Devanagari
Verse Text
Synonyms
Translation
Purport
Capítulo Três
Conversas entre o Senhor Śiva e Satī
Devanagari
मैत्रेय उवाच
सदा विद्विषतोरेवं कालो वै ध्रियमाणयो: ।
जामातु: श्वशुरस्यापि सुमहानतिचक्रमे ॥ १ ॥
सदा विद्विषतोरेवं कालो वै ध्रियमाणयो: ।
जामातु: श्वशुरस्यापि सुमहानतिचक्रमे ॥ १ ॥
Verse text
maitreya uvāca
sadā vidviṣator evaṁ
kālo vai dhriyamāṇayoḥ
jāmātuḥ śvaśurasyāpi
sumahān aticakrame
sadā vidviṣator evaṁ
kālo vai dhriyamāṇayoḥ
jāmātuḥ śvaśurasyāpi
sumahān aticakrame
Synonyms
maitreyaḥ uvāca — Maitreya disse; sadā — constantemente; vidviṣatoḥ — a tensão; evam — dessa maneira; kālaḥ — tempo; vai — certamente; dhriyamāṇayoḥ — continuaram a manter; jāmātuḥ — do genro; śvaśurasya — do sogro; api — mesmo; su-mahān — enorme; aticakrame — passou.
Translation
Maitreya continuou: Dessa maneira, a tensão entre o sogro e o genro, Dakṣa e o senhor Śiva, continuou por um período consideravelmente prolongado.
Purport
SIGNIFICADO—O capítulo anterior já mencionou que Vidura havia perguntado ao sábio Maitreya sobre a causa do desentendimento entre o senhor Śiva e Dakṣa. Outra questão é por qual motivo a contenda entre Dakṣa e seu genro fez com que Satī destruísse seu corpo. O principal motivo pelo qual Satī abandonou seu corpo foi que seu pai, Dakṣa, começou outra cerimônia sacrificatória, para a qual o senhor Śiva não foi convidado de modo algum. De um modo geral, quando se realiza qualquer sacrifício, embora todo e cada sacrifício se destine a apaziguar a Suprema Personalidade de Deus, Viṣṇu, todos os semideuses, especialmente o senhor Brahmā e o senhor Śiva, e os demais semideuses principais, tais como Indra e Candra, são convidados, e eles participam. É dito que nenhum sacrifício é completo a menos que todos os semideuses estejam presentes. Porém, nessa tensão entre o sogro e o genro, Dakṣa começou outra realização de yajña sem convidar o senhor Śiva. Dakṣa era o principal progenitor a serviço do senhor Brahmā, e era filho de Brahmā, de modo que tinha uma posição elevada e era também muito orgulhoso.
Devanagari
यदाभिषिक्तो दक्षस्तु ब्रह्मणा परमेष्ठिना ।
प्रजापतीनां सर्वेषामाधिपत्ये स्मयोऽभवत् ॥ २ ॥
प्रजापतीनां सर्वेषामाधिपत्ये स्मयोऽभवत् ॥ २ ॥
Verse text
yadābhiṣikto dakṣas tu
brahmaṇā parameṣṭhinā
prajāpatīnāṁ sarveṣām
ādhipatye smayo ’bhavat
brahmaṇā parameṣṭhinā
prajāpatīnāṁ sarveṣām
ādhipatye smayo ’bhavat
Synonyms
yadā — quando; abhiṣiktaḥ — nomeou; dakṣaḥ — Dakṣa; tu — mas; brahmaṇā — por Brahmā; parameṣṭhinā — o mestre supremo; prajāpatīnām — dos Prajāpatis; sarveṣām — de todos; ādhipatye — como o líder; smayaḥ — arrogante; abhavat — tornou-se.
Translation
Quando o senhor Brahmā nomeou Dakṣa o líder de todos os Prajāpatis, os progenitores da população, Dakṣa se envaideceu imensamente.
Purport
SIGNIFICADO—Embora fosse invejoso e hostil contra o senhor Śiva, Dakṣa foi nomeado o líder de todos os Prajāpatis. Essa era a causa de seu orgulho desmedido. Quando um homem se torna demasiadamente orgulhoso de suas posses materiais, ele pode cometer atos dos mais desastrosos. Foi assim que Dakṣa agiu movido por falso prestígio. Isso será descrito neste capítulo.
Devanagari
इष्ट्वा स वाजपेयेन ब्रह्मिष्ठानभिभूय च ।
बृहस्पतिसवं नाम समारेभे क्रतूत्तमम् ॥ ३ ॥
बृहस्पतिसवं नाम समारेभे क्रतूत्तमम् ॥ ३ ॥
Verse text
iṣṭvā sa vājapeyena
brahmiṣṭhān abhibhūya ca
bṛhaspati-savaṁ nāma
samārebhe kratūttamam
brahmiṣṭhān abhibhūya ca
bṛhaspati-savaṁ nāma
samārebhe kratūttamam
Synonyms
iṣṭvā — após executar; saḥ — ele (Dakṣa); vājapeyena — com um sacrifício vājapeya; brahmiṣṭhān — Śiva e seus seguidores; abhibhūya — negligenciando; ca — e; bṛhaspati-savam — o bṛhaspati-sava; nāma — chamado; samārebhe — começou; kratu-uttamam — o melhor dos sacrifícios.
Translation
Dakṣa começou um sacrifício chamado vājapeya, mostrando-se excessivamente confiante do apoio recebido do senhor Brahmā. Ele então executou outro grande sacrifício, chamado bṛhaspati-sava.
Purport
SIGNIFICADO—Prescreve-se nos Vedas que, antes de executar o sacrifício bṛhaspati-sava, deve-se executar o sacrifício chamado vājapeya. Enquanto executava esses sacrifícios, contudo, Dakṣa menosprezou grandes devotos, como o senhor Śiva. Segundo as escrituras védicas, os semideuses são aptos a participar dos yajñas e compartilhar das oblações, mas Dakṣa queria deixá-los de lado. Todos os sacrifícios destinam-se a apaziguar o Senhor Viṣṇu, mas o Senhor Viṣṇu inclui todos os Seus devotos. Brahmā, o senhor Śiva e os demais semideuses – todos são servos obedientes do Senhor Viṣṇu, daí o Senhor Viṣṇu jamais ficar satisfeito sem eles. Porém, Dakṣa, orgulhando-se de seu poder, queria privar o senhor Brahmā e o senhor Śiva da participação no sacrifício, por entender que, se alguém satisfaz Viṣṇu, não é necessário satisfazer Seus seguidores. Mas não é correto esse processo. Viṣṇu quer que Seus seguidores sejam satisfeitos primeiro. O Senhor Kṛṣṇa diz que mad-bhakta-pūjābhyadhikā: “A adoração a Meus devotos é melhor do que a adoração a Mim.” De modo semelhante, no Śiva Purāṇa, afirma-se que o melhor modo de adoração é oferecer oblações a Viṣṇu, mas, melhor do que isso, é adorar os devotos de Kṛṣṇa. Assim, a decisão de Dakṣa de menosprezar o senhor Śiva nos sacrifícios não era conveniente.
Devanagari
तस्मिन्ब्रह्मर्षय: सर्वे देवर्षिपितृदेवता: ।
आसन् कृतस्वस्त्ययनास्तत्पत्न्यश्च सभर्तृका: ॥ ४ ॥
आसन् कृतस्वस्त्ययनास्तत्पत्न्यश्च सभर्तृका: ॥ ४ ॥
Verse text
tasmin brahmarṣayaḥ sarve
devarṣi-pitṛ-devatāḥ
āsan kṛta-svastyayanās
tat-patnyaś ca sa-bhartṛkāḥ
devarṣi-pitṛ-devatāḥ
āsan kṛta-svastyayanās
tat-patnyaś ca sa-bhartṛkāḥ
Synonyms
tasmin — naquele (sacrifício); brahma-ṛṣayaḥ — os brahmarṣis; sarve — todos; devarṣi — os devarṣis; pitṛ — ancestrais; devatāḥ — semideuses; āsan — estavam; kṛta-svasti-ayanāḥ — estavam muito bem enfeitadas com adornos; tat-patnyaḥ — suas esposas; ca — e; sa-bhartṛkāḥ — juntamente com seus esposos.
Translation
Enquanto o sacrifício estava sendo executado, muitos brahmarṣis, grandes sábios, semideuses ancestrais e outros semideuses, com suas esposas todas muito bem enfeitadas com adornos, vieram de diferentes partes do universo.
Purport
SIGNIFICADO—Em qualquer cerimônia auspiciosa, tais como cerimônias de casamento, cerimônias sacrificatórias ou cerimônias de pūjā, é auspicioso que as mulheres casadas se enfeitem muito bem com adornos, roupas finas e cosméticos. Esses são sinais auspiciosos. Muitas mulheres celestiais se reuniram com seus esposos, os devarṣis, semideuses e rājarṣis, naquele grande sacrifício chamado bṛhaspati-sava. Menciona-se especificamente neste verso que elas se aproximaram do local com seus esposos, pois, quando uma mulher está bem enfeitada, seu esposo fica mais alegre. A beleza das joias, adornos e roupas das esposas dos semideuses e sábios e o júbilo dos próprios semideuses e sábios eram todos sinais auspiciosos para a cerimônia.
Devanagari
तदुपश्रुत्य नभसि खेचराणां प्रजल्पताम् ।
सती दाक्षायणी देवी पितृयज्ञमहोत्सवम् ॥ ५ ॥
व्रजन्ती: सर्वतो दिग्भ्य उपदेववरस्त्रिय: ।
विमानयाना: सप्रेष्ठा निष्ककण्ठी: सुवासस: ॥ ६ ॥
दृष्ट्वा स्वनिलयाभ्याशे लोलाक्षीर्मृष्टकुण्डला: ।
पतिं भूतपतिं देवमौत्सुक्यादभ्यभाषत ॥ ७ ॥
सती दाक्षायणी देवी पितृयज्ञमहोत्सवम् ॥ ५ ॥
व्रजन्ती: सर्वतो दिग्भ्य उपदेववरस्त्रिय: ।
विमानयाना: सप्रेष्ठा निष्ककण्ठी: सुवासस: ॥ ६ ॥
दृष्ट्वा स्वनिलयाभ्याशे लोलाक्षीर्मृष्टकुण्डला: ।
पतिं भूतपतिं देवमौत्सुक्यादभ्यभाषत ॥ ७ ॥
Verse text
tad upaśrutya nabhasi
khe-carāṇāṁ prajalpatām
satī dākṣāyaṇī devī
pitṛ-yajña-mahotsavam
khe-carāṇāṁ prajalpatām
satī dākṣāyaṇī devī
pitṛ-yajña-mahotsavam
vrajantīḥ sarvato digbhya
upadeva-vara-striyaḥ
vimāna-yānāḥ sa-preṣṭhā
niṣka-kaṇṭhīḥ suvāsasaḥ
upadeva-vara-striyaḥ
vimāna-yānāḥ sa-preṣṭhā
niṣka-kaṇṭhīḥ suvāsasaḥ
dṛṣṭvā sva-nilayābhyāśe
lolākṣīr mṛṣṭa-kuṇḍalāḥ
patiṁ bhūta-patiṁ devam
autsukyād abhyabhāṣata
lolākṣīr mṛṣṭa-kuṇḍalāḥ
patiṁ bhūta-patiṁ devam
autsukyād abhyabhāṣata
Synonyms
tat — então; upaśrutya — ouvindo; nabhasi — no céu; khe-carāṇām — daqueles que voavam no ar (os Gandharvas); prajalpatām — a conversa; satī — Satī; dākṣāyaṇī — filha de Dakṣa; devī — esposa de Śiva; pitṛ-yajña-mahā-utsavam — o grande festival de sacrifício executado pelo pai dela; vrajantīḥ — estavam indo; sarvataḥ — de todas; digbhyaḥ — direções; upadeva-vara-striyaḥ — as belas esposas dos semideuses; vimāna-yānāḥ — voando em seus aeroplanos; sa-preṣṭhāḥ — juntamente com seus esposos; niṣka-kaṇṭhīḥ — tendo belos colares com medalhões; su-vāsasaḥ — vestidas de roupas finas; dṛṣṭvā — vendo; sva-nilaya-abhyāśe — próximas de sua residência; lola-akṣīḥ — tendo belos olhos brilhantes; mṛṣṭa-kuṇḍalāḥ — belos brincos; patim — seu esposo; bhūta-patim — o mestre dos bhūtas; devam — o semideus; autsukyāt — de grande ansiedade; abhyabhāṣata — ela falou.
Translation
A casta senhora Satī, filha de Dakṣa, ouviu os cidadãos celestiais voando no céu a conversar sobre o grande sacrifício que estava prestes a ser executado pelo pai dela. Ao ver que, de todas as direções, as belas esposas dos cidadãos celestiais, com os olhos brilhando muito belamente, passavam próximas de sua residência e iam para o sacrifício vestidas de roupas finas e adornadas com brincos e colares com medalhões, ela se aproximou de seu esposo, o mestre dos bhūtas, em grande ansiedade, e falou o seguinte.
Purport
SIGNIFICADO—Parece que a residência do senhor Śiva não era neste planeta, mas em alguma parte do espaço exterior, ou como Satī poderia ter visto os aeroplanos vindos de diferentes direções rumo a esse planeta e ouvido os passageiros conversando sobre o grande sacrifício a ser executado por Dakṣa? Satī é aqui descrita como Dākṣāyanī porque era filha de Dakṣa. A menção de upadeva-vara se refere a semideuses inferiores, como os Gandharvas, os Kinnaras e os Uragas, que não são exatamente semideuses, mas se situam entre semideuses e seres humanos. Eles também vinham em aeroplanos. A expressão sva-nilayābhyāśe indica que eles estavam passando bem perto dos aposentos residenciais de Satī. Os vestidos e feições corpóreas das esposas dos cidadãos celestiais são muito bem descritos aqui. Os olhos delas moviam-se, seus brincos e outros adornos reluziam e deslumbravam, seus vestidos eram os melhores possíveis, e todas elas tinham medalhões especiais em seus colares. Cada mulher estava acompanhada por seu esposo. Assim, a aparência delas era tão bela que Satī, Dākṣāyaṇī, ficou desejosa de vestir-se do mesmo modo e ir ao sacrifício com seu esposo. Esta é a inclinação natural de uma mulher.
Devanagari
सत्युवाच
प्रजापतेस्ते श्वशुरस्य साम्प्रतं
निर्यापितो यज्ञमहोत्सव: किल ।
वयं च तत्राभिसराम वाम ते
यद्यर्थितामी विबुधा व्रजन्ति हि ॥ ८ ॥
प्रजापतेस्ते श्वशुरस्य साम्प्रतं
निर्यापितो यज्ञमहोत्सव: किल ।
वयं च तत्राभिसराम वाम ते
यद्यर्थितामी विबुधा व्रजन्ति हि ॥ ८ ॥
Verse text
saty uvāca
prajāpates te śvaśurasya sāmprataṁ
niryāpito yajña-mahotsavaḥ kila
vayaṁ ca tatrābhisarāma vāma te
yady arthitāmī vibudhā vrajanti hi
prajāpates te śvaśurasya sāmprataṁ
niryāpito yajña-mahotsavaḥ kila
vayaṁ ca tatrābhisarāma vāma te
yady arthitāmī vibudhā vrajanti hi
Synonyms
satī uvāca — Satī disse; prajāpateḥ — de Dakṣa; te — teu; śvaśurasya — de teu sogro; sāmpratam — hoje; niryāpitaḥ — foi começado; yajña-mahā-utsavaḥ — um grande sacrifício; kila — certamente; vayam — nós; ca — e; tatra — lá; abhisarāma — podemos ir; vāma — ó meu querido senhor Śiva; te — teu; yadi — se; arthitā — desejo; amī — esses; vibudhāḥ — semideuses; vrajanti — estão indo; hi — porque.
Translation
Satī disse: Meu querido senhor Śiva, teu sogro executará agora grandes sacrifícios, e todos os semideuses, tendo sido convidados por ele, estão indo para lá. Se desejares, podemos ir também.
Purport
SIGNIFICADO—Satī sabia da tensão entre seu pai e seu esposo, mas, de qualquer modo, expressou a seu esposo, o senhor Śiva, que, uma vez que tais sacrifícios aconteceriam na casa do pai dela e tantos semideuses estavam indo para lá, ela também desejava ir. Mas ela não pôde expressar seu desejo diretamente, em razão do que disse a seu esposo que, se ele desejasse ir, então ela também poderia acompanhá-lo. Em outras palavras, ela apresentou seu desejo a seu esposo de maneira muito polida.
Devanagari
तस्मिन्भगिन्यो मम भर्तृभि: स्वकै-
र्ध्रुवं गमिष्यन्ति सुहृद्दिदृक्षव: ।
अहं च तस्मिन्भवताभिकामये
सहोपनीतं परिबर्हमर्हितुम् ॥ ९ ॥
र्ध्रुवं गमिष्यन्ति सुहृद्दिदृक्षव: ।
अहं च तस्मिन्भवताभिकामये
सहोपनीतं परिबर्हमर्हितुम् ॥ ९ ॥
Verse text
tasmin bhaginyo mama bhartṛbhiḥ svakair
dhruvaṁ gamiṣyanti suhṛd-didṛkṣavaḥ
ahaṁ ca tasmin bhavatābhikāmaye
sahopanītaṁ paribarham arhitum
dhruvaṁ gamiṣyanti suhṛd-didṛkṣavaḥ
ahaṁ ca tasmin bhavatābhikāmaye
sahopanītaṁ paribarham arhitum
Synonyms
tasmin — naquele sacrifício; bhaginyaḥ — irmãs; mama — minhas; bhartṛbhiḥ — com seus esposos; svakaiḥ — seus próprios; dhruvam — certamente; gamiṣyanti — irão; suhṛt-didṛkṣavaḥ — desejando encontrar-se com os parentes; aham — eu; ca — e; tasmin — naquela assembleia; bhavatā — contigo (senhor Śiva); abhikāmaye — desejo; saha — com; upanītam — dados; paribarham — adornos de decoração; arhitum — aceitar.
Translation
Acho que todas as minhas irmãs devem ter ido a essa grande cerimônia de sacrifício, juntamente com seus esposos, apenas para ver seus parentes. Eu também desejo me enfeitar com os adornos que meu pai me deu e ir lá contigo para participar daquela assembleia.
Purport
SIGNIFICADO—É natural na mulher o desejo de enfeitar-se com adornos e belas roupas e acompanhar seu esposo a eventos sociais, encontrar-se com amigos e parentes e gozar da vida dessa maneira. Essa propensão não é incomum, pois a mulher é o princípio básico do gozo material. Portanto, em sânscrito, a palavra para mulher é stri, que significa “aquela que expande o campo de gozo material”. No mundo material, há atração entre homem e mulher. É esse o arranjo da vida condicionada. A mulher atrai o homem e, dessa maneira, aumenta o campo de atividades materiais, envolvendo casa, riqueza, filhos e amizade, e assim, ao invés de diminuirmos nossas necessidades materiais, nós nos enredamos no gozo material. O senhor Śiva, contudo, é diferente, daí seu nome ser Śiva. Ele não se sente atraído de modo algum pelo gozo material, embora sua esposa, Satī, fosse filha de um eminente líder e lhe tivesse sido dada a pedido de Brahmā. O senhor Śiva estava relutante, mas Satī, como uma mulher, a filha de um rei, queria desfrute. Ela queria ir à casa de seu pai, assim como suas outras irmãs o deviam ter feito, e encontrar-se com elas para gozar da vida social. Ela indicou especificamente aqui que se enfeitaria com os adornos dados por seu pai. Ela não disse que se enfeitaria com os adornos dados por seu esposo porque seu esposo era indiferente a todos esses assuntos. Ele não sabia como enfeitar sua esposa e participar da vida social porque estava sempre em êxtase, pensando na Suprema Personalidade de Deus. Segundo o sistema védico, uma filha recebe um dote suficiente no momento de seu casamento, e por isso Satī também recebera um dote de seu pai, e os adornos estavam incluídos. Também é costume que o esposo dê alguns adornos, mas aqui se menciona particularmente que o esposo dela, sendo materialmente despojado, não pôde fazê-lo; portanto, ela queria enfeitar-se com os adornos dados por seu pai. Satī tinha a sorte de que o senhor Śiva não pegaria os adornos de sua esposa para trocá-los por gāñjā, porque aqueles que imitam o senhor Śiva, fumando gāñjā, recorrem a todos os utensílios domésticos, pegando toda a propriedade de suas esposas e gastando as riquezas para fumar, intoxicar-se e outras atividades semelhantes.
Devanagari
तत्र स्वसृर्मे ननु भर्तृसम्मिता
मातृष्वसृ: क्लिन्नधियं च मातरम् ।
द्रक्ष्ये चिरोत्कण्ठमना महर्षिभि-
रुन्नीयमानं च मृडाध्वरध्वजम् ॥ १० ॥
मातृष्वसृ: क्लिन्नधियं च मातरम् ।
द्रक्ष्ये चिरोत्कण्ठमना महर्षिभि-
रुन्नीयमानं च मृडाध्वरध्वजम् ॥ १० ॥
Verse text
tatra svasṝr me nanu bhartṛ-sammitā
mātṛ-ṣvasṝḥ klinna-dhiyaṁ ca mātaram
drakṣye cirotkaṇṭha-manā maharṣibhir
unnīyamānaṁ ca mṛḍādhvara-dhvajam
mātṛ-ṣvasṝḥ klinna-dhiyaṁ ca mātaram
drakṣye cirotkaṇṭha-manā maharṣibhir
unnīyamānaṁ ca mṛḍādhvara-dhvajam
Synonyms
tatra — ali; svasṝḥ — próprias irmãs; me — minhas; nanu — certamente; bhartṛ-sammitāḥ — juntamente com seus esposos; mātṛ-svasṝḥ — as irmãs de minha mãe; klinna-dhiyam — afetuosos; ca — e; mātaram — mãe; drakṣye — verei; cira-utkaṇṭha-manāḥ — estando muito ansiosa por um longo tempo; mahā-ṛṣibhiḥ — por grandes sábios; unnīyamānam — sendo alçadas; ca — e; mṛḍa — ó Śiva; adhvara — sacrifício; dhvajam — bandeiras.
Translation
Minhas irmãs, as irmãs de minha mãe e seus esposos e outros parentes afetuosos devem estar reunidos ali. Portanto, se eu for, poderei vê-los e poderei ver as bandeiras tremulantes enquanto os grandes sábios executam o sacrifício. Por esses motivos, meu querido esposo, é que estou muito ansiosa para ir.
Purport
SIGNIFICADO—Como se afirmou antes, a tensão entre o sogro e o genro persistia por um tempo considerável. Satī, portanto, não ia à casa de seu pai havia muito tempo. Assim, ela estava muito ansiosa para ir à casa de seu pai, de modo especial porque, naquela ocasião, suas irmãs e seus esposos e as irmãs de sua mãe estariam lá. Como é natural para uma mulher, ela queria vestir-se do mesmo modo que suas outras irmãs e também estar acompanhada por seu esposo. Ela não queria, é claro, ir sozinha.
Devanagari
त्वय्येतदाश्चर्यमजात्ममायया
विनिर्मितं भाति गुणत्रयात्मकम् ।
तथाप्यहं योषिदतत्त्वविच्च ते
दीना दिदृक्षे भव मे भवक्षितिम् ॥ ११ ॥
विनिर्मितं भाति गुणत्रयात्मकम् ।
तथाप्यहं योषिदतत्त्वविच्च ते
दीना दिदृक्षे भव मे भवक्षितिम् ॥ ११ ॥
Verse text
tvayy etad āścaryam ajātma-māyayā
vinirmitaṁ bhāti guṇa-trayātmakam
tathāpy ahaṁ yoṣid atattva-vic ca te
dīnā didṛkṣe bhava me bhava-kṣitim
vinirmitaṁ bhāti guṇa-trayātmakam
tathāpy ahaṁ yoṣid atattva-vic ca te
dīnā didṛkṣe bhava me bhava-kṣitim
Synonyms
tvayi — em ti; etat — esta; āścaryam — maravilhosa; aja — ó senhor Śiva; ātma-māyayā — pela energia externa do Senhor Supremo; vinirmitam — criado; bhāti — aparece; guṇa-traya-ātmakam — sendo uma interação dos três modos da natureza material; tathā api — mesmo assim; aham — eu; yoṣit — mulher; atattva-vit — não versada na verdade; ca — e; te — tua; dīnā — pobre; didṛkṣe — desejo ver; bhava — ó senhor Śiva; me — minha; bhava-kṣitim — terra natal.
Translation
Este cosmo manifesto é uma criação maravilhosa da interação dos três modos materiais, ou da energia externa do Senhor Supremo. Esta verdade é plenamente do teu conhecimento. Todavia, eu não passo de uma pobre mulher e, como sabes, não sou versada na verdade. Portanto, desejo ver minha terra natal mais uma vez.
Purport
SIGNIFICADO—Dākṣāyaṇī, Satī, sabia muito bem que seu esposo, o senhor Śiva, não estava muito interessado na manifestação deslumbrante do mundo material, que é causada pela interação dos três modos da natureza. Portanto, ela chamou seu esposo de aja, que se refere a alguém que tenha transcendido o cativeiro de nascimento e morte, ou alguém que tenha compreendido sua posição eterna. Ela afirmou: “A ilusão de aceitar o reflexo pervertido, a manifestação cósmica ou material, como real não está presente em ti, porque és autorrealizado. Para ti, já não existe a atração da vida social e a consideração de que alguém é pai, alguém é mãe e alguém é irmã, que são relacionamentos ilusórios; porém, como sou uma pobre mulher, não sou tão avançada em compreensão transcendental. Portanto, naturalmente, essas coisas me parecem reais.” Somente pessoas menos inteligentes aceitam esse reflexo pervertido do mundo espiritual como real. Aqueles que estão sob o encanto da energia externa aceitam esta manifestação como real, ao passo que aqueles que são avançados em compreensão espiritual sabem que se trata de ilusão. A verdadeira realidade está em outra parte, no mundo espiritual. “Mas, quanto a mim”, disse Satī, “não tenho muito conhecimento sobre a autorrealização. Sou pobre porque não conheço os fatos verdadeiros. Estou atraída por minha terra natal e desejo vê-la.” Alguém que sente atração por sua terra natal, por seu corpo e por outras coisas desse gênero, como se menciona no Bhāgavatam, é considerado um asno ou uma vaca. Satī devia ter ouvido tudo isso muitas vezes de seu esposo, o senhor Śiva, mas, como era mulher, yoṣit, ela ainda ansiava pelos mesmos objetos materiais de afeição. A palavra yoṣit significa “aquela que é desfrutada”. Portanto, a mulher chama-se yoṣit. No avanço espiritual, a associação com yoṣit é sempre restrita porque, se alguém é como um boneco nas mãos de yoṣit, todo o seu avanço espiritual se interrompe de imediato. Afirma-se: “Aqueles que são como brinquedos nas mãos de uma mulher (yoṣit-krīḍā-mṛgeṣu) não podem fazer nenhum avanço na compreensão espiritual.”
Devanagari
पश्य प्रयान्तीरभवान्ययोषितो
ऽप्यलड़्क़ृता: कान्तसखा वरूथश: ।
यासां व्रजद्भि: शितिकण्ठ मण्डितं
नभो विमानै: कलहंसपाण्डुभि: ॥ १२ ॥
ऽप्यलड़्क़ृता: कान्तसखा वरूथश: ।
यासां व्रजद्भि: शितिकण्ठ मण्डितं
नभो विमानै: कलहंसपाण्डुभि: ॥ १२ ॥
Verse text
paśya prayāntīr abhavānya-yoṣito
’py alaṅkṛtāḥ kānta-sakhā varūthaśaḥ
yāsāṁ vrajadbhiḥ śiti-kaṇṭha maṇḍitaṁ
nabho vimānaiḥ kala-haṁsa-pāṇḍubhiḥ
’py alaṅkṛtāḥ kānta-sakhā varūthaśaḥ
yāsāṁ vrajadbhiḥ śiti-kaṇṭha maṇḍitaṁ
nabho vimānaiḥ kala-haṁsa-pāṇḍubhiḥ
Synonyms
paśya — vê só; prayāntīḥ — indo; abhava — ó nunca-nascido; anya-yoṣitaḥ — outras mulheres; api — certamente; alaṅkṛtāḥ — enfeitadas; kānta-sakhāḥ — com seus esposos e amigos; varūthaśaḥ — em grande número; yāsām — deles; vrajadbhiḥ — voando; śiti-kaṇṭha — ó pessoa de pescoço azul; maṇḍitam — decorado; nabhaḥ — o céu; vimānaiḥ — com aeroplanos; kala-haṁsa — cisnes; pāṇḍubhiḥ — brancos.
Translation
Ó nunca-nascido, ó pessoa de pescoço azul, não somente meus parentes, mas também outras mulheres, vestidas com boas roupas e enfeitadas com adornos, estão indo para lá com seus esposos e amigos. Vê só como suas esquadrilhas de aeroplanos brancos tornaram todo o céu muito belo.
Purport
SIGNIFICADO—O senhor Śiva é chamado aqui de abhava, que significa “aquele que nunca nasceu”, embora geralmente ele seja conhecido como bhava, “aquele que nasceu”. Rudra, o senhor Śiva, realmente nasceu de entre os olhos de Brahmā, que é denominado Svayambhū por não ter nascido de nenhum ser humano ou criatura material, senão que nasceu diretamente da flor de lótus que cresce do abdômen de Viṣṇu. Quando o senhor Śiva é chamado aqui de abhava, isso pode ser tomado como significando “aquele que nunca sentiu dores materiais”. Satī queria convencer seu esposo, dizendo-lhe que mesmo aqueles que não eram relacionados com seu pai também estavam indo, isto para não falar dela mesma, que estava intimamente relacionada com ele. O senhor Śiva é chamado aqui de a pessoa de pescoço azul. O senhor Śiva bebeu um oceano de veneno e o manteve em sua garganta, não engolindo ou permitindo que ele caísse em seu estômago, e assim seu pescoço tornou-se azul. Desde então, ele tem sido conhecido como nīlakaṇṭha, ou aquele que tem pescoço azul. A razão pela qual o senhor Śiva bebeu um oceano de veneno foi o benefício alheio. Quando o oceano foi batido pelos semideuses e demônios, a centrifugação em primeiro lugar produziu o veneno, de modo que, como o oceano venenoso podia vir a afetar outros que não eram tão avançados, o senhor Śiva bebeu toda a água do oceano. Em outras palavras, ele pôde beber tão grande quantidade de veneno para o benefício alheio, e agora, uma vez que sua esposa estava pessoalmente pedindo-lhe que fosse à casa de seu pai, mesmo que não quisesse dar tal permissão, ele deveria fazê-lo devido à sua grande bondade.
Devanagari
कथं सुताया: पितृगेहकौतुकं
निशम्य देह: सुरवर्य नेङ्गते ।
अनाहुता अप्यभियन्ति सौहृदं
भर्तुर्गुरोर्देहकृतश्च केतनम् ॥ १३ ॥
निशम्य देह: सुरवर्य नेङ्गते ।
अनाहुता अप्यभियन्ति सौहृदं
भर्तुर्गुरोर्देहकृतश्च केतनम् ॥ १३ ॥
Verse text
kathaṁ sutāyāḥ pitṛ-geha-kautukaṁ
niśamya dehaḥ sura-varya neṅgate
anāhutā apy abhiyanti sauhṛdaṁ
bhartur guror deha-kṛtaś ca ketanam
niśamya dehaḥ sura-varya neṅgate
anāhutā apy abhiyanti sauhṛdaṁ
bhartur guror deha-kṛtaś ca ketanam
Synonyms
katham — como; sutāyāḥ — de uma filha; pitṛ-geha-kautukam — o festival na casa de seu pai; niśamya — ouvindo; dehaḥ — o corpo; sura-varya — ó melhor dos semideuses; na — não; iṅgate — perturbado; anāhutāḥ — sem ser chamada; api — mesmo; abhiyanti — vai; sauhṛdam — um amigo; bhartuḥ — do esposo; guroḥ — do mestre espiritual; deha-kṛtaḥ — do pai; ca — e; ketanam — a casa.
Translation
Ó melhor dos semideuses, como o corpo de uma filha pode permanecer imperturbado quando ela ouve que algum evento festivo está ocorrendo na casa de seu pai? Mesmo que estejas considerando que eu não fui convidada, não há mal algum se alguém vai à casa de um amigo, esposo, mestre espiritual ou pai sem ser convidado.
Devanagari
तन्मे प्रसीदेदममर्त्य वाञ्छितं
कर्तुं भवान्कारुणिको बतार्हति ।
त्वयात्मनोऽर्धेऽहमदभ्रचक्षुषा
निरूपिता मानुगृहाण याचित: ॥ १४ ॥
कर्तुं भवान्कारुणिको बतार्हति ।
त्वयात्मनोऽर्धेऽहमदभ्रचक्षुषा
निरूपिता मानुगृहाण याचित: ॥ १४ ॥
Verse text
tan me prasīdedam amartya vāñchitaṁ
kartuṁ bhavān kāruṇiko batārhati
tvayātmano ’rdhe ’ham adabhra-cakṣuṣā
nirūpitā mānugṛhāṇa yācitaḥ
kartuṁ bhavān kāruṇiko batārhati
tvayātmano ’rdhe ’ham adabhra-cakṣuṣā
nirūpitā mānugṛhāṇa yācitaḥ
Synonyms
tat — portanto; me — comigo; prasīda — por favor, sê bondoso; idam — este; amartya — ó senhor imortal; vāñchitam — desejo; kartum — fazer; bhavān — Vossa Senhoria; kāruṇikaḥ — bondoso; bata — ó senhor; arhati — é capaz; tvayā — por ti; ātmanaḥ — de teu próprio corpo; ardhe — na metade; aham — eu; adabhra-cakṣuṣā — tendo todo o conhecimento; nirūpitā — estou situada; mā — para mim; anugṛhāṇa — por favor, sê bondoso; yācitaḥ — pedido.
Translation
Ó Śiva imortal, por favor, sê bondoso comigo e atende o meu desejo. Tu me aceitaste como metade de teu corpo; portanto, por favor, sê bondoso comigo e aceita o meu pedido.
Devanagari
ऋषिरुवाच
एवं गिरित्र: प्रिययाभिभाषित:
प्रत्यभ्यधत्त प्रहसन् सुहृत्प्रिय: ।
संस्मारितो मर्मभिद: कुवागिषून्
यानाह को विश्वसृजां समक्षत: ॥ १५ ॥
एवं गिरित्र: प्रिययाभिभाषित:
प्रत्यभ्यधत्त प्रहसन् सुहृत्प्रिय: ।
संस्मारितो मर्मभिद: कुवागिषून्
यानाह को विश्वसृजां समक्षत: ॥ १५ ॥
Verse text
ṛṣir uvāca
evaṁ giritraḥ priyayābhibhāṣitaḥ
pratyabhyadhatta prahasan suhṛt-priyaḥ
saṁsmārito marma-bhidaḥ kuvāg-iṣūn
yān āha ko viśva-sṛjāṁ samakṣataḥ
evaṁ giritraḥ priyayābhibhāṣitaḥ
pratyabhyadhatta prahasan suhṛt-priyaḥ
saṁsmārito marma-bhidaḥ kuvāg-iṣūn
yān āha ko viśva-sṛjāṁ samakṣataḥ
Synonyms
ṛṣiḥ uvāca — o grande sábio Maitreya disse; evam — assim; giritraḥ — senhor Śiva; priyayā — por sua querida esposa; abhibhāṣitaḥ — sendo interpelado por; pratyabhyadhatta — respondeu; prahasan — enquanto sorria; suhṛt-priyaḥ — querido aos parentes; saṁsmāritaḥ — lembrando-se; marma-bhidaḥ — cruéis; kuvāk-iṣūn — palavras maliciosas; yān — as quais (palavras); āha — disse; kaḥ — que (Dakṣa); viśva-sṛjām — dos criadores da manifestação universal; samakṣataḥ — na presença.
Translation
O grande sábio Maitreya disse: O senhor Śiva, o libertador da colina Kailāsa, tendo sido assim interpelado por sua querida esposa, respondeu sorridente, embora, ao mesmo tempo, ele se lembrasse das palavras maliciosas e cruéis proferidas por Dakṣa diante dos mantenedores dos afazeres universais.
Purport
SIGNIFICADO—Quando o senhor Śiva ouviu de sua esposa sobre Dakṣa, o efeito psicológico foi que ele imediatamente se lembrou das fortes palavras faladas contra ele na assembleia dos mantenedores do universo e, lembrando-se daquelas palavras, ele ficou pesaroso em seu coração, embora, para agradar sua esposa, ele tivesse sorrido. Na Bhagavad-gītā, declara-se que uma pessoa liberada está sempre em equilíbrio mental, tanto na aflição quanto na felicidade neste mundo material. Portanto, pode-se agora levantar a questão sobre a causa de uma personalidade liberada como o senhor Śiva estar tão infeliz devido às palavras de Dakṣa. A resposta é dada por Śrīla Viśvanātha Cakravartī Ṭhākura. O senhor Śiva é ātmārāma, ou seja, está situado em autorrealização plena, mas, como ele é a encarnação encarregada do modo material da ignorância, tamo-guṇa, às vezes ele é afetado pelo prazer e pela dor do mundo material. A diferença entre o prazer e a dor deste mundo material e o prazer e a dor do mundo espiritual está em que, no mundo espiritual, o efeito é qualitativamente absoluto. Portanto, pode ser que alguém se sinta triste no mundo absoluto, mas a manifestação de suposta dor é sempre plena de bem-aventurança. Por exemplo, certa vez, o Senhor Kṛṣṇa, em Sua infância, foi castigado por Sua mãe, Yaśodā, e o Senhor Kṛṣṇa chorou. Contudo, embora Ele derramasse lágrimas de Seus olhos, isso não deve ser considerado uma reação do modo da ignorância, pois o incidente foi pleno de prazer transcendental. Quando Kṛṣṇa fazia travessuras de muitas maneiras, às vezes parecia que Ele causava aflição às gopīs, mas, na verdade, esses relacionamentos eram plenos de bem-aventurança transcendental. Essa é a diferença entre os mundos material e espiritual. O mundo espiritual, onde tudo é puro, está pervertidamente refletido neste mundo material. Uma vez que tudo no mundo espiritual é absoluto, nas variedades espirituais de aparente prazer e aparente dor não se percebe outra coisa que não seja eterna bem-aventurança, ao passo que, no mundo material, por tudo estar contaminado pelos modos da natureza material, há sentimentos de prazer e dor. Portanto, embora o senhor Śiva fosse uma pessoa plenamente autorrealizada, por estar encarregado do modo material da ignorância, ele se sentiu pesaroso.
Devanagari
श्रीभगवानुवाच
त्वयोदितं शोभनमेव शोभने
अनाहुता अप्यभियन्ति बन्धुषु ।
ते यद्यनुत्पादितदोषदृष्टयो
बलीयसानात्म्यमदेन मन्युना ॥ १६ ॥
त्वयोदितं शोभनमेव शोभने
अनाहुता अप्यभियन्ति बन्धुषु ।
ते यद्यनुत्पादितदोषदृष्टयो
बलीयसानात्म्यमदेन मन्युना ॥ १६ ॥
Verse text
śrī-bhagavān uvāca
tvayoditaṁ śobhanam eva śobhane
anāhutā apy abhiyanti bandhuṣu
te yady anutpādita-doṣa-dṛṣṭayo
balīyasānātmya-madena manyunā
tvayoditaṁ śobhanam eva śobhane
anāhutā apy abhiyanti bandhuṣu
te yady anutpādita-doṣa-dṛṣṭayo
balīyasānātmya-madena manyunā
Synonyms
śrī-bhagavān uvāca — o grande senhor respondeu; tvayā — por ti; uditam — dito; śobhanam — é verdade; eva — certamente; śobhane — minha querida e bela esposa; anāhutāḥ — sem ser convidado; api — mesmo; abhiyanti — vá; bandhuṣu — entre amigos; te — aqueles (amigos); yadi — se; anutpādita-doṣa-dṛṣṭayaḥ — não censurando; balīyasā — mais importante; anātmya-madena — pelo orgulho causado pela identificação com o corpo; manyunā — pela ira.
Translation
O grandioso senhor respondeu: Minha querida e bela esposa, disseste que alguém pode ir à casa de um amigo sem ser convidado, e isso é verdade, contanto que tal amigo não censure o visitante devido à identificação corpórea e, desse modo, fique irado com ele.
Purport
SIGNIFICADO—O senhor Śiva pôde prever que logo que Satī chegasse à casa de seu pai, Dakṣa se irritaria com sua presença, sendo muito vaidoso devido à identificação corpórea, e, embora ela fosse inocente e impecável, ele seria cruel e raivoso com ela. O senhor Śiva advertiu que, uma vez que o pai dela era demasiadamente orgulhoso de suas posses materiais, ele ficaria irado, o que seria intolerável para ela. Portanto, era melhor que ela não fosse. Esse fato já fora experimentado pelo senhor Śiva, pois, embora o senhor Śiva fosse impecável, Dakṣa o amaldiçoara com muitas palavras ásperas.
Devanagari
विद्यातपोवित्तवपुर्वय:कुलै:
सतां गुणै: षड्भिरसत्तमेतरै: ।
स्मृतौ हतायां भृतमानदुर्दृश:
स्तब्धा न पश्यन्ति हि धाम भूयसाम् ॥ १७ ॥
सतां गुणै: षड्भिरसत्तमेतरै: ।
स्मृतौ हतायां भृतमानदुर्दृश:
स्तब्धा न पश्यन्ति हि धाम भूयसाम् ॥ १७ ॥
Verse text
vidyā-tapo-vitta-vapur-vayaḥ-kulaiḥ
satāṁ guṇaiḥ ṣaḍbhir asattametaraiḥ
smṛtau hatāyāṁ bhṛta-māna-durdṛśaḥ
stabdhā na paśyanti hi dhāma bhūyasām
satāṁ guṇaiḥ ṣaḍbhir asattametaraiḥ
smṛtau hatāyāṁ bhṛta-māna-durdṛśaḥ
stabdhā na paśyanti hi dhāma bhūyasām
Synonyms
vidyā — educação; tapaḥ — austeridade; vitta — riqueza; vapuḥ — beleza do corpo etc.; vayaḥ — juventude; kulaiḥ — com hereditariedade; satām — dos piedosos; guṇaiḥ — por tais qualidades; ṣaḍbhiḥ — seis; asattama-itaraiḥ — tendo o resultado oposto para aqueles que não são grandes almas; smṛtau — bom senso; hatāyām — sendo perdido; bhṛta-māna-durdṛśaḥ — cego devido ao orgulho; stabdhāḥ — sendo orgulhoso; na — não; paśyanti — vê; hi — para; dhāma — as glórias; bhūyasām — das grandes almas.
Translation
Embora as seis qualidades – educação, austeridade, riqueza, beleza, juventude e herança – sejam para os altamente elevados, aquele que se orgulha de as possuir se torna cego e, dessa maneira, perde seu bom senso, não podendo apreciar as glórias de grandes personalidades.
Purport
SIGNIFICADO—Pode-se argumentar que, uma vez que Dakṣa era muito erudito, rico e austero e descendia de linhagem muito elevada, como poderia se irritar desnecessariamente com outrem? A resposta é que, quando as qualidades de boa instrução, bom parentesco, beleza e boa riqueza são mal aplicadas por uma pessoa que se orgulha de todas essas posses, elas produzem um péssimo resultado. O leite é um ótimo alimento, mas, ao ser tocado por uma serpente invejosa, o leite torna-se venenoso. De modo semelhante, bens materiais, tais como educação, riqueza, beleza e bom parentesco, são sem dúvida bons, mas, quando decoram pessoas de natureza maliciosa, têm efeitos adversos. Outro exemplo, dado por Cānakya Paṇḍita, é que a serpente que tem uma joia na cabeça continua sendo perigosa, pois ter uma joia não a faz deixar de ser uma serpente. A serpente, por natureza, tem inveja de outras entidades vivas, mesmo que elas sejam impecáveis. Quando uma serpente pica outra criatura, não é necessariamente porque a outra criatura cometeu algum erro; é hábito da serpente picar criaturas inocentes. De modo semelhante, embora Dakṣa fosse qualificado com muitos bens materiais, porque se orgulhava de suas posses e porque era invejoso, todas essas qualidades estavam poluídas. Às vezes, portanto, é prejudicial que uma pessoa avançada em consciência espiritual, ou consciência de Kṛṣṇa, possua esses bens materiais. Kuntīdevī, ao oferecer orações a Kṛṣṇa, chamou-O de akiñcana-gocara, aquele que é facilmente acessível aos que estão destituídos de todas as aquisições materiais. O esgotamento material é uma vantagem para o avanço em consciência de Kṛṣṇa, embora, caso alguém seja consciente de sua relação eterna com a Suprema Personalidade de Deus, ele possa utilizar seus bens materiais, tais como grande erudição, beleza e parentesco elevado, a serviço do Senhor, momento no qual tais bens tornam-se gloriosos. Em outras palavras, a menos que sejamos conscientes de Kṛṣṇa, todas as nossas posses materiais são zero, mas, quando colocamos esse zero ao lado do Um Supremo, ele imediatamente aumenta para o valor dez. A menos que esteja situado ao lado do Um Supremo, o zero é sempre zero: mesmo que se lhe acrescente cem zeros, seu valor continuará sendo zero. A menos que nossos bens materiais sejam usados em consciência de Kṛṣṇa, eles poderão causar estragos e virar a causa de nossa degradação.
Devanagari
नैतादृशानां स्वजनव्यपेक्षया
गृहान्प्रतीयादनवस्थितात्मनाम् ।
येऽभ्यागतान् वक्रधियाभिचक्षते
आरोपितभ्रूभिरमर्षणाक्षिभि: ॥ १८ ॥
गृहान्प्रतीयादनवस्थितात्मनाम् ।
येऽभ्यागतान् वक्रधियाभिचक्षते
आरोपितभ्रूभिरमर्षणाक्षिभि: ॥ १८ ॥
Verse text
naitādṛśānāṁ sva-jana-vyapekṣayā
gṛhān pratīyād anavasthitātmanām
ye ’bhyāgatān vakra-dhiyābhicakṣate
āropita-bhrūbhir amarṣaṇākṣibhiḥ
gṛhān pratīyād anavasthitātmanām
ye ’bhyāgatān vakra-dhiyābhicakṣate
āropita-bhrūbhir amarṣaṇākṣibhiḥ
Synonyms
na — não; etādṛśānām — assim; sva-jana — parentes; vyapekṣayā — dependendo disso; gṛhān — na casa de; pratīyāt — deve-se ir; anavasthita — perturbada; ātmanām — mente; ye — aqueles; abhyāgatān — visitantes; vakra-dhiyā — com uma fria recepção; abhicakṣate — olhando para; āropita-bhrūbhiḥ — com sobrancelhas franzidas; amarṣaṇa — irados; akṣibhiḥ — com os olhos.
Translation
Não se deve ir à casa de ninguém, mesmo que se trate de um parente ou amigo, quando essa pessoa está com a mente perturbada e olha para o visitante com sobrancelhas franzidas e olhos irados.
Purport
SIGNIFICADO—Por mais baixa que seja uma pessoa, ela nunca é descortês com seus filhos, esposa e parentes próximos; mesmo um tigre é bondoso com seus filhotes, pois, no reino animal, os filhotes são tratados muito bem. Uma vez que Satī era filha de Dakṣa, por mais cruel e contaminado que ele pudesse ser, naturalmente esperava-se que ele a receberia muito bem. Mas, nesta passagem, a palavra anavasthita indica que não se pode confiar em uma pessoa assim. Os tigres são muito bondosos com seus filhotes, mas também é sabido que às vezes eles os comem. Pessoas maliciosas não merecem confiança, porque são sempre instáveis. Assim, Satī foi aconselhada a não ir à casa de seu pai porque aceitar semelhante pai como parente e ir à sua casa sem ser devidamente convidada não era algo apropriado.
Devanagari
तथारिभिर्न व्यथते शिलीमुखै:
शेतेऽर्दिताङ्गो हृदयेन दूयता ।
स्वानां यथा वक्रधियां दुरुक्तिभि-
र्दिवानिशं तप्यति मर्मताडित: ॥ १९ ॥
शेतेऽर्दिताङ्गो हृदयेन दूयता ।
स्वानां यथा वक्रधियां दुरुक्तिभि-
र्दिवानिशं तप्यति मर्मताडित: ॥ १९ ॥
Verse text
tathāribhir na vyathate śilīmukhaiḥ
śete ’rditāṅgo hṛdayena dūyatā
svānāṁ yathā vakra-dhiyāṁ duruktibhir
divā-niśaṁ tapyati marma-tāḍitaḥ
śete ’rditāṅgo hṛdayena dūyatā
svānāṁ yathā vakra-dhiyāṁ duruktibhir
divā-niśaṁ tapyati marma-tāḍitaḥ
Synonyms
tathā — assim; aribhiḥ — inimigo; na — não; vyathate — é atingido; śilīmukhaiḥ — pelas flechas; śete — permanece; ardita — aflito; aṅgaḥ — uma parte; hṛdayena — pelo coração; dūyatā — ficando pesaroso; svānām — de parentes; yathā — como; vakra-dhiyām — enganoso; duruktibhiḥ — por palavras ásperas; divā-niśam — dia e noite; tapyati — sofre; marma-tāḍitaḥ — aquele cujos sentimentos são feridos.
Translation
O senhor Śiva continuou: Se alguém é atingido pelas flechas de um inimigo, não fica tão ferido como quando é cortado pelas palavras ásperas de um parente, pois esse pesar continua a lacerar seu coração dia e noite.
Purport
SIGNIFICADO—Satī poderia concluir que podia assumir o risco de ir à casa de seu pai e, mesmo se seu pai falasse asperamente contra ela, ela seria tolerante, como um filho às vezes tolera as reprimendas de seus pais. O senhor Śiva, porém, lembrou-lhe que ela não seria capaz de tolerar essas palavras ásperas porque, segundo dita a psicologia natural, mesmo que alguém seja prejudicado por um inimigo e não se importe tanto porque a dor infligida por um inimigo é natural, quando a pessoa é ferida pelas palavras ásperas de um parente, ela sofre os efeitos continuamente, dia e noite, e às vezes a injúria torna-se tão intolerável que o ofendido comete suicídio.
Devanagari
व्यक्तं त्वमुत्कृष्टगते: प्रजापते:
प्रियात्मजानामसि सुभ्रु मे मता ।
तथापि मानं न पितु: प्रपत्स्यसे
मदाश्रयात्क: परितप्यते यत: ॥ २० ॥
प्रियात्मजानामसि सुभ्रु मे मता ।
तथापि मानं न पितु: प्रपत्स्यसे
मदाश्रयात्क: परितप्यते यत: ॥ २० ॥
Verse text
vyaktaṁ tvam utkṛṣṭa-gateḥ prajāpateḥ
priyātmajānām asi subhru me matā
tathāpi mānaṁ na pituḥ prapatsyase
mad-āśrayāt kaḥ paritapyate yataḥ
priyātmajānām asi subhru me matā
tathāpi mānaṁ na pituḥ prapatsyase
mad-āśrayāt kaḥ paritapyate yataḥ
Synonyms
vyaktam — é claro; tvam — tu; utkṛṣṭa-gateḥ — tendo o melhor comportamento; prajāpateḥ — de Prajāpati Dakṣa; priyā — a preferida; ātmajānām — das filhas; asi — tu és; subhru — ó possuidora de belas sobrancelhas; me — minha; matā — considerada; tathā api — todavia; mānam — honra; na — não; pituḥ — de teu pai; prapatsyase — te encontrarás com; mat-āśrayāt — da ligação comigo; kaḥ — Dakṣa; paritapyate — sente dor; yataḥ — de quem.
Translation
Minha querida esposa de tez branca, é claro que, dentre as muitas filhas de Dakṣa, és a preferida, mas não serás honrada na casa dele por seres minha esposa. Ao contrário, ficarás pesarosa de estares ligada a mim.
Purport
SIGNIFICADO—O senhor Śiva apresentou o argumento de que, mesmo que Satī se propusesse a ir sozinha, sem seu esposo, ainda assim ela não seria bem recebida, visto que era esposa dele. Havia toda a possibilidade de uma catástrofe, mesmo que ela quisesse ir sozinha. Portanto, o senhor Śiva indiretamente lhe pediu que não fosse à casa de seu pai.
Devanagari
पापच्यमानेन हृदातुरेन्द्रिय:
समृद्धिभि: पूरुषबुद्धिसाक्षिणाम् ।
अकल्प एषामधिरोढुमञ्जसा
परं पदं द्वेष्टि यथासुरा हरिम् ॥ २१ ॥
समृद्धिभि: पूरुषबुद्धिसाक्षिणाम् ।
अकल्प एषामधिरोढुमञ्जसा
परं पदं द्वेष्टि यथासुरा हरिम् ॥ २१ ॥
Verse text
pāpacyamānena hṛdāturendriyaḥ
samṛddhibhiḥ pūruṣa-buddhi-sākṣiṇām
akalpa eṣām adhiroḍhum añjasā
paraṁ padaṁ dveṣṭi yathāsurā harim
samṛddhibhiḥ pūruṣa-buddhi-sākṣiṇām
akalpa eṣām adhiroḍhum añjasā
paraṁ padaṁ dveṣṭi yathāsurā harim
Synonyms
pāpacyamānena — queimando; hṛdā — com o coração; ātura-indriyaḥ — que está aflita; samṛddhibhiḥ — pela reputação piedosa etc.; pūruṣa-buddhi-sākṣiṇām — daqueles que estão sempre absortos, pensando no Senhor Supremo; akalpaḥ — sendo incapaz; eṣām — dessas pessoas; adhiroḍhum — elevar-se; añjasā — rapidamente; param — meramente; padam — ao nível; dveṣṭi — inveja; yathā — tanto quanto; asurāḥ — os demônios; harim — a Suprema Personalidade de Deus.
Translation
Uma pessoa conduzida pelo falso ego e assim sempre aflita, tanto no nível mental quanto sensorial, não pode tolerar a opulência de pessoas autorrealizadas. Sendo incapaz de elevar-se ao nível de autorrealização, ela inveja essas pessoas tanto quanto os demônios invejam a Suprema Personalidade de Deus.
Purport
SIGNIFICADO—Explica-se aqui a verdadeira razão para a inimizade entre o senhor Śiva e Dakṣa. Dakṣa invejava o senhor Śiva devido à alta posição de Śiva como encarnação de uma qualidade da Suprema Personalidade de Deus e porque o senhor Śiva estava diretamente em contato com a Superalma e, portanto, era honrado e recebia um assento melhor do que o dele. Havia também muitas outras razões. Dakṣa, sendo materialmente envaidecido, não podia tolerar a posição elevada do senhor Śiva, de modo que sua ira contra o senhor Śiva por este não ter se levantado em sua presença era somente a manifestação final de sua inveja. O senhor Śiva está sempre absorto em meditação e sempre percebe a Superalma, como se expressa aqui pelas palavras pūruṣa-buddhi-sākṣiṇām. A posição de alguém cuja inteligência está sempre absorta em meditação na Suprema Personalidade de Deus é muito elevada, não podendo ser imitada por ninguém, especialmente uma pessoa comum. Quando Dakṣa entrou na arena de yajña, o senhor Śiva estava absorto em meditação e talvez não tivesse visto Dakṣa entrar, mas Dakṣa aproveitou-se da oportunidade para amaldiçoá-lo, pois havia muito tempo que Dakṣa vinha cultivando uma atitude invejosa contra o senhor Śiva. Aqueles que são realmente autorrealizados veem cada corpo individual como um templo da Suprema Personalidade de Deus porque a Suprema Personalidade de Deus, sob Seu aspecto Paramātmā, reside nos corpos de todos.
Quando alguém oferece respeito ao corpo, não o oferece ao corpo material, mas sim à presença do Senhor Supremo. Assim, quem sempre medita no Senhor Supremo está sempre oferecendo-Lhe reverências. No entanto, como Dakṣa não era muito elevado, ele achava que as reverências eram oferecidas ao corpo material, e, como o senhor Śiva não ofereceu respeito a seu corpo material, Dakṣa ficou invejoso. Pessoas assim, sendo incapazes de se elevarem ao nível de almas autorrealizadas como o senhor Śiva, são sempre invejosas. O exemplo dado aqui é bastante adequado. Os asuras, demônios ou ateus, sempre têm inveja da Suprema Personalidade de Deus; eles simplesmente querem matá-lO. Mesmo nesta era, encontramos alguns supostos eruditos que escrevem comentários sobre a Bhagavad-gītā e que têm inveja de Kṛṣṇa. Quando Kṛṣṇa diz man-manā bhava mad-bhaktaḥ (Bhagavad-gītā 18.65) – “Pensa sempre em Mim, torna-te Meu devoto e rende-te a Mim” – os supostos eruditos comentam que não é a Kṛṣṇa que temos que nos render. Isso é inveja. Os asuras ou ateus, os demônios, sem razão ou causa, têm inveja da Suprema Personalidade de Deus. Do mesmo modo, ao invés de oferecerem respeitos a pessoas autorrealizadas, os homens tolos que não podem se aproximar do nível mais elevado de autorrealização são sempre invejosos, embora não haja razão para isso.
Devanagari
प्रत्युद्गमप्रश्रयणाभिवादनं
विधीयते साधु मिथ: सुमध्यमे ।
प्राज्ञै: परस्मै पुरुषाय चेतसा
गुहाशयायैव न देहमानिने ॥ २२ ॥
विधीयते साधु मिथ: सुमध्यमे ।
प्राज्ञै: परस्मै पुरुषाय चेतसा
गुहाशयायैव न देहमानिने ॥ २२ ॥
Verse text
pratyudgama-praśrayaṇābhivādanaṁ
vidhīyate sādhu mithaḥ sumadhyame
prājñaiḥ parasmai puruṣāya cetasā
guhā-śayāyaiva na deha-mānine
vidhīyate sādhu mithaḥ sumadhyame
prājñaiḥ parasmai puruṣāya cetasā
guhā-śayāyaiva na deha-mānine
Synonyms
pratyudgama — levantando-se do assento; praśrayaṇa — dando boas-vindas; abhivādanam — reverências; vidhīyate — destinam-se; sādhu — próprio; mithaḥ — mutuamente; su-madhyame — minha querida e jovem esposa; prājñaiḥ — pelo sábio; parasmai — ao Supremo; puruṣāya — à Superalma; cetasā — com a inteligência; guhā-śayāya — sentada dentro do corpo; eva — certamente; na — não; deha-mānine — à pessoa que se identifica com o corpo.
Translation
Minha querida e jovem esposa, certamente amigos e parentes oferecem saudações mútuas, levantando-se, dando boas-vindas uns aos outros e oferecendo reverências. Contudo, aqueles que se elevam à plataforma transcendental, sendo inteligentes, oferecem esses respeitos à Superalma, que está sentada dentro do corpo, e não à pessoa que se identifica com o corpo.
Purport
SIGNIFICADO—Pode-se argumentar que, como Dakṣa era sogro do senhor Śiva, era certamente dever do senhor Śiva oferecer-lhe respeito. Em resposta a este argumento, explica-se aqui que, quando uma pessoa erudita se levanta ou oferece reverências em sinal de boas-vindas, ela oferece respeito à Superalma, que está sentada dentro do coração de todos. Observa-se, portanto, entre vaiṣṇavas que, mesmo quando um discípulo oferece reverências a seu mestre espiritual, o mestre espiritual imediatamente retribui as reverências, porque elas são mutuamente oferecidas, não ao corpo, mas à Superalma. Portanto, o mestre espiritual também oferece respeitos à Superalma situada no corpo do discípulo. O Senhor diz no Śrīmad-Bhāgavatam que oferecer respeito a Seu devoto é mais valioso do que oferecer respeito a Ele. Os devotos não se identificam com o corpo, de modo que oferecer respeito a um vaiṣṇava significa oferecer respeito a Viṣṇu. Afirma-se também que, por questão de etiqueta, logo que se vê um vaiṣṇava, deve-se imediatamente oferecer-lhe respeito, indicando a Superalma que está sentada dentro dele. O vaiṣṇava vê o corpo como um templo de Viṣṇu. Uma vez que o senhor Śiva já oferecera respeito à Superalma em consciência de Kṛṣṇa, o oferecimento de respeito a Dakṣa, que se identificava com seu corpo, já havia sido feito. Não havia necessidade de oferecer respeito ao corpo dele, pois isso não é prescrito por nenhum preceito védico.
Devanagari
सत्त्वं विशुद्धं वसुदेवशब्दितं
यदीयते तत्र पुमानपावृत: ।
सत्त्वे च तस्मिन्भगवान्वासुदेवो
ह्यधोक्षजो मे नमसा विधीयते ॥ २३ ॥
यदीयते तत्र पुमानपावृत: ।
सत्त्वे च तस्मिन्भगवान्वासुदेवो
ह्यधोक्षजो मे नमसा विधीयते ॥ २३ ॥
Verse text
sattvaṁ viśuddhaṁ vasudeva-śabditaṁ
yad īyate tatra pumān apāvṛtaḥ
sattve ca tasmin bhagavān vāsudevo
hy adhokṣajo me namasā vidhīyate
yad īyate tatra pumān apāvṛtaḥ
sattve ca tasmin bhagavān vāsudevo
hy adhokṣajo me namasā vidhīyate
Synonyms
sattvam — consciência; viśuddham — pura; vasudeva — Vāsudeva; śabditam — conhecida como; yat — porque; īyate — é revelada; tatra — ali; pumān — a Pessoa Suprema; apāvṛtaḥ — sem cobertura alguma; sattve — em consciência; ca — e; tasmin — nesta; bhagavān — a Suprema Personalidade de Deus; vāsudevaḥ — Vāsudeva; hi — porque; adhokṣajaḥ — transcendental; me — por mim; namasā — com reverências; vidhīyate — adorado.
Translation
Estou sempre ocupado em oferecer reverências ao Senhor Vāsudeva em pura consciência de Kṛṣṇa. A consciência de Kṛṣṇa é sempre consciência pura, na qual a Suprema Personalidade de Deus, conhecida como Vāsudeva, revela-Se sem cobertura alguma.
Purport
SIGNIFICADO—A entidade viva é constitucionalmente pura. Asaṅgo hy ayaṁ puruṣaḥ. Na literatura védica, declara-se que a alma é sempre pura e não contaminada pelo apego material. A identificação do corpo com a alma deve-se à má compreensão. Entende-se que quem é plenamente consciente de Kṛṣṇa está em sua posição constitucional original e pura. Esta condição de existência se chama śuddha-sattva, denotando o estado transcendental às qualidades materiais. Uma vez que essa existência śuddha-sattva está sob a ação direta da potência interna, nesse estado as atividades da consciência material param. Por exemplo, quando o ferro é posto no fogo, ele fica quente, e quando fica em brasa, embora seja ferro, age como fogo. Analogamente, quando o cobre é sobrecarregado com eletricidade, sua ação como cobre descontinua; ele passa a agir como eletricidade. A Bhagavad-gītā (14.26) também confirma que qualquer pessoa que se ocupe em serviço devocional puro ao Senhor é imediatamente elevada à posição de Brahman puro:
māṁ ca yo ’vyabhicāreṇa
bhakti-yogena sevate
sa guṇān samatītyaitān
brahma-bhūyāya kalpate
bhakti-yogena sevate
sa guṇān samatītyaitān
brahma-bhūyāya kalpate
Portanto, śuddha-sattva, como se descreve neste verso, é a posição transcendental, tecnicamente denominada vasudeva. Vasudeva é também o nome da pessoa de quem Kṛṣṇa aparece. Este verso explica que o estado puro se chama vasudeva porque, nesse estado, Vāsudeva, a Suprema Personalidade de Deus, revela-Se sem cobertura alguma. Para executar serviço devocional puro, portanto, devem-se seguir as regras e regulações do serviço devocional sem desejo de obter lucro material mediante atividades fruitivas ou especulação mental.
No serviço devocional puro, simplesmente servimos à Suprema Personalidade de Deus por questão de dever, sem razão e sem sermos impedidos por condições materiais. Chama-se isso de śuddha-sattva, ou vasudeva, porque, nessa fase, a Pessoa Suprema, Kṛṣṇa, revela-Se no coração do devoto. Śrīla Jīva Gosvāmī descreve de maneira maravilhosa esse vasudeva, ou śuddha-sattva, em seu Bhagavat-sandarbha. Ele explica que se acrescenta aṣṭottara-śata (108) ao nome do mestre espiritual para indicar que ele está situado em śuddha-sattva, ou no estado transcendental de vasudeva. A palavra vasudeva também é usada para outros propósitos. Por exemplo, vasudeva também significa alguém que está em toda parte, ou que é onipenetrante. O sol também se chama vasudeva-śabditam. Pode-se utilizar a palavra vasudeva para diferentes propósitos, mas qualquer que seja o propósito adotado, Vāsudeva significa a Suprema Personalidade de Deus, onipenetrante ou localizada. Na Bhagavad-gītā (7.19), também se afirma: vāsudevaḥ sarvam iti. Compreensão verdadeira é compreender Vāsudeva, a Suprema Personalidade de Deus, e render-se a Ele. Vasudeva é o campo onde Se revela Vāsudeva, a Suprema Personalidade de Deus. Quando alguém se livra da contaminação da natureza material e se situa em consciência de Kṛṣṇa pura, ou no estado vasudeva, Vāsudeva, a Pessoa Suprema, revela-Se. Esse estado também se chama kaivalya, que quer dizer “consciência pura”. Jñānaṁ sāttvikaṁ kaivalyam: “Quem se situa em conhecimento transcendental puro se situa em kaivalya.” Portanto, vasudeva também significa kaivalya, uma palavra que é geralmente usada pelos impersonalistas. O kaivalya impessoal não é a última fase de compreensão, mas, no kaivalya consciente de Kṛṣṇa, ao compreendermos a Suprema Personalidade de Deus, então logramos o sucesso. Nesse estado puro, ouvindo, cantando, lembrando-se etc., devido ao desenvolvimento do conhecimento da ciência de Kṛṣṇa, pode-se entender a Suprema Personalidade de Deus. Todas essas atividades estão sob a orientação da energia interna do Senhor Supremo.
A ação da potência interna também é descrita neste verso como apāvṛtaḥ, livre de qualquer cobertura. Visto que a Suprema Personalidade de Deus, Seu nome, Sua forma, Sua qualidade, Sua parafernália etc., sendo transcendentais, estão além da natureza material, não é possível entender nenhum desses aspectos com os sentidos materialistas. Quando os sentidos se purificam pelo desempenho do serviço devocional puro (hṛṣīkeṇa hṛṣīkeśa-sevanaṁ bhaktir ucyate), os sentidos puros podem ver Kṛṣṇa sem coberturas. Então, alguém poderá perguntar, uma vez que de fato o devoto tem o mesmo corpo material existencial, como é possível que os mesmos olhos materialistas se purifiquem através do serviço devocional? O exemplo, como afirma o Senhor Caitanya, é que o serviço devocional limpa o espelho da mente. Em um espelho limpo, podemos ver nosso rosto bem nitidamente. Do mesmo modo, simplesmente limpando o espelho da mente, pode-se ter uma concepção clara da Suprema Personalidade de Deus. Afirma-se na Bhagavad-gītā (8.8): abhyāsa-yoga-yuktena. Executando nossos deveres prescritos em serviço devocional, cetasā nānya-gāminā, ou simplesmente ouvindo sobre Deus e cantando sobre Ele, se nossa mente estiver sempre ocupada em cantar e ouvir e não tiver permissão de ir a qualquer outra parte, poderemos compreender a Suprema Personalidade de Deus. Como confirma o Senhor Caitanya, através do processo de bhakti-yoga, começando com ouvir e cantar, podemos purificar o coração e a mente, e assim poderemos ver claramente o rosto da Suprema Personalidade de Deus.
O senhor Śiva disse que, uma vez que seu coração estava sempre tomado pela concepção de Vāsudeva, a Suprema Personalidade de Deus, devido à presença do Senhor Supremo dentro de sua mente e de seu coração, ele sempre oferecia reverências a essa Divindade Suprema. Em outras palavras, o senhor Śiva está sempre em transe, samādhi. Esse samādhi não está sob o controle do devoto – está sob o controle de Vāsudeva, pois toda a energia interna da Suprema Personalidade de Deus age sob Sua ordem. Evidentemente, a energia material também age sob Sua ordem, mas Sua vontade direta é especificamente satisfeita através da energia espiritual. Assim, mediante Sua energia espiritual, Ele Se revela. Afirma-se na Bhagavad-gītā (4.6) que sambhavāmy ātma-māyayā. Ātma-māyayā significa “potência interna”. Por Sua doce vontade, Ele Se revela através de Sua potência interna, estando satisfeito com o transcendental serviço amoroso do devoto. O devoto nunca ordena: “Meu querido Senhor, por favor, vem até mim para que eu possa ver-Te.” Não é a posição do devoto mandar que a Suprema Personalidade de Deus apareça ante ele ou dance para ele. Há muitos supostos devotos que mandam o Senhor aparecer dançando para eles. O Senhor, contudo, não está sujeito à ordem de ninguém. Porém, ficando satisfeito com as atividades devocionais puras de alguém, Ele Se revela. Portanto, uma palavra significativa neste verso é adhokṣaja, pois ela indica que as atividades de nossos sentidos materiais não conseguirão perceber a Suprema Personalidade de Deus. Ninguém pode compreender a Suprema Personalidade de Deus simplesmente com as tentativas de sua mente especulativa, mas, se desejar, poderá subjugar todas as atividades materiais de seus sentidos, e o Senhor, manifestando Sua energia espiritual, poderá revelar-Se ao devoto puro. Quando a Suprema Personalidade de Deus Se revela ao devoto puro, o devoto não tem outro dever além de oferecer-Lhe respeitosas reverências. A Verdade Absoluta revela-Se ao devoto com Sua forma. Ela não é amorfa. Vāsudeva não é amorfo, pois se afirma neste verso que, assim que o Senhor Se revela ao devoto, este Lhe oferece suas reverências. Oferecem-se reverências a uma pessoa, e não a algo impessoal. Não se deve aceitar a interpretação māyāvāda de que Vāsudeva é impessoal. Como se afirma na Bhagavad-gītā, prapadyate, a pessoa se rende. Rendemo-nos a uma pessoa, e não à não-dualidade impessoal. Sempre que se trata de rendição ou reverências, tem que haver um objeto de rendição ou reverências.
Devanagari
तत्ते निरीक्ष्यो न पितापि देहकृद्
दक्षो मम द्विट्तदनुव्रताश्च ये ।
यो विश्वसृग्यज्ञगतं वरोरु मा-
मनागसं दुर्वचसाकरोत्तिर: ॥ २४ ॥
दक्षो मम द्विट्तदनुव्रताश्च ये ।
यो विश्वसृग्यज्ञगतं वरोरु मा-
मनागसं दुर्वचसाकरोत्तिर: ॥ २४ ॥
Verse text
tat te nirīkṣyo na pitāpi deha-kṛd
dakṣo mama dviṭ tad-anuvratāś ca ye
yo viśvasṛg-yajña-gataṁ varoru mām
anāgasaṁ durvacasākarot tiraḥ
dakṣo mama dviṭ tad-anuvratāś ca ye
yo viśvasṛg-yajña-gataṁ varoru mām
anāgasaṁ durvacasākarot tiraḥ
Synonyms
tat — portanto; te — teu; nirīkṣyaḥ — ser visitado; na — não; pitā — teu pai; api — embora; deha-kṛt — o doador de teu corpo; dakṣaḥ — Dakṣa; mama — meu; dviṭ — invejosos; tat-anuvratāḥ — seus (de Dakṣa) seguidores; ca — também; ye — que; yaḥ — quem (Dakṣa); viśva-sṛk — dos Viśvasṛks; yajña-gatam — estando presentes no sacrifício; vara-ūru — ó Satī; mām — a mim; anāgasam — sendo inocente; durvacasā — com palavras cruéis; akarot tiraḥ — insultou.
Translation
Portanto, não deves visitar teu pai, embora ele seja o doador de teu corpo, porque ele e seus seguidores têm inveja de mim. Devido à sua inveja, ó adorabilíssima, ele me insultou com palavras cruéis, embora eu seja inocente.
Purport
SIGNIFICADO—Para uma mulher, tanto o esposo quanto o pai são igualmente adoráveis. O esposo é o protetor da mulher durante sua juventude, ao passo que o pai a protege durante a infância. Assim, ambos são adoráveis, mas especialmente o pai, dado que ele é o doador do corpo. O senhor Śiva relembrou a Satī: “Teu pai é sem dúvidas adorável, inclusive mais do que eu, mas deves ter cuidado, pois, embora ele seja o doador de teu corpo, ele também poderá ser o tirador de teu corpo, pois, quando vires teu pai, devido à tua associação comigo, ele poderá insultar-te. Um insulto de um parente é pior que a morte, especialmente quando se trata de alguém bem situado.”
Devanagari
यदि व्रजिष्यस्यतिहाय मद्वचो
भद्रं भवत्या न ततो भविष्यति ।
सम्भावितस्य स्वजनात्पराभवो
यदा स सद्यो मरणाय कल्पते ॥ २५ ॥
भद्रं भवत्या न ततो भविष्यति ।
सम्भावितस्य स्वजनात्पराभवो
यदा स सद्यो मरणाय कल्पते ॥ २५ ॥
Verse text
yadi vrajiṣyasy atihāya mad-vaco
bhadraṁ bhavatyā na tato bhaviṣyati
sambhāvitasya sva-janāt parābhavo
yadā sa sadyo maraṇāya kalpate
bhadraṁ bhavatyā na tato bhaviṣyati
sambhāvitasya sva-janāt parābhavo
yadā sa sadyo maraṇāya kalpate
Synonyms
yadi — se; vrajiṣyasi — fores; atihāya — negligenciando; mat-vacaḥ — minhas palavras; bhadram — bom; bhavatyāḥ — teu; na — não; tataḥ — então; bhaviṣyati — se tornará; sambhāvitasya — muito respeitável; sva-janāt — por seu próprio parente; parābhavaḥ — fores insultada; yadā — quando; saḥ — este insulto; sadyaḥ — imediatamente; maraṇāya — à morte; kalpate — equivalerá.
Translation
Se, apesar dessa instrução, decidires ir, negligenciando minhas palavras, o futuro não será bom para tua pessoa. Tu és muito respeitável, e, quando fores insultada por teu parente, esse insulto equivalerá de imediato à morte.
Purport
Neste ponto, encerram-se os Significados Bhaktivedanta do quarto canto, terceiro capítulo, do Śrīmad-Bhāgavatam, intitulado “Conversas entre o Senhor Śiva e Satī”.