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Devanagari
Verse Text
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Translation
Purport
CAPÍTULO VINTE E OITO
Kṛṣṇa Liberta Nanda Mahārāja da Morada de Varuṇa
Este capítulo descreve como o Senhor Kṛṣṇa trouxe Nanda Mahārāja de volta da morada de Varuṇa e como os vaqueiros viram Vaikuṇṭha.
O rei dos vaqueiros, Nanda Mahārāja, observou o jejum prescrito do décimo primeiro dia do mês lunar e, então, considerou como quebrar o jejum da maneira certa no décimo segundo dia. Por acaso, faltavam apenas alguns minutos, então ele decidiu tomar seu banho bem no fim da noite, embora, segundo a astrologia, fosse um momento inauspicioso. Assim ele entrou na água do Yamunā. Um servo de Varuṇa, o semideus do oceano, observou Nanda Mahārāja entrar na água em um momento proibido pela escritura e levou-o para a morada do semideus. De manhã bem cedo, os vaqueiros procuraram Nanda sem obter sucesso, mas o Senhor Kṛṣṇa logo entendeu a situação e foi encontrar-Se com Varuṇa. Varuṇa adorou Kṛṣṇa com grande e variada festividade. Em seguida, ele rogou ao Senhor que perdoasse seu servo por ter tolamente prendido o rei dos vaqueiros.
Nanda admirou-se de ver a influência que Śrī Kṛṣṇa exercia na corte de Varuṇadeva e, depois de voltar para casa, ele descreveu suas experiências a seus amigos e parentes. Todos eles pensaram que Kṛṣṇa devia ser a própria Suprema Personalidade de Deus e quiseram ver Sua morada suprema. Em consequência disso, a onisciente Personalidade de Deus providenciou para que eles se banhassem no mesmo lago onde Akrūra teria sua visão da Verdade Absoluta. Ali, o Senhor lhes revelou Brahmaloka, que é concebido por grandes sábios em seu transe místico.
Devanagari
श्रीबादरायणिरुवाच
एकादश्यां निराहार: समभ्यर्च्य जनार्दनम् । स्नातुं नन्दस्तु कालिन्द्यां द्वादश्यां जलमाविशत् ॥ १ ॥
एकादश्यां निराहार: समभ्यर्च्य जनार्दनम् । स्नातुं नन्दस्तु कालिन्द्यां द्वादश्यां जलमाविशत् ॥ १ ॥
Verse text
śrī-bādarāyaṇir uvāca
ekādaśyāṁ nirāhāraḥ
samabhyarcya janārdanam
snātuṁ nandas tu kālindyāṁ
dvādaśyāṁ jalam āviśat
ekādaśyāṁ nirāhāraḥ
samabhyarcya janārdanam
snātuṁ nandas tu kālindyāṁ
dvādaśyāṁ jalam āviśat
Synonyms
śrī-bādarāyaṇiḥ uvāca — Śrī Bādarāyaṇi (Śukadeva Gosvāmī) disse; ekādaśyām — no Ekādaśī (o décimo primeiro dia do mês lunar); nirāhāraḥ — jejuando; samabhyarcya — tendo adorado; janārdanam — o Senhor Janārdana, a Suprema Personalidade de Deus; snātum — a fim de banhar-se (antes de quebrar o jejum no seu encerramento prescrito); nandaḥ — Nanda Mahārāja; tu — mas; kālindyām — no rio Yamunā; dvādaśyām — no décimo segundo dia; jalam — na água; āviśat — entrou.
Translation
Śrī Bādarāyaṇi disse: Tendo adorado o Senhor Janārdana e jejuado no dia de Ekādaśī, Nanda Mahārāja entrou na água do Kālindī no dia de Dvādaśī para se banhar.
Devanagari
तं गृहीत्वानयद् भृत्यो वरुणस्यासुरोऽन्तिकम् । अवज्ञायासुरीं वेलां प्रविष्टमुदकं निशि ॥ २ ॥
Verse text
taṁ gṛhītvānayad bhṛtyo
varuṇasyāsuro ’ntikam
avajñāyāsurīṁ velāṁ
praviṣṭam udakaṁ niśi
varuṇasyāsuro ’ntikam
avajñāyāsurīṁ velāṁ
praviṣṭam udakaṁ niśi
Synonyms
tam — a ele; gṛhītvā — capturando; anayat — levou; bhṛtyaḥ — um servo; varuṇasya — de Varuṇa, o senhor do mar; asuraḥ — demônio; antikam — à presença (de seu amo); avajñāya — que menosprezara; āsurīm — o inauspicioso; velām — momento; praviṣṭam — tendo entrado; udakam — na água; niśi — durante a noite.
Translation
Porque Nanda Mahārāja entrou na água na calada da noite, menosprezando que o momento era inauspicioso, um servo demoníaco de Varuṇa o capturou e o levou a seu amo.
Purport
SIGNIFICADO—Nanda Mahārāja pretendia quebrar o jejum durante o dia de Dvādaśī, para o qual só faltavam alguns minutos. Então, entrou na água para se banhar em um momento inauspicioso, antes de aparecerem os primeiros raios de luz da aurora.
Aqui se diz que o servo de Varuṇa que aprisionou Nanda Mahārāja era um asura, ou demônio, por razões óbvias. Primeiro, o servo era um tolo que ignorava a posição de Nanda Mahārāja como pai da Suprema Verdade Absoluta em Seu passatempo. Além disso, a intenção de Nanda Mahārāja era cumprir os preceitos da escritura; logo, o servo de Varuṇa não devia ter prendido Nanda em razão da alegação técnica de que ele se banhava no Yamunā em um momento inauspicioso. Mais adiante neste capítulo, o próprio Varuṇa dirá que ajānatā māmakena mūḍhena: “Isso foi feito por meu servo ignorante, que é um tolo.” Esse servo tolo não compreendia a posição de Kṛṣṇa, nem de Nanda Mahārāja nem do serviço devocional ao Senhor.
Em conclusão, é claro que o Senhor Kṛṣṇa queria dar uma audiência pessoal a Varuṇa e, ao mesmo tempo, cumprir outros propósitos didáticos. Agora se desenrolará este maravilhoso passatempo.
Devanagari
चुक्रुशुस्तमपश्यन्त: कृष्ण रामेति गोपका: । भगवांस्तदुपश्रुत्य पितरं वरुणाहृतम् । तदन्तिकं गतो राजन्स्वानामभयदो विभु: ॥ ३ ॥
Verse text
cukruśus tam apaśyantaḥ
kṛṣṇa rāmeti gopakāḥ
bhagavāṁs tad upaśrutya
pitaraṁ varuṇāhṛtam
tad-antikaṁ gato rājan
svānām abhaya-do vibhuḥ
kṛṣṇa rāmeti gopakāḥ
bhagavāṁs tad upaśrutya
pitaraṁ varuṇāhṛtam
tad-antikaṁ gato rājan
svānām abhaya-do vibhuḥ
Synonyms
cukruśuḥ — chamaram em voz alta; tam — a ele, Nanda; apaśyantaḥ — não vendo; kṛṣṇa — ó Kṛṣṇa; rāma — ó Rāma; iti — assim; gopakāḥ — os vaqueiros; bhagavān — o Senhor Supremo, Kṛṣṇa; tat — isto; upaśrutya — ouvindo; pitaram — Seu pai; varuṇa — por Varuṇa; āhṛtam — levado embora; tat — de Varuṇa; antikam — à presença; gataḥ — foi; rājan — meu querido rei Parīkṣit; svānām — de Seus próprios devotos; abhaya — o destemor; daḥ — aquele que dá; vibhuḥ — o Senhor onipotente.
Translation
Ó rei, não vendo Nanda Mahārāja, os vaqueiros gritaram em voz alta: “Ó Kṛṣṇa! Ó Rāma!” O Senhor Kṛṣṇa ouviu seus gritos e compreendeu que Seu pai fora capturado por Varuṇa. Por isso, o Senhor onipotente, que torna destemidos os Seus devotos, foi à corte de Varuṇadeva.
Purport
SIGNIFICADO—Viśvanātha Cakravartī Ṭhākura explica que, quando foi ao rio se banhar, Nanda Mahārāja estava acompanhado de vários vaqueiros. Porque Nanda não saiu da água, eles começaram a gritar, e o Senhor Kṛṣṇa logo foi até lá. Entendendo a situação, Śrī Kṛṣṇa entrou na água e foi à corte do semideus Varuṇa, determinado a libertar Seu pai e os outros vaqueiros do temor a um mero semideus.
Devanagari
प्राप्तं वीक्ष्य हृषीकेशं लोकपाल: सपर्यया । महत्या पूजयित्वाह तद्दर्शनमहोत्सव: ॥ ४ ॥
Verse text
prāptaṁ vīkṣya hṛṣīkeśaṁ
loka-pālaḥ saparyayā
mahatyā pūjayitvāha
tad-darśana-mahotsavaḥ
loka-pālaḥ saparyayā
mahatyā pūjayitvāha
tad-darśana-mahotsavaḥ
Synonyms
prāptam — chegado; vīkṣya — vendo; hṛṣīkeśam — o Senhor Kṛṣṇa, o controlador dos sentidos; loka — aquele planeta (as regiões aquáticas); pālaḥ — a deidade que preside (Varuṇa); saparyayā — com respeitosas oferendas; mahatyā — elaboradas; pūjayitvā — adoração; āha — falou; tat — do Senhor Kṛṣṇa; darśana — da visão; mahā — grande; utsavaḥ — jubilante prazer.
Translation
Vendo que o Senhor, Hṛṣīkeśa, chegara, o semideus Varuṇa adorou-O com esmeradas oferendas. Absorto em estado de grande júbilo por ver o Senhor, Varuṇa falou o seguinte.
Devanagari
श्रीवरुण उवाच
अद्य मे निभृतो देहोऽद्यैवार्थोऽधिगत: प्रभो । त्वत्पादभाजो भगवन्नवापु: पारमध्वन: ॥ ५ ॥
अद्य मे निभृतो देहोऽद्यैवार्थोऽधिगत: प्रभो । त्वत्पादभाजो भगवन्नवापु: पारमध्वन: ॥ ५ ॥
Verse text
śrī-varuṇa uvāca
adya me nibhṛto deho
’dyaivārtho ’dhigataḥ prabho
tvat-pāda-bhājo bhagavann
avāpuḥ pāram adhvanaḥ
adya me nibhṛto deho
’dyaivārtho ’dhigataḥ prabho
tvat-pāda-bhājo bhagavann
avāpuḥ pāram adhvanaḥ
Synonyms
śrī-varuṇaḥ uvāca — Śrī Varuṇa disse; adya — hoje; me — por mim; nibhṛtaḥ — é levado com êxito; dehaḥ — meu corpo material; adya — hoje; eva — de fato; arthaḥ — a meta da vida; adhigataḥ — é experimentada; prabho — ó Senhor; tvat — Vossos; pāda — os pés de lótus; bhājaḥ — aqueles que servem; bhagavan — ó Suprema Personalidade de Deus; avāpuḥ — alcançaram; pāram — o estado de transcendência; adhvanaḥ — do caminho (da existência material).
Translation
Śrī Varuṇa disse: Agora meu corpo cumpriu sua função. De fato, agora alcancei a meta da vida, ó Senhor. Aqueles que aceitam Vossos pés de lótus, ó Personalidade de Deus, podem transcender o caminho da existência material.
Purport
SIGNIFICADO—Varuṇa exclama em êxtase nesta passagem que, como agora viu o corpo infinitamente esplendoroso do Senhor Kṛṣṇa, o incômodo de assumir um corpo material teve sua justificação suprema. De fato, o artha, a meta ou verdadeiro valor da vida de Varuṇa, agora fora alcançado. Porque a forma do Senhor Kṛṣṇa é transcendental, aqueles que aceitam Seus pés de lótus ultrapassam os limites da existência material; logo, só os que carecem de conhecimento espiritual presumiriam que os pés de lótus do Senhor são materiais.
Devanagari
नमस्तुभ्यं भगवते ब्रह्मणे परमात्मने । न यत्र श्रूयते माया लोकसृष्टिविकल्पना ॥ ६ ॥
Verse text
namas tubhyaṁ bhagavate
brahmaṇe paramātmane
na yatra śrūyate māyā
loka-sṛṣṭi-vikalpanā
brahmaṇe paramātmane
na yatra śrūyate māyā
loka-sṛṣṭi-vikalpanā
Synonyms
namaḥ — reverências; tubhyam — a Vós; bhagavate — à Suprema Personalidade de Deus; brahmaṇe — a Verdade Absoluta; parama-ātmane — a Alma Suprema; na — não; yatra — em quem; śrūyate — se ouve falar de; māyā — a energia material ilusória; loka — deste mundo; sṛṣṭi — a criação; vikalpanā — que planeja.
Translation
Minhas reverências a Vós, a Suprema Personalidade de Deus, a Verdade Absoluta, a Alma Suprema, dentro de quem não há vestígio da energia ilusória e que orquestra a criação deste mundo.
Purport
SIGNIFICADO—A palavra śrūyate é significativa neste contexto. O śruti, ou literatura védica, consiste em declarações autorizadas do próprio Senhor ou de Seus representantes iluminados. Portanto, nem o Senhor nem autoridades espirituais reconhecidas jamais diriam que existe o defeito da ilusão na Verdade Absoluta, a Personalidade de Deus. Śrīla Śrīdhara Svāmī ressalta que a palavra brāhmaṇe neste verso indica que o Senhor é completo em Si mesmo e que o termo paramātmane indica que Ele é o controlador de todas as entidades vivas.
Assim, dentro do ser supremo, completo em Si mesmo e onipotente, não encontramos nenhuma jurisdição da energia material ilusória.
Devanagari
अजानता मामकेन मूढेनाकार्यवेदिना । आनीतोऽयं तव पिता तद्भवान् क्षन्तुमर्हति ॥ ७ ॥
Verse text
ajānatā māmakena
mūḍhenākārya-vedinā
ānīto ’yaṁ tava pitā
tad bhavān kṣantum arhati
mūḍhenākārya-vedinā
ānīto ’yaṁ tava pitā
tad bhavān kṣantum arhati
Synonyms
Translation
Vosso pai, que se encontra sentado aqui, foi trazido a mim por um tolo e ignorante servo meu, que não entendeu sua devida obrigação. Portanto, por favor, perdoai-nos.
Purport
SIGNIFICADO—A palavra ayam, “este aqui”, indica claramente que o pai de Kṛṣṇa, Nanda Mahārāja, estava presente enquanto Varuṇa falava. De fato, Viśvanātha Cakravartī Ṭhākura afirma que Varuṇa sentara Nanda Mahārāja em um trono de joias e, por respeito, adorara-o pessoalmente.
Do ponto de vista técnico, Nanda Mahārāja estava correto em entrar na água pouco antes do nascer do Sol. Śrīla Jīva Gosvāmī apresenta a seguinte explicação em seu comentário sobre o primeiro verso deste capítulo: Depois de um Ekādaśī especialmente curto, com a duração de apenas dezoito horas, cerca de seis horas do dia lunar em que se devia quebrar o jejum, a saber, o Dvādaśī, já haviam passado antes da aurora. Como, ao nascer do Sol, já teria passado o momento adequado para quebrar o jejum, Nanda Mahārāja decidiu entrar na água em um momento que, sob outro aspecto, era inauspicioso.
É evidente que o servo de Varuṇa devia estar ciente destes detalhes técnicos, prescritos aos seguidores estritos dos rituais védicos. Acima e além disso, Nanda Mahārāja estava agindo como pai do Senhor Supremo e era, portanto, uma pessoa sacratíssima, fora da alçada de insignificantes burocratas cósmicos, como o tolo servo de Varuṇa.
Devanagari
ममाप्यनुग्रहं कृष्ण कर्तुमर्हस्यशेषदृक् । गोविन्द नीयतामेष पिता ते पितृवत्सल ॥ ८ ॥
Verse text
mamāpy anugrahaṁ kṛṣṇa
kartum arhasy aśeṣa-dṛk
govinda nīyatām eṣa
pitā te pitṛ-vatsala
kartum arhasy aśeṣa-dṛk
govinda nīyatām eṣa
pitā te pitṛ-vatsala
Synonyms
mama — para mim; api — até mesmo; anugraham — misericórdia; kṛṣṇa — ó Senhor Kṛṣṇa; kartum arhasi — por favor, fazei; aśeṣa — tudo; dṛk — ó Vós que vedes; govinda — ó Govinda; nīyatām — que ele seja levado; eṣaḥ — este; pitā — pai; te — Vosso; pitṛ-vatsala — ó Vós que sois muito afetuoso com Vossos pais.
Translation
Ó Kṛṣṇa, ó Vós que vedes tudo, por favor, concedei Vossa misericórdia até mesmo a mim. Ó Govinda, sois muito afetuoso com Vosso pai. Por favor, levai-o para casa.
Devanagari
श्रीशुक उवाच
एवं प्रसादित: कृष्णो भगवानीश्वरेश्वर: । आदायागत्स्वपितरं बन्धूनां चावहन्मुदम् ॥ ९ ॥
एवं प्रसादित: कृष्णो भगवानीश्वरेश्वर: । आदायागत्स्वपितरं बन्धूनां चावहन्मुदम् ॥ ९ ॥
Verse text
śrī-śuka uvāca
evaṁ prasāditaḥ kṛṣṇo
bhagavān īśvareśvaraḥ
ādāyāgāt sva-pitaraṁ
bandhūnāṁ cāvahan mudam
evaṁ prasāditaḥ kṛṣṇo
bhagavān īśvareśvaraḥ
ādāyāgāt sva-pitaraṁ
bandhūnāṁ cāvahan mudam
Synonyms
śrī-śukaḥ uvāca — Śrī Śukadeva Gosvāmī disse; evam — assim; prasāditaḥ — satisfeito; kṛṣṇaḥ — o Senhor Kṛṣṇa; bhagavān — a Suprema Personalidade de Deus; īśvara — de todos os controladores; īśvaraḥ — o controlador supremo; ādāya — tomando; agāt — foi; sva-pitaram — Seu pai; bandhūnām — a Seus parentes; ca — e; āvahan — trazendo; mudam — prazer.
Translation
Śukadeva Gosvāmī disse: Assim agradado pelo senhor Varuṇa, Śrī Kṛṣṇa, a Suprema Personalidade de Deus, Senhor dos senhores, regressou com Seu pai para casa, onde seus parentes ficaram radiantes em vê-los.
Purport
SIGNIFICADO—Neste passatempo, o Senhor Kṛṣṇa oferece uma sublime demonstração de Sua posição como o Supremo Senhor de todos os senhores. Varuṇa, o semideus dos mares, é poderosíssimo, apesar do que ele ficou feliz de adorar até mesmo o pai do Senhor Kṛṣṇa, e o que dizer de adorar o próprio Kṛṣṇa.
Devanagari
नन्दस्त्वतीन्द्रियं दृष्ट्वा लोकपालमहोदयम् । कृष्णे च सन्नतिं तेषां ज्ञातिभ्यो विस्मितोऽब्रवीत् ॥ १० ॥
Verse text
nandas tv atīndriyaṁ dṛṣṭvā
loka-pāla-mahodayam
kṛṣṇe ca sannatiṁ teṣāṁ
jñātibhyo vismito ’bravīt
loka-pāla-mahodayam
kṛṣṇe ca sannatiṁ teṣāṁ
jñātibhyo vismito ’bravīt
Synonyms
nandaḥ — Nanda Mahārāja; tu — e; atīndriyam — não visto antes; dṛṣṭvā — vendo; loka-pāla — da deidade controladora do planeta (oceano), Varuṇa; mahā-udayam — a grande opulência; kṛṣṇe — a Kṛṣṇa; ca — e; sannatim — o oferecimento de reverências; teṣām — por eles (Varuṇa e seus seguidores); jñātibhyaḥ — a seus amigos e parentes; vismitaḥ — maravilhado; abravīt — falou.
Translation
Nanda Mahārāja ficou atônito ao ver pela primeira vez a grande opulência de Varuṇa, o regente do planeta oceânico, e também de ver como Varuṇa e seus servos ofereceram tão humilde respeito a Kṛṣṇa. Nanda descreveu tudo isso aos outros vaqueiros, seus colegas de profissão.
Devanagari
ते चौत्सुक्यधियो राजन् मत्वा गोपास्तमीश्वरम् । अपि न: स्वगतिं सूक्ष्मामुपाधास्यदधीश्वर: ॥ ११ ॥
Verse text
te cautsukya-dhiyo rājan
matvā gopās tam īśvaram
api naḥ sva-gatiṁ sūkṣmām
upādhāsyad adhīśvaraḥ
matvā gopās tam īśvaram
api naḥ sva-gatiṁ sūkṣmām
upādhāsyad adhīśvaraḥ
Synonyms
te — eles; ca — e; autsukya — cheias de avidez; dhiyaḥ — suas mentes; rājan — ó rei Parīkṣit; matvā — pensando; gopāḥ — os vaqueiros; tam — nEle; īśvaram — o Senhor Supremo; api — talvez; naḥ — a nós; sva-gatim — Sua própria morada; sūkṣmām — transcendental; upādhāsyat — concederá; adhīśvaraḥ — o controlador supremo.
Translation
[Ao ouvirem sobre os passatempos de Kṛṣṇa com Varuṇa,] os vaqueiros consideraram que Kṛṣṇa devia ser o Senhor Supremo, e suas mentes, ó rei, encheram-se de avidez. Eles pensaram: “Será que o Senhor Supremo nos concederá Sua morada transcendental?”
Purport
SIGNIFICADO—Os vaqueiros empolgaram-se ao ouvirem como Kṛṣṇa fora à morada de Varuṇa libertar Seu pai. Percebendo de repente que estavam de fato lidando com a Suprema Personalidade de Deus, eles, plenos de júbilo, conjecturavam entre si sobre seu auspicioso destino após terminarem sua vida presente.
Devanagari
इति स्वानां स भगवान् विज्ञायाखिलदृक्स्वयम् । सङ्कल्पसिद्धये तेषां कृपयैतदचिन्तयत् ॥ १२ ॥
Verse text
iti svānāṁ sa bhagavān
vijñāyākhila-dṛk svayam
saṅkalpa-siddhaye teṣāṁ
kṛpayaitad acintayat
vijñāyākhila-dṛk svayam
saṅkalpa-siddhaye teṣāṁ
kṛpayaitad acintayat
Synonyms
iti — assim; svānām — de Seus devotos pessoais; saḥ — Ele; bhagavān — a Suprema Personalidade de Deus; vijñāya — compreendendo; akhila-dṛk — aquele que tudo vê; svayam — Ele mesmo; saṅkalpa — do desejo imaginado; siddhaye — para a realização; teṣām — deles; kṛpayā — com compaixão; etat — isto (como segue no próximo verso); acintayat — pensou.
Translation
Porque é capaz de ver tudo, o Senhor Kṛṣṇa, a Suprema Personalidade de Deus, automaticamente compreendeu o que os vaqueiros estavam a conjecturar. Querendo mostrar-lhes Sua compaixão mediante a concretização dos desejos deles, o Senhor pensou o seguinte.
Devanagari
जनो वै लोक एतस्मिन्नविद्याकामकर्मभि: । उच्चावचासु गतिषु न वेद स्वां गतिं भ्रमन् ॥ १३ ॥
Verse text
jano vai loka etasminn
avidyā-kāma-karmabhiḥ
uccāvacāsu gatiṣu
na veda svāṁ gatiṁ bhraman
avidyā-kāma-karmabhiḥ
uccāvacāsu gatiṣu
na veda svāṁ gatiṁ bhraman
Synonyms
Translation
[O Senhor Kṛṣṇa pensou:] Com certeza todos neste mundo estão vagando entre destinos superiores e inferiores, os quais alcançam mediante atividades executadas segundo seus desejos e sem pleno conhecimento. Desse modo, ninguém conhece seu verdadeiro destino.
Purport
SIGNIFICADO—Śrīla Jīva Gosvāmī apresentou uma elaborada explicação de como este verso se aplica aos eternamente liberados residentes de Śrī Vṛndāvana, a morada do Senhor. Um dos princípios filosóficos fundamentais do Śrīmad-Bhāgavatam é a distinção entre dois tipos de ilusão, Yogamāyā e Mahāmāyā, respectivamente os estados de existência espiritual e material. Embora Kṛṣṇa seja Deus, o Ser Supremo onipotente e onisciente, Seus companheiros íntimos no mundo espiritual amam-nO tanto que O veem como seu amado filho, amigo, amante etc. Para que seu amor extático possa transcender os limites da mera reverência, eles se esquecem de que Kṛṣṇa é o Deus Supremo de todos os universos, de modo que seu amor puro e íntimo se expande ilimitadamente. Talvez alguém considere que suas atividades de tratar Kṛṣṇa como uma criança indefesa, um belo namorado ou um colega de brincadeiras são uma manifestação de avidyā, ignorância da posição do Senhor Kṛṣṇa como Deus, mas os residentes de Vṛndāvana estão de fato ignorando a majestade secundária de Kṛṣṇa e focalizando intensamente Sua infinita beleza, que é a essência de Sua existência.
Com efeito, descrever o Senhor Kṛṣṇa como o controlador supremo e Deus é quase uma espécie de análise política, já que ela se refere a uma hierarquia de poder e controle. Semelhante análise dos níveis de poder e das hierarquias de governo é significativa em um contexto em que a entidade não se encontra cem por cento rendida, em amor, a uma entidade superior. Em outras palavras, o controle torna-se visível, ou é sentido conscientemente como controle, quando há resistência a tal controle. Para citar um exemplo simples, o cidadão piedoso e obediente às leis vê o policial como amigo e benquerente, ao passo que o criminoso o vê como um ameaçador símbolo de castigo. Aqueles que estão entusiasmados com a política do governo não sentem que este os controla, mas sim que os ajuda.
O Senhor Kṛṣṇa, portanto, é visto como um “controlador”, e daí como o “Deus Supremo”, por aqueles que não estão plenamente encantados com Sua beleza e Seus passatempos. Aqueles que estão completamente apaixonados pelo Senhor Kṛṣṇa focalizam Suas características sublimes e atrativas e, devido à natureza de sua relação com Ele, não notam muito Seu poder controlador.
Uma prova simples de que os residentes de Vraja transcenderam estados inferiores de consciência de Deus, em vez de terem fracassado em alcançá-los, é o fato de que, através de todos os passatempos do Senhor, eles muitas vezes se “lembram” de que Kṛṣṇa é Deus. Em geral, eles se espantam com esta lembrança, por estarem cem por cento absortos em ver Kṛṣṇa como seu amigo, amante etc.
Convencionalmente, usa-se a palavra kāma para indicar um desejo material ou, então, um desejo espiritual tão intenso que, de algum modo, torna-se análogo aos intensos desejos materiais. Ainda assim, permanece a distinção fundamental: o desejo material é egoísta e busca a própria satisfação; o desejo espiritual é livre de egoísmo, sendo todo para o prazer do outro, o Senhor. Dessa maneira, os residentes de Vṛndāvana praticavam suas atividades diárias apenas para o prazer de seu amado Kṛṣṇa.
Deve-se lembrar que todo o propósito do advento de Kṛṣṇa a este mundo é atrair os seres vivos de volta ao lar, de volta ao Supremo. Para isso, duas coisas são necessárias: que Seus passatempos exibam a beleza da perfeição espiritual e que, de alguma forma, pareçam importantes e daí interessantes para as almas condicionadas deste mundo. O Bhāgavatam afirma muitas vezes que o Senhor Kṛṣṇa encena tal qual um jovem ator, e, sem dúvida, Ele ocupa Seus devotos eternos na representação dramática. Por isso, o Senhor Kṛṣṇa nesta passagem reflete conSigo mesmo que as pessoas neste mundo com certeza não conhecem seu destino último e, com um óbvio toque espirituoso, pensa assim também de Seus companheiros eternamente liberados, que estavam neste mundo fazendo o papel de membros comuns de uma vila de vaqueiros.
Além do duplo sentido obviamente presente neste verso quando se aplica aos liberados companheiros do Senhor, Kṛṣṇa aqui faz uma observação crítica, mordaz e bem direta sobre as pessoas comuns. Quando aplicada a almas condicionadas que estão de fato a vagar pelo universo inteiro, Sua afirmação de que elas agem devido à ignorância e luxúria não é mitigada por nenhum sentido espiritual mais profundo. As pessoas em geral simplesmente são ignorantes e não consideram com seriedade seu destino final. Como de costume, o Senhor Śrī Kṛṣṇa é capaz de dizer muitas verdades profundas e complexas em poucas palavras simples. Como somos afortunados por Deus não ser um árido campo de energia, uma refulgente bolha transcendental ou inexistir por completo – como várias pessoas pensam. De fato, Ele é a admirabilíssima Personalidade de Deus, pleno de qualidades pessoais e absolutas, e com certeza Ele pode fazer melhor do que nós qualquer coisa que possamos fazer, como o evidencia Sua brilhante maneira de falar.
Devanagari
इति सञ्चिन्त्य भगवान् महाकारुणिको हरि: । दर्शयामास लोकं स्वं गोपानां तमस: परम् ॥ १४ ॥
Verse text
iti sañcintya bhagavān
mahā-kāruṇiko hariḥ
darśayām āsa lokaṁ svaṁ
gopānāṁ tamasaḥ param
mahā-kāruṇiko hariḥ
darśayām āsa lokaṁ svaṁ
gopānāṁ tamasaḥ param
Synonyms
iti — com estas palavras; sañcintya — considerando conSigo mesmo; bhagavān — a Suprema Personalidade de Deus; mahā-kāruṇikaḥ — o mais misericordioso; hariḥ — o Senhor Hari; darśayām āsa — mostrou; lokam — o planeta, Vaikuṇṭha; svam — Seu próprio; gopānām — aos vaqueiros; tamasaḥ — trevas materiais; param — além das.
Translation
Analisando assim profundamente a situação, Hari, a todo-misericordiosa Suprema Personalidade de Deus, revelou aos vaqueiros Sua morada, que se encontra além das trevas materiais.
Purport
SIGNIFICADO—Este verso deixa claro que a Verdade Absoluta reside em Sua própria morada eterna. Todos nós tentamos viver com tanto conforto quanto possível, rodeando-nos de paz e beleza. Como podemos nós, em nome de “lógica”, negar ao Senhor Supremo, nosso criador, a morada de beleza e conforto supremos conhecida pelas pessoas em geral como o reino de Deus?
Devanagari
सत्यं ज्ञानमनन्तं यद् ब्रह्मज्योति: सनातनम् । यद्धि पश्यन्ति मुनयो गुणापाये समाहिता: ॥ १५ ॥
Verse text
satyaṁ jñānam anantaṁ yad
brahma-jyotiḥ sanātanam
yad dhi paśyanti munayo
guṇāpāye samāhitāḥ
brahma-jyotiḥ sanātanam
yad dhi paśyanti munayo
guṇāpāye samāhitāḥ
Synonyms
satyam — indestrutível; jñānam — conhecimento; anantam — ilimitado; yat — que; brahma — a absoluta; jyotiḥ — refulgência; sanātanam — eterna; yat — que; hi — de fato; paśyanti — veem; munayaḥ — sábios; guṇa — os modos da natureza material; apāye — quando eles se acalmam; samāhitāḥ — absortos em transe.
Translation
O Senhor Kṛṣṇa revelou a indestrutível refulgência espiritual, que é ilimitada, consciente e eterna. Os sábios veem em transe essa existência espiritual quando a consciência deles se livra dos modos da natureza material.
Purport
SIGNIFICADO—No verso quatorze, o Senhor Kṛṣṇa revelou aos residentes de Vṛndāvana Sua própria morada, o planeta espiritual Kṛṣṇaloka. Esse e inúmeros outros planetas Vaikuṇṭha flutuam em um oceano infinito de luz espiritual chamado brahmajyoti. Essa luz espiritual é de fato o céu espiritual, que Kṛṣṇa também, com muita naturalidade, revelou aos residentes de Vṛndāvana. Por exemplo, se queremos mostrar a Lua para uma criança, dizemos: “Olhe para o céu. Veja a Lua lá no céu.” De modo semelhante, o Senhor Kṛṣṇa revelou o vasto céu espiritual aos residentes de Vṛndāvana, mas, como enfatizado no verso quatorze e no próximo verso (o dezesseis), o verdadeiro destino dos companheiros do Senhor era Seu próprio planeta espiritual.
Devanagari
ते तु ब्रह्मह्रदं नीता मग्ना: कृष्णेन चोद्धृता: । ददृशुर्ब्रह्मणो लोकं यत्राक्रूरोऽध्यगात् पुरा ॥ १६ ॥
Verse text
te tu brahma-hradam nītā
magnāḥ kṛṣṇena coddhṛtāḥ
dadṛśur brahmaṇo lokaṁ
yatrākrūro ’dhyagāt purā
magnāḥ kṛṣṇena coddhṛtāḥ
dadṛśur brahmaṇo lokaṁ
yatrākrūro ’dhyagāt purā
Synonyms
te — eles; tu — e; brahma-hradam — ao lago conhecido como Brahma-hrada; nītāḥ — trazidos; magnāḥ — submersos; kṛṣṇena — por Kṛṣṇa; ca — e; uddhṛtāḥ — erguidos; dadṛśuḥ — viram; brahmaṇaḥ — da Verdade Absoluta; lokam — o planeta transcendental; yatra — onde; akrūraḥ — Akrūra; adhyagāt — viu; purā — anteriormente.
Translation
Os vaqueiros foram levados pelo Senhor Kṛṣṇa ao Brahma-hrada, submersos na água e depois retirados. Da mesma posição estratégica de onde Akrūra viu o mundo espiritual, os vaqueiros viram o planeta da Verdade Absoluta.
Purport
SIGNIFICADO—A extensão ilimitada de luz espiritual, chamada brahmajyoti no verso quinze, é comparada a um lago chamado Brahma-hrada. O Senhor Kṛṣṇa submergiu os vaqueiros naquele lago no sentido de que Ele os submergiu na consciência do Brahman impessoal. Mas depois, como indica a palavra uddhṛtāḥ, Ele os elevou a uma compreensão superior, a da Personalidade de Deus em Seu próprio planeta. Como se afirma claramente aqui, dadṛśur brahmaṇo lokam: Eles viram, assim como Akrūra o fizera, a morada transcendental da Verdade Absoluta.
Pode-se resumir a evolução da consciência da seguinte maneira: Na consciência ordinária, percebemos e sentimos atração pela variedade de coisas materiais. Ao elevarmo-nos ao primeiro nível de consciência espiritual, transcendemos a variedade material e, em lugar disso, focalizamos o Uno indiferenciado, que repousa por trás dos muitos e lhes dá existência. Por fim, ascendendo à consciência de Kṛṣṇa, descobrimos que o Uno espiritual e absoluto contém sua própria variedade eterna. Com efeito, já que este mundo é mera sombra da existência eterna, é de se esperar que encontraríamos variedade espiritual dentro do Uno, e de fato nós a encontramos no texto sagrado do Śrīmad-Bhāgavatam.
Leitores sagazes notarão que o passatempo que envolve Akrūra ocorreu mais tarde no Bhāgavatam, depois deste episódio com os vaqueiros. A razão de Śukadeva Gosvāmī dizer que Akrūra viu Vaikuṇṭha-purā “antes” é que todos estes incidentes ocorreram muitos anos antes da conversa entre Śukadeva Gosvāmī e Mahārāja Parīkṣit.
Devanagari
नन्दादयस्तु तं दृष्ट्वा परमानन्दनिवृता: । कृष्णं च तत्रच्छन्दोभि: स्तूयमानं सुविस्मिता: ॥ १७ ॥
Verse text
nandādayas tu taṁ dṛṣṭvā
paramānanda-nivṛtāḥ
kṛṣṇaṁ ca tatra cchandobhiḥ
stūyamānaṁ su-vismitāḥ
paramānanda-nivṛtāḥ
kṛṣṇaṁ ca tatra cchandobhiḥ
stūyamānaṁ su-vismitāḥ
Synonyms
nanda-ādayaḥ — os vaqueiros encabeçados por Nanda Mahārāja; tu — e; tam — aquilo; dṛṣṭvā — vendo; parama — supremo; ānanda — com êxtase; nivṛtāḥ — dominados de alegria; kṛṣṇam — o Senhor Kṛṣṇa; ca — e; tatra — lá; chandobhiḥ — pelos hinos védicos; stūyamānam — sendo louvado; su — muito; vismitāḥ — surpresos.
Translation
Nanda Mahārāja e os outros vaqueiros sentiram a mais intensa felicidade ao verem aquela morada transcendental. Surpreenderam-se sobretudo de ver lá o próprio Kṛṣṇa, rodeado dos Vedas personificados, que Lhe ofereciam orações.
Purport
SIGNIFICADO—Embora os residentes de Vṛndāvana se considerassem pessoas comuns, o Senhor Kṛṣṇa queria que eles conhecessem sua extraordinária boa fortuna. Assim, dentro de um lago no rio Yamunā, o Senhor lhes mostrou Sua morada pessoal. Os vaqueiros se admiraram de ver que o reino de Deus tinha exatamente a mesma atmosfera espiritual que sua própria Vṛndāvana terrestre e que, assim como o Senhor Kṛṣṇa estava presente em pessoa em sua Vṛndāvana, em sua visão singular Ele estava presente como o Senhor do mundo espiritual.
Como Śrīla Bhaktisiddhānta Sarasvatī Ṭhākura salienta, estes versos enfatizam que o Senhor Kṛṣṇa não mostrou aos vaqueiros uma mera amostra de planeta Vaikuṇṭha, mas que Ele revelou especificamente Seu Kṛṣṇaloka, a maior das moradas eternas e o lar natural dos residentes de Vṛndāvana, que amavam Kṛṣṇa mais do que qualquer outra pessoa já amou.
Neste ponto, encerram-se os significados apresentados pelos humildes servos de Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupāda referentes ao décimo canto, vigésimo oitavo capítulo, do Śrīmad-Bhāgavatam, intitulado “Kṛṣṇa Liberta Nanda Mahārāja da Morada de Varuṇa”.