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Devanagari
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Purport
CAPÍTULO VINTE E UM
A Dinastia de Bharata
Este vigésimo primeiro capítulo descreve a dinastia proveniente de Mahārāja Bharata, o filho de Mahārāja Duṣmanta, e também narra as glórias de Rantideva, Ajamīḍha e outros.
O filho de Bharadvāja foi Manyu, e os filhos de Manyu foram Bṛhatkṣatra, Jaya, Mahāvīrya, Nara e Garga. Desses cinco, Nara teve um filho chamado Saṅkṛti, que teve dois filhos, chamados Guru e Rantideva. Como um elevado devoto, Rantideva via que toda entidade viva estava relacionada com a Suprema Personalidade de Deus e, portanto, ocupava toda a sua mente, palavras e seu próprio eu em servir ao Senhor Supremo e a Seus devotos. Rantideva era tão grandioso que às vezes dava seu próprio alimento em caridade, e ele e sua família jejuavam. Certa vez, depois que Rantideva passou quarenta e oito dias jejuando, nem sequer tendo bebido uma gota de água, levaram-lhe um excelente alimento, feito no ghī, mas, quando ele estava prestes a comer, apareceu um visitante brāhmaṇa. Rantideva, portanto, não comeu o alimento, senão que, em vez disso, imediatamente ofereceu uma porção do mesmo ao brāhmaṇa. Quando o brāhmaṇa partiu e Rantideva estava prestes a comer os restos do alimento, apareceu um śūdra. Rantideva, portanto, dividiu os restos entre o śūdra e ele mesmo. Mais uma vez, quando ele estava prestes a comer os restos do alimento, apareceu outro visitante. Rantideva, portanto, deu o resto do alimento ao novo visitante e estava disposto a contentar-se em beber água para matar a sede, mas nem isso ele conseguiu, pois chegou um visitante sedento, e Rantideva deu-lhe a água. Tudo isso foi um arranjo da Suprema Personalidade de Deus simplesmente para glorificar Seu devoto e mostrar a tolerância com que o devoto presta serviço ao Senhor. A Suprema Personalidade de Deus, estando extremamente satisfeito com Rantideva, confiou-lhe um serviço muito íntimo. A Suprema Personalidade de Deus outorga ao devoto puro, não a devotos comuns, o poder especial através do qual se presta o serviço mais íntimo.
Garga, o neto de Bharadvāja, teve um filho chamado Śini, e o filho de Śini foi Gārgya. Embora Gārgya tivesse nascido kṣatriya, seus filhos tornaram-se brāhmaṇas. O filho de Mahāvīrya foi Duritakṣaya, cujos filhos foram Trayyaruṇi, Kavi e Puṣkarāruṇi. Embora nascessem de um rei kṣatriya, esses três filhos também alcançaram a posição de brāhmaṇas. O filho de Bṛhatkṣatra construiu a cidade de Hastināpura e era conhecido como Hastī. Seus filhos foram Ajamīḍha, Dvimīḍha e Purumīḍha.
De Ajamīḍha, veio Priyamedha e outros brāhmaṇas e também um filho chamado Bṛhadiṣu. Os filhos, netos e outros descendentes de Bṛhadiṣu foram Bṛhaddhanu, Bṛhatkāya, Jayadratha, Viśada e Syenajit. De Syenaja, vieram quatro filhos – Rucirāśva, Dṛḍhahanu, Kāśya e Vatsa. De Rucirāśva, veio um filho chamado Pāra, cujos filhos foram Pṛthusena e Nīpa, e de Nīpa vieram cem filhos. Outro filho de Nīpa foi Brahmadatta. De Brahmadatta, veio Viṣvaksena; de Viṣvaksena, Udaksena, e de Udaksena, Bhallāṭa.
O filho de Dvimīḍha foi Yavīnara, e de Yavīnara vieram muitos filhos e netos, tais como Kṛtimān, Satyadhṛti, Dṛḍhanemi, Supārśva, Sumati, Sannatimān, Kṛtī, Nīpa, Udgrāyudha, Kṣemya, Suvīra, Ripuñjaya e Bahuratha. Purumīḍha não teve filhos, mas Ajamīḍha, além de seus outros filhos, teve um filho chamado Nīla, cujo filho foi Śānti. Os descendentes de Śānti foram Suśānti, Puruja, Arka e Bharmyāśva. Bharmyāśva teve cinco filhos, um dos quais, Mudgala, gerou uma dinastia de brāhmaṇas. Mudgala teve gêmeos – um filho, Divodāsa, e uma filha, Ahalyā. De Ahalyā, através de seu esposo, Gautama, nasceu Śatānanda. O filho de Śatānanda foi Śatyadhṛti, cujo filho foi Śaradvān. O filho de Śaradvān era conhecido como Kṛpa, e a filha de Śaradvān, conhecida como Kṛpī, tornou-se a esposa de Droṇācārya.
Devanagari
श्रीशुक उवाच
वितथस्य सुतान् मन्योर्बृहत्क्षत्रो जयस्तत: ।
महावीर्यो नरो गर्ग: सङ्कृतिस्तु नरात्मज: ॥ १ ॥
वितथस्य सुतान् मन्योर्बृहत्क्षत्रो जयस्तत: ।
महावीर्यो नरो गर्ग: सङ्कृतिस्तु नरात्मज: ॥ १ ॥
Verse text
śrī-śuka uvāca
vitathasya sutān manyor
bṛhatkṣatro jayas tataḥ
mahāvīryo naro gargaḥ
saṅkṛtis tu narātmajaḥ
vitathasya sutān manyor
bṛhatkṣatro jayas tataḥ
mahāvīryo naro gargaḥ
saṅkṛtis tu narātmajaḥ
Synonyms
śrī-śukaḥ uvāca — Śrī Śukadeva Gosvāmī disse; vitathasya — de Vitatha (Bharadvāja), que foi aceito na família de Mahārāja Bharata sob circunstâncias especiais de desapontamento; sutāt — do filho; manyoḥ — chamado Manyu; bṛhatkṣatraḥ — Bṛhatkṣatra; jayaḥ — Jaya; tataḥ — dele; mahāvīryaḥ — Mahāvīrya; naraḥ — Nara; gargaḥ — Garga; saṅkṛtiḥ — Saṅkṛti; tu — decerto; nara-ātmajaḥ — o filho de Nara.
Translation
Śukadeva Gosvāmī disse: Porque foi salvo pelos semideuses Maruts, Bharadvāja ficou conhecido como Vitatha. O filho de Vitatha foi Manyu, e de Manyu vieram cinco filhos – Bṛhatkṣatra, Jaya, Mahāvīrya, Nara e Garga. Desses cinco, aquele conhecido como Nara teve um filho chamado Saṅkṛti.
Devanagari
गुरुश्च रन्तिदेवश्च सङ्कृते: पाण्डुनन्दन ।
रन्तिदेवस्य महिमा इहामुत्र च गीयते ॥ २ ॥
रन्तिदेवस्य महिमा इहामुत्र च गीयते ॥ २ ॥
Verse text
guruś ca rantidevaś ca
saṅkṛteḥ pāṇḍu-nandana
rantidevasya mahimā
ihāmutra ca gīyate
saṅkṛteḥ pāṇḍu-nandana
rantidevasya mahimā
ihāmutra ca gīyate
Synonyms
guruḥ — um filho chamado Guru; ca — e; rantidevaḥ ca — e um filho chamado Rantideva; saṅkṛteḥ — de Saṅkṛti; pāṇḍu-nandana — ó Mahārāja Parīkṣit, descendente de Pāṇḍu; rantidevasya — de Rantideva; mahimā — as glórias; iha — neste mundo; amutra — e no outro mundo; ca — também; gīyate — são enaltecidas.
Translation
Ó Mahārāja Parīkṣit, descendente de Pāṇḍu, Saṅkṛti teve dois filhos, chamados Guru e Rantideva. Rantideva é famoso neste e no outro mundo, pois é glorificado não apenas na sociedade humana, mas também na sociedade dos semideuses.
Devanagari
वियद्वित्तस्य ददतो लब्धं लब्धं बुभुक्षत: ।
निष्किञ्चनस्य धीरस्य सकुटुम्बस्य सीदत: ॥ ३ ॥
व्यतीयुरष्टचत्वारिंशदहान्यपिबत: किल ।
घृतपायससंयावं तोयं प्रातरुपस्थितम् ॥ ४ ॥
कृच्छ्रप्राप्तकुटुम्बस्य क्षुत्तृड्भ्यां जातवेपथो: ।
अतिथिर्ब्राह्मण: काले भोक्तुकामस्य चागमत् ॥ ५ ॥
निष्किञ्चनस्य धीरस्य सकुटुम्बस्य सीदत: ॥ ३ ॥
व्यतीयुरष्टचत्वारिंशदहान्यपिबत: किल ।
घृतपायससंयावं तोयं प्रातरुपस्थितम् ॥ ४ ॥
कृच्छ्रप्राप्तकुटुम्बस्य क्षुत्तृड्भ्यां जातवेपथो: ।
अतिथिर्ब्राह्मण: काले भोक्तुकामस्य चागमत् ॥ ५ ॥
Verse text
viyad-vittasya dadato
labdhaṁ labdhaṁ bubhukṣataḥ
niṣkiñcanasya dhīrasya
sakuṭumbasya sīdataḥ
labdhaṁ labdhaṁ bubhukṣataḥ
niṣkiñcanasya dhīrasya
sakuṭumbasya sīdataḥ
vyatīyur aṣṭa-catvāriṁśad
ahāny apibataḥ kila
ghṛta-pāyasa-saṁyāvaṁ
toyaṁ prātar upasthitam
ahāny apibataḥ kila
ghṛta-pāyasa-saṁyāvaṁ
toyaṁ prātar upasthitam
kṛcchra-prāpta-kuṭumbasya
kṣut-tṛḍbhyāṁ jāta-vepathoḥ
atithir brāhmaṇaḥ kāle
bhoktu-kāmasya cāgamat
kṣut-tṛḍbhyāṁ jāta-vepathoḥ
atithir brāhmaṇaḥ kāle
bhoktu-kāmasya cāgamat
Synonyms
viyat-vittasya — de Rantideva, que recebia o que lhe enviava a providência, assim como um pássaro cātaka recebe água do céu; dadataḥ — que distribuía aos outros; labdham — tudo o que obtinha; labdham — desses ganhos; bubhukṣataḥ — desfrutava; niṣkiñcanasya — sempre sem nenhum centavo; dhīrasya — não obstante, muito sóbrio; sa-kuṭumbasya — mesmo com seus membros familiares; sīdataḥ — sofrendo muito; vyatīyuḥ — passou por; aṣṭa-catvāriṁśat — quarenta e oito; ahāni — dias; apibataḥ — sem sequer beber água; kila — na verdade; ghṛta-pāyasa — alimentos preparados com ghī e leite; saṁyāvam — muitas variedades de grãos alimentícios; toyam — água; prātaḥ — de manhã; upasthitam — chegaram por acaso; kṛcchra-prāpta — submetendo-se a sofrimento; kuṭumbasya — cujos membros familiares; kṣut-tṛḍbhyām — com sede e com fome; jāta — ficavam; vepathoḥ — trêmulos; atithiḥ — um visitante; brāhmaṇaḥ — um brāhmaṇa; kāle — naquele exato momento; bhoktu-kāmasya — de Rantideva, que desejava comer algo; ca — também; āgamat — chegou ali.
Translation
Rantideva jamais se esforçou por ganhar nada. Ele desfrutava apenas daquilo que obtinha através do arranjo da providência, mas, quando vinham visitantes, ele costumava dar-lhes tudo. Assim, juntamente com os membros de sua família, ele se submeteu a um considerável sofrimento. Na verdade, ele e seus membros familiares tremiam devido ao fato de que comiam e bebiam muito pouco, mas Rantideva sempre permanecia sóbrio. Certa vez, após jejuar por quarenta e oito dias, Rantideva recebeu de manhã um pouco de água e de alimentos feitos com leite e ghī, mas, quando ele e sua família estavam prestes a comer, chegou um visitante brāhmaṇa.
Devanagari
तस्मै संव्यभजत् सोऽन्नमादृत्य श्रद्धयान्वित: ।
हरिं सर्वत्र संपश्यन् स भुक्त्वा प्रययौ द्विज: ॥ ६ ॥
हरिं सर्वत्र संपश्यन् स भुक्त्वा प्रययौ द्विज: ॥ ६ ॥
Verse text
tasmai saṁvyabhajat so ’nnam
ādṛtya śraddhayānvitaḥ
hariṁ sarvatra saṁpaśyan
sa bhuktvā prayayau dvijaḥ
ādṛtya śraddhayānvitaḥ
hariṁ sarvatra saṁpaśyan
sa bhuktvā prayayau dvijaḥ
Synonyms
tasmai — a ele (o brāhmaṇa); saṁvyabhajat — após dividir, deu uma porção; saḥ — ele (Rantideva); annam — o alimento; ādṛtya — com muito respeito; śraddhayā anvitaḥ — e com fé; harim — o Senhor Supremo; sarvatra — em toda parte, ou no coração de todo ser vivo; saṁpaśyan — concebendo; saḥ — ele; bhuktvā — após comer o alimento; prayayau — deixou aquele lugar; dvijaḥ — o brāhmaṇa.
Translation
Como percebia a presença da Divindade Suprema em toda parte e em toda entidade viva, Rantideva recebeu o visitante com fé e respeito e deu-lhe uma porção do alimento. O visitante brāhmaṇa comeu sua porção e depois foi embora.
Purport
SIGNIFICADO—Rantideva percebia a presença da Suprema Personalidade de Deus em todo ser vivo, mas nunca pensava que, pelo fato de o Senhor Supremo estar presente em todo ser vivo, o ser vivo era de fato Deus. Tampouco fazia distinção entre um ser vivo e outro. Ele percebia a presença do Senhor tanto no brāhmaṇa quanto no caṇḍāla. Esta é a verdadeira visão equânime, como o próprio Senhor confirma na Bhagavad-gītā (5.18):
vidyā-vinaya-sampanne
brāhmaṇe gavi hastini
śuni caiva śva-pāke ca
paṇḍitāḥ sama-darśinaḥ
brāhmaṇe gavi hastini
śuni caiva śva-pāke ca
paṇḍitāḥ sama-darśinaḥ
“Os sábios humildes, em virtude do conhecimento verdadeiro, veem com uma visão equânime o brāhmaṇa erudito e cortês, a vaca, o elefante, o cachorro e o comedor de cachorro [pária].” Um paṇḍita, ou erudito, percebe a presença da Suprema Personalidade de Deus em todo ser vivo. Portanto, embora atualmente seja uma tendência preferir o suposto daridra-nārāyaṇa, ou “Nārāyaṇa pobre”, Rantideva não tinha nenhuma razão para dar preferência a alguma pessoa. A ideia de que, pelo fato de Nārāyaṇa estar presente no coração de alguém que é daridra, ou pobre, este deve ser chamado de daridra-nārāyaṇa, é uma concepção errada. Através dessa lógica, como o Senhor está presente nos corações dos cães e porcos, o, cães e porcos também seriam Nārāyaṇa. Ninguém deve cair no erro de pensar que Rantideva compartilhava dessa visão. Em vez disso, ele via todos como partes da Suprema Personalidade de Deus (hari-sambandhi-vastunaḥ). Não é verdade que todos são a Divindade Suprema. Essa teoria, apresentada pela filosofia māyāvāda, sempre é desencaminhadora, e Rantideva jamais a aceitaria.
Devanagari
अथान्यो भोक्ष्यमाणस्य विभक्तस्य महीपते: ।
विभक्तं व्यभजत् तस्मै वृषलाय हरिं स्मरन् ॥ ७ ॥
विभक्तं व्यभजत् तस्मै वृषलाय हरिं स्मरन् ॥ ७ ॥
Verse text
athānyo bhokṣyamāṇasya
vibhaktasya mahīpateḥ
vibhaktaṁ vyabhajat tasmai
vṛṣalāya hariṁ smaran
vibhaktasya mahīpateḥ
vibhaktaṁ vyabhajat tasmai
vṛṣalāya hariṁ smaran
Synonyms
atha — em seguida; anyaḥ — outro visitante; bhokṣyamāṇasya — que estava prestes a comer; vibhaktasya — após separar a parte que cabia à família; mahīpateḥ — do rei; vibhaktam — o alimento reservado à família; vyabhajat — ele dividiu e distribuiu; tasmai — a ele; vṛṣalāya — a um śūdra; harim — a Suprema Personalidade de Deus; smaran — fazendo lembrar-se de.
Translation
Em seguida, tendo dividido com seus parentes o alimento restante, Rantideva estava prestes a comer sua própria parte, mas um visitante śūdra chegou. Vendo o śūdra em relação com a Suprema Personalidade de Deus, o rei Rantideva deu-lhe também uma porção do alimento.
Purport
SIGNIFICADO—Porque via a todos como partes da Suprema Personalidade de Deus, o rei Rantideva jamais fazia distinções entre um brāhmaṇa e um śūdra, um pobre e um rico. Essa visão equânime se chama sama-darśinaḥ (paṇḍitāḥ sama-darśinaḥ). Alguém que realmente tenha compreendido que a Suprema Personalidade de Deus situa-Se no coração de todos e que todos os seres vivos são partes do Senhor não faz distinção alguma entre um brāhmaṇa e um śūdra, um pobre (daridra) e um rico (dhanī). Tal pessoa vê todos os seres vivos com igualdade e adota o mesmo procedimento para com eles, indiscriminadamente.
Devanagari
याते शूद्रे तमन्योऽगादतिथि: श्वभिरावृत: ।
राजन् मे दीयतामन्नं सगणाय बुभुक्षते ॥ ८ ॥
राजन् मे दीयतामन्नं सगणाय बुभुक्षते ॥ ८ ॥
Verse text
yāte śūdre tam anyo ’gād
atithiḥ śvabhir āvṛtaḥ
rājan me dīyatām annaṁ
sagaṇāya bubhukṣate
atithiḥ śvabhir āvṛtaḥ
rājan me dīyatām annaṁ
sagaṇāya bubhukṣate
Synonyms
Translation
Quando o śūdra partiu, chegou outro visitante, cercado de cães, e disse: “Ó rei, eu e minha companhia de cães estamos muito famintos. Por favor, dá-nos algo para comermos.”
Devanagari
स आदृत्यावशिष्टं यद्म बहुमानपुरस्कृतम् ।
तच्च दत्त्वा नमश्चक्रे श्वभ्य: श्वपतये विभु: ॥ ९ ॥
तच्च दत्त्वा नमश्चक्रे श्वभ्य: श्वपतये विभु: ॥ ९ ॥
Verse text
sa ādṛtyāvaśiṣṭaṁ yad
bahu-māna-puraskṛtam
tac ca dattvā namaścakre
śvabhyaḥ śva-pataye vibhuḥ
bahu-māna-puraskṛtam
tac ca dattvā namaścakre
śvabhyaḥ śva-pataye vibhuḥ
Synonyms
saḥ — ele (o rei Rantideva); ādṛtya — após honrá-los; avaśiṣṭam — o alimento que restou depois que o brāhmaṇa e o śūdra comeram; yat — tudo o que havia; bahu-māna-puraskṛtam — prestando-lhe muito respeito; tat — isto; ca — também; dattvā — dando; namaḥ-cakre — ofereceu reverências; śvabhyaḥ — aos cães; śva-pataye — ao dono dos cães; vibhuḥ — o rei todo-poderoso.
Translation
Com muito respeito, o rei Rantideva ofereceu o restante do alimento aos cães e ao dono dos cães, que haviam chegado como visitantes. O rei ofereceu-lhes todos os respeitos e reverências.
Devanagari
पानीयमात्रमुच्छेषं तच्चैकपरितर्पणम् ।
पास्यत: पुल्कसोऽभ्यागादपो देह्यशुभाय मे ॥ १० ॥
पास्यत: पुल्कसोऽभ्यागादपो देह्यशुभाय मे ॥ १० ॥
Verse text
pānīya-mātram uccheṣaṁ
tac caika-paritarpaṇam
pāsyataḥ pulkaso ’bhyāgād
apo dehy aśubhāya me
tac caika-paritarpaṇam
pāsyataḥ pulkaso ’bhyāgād
apo dehy aśubhāya me
Synonyms
pānīya-mātram — somente a água potável; uccheṣam — foi o que restou do alimento; tat ca — aquilo também; eka — a um; paritarpaṇam — satisfazendo; pāsyataḥ — quando o rei estava prestes a beber; pulkasaḥ — um caṇḍāla; abhyāgāt — veio ali; apaḥ — água; dehi — por favor, dá; aśubhāya — embora eu seja um caṇḍāla de nascimento baixo; me — a mim.
Translation
Em seguida, restou apenas água potável, e só havia uma quantidade suficiente para satisfazer uma pessoa, mas, quando o rei estava prestes a bebê-la, um caṇḍāla apareceu e disse: “Ó rei, embora eu seja de nascimento baixo, por favor, dá-me água potável.”
Devanagari
तस्य तां करुणां वाचं निशम्य विपुलश्रमाम् ।
कृपया भृशसन्तप्त इदमाहामृतं वच: ॥ ११ ॥
कृपया भृशसन्तप्त इदमाहामृतं वच: ॥ ११ ॥
Verse text
tasya tāṁ karuṇāṁ vācaṁ
niśamya vipula-śramām
kṛpayā bhṛśa-santapta
idam āhāmṛtaṁ vacaḥ
niśamya vipula-śramām
kṛpayā bhṛśa-santapta
idam āhāmṛtaṁ vacaḥ
Synonyms
Translation
Aflito ao ouvir as palavras lamuriantes do pobre e fatigado caṇḍāla, Mahārāja Rantideva falou as seguintes palavras nectáreas.
Purport
SIGNIFICADO—As palavras de Mahārāja Rantideva eram como amṛta, ou néctar, de modo que, além de ele prestar serviço corpóreo a uma pessoa sofrida, as meras palavras do rei eram capazes de salvar a vida de qualquer pessoa que o ouvisse.
Devanagari
न कामयेऽहं गतिमीश्वरात् परा-
मष्टर्द्धियुक्तामपुनर्भवं वा ।
आर्तिं प्रपद्येऽखिलदेहभाजा-
मन्त:स्थितो येन भवन्त्यदु:खा: ॥ १२ ॥
मष्टर्द्धियुक्तामपुनर्भवं वा ।
आर्तिं प्रपद्येऽखिलदेहभाजा-
मन्त:स्थितो येन भवन्त्यदु:खा: ॥ १२ ॥
Verse text
na kāmaye ’haṁ gatim īśvarāt parām
aṣṭarddhi-yuktām apunar-bhavaṁ vā
ārtiṁ prapadye ’khila-deha-bhājām
antaḥ-sthito yena bhavanty aduḥkhāḥ
aṣṭarddhi-yuktām apunar-bhavaṁ vā
ārtiṁ prapadye ’khila-deha-bhājām
antaḥ-sthito yena bhavanty aduḥkhāḥ
Synonyms
na — não; kāmaye — desejo; aham — eu; gatim — destino; īśvarāt — da Suprema Personalidade de Deus; parām — grande; aṣṭa-ṛddhi-yuktām — composto de oito classes de perfeição mística; apunaḥ-bhavam — cessação de repetidos nascimentos (liberação, salvação); vā — ou; ārtim — sofrimentos; prapadye — aceito; akhila-deha-bhājām — de todas as entidades vivas; antaḥ-sthitaḥ — permanecendo entre elas; yena — pelos quais; bhavanti — elas se tornam; aduḥkhāḥ — sem angústia.
Translation
Não peço que a Suprema Personalidade de Deus me dê as oito perfeições do yoga místico, nem me salve de repetidos nascimentos e mortes. Desejo apenas permanecer entre todas as entidades vivas e sofrer por elas todas as angústias, para que elas se livrem do sofrimento.
Purport
SIGNIFICADO—Vāsudeva Datta fez a Śrī Caitanya Mahāprabhu uma afirmação semelhante, pedindo ao Senhor que libertasse todas as entidades vivas enquanto Ele Se encontrava ali presente. Vāsudeva Datta argumentou que, se elas não fossem dignas de serem liberadas, ele próprio aceitaria todas as suas reações pecaminosas e sofreria pessoalmente para que o Senhor pudesse libertá-las. O vaiṣṇava, portanto, é descrito como para-duḥkha-duḥkhī: ele sofre muito quando vê o sofrimento alheio. Por isso, o vaiṣṇava ocupa-se em atividades que visam ao verdadeiro bem-estar da sociedade humana.
Devanagari
क्षुत्तृट्श्रमो गात्रपरिभ्रमश्च
दैन्यं क्लम: शोकविषादमोहा: ।
सर्वे निवृत्ता: कृपणस्य जन्तो-
र्जिजीविषोर्जीवजलार्पणान्मे ॥ १३ ॥
दैन्यं क्लम: शोकविषादमोहा: ।
सर्वे निवृत्ता: कृपणस्य जन्तो-
र्जिजीविषोर्जीवजलार्पणान्मे ॥ १३ ॥
Verse text
kṣut-tṛṭ-śramo gātra-paribhramaś ca
dainyaṁ klamaḥ śoka-viṣāda-mohāḥ
sarve nivṛttāḥ kṛpaṇasya jantor
jijīviṣor jīva-jalārpaṇān me
dainyaṁ klamaḥ śoka-viṣāda-mohāḥ
sarve nivṛttāḥ kṛpaṇasya jantor
jijīviṣor jīva-jalārpaṇān me
Synonyms
kṣut — da fome; tṛṭ — e sede; śramaḥ — fadiga; gātra-paribhramaḥ — tremor do corpo; ca — também; dainyam — pobreza; klamaḥ — angústia; śoka — lamentação; viṣāda — melancolia; mohāḥ — e confusão; sarve — todos eles; nivṛttāḥ — acabados; kṛpaṇasya — da pobre; jantoḥ — entidade viva (o caṇḍāla); jijīviṣoḥ — desejando viver; jīva — mantendo a vida; jala — água; arpaṇāt — oferecendo; me — minha.
Translation
Oferecendo minha água para manter a vida desse pobre caṇḍāla, que luta para sobreviver, libertei-me de toda a fome, sede, fadiga, tremor corpóreo, melancolia, angústia, lamentação e ilusão.
Devanagari
इति प्रभाष्य पानीयं म्रियमाण: पिपासया ।
पुल्कसायाददाद्धीरो निसर्गकरुणो नृप: ॥ १४ ॥
पुल्कसायाददाद्धीरो निसर्गकरुणो नृप: ॥ १४ ॥
Verse text
iti prabhāṣya pānīyaṁ
mriyamāṇaḥ pipāsayā
pulkasāyādadād dhīro
nisarga-karuṇo nṛpaḥ
mriyamāṇaḥ pipāsayā
pulkasāyādadād dhīro
nisarga-karuṇo nṛpaḥ
Synonyms
Translation
Tendo falado essas palavras, o rei Rantideva, embora estivesse à beira da morte em decorrência da falta de água, não hesitou em dar sua própria porção de água ao caṇḍāla, pois o rei era naturalmente muito bondoso e sóbrio.
Devanagari
तस्य त्रिभुवनाधीशा: फलदा: फलमिच्छताम् ।
आत्मानं दर्शयां चक्रुर्माया विष्णुविनिर्मिता: ॥ १५ ॥
आत्मानं दर्शयां चक्रुर्माया विष्णुविनिर्मिता: ॥ १५ ॥
Verse text
tasya tribhuvanādhīśāḥ
phaladāḥ phalam icchatām
ātmānaṁ darśayāṁ cakrur
māyā viṣṇu-vinirmitāḥ
phaladāḥ phalam icchatām
ātmānaṁ darśayāṁ cakrur
māyā viṣṇu-vinirmitāḥ
Synonyms
tasya — diante dele (rei Rantideva); tri-bhuvana-adhīśāḥ — os controladores dos três mundos (semideuses tais como Brahmā e Śiva); phaladāḥ — que podem conceder todos os resultados fruitivos; phalam icchatām — das pessoas que desejam benefícios materiais; ātmānam — suas próprias identidades; darśayām cakruḥ — manifestaram; māyāḥ — a energia ilusória; viṣṇu — pelo Senhor Viṣṇu; vinirmitāḥ — criada.
Translation
Semideuses tais como o senhor Brahmā e o senhor Śiva, que podem satisfazer todos os homens de ambições materiais, dando-lhes as recompensas que desejam, manifestaram, então, suas próprias identidades perante o rei Rantideva, pois foram eles que haviam se apresentado como o brāhmaṇa, o śūdra, o caṇḍāla e assim por diante.
Devanagari
स वै तेभ्यो नमस्कृत्य नि:सङ्गो विगतस्पृह: ।
वासुदेवे भगवति भक्त्या चक्रे मन: परम् ॥ १६ ॥
वासुदेवे भगवति भक्त्या चक्रे मन: परम् ॥ १६ ॥
Verse text
sa vai tebhyo namaskṛtya
niḥsaṅgo vigata-spṛhaḥ
vāsudeve bhagavati
bhaktyā cakre manaḥ param
niḥsaṅgo vigata-spṛhaḥ
vāsudeve bhagavati
bhaktyā cakre manaḥ param
Synonyms
saḥ — ele (o rei Rantideva); vai — na verdade; tebhyaḥ — ao senhor Brahmā, ao senhor Śiva e aos outros semideuses; namaḥ-kṛtya — oferecendo reverências; niḥsaṅgaḥ — sem nenhuma ambição de receber algum benefício deles; vigata-spṛhaḥ — inteiramente livre do desejo de obter posses materiais; vāsudeve — no Senhor Vāsudeva; bhagavati — o Senhor Supremo; bhaktyā — através do serviço devocional; cakre — fixou; manaḥ — a mente; param — como a meta última da vida.
Translation
O rei Rantideva não tinha nenhuma ambição de desfrutar dos benefícios materiais concedidos pelos semideuses. Ele lhes ofereceu reverências, mas, como seu apego era mesmo ao Senhor Viṣṇu, Vāsudeva, a Suprema Personalidade de Deus, ele fixou sua mente nos pés de lótus do Senhor Viṣṇu.
Purport
SIGNIFICADO—Śrīla Narottama Dāsa Ṭhākura canta:
anya devāśraya nāi, tomāre kahinu bhāi,
ei bhakti parama karaṇa
ei bhakti parama karaṇa
Se alguém deseja tornar-se devoto puro do Senhor Supremo, não deve almejar receber bênçãos dos semideuses. Como se afirma na Bhagavad-gītā (7.20), kāmais tais tair hṛta-jñānāḥ prapadyante ’nya-devatāḥ: aqueles enganados pela ilusão da energia material adoram deuses que não são a Suprema Personalidade de Deus. Portanto, embora capaz de ver pessoalmente o senhor Brahmā e o senhor Śiva, Rantideva não quis receber deles benefícios materiais. Em vez disso, fixou sua mente no Senhor Vāsudeva e prestou-Lhe serviço devocional. Isso caracteriza um devoto puro, cujo coração não é adulterado pelos desejos materiais.
anyābhilāṣitā-śūnyaṁ
jñāna-karmādy-anāvṛtam
ānukūlyena kṛṣṇānu-
śīlanaṁ bhaktir uttamā
jñāna-karmādy-anāvṛtam
ānukūlyena kṛṣṇānu-
śīlanaṁ bhaktir uttamā
“É com atitude favorável e sem desejo de lucro ou ganho material obtido através de atividades fruitivas ou especulação filosófica que se deve prestar transcendental serviço amoroso ao Supremo Senhor Kṛṣṇa. Isso se chama serviço devocional puro.”
Devanagari
ईश्वरालम्बनं चित्तं कुर्वतोऽनन्यराधस: ।
माया गुणमयी राजन्स्वप्नवत् प्रत्यलीयत ॥ १७ ॥
माया गुणमयी राजन्स्वप्नवत् प्रत्यलीयत ॥ १७ ॥
Verse text
īśvarālambanaṁ cittaṁ
kurvato ’nanya-rādhasaḥ
māyā guṇamayī rājan
svapnavat pratyalīyata
kurvato ’nanya-rādhasaḥ
māyā guṇamayī rājan
svapnavat pratyalīyata
Synonyms
īśvara-ālambanam — refugiando-se por completo nos pés de lótus do Senhor Supremo; cittam — sua consciência; kurvataḥ — fixando; ananya-rādhasaḥ — para Rantideva, que não se desviava de sua meta e tudo o que desejava era servir ao Senhor Supremo; māyā — a energia ilusória; guṇa-mayī — consistindo nos três modos da natureza; rājan — ó Mahārāja Parīkṣit; svapna-vat — como um sonho; pratyalīyata — submergiu.
Translation
Ó Mahārāja Parīkṣit, porque o rei Rantideva era um devoto puro, sempre consciente de Kṛṣṇa e livre de todos os desejos materiais, a energia ilusória do Senhor, māyā, não podia manifestar-se diante dele. Ao contrário, para ele, māyā desapareceu por completo, tal qual um sonho.
Purport
SIGNIFICADO—Afirma-se que:
kṛṣṇa — sūrya-sama; māyā haya andhakāra
yāhāṅ kṛṣṇa, tāhāṅ nāhi māyāra adhikāra
yāhāṅ kṛṣṇa, tāhāṅ nāhi māyāra adhikāra
Assim como não há nenhuma possibilidade de a escuridão existir no brilho do Sol, não pode existir māyā em uma pessoa em pura consciência de Kṛṣṇa. O próprio Senhor diz na Bhagavad-gītā (7.14):
daivī hy eṣā guṇamayī
mama māyā duratyayā
mām eva ye prapadyante
māyām etāṁ taranti te
mama māyā duratyayā
mām eva ye prapadyante
māyām etāṁ taranti te
“Esta Minha energia divina, que consiste nos três modos da natureza material, é difícil de ser suplantada. Mas aqueles que se renderam a Mim podem facilmente transpô-la.” Se alguém deseja livrar-se da influência de māyā, a energia ilusória, deve tornar-se consciente de Kṛṣṇa e sempre manter proeminente, no âmago de seu coração, a presença de Kṛṣṇa. Na Bhagavad-gītā (9.34), o Senhor aconselha que todos sempre pensem nEle (man-manā bhava mad-bhakto mad-yājī māṁ namaskuru). Dessa maneira, tendo a mente sempre em Kṛṣṇa, ou sempre sendo consciente de Kṛṣṇa, a pessoa pode subjugar a influência de māyā (māyām etāṁ taranti te). Como era consciente de Kṛṣṇa, Rantideva não estava sob a influência da energia ilusória. A palavra svapnavat é significativa a este respeito. Porque no mundo material a mente está absorta em atividades materiais, quando alguém está adormecido, muitas atividades contraditórias aparecem em seus sonhos. Todavia, quando ele desperta, essas atividades se fundem na mente. Do mesmo modo, enquanto a pessoa está sob a influência da energia material, ela faz muitos planos e esquemas, mas, quando ela é consciente de Kṛṣṇa, esses planos oníricos com certeza desaparecem.
Devanagari
तत्प्रसङ्गानुभावेन रन्तिदेवानुवर्तिन: ।
अभवन् योगिन: सर्वे नारायणपरायणा: ॥ १८ ॥
अभवन् योगिन: सर्वे नारायणपरायणा: ॥ १८ ॥
Verse text
tat-prasaṅgānubhāvena
rantidevānuvartinaḥ
abhavan yoginaḥ sarve
nārāyaṇa-parāyaṇāḥ
rantidevānuvartinaḥ
abhavan yoginaḥ sarve
nārāyaṇa-parāyaṇāḥ
Synonyms
tat-prasaṅga-anubhāvena — por associarem-se com o rei Rantideva (quando falavam com ele sobre bhakti-yoga); rantideva-anuvartinaḥ — os seguidores do rei Rantideva (isto é, seus servos, os membros de sua família, seus amigos e outros); abhavan — tornaram-se; yoginaḥ — excelentes yogīs místicos ou bhakti-yogīs; sarve — todos eles; nārāyaṇa-parāyaṇāḥ — devotos da Suprema Personalidade de Deus, Nārāyaṇa.
Translation
Todos aqueles que seguiram os princípios do rei Rantideva foram totalmente favorecidos por sua misericórdia e tornaram-se devotos puros, apegados à Suprema Personalidade de Deus, Nārāyaṇa. Assim, todos eles se tornaram os melhores yogīs.
Purport
SIGNIFICADO—Os melhores yogīs ou místicos são os devotos, como o próprio Senhor confirma na Bhagavad-gītā (6.47):
yoginām api sarveṣāṁ
mad-gatenāntarātmanā
śraddhāvān bhajate yo māṁ
sa me yuktatamo mataḥ
mad-gatenāntarātmanā
śraddhāvān bhajate yo māṁ
sa me yuktatamo mataḥ
“De todos os yogīs, aquele que sempre se refugia em Mim com muita fé, adorando-me com transcendental serviço amoroso, está muito intimamente unido a Mim em yoga e é o mais elevado de todos.” O melhor yogī é aquele que constantemente pensa na Suprema Personalidade de Deus no âmago do coração. Porque Rantideva era o rei, o líder executivo do Estado, todos os habitantes do Estado se tornaram devotos da Suprema Personalidade de Deus, Nārāyaṇa, através da associação transcendental do rei. E essa é a influência exercida pelo devoto puro. Onde existe um devoto puro, aparecem centenas e milhares de devotos puros através de sua associação. Śrīla Bhaktivinoda Ṭhākura disse que o vaiṣṇava tem mérito proporcional ao número de devotos que ele faz. O vaiṣṇava torna-se superior não através do simples jogo de palavras, mas em função do número de pessoas que ele transforma em devotos do Senhor. Aqui, a palavra rantidevānuvartinaḥ indica que, ao se associarem com ele, os ministros, amigos, parentes e súditos de Rantideva tornaram-se todos vaiṣṇavas exemplares. Em outras palavras, confirma-se nesta passagem que Rantideva é um devoto de primeira classe, ou mahā-bhāgavata. Mahat-sevāṁ dvāram āhur vimukteḥ: Deve-se prestar serviço a esses mahātmās, pois então automaticamente se alcançará como meta a liberação. Śrīla Narottama Dāsa Ṭhākura também disse que chāḍiyā vaiṣṇava-sevā nistāra pāyeche kebā: Ninguém pode libertar-se através de seu próprio esforço, mas, se alguém se torna subordinado a um vaiṣṇava puro, as portas da liberação se abrem para ele.
Devanagari
गर्गाच्छिनिस्ततो गार्ग्य: क्षत्राद् ब्रह्म ह्यवर्तत ।
दुरितक्षयो महावीर्यात् तस्य त्रय्यारुणि: कवि: ॥ १९ ॥
पुष्करारुणिरित्यत्र ये ब्राह्मणगतिं गता: ।
बृहत्क्षत्रस्य पुत्रोऽभूद्धस्ती यद्धस्तिनापुरम् ॥ २० ॥
दुरितक्षयो महावीर्यात् तस्य त्रय्यारुणि: कवि: ॥ १९ ॥
पुष्करारुणिरित्यत्र ये ब्राह्मणगतिं गता: ।
बृहत्क्षत्रस्य पुत्रोऽभूद्धस्ती यद्धस्तिनापुरम् ॥ २० ॥
Verse text
gargāc chinis tato gārgyaḥ
kṣatrād brahma hy avartata
duritakṣayo mahāvīryāt
tasya trayyāruṇiḥ kaviḥ
kṣatrād brahma hy avartata
duritakṣayo mahāvīryāt
tasya trayyāruṇiḥ kaviḥ
puṣkarāruṇir ity atra
ye brāhmaṇa-gatiṁ gatāḥ
bṛhatkṣatrasya putro ’bhūd
dhastī yad-dhastināpuram
ye brāhmaṇa-gatiṁ gatāḥ
bṛhatkṣatrasya putro ’bhūd
dhastī yad-dhastināpuram
Synonyms
gargāt — de Garga (outro neto de Bharadvāja); śiniḥ — um filho chamado Śini; tataḥ — a partir dele (Śini); gārgyaḥ — um filho chamado Gārgya; kṣatrāt — embora ele fosse um kṣatriya; brahma — os brāhmaṇas; hi — na verdade; avartata — foi possível aparecerem; duritakṣayaḥ — um filho chamado Duritakṣaya; mahāvīrvāt — de Mahāvīrya (outro neto de Bharadvāja); tasya — seu; trayyāruṇiḥ — o filho chamado Trayyāruṇi; kaviḥ — um filho chamado Kavi; puṣkarāruṇiḥ — um filho chamado Puṣkarāruṇi; iti — assim; atra — nesse particular; ye — todos eles; brāhmaṇa-gatim — a posição de brāhmaṇas; gatāḥ — alcançaram; bṛhatkṣatrasya — do neto de Bharadvāja chamado Bṛhatkṣatra; putraḥ — o filho; abhūt — tornou-se; hastī — Hastī; yat — de quem; hastināpuram — a cidade de Hastināpura (Nova Déli) foi estabelecida.
Translation
De Garga, veio um filho chamado Śini, cujo filho foi Gārgya. Embora Gārgya fosse um kṣatriya, dele surgiu uma geração de brāhmaṇas. De Mahāvīrya, veio um filho chamado Duritakṣaya, cujos filhos foram Trayyāruṇi, Kavi e Puṣkarāruṇi. Embora nascidos em uma dinastia de kṣatriyas, esses filhos de Duritakṣaya também alcançaram a posição de brāhmaṇas. Bṛhatkṣatra teve um filho chamado Hastī, que estabeleceu a cidade de Hastināpura [a atual Nova Déli].
Devanagari
अजमीढो द्विमीढश्च पुरुमीढश्च हस्तिन: ।
अजमीढस्य वंश्या: स्यु: प्रियमेधादयो द्विजा: ॥ २१ ॥
अजमीढस्य वंश्या: स्यु: प्रियमेधादयो द्विजा: ॥ २१ ॥
Verse text
ajamīḍho dvimīḍhaś ca
purumīḍhaś ca hastinaḥ
ajamīḍhasya vaṁśyāḥ syuḥ
priyamedhādayo dvijāḥ
purumīḍhaś ca hastinaḥ
ajamīḍhasya vaṁśyāḥ syuḥ
priyamedhādayo dvijāḥ
Synonyms
ajamīḍhaḥ — Ajamīḍha; dvimīḍhaḥ — Dvimīḍha; ca — também; purumīḍhaḥ — Purumīḍha; ca — também; hastinaḥ — tornaram-se os filhos de Hastī; ajamīḍhasya — de Ajamīḍha; vaṁśyāḥ — descendentes; syuḥ — são; priyamedha-ādayaḥ — encabeçados por Priyamedha; dvijāḥ — brāhmaṇas.
Translation
Do rei Hastī, vieram três filhos, chamados Ajamīḍha, Dvimīḍha e Purumīḍha. Os descendentes de Ajamīḍha, encabeçados por Priyamedha, alcançaram todos a posição de brāhmaṇas.
Purport
SIGNIFICADO—Este verso fornece evidências confirmando a afirmação da Bhagavad-gītā segundo a qual as ordens da sociedade – brāhmaṇa, kṣatriya, vaiśya e śūdra – são definidas em termos de atividades e qualidades (guṇa-karma-vibhāgaśaḥ). Todos os descendentes de Ajamīḍha, o qual era um kṣatriya, tornaram-se brāhmaṇas. Isso certamente se devia às suas qualidades e atividades. Do mesmo modo, os filhos de brāhmaṇas ou kṣatriyas às vezes tornam-se vaiśyas (brāhmaṇā vaiśyatām gatāḥ). Ao adotar a ocupação e o dever de um vaiśya (brāhmaṇa-vaiśyatāṁ gatāḥ), o kṣatriya ou o brāhmaṇa decerto são classificados como vaiśyas. Por outro lado, se alguém nasce vaiśya, ele pode tornar-se brāhmaṇa através de suas atividades. Confirma isso Nārada Muni. Yasya yal-lakṣaṇaṁ proktam. Os membros dos varṇas, ou ordens sociais – brāhmaṇa, kṣatriya, vaiśya e śūdra – devem ser categorizados pelos seus sintomas, e não pelo nascimento. O nascimento é irrelevante; a qualidade é essencial.
Devanagari
अजमीढाद् बृहदिषुस्तस्य पुत्रो बृहद्धनु: ।
बृहत्कायस्ततस्तस्य पुत्र आसीज्जयद्रथ: ॥ २२ ॥
बृहत्कायस्ततस्तस्य पुत्र आसीज्जयद्रथ: ॥ २२ ॥
Verse text
ajamīḍhād bṛhadiṣus
tasya putro bṛhaddhanuḥ
bṛhatkāyas tatas tasya
putra āsīj jayadrathaḥ
tasya putro bṛhaddhanuḥ
bṛhatkāyas tatas tasya
putra āsīj jayadrathaḥ
Synonyms
ajamīḍhāt — de Ajamīḍha; bṛhadiṣuḥ — um filho chamado Bṛhadiṣu; tasya — seu; putraḥ — filho; bṛhaddhanuḥ — Bṛhaddhanu; bṛhatkāyaḥ — Bṛhatkāya; tataḥ — em seguida; tasya — seu; putraḥ — filho; āsīt — foi; jayadrathaḥ — Jayadratha.
Translation
De Ajamīḍha, surgiu um filho chamado Bṛhadiṣu; de Bṛhadiṣu, um filho chamado Bṛhaddhanu; de Bṛhaddhanu, um filho chamado Brhatkāya, e de Bṛhatkāya, um filho chamado Jayadratha.
Devanagari
तत्सुतो विशदस्तस्य स्येनजित् समजायत ।
रुचिराश्वो दृढहनु: काश्यो वत्सश्च तत्सुता: ॥ २३ ॥
रुचिराश्वो दृढहनु: काश्यो वत्सश्च तत्सुता: ॥ २३ ॥
Verse text
tat-suto viśadas tasya
syenajit samajāyata
rucirāśvo dṛḍhahanuḥ
kāśyo vatsaś ca tat-sutāḥ
syenajit samajāyata
rucirāśvo dṛḍhahanuḥ
kāśyo vatsaś ca tat-sutāḥ
Synonyms
tat-sutaḥ — o filho de Jayadratha; viśadaḥ — Viśada; tasya — o filho de Viśada; syenajit — Syenajit; samajāyata — nasceu; rucirāśvaḥ — Rucirāśva; dṛḍhahanuḥ — Dṛḍhahanu; kāśyaḥ — Kāśya; vatsaḥ — Vatsa; ca — também; tat-sutāḥ — filhos de Syenajit.
Translation
O filho de Jayadratha foi Viśada, cujo filho foi Syenajit. Os filhos de Syenajit foram Rucirāśva, Dṛḍhahanu, Kāśya e Vatsa.
Devanagari
रुचिराश्वसुत: पार: पृथुसेनस्तदात्मज: ।
पारस्य तनयो नीपस्तस्य पुत्रशतं त्वभूत् ॥ २४ ॥
पारस्य तनयो नीपस्तस्य पुत्रशतं त्वभूत् ॥ २४ ॥
Verse text
rucirāśva-sutaḥ pāraḥ
pṛthusenas tad-ātmajaḥ
pārasya tanayo nīpas
tasya putra-śataṁ tv abhūt
pṛthusenas tad-ātmajaḥ
pārasya tanayo nīpas
tasya putra-śataṁ tv abhūt
Synonyms
Translation
O filho de Rucirāśva foi Pāra, e os filhos de Pāra foram Pṛthusena e Nīpa. Nīpa teve cem filhos.
Devanagari
स कृत्व्यां शुककन्यायां ब्रह्मदत्तमजीजनत् ।
योगी स गवि भार्यायां विष्वक्सेनमधात् सुतम् ॥ २५ ॥
योगी स गवि भार्यायां विष्वक्सेनमधात् सुतम् ॥ २५ ॥
Verse text
sa kṛtvyāṁ śuka-kanyāyāṁ
brahmadattam ajījanat
yogī sa gavi bhāryāyāṁ
viṣvaksenam adhāt sutam
brahmadattam ajījanat
yogī sa gavi bhāryāyāṁ
viṣvaksenam adhāt sutam
Synonyms
saḥ — ele (o rei Nīpa); kṛtvyām — em sua esposa, Kṛtvī; śuka-kanyāyām — que era a filha de Śuka; brahmadattam — um filho chamado Brahmadatta; ajījanat — gerou; yogī — um yogī místico; saḥ — este Brahmadatta; gavi — chamada Gau, ou Sarasvatī; bhāryāyām — no ventre de sua esposa; viṣvaksenam — Viṣvaksena; adhāt — gerou; sutam — um filho.
Translation
Através do ventre de sua esposa Kṛtvī, que era filha de Śuka, o rei Nīpa gerou um filho chamado Brahmadatta. E Brahmadatta, que era um grande yogī, gerou um filho chamado Viṣvaksena através do ventre de sua esposa, Sarasvatī.
Purport
SIGNIFICADO—O Śuka aqui mencionado não é o mesmo Śukadeva Gosvāmī que falou o Śrīmad-Bhāgavatam. Śukadeva Gosvāmī, o filho de Vyāsadeva, é descrito com muitos pormenores no Brahma-vaivarta Purāṇa. Ali se diz que Vyāsadeva casara-se com a filha de Jābāli e que, após realizarem penitências juntos por muitos anos, ele colocou sua semente no ventre dela. O filho permaneceu no ventre de sua mãe por doze anos e, quando o pai lhe pediu que saísse, o filho respondeu que não sairia enquanto não estivesse inteiramente livre da influência de māyā. Então, Vyāsadeva lhe garantiu que ele não seria influenciado por māyā, mas a criança não acreditou em seu pai, pois o pai ainda estava apegado à sua esposa e a seus filhos. Vyāsadeva, então, foi a Dvārakā e informou a Personalidade de Deus sobre esse problema, e a Personalidade de Deus, a pedido de Vyāsadeva, dirigiu-Se à cabana de Vyāsadeva, onde assegurou à criança, que ainda estava no ventre, que ela não seria influenciada por māyā. Após lhe ser dada essa garantia, a criança saiu, mas imediatamente partiu como um parivrājakācārya. Quando o pai, muito aflito, começou a seguir seu menino santo, Śukadeva Gosvāmī, o menino criou uma duplicata sua, que mais tarde ingressou na vida familiar. Portanto, a śuka-kanyā, ou filha de Śukadeva, mencionada neste verso, é a filha da duplicata ou imitação criada por Śukadeva. O Śukadeva original foi um brahmacārī vitalício.
Devanagari
जैगीषव्योपदेशेन योगतन्त्रं चकार ह ।
उदक्सेनस्ततस्तस्माद् भल्लाटो बार्हदीषवा: ॥ २६ ॥
उदक्सेनस्ततस्तस्माद् भल्लाटो बार्हदीषवा: ॥ २६ ॥
Verse text
jaigīṣavyopadeśena
yoga-tantraṁ cakāra ha
udaksenas tatas tasmād
bhallāṭo bārhadīṣavāḥ
yoga-tantraṁ cakāra ha
udaksenas tatas tasmād
bhallāṭo bārhadīṣavāḥ
Synonyms
jaigīṣavya — do grande ṛṣi chamado Jaigīṣavya; upadeśena — através da instrução; yoga-tantram — uma elaborada descrição do sistema de yoga místico; cakāra — compilou; ha — no passado; udaksenaḥ — Udaksena; tataḥ — dele (Viṣvaksena); tasmāt — dele (Udaksena); bhallāṭaḥ — o filho chamado Bhallāṭa; bārhadīṣavāḥ — (todos esses são conhecidos como) descendentes de Bṛhadiṣu.
Translation
Seguindo as instruções do grande sábio Jaigīṣavya, Viṣvaksena compilou uma elaborada descrição do sistema de yoga místico. De Viṣvaksena, nasceu Udaksena, e de Udaksena, Bhallāṭa. Todos esses filhos são conhecidos como descendentes de Bṛhadiṣu.
Devanagari
यवीनरो द्विमीढस्य कृतिमांस्तत्सुत: स्मृत: ।
नाम्ना सत्यधृतिस्तस्य दृढनेमि: सुपार्श्वकृत् ॥ २७ ॥
नाम्ना सत्यधृतिस्तस्य दृढनेमि: सुपार्श्वकृत् ॥ २७ ॥
Verse text
yavīnaro dvimīḍhasya
kṛtimāṁs tat-sutaḥ smṛtaḥ
nāmnā satyadhṛtis tasya
dṛḍhanemiḥ supārśvakṛt
kṛtimāṁs tat-sutaḥ smṛtaḥ
nāmnā satyadhṛtis tasya
dṛḍhanemiḥ supārśvakṛt
Synonyms
yavīnaraḥ — Yavīnara; dvimīḍhasya — o filho de Dvimīḍha; kṛtimān — Kṛtimān; tat-sutaḥ — o filho de Yavīnara; smṛtaḥ — é famoso; nāmnā — chamado; satyadhṛtiḥ — Satyadhṛti; tasya — dele (Satyadhṛti); dṛḍhanemiḥ — Dṛḍhanemi; supārśva-kṛt — o pai de Supārśva.
Translation
O filho de Dvimīḍha foi Yavīnara, cujo filho foi Kṛtimān. O filho de Kṛtimān era famoso como Satyadhṛti. De Satyadhṛti, veio um filho chamado Dṛḍhanemi, que se tornou o pai de Supārśva.
Devanagari
सुपार्श्वात् सुमतिस्तस्य पुत्र: सन्नतिमांस्तत: ।
कृती हिरण्यनाभाद् यो योगं प्राप्य जगौ स्म षट् ॥ २८ ॥
संहिता: प्राच्यसाम्नां वै नीपो ह्युद्ग्रायुधस्तत: ।
तस्य क्षेम्य: सुवीरोऽथ सुवीरस्य रिपुञ्जय: ॥ २९ ॥
कृती हिरण्यनाभाद् यो योगं प्राप्य जगौ स्म षट् ॥ २८ ॥
संहिता: प्राच्यसाम्नां वै नीपो ह्युद्ग्रायुधस्तत: ।
तस्य क्षेम्य: सुवीरोऽथ सुवीरस्य रिपुञ्जय: ॥ २९ ॥
Verse text
supārśvāt sumatis tasya
putraḥ sannatimāṁs tataḥ
kṛtī hiraṇyanābhād yo
yogaṁ prāpya jagau sma ṣaṭ
putraḥ sannatimāṁs tataḥ
kṛtī hiraṇyanābhād yo
yogaṁ prāpya jagau sma ṣaṭ
saṁhitāḥ prācyasāmnāṁ vai
nīpo hy udgrāyudhas tataḥ
tasya kṣemyaḥ suvīro ’tha
suvīrasya ripuñjayaḥ
nīpo hy udgrāyudhas tataḥ
tasya kṣemyaḥ suvīro ’tha
suvīrasya ripuñjayaḥ
Synonyms
supārśvāt — de Supārśva; sumatiḥ — um filho chamado Sumati; tasya putraḥ — seu filho (o filho de Sumati); sannatimān — Sannatimān; tataḥ — dele; kṛtī — um filho chamado Kṛtī; hiraṇyanābhāt — do senhor Brahmā; yaḥ — aquele que; yogam — poder místico; prāpya — obtendo; jagau — ensinou; sma — no passado; ṣaṭ — seis; saṁhitāḥ — descrições; prācyasāmnām — dos versos Prācyasāma do Sāma Veda; vai — na verdade; nīpaḥ — Nīpa; hi — na verdade; udgrāyudhaḥ — Udgrāyudha; tataḥ — dele; tasya — seu; kṣemyaḥ — Kṣemya; suvīraḥ — Suvīra; atha — em seguida; suvīrasya — de Suvīra; ripuñjayaḥ — um filho chamado Ripuñjaya.
Translation
De Supārśva, veio um filho chamado Sumati; de Sumati, veio Sannatimān, e de Sannatimān, veio Kṛtī, que, por intermédio de Brahmā, obteve poderes místicos e ensinou as seis saṁhitās dos versos Prācyasāma do Sāma Veda. O filho de Kṛtī foi Nīpa; o filho de Nīpa, Udgrāyudha; o filho de Udgrāyudha, Kṣemya; o filho de Kṣemya, Suvīra, e o filho de Suvīra, Ripuñjaya.
Devanagari
ततो बहुरथो नाम पुरुमीढोऽप्रजोऽभवत् ।
नलिन्यामजमीढस्य नील: शान्तिस्तु तत्सुत: ॥ ३० ॥
नलिन्यामजमीढस्य नील: शान्तिस्तु तत्सुत: ॥ ३० ॥
Verse text
tato bahuratho nāma
purumīḍho ’prajo ’bhavat
nalinyām ajamīḍhasya
nīlaḥ śāntis tu tat-sutaḥ
purumīḍho ’prajo ’bhavat
nalinyām ajamīḍhasya
nīlaḥ śāntis tu tat-sutaḥ
Synonyms
tataḥ — dele (Ripuñjaya); bahurathaḥ — Bahuratha; nāma — chamado; purumīḍhaḥ — Purumīḍha, o irmão mais novo de Dvimīḍha; aprajaḥ — sem filho; abhavat — tornou-se; nalinyām — através de Nalinī; ajamīḍhasya — de Ajamīḍha; nīlaḥ — Nīla; śāntiḥ — Śānti; tu — então; tat-sutaḥ — o filho de Nīla.
Translation
De Ripuñjaya, veio um filho chamado Bahuratha. Purumīḍha não teve filhos. Com sua esposa conhecida como Nalinī, Ajamīḍha teve um filho chamado Nīla, e o filho de Nīla foi Śānti.
Devanagari
शान्ते: सुशान्तिस्तत्पुत्र: पुरुजोऽर्कस्ततोऽभवत् ।
भर्म्याश्वस्तनयस्तस्य पञ्चासन्मुद्गलादय: ॥ ३१ ॥
यवीनरो बृहद्विश्व: काम्पिल्ल: सञ्जय: सुता: ।
भर्म्याश्व: प्राह पुत्रा मे पञ्चानां रक्षणाय हि ॥ ३२ ॥
विषयाणामलमिमे इति पञ्चालसंज्ञिता: ।
मुद्गलाद् ब्रह्मनिर्वृत्तं गोत्रं मौद्गल्यसंज्ञितम् ॥ ३३ ॥
भर्म्याश्वस्तनयस्तस्य पञ्चासन्मुद्गलादय: ॥ ३१ ॥
यवीनरो बृहद्विश्व: काम्पिल्ल: सञ्जय: सुता: ।
भर्म्याश्व: प्राह पुत्रा मे पञ्चानां रक्षणाय हि ॥ ३२ ॥
विषयाणामलमिमे इति पञ्चालसंज्ञिता: ।
मुद्गलाद् ब्रह्मनिर्वृत्तं गोत्रं मौद्गल्यसंज्ञितम् ॥ ३३ ॥
Verse text
śānteḥ suśāntis tat-putraḥ
purujo ’rkas tato ’bhavat
bharmyāśvas tanayas tasya
pañcāsan mudgalādayaḥ
purujo ’rkas tato ’bhavat
bharmyāśvas tanayas tasya
pañcāsan mudgalādayaḥ
yavīnaro bṛhadviśvaḥ
kāmpillaḥ sañjayaḥ sutāḥ
bharmyāśvaḥ prāha putrā me
pañcānāṁ rakṣaṇāya hi
kāmpillaḥ sañjayaḥ sutāḥ
bharmyāśvaḥ prāha putrā me
pañcānāṁ rakṣaṇāya hi
viṣayāṇām alam ime
iti pañcāla-saṁjñitāḥ
mudgalād brahma-nirvṛttaṁ
gotraṁ maudgalya-saṁjñitam
iti pañcāla-saṁjñitāḥ
mudgalād brahma-nirvṛttaṁ
gotraṁ maudgalya-saṁjñitam
Synonyms
śānteḥ — de Śānti; suśāntiḥ — Suśānti; tat-putraḥ — seu filho; purujaḥ — Puruja; arkaḥ — Arka; tataḥ — dele; abhavat — gerado; bharmyāśvaḥ — Bharmyāśva; tanayaḥ — filho; tasya — dele; pañca — cinco filhos; āsan — eram; mudgala-ādayaḥ — encabeçados por Mudgala; yavīnaraḥ — Yavīnara; bṛhadviśvaḥ — Bṛhadviśva; kāmpillaḥ — Kāmpilla; sañjayaḥ — Sañjaya; sutāḥ — filhos; bharmyāśvaḥ — Bharmyāśva; prāha — disse; putrāḥ — filhos; me — meus; pañcānām — dos cinco; rakṣaṇāya — para proteção; hi — na verdade; viṣayāṇām — dos diferentes estados; alam — competentes; ime — todos eles; iti — assim; pañcāla — Pañcāla; saṁjñitāḥ — designados; mudgalāt — de Mudgala; brahma-nirvṛttam — consistindo em brāhmaṇas; gotram — a dinastia; maudgalya — Maudgalya; saṁjñitam — assim designada.
Translation
O filho de Śanti foi Suśānti, o filho de Suśānti foi Puruja, e o filho de Puruja foi Arka. De Arka, veio Bharmyāśva, e de Bharmyāśva vieram cinco filhos – Mudgala, Yavīnara, Bṛhadviśva, Kāmpilla e Sañjaya. Bharmyāśva pediu aos seus filhos: “Ó meus filhos, por favor, encarregai-vos dos meus cinco estados, pois tendes plena competência para isso.” Portanto, seus cinco filhos ficaram conhecidos como Pañcālas. De Mudgala, surgiu uma dinastia de brāhmaṇas conhecida como Maudgalya.
Devanagari
मिथुनं मुद्गलाद् भार्म्याद् दिवोदास: पुमानभूत् ।
अहल्या कन्यका यस्यां शतानन्दस्तु गौतमात् ॥ ३४ ॥
अहल्या कन्यका यस्यां शतानन्दस्तु गौतमात् ॥ ३४ ॥
Verse text
mithunaṁ mudgalād bhārmyād
divodāsaḥ pumān abhūt
ahalyā kanyakā yasyāṁ
śatānandas tu gautamāt
divodāsaḥ pumān abhūt
ahalyā kanyakā yasyāṁ
śatānandas tu gautamāt
Synonyms
mithunam — gêmeos, um menino e uma menina; mudgalāt — de Mudgala; bhārmyāt — o filho de Bharmyāśva; divodāsaḥ — Divodāsa; pumān — o menino; abhūt — gerado; ahalyā — Ahalyā; kanyakā — a menina; yasyām — através de quem; śatānandaḥ — Śatānanda; tu — na verdade; gautamāt — gerado pelo seu esposo, Gautama.
Translation
Mudgala, o filho de Bharmyāśva, teve gêmeos, um menino e uma menina. O filho chamava-se Divodāsa, e a filha chamava-se Ahalyā. Do ventre de Ahalyā, através do sêmen de seu esposo, Gautama, surgiu um filho chamado Śatānanda.
Devanagari
तस्य सत्यधृति: पुत्रो धनुर्वेदविशारद: ।
शरद्वांस्तत्सुतो यस्मादुर्वशीदर्शनात् किल ।
शरस्तम्बेऽपतद् रेतो मिथुनं तदभूच्छुभम् ॥ ३५ ॥
शरद्वांस्तत्सुतो यस्मादुर्वशीदर्शनात् किल ।
शरस्तम्बेऽपतद् रेतो मिथुनं तदभूच्छुभम् ॥ ३५ ॥
Verse text
tasya satyadhṛtiḥ putro
dhanur-veda-viśāradaḥ
śaradvāṁs tat-suto yasmād
urvaśī-darśanāt kila
śara-stambe ’patad reto
mithunaṁ tad abhūc chubham
dhanur-veda-viśāradaḥ
śaradvāṁs tat-suto yasmād
urvaśī-darśanāt kila
śara-stambe ’patad reto
mithunaṁ tad abhūc chubham
Synonyms
tasya — dele (Śatānanda); satyadhṛtiḥ — Satyadhṛti; putraḥ — um filho; dhanuḥ-veda-viśāradaḥ — muito hábil na arte de manusear o arco e flecha; śaradvān — Śaradvān; tat-sutaḥ — o filho de Satyadhṛti; yasmāt — de quem; urvaśī-darśanāt — pelo simples fato de ver a residente celestial Urvaśī; kila — na verdade; śara-stambe — em uma touceira de grama śara; apatat — caiu; retaḥ — sêmen; mithunam — um menino e uma menina; tat abhūt — nasceram; śubham — muito auspiciosos.
Translation
O filho de Śatānanda foi Satyadhṛti, que era hábil na arte de manusear o arco e flecha, e o filho de Satyadhṛti foi Śaradvān. Ao deparar-se com Urvaśī, Śaradvān ejaculou, e seu sêmen caiu numa touceira de grama śara. A partir desse sêmen, nasceram dois bebês auspiciosíssimos, sendo um menino e uma menina.
Devanagari
तद् दृष्ट्वा कृपयागृह्णाच्छान्तनुर्मृगयां चरन् ।
कृप: कुमार: कन्या च द्रोणपत्न्यभवत्कृपी ॥ ३६ ॥
कृप: कुमार: कन्या च द्रोणपत्न्यभवत्कृपी ॥ ३६ ॥
Verse text
tad dṛṣṭvā kṛpayāgṛhṇāc
chāntanur mṛgayāṁ caran
kṛpaḥ kumāraḥ kanyā ca
droṇa-patny abhavat kṛpī
chāntanur mṛgayāṁ caran
kṛpaḥ kumāraḥ kanyā ca
droṇa-patny abhavat kṛpī
Synonyms
tat — aquele casal de gêmeos; dṛṣṭvā — vendo; kṛpayā — por compaixão; agṛhṇāt — lesou; śāntanuḥ — o rei Śāntanu; mṛgayām — enquanto caçava na floresta; caran — vagando daquela maneira; kṛpaḥ — Kṛpa; kumāraḥ — o menino; kanyā — a menina; ca — também; droṇa-patnī — a esposa de Droṇācārya; abhavat — tornou-se; kṛpī — chamada Kṛpī.
Translation
Enquanto em uma caçada, Mahārāja Śāntanu viu o menino e a menina deitados na floresta e, por compaixão, levou-os para casa. Consequentemente, o menino ficou conhecido como Kṛpa, e a menina foi chamada Kṛpī. Mais tarde, Kṛpī tornou-se a esposa de Droṇācārya.
Purport
Neste ponto, encerram-se os significados Bhaktivedanta do nono canto, vigésimo primeiro capítulo, do Śrīmad-Bhāgavatam, intitulado “A Dinastia de Bharata”.