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Devanagari
Verse Text
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Purport
CAPÍTULO DEZESSEIS
Descrição de Jambūdvīpa
Enquanto descrevia o caráter de Mahārāja Priyavrata e de seus descendentes, Śukadeva Gosvāmī também descreveu o monte Meru e o sistema planetário conhecido como Bhū-maṇḍala. Bhū-maṇḍala é como uma flor de lótus, e suas sete ilhas são comparadas ao verticilo do lótus. O lugar conhecido como Jambūdvīpa se localiza no meio desse verticilo. Em Jambūdvīpa, existe uma montanha conhecida como Sumeru, formada de ouro maciço. Essa montanha tem 84.000 yojanas de altura, sendo que 16.000 yojanas são subterrâneos. Calcula-se sua largura em 32.000 yojanas no cume e 16.000 yojanas no sopé. (Um yojana mede, aproximadamente, treze quilômetros). Sumeru, a rainha das montanhas, é o suporte do planeta Terra.
No lado sul da região conhecida como Ilāvṛta-varṣa, encontram-se as montanhas cujos nomes são Himavān, Hemakūṭa e Niṣadha, e, ao norte, estão as montanhas Nīla, Śveta e Śṛṅga. Igualmente, nos lados oriental e ocidental, localizam-se Mālyavān e Gandhamādana, duas grandes montanhas. Cercando a montanha Sumeru, existem quatro montanhas conhecidas como Mandara, Merumandara, Supārśva e Kumuda, cada uma medindo 10.000 yojanas de comprimento e 10.000 yojanas de altura. Nessas quatro montanhas, há árvores de 1.100 yojanas de altura – uma mangueira, um jambeiro, uma árvore kadamba e uma figueira-de-bengala. Também há lagos cheios de leite, mel, caldo de cana e água pura. Esses lagos podem satisfazer todos os desejos. Existem, também, jardins chamados Nandana, Citraratha, Vaibhrājaka e Sarvatobhadra. Margeia a montanha Supārśva uma árvore kadamba de cujas concavidades o mel jorra em profusão, e, na montanha Kumuda, existe uma figueira-de-bengala chamada Śatavalśa, de cujas raízes fluem rios compostos de leite, iogurte e muitos outros líquidos desejáveis. Dispondo-se como os filamentos do verticilo de um lótus, vinte cadeias de montanhas, tais como Kuraṅga, Kurara, Kusumbha, Vaikaṅka e Trikūṭa, estão distribuídas em torno da montanha Sumeru. A leste de Sumeru, encontram-se as montanhas Jaṭhara e Devakūṭa; a oeste, Pavana e Pāriyātra; ao sul, Kailāsa e Karavīra, e ao norte, Triśṛṅga e Makara. Essas oito montanhas têm cerca de 18.000 yojanas de comprimento, 2.000 yojanas de largura e 2.000 yojanas de altura. No topo do monte Sumeru, encontra-se Brahmapurī, a residência do senhor Brahmā. Cada um de seus lados mede 10.000 yojanas de comprimento. Ao redor de Brahmapurī, estão as cidades do rei Indra e de sete outros semideuses. Essas cidades têm um quarto do tamanho de Brahmapurī.
Devanagari
राजोवाच
उक्तस्त्वया भूमण्डलायामविशेषो यावदादित्यस्तपति यत्र चासौ ज्योतिषां गणैश्चन्द्रमा वा सह दृश्यते ॥ १ ॥
उक्तस्त्वया भूमण्डलायामविशेषो यावदादित्यस्तपति यत्र चासौ ज्योतिषां गणैश्चन्द्रमा वा सह दृश्यते ॥ १ ॥
Verse text
rājovāca
uktas tvayā bhū-maṇḍalāyāma-viśeṣo yāvad ādityas tapati yatra cāsau jyotiṣāṁ gaṇaiś candramā vā saha dṛśyate.
uktas tvayā bhū-maṇḍalāyāma-viśeṣo yāvad ādityas tapati yatra cāsau jyotiṣāṁ gaṇaiś candramā vā saha dṛśyate.
Synonyms
rājā uvāca — Mahārāja Parīkṣit disse; uktaḥ — já foi dito; tvayā — por ti; bhū-maṇḍala — do sistema planetário conhecido como Bhū-maṇḍala; āyāma-viśeṣaḥ — o comprimento específico do raio; yāvat — até onde; ādityaḥ — o Sol; tapati — aquece; yatra — onde quer que; ca — também; asau — isto; jyotiṣām — de luzeiros; gaṇaiḥ — com os grupos; candramā — a Lua; vā — ou; saha — com; dṛśyate — é vista.
Translation
O rei Parīkṣit disse a Śukadeva Gosvāmī: Ó brāhmaṇa, já me informaste que o raio de Bhū-maṇḍala estende-se até onde o Sol espalha sua luz e seu calor e até onde a Lua e todas as estrelas podem ser vistas.
Purport
SIGNIFICADO—Neste verso, afirma-se que o sistema planetário conhecido como Bhū-maṇḍala estende-se até os limites do brilho solar. De acordo com a ciência moderna, o brilho solar atinge a Terra após percorrer 150.000.000 de quilômetros. Baseando-nos nesta informação moderna, poderemos calcular em 150.000.000 de quilômetros o raio de Bhū-maṇḍala. No mantra Gāyatrī, cantamos oṁ bhūr bhuvaḥ svaḥ. A palavra bhūr refere-se a Bhū-maṇḍala. Tat savitur vareṇyam: o brilho do Sol espalha-se por Bhū-maṇḍala. Portanto, o Sol é adorável. Diferentemente do que supõem os astrônomos modernos, as estrelas, que são conhecidas como nakṣatras, não são outros sóis. Através da Bhagavad-gītā (10.21), ficamos sabendo que as estrelas são semelhantes à Lua (nakṣatrāṇām ahaṁ śaśī). Como a Lua, as estrelas refletem a luz solar. À parte de nossos esmerados cálculos modernos sobre a localização dos sistemas planetários, podemos entender que o firmamento e seus vários planetas foram estudados bem antes de que se escrevesse o Śrīmad-Bhāgavatam. Śukadeva Gosvāmī explicou a localização dos planetas, e isso deixa transparecer que a informação era conhecida há um tempo muitíssimo anterior àquele em que a transmitiu a Mahārāja Parīkṣit. A localização dos vários sistemas planetários não era desconhecida dos sábios que floresciam na era védica.
Devanagari
तत्रापि प्रियव्रतरथचरणपरिखातै: सप्तभि: सप्त सिन्धव उपक्लृप्ता यत एतस्या: सप्तद्वीपविशेषविकल्पस्त्वया भगवन् खलु सूचित एतदेवाखिलमहं मानतो लक्षणतश्च सर्वं विजिज्ञासामि ॥ २ ॥
Verse text
tatrāpi priyavrata-ratha-caraṇa-parikhātaiḥ saptabhiḥ sapta sindhava upakḷptā yata etasyāḥ sapta-dvīpa-viśeṣa-vikalpas tvayā bhagavan khalu sūcita etad evākhilam ahaṁ mānato lakṣaṇataś ca sarvaṁ vi-jijñāsāmi.
Synonyms
tatra api — nesse Bhu-maṇḍala; priyavrata-ratha-caraṇa-parikhātaiḥ — através das valas feitas pelas rodas da quadriga usada por Priyavrata Mahārāja enquanto ele, por detrás do Sol, circundava o Sumeru; saptabhiḥ — pelas sete; sapta — sete; sindhavaḥ — oceanos; upakḷptāḥ — criou; yataḥ — por causa dos quais; etasyāḥ — desse Bhū-maṇḍala; sapta-dvīpa — das sete ilhas; viśeṣa-vikalpaḥ — o modo de construção; tvayā — por ti; bhagavan — ó grande santo; khalu — na verdade; sūcitaḥ — descrito; etat — isso; eva — com certeza; akhilam — todo o tema; aham — eu; mānataḥ — do ponto de vista da mensuração; lakṣaṇataḥ — e das características; ca — também; sarvam — tudo; vijijñāsāmi — desejo conhecer.
Translation
Meu querido Senhor, as rodas girantes da quadriga de Mahārāja Priyavrata criaram sete valas, nas quais surgiram os sete oceanos. Por causa desses sete oceanos, Bhū-maṇḍala fica dividido em sete ilhas. Descreveste de maneira bem generalizada as mensurações, nomes e características dessas ilhas. Gostaria, então, de conhecê-las pormenorizadamente. Por favor, atende esse meu desejo.
Devanagari
भगवतो गुणमये स्थूलरूप आवेशितं मनो ह्यगुणेऽपि सूक्ष्मतम आत्मज्योतिषि परे ब्रह्मणि भगवति वासुदेवाख्ये क्षममावेशितुं तदु हैतद् गुरोऽर्हस्यनुवर्णयितुमिति ॥ ३ ॥
Verse text
bhagavato guṇamaye sthūla-rūpa āveśitaṁ mano hy aguṇe ’pi sūkṣmatama ātma-jyotiṣi pare brahmaṇi bhagavati vāsudevākhye kṣamam āveśituṁ tad u haitad guro ’rhasy anuvarṇayitum iti.
Synonyms
bhagavataḥ — da Suprema Personalidade de Deus; guṇa-maye — nos aspectos externos, consistindo nos três modos da natureza material; sthūla-rūpe — a forma grosseira; āveśitam — entrou; manaḥ — a mente; hi — na verdade; aguṇe — transcendental; api — embora; sūkṣmatame — em Sua forma menor, como Paramātmā dentro do coração; ātma-jyotiṣi — que está repleta da refulgência Brahman; pare — a suprema; brahmaṇi — entidade espiritual; bhagavati — a Suprema Personalidade de Deus; vāsudeva-ākhye — conhecido como Bhagavān Vāsudeva; kṣamam — apropriado; āveśitum — assimilar; tat — isso; u ha — na verdade; etat — isso; guro — ó meu querido mestre espiritual; arhasi anuvarṇayitum — por favor, descreve de fato; iti — assim.
Translation
Ao se fixar na Suprema Personalidade de Deus, concentrando-se em Seu aspecto externo composto dos modos da natureza material – a grosseira forma universal –, a mente é conduzida à plataforma de bondade pura. Situada nessa posição transcendental, a pessoa pode entender Vāsudeva, a Suprema Personalidade de Deus, que, em Sua forma mais sutil, é inteiramente refulgente e está além dos modos da natureza. Ó meu senhor, por favor, faze uma vívida descrição de como é possível perceber essa forma que permeia o universo inteiro.
Purport
SIGNIFICADO—Śukadeva Gosvāmī, mestre espiritual de Mahārāja Parīkṣit, já havia aconselhado que seu discípulo pensasse na forma universal do Senhor e, portanto, seguindo o conselho de seu mestre espiritual, ele não parava de pensar nessa forma do Senhor. A forma universal certamente é material, mas, como tudo é uma expansão da energia da Suprema Personalidade de Deus, nada é material em última análise. Portanto, da mente de Parīkṣit Mahārāja, transbordava a consciência espiritual. Śrīla Rūpa Gosvāmī afirma:
prāpañcikatayā buddhyā
hari-sambandhi-vastunaḥ
mumukṣubhiḥ parityāgo
vairāgyaṁ phalgu kathyate
hari-sambandhi-vastunaḥ
mumukṣubhiḥ parityāgo
vairāgyaṁ phalgu kathyate
Tudo, mesmo aquilo que é material, tem uma conexão com a Suprema Personalidade de Deus. Portanto, deve-se utilizar tudo a serviço do Senhor. Śrīla Bhaktisiddhānta Sarasvatī Ṭhākura traduz este verso da seguinte maneira:
hari-sevāya yāhā haya anukūla
viṣaya baliyā tāhāra tyāge haya bhula
viṣaya baliyā tāhāra tyāge haya bhula
“Ninguém deve rejeitar nada que esteja relacionado com a Suprema Personalidade de Deus, pensando que se trata de coisas materiais próprias para serem desfrutadas pelos sentidos materiais.” Mesmo os sentidos, quando purificados, são espirituais. Quando Mahārāja Parīkṣit pensava na forma universal do Senhor, com certeza sua mente estava situada na plataforma transcendental. Logo, embora ele talvez não tivesse razão alguma para se preocupar com informações pormenorizadas sobre o universo, pensava neste como algo que está relacionado com o Senhor Supremo, e, portanto, esse conhecimento geográfico não era material, mas transcendental. Em outra passagem do Śrīmad-Bhāgavatam (1.5.20), Nārada Muni diz que idaṁ hi viśvaṁ bhagavān ivetaraḥ: todo o universo também é a Suprema Personalidade de Deus, embora, aparentemente, seja distinto dEle. Por conseguinte, embora Parīkṣit Mahārāja não precisasse desenvolver conhecimento geográfico acerca deste universo, esse conhecimento também era espiritual e transcendental, pois ele via que o universo inteiro era uma expansão da energia do Senhor.
Em nosso trabalho de pregação, lidamos também com muitas propriedades e dinheiro e muitos livros que são comprados e vendidos, porém, como todas essas negociações dizem respeito ao movimento da consciência de Kṛṣṇa, não devem ser consideradas materiais. O fato de alguém estar absorto em pensar na administração dessas atividades não significa que esteja à parte da consciência de Kṛṣṇa. Se ele segue à risca o princípio normativo de cantar dezesseis voltas diárias do mahā-mantra, as relações que mantém com o mundo material com o propósito de divulgar o movimento da consciência de Kṛṣṇa não são diferentes do cultivo espiritual da consciência de Kṛṣṇa.
Devanagari
ऋषिरुवाच
न वै महाराज भगवतो मायागुणविभूते: काष्ठां मनसा वचसा वाधिगन्तुमलं विबुधायुषापि पुरुषस्तस्मात्प्राधान्येनैव भूगोलकविशेषं नामरूप मानलक्षणतो व्याख्यास्याम: ॥ ४ ॥
न वै महाराज भगवतो मायागुणविभूते: काष्ठां मनसा वचसा वाधिगन्तुमलं विबुधायुषापि पुरुषस्तस्मात्प्राधान्येनैव भूगोलकविशेषं नामरूप मानलक्षणतो व्याख्यास्याम: ॥ ४ ॥
Verse text
ṛṣir uvāca
na vai mahārāja bhagavato māyā-guṇa-vibhūteḥ kāṣṭhāṁ manasā vacasā vādhigantum alaṁ vibudhāyuṣāpi puruṣas tasmāt prādhān-yenaiva bhū-golaka-viśeṣaṁ nāma-rūpa-māna-lakṣaṇato vyākhyāsyāmaḥ.
na vai mahārāja bhagavato māyā-guṇa-vibhūteḥ kāṣṭhāṁ manasā vacasā vādhigantum alaṁ vibudhāyuṣāpi puruṣas tasmāt prādhān-yenaiva bhū-golaka-viśeṣaṁ nāma-rūpa-māna-lakṣaṇato vyākhyāsyāmaḥ.
Synonyms
ṛṣiḥ uvāca — Śrī Śukadeva Gosvāmī continuou a falar; na — não; vai — na verdade; mahā-rāja — ó grande rei; bhagavataḥ — da Suprema Personalidade de Deus; māyā-guṇa-vibhūteḥ — da transformação das qualidades da energia material; kāṣṭhām — o final; manasā — pela mente; vacasā — com palavras; vā — ou; adhigantum — entender na íntegra; alam — capaz de; vibudha-āyuṣā — com uma vida que dure tanto quanto a de Brahmā; api — mesmo; puruṣaḥ — uma pessoa; tasmāt — portanto; prādhānyena — mediante uma descrição geral dos lugares principais; eva — decerto; bhū-golaka-viśeṣam — a descrição específica de Bhūloka; nāma-rūpa — nomes e formas; māna — mensurações; lakṣaṇataḥ — de acordo com as características; vyākhyāsyāmaḥ — tentarei explicar.
Translation
O grande ṛṣi Śukadeva Gosvāmī disse: Meu querido rei, não há limite para a expansão da energia material da Suprema Personalidade de Deus. Este mundo material é uma transformação das qualidades materiais [sattva-guṇa, rajo-guṇa e tamo-guṇa], mas ninguém consegue explicá-lo na íntegra, mesmo durante um período de tempo tão longo como a vida de Brahmā. Ninguém no mundo material é perfeito, e, mesmo após insistentes especulações, uma pessoa imperfeita não pode descrever com precisão este universo material.
Purport
SIGNIFICADO—O mundo material equivale a apenas um quarto da criação da Suprema Personalidade de Deus, mas é ilimitado e impossível de ser conhecido ou descrito por quem quer que seja, mesmo por uma pessoa dotada de uma vida tão longa como a de Brahmā, o qual vive por milhões e milhões de anos. Os cientistas e astrônomos modernos tentam explicar a manifestação cósmica e a vastidão do espaço, e alguns deles acreditam que todas as estrelas reluzentes são diferentes tipos de sóis. No entanto, através da Bhagavad-gītā, ficamos sabendo que, levando-se em conta que elas refletem a luz do Sol, todas essas estrelas (nakṣatras) são como a Lua. Elas não são luzeiros independentes. Define-se Bhūloka como aquela região do espaço sideral através da qual se estendem o calor e a luz do Sol. Portanto, é natural concluir que este universo se prolonga no espaço até onde nossa visão alcança e que ele abrange as estrelas reluzentes. Śrīla Śukadeva Gosvāmī admitiu que seria impossível descrever nos mínimos pormenores este imenso universo material, mas ele queria transmitir ao rei todo o conhecimento que recebera através do sistema de paramparā. Devemos concluir que, se a pessoa não pode compreender as expansões materiais da Suprema Personalidade de Deus, decerto não poderá calcular a vastidão do mundo espiritual. A Brahma-saṁhitā (5.33) confirma isso:
advaitam acyutam anādim ananta-rūpam
ādyaṁ purāṇa-puruṣaṁ nava-yauvanaṁ ca
ādyaṁ purāṇa-puruṣaṁ nava-yauvanaṁ ca
Os limites das expansões de Govinda, a Suprema Personalidade de Deus, não podem ser calculados por ninguém, nem mesmo por alguém tão perfeito como Brahmā, muito menos pelos frágeis cientistas, cujos sentidos e instrumentos são todos imperfeitos e que não podem fornecer informações sequer deste nosso universo. Devemos, portanto, satisfazer-nos com a informação que se encontra nas fontes védicas, conforme são proferidas por autoridades como Śukadeva Gosvāmī.
Devanagari
यो वायं द्वीप: कुवलयकमलकोशाभ्यन्तरकोशो नियुतयोजन विशाल: समवर्तुलो यथा पुष्करपत्रम् ॥ ५ ॥
Verse text
yo vāyaṁ dvīpaḥ kuvalaya-kamala-kośābhyantara-kośo niyuta-yojana-viśālaḥ samavartulo yathā puṣkara-patram.
Synonyms
yaḥ — a qual; vā — ou; ayam — essa; dvīpaḥ — ilha; kuvalaya — o Bhūloka; kamala-kośa — do verticilo de uma flor de lótus; abhyantara — interno; kośaḥ — verticilo; niyuta-yojana-viśālaḥ — um milhão de yojanas (treze milhões de quilômetros) de largura; samavartulaḥ — igualmente redonda, ou tendo largura e comprimento iguais; yathā — como; puṣkara-patram — uma pétala de lótus.
Translation
O sistema planetário conhecido como Bhū-maṇḍala se assemelha a uma flor de lótus, e suas sete ilhas se parecem com o verticilo dessa flor. O comprimento e a largura da ilha conhecida como Jambūdvīpa, situada no meio desse verticilo, são de um milhão de yojanas [treze milhões de quilômetros]. Jambūdvīpa é arredondada como a pétala de uma flor de lótus.
Devanagari
यस्मिन्नव वर्षाणि नवयोजनसहस्रायामान्यष्टभिर्मर्यादागिरिभि: सुविभक्तानि भवन्ति ॥ ६ ॥
Verse text
yasmin nava varṣāṇi nava-yojana-sahasrāyāmāny aṣṭabhir maryādā-giribhiḥ suvibhaktāni bhavanti.
Synonyms
Translation
Em Jambūdvīpa, existem nove divisões territoriais, cada uma delas medindo 9.000 yojanas [115.000 quilômetros] de comprimento. Existem oito montanhas que demarcam essas divisões e separam-nas de maneira inequívoca.
Purport
SIGNIFICADO—Śrīla Viśvanātha Cakravartī Ṭhākura apresenta a seguinte citação do Vāyu Purāṇa, onde se descrevem as localizações das várias montanhas, começando com os Himalayas.
dhanurvat saṁsthite jñeye dve varṣe dakṣiṇottare; dīrghāṇi tatra catvāri caturasram ilāvṛtam iti dakṣiṇottare bhāratottara-kuru-varṣe catvāri kiṁpuruṣa-harivarṣa-ramyaka-hiraṇmayāni varṣāṇi nīla-niṣadhayos tiraścinībhūya samudra-praviṣṭayoḥ saṁlagnatvam aṅgīkṛtya bhadrāśva-ketumālayor api dhanur-ākṛtitvam; atas tayor dairghyata eva madhye saṅkucitatvena nava-sahasrāyāmatvam; ilāvṛtasya tu meroḥ sakāśāt catur-dikṣu nava-sahasrāyāmatvaṁ saṁbhavet vastutas tv ilāvṛta-bhadrāśva-ketumālānāṁ catus-triṁśat-sahasrāyāmatvaṁ jñeyam.
Devanagari
एषां मध्ये इलावृतं नामाभ्यन्तरवर्षं यस्य नाभ्यामवस्थित: सर्वत: सौवर्ण: कुलगिरिराजो मेरुर्द्वीपायामसमुन्नाह: कर्णिकाभूत: कुवलयकमलस्य मूर्धनि द्वात्रिंशत् सहस्रयोजनविततो मूले षोडशसहस्रं तावतान्तर्भूम्यां प्रविष्ट: ॥ ७ ॥
Verse text
eṣāṁ madhye ilāvṛtaṁ nāmābhyantara-varṣaṁ yasya nābhyām avasthitaḥ sarvataḥ sauvarṇaḥ kula-giri-rājo merur dvīpāyāma-samunnāhaḥ karṇikā-bhūtaḥ kuvalaya-kamalasya mūrdhani dvā-triṁśat sahasra-yojana-vitato mūle ṣoḍaśa-sahasraṁ tāvat āntar-bhūmyāṁ praviṣṭaḥ.
Synonyms
eṣām — todas essas divisões de Jambūdvīpa; madhye — entre; ilāvṛtam nāma — chamada llāvṛta-varṣa; abhyantara-varṣam — a divisão interna; yasya — da qual; nābhyām — no umbigo; avasthitaḥ — situada; sarvataḥ — inteiramente; sauvarṇaḥ — feita de ouro; kula-giri-rājaḥ — a mais famosa entre as montanhas famosas; meruḥ — monte Meru; dvīpa-āyāma-samunnāhaḥ — cuja altura tem a mesma medida da largura de Jambūdvīpa; karṇikā-bhūtaḥ — existindo como o pericarpo; kuvalaya — desse sistema planetário; kamalasya — como uma flor de lótus; mūrdhani — no topo; dvā-triṁśat — trinta e dois; sahasra — mil; yojana — yojanas (cada yojana equivale a treze quilômetros); vitataḥ — medindo; mūle — na base; ṣoḍaśa-sahasram — dezesseis mil yojanas; tāvat — esse mesmo tanto; āntaḥ-bhūmyām — o solo; praviṣṭaḥ — penetrou.
Translation
Em meio a essas divisões, ou varṣas, está o varṣa chamado Ilāvṛta, que se situa no meio do verticilo do lótus. Dentro de Ilāvṛtavarṣa, encontra-se a montanha Sumeru, formada de ouro. A montanha Sumeru é como o pericarpo do sistema planetário Bhū-maṇḍala, o qual se parece com uma flor de lótus. A altura da montanha é igual à largura de Jambūdvīpa – ou, em outras palavras, 100.000 yojanas [1.300.000 quilômetros], dos quais 16.000 yojanas [200.000 quilômetros] são subterrâneos, e, portanto, a montanha tem 84.000 yojanas [1.100.000 quilômetros] de altura acima do solo. A largura da montanha é de 32.000 yojanas [400.000 quilômetros] no cume e 16.000 yojanas no sopé.
Devanagari
उत्तरोत्तरेणेलावृतं नील: श्वेत: शृङ्गवानिति त्रयो रम्यकहिरण्मयकुरूणां वर्षाणां मर्यादागिरय: प्रागायता उभयत: क्षारोदावधयो द्विसहस्रपृथव एकैकश: पूर्वस्मात्पूर्वस्मादुत्तर उत्तरो दशांशाधिकांशेन दैर्घ्य एव ह्रसन्ति ॥ ८ ॥
Verse text
uttarottareṇelāvṛtaṁ nīlaḥ śvetaḥ śṛṅgavān iti trayo ramyaka-hiraṇmaya-kurūṇāṁ varṣāṇāṁ maryādā-girayaḥ prāg-āyatā ubhayataḥ kṣārodāvadhayo dvi-sahasra-pṛthava ekaikaśaḥ pūrvasmāt pūrvasmād uttara uttaro daśāṁśādhikāṁśena dairghya eva hrasanti.
Synonyms
uttara-uttareṇa ilāvṛtam — cada vez mais ao norte de Ilāvṛta-varṣa; nīlaḥ — Nīla; śvetaḥ — Śveta; śṛṅgavān — Śṛṇgavān; iti — assim; trayaḥ — três montanhas; ramyaka — Ramyaka; hiraṇmaya — Hiraṇmaya; kurūṇām — da divisão Kuru; varṣāṇām — dos varṣas; maryādā-girayaḥ — as montanhas delimitadoras; prāk-āyatāḥ — que se estendem até o lado oriental; ubhayataḥ — a leste e oeste; kṣāroda — o oceano de água salgada; avadhayaḥ — estendendo-se a; dvi-sahasra-pṛthavaḥ — que têm dois mil yojanas de largura; eka-ekaśaḥ — em sequência; pūrvasmāt — do que a anterior; pūrvasmāt — do que a anterior; uttaraḥ — mais ao norte; uttaraḥ — mais ao norte; daśa-aṁśa-adhika-aṁśena — em um décimo daquela que a precedeu; dairghyaḥ — em comprimento; eva — na verdade; hrasanti — torna-se menor.
Translation
Logo ao norte de Ilāvṛta-varṣa – e distanciando-se sequencialmente rumo à direção norte –, localizam-se três montanhas chamadas Nīla, Śveta e Śṛṅgavān, que delimitam os três varṣas chamados Ramyaka, Hiraṇmaya e Kuru e separam-nas. A largura dessas montanhas é de 2.000 yojanas [26.000 quilômetros]. Longitudinalmente, indo em direção a leste e oeste, elas se estendem até as praias do oceano de água salgada. De sul a norte, cada montanha tem um décimo do comprimento da montanha anterior, mas sua altura permanece a mesma.
Purport
SIGNIFICADO—Com relação a isso, Madhvācārya cita os seguintes versos do Brahmāṇḍa Purāṇa:
yathā bhāgavate tūktaṁ
bhauvanaṁ kośa-lakṣaṇam
tasyāvirodhato yojyam
anya-granthāntare sthitam
bhauvanaṁ kośa-lakṣaṇam
tasyāvirodhato yojyam
anya-granthāntare sthitam
maṇḍode puraṇaṁ caiva
vyatyāsaṁ kṣīra-sāgare
rāhu-soma-ravīṇāṁ ca
maṇḍalād dvi-guṇoktitām
vinaiva sarvam unneyaṁ
yojanābhedato ’tra tu
vyatyāsaṁ kṣīra-sāgare
rāhu-soma-ravīṇāṁ ca
maṇḍalād dvi-guṇoktitām
vinaiva sarvam unneyaṁ
yojanābhedato ’tra tu
A partir destes versos, parece que, próximo ao Sol e à Lua, existe um planeta invisível chamado Rāhu, cujos movimentos causam eclipses solares e lunares. Na nossa opinião, tudo leva a crer que as expedições modernas que tentam ir à Lua estão, na verdade, indo a Rāhu.
Devanagari
एवं दक्षिणेनेलावृतं निषधो हेमकूटो हिमालय इति प्रागायता यथा
नीलादयोऽयुतयोजनोत्सेधा हरिवर्षकिम्पुरुषभारतानां यथासङ्ख्यम् ॥ ९ ॥
नीलादयोऽयुतयोजनोत्सेधा हरिवर्षकिम्पुरुषभारतानां यथासङ्ख्यम् ॥ ९ ॥
Verse text
evaṁ dakṣiṇenelāvṛtaṁ niṣadho hemakūṭo himālaya iti prāg-āyatā yathā nīlādayo ’yuta-yojanotsedhā hari-varṣa-kimpuruṣa-bhāratānāṁ yathā-saṅkhyam.
Synonyms
evam — assim; dakṣiṇena — gradualmente para o sul; ilāvṛtam — de Ilāvṛta-varṣa; niṣadhaḥ hema-kūṭaḥ himālayaḥ — três montanhas chamadas Niṣadha, Hemakūṭa e Himālaya; iti — assim; prāk-āyatāḥ — estendendo-se para o leste; yathā — assim como; nīla-ādayaḥ — as montanhas lideradas por Nīla; ayuta-yojana-utsedhāḥ — dez mil yojanas de altura; hari-varṣa — a divisão chamada Hari-varṣa; kimpuruṣa — a divisão chamada Kimpuruṣa; bhāratānām — a divisão chamada Bhārata-varṣa; yathā-saṅkhyam — de acordo com o número.
Translation
Igualmente, ao sul de Ilāvṛta-varṣa e estendendo-se de leste a oeste, encontram-se três grandes montanhas chamadas (de norte a sul) Niṣadha, Hemakūṭa e Himālaya. Cada uma delas tem 10.000 yojanas [130.000 quilômetros] de altura. Elas delimitam os três varṣas chamados Hari-varṣa, Kimpuruṣa-varṣa e Bhārata-varṣa [Índia].
Devanagari
तथैवेलावृतमपरेण पूर्वेण च माल्यवद्गन्धमादनावानीलनिषधायतौ द्विसहस्रं पप्रथतु: केतुमालभद्राश्वयो: सीमानं विदधाते ॥ १० ॥
Verse text
tathaivelāvṛtam apareṇa pūrveṇa ca mālyavad-gandhamādanāv ānīla-niṣadhāyatau dvi-sahasraṁ paprathatuḥ ketumāla-bhadrāśvayoḥ sīmānaṁ vidadhāte.
Synonyms
tathā eva — exatamente como isto; ilāvṛtam apareṇa — no lado oeste de Ilāvṛta-varṣa; pūrveṇa ca — e no lado leste; mālyavad-gandha-mādanau — as montanhas delimitadoras: Mālyavān, a oeste, e Gandhamādana, a leste; ā-nīla-niṣadha-āyatau — ao lado norte, indo até a montanha conhecida como Nīla, e ao lado sul, indo até a montanha conhecida como Niṣadha; dvi-sahasram — dois mil yojanas; paprathatuḥ — elas se estendem; ketumāla-bhadrāśvayoḥ — dos dois varṣas chamados Ketumāla e Bhadrāśva; sīmānam — o limite; vidadhāte — estabelecem.
Translation
Da mesma maneira, a oeste e leste de Ilāvṛta-varṣa, localizam-se duas grandes montanhas chamadas Mālyavān e Gandhamādana, respectivamente. Essas duas montanhas, que medem 2.000 yojanas [26.000 quilômetros] de altura, vão até a montanha Nīla, ao norte, e Niṣadha, ao sul. Elas formam os limites de Ilāvṛta-varṣa bem como dos varṣas conhecidos como Ketumāla e Bhadrāśva.
Purport
SIGNIFICADO—Existem muitas montanhas, mesmo neste planeta Terra. Não devemos pensar que já se calcularam realmente todas as suas medidas. Enquanto passamos pela região montanhosa que se estende do México até Caracas, vimos tantas montanhas que duvidamos se sua altura, comprimento e largura foram medidos com exatidão. Portanto, como Śukadeva Gosvāmī deixa transparecer no Śrīmad-Bhāgavatam, não é com nossos meros cálculos que devemos tentar compreender as principais regiões montanhosas do universo. Śukadeva Gosvāmī já afirmou que esses cálculos seriam dificílimos mesmo para alguém que vivesse tanto quanto Brahmā. Devemos simplesmente satisfazer-nos com as afirmações de autoridades como Śukadeva Gosvāmī e apreciar como a energia externa da Suprema Personalidade de Deus tornou possível toda a manifestação cósmica. As medidas dadas aqui, tais como 10.000 yojanas ou 100.000 yojanas, devem ser consideradas corretas, pois foram dadas por Śukadeva Gosvāmī. Nosso conhecimento experimental não pode nem comprovar nem impugnar as afirmações do Śrīmad-Bhāgavatam. Devemos simplesmente ouvir o que dizem as autoridades. Se pudermos apreciar a imensa energia da Suprema Personalidade de Deus, isso nos beneficiará.
Devanagari
मन्दरो मेरुमन्दर: सुपार्श्व: कुमुद इत्ययुतयोजनविस्तारोन्नाहा मेरोश्चतुर्दिशमवष्टम्भगिरय उपक्लृप्ता: ॥ ११ ॥
Verse text
mandaro merumandaraḥ supārśvaḥ kumuda ity ayuta-yojana-vistāronnāhā meroś catur-diśam avaṣṭambha-giraya upakḷptāḥ.
Synonyms
mandaraḥ — a montanha chamada Mandara; meru-mandaraḥ — a montanha chamada Merumandara; supārśvaḥ — a montanha chamada Supārśva; kumudaḥ — a montanha chamada Kumuda; iti — assim; ayuta-yojana-vistāra-unnāhāḥ — que medem dez mil yojanas de altura e largura; meroḥ — de Sumeru; catuḥ-diśam — nos quatro lados; avaṣṭambha-girayaḥ — montanhas que são como os cinturões de Sumeru; upakḷptāḥ — situadas.
Translation
Nos quatro lados da grande montanha conhecida como Sumeru, ficam outras quatro montanhas – Mandara, Merumandara, Supārśva e Kumuda – que são como seus cinturões. Calculam-se o comprimento e a altura dessas montanhas em 10.000 yojanas [130.000 quilômetros].
Devanagari
चतुर्ष्वेतेषु चूतजम्बूकदम्बन्यग्रोधाश्चत्वार: पादप प्रवरा: पर्वतकेतव इवाधिसहस्रयोजनोन्नाहास्तावद् विटपविततय: शतयोजनपरिणाहा: ॥ १२ ॥
Verse text
caturṣv eteṣu cūta-jambū-kadamba-nyagrodhāś catvāraḥ pādapa-pravarāḥ parvata-ketava ivādhi-sahasra-yojanonnāhās tāvad viṭapa-vitatayaḥ śata-yojana-pariṇāhāḥ.
Synonyms
caturṣu — nas quatro; eteṣu — nessas montanhas, começando com Mandara; cūta-jambū-kadamba — de árvores tais como mangueira, jambeiro e kadamba; nyagrodhāḥ — e a figueira-de-bengala; catvāraḥ — quatro espécies; pādapa-pravarāḥ — as melhores entre as árvores; parvata-ketavaḥ — os mastros sobre as montanhas; iva — como; adhi — excedendo em; sahasra-yojana-unnāhāḥ — mil yojanas de altura; tāvat — também esse tanto; viṭapa-vitatayaḥ — o comprimento dos ramos; śata-yojana — cem yojanas; pariṇāhāḥ — de extensão.
Translation
Erguendo-se como mastros no topo dessas quatro montanhas, há uma mangueira, um jambeiro, uma árvore kadamba e uma figueira-de-bengala. Calcula-se que essas árvores têm a largura de 100 yojanas [1.300 quilômetros] e a altura de 1.100 yojanas [14.300 quilômetros]. Seus ramos também abrangem um raio de 1.100 yojanas.
Devanagari
ह्रदाश्चत्वार: पयोमध्विक्षुरसमृष्टजला यदुपस्पर्शिन उपदेवगणा योगैश्वर्याणि स्वाभाविकानि भरतर्षभ धारयन्ति ॥ १३ ॥ देवोद्यानानि च भवन्ति चत्वारि नन्दनं चैत्ररथं वैभ्राजकं सर्वतोभद्रमिति ॥ १४ ॥
Verse text
hradāś catvāraḥ payo-madhv-ikṣurasa-mṛṣṭa-jalā yad-upasparśina upadeva-gaṇā yogaiśvaryāṇi svābhāvikāni bharatarṣabha dhārayanti; devodyānāni ca bhavanti catvāri nandanaṁ caitrarathaṁ vaibhrājakaṁ sarvatobhadram iti.
Synonyms
hradāḥ — lagos; catvāraḥ — quatro; payaḥ — leite; madhu — mel; ikṣu-rasa — caldo de cana; mṛṣṭa-jalāḥ — cheio de água pura; yat — dos quais; upasparśinaḥ — aqueles que utilizam os líquidos; upadeva-gaṇāḥ — os semideuses; yoga-aiśvaryāṇi — todas as perfeições do yoga místico; svābhāvikāni — sem terem se esforçado por; bharata-ṛṣabha — ó melhor da dinastia Bharata; dhārayanti — possuem; deva-udyānāni — jardins celestiais; ca — também; bhavanti — existem; catvāri — quatro; nandanam — do jardim Nandana; caitra-ratham — jardim Caitraratha; vaibhrājakam — jardim Vaibhrājaka; sarvataḥ-bhadram — jardim Sarvatobhadra; iti — assim.
Translation
Ó Mahārāja Parīkṣit, ó melhor da dinastia Bharata, entre essas quatro montanhas, localizam-se quatro lagos imensos. A água do primeiro tem sabor igual ao do leite. A água do segundo tem sabor de mel, e o sabor do terceiro é de caldo de cana. O quarto lago está cheio de água pura. Os seres celestiais, tais como os Siddhas, Cāraṇas e Gandharvas, também conhecidos como semideuses, desfrutam das facilidades daqueles quatro lagos. Em consequência disso, eles têm as perfeições naturais do yoga místico, tais como o poder de se tornar menor que o menor ou maior que o maior. Há, também, quatro jardins celestiais chamados Nandana, Caitraratha, Vaibhrājaka e Sarvatobhadra.
Devanagari
येष्वमर परिवृढा: सह सुरललनाललामयूथपतय उपदेवगणैरुपगीयमानमहिमान: किल विहरन्ति ॥ १५ ॥
Verse text
yeṣv amara-parivṛḍhāḥ saha sura-lalanā-lalāma-yūtha-pataya upadeva-gaṇair upagīyamāna-mahimānaḥ kila viharanti.
Synonyms
yeṣu — nos quais; amara-parivṛḍhāḥ — os semideuses mais importantes; saha — com; sura-lalanā — das esposas de todos os semideuses e quase semideuses; lalāma — daquelas mulheres que são como adornos; yūtha-patayaḥ — os esposos; upadeva-gaṇaiḥ — pelos quase semideuses (os Gandharvas); upagīyamāna — sendo cantadas; mahimānaḥ — cujas glórias; kila — na verdade; viharanti — eles desfrutam de diversões.
Translation
Os semideuses mais importantes, ladeados por suas esposas, que são como adornos de beleza celestial, reúnem-se e desfrutam naqueles jardins, enquanto suas glórias são cantadas por semideuses menos importantes, conhecidos como Gandharvas.
Devanagari
मन्दरोत्सङ्ग एकादशशतयोजनोत्तुङ्गदेवचूतशिरसो गिरिशिखरस्थूलानि फलान्यमृतकल्पानि पतन्ति ॥ १६ ॥
Verse text
mandarotsaṅga ekādaśa-śata-yojanottuṅga-devacūta-śiraso giri-śikhara-sthūlāni phalāny amṛta-kalpāni patanti.
Synonyms
mandara-utsaṅge — nos declives inferiores da montanha Mandara; ekādaśa-śata-yojana-uttuṅga — 1.100 yojanas de altura; devacūta-śirasaḥ — do alto de uma mangueira chamada Devacūta; giri-śikhara-sthūlāni — que são tão volumosas como picos de montanhas; phalāni — frutas; amṛta-kalpāni — tão doces como néctar; patanti — caem.
Translation
Nos declives inferiores da montanha Mandara, existe uma mangueira chamada Devacūta. Ela tem 1.100 yojanas de altura. Para o prazer dos cidadãos dos céus, mangas tão grandes como picos de montanhas e tão doces como néctar, caem do alto dessa árvore.
Purport
SIGNIFICADO—No Vāyu Purāṇa, grandes sábios eruditos também mencionam essa árvore:
aratnīnāṁ śatāny aṣṭāv
eka-ṣaṣṭy-adhikāni ca
phala-pramāṇam ākhyātam
ṛṣibhis tattva-darśibhiḥ
eka-ṣaṣṭy-adhikāni ca
phala-pramāṇam ākhyātam
ṛṣibhis tattva-darśibhiḥ
Devanagari
तेषां विशीर्यमाणानामतिमधुरसुरभिसुगन्धि बहुलारुणरसोदेनारुणोदा नाम नदी मन्दरगिरिशिखरान्निपतन्ती पूर्वेणेलावृतमुपप्लावयति ॥ १७ ॥
Verse text
teṣāṁ viśīryamāṇānām ati-madhura-surabhi-sugandhi-bahulāruṇa-rasodenāruṇodā nāma nadī mandara-giri-śikharān nipatantī pūrveṇelāvṛtam upaplāvayati.
Synonyms
teṣām — de todas as mangas; viśīryamāṇānām — partindo-se ao caírem do alto; ati-madhura — muito doces; surabhi — cheirosas; sugandhi — perfumado com outros aromas; bahula — grandes quantidades; aruṇa-rasa-udena — pelo suco avermelhado; aruṇodā — Aruṇodā; nāma — chamado; nadī — o rio; mandara-giri-śikharāt — do topo da montanha Mandara; nipatantī — caindo; pūrveṇa — na região leste; ilāvṛtam — através de Ilāvṛta-varṣa; upaplāvayati — flui.
Translation
Ao caírem de tamanha altura, as frutas sólida se partem e emana delas um suco doce e cheiroso. Quando esse néctar entra em contato com outros aromas, exala um perfume cada vez mais agradável. Esse sumo, tal qual cachoeiras, cai da montanha e se transforma em um rio chamado Aruṇodā, que flui ameno pela região leste de Ilāvṛta.
Devanagari
यदुपजोषणाद्भवान्या अनुचरीणां पुण्यजनवधूनामवयवस्पर्शसुगन्धवातो दशयोजनं समन्तादनुवासयति ॥ १८ ॥
Verse text
yad-upajoṣaṇād bhavānyā anucarīṇāṁ puṇya-jana-vadhūnām avayava-sparśa-sugandha-vāto daśa-yojanaṁ samantād anuvāsayati.
Synonyms
yat — do qual; upajoṣaṇāt — por usarem a água perfumada; bhavānyāḥ — de Bhavānī, esposa do senhor Śiva; anucarīṇām — das criadas; puṇya-jana-vadhūnām — que são esposas dos piedosíssimos Yakṣas; avayava — dos membros corpóreos; sparśa — do contato; sugandha-vātaḥ — o vento, que se torna perfumado; daśa-yojanam — até dez yojanas (cerca de cento e trinta quilômetros); samantāt — por toda a volta; anuvāsayati — torna odorífero.
Translation
As esposas piedosas dos Yakṣas agem como criadas pessoais de Bhavānī, esposa do senhor Śiva. Porque elas bebem a água do rio Aruṇodā, seus corpos se tornam odoríferos e, à medida que o ar transporta essa fragrância, toda a atmosfera em um raio de cento e trinta quilômetros se perfuma.
Devanagari
एवं जम्बूफलानामत्युच्चनिपातविशीर्णानामनस्थिप्रायाणामिभकायनिभानां रसेन जम्बू नाम नदी मेरुमन्दरशिखरादयुतयोजनादवनितले निपतन्ती दक्षिणेनात्मानं यावदिलावृतमुपस्यन्दयति ॥ १९ ॥
Verse text
evaṁ jambū-phalānām atyucca-nipāta-viśīrṇānām anasthi-prāyāṇām ibha-kāya-nibhānāṁ rasena jambū nāma nadī meru-mandara-śikharād ayuta-yojanād avani-tale nipatantī dakṣiṇenātmānaṁ yāvad ilāvṛtam upasyandayati.
Synonyms
evam — igualmente; jambū-phalānām — dos frutos chamados jambū (o jambo); ati-ucca-nipāta — devido à sua queda de uma grande altura; viśīrṇānām — que se despedaçam; anasthi-prāyāṇām — tendo sementes muito pequenas; ibha-kāya-nibhānām — e que são tão grandes como os corpos dos elefantes; rasena — pelo suco; jambū nāma nadī — um rio chamado Jambū-nadī; meru-mandara-śikharāt — do topo da montanha Merumandara; ayuta yojanāt — dez mil yojanas de altura; avani-tale — no chão; nipatantī — caindo; dakṣiṇena — no lado sul; ātmānam — ele próprio; yāvat — toda a; ilāvṛtam — Ilāvṛta-varṣa; upasyandayati — corre por.
Translation
Igualmente, os frutos da árvore jambū, que são cheios de polpa e têm sementes muito pequenas, caem de grande altura e se despedaçam. Esses frutos são do tamanho de elefantes, e o sumo que mana deles se torna um rio chamado Jambū-nadī. Esse rio desce uma distância de 10.000 yojanas, do topo de Merumandara até a parte sul de Ilāvṛta, e inunda toda a terra de Ilāvṛta com seu suco.
Purport
SIGNIFICADO—Podemos apenas imaginar quanto suco há em uma fruta do tamanho de um elefante e cujas sementes são muito pequenas. Naturalmente, o suco das frutas jambū, quando partidas, forma cachoeiras e inunda toda a terra de Ilāvṛta. Como se explicará nos versos seguintes, esse suco produz uma imensa quantidade de ouro.
Devanagari
तावदुभयोरपि रोधसोर्या मृत्तिका तद्रसेनानुविध्यमाना वाय्वर्कसंयोगविपाकेन सदामरलोकाभरणं जाम्बूनदं नाम सुवर्णं भवति ॥ २० ॥
यदु ह वाव विबुधादय: सह युवतिभिर्मुकुटकटककटिसूत्राद्याभरणरूपेण खलु धारयन्ति ॥ २१ ॥
यदु ह वाव विबुधादय: सह युवतिभिर्मुकुटकटककटिसूत्राद्याभरणरूपेण खलु धारयन्ति ॥ २१ ॥
Verse text
tāvad ubhayor api rodhasor yā mṛttikā tad-rasenānuvidhyamānā vāyv-arka-saṁyoga-vipākena sadāmara-lokābharaṇaṁ jāmbū-nadaṁ nāma suvarṇaṁ bhavati; yad u ha vāva vibudhādayaḥ saha yuvatibhir mukuṭa-kaṭaka-kaṭi-sūtrādy-ābharaṇa-rūpeṇa khalu dhārayanti.
Synonyms
tāvat — inteiramente; ubhayoḥ api — de ambas; rodhasoḥ — das margens; yā — o qual; mṛttikā — o lodo; tat-rasena — do suco das frutas jambū que flui no rio; anuvidhyamānā — estando impregnado; vāyu-arka-saṁyoga-vipākena — devido a uma reação química com o ar e o brilho solar; sadā — sempre; amara-loka-ābharaṇam — que é usado para enfeites dos semideuses, os cidadãos dos planetas celestiais; jāmbū-nadam nāma — chamado Jāmbū-nada; suvarṇam — ouro; bhavati — torna-se; yat — o qual; u ha vāva — na verdade; vibudha-ādayaḥ — os grandes semideuses; saha — com; yuvatibhiḥ — suas esposas sempre jovens; mukuṭa — coroas; kaṭaka — braceletes; kaṭi-sūtra — cintos; ādi — e assim por diante; ābharaṇa — de toda espécie de enfeites; rūpeṇa — sob a forma; khalu — na verdade; dhārayanti — eles possuem.
Translation
O lodo de ambas as margens do rio Jambū-nadī, umedecido pelo suco corrente e depois seco pelo ar e pelo brilho solar, produz uma grande quantidade do ouro chamado Jāmbū-nada. Os cidadãos do céu usam esse ouro para várias espécies de enfeites. Portanto, todos os habitantes dos planetas celestiais e suas jovens esposas estão plenamente decorados com elmos, braceletes e cintos de ouro e, nessa atmosfera, eles gozam da vida.
Purport
SIGNIFICADO—Por desígnio da Suprema Personalidade de Deus, os rios de alguns planetas produzem ouro em suas margens. Os pobres habitantes desta Terra, devido ao seu parco conhecimento, deixam-se cativar por um pretenso bhagavān que consegue produzir uma irrisória quantidade de ouro. Contudo, compreende-se que, em determinado sistema planetário superior deste mundo material, o lodo das margens de Jambū-nadī mistura-se com o suco de jambū, reage com os raios solares no ar e, em seguida, produz grandes quantidades de ouro. Assim, os homens e as mulheres desse planeta usam vários adornos de ouro e desfrutam de uma ótima aparência. Na Terra, infelizmente, existe tanta escassez de ouro que os governos do mundo tentam mantê-lo em reservas para emitir papel-moeda. Porém, como o papel-moeda não tem o seu lastro imprescindível, o papel que distribuem como dinheiro é inútil. Todavia, as pessoas na Terra se orgulham muitíssimo do avanço material. Nos tempos modernos, em vez de ouro, as moças e as senhoras usam enfeites de plástico, e, no lugar de se usarem utensílios de ouro, proliferam os utensílios de plástico, apesar do que as pessoas se orgulham muito de sua riqueza material. Portanto, descreve-se que as pessoas desta era são mandāḥ sumanda-matayo manda-bhāgyā hy upadrutāḥ (Śrīmad-Bhāgavatam 1.1.10). Em outras palavras, elas são extremamente incompetentes e muito lentas para entender a opulência da Suprema Personalidade de Deus. Chegou-se a descrevê-las como sumanda-matayaḥ porque suas concepções são tão debilitadas que aceitam um blefista que produz um pouco de ouro como se fosse Deus. Como não têm ouro algum em sua posse, são, na verdade, muito pobres, daí semelhantes pessoas serem tidas como desafortunadas.
Às vezes, essas pessoas desafortunadas querem ser promovidas aos planetas celestiais para alcançar posições privilegiadas, conforme são descritas neste verso, mas os devotos puros do Senhor não estão nem um pouco interessados em tal opulência. Com efeito, os devotos às vezes comparam a cor do ouro com a do excremento dourado reluzente. Śrī Caitanya Mahāprabhu instruiu os devotos a não se deixarem encantar por enfeites de ouro e tampouco por mulheres belamente decoradas. Na dhanaṁ na janaṁ na sundarīm: o devoto não deve deixar-se enfeitiçar pelo ouro, por belas mulheres ou pelo prestígio de ter muitos seguidores. Śrī Caitanya Mahāprabhu, portanto, orou confidencialmente pedindo que mama janmani janmanīśvare bhavatād bhaktir ahaitukī tvayi: “Meu Senhor, por favor, abençoa-Me com Teu serviço devocional. Nada mais Eu desejo.” O devoto deve orar a fim de libertar-se deste mundo material. Esse é o seu único desejo.
ayi nanda-tanuja kiṅkaraṁ
patitaṁ māṁ viṣame bhavāmbudhau
kṛpayā tava pāda-paṅkaja-
sthita-dhūlī-sadṛśaṁ vicintaya
patitaṁ māṁ viṣame bhavāmbudhau
kṛpayā tava pāda-paṅkaja-
sthita-dhūlī-sadṛśaṁ vicintaya
O devoto humilde simplesmente ora ao Senhor: “Por favor, recolhei-me do mundo material, onde proliferam muitas variedades de opulências materiais, e mantende-me sob o refúgio de Vossos pés de lótus.”
Śrīla Narottama Dāsa Ṭhākura ora:
hā hā prabhu nanda-suta, vṛṣabhānu-sutā-yuta,
karuṇā karaha ei-bāra
narottama-dāsa kaya, nā ṭheliha rāṅgā-pāya,
tomā vine ke āche āmāra
karuṇā karaha ei-bāra
narottama-dāsa kaya, nā ṭheliha rāṅgā-pāya,
tomā vine ke āche āmāra
“Ó meu Senhor, ó filho de Nanda Mahārāja, agora permaneceis diante de Mim com Vossa consorte, Śrīmatī Rādhārāṇī, a filha de Vṛṣabhānu. Por favor, aceitai-me como a poeira de Vossos pés de lótus. Por favor, não me rejeites, pois não tenho nenhum outro abrigo.”
Do mesmo modo, Prabodhānanda Sarasvatī mostra que a posição dos semideuses, que estão enfeitados com elmos e outros adornos de ouro, é mera fantasmagoria (tri-daśa-pūr ākāśa puṣpāyate). O devoto jamais se deixa enfeitiçar por essas opulências. Tudo o que ele deseja é se tornar a poeira dos pés de lótus do Senhor.
Devanagari
यस्तु महाकदम्ब: सुपार्श्वनिरूढो यास्तस्य कोटरेभ्यो विनि:सृता: पञ्चायामपरिणाहा: पञ्च मधुधारा: सुपार्श्वशिखरात्पतन्त्योऽपरेणात्मानमिलावृतमनुमोदयन्ति ॥ २२ ॥
Verse text
yas tu mahā-kadambaḥ supārśva-nirūḍho yās tasya koṭarebhyo viniḥsṛtāḥ pañcāyāma-pariṇāhāḥ pañca madhu-dhārāḥ supārśva-śikharāt patantyo ’pareṇātmānam ilāvṛtam anumodayanti.
Synonyms
yaḥ — a qual; tu — mas; mahā-kadambaḥ — a árvore chamada Mahākadamba; supārśva-nirūḍhaḥ — que se ergue ao lado da montanha conhecida como Supārśva; yāḥ — a qual; tasya — daquela; koṭarebhyaḥ — das concavidades; viniḥsṛtāḥ — fluindo; pañca — cinco; āyāma — vyāma, uma unidade de medida equivalente a aproximadamente dois metros e meio; pariṇāhāḥ — cuja medida; pañca — cinco; madhu-dhārāḥ — mel a jorrar; supārśva-śikharāt — do topo da montanha Supārśva; patantyaḥ — descendo; apareṇa — no lado oeste da montanha Sumeru; ātmānam — toda a superfície de; ilāvṛtam — Ilāvṛta-varṣa; anumodayanti — perfumam.
Translation
Ao lado da montanha, Supārśva, ergue-se uma grande árvore chamada Mahākadamba, que é muito célebre. Das concavidades dessa árvore fluem cinco rios de mel, cada um deles medindo cinco vyāmas de largura. Esse mel corrente jorra sem cessar do topo da montanha Supārśva e, partindo da região oeste, corre por todo o Ilāvṛta-varṣa. Assim, toda a terra fica impregnada de uma fragrância agradável.
Purport
SIGNIFICADO—Ao abrirmos bem os braços, a distância entre uma mão e outra chama-se vyāma. Isso perfaz cerca de dois metros e meio. Logo, cada um dos rios tinha cerca de treze metros de largura, e, no total, eles mediam cerca de sessenta e cinco metros.
Devanagari
या ह्युपयुञ्जानानां मुखनिर्वासितो वायु: समन्ताच्छतयोजनमनुवासयति ॥ २३ ॥
Verse text
yā hy upayuñjānānāṁ mukha-nirvāsito vāyuḥ samantāc chata-yojanam anuvāsayati.
Synonyms
yāḥ — o qual (aquele mel a jorrar); hi — na verdade; upayuñjānānām — daqueles que bebem; mukha-nirvāsitaḥ vāyuḥ — o ar que emana das bocas; samantāt — por toda a volta; śata-yojanam — até cem yojanas (cento e trinta quilômetros); anuvāsayati — deixa um perfume adocicado.
Translation
Ao transportar o aroma proveniente da boca das pessoas que bebem esse mel, o ar perfuma um raio de cem yojanas.
Devanagari
एवं कुमुदनिरूढो य: शतवल्शो नाम वटस्तस्य स्कन्धेभ्यो नीचीना: पयोदधिमधुघृतगुडान्नाद्यम्बरशय्यासनाभरणादय: सर्व एव कामदुघा नदा: कुमुदाग्रात्पतन्तस्तमुत्तरेणेलावृतमुपयोजयन्ति ॥ २४ ॥
Verse text
evaṁ kumuda-nirūḍho yaḥ śatavalśo nāma vaṭas tasya skandhebhyo nīcīnāḥ payo-dadhi-madhu-ghṛta-guḍānnādy-ambara-śayyāsanābharaṇādayaḥ sarva eva kāma-dughā nadāḥ kumudāgrāt patantas tam uttareṇelāvṛtam upayojayanti.
Synonyms
evam — assim; kumuda-nirūḍhaḥ — tendo crescido na montanha Kumuda; yaḥ — essa; śata-valśaḥ nāma — a árvore chamada Śatavalśa (por ter centenas de troncos); vaṭaḥ — uma figueira-de-bengala; tasya — dela; skandhebhyaḥ — dos ramos grossos; nīcīnāḥ — brotando; payaḥ — leite; dadhi — iogurte; madhu — mel; ghṛta — manteiga clarificada; guḍa — melaço; anna — grãos alimentícios; ādi — e assim por diante; ambara — roupas; śayyā — camas; āsana — assentos; ābharaṇa-ādayaḥ — levando ornamentos e assim por diante; sarve — tudo; eva — decerto; kāma-dughāḥ — satisfazendo todos os desejos; nadāḥ — rios grandes; kumuda-agrāt — do topo da montanha Kumuda; patantaḥ — fluindo; tam — para essa; uttareṇa — no lado norte; ilāvṛtam — a terra conhecida como Ilāvṛta-varṣa; upayojayanti — propiciam felicidade.
Translation
Igualmente, existe uma grande figueira-de-bengala no monte Kumuda, a qual se chama Śatavalśa por ter cem ramos principais. Desses ramos, surgem raízes numerosas, das quais fluem muitos rios. Esses rios descem do topo da montanha até o lado norte de Ilāvṛta-varṣa, beneficiando os habitantes dessa região. Devido a esses rios correntes, todas as pessoas têm um amplo suprimento de leite, iogurte, mel, manteiga clarificada [ghī], melaço, grãos alimentícios, roupas, camas, assentos e adornos. Todos os objetos que desejam são fornecidos em quantidade suficiente para a sua prosperidade, de modo que elas são muito felizes.
Purport
SIGNIFICADO—A prosperidade da humanidade não depende de uma civilização demoníaca desprovida de cultura ou conhecimento, mas que possui apenas arranha-céus gigantescos e automóveis enormes que estão sempre correndo em rodovias. Os produtos da natureza são o bastante. Quando há profusão de leite, iogurte, mel, grãos alimentícios, ghī, melaço, dhotīs, sáris, leitos e roupas de cama, assentos e adornos, os habitantes são realmente opulentos. Quando um abundante suprimento de água fluvial inunda a terra, todas essas coisas tornam-se viáveis e não haverá escassez. Porém, como se descreve na literatura védica, tudo isso depende da execução de sacrifícios.
annād bhavanti bhūtāni
parjanyād anna-sambhavaḥ
yajñād bhavati parjanyo
yajñaḥ karma-samudbhavaḥ
parjanyād anna-sambhavaḥ
yajñād bhavati parjanyo
yajñaḥ karma-samudbhavaḥ
“Todos os corpos vivos subsistem de grãos alimentícios, que são produzidos a partir das chuvas. As chuvas são produzidas pela execução de yajña [sacrifícios], e o yajña nasce dos deveres prescritos.” Essas são as prescrições dadas na Bhagavad-gītā (3.14). Se as pessoas seguirem esses princípios em plena consciência de Kṛṣṇa, a sociedade humana prosperará e será feliz tanto nesta vida quanto na próxima.
Devanagari
यानुपजुषाणानां न कदाचिदपि प्रजानां वलीपलितक्लमस्वेददौर्गन्ध्यजरामयमृत्युशीतोष्णवैवर्ण्योपसर्गादयस्तापविशेषा भवन्ति यावज्जीवं सुखं निरतिशयमेव ॥ २५ ॥
Verse text
yān upajuṣāṇānāṁ na kadācid api prajānāṁ valī-palita-klama-sveda-daurgandhya-jarāmaya-mṛtyu-śītoṣṇa-vaivarṇyopasargādayas tāpa-viśeṣā bhavanti yāvaj jīvaṁ sukhaṁ niratiśayam eva.
Synonyms
yān — os quais (todos os produtos originados dos rios correntes acima mencionados); upajuṣāṇānām — das pessoas que estão utilizando plenamente; na — não; kadācit — em momento algum; api — decerto; prajānām — dos cidadãos; valī — rugas; palita — cabelo grisalho; klama — fadiga; sveda — transpiração; daurgandhya — maus odores devido à transpiração insalubre; jarā — velhice; āmaya — doença; mṛtyu — morte extemporânea; śīta — frio severo; uṣṇa — calor escaldante; vaivarṇya — diminuição do brilho corpóreo; upasarga — problemas; ādayaḥ — e assim por diante; tapa — de sofrimentos; viśeṣāḥ — muitas variedades; bhavanti — são; yāvat — enquanto; jīvam — vida; sukham — felicidade; niratiśayam — ilimitada; eva — apenas.
Translation
Os habitantes do mundo material que desfrutam das substâncias propiciadas por esses rios não têm rugas nos seus corpos nem cabelos grisalhos. Eles nunca sentem fadiga, e a transpiração não causa em seus corpos maus odores. Eles não são afligidos pela velhice, doenças ou morte prematura, tampouco sofrem com o frio gélido ou o calor tórrido, e seus corpos nunca perdem o brilho. Sem ansiedade, todos eles vivem muito felizes até a hora da morte.
Purport
SIGNIFICADO—Este verso faz alusão à perfeição da sociedade humana, mesmo dentro deste mundo material. As condições dolorosas deste mundo material podem ser corrigidas por um abundante suprimento de leite, iogurte, mel, ghī, melaço, grãos alimentícios, ornamentos, camas, assentos e assim por diante. Isso, sim, é civilização humana. Grãos alimentícios em profusão podem ser produzidos através de atividades agrícolas, e um vasto suprimento de leite, iogurte e ghī pode ser obtido através da proteção às vacas. Mel abundante pode ser obtido com a proteção às florestas. Infelizmente, na civilização moderna, em vez de se dedicarem à agricultura, os homens estão atarefados em matar as vacas, que são um manancial de iogurte, leite e ghī, estão derrubando todas as árvores que fornecem mel e abrem fábricas que produzem porcas e parafusos, automóveis e vinho. Com semelhante proceder, como as pessoas podem ser felizes? Elas devem experimentar todos os sofrimentos infligidos pelo materialismo. Seus corpos se tornam enrugados e, aos poucos, deterioram-se, chegando ao ponto de tornarem-se nanicos, e, devido à transpiração repugnante, exalam um odor desagradável, decorrente do consumo de todo tipo de coisas asquerosas. Isso não é uma civilização humana. Se as pessoas realmente querem felicidade nesta vida e desejam preparar-se para, na próxima vida, obter o melhor, elas devem adotar uma civilização védica. Na civilização védica, existe completo suprimento de todas as necessidades acima mencionadas.
Devanagari
कुरङ्गकुररकुसुम्भवैकङ्कत्रिकूटशिशिरपतङ्गरुचकनिषधशिनीवासकपिलशङ्खवैदूर्यजारुधिहंसऋषभनागकालञ्जरनारदादयो विंशतिगिरयो मेरो: कर्णिकाया इव केसरभूता मूलदेशे परित उपक्लृप्ता: ॥ २६ ॥
Verse text
kuraṅga-kurara-kusumbha-vaikaṅka-trikūṭa-śiśira-pataṅga-rucaka-niṣadha-śinīvāsa-kapila-śaṅkha-vaidūrya-jārudhi-haṁsa-ṛṣabha-nāga-kālañjara-nāradādayo viṁśati-girayo meroḥ karṇikāyā iva kesara-bhūtā mūla-deśe parita upakḷptāḥ.
Synonyms
kuraṅga — Kuraṅga; kurara — Kurara; kusumbha-vaikaṅka-trikūṭa-śiśira-pataṅga-rucaka-niṣadha-śinīvāsa-kapila-śaṅkha-vaidūrya-jārudhi-haṁsa-ṛṣabha-nāga-kālañjara-nārada — os nomes das montanhas; ādayaḥ — e assim por diante; viṁśati-girayaḥ — vinte montanhas; meroḥ — do monte Sumeru; karṇikāyāḥ — do verticilo do lótus; iva — como; kesara-bhūtāḥ — como filamentos; mūla-deśe — na base; paritaḥ — por toda a volta; upakḷptāḥ — dispostas pela Suprema Personalidade de Deus.
Translation
Tal qual os filamentos ao redor do verticilo de uma flor de lótus, existem outras montanhas belamente dispostas em volta do sopé do monte Meru. Seus nomes são Kuraṅga, Kurara, Kusumbha, Vaikaṅka, Trikūṭa, Śiśira, Pataṅga, Rucaka, Niṣadha, Sinīvāsa, Kapila, Śaṅkha, Vaidūrya, Jārudhi, Haṁsa, Ṛṣabha, Nāga, Kālañjara e Nārada.
Devanagari
जठरदेवकूटौ मेरुं पूर्वेणाष्टादशयोजनसहस्रमुदगायतौ द्विसहस्रं पृथुतुङ्गौ भवत: । एवमपरेण पवनपारियात्रौ दक्षिणेन कैलासकरवीरौ प्रागायतावेवमुत्तरतस्त्रिशृङ्गमकरावष्टभिरेतै: परिसृतोऽग्निरिव परितश्चकास्ति काञ्चनगिरि: ॥ २७ ॥
Verse text
jaṭhara-devakūṭau meruṁ pūrveṇāṣṭādaśa-yojana-sahasram udagāyatau dvi-sahasraṁ pṛthu-tuṅgau bhavataḥ; evam apareṇa pavana-pāriyātrau dakṣiṇena kailāsa-karavīrau prāg-āyatāv evam uttaratas triśṛṅga-makarāv aṣṭabhir etaiḥ parisṛto ’gnir iva paritaś cakāsti kāñcana-giriḥ.
Synonyms
jaṭhara-devakūṭau — duas montanhas chamadas Jaṭhara e Devakūṭa; merum — monte Sumeru; pūrveṇa — no lado leste; aṣṭādaśa-yojana-sahasram — dezoito mil yojanas; udgāyatau — estendendo-se de norte a sul; dvi-sahasram — dois mil yojanas; pṛthu-tuṅgau — em largura e altura; bhavataḥ — existem; evam — igualmente; apareṇa — no lado oeste; pavana-pāriyātrau — duas montanhas chamadas Pavana e Pāriyātra; dakṣiṇena — no lado sul; kailāsa-karavīrau — duas montanhas chamadas Kailāsa e Karavīra; prāk-āyatau — expandindo-se a leste e oeste; evam — igualmente; uttarataḥ — no lado norte; triśṛṅga-makarau — duas montanhas chamadas Triśṛṅga e Makara; aṣṭabhiḥ etaiḥ — por essas oito montanhas; parisṛtaḥ — rodeada; agniḥ iva — como fogo; paritaḥ — em toda a extensão; cakāsti — brilha com fulgor; kāñcana-giriḥ — a montanha dourada, chamada Sumeru, ou Meru.
Translation
No lado leste do monte Sumeru, situam-se duas montanhas chamadas Jaṭhara e Devakūṭa, que se estendem ao norte e ao sul por 18.000 yojanas [234.000 quilômetros]. Igualmente, no lado oeste de Sumeru, existem duas montanhas chamadas Pavana e Pāriyātra, que também se estendem ao norte e ao sul pela mesma distância. No lado sul de Sumeru, encontram-se duas montanhas chamadas Kailāsa e Karavīra, que se estendem a leste e oeste por 18.000 yojanas, e, no lado norte de Sumeru, estendendo-se pela mesma distância a leste e oeste, localizam-se duas montanhas chamadas Triśṛṅga e Makara. A largura e a altura de todas essas montanhas é de 2.000 yojanas [26.000 quilômetros]. Sumeru, uma montanha de ouro maciço que tem um brilho incandescente como o fogo, está rodeada por essas oito montanhas.
Devanagari
मेरोर्मूर्धनि भगवत आत्मयोनेर्मध्यत उपक्लृप्तां पुरीमयुतयोजनसाहस्रीं समचतुरस्रां शातकौम्भीं वदन्ति ॥ २८ ॥
Verse text
meror mūrdhani bhagavata ātma-yoner madhyata upakḷptāṁ purīm ayuta-yojana-sāhasrīṁ sama-caturasrāṁ śātakaumbhīṁ vadanti.
Synonyms
meroḥ — da montanha Sumeru; mūrdhani — no cume; bhagavataḥ — do ser mais poderoso; ātma-yoneḥ — do senhor Brahmā; madhyataḥ — no meio; upakḷptām — situada; purīm — a grande cidade; ayuta-yojana — dez mil yojanas; sāhasrīm — mil; sama-caturasrām — com as mesmas dimensões em todos os lados; śata-kaumbhīm — feita inteiramente de ouro; vadanti — os grandes sábios eruditos dizem.
Translation
No meio do cume de Meru, figura a cidade do senhor Brahmā. Calcula-se que cada um dos seus lados se estende por dez milhões de yojanas [cento e trinta milhões de quilômetros]. Ela é inteiramente formada de ouro, daí os estudiosos eruditos e sábios chamarem-na de Śātakaumbhī.
Devanagari
तामनुपरितो लोकपालानामष्टानां यथादिशं यथारूपं तुरीयमानेन पुरोऽष्टावुपक्लृप्ता: ॥ २९ ॥
Verse text
tām anuparito loka-pālānām aṣṭānāṁ yathā-diśaṁ yathā-rūpaṁ turīya-mānena puro ’ṣṭāv upakḷptāḥ.
Synonyms
tām — essa grande cidade chamada Brahmapurī; anuparitaḥ — circundando; loka-pālānām — dos governantes dos planetas; aṣṭānām — oito; yathā-diśam — de acordo com as direções; yathā-rūpam — em exata conformidade com a cidade de Brahmapurī; turīya-mānena — medindo apenas um quarto; puraḥ — cidades; aṣṭau — oito; upakḷptāḥ — situadas.
Translation
Rodeando Brahmapurī em todas as direções, ficam as residências dos oito principais governantes dos sistemas planetários, começando com o rei Indra. Essas moradas, idênticas a Brahmapurī, têm um quarto do seu tamanho.
Purport
SIGNIFICADO—Śrīla Viśvanātha Cakravartī Ṭhākura confirma que outros Purāṇas fazem referência às cidades do senhor Brahmā e de outros oito governantes dos sistemas planetários, que, a exemplo de Indra, são subalternos.
merau nava-pūrāṇi syur
manovaty amarāvatī
tejovatī saṁyamanī
tathā kṛṣṇāṅganā parā
manovaty amarāvatī
tejovatī saṁyamanī
tathā kṛṣṇāṅganā parā
śraddhāvatī gandhavatī
tathā cānyā mahodayā
yaśovatī ca brahmendra
bahyādīnāṁ yathā-kramam
tathā cānyā mahodayā
yaśovatī ca brahmendra
bahyādīnāṁ yathā-kramam
A cidade de Brahmā é conhecida como Manovatī, e as de seus assistentes, tais como Indra e Agni, são conhecidas como Amarāvatī, Tejovatī, Saṁyamanī, Kṛṣṇāṅganā, Śraddhāvatī, Gandhavatī, Mahodayā e Yaśovatī. Brahmapurī está situada no meio, e os outros oito purīs circundam-na em todas as direções.
Neste ponto, encerram-se os Significados Bhaktivedanta do quinto canto, décimo sexto capítulo, do Śrīmad-Bhāgavatam, intitulado “Descrição de Jambūdvīpa”.