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Devanagari
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Purport
CAPÍTULO TREZE
A Dinastia de Mahārāja Nimi
Este capítulo descreve a dinastia na qual o grandioso e erudito sábio Janaka nasceu. Trata-se da dinastia de Mahārāja Nimi, que dizem ser filho de Ikṣvāku.
Ao dar início à realização de grandes sacrifícios, Mahārāja Nimi designou Vasiṣṭha para sacerdote principal, mas Vasiṣṭha recusou, pois já concordara em ser o sacerdote que realizaria um yajña para o senhor Indra. Vasiṣṭha, portanto, pediu que Mahārāja Nimi esperasse até o término do sacrifício organizado pelo senhor Indra, mas Mahārāja Nimi não esperou. Ele pensou: “Porque a vida é muito curta, não há motivos para esperar”. Então, escolheu outro sacerdote para realizar o yajña. Vasiṣṭha ficou muito irado contra o rei Nimi e o amaldiçoou com as seguintes palavras: “Que o teu corpo desmorone.” Recebendo essa maldição, Mahārāja Nimi, por sua vez, ficou muito irado, e revidou, dizendo: “Que o teu corpo também desmorone.” Como resultado dessas maldições mútuas, ambos morreram. Após esse episódio, Vasiṣṭha voltou a nascer, tendo sido gerado por Mitra e Varuṇa, que ficaram agitados com Urvaśī.
Os sacerdotes que se ocuparam no sacrifício do rei Nimi preservaram o corpo de Nimi em substâncias químicas perfumadas. Terminado o sacrifício, os sacerdotes oraram a todos os semideuses que haviam comparecido à arena do yajña, pedindo-lhes que restituíssem a vida de Nimi, mas Mahārāja Nimi recusou-se a nascer novamente em um corpo material porque considerava desprezível o corpo material. Os grandes sábios, então, agitaram intensamente o corpo de Nimi, e, como resultado disso, nasceu Janaka.
O filho de Janaka foi Udāvasu, cujo filho foi Nandivardhana. O filho de Nandivardhana foi Suketu, e seus descendentes apareceram na seguinte sequência: Devarāta, Bṛhadratha, Mahāvīrya, Sudhṛti, Dhṛṣṭaketu, Haryaśva, Maru, Pratīpaka, Kṛtaratha, Devamīḍha, Viśruta, Mahādhṛti, Kṛtirāta, Mahāromā, Svarṇaromā, Hrasvaromā e Śīradhvaja. Toda essa prole surgiu consecutivamente na dinastia. De Śīradhvaja, nasceu mãe Sītādevī. O filho de Śīradhvaja foi Kuśadhvaja, cujo filho foi Dharmadhvaja. Os filhos de Dharmadhvaja foram Kṛtadhvaja e Mitadhvaja. O filho de Kṛtadhvaja foi Keśidhvaja, e o filho de Mitadhvaja foi Khāṇḍikya. Keśidhvaja foi uma alma autorrealizada, e seu filho foi Bhānumān, cujos descendentes foram os seguintes: Śatadyumna, Śuci, Sanadvāja, Ūrjaketu, Aja, Purujit, Ariṣṭanemi, Śrutāyu, Supārśvaka, Citraratha, Kṣemādhi, Samaratha, Satyaratha, Upaguru, Upagupta, Vasvananta, Yuyudha, Subhāṣaṇa, Śruta, Jaya, Vijaya, Ṛta, Śunaka, Vītahavya, Dhṛti, Bahulāśva, Kṛti e Mahāvaśī. Todos esses filhos eram grandes personalidades autocontroladas. Esta é a lista completa de toda a dinastia.
Devanagari
श्रीशुक उवाच
निमिरिक्ष्वाकुतनयो वसिष्ठमवृतर्त्विजम् ।
आरभ्य सत्रं सोऽप्याह शक्रेण प्राग्वृतोऽस्मि भो: ॥ १ ॥
निमिरिक्ष्वाकुतनयो वसिष्ठमवृतर्त्विजम् ।
आरभ्य सत्रं सोऽप्याह शक्रेण प्राग्वृतोऽस्मि भो: ॥ १ ॥
Verse text
śrī-śuka uvāca
nimir ikṣvāku-tanayo
vasiṣṭham avṛtartvijam
ārabhya satraṁ so ’py āha
śakreṇa prāg vṛto ’smi bhoḥ
nimir ikṣvāku-tanayo
vasiṣṭham avṛtartvijam
ārabhya satraṁ so ’py āha
śakreṇa prāg vṛto ’smi bhoḥ
Synonyms
śrī-śukaḥ uvāca — Śrī Śukadeva Gosvāmī disse; nimiḥ — o rei Nimi; ikṣvāku-tanayaḥ — o filho de Mahārāja Ikṣvāku; vasiṣṭham — o grande sábio Vasiṣṭha; avṛta — nomeou; ṛtvijam — como sacerdote principal do sacrifício; ārabhya — começando; satram — o sacrifício; saḥ — ele, Vasiṣṭha; api — também; āha — disse; śakreṇa — pelo senhor Indra; prāk — antes; vṛtaḥ asmi — fui designado; bhoḥ — ó Mahārāja Nimi.
Translation
Śrīla Śukadeva Gosvāmī disse: Após dar início a sacrifícios, Mahārāja Nimi, o filho de Ikṣvāku, pediu que o grande sábio Vasiṣṭha assumisse o posto de sacerdote principal. Naquela ocasião, Vasiṣṭha respondeu: “Meu querido Mahārāja Nimi, já aceitei o mesmo posto em um sacrifício iniciado pelo senhor Indra.”
Devanagari
तं निर्वर्त्यागमिष्यामि तावन्मां प्रतिपालय ।
तूष्णीमासीद् गृहपति: सोऽपीन्द्रस्याकरोन्मखम् ॥ २ ॥
तूष्णीमासीद् गृहपति: सोऽपीन्द्रस्याकरोन्मखम् ॥ २ ॥
Verse text
taṁ nirvartyāgamiṣyāmi
tāvan māṁ pratipālaya
tūṣṇīm āsīd gṛha-patiḥ
so ’pīndrasyākaron makham
tāvan māṁ pratipālaya
tūṣṇīm āsīd gṛha-patiḥ
so ’pīndrasyākaron makham
Synonyms
tam — aquele sacrifício; nirvartya — após terminar; āgamiṣyāmi — voltarei; tāvat — até aquele momento; mām — por mim (Vasiṣṭha); pratipālaya — espera; tūṣṇīm — calado; āsīt — ficou; gṛha-pariḥ — Mahārāja Nimi; saḥ — ele, Vasiṣṭha; api — também; indrasya — do senhor Indra; akarot — executou; makham — o sacrifício.
Translation
“Retornarei aqui após terminar o yajña organizado por Indra. Por favor, espera-me até que eu me exima dessa incumbência.” Mahārāja Nimi ficou calado, e Vasiṣṭha começou a realizar o sacrifício para o senhor Indra.
Devanagari
निमिश्चलमिदं विद्वान् सत्रमारभतात्मवान् ।
ऋत्विग्भिरपरैस्तावन्नागमद् यावता गुरु: ॥ ३ ॥
ऋत्विग्भिरपरैस्तावन्नागमद् यावता गुरु: ॥ ३ ॥
Verse text
nimiś calam idaṁ vidvān
satram ārabhatātmavān
ṛtvigbhir aparais tāvan
nāgamad yāvatā guruḥ
satram ārabhatātmavān
ṛtvigbhir aparais tāvan
nāgamad yāvatā guruḥ
Synonyms
nimiḥ — Mahārāja Nimi; calam — fugaz, sujeita a acabar a qualquer momento; idam — esta (vida); vidvān — estando completamente informado deste fato; satram — o sacrifício; ārabhata — inaugurado; ātmavān — uma pessoa autorrealizada; ṛtvigbhiḥ — pelos sacerdotes; aparaiḥ — outros, e não Vasiṣṭha; tāvat — por enquanto; na — não; āgamat — retornava; yāvatā — o tempo em que; guruḥ — seu mestre espiritual (Vasiṣṭha).
Translation
Mahārāja Nimi, sendo uma alma autorrealizada, considerou que esta vida é fugaz. Portanto, em vez de ficar esperando por Vasiṣṭha, ele começou a realizar o sacrifício com outros sacerdotes.
Purport
SIGNIFICADO—Cāṇakya Paṇḍita diz que śarīraṁ kṣaṇa-vidhvāṁsi kalpānta-sthāyino guṇāḥ: “No mundo material, a vida pode terminar a qualquer momento, mas se, durante esta vida, a pessoa fizer algo útil, essa qualificação é registrada eternamente na história.” Eis uma grande personalidade, Mahārāja Nimi, que conhecia esse fato. Na forma de vida humana, devem-se realizar atividades de uma maneira tal que, no fim, possa-se voltar ao lar, voltar ao Supremo. Isso é autorrealização.
Devanagari
शिष्यव्यतिक्रमं वीक्ष्य तं निर्वर्त्यागतो गुरु: ।
अशपत् पतताद् देहो निमे: पण्डितमानिन: ॥ ४ ॥
अशपत् पतताद् देहो निमे: पण्डितमानिन: ॥ ४ ॥
Verse text
śiṣya-vyatikramaṁ vīkṣya
taṁ nirvartyāgato guruḥ
aśapat patatād deho
nimeḥ paṇḍita-māninaḥ
taṁ nirvartyāgato guruḥ
aśapat patatād deho
nimeḥ paṇḍita-māninaḥ
Synonyms
śiṣya-vyatikramam — o discípulo desviando-se da ordem do guru; vīkṣya — observando; tam — a realização de yajña para Indra; nirvartya — após terminar; āgataḥ — quando ele retornou; guruḥ — Vasiṣṭha Muni; aśapat — amaldiçoou Nimi Mahārāja; patatāt — que desmorone; dehaḥ — o corpo material; nimeḥ — de Mahārāja Nimi; paṇḍita-māninaḥ — que se considera tão erudito (chegando a desobedecer à ordem do seu mestre espiritual).
Translation
Após realizar o sacrifício para o rei Indra, o mestre espiritual Vasiṣṭha retornou e descobriu que seu discípulo Mahārāja Nimi havia desobedecido às suas instruções. Assim, Vasiṣṭha amaldiçoou-o com as seguintes palavras: “Que o corpo material de Nimi, que se considera um erudito, desmorone imediatamente.”
Devanagari
निमि: प्रतिददौ शापं गुरवेऽधर्मवर्तिने ।
तवापि पतताद् देहो लोभाद्धर्ममजानत: ॥ ५ ॥
तवापि पतताद् देहो लोभाद्धर्ममजानत: ॥ ५ ॥
Verse text
nimiḥ pratidadau śāpaṁ
gurave ’dharma-vartine
tavāpi patatād deho
lobhād dharmam ajānataḥ
gurave ’dharma-vartine
tavāpi patatād deho
lobhād dharmam ajānataḥ
Synonyms
nimiḥ — Mahārāja Nimi; pratidadau śāpam — partiu para a desforra; gurave — contra o seu mestre espiritual, Vasiṣṭha; adharma-vartine — que foi induzido a violar os princípios religiosos (porque ele amaldiçoou seu discípulo inocente); tava — teu; api — também; patatāt — que desmorone; dehaḥ — o corpo; lobhāt — devido à cobiça; dharmam — princípios religiosos; ajānataḥ — desconhecendo.
Translation
Como recebera uma maldição que podia ter sido evitada, visto que ele não cometera nenhuma ofensa, Mahārāja Nimi contra-amaldiçoou seu mestre espiritual: “Com o propósito de receber remuneração do rei dos céus”, disse ele, “perdeste tua inteligência religiosa. Portanto, lanço esta maldição: teu corpo também desmoronará.”
Purport
SIGNIFICADO—É o princípio religioso de um brāhmaṇa que ele nunca deve ser cobiçoso. Neste caso, entretanto, a troco de atraentes remunerações do rei dos céus, Vasiṣṭha negligenciou o pedido feito por Mahārāja Nimi neste planeta, e, enquanto Nimi realizava o sacrifício com outros sacerdotes, Vasiṣṭha o amaldiçoou sem necessidade. Quando alguém fica infectado por atividades contaminadas, seu poder, material ou espiritual, é reduzido. Embora fosse o mestre espiritual de Mahārāja Nimi, Vasiṣṭha acabou caindo devido à sua cobiça.
Devanagari
इत्युत्ससर्ज स्वं देहं निमिरध्यात्मकोविद: ।
मित्रावरुणयोर्जज्ञे उर्वश्यां प्रपितामह: ॥ ६ ॥
मित्रावरुणयोर्जज्ञे उर्वश्यां प्रपितामह: ॥ ६ ॥
Verse text
ity utsasarja svaṁ dehaṁ
nimir adhyātma-kovidaḥ
mitrā-varuṇayor jajñe
urvaśyāṁ prapitāmahaḥ
nimir adhyātma-kovidaḥ
mitrā-varuṇayor jajñe
urvaśyāṁ prapitāmahaḥ
Synonyms
iti — assim; utsasarja — abandonou; svam — seu próprio; deham — corpo; nimiḥ — Mahārāja Nimi; adhyātma-kovidaḥ — plenamente versado em conhecimento espiritual; mitrā-varuṇayoḥ — do sêmen de Mitra e Varuṇa (ejaculado ao verem a beleza de Urvaśī); jajñe — nasceu; urvaśyām — através de Urvaśī, uma prostituta do reino celestial; prapitāmahaḥ — Vasiṣṭha, que era conhecido como o bisavô.
Translation
Após pronunciar essas palavras, Mahārāja Nimi, que era hábil na ciência do conhecimento espiritual, abandonou seu corpo. Vasiṣṭha, o bisavô, também abandonou o seu corpo, mas, através do sêmen que Mitra e Varuṇa ejacularam quando viram Urvaśī, ele nasceu novamente.
Purport
SIGNIFICADO—Aconteceu de Mitra e Varuṇa se encontrarem com Urvaśī, a mais bela prostituta do reino celestial, e ficaram luxuriosos. Porque eram grandes santos, eles tentaram controlar sua luxúria, mas não conseguiram atingir seu objetivo e acabaram ejaculando. O sêmen que foi cuidadosamente guardado em um cântaro propiciou o nascimento de Vasiṣṭha.
Devanagari
गन्धवस्तुषु तद् देहं निधाय मुनिसत्तमा: ।
समाप्ते सत्रयागे च देवानूचु: समागतान् ॥ ७ ॥
समाप्ते सत्रयागे च देवानूचु: समागतान् ॥ ७ ॥
Verse text
gandha-vastuṣu tad-dehaṁ
nidhāya muni-sattamāḥ
samāpte satra-yāge ca
devān ūcuḥ samāgatān
nidhāya muni-sattamāḥ
samāpte satra-yāge ca
devān ūcuḥ samāgatān
Synonyms
gandha-vastuṣu — em substâncias muito fragrantes; tat-deham — o corpo de Mahārāja Nimi; nidhāya — tendo preservado; muni-sattamāḥ — todos os grandes sábios ali reunidos; samāpte satra-yāge — no final do sacrifício conhecido pelo nome Satra; ca — também; devān — a todos os semideuses; ūcuḥ — pediram ou falaram; samāgatān — que estavam ali reunidos.
Translation
Durante a realização do yajña, o corpo deixado por Mahārāja Nimi foi conservado em substâncias fragrantes, e, no final do Satra-yāga, os grandes santos e brāhmaṇas fizeram o seguinte pedido a todos os semideuses ali reunidos.
Devanagari
राज्ञो जीवतु देहोऽयं प्रसन्ना: प्रभवो यदि ।
तथेत्युक्ते निमि: प्राह मा भून्मे देहबन्धनम् ॥ ८ ॥
तथेत्युक्ते निमि: प्राह मा भून्मे देहबन्धनम् ॥ ८ ॥
Verse text
rājño jīvatu deho ’yaṁ
prasannāḥ prabhavo yadi
tathety ukte nimiḥ prāha
mā bhūn me deha-bandhanam
prasannāḥ prabhavo yadi
tathety ukte nimiḥ prāha
mā bhūn me deha-bandhanam
Synonyms
rājñaḥ — do rei; jīvatu — possa reviver; dehaḥ ayam — este corpo (agora preservado); prasannāḥ — muito satisfeitos; prabhavaḥ — todos capazes de fazê-lo; yadi — se; tathā — que seja assim; iti — assim; ukte — quando foi respondido (pelos semideuses); nimiḥ — Mahārāja Nimi; prāha — disse; mā bhūt — não façais isso; me — minha; deha-bandhanam — volta ao aprisionamento em um corpo material.
Translation
“Se estiverdes satisfeitos com o sacrifício e se realmente fordes capazes de fazê-lo, por favor, trazei Mahārāja Nimi de volta à vida nesse corpo.” Os semideuses concordaram com o pedido dos sábios, mas Mahārāja Nimi disse: “Por favor, não me aprisioneis novamente em um corpo material!”
Purport
SIGNIFICADO—Os semideuses estão em uma posição muitíssimo superior à dos seres humanos. Portanto, embora também fossem brāhmaṇas poderosos, os grandes santos e sábios pediram que os semideuses fizessem o corpo de Mahārāja Nimi reviver, corpo este que fora preservado em vários bálsamos aromáticos. Ninguém deve pensar que os semideuses são poderosos apenas em desfrutar dos sentidos; eles também são poderosos em proezas tais como ressuscitar um cadáver. Existem muitos desses exemplos na literatura védica. Por exemplo, de acordo com a história de Sāvitrī e Satyavān, Satyavān morreu e estava sendo levado por Yamarāja, mas, a pedido de sua esposa, Sāvitrī, Satyavān foi revivido no mesmo corpo. Este é um fato importante sobre o poder dos semideuses.
Devanagari
यस्य योगं न वाञ्छन्ति वियोगभयकातरा: ।
भजन्ति चरणाम्भोजं मुनयो हरिमेधस: ॥ ९ ॥
भजन्ति चरणाम्भोजं मुनयो हरिमेधस: ॥ ९ ॥
Verse text
yasya yogaṁ na vāñchanti
viyoga-bhaya-kātarāḥ
bhajanti caraṇāmbhojaṁ
munayo hari-medhasaḥ
viyoga-bhaya-kātarāḥ
bhajanti caraṇāmbhojaṁ
munayo hari-medhasaḥ
Synonyms
yasya — com o corpo; yogam — contato; na — não; vāñchanti — os jñānīs desejam; viyoga-bhaya-kātarāḥ — temendo abandonar o corpo novamente; bhajanti — oferecem transcendental serviço amoroso; caraṇa-ambhojam — aos pés de lótus do Senhor; munayaḥ — grandes pessoas santas; hari-medhasaḥ — cuja inteligência está sempre absorta em pensar em Hari, a Suprema Personalidade de Deus.
Translation
Mahārāja Nimi continuou: De um modo geral, os māyāvādīs não querem voltar a aceitar um corpo material porque temem ter de deixá-lo novamente. Mas os devotos cuja inteligência está sempre repleta de serviço ao Senhor não têm esse medo. Na verdade, eles tiram proveito do corpo para prestar transcendental serviço amoroso.
Purport
SIGNIFICADO—Mahārāja Nimi não quis aceitar um corpo material, que seria causa de cativeiro; porque era devoto, ele queria um corpo com o qual pudesse prestar serviço devocional ao Senhor. Śrīla Bhaktivinoda Ṭhākura canta:
janmāobi more icchā yadi tora
bhakta-gṛhe jani janma ha-u mora
kīṭa-janma ha-u yathā tuyā dāsa
bhakta-gṛhe jani janma ha-u mora
kīṭa-janma ha-u yathā tuyā dāsa
“Meu Senhor, se desejais que eu nasça e aceite um corpo material novamente, por favor, fazei-me o seguinte favor: permiti que eu nasça na casa de Vosso servo e devoto. Neste caso, não me importa se eu nasço mesmo como uma criatura tão insignificante como um inseto.” Śrī Caitanya Mahāprabhu também disse:
na dhanaṁ na janaṁ na sundarīṁ
kavitāṁ vā jagadīśa kāmaye
mama janmani janmanīśvare
bhavatād bhaktir ahaitukī tvayi
kavitāṁ vā jagadīśa kāmaye
mama janmani janmanīśvare
bhavatād bhaktir ahaitukī tvayi
“Ó Senhor do universo, não desejo riqueza material, seguidores materialistas, bela esposa ou atividades fruitivas descritas em linguagem florida. Tudo o que desejo, vida após vida, é o imotivado serviço devocional a Ti.” (Śikṣāṣṭaka 4) Dizendo “vida após vida” (janmani janmani), o Senhor não Se referia a um nascimento ordinário, mas a um nascimento no qual a pessoa lembra-se dos pés de lótus do Senhor. Semelhante corpo é desejável. O devoto não pensa como os yogīs e os jñānīs, que não aceitam um corpo material, senão que querem tornar-se unos com a refulgência impessoal Brahman. O devoto não gosta dessa ideia. Ao contrário, ele aceitará qualquer corpo, material ou espiritual, pois deseja apenas servir ao Senhor. Essa é a verdadeira liberação.
Se alguém possui forte desejo de servir realmente ao Senhor, não vê motivo para ansiedade mesmo que aceite um corpo material, pois o devoto, mesmo em um corpo material, é uma alma liberada. Confirma isso Śrīla Rūpa Gosvāmī:
īhā yasya harer dāsye
karmaṇā manasā girā
nikhilāsv apy avasthāsu
jīvan-muktaḥ sa ucyate
karmaṇā manasā girā
nikhilāsv apy avasthāsu
jīvan-muktaḥ sa ucyate
“Aquele que, com seu corpo, mente, inteligência e palavras, age em consciência de Kṛṣṇa (ou, em outras palavras, a serviço a Kṛṣṇa), é uma pessoa liberada mesmo dentro do mundo material, embora possa ocupar-se em muitas atividades aparentemente materiais.” O desejo de servir ao Senhor define a pessoa como liberada, seja qual for sua situação de vida, quer ela esteja em um corpo espiritual, quer esteja em um corpo material. Em um corpo espiritual, o devoto se torna um associado direto do Senhor, mas, muito embora tenha-se a nítida impressão de que o devoto esteja em um corpo material, ele é sempre liberado e está ocupado a serviço do Senhor da mesma maneira que um devoto de Vaikuṇṭhaloka. Não há diferenças. Afirma-se que sādhur jīvo vā maro vā. Quer o devoto esteja vivo, quer esteja morto, seu único interesse é servir ao Senhor. Tyaktvā dehaṁ punar janma naiti mām eti. Ao abandonar o seu corpo, ele se torna diretamente um associado do Senhor e O serve, embora exerça essa mesma atividade mesmo em um corpo material no mundo material.
Para o devoto, não há dor, prazer ou perfeição materiais. Pode-se argumentar que, na hora da morte, o devoto também sofre porque tem de abandonar seu corpo material. A esse respeito, todavia, pode-se dar o exemplo de que, em sua boca, uma gata pode carregar um rato e também pode carregar um filhote de gato. Tanto o rato quanto o filhote são carregados na mesma boca, mas a situação do rato é diferente da do filhote. Ao abandonar seu corpo (tyaktvā deham), o devoto está pronto para voltar ao lar, voltar ao Supremo. Logo, sua situação na certa é diferente daquela de outra pessoa que está sendo levada para ser punida por Yamarāja. A pessoa cuja inteligência sempre se concentra no serviço ao Senhor não teme aceitar um corpo material, ao passo que o não-devoto, não tendo ocupação no serviço ao Senhor, teme muito aceitar um corpo material ou abandonar seu corpo atual. Portanto, devemos seguir as instruções de Caitanya Mahāprabhu: mama janmani janmanīśvare bhavatād bhaktir ahaitukī tvayi. Não importa se recebemos um corpo material ou um corpo espiritual; devemos ter apenas a ambição de servir à Suprema Personalidade de Deus.
Devanagari
देहं नावरुरुत्सेऽहं दु:खशोकभयावहम् ।
सर्वत्रास्य यतो मृत्युर्मत्स्यानामुदके यथा ॥ १० ॥
सर्वत्रास्य यतो मृत्युर्मत्स्यानामुदके यथा ॥ १० ॥
Verse text
dehaṁ nāvarurutse ’haṁ
duḥkha-śoka-bhayāvaham
sarvatrāsya yato mṛtyur
matsyānām udake yathā
duḥkha-śoka-bhayāvaham
sarvatrāsya yato mṛtyur
matsyānām udake yathā
Synonyms
deham — um corpo material; na — não; avarurutse — desejo aceitar; aham — eu; duḥkha-śoka-bhaya-āvaham — que é a causa de toda classe de aflição, lamentação e medo; sarvatra — sempre e em toda parte deste universo; asya — das entidades vivas que aceitaram corpos materiais; yataḥ — porque; mṛtyuḥ — morte; matsyānām — do peixe; udake — vivendo na água; yathā — como.
Translation
Não desejo aceitar um corpo material, pois, em qualquer parte do universo, tal corpo é fonte de toda aflição, lamentação e medo, assim como o é para um peixe na água, que vive sempre em ansiedade porque tem medo de morrer.
Purport
SIGNIFICADO—O corpo material, seja no sistema planetário superior, seja no sistema inferior, está destinado a morrer. No sistema planetário inferior, ou nas espécies de vida inferior, pode-se morrer logo, e nos planetas superiores, ou nas espécies superiores, pode-se viver por muito e muito tempo, mas a morte é inevitável. Deve-se entender esse fato. Na forma de vida humana, deve-se aproveitar a oportunidade e findar nascimento, morte, velhice e doenças, realizando tapasya. Esta é a meta da civilização humana: acabar com os repetidos nascimentos e mortes, chamados mṛtyu-saṁsāra-vartmani. Isso pode ser feito apenas quando alguém é consciente de Kṛṣṇa, ou alcançou o serviço aos pés de lótus do Senhor. Caso contrário, a pessoa deve apodrecer neste mundo material, aceitando corpos materiais sujeitos a nascimento, morte, velhice e doença.
O exemplo dado aqui é que a água é um ótimo lugar para o peixe, mas o peixe nunca está livre da ansiedade relacionada com a morte, pois os peixes grandes sempre estão querendo comer os peixes pequenos. Phalgūni tatra mahatām: todas as entidades vivas são comidas por entidades vivas maiores. Este é o processo da natureza material.
ahastāni sahastānām
apadāni catuṣ-padām
phalgūni tatra mahatāṁ
jīvo jīvasya jīvanam
apadāni catuṣ-padām
phalgūni tatra mahatāṁ
jīvo jīvasya jīvanam
“Aqueles que são desprovidos de mãos são presas daqueles que têm mãos; aqueles que são desprovidos de pernas são presas para os quadrúpedes. O fraco é a subsistência do forte, e é regra geral que um ser vivo é alimento para outro”. (Śrīmad-Bhāgavatam 1.13.47) A Suprema Personalidade de Deus criou o mundo material de tal maneira que uma entidade viva é alimento para outra. Assim, há uma luta pela existência; porém, embora falemos da sobrevivência do mais apto, ninguém pode escapar da morte sem tornar-se devoto do Senhor. Hariṁ vinā naiva sṛtiṁ taranti: sem tornar-se devoto, ninguém pode escapar do ciclo de nascimentos e mortes. Isso também é confirmado na Bhagavad-gītā (9.3). Aprāpya māṁ nivartante mṛtyu-saṁsāravartmani. Quem não se refugia nos pés de lótus de Kṛṣṇa decerto tem de ficar subindo e descendo no ciclo de nascimentos e mortes.
Devanagari
देवा ऊचु:
विदेह उष्यतां कामं लोचनेषु शरीरिणाम् ।
उन्मेषणनिमेषाभ्यां लक्षितोऽध्यात्मसंस्थित: ॥ ११ ॥
विदेह उष्यतां कामं लोचनेषु शरीरिणाम् ।
उन्मेषणनिमेषाभ्यां लक्षितोऽध्यात्मसंस्थित: ॥ ११ ॥
Verse text
devā ūcuḥ
videha uṣyatāṁ kāmaṁ
locaneṣu śarīriṇām
unmeṣaṇa-nimeṣābhyāṁ
lakṣito ’dhyātma-saṁsthitaḥ
videha uṣyatāṁ kāmaṁ
locaneṣu śarīriṇām
unmeṣaṇa-nimeṣābhyāṁ
lakṣito ’dhyātma-saṁsthitaḥ
Synonyms
devāḥ ūcuḥ — os semideuses disseram; videhaḥ — sem nenhum corpo material; uṣyatām — vive; kāmam — como desejares; locaneṣu — na visão; śarīriṇām — daqueles que têm corpos materiais; unmeṣaṇa-nimeṣābhyām — torna-te manifesto ou imanifesto, como desejares; lakṣitaḥ — sendo visto; adhyātma-saṁsthitaḥ — situado em um corpo espiritual.
Translation
Os semideuses disseram: Mahārāja Nimi, podes viver sem um corpo material, ou seja, podes viver em um corpo espiritual, como um associado pessoal da Suprema Personalidade de Deus. De acordo com o teu desejo, podes ser manifesto ou imanifesto para as pessoas comuns, materialmente corporificadas.
Purport
SIGNIFICADO—Os semideuses queriam que Mahārāja Nimi voltasse à vida, mas ele não quis aceitar outro corpo material. Nessas circunstâncias, os semideuses, tendo sido solicitados pelas pessoas santas, deram-lhe a bênção de que ele poderia permanecer em seu corpo espiritual. Existem duas classes de corpos espirituais, como geralmente compreendem os homens comuns. O termo “corpo espiritual” às vezes é aplicado a um corpo de fantasma. Um homem ímpio que morre após atividades pecaminosas às vezes é condenado a não possuir um corpo material grosseiro, composto de cinco elementos materiais, tendo, então, de viver em um corpo sutil, formado de mente, inteligência e ego. Entretanto, como se explica na Bhagavad-gītā, os devotos podem abandonar o corpo material e alcançar um corpo espiritual, que é livre de todos os estigmas materiais, grosseiros ou sutis (tyaktvā dehaṁ punar janma naiti mām eti so ’rjuna). Assim, os semideuses deram ao rei Nimi a bênção de que ele poderia permanecer em um corpo puramente espiritual, livre de toda a contaminação material grosseira ou sutil.
De acordo com o Seu próprio desejo transcendental, a Suprema Personalidade de Deus é visível ou invisível; igualmente, um devoto, sendo jīvan-mukta, pode ou não ser visto, como ele preferir. Como se afirma na Bhagavad-gītā, nāhaṁ prakāśaḥ sarvasya yoga-māyāsamāvṛtaḥ: A Suprema Personalidade de Deus, Kṛṣṇa, não Se manifesta a toda e qualquer pessoa. Para o homem comum, Ele é invisível. Ataḥ śrī-kṛṣṇa-nāmādi na bhaved grāhyam indriyaiḥ: Kṛṣṇa e Seu nome, fama, qualidades e parafernália não podem ser entendidos materialmente. Quem não é avançado em vida espiritual (sevonmukhe hi jihvādau), não pode ver Kṛṣṇa. Portanto, a habilidade de alguém ver Kṛṣṇa depende da misericórdia de Kṛṣṇa. O mesmo privilégio de ser visível ou invisível de acordo com o seu próprio desejo foi outorgado a Mahārāja Nimi. Assim, ele passou a viver em seu corpo espiritual original, como um associado da Suprema Personalidade de Deus.
Devanagari
अराजकभयं नृणां मन्यमाना महर्षय: ।
देहं ममन्थु: स्म निमे: कुमार: समजायत ॥ १२ ॥
देहं ममन्थु: स्म निमे: कुमार: समजायत ॥ १२ ॥
Verse text
arājaka-bhayaṁ nṝṇāṁ
manyamānā maharṣayaḥ
dehaṁ mamanthuḥ sma nimeḥ
kumāraḥ samajāyata
manyamānā maharṣayaḥ
dehaṁ mamanthuḥ sma nimeḥ
kumāraḥ samajāyata
Synonyms
arājaka-bhayam — devido ao medo do perigo de um governo sem regulação; nṝṇām — para a população em geral; manyamānāḥ — ponderando essa situação; mahā-ṛṣayaḥ — os grandes sábios; deham — o corpo; mamanthuḥ — agitaram; sma — no passado; nimeḥ — de Mahārāja Nimi; kumāraḥ — um filho; samajāyata — assim nasceu.
Translation
Em seguida, para que a população fosse salva do perigo de um governo sem regulação, os sábios agitaram o corpo material de Mahārāja Nimi, do qual, como resultado, nasceu um filho.
Purport
SIGNIFICADO—Arājaka-bhayam. Se o governo é instável e desorganizado, há o perigo de a população ficar temerosa. No momento atual, esse perigo sempre existe devido ao governo do povo. Aqui, podemos ver que os grandes sábios obtiveram do corpo material de Nimi um filho para guiar os cidadãos adequadamente, pois essa orientação é dever do kṣatriya. Kṣatriya é aquele que impede que os direitos dos cidadãos sejam violados. No dito governo do povo, não há um rei kṣatriya treinado. Logo que uma pessoa influente consegue votos, ela se torna ministro ou presidente, sem receber nenhuma instrução dos brāhmaṇas eruditos, conhecedores dos śāstras. Na verdade, vemos que, em alguns países, o governo muda de um para outro partido, de modo que os homens encarregados de governar estão mais interessados em proteger sua posição do que em zelar pela felicidade dos cidadãos. A civilização védica prefere a monarquia. As pessoas gostavam do governo do Senhor Rāmacandra, do governo de Mahārāja Yudhiṣṭhira e dos governos de Mahārāja Parīkṣit, Mahārāja Ambarīṣa e Mahārāja Prahlāda. Existem muitos exemplos de excelentes governos conduzidos por monarcas. Gradualmente, o governo democrático está se tornando incapaz de satisfazer os anseios da população, e disso resulta que alguns grupos estão tentando eleger um ditador. Uma ditadura é o mesmo que uma monarquia sem um líder treinado. Na verdade, a população será feliz quando um líder treinado, seja um monarca, seja um ditador, assumir controle do governa e reger a população de acordo com as leis estabelecidas nas escrituras autorizadas.
Devanagari
जन्मना जनक: सोऽभूद् वैदेहस्तु विदेहज: ।
मिथिलो मथनाज्जातो मिथिला येन निर्मिता ॥ १३ ॥
मिथिलो मथनाज्जातो मिथिला येन निर्मिता ॥ १३ ॥
Verse text
janmanā janakaḥ so ’bhūd
vaidehas tu videhajaḥ
mithilo mathanāj jāto
mithilā yena nirmitā
vaidehas tu videhajaḥ
mithilo mathanāj jāto
mithilā yena nirmitā
Synonyms
janmanā — pelo nascimento; janakaḥ — nascido de maneira incomum, e não pelo processo habitual; saḥ — ele; abhūt — tornou-se; vaidehaḥ — também conhecido como Vaideha; tu — mas; videha-jaḥ — porque nasceu do corpo de Mahārāja Nimi, que havia deixado o seu corpo material; mithilaḥ — também se tornou conhecido como Mithila; mathanāt — porque nasceu ao agitarem o corpo de seu pai; jātaḥ — assim nascido; mithilā — o reino chamado Mithilā; yena — por quem (Janaka); nirmitā — foi construído.
Translation
Visto que nasceu de maneira inabitual, o filho foi chamado de Janaka, e porque nasceu do corpo morto de seu pai, era conhecido como Vaideha. Como nasceu ao ser batido o corpo material de seu pai, ele era conhecido como Mithila, e porque quando era o rei Mithila construiu uma cidade, a cidade foi chamada Mithilā.
Devanagari
तस्मादुदावसुस्तस्य पुत्रोऽभून्नन्दिवर्धन: ।
तत: सुकेतुस्तस्यापि देवरातो महीपते ॥ १४ ॥
तत: सुकेतुस्तस्यापि देवरातो महीपते ॥ १४ ॥
Verse text
tasmād udāvasus tasya
putro ’bhūn nandivardhanaḥ
tataḥ suketus tasyāpi
devarāto mahīpate
putro ’bhūn nandivardhanaḥ
tataḥ suketus tasyāpi
devarāto mahīpate
Synonyms
tasmāt — de Mithila; udāvasuḥ — um filho chamado Udāvasu; tasya — dele (Udāvasu); putraḥ — filho; abhūt — nasceu; nandivardhanaḥ — Nandivardhana; tataḥ — dele (Nandivardhana); suketuḥ — um filho chamado Suketu; tasya — dele (Suketu); api — também; devarātaḥ — um filho chamado Devarāta; mahīpate — ó rei Parīkṣit.
Translation
De Mithila, ó rei Parīkṣit, surgiu um filho chamado Udāvasu; de Udāvasu, Nandivardhana; de Nandivardhana, Suketu, e de Suketu, Devarāta.
Devanagari
तस्माद् बृहद्रथस्तस्य महावीर्य: सुधृत्पिता ।
सुधृतेर्धृष्टकेतुर्वै हर्यश्वोऽथ मरुस्तत: ॥ १५ ॥
सुधृतेर्धृष्टकेतुर्वै हर्यश्वोऽथ मरुस्तत: ॥ १५ ॥
Verse text
tasmād bṛhadrathas tasya
mahāvīryaḥ sudhṛt-pitā
sudhṛter dhṛṣṭaketur vai
haryaśvo ’tha marus tataḥ
mahāvīryaḥ sudhṛt-pitā
sudhṛter dhṛṣṭaketur vai
haryaśvo ’tha marus tataḥ
Synonyms
tasmāt — de Devarāta; bṛhadrathaḥ — um filho chamado Bṛhadratha; tasya — dele (Bṛhadratha); mahāvīryaḥ — um filho chamado Mahāvīrya; sudhṛt-pitā — ele se tornou o pai do rei Sudhṛti; sudhṛteḥ — de Sudhṛti; dhṛṣṭaketuḥ — um filho chamado Dhṛṣṭaketu; vai — na verdade; haryaśvaḥ — seu filho foi Haryaśva; atha — depois disso; maruḥ — Maru; tataḥ — em seguida.
Translation
De Devarāta, veio um filho chamado Bṛhadratha e, deste, um filho chamado Mahāvīrya, que se tornou o pai de Sudhṛti. O filho de Sudhṛti era conhecido como Dhṛṣṭaketu, e de Dhṛṣṭaketu veio Haryaśva. De Haryaśva, veio um filho chamado Maru.
Devanagari
मरो: प्रतीपकस्तस्माज्जात: कृतरथो यत: ।
देवमीढस्तस्य पुत्रो विश्रुतोऽथ महाधृति: ॥ १६ ॥
देवमीढस्तस्य पुत्रो विश्रुतोऽथ महाधृति: ॥ १६ ॥
Verse text
maroḥ pratīpakas tasmāj
jātaḥ kṛtaratho yataḥ
devamīḍhas tasya putro
viśruto ’tha mahādhṛtiḥ
jātaḥ kṛtaratho yataḥ
devamīḍhas tasya putro
viśruto ’tha mahādhṛtiḥ
Synonyms
maroḥ — de Maru; pratīpakaḥ — um filho chamado Pratīpaka; tasmāt — de Pratīpaka; jātaḥ — nasceu; kṛtarathaḥ — um filho chamado Kṛtaratha; yataḥ — e de Kṛtaratha; devamīḍhaḥ — Devamīḍha; tasya — de Devamīḍha; putraḥ — um filho; viśrutaḥ — Viśruta; atha — dele; mahādhṛtiḥ — um filho chamado Mahādhṛti.
Translation
O filho de Maru foi Pratīpaka, e o filho de Pratīpaka foi Kṛtaratha. De Kṛtaratha, veio Devamīḍha; de Devamīḍha, Viśruta, e de Viśruta, Mahādhṛti.
Devanagari
कृतिरातस्ततस्तस्मान्महारोमा च तत्सुत: ।
स्वर्णरोमा सुतस्तस्य ह्रस्वरोमा व्यजायत ॥ १७ ॥
स्वर्णरोमा सुतस्तस्य ह्रस्वरोमा व्यजायत ॥ १७ ॥
Verse text
kṛtirātas tatas tasmān
mahāromā ca tat-sutaḥ
svarṇaromā sutas tasya
hrasvaromā vyajāyata
mahāromā ca tat-sutaḥ
svarṇaromā sutas tasya
hrasvaromā vyajāyata
Synonyms
Translation
De Mahādhṛti, nasceu um filho chamado Kṛtirāta; de Kṛtirāta, nasceu Mahāromā; de Mahāromā, veio um filho chamado Svarṇaromā, e de Svarṇaromā, veio Hrasvaromā.
Devanagari
तत: शीरध्वजो जज्ञे यज्ञार्थं कर्षतो महीम् ।
सीता शीराग्रतो जाता तस्मात् शीरध्वज: स्मृत: ॥ १८ ॥
सीता शीराग्रतो जाता तस्मात् शीरध्वज: स्मृत: ॥ १८ ॥
Verse text
tataḥ śīradhvajo jajñe
yajñārthaṁ karṣato mahīm
sītā śīrāgrato jātā
tasmāt śīradhvajaḥ smṛtaḥ
yajñārthaṁ karṣato mahīm
sītā śīrāgrato jātā
tasmāt śīradhvajaḥ smṛtaḥ
Synonyms
tataḥ — de Hrasvaromā; śīradhvajaḥ — um filho chamado Śīradhvaja; jajñe — nasceu; yajña-artham — para realizar sacrifícios; karṣataḥ — enquanto arava o campo; mahīm — a terra; sītā — mãe Sītā, esposa do Senhor Rāmacandra; śīra-agrataḥ — da parte dianteira do arado; jātā — nasceu; tasmāt — portanto; śīradhvajaḥ — era conhecido como Śīradhvaja; smṛtaḥ — célebre.
Translation
De Hrasvaromā, veio um filho chamado Śīradhvaja [também chamado Janaka]. Quando Śīradhvaja estava arando um campo, da parte dianteira de seu arado [śīra] apareceu uma filha chamada Sītādevī, que, mais tarde, tornou-se a esposa do Senhor Rāmacandra. Assim, ele era conhecido como Śīradhvaja.
Devanagari
कुशध्वजस्तस्य पुत्रस्ततो धर्मध्वजो नृप: ।
धर्मध्वजस्य द्वौ पुत्रौ कृतध्वजमितध्वजौ ॥ १९ ॥
धर्मध्वजस्य द्वौ पुत्रौ कृतध्वजमितध्वजौ ॥ १९ ॥
Verse text
kuśadhvajas tasya putras
tato dharmadhvajo nṛpaḥ
dharmadhvajasya dvau putrau
kṛtadhvaja-mitadhvajau
tato dharmadhvajo nṛpaḥ
dharmadhvajasya dvau putrau
kṛtadhvaja-mitadhvajau
Synonyms
kuśadhvajaḥ — Kuśadhvaja; tasya — de Śīradhvaja; putraḥ — filho; tataḥ — dele; dharmadhvajaḥ — Dharmadhvaja; nṛpaḥ — o rei; dharmadhvajasya — deste Dharmadhvaja; dvau — dois; putrau — filhos; kṛtadhvaja-mitadhvajau — Kṛtadhvaja e Mitadhvaja.
Translation
O filho de Śīradhvaja foi Kuśadhvaja, e o filho de Kuśadhvaja foi o rei Dharmadhvaja, que teve dois filhos, a saber, Kṛtadhvaja e Mitadhvaja.
Devanagari
कृतध्वजात् केशिध्वज: खाण्डिक्यस्तु मितध्वजात् ।
कृतध्वजसुतो राजन्नात्मविद्याविशारद: ॥ २० ॥
खाण्डिक्य: कर्मतत्त्वज्ञो भीत: केशिध्वजाद्द्रुत: ।
भानुमांस्तस्य पुत्रोऽभूच्छतद्युम्नस्तु तत्सुत: ॥ २१ ॥
कृतध्वजसुतो राजन्नात्मविद्याविशारद: ॥ २० ॥
खाण्डिक्य: कर्मतत्त्वज्ञो भीत: केशिध्वजाद्द्रुत: ।
भानुमांस्तस्य पुत्रोऽभूच्छतद्युम्नस्तु तत्सुत: ॥ २१ ॥
Verse text
kṛtadhvajāt keśidhvajaḥ
khāṇḍikyas tu mitadhvajāt
kṛtadhvaja-suto rājann
ātma-vidyā-viśāradaḥ
khāṇḍikyas tu mitadhvajāt
kṛtadhvaja-suto rājann
ātma-vidyā-viśāradaḥ
khāṇḍikyaḥ karma-tattva-jño
bhītaḥ keśidhvajād drutaḥ
bhānumāṁs tasya putro ’bhūc
chatadyumnas tu tat-sutaḥ
bhītaḥ keśidhvajād drutaḥ
bhānumāṁs tasya putro ’bhūc
chatadyumnas tu tat-sutaḥ
Synonyms
kṛtadhvajāt — de Kṛtadhvaja; keśidhvajaḥ — um filho chamado Keśidhvaja; khāṇḍikyaḥ tu — também um filho chamado Khāṇḍikya; mitadhvajāt — de Mitadhvaja; kṛtadhvaja-sutaḥ — o filho de Kṛtadhvaja; rājan — ó rei; ātma-vidyā-viśāradaḥ — perito na ciência transcendental; khāṇḍikyaḥ — o rei Khāṇḍikya; karma-tattva-jñaḥ — hábil nas cerimônias ritualísticas védicas; bhītaḥ — temendo; keśidhvajāt — por causa de Keśidhvaja; drutaḥ — ele fugiu; bhānumān — Bhānumān; tasya — de Keśidhvaja; putraḥ — filho; abhūt — houve; śatadyumnaḥ — Śatadyumna; tu — mas; tat-sutaḥ — o filho de Bhānumān.
Translation
Ó Mahārāja Parīkṣit, o filho de Kṛtadhvaja foi Keśidhvaja, e o filho de Mitadhvaja foi Khāṇḍikya. O filho de Kṛtadhvaja era perito em conhecimento espiritual, e o filho de Mitadhvaja era hábil em cerimônias ritualísticas védicas. Khāṇḍikya fugiu com medo de Keśidhvaja. O filho de Keśidhvaja foi Bhānumān, e o filho de Bhānumān foi Śatadyumna.
Devanagari
शुचिस्तुतनयस्तस्मात् सनद्वाज: सुतोऽभवत् ।
ऊर्जकेतु: सनद्वाजादजोऽथ पुरुजित्सुत: ॥ २२ ॥
ऊर्जकेतु: सनद्वाजादजोऽथ पुरुजित्सुत: ॥ २२ ॥
Verse text
śucis tu tanayas tasmāt
sanadvājaḥ suto ’bhavat
ūrjaketuḥ sanadvājād
ajo ’tha purujit sutaḥ
sanadvājaḥ suto ’bhavat
ūrjaketuḥ sanadvājād
ajo ’tha purujit sutaḥ
Synonyms
Translation
O filho de Śatadyumna chamava-se Śuci. De Śuci, nasceu Sanadvāja, e de Sanadvāja veio um filho chamado Ūrjaketu. O filho de Ūrjaketu foi Aja, e o filho de Aja foi Purujit.
Devanagari
अरिष्टनेमिस्तस्यापि श्रुतायुस्तत्सुपार्श्वक: ।
ततश्चित्ररथो यस्य क्षेमाधिर्मिथिलाधिप: ॥ २३ ॥
ततश्चित्ररथो यस्य क्षेमाधिर्मिथिलाधिप: ॥ २३ ॥
Verse text
ariṣṭanemis tasyāpi
śrutāyus tat supārśvakaḥ
tataś citraratho yasya
kṣemādhir mithilādhipaḥ
śrutāyus tat supārśvakaḥ
tataś citraratho yasya
kṣemādhir mithilādhipaḥ
Synonyms
ariṣṭanemiḥ — Ariṣṭanemi; tasya api — também de Purujit; śrutāyuḥ — um filho chamado Śrutāyu; tat — e dele; supārśvakaḥ — Supārśvaka; tataḥ — de Supārśvaka; citrarathaḥ — Citraratha; yasya — de quem (Citraratha); kṣemādhiḥ — Kṣemādhi; mithitā-adhipaḥ — tornou-se o rei de Mithilā.
Translation
O filho de Purujit foi Ariṣṭanemi, cujo filho foi Śrutāyu. Śrutāyu gerou um filho chamado Supārśvaka, e Supārśvaka gerou Citraratha. O filho de Citraratha foi Kṣemādhi, que se tornou o rei de Mithilā.
Devanagari
तस्मात् समरथस्तस्य सुत: सत्यरथस्तत: ।
आसीदुपगुरुस्तस्मादुपगुप्तोऽग्निसम्भव: ॥ २४ ॥
आसीदुपगुरुस्तस्मादुपगुप्तोऽग्निसम्भव: ॥ २४ ॥
Verse text
tasmāt samarathas tasya
sutaḥ satyarathas tataḥ
āsīd upagurus tasmād
upagupto ’gni-sambhavaḥ
sutaḥ satyarathas tataḥ
āsīd upagurus tasmād
upagupto ’gni-sambhavaḥ
Synonyms
Translation
O filho de Kṣemādhi foi Samaratha, cujo filho foi Satyaratha. O filho de Satyaratha foi Upaguru, e o filho de Upaguru foi Upagupta, uma expansão parcial do deus do fogo.
Devanagari
वस्वनन्तोऽथ तत्पुत्रो युयुधो यत् सुभाषण: ।
श्रुतस्ततो जयस्तस्माद् विजयोऽस्मादृत: सुत: ॥ २५ ॥
श्रुतस्ततो जयस्तस्माद् विजयोऽस्मादृत: सुत: ॥ २५ ॥
Verse text
vasvananto ’tha tat-putro
yuyudho yat subhāṣaṇaḥ
śrutas tato jayas tasmād
vijayo ’smād ṛtaḥ sutaḥ
yuyudho yat subhāṣaṇaḥ
śrutas tato jayas tasmād
vijayo ’smād ṛtaḥ sutaḥ
Synonyms
vasvanantaḥ — Vasvananta; atha — em seguida (o filho de Upagupta); tat-putraḥ — seu filho; yuyudhaḥ — chamado Yuyudha; yat — de Yuyudha; subhāṣaṇaḥ — um filho chamado Subhāṣaṇa; śrutaḥ tataḥ — e o filho de Subhāṣaṇa foi Śruta; jayaḥ tasmāt — o filho de Śruta foi Jaya; vijayaḥ — um filho chamado Vijaya; asmāt — de Jaya; ṛtaḥ — Ṛta; sutaḥ — um filho.
Translation
O filho de Upagupta foi Vasvananta, o filho de Vasvananta foi Yuyudha, o filho de Yuyudha foi Subhāṣaṇa, e o filho de Subhāṣaṇa foi Śruta. O filho de Śruta foi Jaya, de quem surgiu Vijaya. O filho de Vijaya foi Ṛta.
Devanagari
शुनकस्तत्सुतो जज्ञे वीतहव्यो धृतिस्तत: ।
बहुलाश्वो धृतेस्तस्य कृतिरस्य महावशी ॥ २६ ॥
बहुलाश्वो धृतेस्तस्य कृतिरस्य महावशी ॥ २६ ॥
Verse text
śunakas tat-suto jajñe
vītahavyo dhṛtis tataḥ
bahulāśvo dhṛtes tasya
kṛtir asya mahāvaśī
vītahavyo dhṛtis tataḥ
bahulāśvo dhṛtes tasya
kṛtir asya mahāvaśī
Synonyms
Translation
O filho de Ṛta foi Śunaka, o filho de Śunaka foi Vītahavya, o filho de Vītahavya foi Dhṛti, e o filho de Dhṛti foi Bahulāśva. O filho de Bahulāśva foi Kṛti, cujo filho foi Mahāvaśī.
Devanagari
एते वै मैथिला राजन्नात्मविद्याविशारदा: ।
योगेश्वरप्रसादेन द्वन्द्वैर्मुक्ता गृहेष्वपि ॥ २७ ॥
योगेश्वरप्रसादेन द्वन्द्वैर्मुक्ता गृहेष्वपि ॥ २७ ॥
Verse text
ete vai maithilā rājann
ātma-vidyā-viśāradāḥ
yogeśvara-prasādena
dvandvair muktā gṛheṣv api
ātma-vidyā-viśāradāḥ
yogeśvara-prasādena
dvandvair muktā gṛheṣv api
Synonyms
ete — todos eles; vai — na verdade; maithilāḥ — os descendentes de Mithila; rājan — ó rei; ātma-vidyā-viśāradāḥ — hábeis no conhecimento espiritual; yogeśvara-prasādena — pela graça de Yogeśvara, a Suprema Personalidade de Deus, Kṛṣṇa; dvandvaiḥ muktāḥ — todos eles estavam livres da dualidade existente no mundo material; gṛheṣu api — embora vivessem no lar.
Translation
Śukadeva Gosvāmī disse: Meu querido rei Parīkṣit, todos os reis da dinastia de Mithila conheciam por completo sua identidade espiritual. Portanto, muito embora vivessem no lar, estavam livres da dualidade presente na existência material.
Purport
SIGNIFICADO—Este mundo material chama-se dvaita, ou dualidade. O Caitanya-caritāmṛta (Antya 4.176) diz:
‘dvaite’ bhadrābhadra-jñāna, saba — ‘manodharma’
‘ei bhāla, ei manda,’ — ei saba ‘bhrama’
‘ei bhāla, ei manda,’ — ei saba ‘bhrama’
No mundo das dualidades – isto é, no mundo material –, os ditos bem e mal são a mesma coisa. Neste mundo, portanto, distinguir entre bom e ruim, felicidade e aflição, não faz o menor sentido, visto que um e outro são invenções mentais (manodharma). Porque tudo aqui é doloroso e problemático, criar uma situação artificial e ficar fingindo que ela é plena de felicidade é mera ilusão. A pessoa liberada, estando acima da influência exercida pelos três modos da natureza material, em nenhuma circunstância deixa-se afetar por essas dualidades. Ela permanece consciente de Kṛṣṇa, tolerando a aparente felicidade e infelicidade. Também se confirma isso na Bhagavad-gītā (2.14):
mātrā-sparśās tu kaunteya
śītoṣṇa-sukha-duḥkhadāḥ
āgamāpāyino ’nityās
tāṁs titikṣasva bhārata
śītoṣṇa-sukha-duḥkhadāḥ
āgamāpāyino ’nityās
tāṁs titikṣasva bhārata
“Ó filho de Kuntī, o aparecimento transitório de felicidade e aflição, bem como o seu desaparecimento no devido tempo, são como o aparecimento e desaparecimento das estações de inverno e verão. Surgem da percepção sensorial, ó descendente de Bharata, e é preciso aprender a tolerá-los sem se perturbar.” Aqueles que são liberados, estando na plataforma em que se presta serviço ao Senhor, não se importam com a aparente felicidade e aflição. Eles sabem que esses eventos são como as mudanças das estações, que são perceptíveis devido ao contato com o corpo material. A felicidade e a infelicidade vêm e vão. Portanto, o paṇḍita, o homem erudito, não se importa com elas. Como se declara: gatāsūn agatāsūṁś ca nānuśocanti paṇḍitāḥ. Como é um monte de matéria, o corpo está morto desde o início. Ele não tem sentimentos de felicidade e aflição. Porque está no conceito de vida corpórea, a alma dentro do corpo passa por felicidade e aflição, mas essas sensações vêm e vão. Nesta passagem, compreende-se que os reis nascidos na dinastia de Mithila eram todos liberados, não afetados pela aparente felicidade e infelicidade deste mundo.
Neste ponto, encerram-se os Significados Bhaktivedanta do nono canto, décimo terceiro capítulo, do Śrīmad-Bhāgavatam, intitulado “A Dinastia de Mahārāja Nimi”.