetas, falsamente imaginam que, com exceção deste, todos os planetas são vazios, desabitados e cheios de areia. Embora não possam sequer detectar as variedades que existem em todo o universo, eles se orgulham muito de seu conhecimento, e pessoas de igual calibre os aceitam como eruditos. Como se descreve no Śrīmad-Bhāgavatam (2.3.19), śva-vid-varāhoṣṭra-kharaiḥ saṁstutaḥ puruṣaḥ paśuḥ: os líderes materialistas são glorificados por cães, porcos, camelos e asnos, e eles próprios também são grandes animais. Ninguém deve satisfazer-se com o conhecimento transmitido por um grande animal. Ao contrário, deve-se receber conhecimento de pessoas perfeitas como Śukadeva Gosvāmī. Mahājano yena gataḥ sa panthāḥ: nosso dever é seguir as instruções dos mahājanas. Existem doze mahājanas, e Śukadeva Gosvāmī é um deles.
svayambhūr nāradaḥ śambhuḥ
kumāraḥ kapilo manuḥ
prahlādo janako bhīṣmo
balir vaiyāsakir vayam
kumāraḥ kapilo manuḥ
prahlādo janako bhīṣmo
balir vaiyāsakir vayam
(Bhāg. 6.3.20)
Vaiyāsaki é Śukadeva Gosvāmī. Tudo o que ele diz consideramos verídico. Este conhecimento é perfeito.
Devanagari
नानारण्यपशुव्रातसङ्कुलद्रोण्यलङ्कृत: ।
चित्रद्रुमसुरोद्यानकलकण्ठविहङ्गम: ॥ ७ ॥
चित्रद्रुमसुरोद्यानकलकण्ठविहङ्गम: ॥ ७ ॥
Verse text
nānāraṇya-paśu-vrāta-
saṅkula-droṇy-alaṅkṛtaḥ
citra-druma-surodyāna-
kalakaṇṭha-vihaṅgamaḥ
saṅkula-droṇy-alaṅkṛtaḥ
citra-druma-surodyāna-
kalakaṇṭha-vihaṅgamaḥ
Synonyms
nānā — com muitas variedades de; araṇya-paśu — animais silvestres; vrāta — com uma multidão; saṅkula — cheios; droṇi — com vales; alaṅkṛtaḥ — muito belamente decorados; citra — com muitas variedades de; druma — árvores; sura-udyāna — em jardins mantidos pelos semideuses; kalakaṇṭha — chilreando docemente; vihaṅgamaḥ — pássaros.
Translation
Os vales situados abaixo da montanha Trikūṭa são belamente decorados com muitas variedades de animais silvestres, e, pousados nas árvores, que são mantidas nos jardins pelos semideuses, muitas variedades de pássaros chilreiam com doces vozes.
Devanagari
सरित्सरोभिरच्छोदै: पुलिनैर्मणिवालुकै: ।
देवस्त्रीमज्जनामोदसौरभाम्ब्वनिलैर्युत: ॥ ८ ॥
देवस्त्रीमज्जनामोदसौरभाम्ब्वनिलैर्युत: ॥ ८ ॥
Verse text
sarit-sarobhir acchodaiḥ
pulinair maṇi-vālukaiḥ
deva-strī-majjanāmoda-
saurabhāmbv-anilair yutaḥ
pulinair maṇi-vālukaiḥ
deva-strī-majjanāmoda-
saurabhāmbv-anilair yutaḥ
Synonyms
sarit — com rios; sarobhiḥ — e lagos; acchodaiḥ — cheios de água cristalina; pulinaiḥ — orlas; maṇi — com pequenas pedras preciosas; vālukaiḥ — assemelhando-se a grãos de areia; deva-strī — das donzelas dos semideuses; majjana — banhando-se (naquela água); āmoda — aroma corpóreo; saurabha — muito fragrante; ambu — com a água; anilaiḥ — e o ar; yutaḥ — enriquecida (a atmosfera da montanha Trikūṭa).
Translation
A montanha Trikūṭa tem muitos lagos e rios, com as orlas cobertas por pequenas pedras preciosas semelhantes a grãos de areia. A água é tão clara como o cristal, e, quando as donzelas dos semideuses se banham nela, seus corpos perfumam a água e a brisa, enriquecendo assim a atmosfera.
Purport
SIGNIFICADO—Mesmo no mundo material, existem muitos graus de entidades vivas. Na Terra, os seres humanos geralmente aplicam fragrâncias externas em seu corpo para eliminar seus maus odores, mas aqui observamos que, devido à fragrância corpórea das donzelas dos semideuses, os rios, os lagos, a brisa e toda a atmosfera da montanha Trikūṭa também se perfumaram. Uma vez que os corpos das donzelas dos sistemas planetários superiores são tão belos, não nos é possível imaginar quão belamente formados são os corpos das donzelas de Vaikuṇṭha ou das donzelas de Vṛndāvana, as gopīs.
Devanagari
तस्य द्रोण्यां भगवतो वरुणस्य महात्मन: ।
उद्यानमृतुमन्नाम आक्रीडं सुरयोषिताम् ॥ ९ ॥
सर्वतोऽलङ्कृतं दिव्यैर्नित्यपुष्पफलद्रुमै: ।
मन्दारै: पारिजातैश्च पाटलाशोकचम्पकै: ॥ १० ॥
चूतै: पियालै: पनसैराम्रैराम्रातकैरपि ।
क्रमुकैर्नारिकेलैश्च खर्जूरैर्बीजपूरकै: ॥ ११ ॥
मधुकै: शालतालैश्च तमालैरसनार्जुनै: ।
अरिष्टोडुम्बरप्लक्षैर्वटै: किंशुकचन्दनै: ॥ १२ ॥
पिचुमर्दै: कोविदारै: सरलै: सुरदारुभि: ।
द्राक्षेक्षुरम्भाजम्बुभिर्बदर्यक्षाभयामलै: ॥ १३ ॥
उद्यानमृतुमन्नाम आक्रीडं सुरयोषिताम् ॥ ९ ॥
सर्वतोऽलङ्कृतं दिव्यैर्नित्यपुष्पफलद्रुमै: ।
मन्दारै: पारिजातैश्च पाटलाशोकचम्पकै: ॥ १० ॥
चूतै: पियालै: पनसैराम्रैराम्रातकैरपि ।
क्रमुकैर्नारिकेलैश्च खर्जूरैर्बीजपूरकै: ॥ ११ ॥
मधुकै: शालतालैश्च तमालैरसनार्जुनै: ।
अरिष्टोडुम्बरप्लक्षैर्वटै: किंशुकचन्दनै: ॥ १२ ॥
पिचुमर्दै: कोविदारै: सरलै: सुरदारुभि: ।
द्राक्षेक्षुरम्भाजम्बुभिर्बदर्यक्षाभयामलै: ॥ १३ ॥
Verse text
tasya droṇyāṁ bhagavato
varuṇasya mahātmanaḥ
udyānam ṛtuman nāma
ākrīḍaṁ sura-yoṣitām
varuṇasya mahātmanaḥ
udyānam ṛtuman nāma
ākrīḍaṁ sura-yoṣitām
sarvato ’laṅkṛtaṁ divyair
nitya-puṣpa-phala-drumaiḥ
mandāraiḥ pārijātaiś ca
pāṭalāśoka-campakaiḥ
nitya-puṣpa-phala-drumaiḥ
mandāraiḥ pārijātaiś ca
pāṭalāśoka-campakaiḥ
cūtaiḥ piyālaiḥ panasair
āmrair āmrātakair api
kramukair nārikelaiś ca
kharjūrair bījapūrakaiḥ
āmrair āmrātakair api
kramukair nārikelaiś ca
kharjūrair bījapūrakaiḥ
madhukaiḥ śāla-tālaiś ca
tamālair asanārjunaiḥ
ariṣṭoḍumbara-plakṣair
vaṭaiḥ kiṁśuka-candanaiḥ
tamālair asanārjunaiḥ
ariṣṭoḍumbara-plakṣair
vaṭaiḥ kiṁśuka-candanaiḥ
picumardaiḥ kovidāraiḥ
saralaiḥ sura-dārubhiḥ
drākṣekṣu-rambhā-jambubhir
badary-akṣābhayāmalaiḥ
saralaiḥ sura-dārubhiḥ
drākṣekṣu-rambhā-jambubhir
badary-akṣābhayāmalaiḥ
Synonyms
tasya — daquela montanha (Trikūṭa); droṇyām — em um vale; bhagavataḥ — da grande personalidade; varuṇasya — o semideus Varuṇa; mahā-ātmanaḥ — que é um grande devoto do Senhor; udyānam — um jardim; ṛtumat — Ṛtumat; nāma — chamado; ākrīḍam — um lugar de passatempos esportivos; sura-yoṣitām — das donzelas dos semideuses; sarvataḥ — em toda parte; alaṅkṛtam — belamente decorado; divyaiḥ — referentes aos semideuses; nitya — sempre; puṣpa — das flores; phala — e dos frutos; drumaiḥ — pelas árvores; mandāraiḥ — mandāra; pārijātaiḥ — pārijāta; ca — também; pāṭala — pāṭala; aśoka — aśoka; campakaiḥ — campaka; cūtaiḥ — frutas cūta; piyālaiḥ — frutas piyāla; panasaiḥ — frutas panasa; āmraiḥ — mangas; āmrātakaiḥ — frutas azedas chamadas āmrātaka; api — também; kramukaiḥ — frutas kramuka; nārikelaiḥ — coqueiros; ca — e; kharjūraiḥ — tamareiras; bījapūrakaiḥ — romãzeiras; madhukaiḥ — frutas madhuka; śāla-tālaiḥ — frutos da palmeira; ca — e; tamālaiḥ — árvores tamāla; asana — árvores asana; arjunaiḥ — árvores arjuna; ariṣṭa — frutas ariṣṭa; uḍumbara — grandes árvores uḍumbara; plakṣaiḥ — árvores plakṣa; vaṭaiḥ — figueiras-de-bengala; kiṁśuka — flores vermelhas inodoras; candanaiḥ — sândalos; picumardaiḥ — flores picumarda; kovidāraiḥ — frutas kovidāra; saralaiḥ — árvores sarala; sura-dārubhiḥ — árvores sura-dāru; drākṣā — uvas; ikṣuḥ — cana-de-açúcar; rambhā — bananas; jambubhiḥ — jambos; badarī — frutas badarī; akṣa — frutas akṣa; abhaya — frutas abhaya; āmalaiḥ — āmalakī, uma fruta azeda.
Translation
Em um vale da montanha Trikūṭa, havia um jardim chamado Ṛtumat. Esse jardim pertencia ao grande devoto Varuṇa e era um lugar de diversão para as donzelas dos semideuses. Nele, flores e frutos cresciam em todas as estações. Entre eles, viam-se mandāras, pārijātas, pāṭalas, aśokas, campakas, cūtas, piyālas, panasas, mangas, āmrātakas, kramukas, coqueiros, tamareiras e romãzeiras. Havia madhukas, palmeiras, tamālas, asanas, arjunas, ariṣṭas, uḍumbaras, plakṣas, figueiras-de-bengala, kiṁśukas e sândalos. Também havia picumardas, kovidāras, saralas, sura-dārus, uvas, cana-de-açúcar, bananas, jambos, badarīs, akṣas, abhayas e āmalakīs.
Devanagari
८.२.१४-१९
बिल्वै: कपित्थैर्जम्बीरैर्वृतो भल्लातकादिभि: ।
तस्मिन्सर: सुविपुलं लसत्काञ्चनपङ्कजम् ॥ १४ ॥
कुमुदोत्पलकह्लारशतपत्रश्रियोर्जितम् ।
मत्तषट्पदनिर्घुष्टं शकुन्तैश्च कलस्वनै: ॥ १५ ॥
हंसकारण्डवाकीर्णं चक्राह्वै: सारसैरपि ।
जलकुक्कुटकोयष्टिदात्यूहकुलकूजितम् ॥ १६ ॥
मत्स्यकच्छपसञ्चारचलत्पद्मरज:पय: ।
कदम्बवेतसनलनीपवञ्जुलकैर्वृतम् ॥ १७ ॥
कुन्दै: कुरुबकाशोकै: शिरीषै: कूटजेङ्गुदै: ।
कुब्जकै: स्वर्णयूथीभिर्नागपुन्नागजातिभि: ॥ १८ ॥
मल्लिकाशतपत्रैश्च माधवीजालकादिभि: ।
शोभितं तीरजैश्चान्यैर्नित्यर्तुभिरलं द्रुमै: ॥ १९ ॥
बिल्वै: कपित्थैर्जम्बीरैर्वृतो भल्लातकादिभि: ।
तस्मिन्सर: सुविपुलं लसत्काञ्चनपङ्कजम् ॥ १४ ॥
कुमुदोत्पलकह्लारशतपत्रश्रियोर्जितम् ।
मत्तषट्पदनिर्घुष्टं शकुन्तैश्च कलस्वनै: ॥ १५ ॥
हंसकारण्डवाकीर्णं चक्राह्वै: सारसैरपि ।
जलकुक्कुटकोयष्टिदात्यूहकुलकूजितम् ॥ १६ ॥
मत्स्यकच्छपसञ्चारचलत्पद्मरज:पय: ।
कदम्बवेतसनलनीपवञ्जुलकैर्वृतम् ॥ १७ ॥
कुन्दै: कुरुबकाशोकै: शिरीषै: कूटजेङ्गुदै: ।
कुब्जकै: स्वर्णयूथीभिर्नागपुन्नागजातिभि: ॥ १८ ॥
मल्लिकाशतपत्रैश्च माधवीजालकादिभि: ।
शोभितं तीरजैश्चान्यैर्नित्यर्तुभिरलं द्रुमै: ॥ १९ ॥
Verse text
bilvaiḥ kapitthair jambīrair
vṛto bhallātakādibhiḥ
tasmin saraḥ suvipulaṁ
lasat-kāñcana-paṅkajam
vṛto bhallātakādibhiḥ
tasmin saraḥ suvipulaṁ
lasat-kāñcana-paṅkajam
kumudotpala-kahlāra-
śatapatra-śriyorjitam
matta-ṣaṭ-pada-nirghuṣṭaṁ
śakuntaiś ca kala-svanaiḥ
śatapatra-śriyorjitam
matta-ṣaṭ-pada-nirghuṣṭaṁ
śakuntaiś ca kala-svanaiḥ
haṁsa-kāraṇḍavākīrṇaṁ
cakrāhvaiḥ sārasair api
jalakukkuṭa-koyaṣṭi-
dātyūha-kula-kūjitam
cakrāhvaiḥ sārasair api
jalakukkuṭa-koyaṣṭi-
dātyūha-kula-kūjitam
matsya-kacchapa-sañcāra-
calat-padma-rajaḥ-payaḥ
kadamba-vetasa-nala-
nīpa-vañjulakair vṛtam
calat-padma-rajaḥ-payaḥ
kadamba-vetasa-nala-
nīpa-vañjulakair vṛtam
kundaiḥ kurubakāśokaiḥ
śirīṣaiḥ kūṭajeṅgudaiḥ
kubjakaiḥ svarṇa-yūthībhir
nāga-punnāga-jātibhiḥ
śirīṣaiḥ kūṭajeṅgudaiḥ
kubjakaiḥ svarṇa-yūthībhir
nāga-punnāga-jātibhiḥ
mallikā-śatapatraiś ca
mādhavī-jālakādibhiḥ
śobhitaṁ tīra-jaiś cānyair
nityartubhir alaṁ drumaiḥ
mādhavī-jālakādibhiḥ
śobhitaṁ tīra-jaiś cānyair
nityartubhir alaṁ drumaiḥ
Synonyms
bilvaiḥ — árvores bilva; kapitthaiḥ — árvores kapittha; jambīraiḥ — árvores jambīra; vṛtaḥ — cercado de; bhallātaka-ādibhiḥ — bhallātaka e outras árvores; tasmin — naquele jardim; saraḥ — um lago; suvipulam — que era muito grande; lasat — brilhantes; kāñcana — douradas; paṅka-jam — cheio de flores de lótus; kumuda — de flores kumuda; utpala — flores utpala; kahlāra — flores kahlāra; śatapatra — e flores śatapatra; śriyā — com a beleza; ūrjitam — singular; matta — embriagadas; ṣaṭ-pada — abelhas; nirghuṣṭam — zumbiam; śakuntaiḥ — com o chilrear dos pássaros; ca — e; kala-svanaiḥ — cujas canções eram muito melodiosas; haṁsa — cisnes; kāraṇḍava — kāraṇḍavas; ākīrṇam — repleto de; cakrāhvaiḥ — cakrāvakas; sārasaiḥ — grous; api — bem como; jalakukkuṭa — frangos-d’água; koyaṣṭi — koyaṣṭis; dātyūha — dātyūhas; kula — bandos de; kūjitam — cacarejavam; matsya — dos peixes; kacchapa — e tartarugas; sañcāra — devido aos movimentos; calat — bruscos; padma — dos lótus; rajaḥ — pelo pólen; payaḥ — a água (era decorada); kadamba — kadambas; vetasa — vetasas; nala — nalas; nīpa — nīpas; vañjulakaiḥ — vañjulakas; vṛtam — rodeado por; kundaiḥ — kundas; kurubaka — kurubakas; aśokaiḥ — aśokas; śirīṣaiḥ — śirīṣas; kūṭaja — kūṭajas; iṅgudaiḥ — iṅgudas; kubjakaiḥ — kubjakas; svarṇa-yūthībhiḥ — svarṇa-yūthīs; nāga — nāgas; punnāga — punnāgas; jātibhiḥ — jātīs; mallikā — mallikās; śatapatraiḥ — śatapatras; ca — também; mādhavī — mādhavīs; jālakādibhiḥ — jālakās; śobhitam — adornado; tīrajaiḥ — crescendo às margens; ca — e; anyaiḥ — outras; nitya-ṛtubhiḥ — em todas as estações; alam — abundantemente; drumaiḥ — com árvores (carregadas de flores e frutos).
Translation
Naquele jardim, havia um grande lago cheio de brilhantes flores de lótus douradas e de flores conhecidas como kumuda, kahlāra, utpala e śatapatra, que davam à montanha uma beleza singular. Também havia árvores bilva, kapittha, jambīra e bhallātaka. Abelhas se inebriavam bebendo mel e zumbiam ao som do chilrear dos pássaros, cujas canções eram muito melodiosas. O lago estava repleto de cisnes, kāraṇḍavas, cakrāvakas, grous e bandos de frangos-d’água, dātyūhas, koyaṣṭis e outras aves cacarejantes. Devido aos movimentos rápidos dos peixes e tartarugas, a água se decorava com pólen caído das flores de lótus. O lago era rodeado por flores kadamba, flores vetasa, nalas, nīpas, vañjulakas, kundas, kurubakas, aśokas, śirīṣas, kūṭajas, iṅgudas, kubjakas, svarṇa-yūthīs, nāgas, punnāgas, jātīs, mallikās, śatapatras, jālakās e mādhavī-latās. As margens também eram ricamente adornadas com muitas variedades de árvores que produziam flores e frutas em todas as estações. Assim, toda a montanha se erguia gloriosamente decorada.
Purport
SIGNIFICADO—A julgar pela exaustiva descrição dos lagos e rios da montanha Trikūṭa, não existe nada na Terra que se compare a essa montanha. Em outros planetas, no entanto, existem muitas dessas maravilhas. Por exemplo, sabe-se que existem dois milhões de diferentes espécies de árvores, mas nem todas elas são vistas na Terra. No Śrīmad-Bhāgavatam, encontra-se todo o conhecimento das atividades universais. Ele não apenas descreve este universo, senão que também considera o mundo espiritual, situado além deste universo. Ninguém pode questionar as descrições sobre os mundos material e espiritual contidas no Śrīmad-Bhāgavatam. Embora a tentativa de o ser humano ir à Lua tenha fracassado, as pessoas da Terra têm todas as condições de saber o que existe em outros planetas. Não é preciso valer-se da imaginação; todos podem receber conhecimento verdadeiro a partir do Śrīmad-Bhāgavatam e se satisfazer com isso.
Devanagari
तत्रैकदा तद्गिरिकाननाश्रय:
करेणुभिर्वारणयूथपश्चरन् ।
सकण्टकं कीचकवेणुवेत्रवद्
विशालगुल्मं प्ररुजन्वनस्पतीन् ॥ २० ॥
करेणुभिर्वारणयूथपश्चरन् ।
सकण्टकं कीचकवेणुवेत्रवद्
विशालगुल्मं प्ररुजन्वनस्पतीन् ॥ २० ॥
Verse text
tatraikadā tad-giri-kānanāśrayaḥ
kareṇubhir vāraṇa-yūtha-paś caran
sakaṇṭakaṁ kīcaka-veṇu-vetravad
viśāla-gulmaṁ prarujan vanaspatīn
kareṇubhir vāraṇa-yūtha-paś caran
sakaṇṭakaṁ kīcaka-veṇu-vetravad
viśāla-gulmaṁ prarujan vanaspatīn
Synonyms
tatra — ali; ekadā — certa vez; tat-giri — daquela montanha (Trikūṭa); kānana-āśrayaḥ — que vive na floresta; kareṇubhiḥ — acompanhado pelas elefantas; vāraṇa-yūtha-paḥ — o líder dos elefantes; caran — enquanto caminhava (em direção ao lago); sa-kaṇṭakam — um lugar cheio de espinhos; kīcaka-veṇu-vetra-vat — com plantas e trepadeiras de diferentes nomes; viśāla-gulmam — muitos arbustos; prarujan — quebrando; vanaḥ-patīn — árvores e plantas.
Translation
Certa vez, acompanhado de suas elefantas, o líder dos elefantes, que vivia na floresta da montanha Trikūṭa, caminhava em direção ao lago. Ele quebrava muitas plantas, trepadeiras, arbustos e árvores, não se importando com seus espinhos penetrantes.
Devanagari
यद्गन्धमात्राद्धरयो गजेन्द्रा
व्याघ्रादयो व्यालमृगा: सखड्गा: ।
महोरगाश्चापि भयाद्द्रवन्ति
सगौरकृष्णा: सरभाश्चमर्य: ॥ २१ ॥
व्याघ्रादयो व्यालमृगा: सखड्गा: ।
महोरगाश्चापि भयाद्द्रवन्ति
सगौरकृष्णा: सरभाश्चमर्य: ॥ २१ ॥
Verse text
yad-gandha-mātrād dharayo gajendrā
vyāghrādayo vyāla-mṛgāḥ sakhaḍgāḥ
mahoragāś cāpi bhayād dravanti
sagaura-kṛṣṇāḥ sarabhāś camaryaḥ
vyāghrādayo vyāla-mṛgāḥ sakhaḍgāḥ
mahoragāś cāpi bhayād dravanti
sagaura-kṛṣṇāḥ sarabhāś camaryaḥ
Synonyms
yat-gandha-mātrāt — devido ao simples cheiro daquele elefante; harayaḥ — leões; gaja-indrāḥ — outros elefantes; vyāghra-ādayaḥ — animais ferozes, tais como os tigres; vyāla-mṛgāḥ — outros animais ferozes; sakhaḍgāḥ — rinocerontes; mahā-uragāḥ — serpentes enormes; ca — também; api — na verdade; bhayāt — de medo; dravanti — fugindo; sa — com; gaura-kṛṣṇāḥ — alguns brancos, outros pretos; sarabhāḥ — sarabhas; camaryaḥ — também os camarīs.
Translation
Pelo simples fato de sentir o cheiro daquele elefante, todos os outros elefantes, os tigres e os outros animais ferozes, tais como os leões, os rinocerontes, as grandes serpentes e os sarabhas brancos e pretos, fugiam de medo. O veado camarī também disparava em fuga.
Devanagari
गोपुच्छशालावृकमर्कटाश्च ।
अन्यत्र क्षुद्रा हरिणा: शशादय-
श्चरन्त्यभीता यदनुग्रहेण ॥ २२ ॥
अन्यत्र क्षुद्रा हरिणा: शशादय-
श्चरन्त्यभीता यदनुग्रहेण ॥ २२ ॥
Verse text
vṛkā varāhā mahiṣarkṣa-śalyā
gopuccha-śālāvṛka-markaṭāś ca
anyatra kṣudrā hariṇāḥ śaśādayaś
caranty abhītā yad-anugraheṇa
gopuccha-śālāvṛka-markaṭāś ca
anyatra kṣudrā hariṇāḥ śaśādayaś
caranty abhītā yad-anugraheṇa
Synonyms
vṛkāḥ — raposas; varāhāḥ — javalis; mahiṣa — búfalos; ṛkṣa — ursos; śalyāḥ — porcos-espinhos; gopuccha — uma espécie de veado; śālāvṛka — lobos; markaṭāḥ — macacos; ca — e; anyatra — em outras partes; kṣudrāḥ — pequenos animais; hariṇāḥ — veados; śaśa-ādayaḥ — coelhos e outros; caranti — vagando (na floresta); abhītāḥ — sem medo; yatanugraheṇa — pela misericórdia daquele elefante.
Translation
Pela misericórdia desse elefante, animais como as raposas, lobos, búfalos, ursos, javalis, gopucchas, porcos-espinhos, macacos, coelhos, outras espécies de veados e muitos outros animais perambulavam por outros lugares da floresta. Eles não o temiam.
Purport
SIGNIFICADO—Todos os animais eram praticamente controlados por esse elefante; contudo, embora eles pudessem mover-se sem temor, por questão de respeito, não se colocavam diante dele.
Devanagari
स घर्मतप्त: करिभि: करेणुभि-
र्वृतो मदच्युत्करभैरनुद्रुत: ।
गिरिं गरिम्णा परित: प्रकम्पयन्
निषेव्यमाणोऽलिकुलैर्मदाशनै: ॥ २३ ॥
सरोऽनिलं पङ्कजरेणुरूषितं
जिघ्रन्विदूरान्मदविह्वलेक्षण: ।
वृत: स्वयूथेन तृषार्दितेन तत्
सरोवराभ्यासमथागमद्द्रुतम् ॥ २४ ॥
र्वृतो मदच्युत्करभैरनुद्रुत: ।
गिरिं गरिम्णा परित: प्रकम्पयन्
निषेव्यमाणोऽलिकुलैर्मदाशनै: ॥ २३ ॥
सरोऽनिलं पङ्कजरेणुरूषितं
जिघ्रन्विदूरान्मदविह्वलेक्षण: ।
वृत: स्वयूथेन तृषार्दितेन तत्
सरोवराभ्यासमथागमद्द्रुतम् ॥ २४ ॥
Verse text
sa gharma-taptaḥ karibhiḥ kareṇubhir
vṛto madacyut-karabhair anudrutaḥ
giriṁ garimṇā paritaḥ prakampayan
niṣevyamāṇo ’likulair madāśanaiḥ
vṛto madacyut-karabhair anudrutaḥ
giriṁ garimṇā paritaḥ prakampayan
niṣevyamāṇo ’likulair madāśanaiḥ
saro ’nilaṁ paṅkaja-reṇu-rūṣitaṁ
jighran vidūrān mada-vihvalekṣaṇaḥ
vṛtaḥ sva-yūthena tṛṣārditena tat
sarovarābhyāsam athāgamad drutam
jighran vidūrān mada-vihvalekṣaṇaḥ
vṛtaḥ sva-yūthena tṛṣārditena tat
sarovarābhyāsam athāgamad drutam
Synonyms
saḥ — ele (o líder dos elefantes); gharma-taptaḥ — transpirando; karibhiḥ — pelos outros elefantes; kareṇubhiḥ — bem como pelas elefantas; vṛtaḥ — cercado; mada-cyut — bebida inebriante escorrendo de sua boca; karabhaiḥ — pelos filhotes de elefantes; anudrutaḥ — era seguido; girim — aquela montanha; garimṇā — pelo peso do corpo; paritaḥ — em toda a sua extensão; prakampayan — compelida a tremer; niṣevyamāṇaḥ — sendo servido; alikulaiḥ — pelas abelhas; mada-aśanaiḥ — que bebiam mel; saraḥ — do lago; anilam — a brisa; paṅkaja-reṇu-rūṣitam — transportando o pólen das flores de lótus; jighran — cheirando; vidūrāt — a distância; mada-vihvala — estando embriagada; īkṣaṇaḥ — cuja visão; vṛtaḥ — cercado; sva-yūthena — pelos seus próprios associados; tṛṣā-arditena — atormentados pela sede; tat — aquela; sarovara-abhyāsam — à margem do lago; atha — assim; agamat — foi; drutam — bem depressa.
Translation
Cercado por outros elefantes da manada, incluindo fêmeas, e seguido por filhotes, Gajapati, o líder dos elefantes, fazia a montanha Trikūṭa tremer em toda a sua extensão devido ao peso de seu corpo. Ele transpirava e, de sua boca, escorria bebida alcoólica, e sua visão estava sob os efeitos da embriaguez. Ele estava sendo servido por abelhas que bebiam mel, e, à distância, podia cheirar o pólen das flores de lótus, que era transportado pela brisa que vinha do lago. Cercado, então, por seus associados, que morriam de sede, ele logo chegou à margem do lago.
Devanagari
विगाह्य तस्मिन्नमृताम्बु निर्मलं
हेमारविन्दोत्पलरेणुरूषितम् ।
पपौ निकामं निजपुष्करोद्धृत-
मात्मानमद्भि: स्नपयन्गतक्लम: ॥ २५ ॥
हेमारविन्दोत्पलरेणुरूषितम् ।
पपौ निकामं निजपुष्करोद्धृत-
मात्मानमद्भि: स्नपयन्गतक्लम: ॥ २५ ॥
Verse text
vigāhya tasminn amṛtāmbu nirmalaṁ
hemāravindotpala-reṇu-rūṣitam
papau nikāmaṁ nija-puṣkaroddhṛtam
ātmānam adbhiḥ snapayan gata-klamaḥ
hemāravindotpala-reṇu-rūṣitam
papau nikāmaṁ nija-puṣkaroddhṛtam
ātmānam adbhiḥ snapayan gata-klamaḥ
Synonyms
vigāhya — entrando; tasmin — no lago; amṛta-ambu — água tão pura como néctar; nirmalam — cristalina; hema — bem fria; aravinda-utpala — dos lírios e lótus; reṇu — com o pólen; rūṣitam — que estava misturada; papau — ele bebeu; nikāmam — até se sentir plenamente satisfeito; nija — própria; puṣkara-uddhṛtam — servindo-se com sua tromba; ātmānam — ele mesmo; adbhiḥ — com água; snapayan — banhando-se esmeradamente; gata-klamaḥ — aliviou-se de toda a fadiga.
Translation
O rei dos elefantes entrou no lago, banhou-se esmeradamente e aliviou-se de sua fadiga. Em seguida, com a ajuda de sua tromba, e até se sentir inteiramente satisfeito, bebeu a água fria, clara e nectárea, que estava misturada com o pólen das flores de lótus e lírios aquáticos.
Devanagari
स पुष्करेणोद्धृतशीकराम्बुभि-
र्निपाययन्संस्नपयन्यथा गृही ।
घृणी करेणु: करभांश्च दुर्मदो
नाचष्ट कृच्छ्रं कृपणोऽजमायया ॥ २६ ॥
र्निपाययन्संस्नपयन्यथा गृही ।
घृणी करेणु: करभांश्च दुर्मदो
नाचष्ट कृच्छ्रं कृपणोऽजमायया ॥ २६ ॥
Verse text
sa puṣkareṇoddhṛta-śīkarāmbubhir
nipāyayan saṁsnapayan yathā gṛhī
ghṛṇī kareṇuḥ karabhāṁś ca durmado
nācaṣṭa kṛcchraṁ kṛpaṇo ’ja-māyayā
nipāyayan saṁsnapayan yathā gṛhī
ghṛṇī kareṇuḥ karabhāṁś ca durmado
nācaṣṭa kṛcchraṁ kṛpaṇo ’ja-māyayā
Synonyms
saḥ — ele (o líder dos elefantes); puṣkareṇa — com sua tromba; uddhṛta — retirando; śīkara-ambubhiḥ — e espargindo a água; nipāyayan — fazendo-os beber; saṁsnapayan — e os banhando; yathā — como; gṛhī — um chefe de família; ghṛṇī — sempre bondoso (com os membros de sua família); kareṇuḥ — a suas esposas, as elefantas; karabhān — aos filhos; ca — bem como; durmadaḥ — que é muito apegado aos membros de sua família; na — não; ācaṣṭa — considerava; kṛcchram — dificuldade; kṛpaṇaḥ — não tendo conhecimento espiritual; aja-māyayā — devido à influência da ilusória energia externa da Suprema Personalidade de Deus.
Translation
Tal qual um ser humano desprovido de conhecimento espiritual e muito apegado aos membros de sua família, o elefante, estando iludido pela energia externa de Kṛṣṇa, convidou suas esposas e filhos a se banharem e beberem água. Na realidade, com sua tromba, ele tirava água do lago e a espargia sobre eles. Ele não se importava com o enorme esforço necessário nesse empenho.
Devanagari
तं तत्र कश्चिन्नृप दैवचोदितो
ग्राहो बलीयांश्चरणे रुषाग्रहीत् ।
यदृच्छयैवं व्यसनं गतो गजो
यथाबलं सोऽतिबलो विचक्रमे ॥ २७ ॥
ग्राहो बलीयांश्चरणे रुषाग्रहीत् ।
यदृच्छयैवं व्यसनं गतो गजो
यथाबलं सोऽतिबलो विचक्रमे ॥ २७ ॥
Verse text
taṁ tatra kaścin nṛpa daiva-codito
grāho balīyāṁś caraṇe ruṣāgrahīt
yadṛcchayaivaṁ vyasanaṁ gato gajo
yathā-balaṁ so ’tibalo vicakrame
grāho balīyāṁś caraṇe ruṣāgrahīt
yadṛcchayaivaṁ vyasanaṁ gato gajo
yathā-balaṁ so ’tibalo vicakrame
Synonyms
tam — a ele (Gajendra); tatra — ali (na água); kaścit — algum; nṛpa — ó rei; daiva-coditaḥ — inspirado pela providência; grāhaḥ — crocodilo; balīyān — muito poderoso; caraṇe — seu pé; ruṣā — iradamente; agrahīt — agarrou; yadṛcchayā — ocorrendo devido à providência; evam — essa; vyasanam — posição perigosa; gataḥ — tendo obtido; gajaḥ — o elefante; yathā-balam — de acordo com sua força; saḥ — ele; ati-balaḥ — com muito esforço; vicakrame — tentou escapar.
Translation
Por arranjo da providência, ó rei, um forte crocodilo irou-se com o elefante e, na água, atacou a perna desse. Como era realmente muito forte, o elefante fez tudo o que pôde para escapar desse perigo enviado pela providência.
Devanagari
तथातुरं यूथपतिं करेणवो
विकृष्यमाणं तरसा बलीयसा ।
विचुक्रुशुर्दीनधियोऽपरे गजा:
पार्ष्णिग्रहास्तारयितुं न चाशकन् ॥ २८ ॥
विकृष्यमाणं तरसा बलीयसा ।
विचुक्रुशुर्दीनधियोऽपरे गजा:
पार्ष्णिग्रहास्तारयितुं न चाशकन् ॥ २८ ॥
Verse text
tathāturaṁ yūtha-patiṁ kareṇavo
vikṛṣyamāṇaṁ tarasā balīyasā
vicukruśur dīna-dhiyo ’pare gajāḥ
pārṣṇi-grahās tārayituṁ na cāśakan
vikṛṣyamāṇaṁ tarasā balīyasā
vicukruśur dīna-dhiyo ’pare gajāḥ
pārṣṇi-grahās tārayituṁ na cāśakan
Synonyms
tathā — depois; āturam — aquela grave situação; yūtha-patim — o líder dos elefantes; kareṇavaḥ — suas esposas; vikṛṣyamāṇam — sendo atacado; tarasā — pela força; balīyasā — pela força (do crocodilo); vicukruśuḥ — começaram a chorar; dīna-dhiyaḥ — que eram menos inteligentes; apare — os outros; gajāḥ — elefantes; pārṣṇi-grahāḥ — segurando-o na parte posterior; tārayitum — de libertar; na — não; ca — também; aśakan — foram capazes.
Translation
Em seguida, vendo Gajendra naquela situação de grande gravidade, suas esposas se sentiram muitíssimo pesarosas e começaram a chorar. Os outros elefantes queriam ajudar Gajendra, mas, em virtude da imensa força do crocodilo, não conseguiram libertar o elefante ao agarrarem-no por trás.
Devanagari
नियुध्यतोरेवमिभेन्द्रनक्रयो-
र्विकर्षतोरन्तरतो बहिर्मिथ: ।
समा: सहस्रं व्यगमन् महीपते
सप्राणयोश्चित्रममंसतामरा: ॥ २९ ॥
र्विकर्षतोरन्तरतो बहिर्मिथ: ।
समा: सहस्रं व्यगमन् महीपते
सप्राणयोश्चित्रममंसतामरा: ॥ २९ ॥
Verse text
niyudhyator evam ibhendra-nakrayor
vikarṣator antarato bahir mithaḥ
samāḥ sahasraṁ vyagaman mahī-pate
saprāṇayoś citram amaṁsatāmarāḥ
vikarṣator antarato bahir mithaḥ
samāḥ sahasraṁ vyagaman mahī-pate
saprāṇayoś citram amaṁsatāmarāḥ
Synonyms
niyudhyatoḥ — luta; evam — dessa maneira; ibha-indra — do elefante; nakrayoḥ — e do crocodilo; vikarṣatoḥ — arrastando; antarataḥ — na água; bahiḥ — fora da água; mithaḥ — um ao outro; samāḥ — anos; sahasram — mil; vyagaman — passaram-se; mahī-pate — ó rei; sa-prāṇayoḥ — ambos vivos; citram — maravilhoso; amaṁsata — consideraram; amarāḥ — os semideuses.
Translation
Ó rei, durante mil anos, o elefante e o crocodilo empreenderam essa luta, engalfinhando-se dentro e fora da água. Ao verem a luta, os semideuses ficaram muito surpresos.
Devanagari
ततो गजेन्द्रस्य मनोबलौजसां
कालेन दीर्घेण महानभूद् व्यय: ।
विकृष्यमाणस्य जलेऽवसीदतो
विपर्ययोऽभूत् सकलं जलौकस: ॥ ३० ॥
कालेन दीर्घेण महानभूद् व्यय: ।
विकृष्यमाणस्य जलेऽवसीदतो
विपर्ययोऽभूत् सकलं जलौकस: ॥ ३० ॥
Verse text
tato gajendrasya mano-balaujasāṁ
kālena dīrgheṇa mahān abhūd vyayaḥ
vikṛṣyamāṇasya jale ’vasīdato
viparyayo ’bhūt sakalaṁ jalaukasaḥ
kālena dīrgheṇa mahān abhūd vyayaḥ
vikṛṣyamāṇasya jale ’vasīdato
viparyayo ’bhūt sakalaṁ jalaukasaḥ
Synonyms
tataḥ — depois disso; gaja-indrasya — do rei dos elefantes; manaḥ — da força do entusiasmo; bala — a força física; ojasām — e a força dos sentidos; kālena — devido aos anos de luta; dīrgheṇa — prolongada; mahān — grande; abhūt — tornou-se; vyayaḥ — o gasto; vikṛṣyamāṇasya — que estava sendo arrastado (pelo crocodilo); jale — para a água (um lugar estranho); avasīdataḥ — reduzida (força mental, física e sensória); viparyayaḥ — o oposto; abhūt — tornaram-se; sakalam — todas elas; jala-okasaḥ — o crocodilo, cujo habitat é a água.
Translation
Em seguida, devido ao fato de que era arrastado para dentro da água e de que já estava lutando por muitos e muitos anos, o elefante começou a perder sua força mental, física e sensória. O crocodilo, ao contrário, sendo um animal da água, ganhava mais entusiasmo, força física e poder sensório.
Purport
SIGNIFICADO—Na luta entre o elefante e o crocodilo, a diferença era que, embora fosse extremamente poderoso, o elefante estava em um lugar que não lhe era natural, a água. Durante mil anos de luta, ele não pôde obter nenhum alimento, e, nessas circunstâncias, sua força corpórea diminuiu, e, como sua força corpórea ficou reduzida, sua mente também se tornou fraca, e seus sentidos, menos poderosos. O crocodilo, no entanto, sendo um animal da água, não tinha dificuldades. Ele obtinha alimento e, portanto, estava ganhando força mental e revigoramento sensório. Assim, enquanto o elefante ficava com sua força reduzida, o crocodilo se tornava cada vez mais poderoso. Portanto, através disso, podemos tirar a lição de que, em nossa luta contra māyā, não devemos assumir uma posição em que nossa força, entusiasmo e sentidos encontrem dificuldade de lutar vigorosamente. Nosso movimento da consciência de Kṛṣṇa realmente declarou guerra contra a energia ilusória, na qual todas as entidades vivas estão apodrecendo em uma falsa compreensão acerca do que é civilização. Os soldados deste movimento da consciência de Kṛṣṇa sempre devem possuir força física, entusiasmo e poder sensório. Portanto, para se manterem em forma, eles devem aceitar uma condição de vida normal. Essa condição normal é definida de acordo com a posição da pessoa, e, portanto, existem as divisões de varṇāśrama – brāhmaṇa, kṣatriya, vaiśya, śūdra, brahmacarya, gṛhastha, vānaprastha e sannyāsa. Especialmente nesta era, Kali-yuga, aconselha-se que ninguém tome sannyāsa.
aśvamedhaṁ gavālambhaṁ
sannyāsaṁ pala-paitṛkam
devareṇa sutotpattiṁ
kalau pañca vivarjayet
sannyāsaṁ pala-paitṛkam
devareṇa sutotpattiṁ
kalau pañca vivarjayet
(Brahma-vaivarta Purāṇa)
Com isso, podemos entender que, nesta era, o sannyāsa-āśrama é proibido porque as pessoas não são muito fortes. Śrī Caitanya Mahāprabhu nos mostrou um exemplo, recebendo sannyāsa com a idade de vinte e quatro anos, mas mesmo Sārvabhauma Bhattācārya aconselhou Śrī Caitanya Mahāprabhu a ser extremamente cuidadoso porque Ele tomara sannyāsa em uma idade precoce. Em prol da pregação, damos sannyāsa a moços, mas o que se vê na prática é que eles não estão em condições de tomar sannyāsa. Não há nenhum mal, entretanto, se alguém pensa que é desqualificado para sannyāsa; se ele estiver muito agitado sexualmente, deverá ingressar no āśrama onde o sexo é permitido, ou seja, o gṛhastha-āśrama. Só porque se comprova que, em uma determinada posição, alguém é muito fraco, isso não significa que ele deva parar de lutar contra o crocodilo de māyā. A pessoa deve refugiar-se nos pés de lótus de Kṛṣṇa, fenômeno que veremos acontecer no caso de Gajendra, e, ao mesmo tempo, a pessoa pode ser um gṛhastha se, para satisfazer-se, sentir a necessidade de atividades sexuais. Não convém abandonar a luta. Śrī Caitanya Mahāprabhu, portanto, recomenda: sthāne sthitāḥ śruti-gatāṁ tanu-vān-manobhiḥ. As pessoas podem permanecer em qualquer āśrama que lhes seja adequado; não é essencial que tomem sannyāsa. Se alguém está sexualmente agitado, pode ingressar no gṛhastha-āśrama. Mas deve-se continuar lutando. Para quem não está em uma posição transcendental, tomar sannyāsa artificialmente não é muito meritório. Se sannyāsa não convier, a pessoa pode entrar no gṛhastha-āśrama e enfrentar māyā com muita garra. Mas ela não deve deixar de lutar e bater em retirada.
Devanagari
इत्थं गजेन्द्र: स यदाप सङ्कटं
प्राणस्य देही विवशो यदृच्छया ।
अपारयन्नात्मविमोक्षणे चिरं
दध्याविमां बुद्धिमथाभ्यपद्यत ॥ ३१ ॥
प्राणस्य देही विवशो यदृच्छया ।
अपारयन्नात्मविमोक्षणे चिरं
दध्याविमां बुद्धिमथाभ्यपद्यत ॥ ३१ ॥
Verse text
itthaṁ gajendraḥ sa yadāpa saṅkaṭaṁ
prāṇasya dehī vivaśo yadṛcchayā
apārayann ātma-vimokṣaṇe ciraṁ
dadhyāv imāṁ buddhim athābhyapadyata
prāṇasya dehī vivaśo yadṛcchayā
apārayann ātma-vimokṣaṇe ciraṁ
dadhyāv imāṁ buddhim athābhyapadyata
Synonyms
ittham — dessa maneira; gaja-indraḥ — o rei dos elefantes; saḥ — ele; yadā — quando; āpa — obteve; saṅkaṭam — essa posição perigosa; prāṇasya — de vida; dehī — que é corporificado; vivaśaḥ — em circunstâncias desesperadoras; yadṛcchayā — pela vontade da providência; apārayan — sendo incapaz; ātma-vimokṣaṇe — de salvar-se; ciram — demoradamente; dadhyau — começou a pensar com muita seriedade; imām — esta; buddhim — decisão; atha — em seguida; abhyapadyata — tomou.
Translation
Quando o rei dos elefantes percebeu que, pela vontade da providência, estava nas garras do crocodilo e, como era um ser corporificado que se encontrava em tais circunstâncias desesperadoras, não podia, portanto, salvar-se do perigo, experimentou um intenso temor da morte. Em consequência disso, ele pensou demoradamente, após o que decidiu o seguinte.
Purport
SIGNIFICADO—No mundo material, todos se ocupam na luta pela existência. Todos tentam salvar-se do perigo, mas, quando é incapaz de salvar-se, se alguém é piedoso, refugia-se nos pés de lótus da Suprema Personalidade de Deus. Isso é confirmado na Bhagavad-gītā (7.16):
catur-vidhā bhajante māṁ
janāḥ sukṛtino ’rjuna
ārto jijñāsur arthārthī
jñānī ca bharatarṣabha
janāḥ sukṛtino ’rjuna
ārto jijñāsur arthārthī
jñānī ca bharatarṣabha
Quatro classes de homens piedosos – a saber, aquele que está em perigo, aquele que precisa de dinheiro, aquele que busca conhecimento e aquele que é indagador – começam a refugiar-se na Suprema Personalidade de Deus para se salvarem ou avançarem. O rei dos elefantes, estando em uma condição muito perigosa, decidiu buscar refúgio aos pés de lótus do Senhor. Após madura consideração, ele, com inteligência, chegou a essa decisão acertada. Semelhante decisão não ocorre ao homem pecaminoso. Portanto, na Bhagavad-gītā, afirma-se que aqueles que são piedosos (sukṛtī) concluem que, em uma condição perigosa e incômoda, a pessoa deve refugiar-se nos pés de lótus de Kṛṣṇa.
Devanagari
न मामिमे ज्ञातय आतुरं गजा:
कुत: करिण्य: प्रभवन्ति मोचितुम् ।
ग्राहेण पाशेन विधातुरावृतो-
ऽप्यहं च तं यामि परं परायणम् ॥ ३२ ॥
कुत: करिण्य: प्रभवन्ति मोचितुम् ।
ग्राहेण पाशेन विधातुरावृतो-
ऽप्यहं च तं यामि परं परायणम् ॥ ३२ ॥
Verse text
na mām ime jñātaya āturaṁ gajāḥ
kutaḥ kariṇyaḥ prabhavanti mocitum
grāheṇa pāśena vidhātur āvṛto
’py ahaṁ ca taṁ yāmi paraṁ parāyaṇam
kutaḥ kariṇyaḥ prabhavanti mocitum
grāheṇa pāśena vidhātur āvṛto
’py ahaṁ ca taṁ yāmi paraṁ parāyaṇam
Synonyms
na — não; mām — a mim; ime — todos esses; jñātayaḥ — amigos e parentes (os outros elefantes); āturam — em minha aflição; gajāḥ — o elefante; kutaḥ — como; kariṇyaḥ — minhas esposas; prabhavanti — são capazes; mocitum — de salvar (desta posição perigosa); grāheṇa — pelo crocodilo; pāśena — pela trama de cordas; vidhātuḥ — da providência; āvṛtaḥ — capturado; api — embora (eu esteja nessa posição); aham — eu; ca — também; tam — esta (Suprema Personalidade de Deus); yāmi — refugio-me em; param — que é transcendental; parāyaṇam — que é o refúgio até mesmo de semideuses tão grandiosos como Brahmā e Śiva.
Translation
Se os outros elefantes, que são meus amigos e parentes, não puderam livrar-me deste perigo, o que dizer, então, de minhas esposas? Elas nada podem fazer. É pela vontade da providência que fui atacado por este crocodilo, e, portanto, buscarei o abrigo da Suprema Personalidade de Deus, que sempre é o refúgio de todos, inclusive das grandes personalidades.
Purport
SIGNIFICADO—Este mundo material é descrito como padaṁ padaṁ yad vipadām, o que significa que há um perigo a cada passo. O tolo pensa que é feliz neste mundo material, mas de fato ele não o é, pois quem cultiva esse pensamento está apenas iludido. A cada passo, a cada momento, há perigos. Na civilização moderna, pensa-se que, com uma boa casa e um bom carro, a vida é perfeita. Nos países ocidentais, especialmente nos Estados Unidos, é muito bom ter um carro de qualidade, mas logo que a pessoa está na estrada, surge o perigo, visto que, a qualquer momento, pode ocorrer um acidente fatal. As estatísticas realmente mostram que muitas pessoas morrem nesses acidentes. Portanto, se pensarmos que este mundo material é realmente um lugar feliz, isso se deve apenas à nossa ignorância. O verdadeiro conhecimento é sabermos que este mundo material está cheio de perigos. Talvez lutemos pela existência tanto quanto nossa existência o permita, e talvez tentemos cuidar de nós mesmos, mas, a menos que Kṛṣṇa, a Suprema Personalidade de Deus, em última análise nos salve do perigo, nossos esforços serão inúteis. Portanto, Prahlāda Mahārāja diz:
bālasya neha śaraṇaṁ pitarau nṛsiṁha
nārtasya cāgadam udanvati majjato nauḥ
taptasya tat-pratividhir ya ihāñjaseṣṭas
tāvad vibho tanu-bhṛtāṁ tvad-upekṣitānām
nārtasya cāgadam udanvati majjato nauḥ
taptasya tat-pratividhir ya ihāñjaseṣṭas
tāvad vibho tanu-bhṛtāṁ tvad-upekṣitānām
(Bhāg. 7.9.19)
Podemos inventar muitas maneiras de sermos felizes ou de anularmos os perigos deste mundo material, mas, se nossos esforços não forem sancionados pela Suprema Personalidade de Deus, nunca nos trarão felicidade. Aqueles que tentam ser felizes sem se refugiarem na Suprema Personalidade de Deus são mūḍhas, patifes. Na māṁ duṣkṛtino mūḍhāḥ prapadyante narādhamāḥ. Aqueles que são os mais baixos dos homens se recusam a adotar a consciência de Kṛṣṇa porque pensam que serão capazes de se proteger sem recorrer à ajuda de Kṛṣṇa. Esse é o erro deles. A decisão do rei dos elefantes, Gajendra, foi correta. Em uma condição tão perigosa, ele buscou refúgio na Suprema Personalidade de Deus.
Devanagari
य: कश्चनेशो बलिनोऽन्तकोरगात्
प्रचण्डवेगादभिधावतो भृशम् ।
भीतं प्रपन्नं परिपाति यद्भया-
न्मृत्यु: प्रधावत्यरणं तमीमहि ॥ ३३ ॥
प्रचण्डवेगादभिधावतो भृशम् ।
भीतं प्रपन्नं परिपाति यद्भया-
न्मृत्यु: प्रधावत्यरणं तमीमहि ॥ ३३ ॥
Verse text
yaḥ kaścaneśo balino ’ntakoragāt
pracaṇḍa-vegād abhidhāvato bhṛśam
bhītaṁ prapannaṁ paripāti yad-bhayān
mṛtyuḥ pradhāvaty araṇaṁ tam īmahi
pracaṇḍa-vegād abhidhāvato bhṛśam
bhītaṁ prapannaṁ paripāti yad-bhayān
mṛtyuḥ pradhāvaty araṇaṁ tam īmahi
Synonyms
yaḥ — aquele que (a Suprema Personalidade de Deus); kaścana — alguém; īśaḥ — o controlador supremo; balinaḥ — muito poderoso; antaka-uragāt — da grande serpente do tempo, que traz a morte; pracaṇḍa-vegāt — cuja força é amedrontadora; abhidhāvataḥ — que está seguindo no encalço de; bhṛśam — interminavelmente (a cada hora e a cada minuto); bhītam — aquele que teme a morte; prapannam — que é rendido (à Suprema Personalidade de Deus); paripāti — Ele protege; yat-bhayāt — com medo do Senhor; mṛtyuḥ — a própria morte; pradhāvati — foge; araṇam — verdadeiro refúgio de todos; tam — a Ele; īmahi — rendo-me ou busco como meu refúgio.
Translation
A Suprema Personalidade de Deus na certa não é conhecido por todas as pessoas, mas Ele é muito poderoso e influente. Portanto, embora a serpente do tempo eterno, cuja força é amedrontadora, não se canse de correr no encalço de todos, pronta para engoli-los, se alguém que teme essa serpente busca abrigo no Senhor, o Senhor lhe confere proteção, pois até mesmo a morte foge com medo do Senhor. Portanto, rendo-me a Ele, a grande e poderosa autoridade suprema, o verdadeiro abrigo de todos.
Purport
SIGNIFICADO—Pessoas inteligentes compreendem que existe uma grande e suprema autoridade que está acima de tudo. Essa grande autoridade aparece em diferentes encarnações para que os inocentes possam salvar-se das perturbações. Como se confirma na Bhagavad-gītā (4.8), paritrāṇāya sādhūnāṁ vināśāya ca duṣkṛtām: o Senhor aparece em Suas várias encarnações com dois propósitos – aniquilar o duṣkṛtī, o pecaminoso, e proteger Seu devoto. O rei dos elefantes decidiu render-se a Ele. Essa foi uma medida inteligente. Todos devem conhecer essa grande Suprema Personalidade de Deus e se render a Ele. O Senhor vem pessoalmente nos instruir como devemos agir para sermos felizes, e somente os tolos e patifes não usam a inteligência para ver essa autoridade suprema, a Pessoa Suprema. No śruti-mantra, afirma-se:
bhīṣāsmād vātaḥ pavate
bhīṣodeti sūryaḥ
bhīṣāsmād agniś candraś ca
mṛtyur dhāvati pañcamaḥ
bhīṣodeti sūryaḥ
bhīṣāsmād agniś candraś ca
mṛtyur dhāvati pañcamaḥ
(Taittirīya Upaniṣad 2.8)
É por temor à Suprema Personalidade de Deus que o vento sopra, que o Sol distribui calor e luz e que a morte segue no encalço de todos. Logo, existe um controlador supremo, como se confirma na Bhagavad-gītā (9.10): mayādhyakṣeṇa prakṛtiḥ sūyate sacarācaram. Esta manifestação material funciona muito bem devido ao controlador supremo. Portanto, toda pessoa inteligente pode entender que existe um controlador supremo. Ademais, o próprio controlador supremo aparece como o Senhor Kṛṣṇa, como o Senhor Caitanya Mahāprabhu e como o Senhor Rāmacandra para nos dar instruções e, através do exemplo, mostrar-nos como devemos proceder para nos rendermos à Suprema Personalidade de Deus. Entretanto, aqueles que são duṣkṛtī, os mais baixos dos homens, não se rendem (na māṁ duṣkṛtino mūḍhāḥ prapadyante narādhamāḥ).
Na Bhagavad-gītā, o Senhor claramente diz que mṛtyuḥ sarva-haraś cāham: “Eu sou a morte que tudo devora.” Assim, mṛtyu, ou a Morte, é o representante que leva tudo da entidade viva que aceitou um corpo material. Ninguém pode dizer: “Eu não temo a morte.” Isso é falso. Todos temem a morte. No entanto, quem busca o refúgio da Suprema Personalidade de Deus pode salvar-se da morte. Talvez alguém objete: “Acaso o devoto não morre?” A resposta é que o devoto certamente tem que abandonar seu corpo, pois o corpo é material. Entretanto, a diferença é que, para quem se rende completamente a Kṛṣṇa e é protegido por Kṛṣṇa, o corpo atual é o seu último corpo; ele não voltará a receber um corpo material que o torne suscetível a morrer. Isso está assegurado na Bhagavad-gītā (4.9), tyaktvā dehaṁ punar janma naiti mām eti so ’rjuna: após abandonar seu corpo, o devoto não aceita outro corpo material, senão que retorna ao lar, retorna ao Supremo. Sempre estamos em perigo porque, a qualquer momento, a morte pode acontecer. Que ninguém pense que apenas Gajendra, o rei dos elefantes, temia a morte! Todos devem temer a morte porque todos são capturados pelo crocodilo do tempo eterno e podem morrer a qualquer instante. A melhor atitude, portanto, é buscar refúgio em Kṛṣṇa, a Suprema Personalidade de Deus, e salvar-se da luta pela existência empreendida por todos aqueles que estão no mundo material, no qual a pessoa se submete a repetidos nascimentos e mortes. Alcançar essa compreensão é a meta última da vida.
Neste ponto, encerram-se os Significados Bhaktivedanta do oitavo canto, segundo capítulo, do Śrīmad-Bhāgavatam, intitulado “A Crise do Elefante Gajendra”.