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Devanagari
Verse Text
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Purport
CAPÍTULO VINTE E TRÊS
O Sistema Planetário Śiśumāra
Este capítulo descreve como todos os sistemas planetários circundam Dhruvaloka, a estrela polar. Descreve também que a totalidade desses sistemas planetários é Śiśumāra, outra expansão do corpo externo da Suprema Personalidade de Deus. Dhruvaloka, a morada do Senhor Viṣṇu dentro deste universo, situa-se a uma distância de 1.300.000 yojanas das sete estrelas. No sistema planetário de Dhruvaloka, ficam os planetas do deus do fogo, Indra, Prajāpati, Kaśyapa e Dharma, todos os quais têm muito respeito pelo grande devoto Dhruva, que vive na estrela polar. Como touros atrelados a um pivô central, todos os sistemas planetários, impelidos pelo tempo eterno, orbitam Dhruvaloka. Aqueles que adoram o virāṭ-puruṣa, a forma universal do Senhor, concebem que todo esse sistema rotativo de planetas é um animal conhecido como śiśumāra. Esse śiśumāra imaginário é outra forma do Senhor. A cabeça da forma śiśumāra está voltada para baixo, e seu corpo parece o de uma serpente enrolada. Na extremidade de sua cauda, fica Dhruvaloka; na extensão da cauda, estão Prajāpati, Agni, Indra e Dharma, ao passo que, na raiz da cauda, estão Dhātā e Vidhātā. Sobre sua cintura, ficam os sete grandes sábios. Todo o corpo do śiśumāra encara o seu lado direito e lembra uma espiral de estrelas. No lado direito desse espiral, de Abhijit a Punarvasu, estão as quatorze estrelas proeminentes, e, no lado esquerdo, de Puṣyā até Uttarāṣāḍhā, estão as quatorze estrelas proeminentes. As estrelas conhecidas como Punarvasu e Puṣyā ficam nos lados direito e esquerdo dos quadris do Śiśumāra, e as estrelas conhecidas como Ārdrā e Aśleṣā ficam nos pés direito e esquerdo do Śiśumāra. De acordo com os cálculos dos astrônomos védicos, outras estrelas também se encontram em diferentes lados do sistema planetário Śiśumāra. Para concentrarem a própria mente, os yogīs adoram o sistema planetário Śiśumāra, que é tecnicamente conhecido como kuṇḍalini-cakra.
Devanagari
श्रीशुक उवाच
अथ तस्मात्परतस्त्रयोदशलक्षयोजनान्तरतो यत्तद्विष्णो: परमं पदमभिवदन्ति यत्र ह महाभागवतो ध्रुव औत्तानपादिरग्निनेन्द्रेण प्रजापतिना कश्यपेन धर्मेण च समकालयुग्भि: सबहुमानं दक्षिणत: क्रियमाण इदानीमपि कल्पजीविनामाजीव्य उपास्ते तस्येहानुभाव उपवर्णित: ॥ १ ॥
अथ तस्मात्परतस्त्रयोदशलक्षयोजनान्तरतो यत्तद्विष्णो: परमं पदमभिवदन्ति यत्र ह महाभागवतो ध्रुव औत्तानपादिरग्निनेन्द्रेण प्रजापतिना कश्यपेन धर्मेण च समकालयुग्भि: सबहुमानं दक्षिणत: क्रियमाण इदानीमपि कल्पजीविनामाजीव्य उपास्ते तस्येहानुभाव उपवर्णित: ॥ १ ॥
Verse text
śrī-śuka uvāca
atha tasmāt paratas trayodaśa-lakṣa-yojanāntarato yat tad viṣṇoḥ paramaṁ padam abhivadanti yatra ha mahā-bhāgavato dhruva auttānapādir agninendreṇa prajāpatinā kaśyapena dharmeṇa ca samakāla-yugbhiḥ sabahu-mānaṁ dakṣiṇataḥ kriyamāṇa idānīm api kalpa-jīvinām ājīvya upāste tasyehānubhāva upavarṇitaḥ.
atha tasmāt paratas trayodaśa-lakṣa-yojanāntarato yat tad viṣṇoḥ paramaṁ padam abhivadanti yatra ha mahā-bhāgavato dhruva auttānapādir agninendreṇa prajāpatinā kaśyapena dharmeṇa ca samakāla-yugbhiḥ sabahu-mānaṁ dakṣiṇataḥ kriyamāṇa idānīm api kalpa-jīvinām ājīvya upāste tasyehānubhāva upavarṇitaḥ.
Synonyms
śrī-sukaḥ uvāca — Śrī Śukadeva Gosvāmī disse; atha — logo após; tasmāt — a esfera das sete estrelas; parataḥ — além dessa; trayodaśa-lakṣa-yojana-antarataḥ — outros 1.300.000 yojanas; yat — a qual; tat — isto; viṣṇoḥ paramam padam — a morada suprema do Senhor Viṣṇu, ou os pés de lótus do Senhor Viṣṇu; abhivadanti — os mantras do Ṛg Veda tecem louvores; yatra — onde; ha — na verdade; mahābhāgavataḥ — o devoto grandioso; dhruvaḥ — Mahārāja Dhruva; auttānapādiḥ — filho de Mahārāja Uttānapāda; agninā — pelo deus do fogo; indreṇa — pelo rei celestial, Indra; prajāpatinā — pelo Prajāpati; kaśyapena — por Kaśyapa; dharmeṇa — por Dharmarāja; ca — também; samakāla-yugbhiḥ — que estão ocupados ao mesmo tempo; sa-bahu-mānam — sempre respeitosamente; dakṣiṇataḥ — pelo lado direito; kriyamāṇaḥ — sendo circundado; idānīm — agora; api — mesmo; kalpa-jīvinām — das entidades vivas que perduram pelo fim da criação; ājīvyaḥ — a fonte da vida; upāste — permanece; tasya — sua; iha — aqui; anubhāvaḥ — magnitude em executar serviço devocional; upavarṇitaḥ — já descrita (no quarto canto do Śrīmad-Bhāgavatam).
Translation
Śukadeva Gosvāmī continuou: Meu querido rei, a 1.300.000 yojanas [16.640.000 quilômetros] acima dos planetas dos sete sábios, figura o lugar que os estudiosos eruditos descrevem como a morada do Senhor Viṣṇu. Ali, o filho de Mahārāja Uttānapāda, o grande devoto Mahārāja Dhruva, ainda reside como a força vital de todas as entidades vivas que persistem até o fim da criação. Agni, Indra, Prajāpati, Kaśyapa e Dharma todos se reúnem ali para lhe oferecer honras e respeitosas reverências. Eles o circundam com o lado direito em direção a ele. Já descrevi as atividades gloriosas de Mahārāja Dhruva [no quarto canto do Śrīmad-Bhāgavatam].
Devanagari
स हि सर्वेषां ज्योतिर्गणानां ग्रहनक्षत्रादीनामनिमिषेणाव्यक्तरंहसा भगवता कालेन भ्राम्यमाणानां स्थाणुरिवावष्टम्भ ईश्वरेण विहित: शश्वदवभासते ॥ २ ॥
Verse text
sa hi sarveṣāṁ jyotir-gaṇānāṁ graha-nakṣatrādīnām animiṣeṇāvyakta-raṁhasā bhagavatā kālena bhrāmyamāṇānāṁ sthāṇur ivāvaṣṭambha īśvareṇa vihitaḥ śaśvad avabhāsate.
Synonyms
saḥ — esse planeta de Dhruva Mahārāja; hi — na verdade; sarveṣām — de todos; jyotiḥ-gaṇānām — os luzeiros; graha-nakṣatra-ādīnām — tais como os planetas e estrelas; animiṣeṇa — que não descansa; avyakta — inconcebível; raṁhasā — cuja força; bhagavatā — o poderosíssimo; kālena — pelo fator tempo; bhrāmyamāṇānām — que são impelidos a girar; sthāṇuḥ iva — posicionado como; avaṣṭambhaḥ — o pivô; īśvareṇa — pela vontade da Suprema Personalidade de Deus; vihitaḥ — estabelecido; śaśvat — constantemente; avabhāsate — brilha.
Translation
Estabelecida pela vontade suprema da Suprema Personalidade de Deus, a estrela polar, o planeta de Mahārāja Dhruva, brilha constantemente como o pivô central de todas as estrelas e planetas. O incansável, invisível e poderosíssimo fator tempo faz com que esses luzeiros girem incessantemente em torno da estrela polar.
Purport
SIGNIFICADO—Nesta passagem, afirma-se explicitamente que todos os luzeiros, ou seja, planetas ou estrelas, giram pela influência do supremo fator tempo. O fator tempo é outro aspecto da Suprema Personalidade de Deus. Todos estão sob a influência do fator tempo, mas a Suprema Personalidade de Deus é tão bondosa e ama tanto o Seu devoto Mahārāja Dhruva que colocou sob o controle do planeta de Dhruva todos os luzeiros e providenciou que o fator tempo agisse sob suas ordens ou em cooperação com ele. Tudo realmente se faz de acordo com a vontade e orientação da Suprema Personalidade de Deus, mas, para tornar Seu devoto Dhruva o indivíduo mais importante dentro do universo, o Senhor colocou sob seu controle as atividades do fator tempo.
Devanagari
यथा मेढीस्तम्भ आक्रमणपशव: संयोजितास्त्रिभिस्त्रिभि: सवनैर्यथास्थानं मण्डलानि चरन्त्येवं भगणा ग्रहादय एतस्मिन्नन्तर्बहिर्योगेन कालचक्र आयोजिता ध्रुवमेवावलम्ब्य वायुनोदीर्यमाणा आकल्पान्तं परिचङ्क्रमन्ति नभसि यथा मेघा: श्येनादयो वायुवशा: कर्मसारथय: परिवर्तन्ते एवं ज्योतिर्गणा: प्रकृतिपुरुषसंयोगानुगृहीता: कर्मनिर्मितगतयो भुवि न पतन्ति ॥ ३ ॥
Verse text
yathā meḍhīstambha ākramaṇa-paśavaḥ saṁyojitās tribhis tribhiḥ savanair yathā-sthānaṁ maṇḍalāni caranty evaṁ bhagaṇā grahādaya etasminn antar-bahir-yogena kāla-cakra āyojitā dhruvam evāvalambya vāyunodīryamāṇā ākalpāntaṁ paricaṅ kramanti nabhasi yathā meghāḥ śyenādayo vāyu-vaśāḥ karma-sārathayaḥ parivartante evaṁ jyotirgaṇāḥ prakṛti-puruṣa-saṁyogānugṛhītāḥ karma-nirmita-gatayo bhuvi na patanti.
Synonyms
yathā — exatamente como; meḍhīstambhe — ao posto central; ākramaṇa-paśavaḥ — touros para debulhar arroz; saṁyojitāḥ — sendo atrelados; tribhiḥ tribhiḥ — com três; savanaiḥ — movimentos; yathā-sthānam — em suas devidas posições; maṇḍalāni — órbitas; caranti — percorrem; evam — da mesma maneira; bha-gaṇāḥ — os luzeiros, tais como o Sol, a Lua, Vênus, Mercúrio, Marte e Júpiter; graha-ādayaḥ — os diversos planetas; etasmin — nisto; antaḥ-bahiḥ-yogena — pela ligação com o círculo interior ou exterior; kāla-cakre — na roda do tempo eterno; āyojitāḥ — fixos; dhruvam — Dhruvaloka; eva — decerto; avalambya — apoiando-se em; vāyunā — pelo vento; udīryamāṇāḥ — sendo impelidos; ā-kalpa-antam — até o final da criação; paricaṅ kramanti — rotam; nabhasi — no céu; yathā — exatamente como; meghāḥ — nuvens pesadas; śyena-ādayaḥ — pássaros, tais como a águia grande; vāyu-vaśāḥ — controlados pelo ar; karma-sārathayaḥ — cujos quadrigários são os resultados de suas próprias atividades passadas; parivartante — giram; evam — dessa maneira; jyotiḥ-gaṇāḥ — os luzeiros, os planetas e estrelas no firmamento; prakṛti — da natureza material; puruṣa — e de Kṛṣṇa, a Suprema Personalidade; saṁyoga-anugṛhītāḥ — suportados pelo esforço conjunto; karma-nirmita — causados por suas próprias atividades fruitivas; gatayaḥ — cujos movimentos; bhuvi — do solo; na — não; patanti — caem.
Translation
Ao serem unidos pela cangalha e amarrados a um poste central para debulharem arroz, os touros se movimentam em torno desse pivô sem se desviarem de suas devidas posições – o primeiro touro, mais perto do poste, o segundo, entre os outros dois, e o terceiro, mais externamente. Do mesmo modo, todos os planetas e todas as centenas e milhares de estrelas giram em torno da estrela polar, o planeta de Mahārāja Dhruva, em suas respectivas órbitas, algumas superiores e outras inferiores. Sendo, de acordo com os resultados de suas atividades fruitivas, atados pela Suprema Personalidade de Deus à máquina da natureza material, eles, os quais o vento impele a orbitar em volta da estrela polar, continuarão nesse estado até o final da criação. Esses planetas flutuam no ar dentro da vastidão do firmamento, assim como nuvens com centenas de toneladas de água flutuam no ar, ou assim como as grandes águias śyenas, devido aos resultados de atividades passadas, voam alto no céu, sem o perigo de cair ao chão.
Purport
SIGNIFICADO—De acordo com a descrição deste verso, é devido à lei da gravidade, ou qualquer ideia semelhante defendida pelos cientistas modernos, que as centenas e milhares de estrelas e os grandes planetas, tais como o Sol, a Lua, Vênus, Mercúrio, Marte e Júpiter, não estão amontoados. Todos esses planetas e estrelas são servos da Suprema Personalidade de Deus, Govinda ou Kṛṣṇa, e, em obediência à ordem por Ele expressa, eles se sentam em suas quadrigas e viajam em suas respectivas órbitas. As órbitas nas quais eles se movem são comparadas a máquinas dadas pela natureza material às deidades que manobram as estrelas e os planetas e, cumprindo as ordens da Suprema Personalidade de Deus, orbitam Dhruvaloka, onde reside o grande devoto Mahārāja Dhruva. A Brahma-saṁhitā (5.52) confirma isso da seguinte maneira:
yac-cakṣur eṣa savitā sakala-grahāṇāṁ
rājā samasta-sura-mūrtir aśeṣa-tejāḥ
yasyājñayā bhramati sambhṛta-kāla-cakro
govindam ādi-puruṣaṁ tam ahaṁ bhajāmi
rājā samasta-sura-mūrtir aśeṣa-tejāḥ
yasyājñayā bhramati sambhṛta-kāla-cakro
govindam ādi-puruṣaṁ tam ahaṁ bhajāmi
“Adoro Govinda, o Senhor primordial, a Suprema Personalidade de Deus, sob cujo controle até mesmo o Sol, que é considerado o olho do Senhor, gira dentro da órbita fixada no tempo eterno. O Sol é o rei de todos os sistemas planetários e tem potência ilimitada de calor e luz.” Esse verso da Brahma-saṁhitā confirma que, em obediência à ordem da Suprema Personalidade de Deus, mesmo o maior e mais poderoso planeta, o Sol, gira dentro de uma órbita fixa, ou kāla-cakra. Isso nada tem a ver com a lei da gravidade ou quaisquer outras leis imaginárias criadas pelos cientistas materiais.
Os cientistas materialistas querem evitar o controle exercido pela Suprema Personalidade de Deus e, portanto, imaginam diferentes condições sob as quais se possa supor que os planetas se movem. A única condição, entretanto, é a ordem da Suprema Personalidade de Deus. Todas as várias deidades que predominam os planetas são pessoas, e a Suprema Personalidade de Deus também é uma pessoa. A Personalidade Suprema determina que as pessoas subordinadas, as várias estirpes de semideuses, executem Sua vontade suprema. Esse fato também está corroborado na Bhagavad-gītā (9.10), onde Kṛṣṇa diz:
mayādhyakṣeṇa prakṛtiḥ
sūyate sa-carācaram
hetunānena kaunteya
jagad viparivartate
sūyate sa-carācaram
hetunānena kaunteya
jagad viparivartate
“Esta natureza material, que é uma das Minhas energias, funciona sob Minha direção, ó filho de Kuntī, produzindo todos os seres móveis e imóveis. Obedecendo-lhe ao comando, esta manifestação é criada e aniquilada repetidas vezes.”
As órbitas dos planetas assemelham-se aos corpos nos quais todas as entidades vivas residem, pois ambos são máquinas controladas pela Suprema Personalidade de Deus. Como Kṛṣṇa diz na Bhagavad-gītā (18.61):
īśvaraḥ sarva-bhūtānāṁ
hṛd-deśe ’rjuna tiṣṭhati
bhrāmayan sarva-bhūtāni
yantrārūḍhāni māyayā
hṛd-deśe ’rjuna tiṣṭhati
bhrāmayan sarva-bhūtāni
yantrārūḍhāni māyayā
“O Senhor Supremo está situado no coração de todos, ó Arjuna, e está dirigindo as andanças de todas as entidades vivas, que estão sentadas num tipo de máquina feita de energia material.” A máquina dada pela natureza material – seja a máquina do corpo, seja a máquina da órbita, ou kāla-cakra – funciona de acordo com as ordens determinadas pela Suprema Personalidade de Deus. A Suprema Personalidade de Deus e a natureza material trabalham em harmonia para manter este grande universo, e não apenas este universo, mas também milhões de outros universos além deste.
A questão de como os planetas e as estrelas flutuam também está respondida neste verso. Não é por causa das leis da gravidade. Ao contrário, os planetas e estrelas se tornam capazes de flutuar devido às manipulações do ar. É devido a essas manipulações que nuvens grandes e pesadas flutuam e grandes águias voam no céu. Os aeroplanos modernos, tais como os jatos 747, trabalham de modo semelhante: controlando o ar, eles flutuam bem alto no céu, resistindo à tendência de cair. Tais ajustes do ar são todos possíveis graças à cooperação dos princípios de puruṣa (masculino) e prakṛti (feminino). Devido à cooperação da natureza material, que é considerada prakṛti, e da Suprema Personalidade de Deus, que é considerado puruṣa, todos os assuntos do universo caminham muito bem, em sua devida ordem. Prakṛti, a natureza material, também é descrita na Brahma-saṁhitā (5.44) da seguinte maneira:
sṛṣṭi-sthiti-pralaya-sādhana-śaktir ekā
chāyeva yasya bhuvanāni bibharti durgā
icchānurūpam api yasya ca ceṣṭate sā
govindam ādi-puruṣaṁ tam ahaṁ bhajāmi
chāyeva yasya bhuvanāni bibharti durgā
icchānurūpam api yasya ca ceṣṭate sā
govindam ādi-puruṣaṁ tam ahaṁ bhajāmi
“A potência externa, māyā, que tem a natureza da sombra da potência cit [espiritual], é adorada por todas as pessoas como Durgā, o instrumento criador, preservador e destruidor deste mundo secular. Adoro Govinda, o Senhor primordial, pois Durgā age de acordo com o desejo dEle.” A natureza material, a energia externa do Senhor Supremo, também é conhecida como Durgā, ou a energia feminina que protege o grande forte que é este universo. A palavra Durgā também significa forte. Este universo é exatamente como um grande forte no qual todas as almas condicionadas são mantidas e só podem deixá-lo se forem libertas pela misericórdia da Suprema Personalidade de Deus. O próprio Senhor declara na Bhagavad-gītā (4.9):
janma karma ca me divyam
evaṁ yo vetti tattvataḥ
tyaktvā dehaṁ punar janma
naiti mām eti so ’rjuna
evaṁ yo vetti tattvataḥ
tyaktvā dehaṁ punar janma
naiti mām eti so ’rjuna
“Aquele que conhece a natureza transcendental do Meu aparecimento e atividades, ao deixar o corpo não volta a nascer neste mundo material, senão que alcança Minha morada eterna, ó Arjuna.” Assim, simplesmente graças à consciência de Kṛṣṇa, em virtude da misericórdia da Suprema Personalidade de Deus, todos podem libertar-se, ou, em outras palavras, podem sair da grande fortaleza deste universo e partir para o mundo espiritual.
Também é significativo que as deidades que predominam inclusive os maiores planetas tenham recebido seus postos elevados devido às valiosíssimas atividades piedosas executadas em nascimentos anteriores. Nesta passagem, indica-se isso com as palavras karma-nirmita-gatayaḥ. Por exemplo, como já comentamos, a Lua se chama Jīva, o que significa que ela é uma entidade viva como nós, mas, devido às suas atividades piedosas, foi-lhe designado o posto de deus da Lua. Do mesmo modo, todos os semideuses são entidades vivas que, devido a seus grandes serviços e atos piedosos, foram designadas para seus vários postos como senhores da Lua, da Terra, de Vênus e assim por diante. Apenas a deidade que predomina o Sol, Sūrya Nārāyaṇa, é uma encarnação da Suprema Personalidade de Deus. Mahārāja Dhruva, a deidade que predomina Dhruvaloka, também é uma entidade viva. Assim, existem duas classes de entidades – a entidade suprema, a Suprema Personalidade de Deus, e a entidade viva comum, a jīva – nityo nityānāṁ cetanaś cetanānām (Kaṭha Upaniṣad 2.2.13). Todos os semideuses estão ocupados a serviço do Senhor, e é somente por causa desse arranjo que os afazeres do universo prosseguem.
Com respeito às grandes águias mencionadas neste verso, sabe-se que existem águias tão grandes que podem atacar elefantes enormes. Elas voam tão alto que podem viajar de um planeta a outro. Começam a voar em um planeta e aterrissam em outro e, durante o voo, põem ovos que, chocados, produzem outros pássaros ao caírem pelo ar. Em sânscrito, tais águias são chamadas śyenas. Nas circunstâncias atuais, obviamente não podemos ver esses pássaros enormes, mas pelo menos ficamos sabendo da existência de águias que capturam macacos, derrubam esses animais e, uma vez que estão mortos, comem sua carne. Do mesmo modo, compreende-se que existem pássaros gigantescos que podem atacar elefantes, matá-los e comê-los.
Os exemplos da águia e da nuvem são suficientes para provar que voar e flutuar podem tornar-se factíveis através de ajustes do ar. Os planetas, de maneira semelhante, flutuam porque a natureza material ajusta o ar de acordo com as ordens do Senhor Supremo. Seria possível argumentar que esses ajustes constituem a lei da gravidade, mas, em todo caso, deve-se aceitar que essas leis são feitas pela Suprema Personalidade de Deus. Os assim chamados cientistas não exercem controle sobre elas. Embora os cientistas ousem declarar que não existe Deus, omitem a realidade dos fatos ao procederem assim.
Devanagari
केचनैतज्ज्योतिरनीकं शिशुमारसंस्थानेन भगवतो वासुदेवस्य योगधारणायामनुवर्णयन्ति ॥ ४ ॥
Verse text
kecanaitaj jyotir-anīkaṁ śiśumāra-saṁsthānena bhagavato vāsudevasya yoga-dhāraṇāyām anuvarṇayanti.
Synonyms
kecana — alguns yogīs ou sábios eruditos em astronomia; etat — esta; jyotiḥ-anīkam — grande roda de planetas e estrelas; śiśumārasaṁsthānena — imaginam esta roda como um śiśumāra (golfinho); bhagavataḥ — da Suprema Personalidade de Deus; vāsudevasya — Senhor Vāsudeva (o filho de Vasudeva), Kṛṣṇa; yoga-dhāraṇāyām — absortos em adorar; anuvarṇayanti — descrevem.
Translation
Esta grande máquina, que consiste nas estrelas e planetas, assemelha-se à forma de um śiśumāra [golfinho] na água. Às vezes, é considerada uma encarnação de Kṛṣṇa, Vāsudeva. Grandes yogīs meditam nessa forma de Vāsudeva porque ela é realmente visível.
Purport
SIGNIFICADO—Os transcendentalistas como os yogīs cujas mentes não podem acomodar a forma do Senhor preferem visualizar algo muito grande, como, por exemplo, o virāṭ-puruṣa. Portanto, alguns yogīs contemplam esse śiśumāra imaginário nadando no céu, assim como um golfinho nada na água. Eles meditam nele como o virāṭ-rūpa, a forma gigantesca da Suprema Personalidade de Deus.
Devanagari
यस्य पुच्छाग्रेऽवाक्शिरस: कुण्डलीभूतदेहस्य ध्रुव उपकल्पितस्तस्य लाङ्गूले प्रजापतिरग्निरिन्द्रो धर्म इति पुच्छमूले धाता विधाता च कट्यां सप्तर्षय: । तस्य दक्षिणावर्तकुण्डलीभूतशरीरस्य यान्युदगयनानि दक्षिणपार्श्वे तु नक्षत्राण्युपकल्पयन्ति दक्षिणायनानि तु सव्ये । यथा शिशुमारस्य कुण्डलाभोगसन्निवेशस्य पार्श्वयोरुभयोरप्यवयवा: समसंख्या भवन्ति । पृष्ठे त्वजवीथी आकाशगङ्गा चोदरत: ॥ ५ ॥
Verse text
yasya pucchāgre ’vākśirasaḥ kuṇḍalī-bhūta-dehasya dhruva upakalpitas tasya lāṅgūle prajāpatir agnir indro dharma iti puccha-mūle dhātā vidhātā ca kaṭyāṁ saptarṣayaḥ; tasya dakṣiṇāvarta-kuṇḍalī-bhūta-śarīrasya yāny udagayanāni dakṣiṇa-pārśve tu nakṣatrāṇy upakalpayanti dakṣiṇāyanāni tu savye; yathā śiśumārasya kuṇḍalā-bhoga-sanniveśasya pārśvayor ubhayor apy avayavāḥ samasaṅkhyā bhavanti; pṛṣṭhe tv ajavīthī ākāśa-gaṅgā codarataḥ.
Synonyms
yasya — do qual; puccha-agre — na extremidade da cauda; avākśirasaḥ — cuja cabeça está voltada para baixo; kuṇḍalī-bhūta-dehasya — cujo corpo, que tem a forma de espiral; dhruvaḥ — Mahārāja Dhruva em seu planeta, a estrela polar; upakalpitaḥ — está situado; tasya — deste; lāṅgūle — sobre a cauda; prajāpatiḥ — chamado Prajāpati; agniḥ — Agni; indraḥ — Indra; dharmaḥ — Dharma; iti — assim; puccha-mūle — na base da cauda; dhātā vidhātā — os semideuses conhecidos como Dhātā e Vidhātā; ca — também; kaṭyām — nos quadris; sapta-ṛṣayaḥ — os sete sábios santos; tasya — deste; dakṣiṇa-āvarta-kuṇḍalī-bhūta-śarīrasya — cujo corpo é como uma espiral voltado para o lado direito; yāni — o qual; udagayanāni — designando os cursos do norte; dakṣiṇa-pārśve — do lado direito; tu — mas; nakṣatrāṇi — constelações; upakalpayanti — estão situadas; dakṣiṇa-āyanāni — as quatorze estrelas, desde Puṣyā até Uttarāṣāḍhā, designando o curso norte; tu — mas; savye — no lado esquerdo; yathā — assim como; śiśumārasya — do golfinho; kuṇḍalā-bhoga-sanniveśasya — cujo corpo parece uma espiral; pārśvayoḥ — nos lados; ubhayoḥ — ambos; api — decerto; avayavāḥ — os membros; samasaṅkhyāḥ — de número igual (quatorze); bhavanti — estão; pṛṣṭhe — nas costas; tu — é claro; ajavīthī — as primeiras três estrelas que marcam a trajetória sul (Mūlā, Pūrvaṣāḍhā e Uttarāṣāḍhā); ākāśa-gaṅgā — o Ganges no céu (a Via-Láctea); ca — também; udarataḥ — sobre o abdômen.
Translation
Esta forma do śiśumāra tem sua cabeça voltada para baixo e seu corpo possui uma forma de espiral. Na extremidade de sua cauda, localiza-se o planeta de Dhruva; no corpo de sua cauda, estão os planetas dos semideuses Prajāpati, Agni, Indra e Dharma, enquant, na base de sua cauda, encontram-se os planetas dos semideuses Dhātā e Vidhātā. Onde seriam os quadris do śiśumāra, figuram os sete sábios santos, tais como Vasiṣṭha e Aṅgirā. O corpo espiralado do śiśumāra-cakra está voltado para seu lado direito, no qual se localizam as quatorze constelações, desde Abhijit até Punarvasu. No seu lado esquerdo, estão as quatorze estrelas, partindo de Puṣyā e indo até Uttarāṣāḍhā. Assim, seu corpo está em equilíbrio, pois seus lados estão ocupados pela mesma quantidade de estrelas. Nas costas do śiśumāra, fica o grupo de estrelas conhecido como Ajavīthī, e, em seu abdômen, encontra-se o Ganges que flui pelo céu [a Via-Láctea].
Devanagari
पुनर्वसुपुष्यौ दक्षिणवामयो: श्रोण्योरार्द्राश्लेषे च दक्षिणवामयो: पश्चिमयो: पादयोरभिजिदुत्तराषाढे दक्षिणवामयोर्नासिकयोर्यथासङ्ख्यं श्रवणपूर्वाषाढे दक्षिणवामयोर्लोचनयोर्धनिष्ठा मूलं च दक्षिणवामयो: कर्णयोर्मघादीन्यष्ट नक्षत्राणि दक्षिणायनानि वामपार्श्ववङ्क्रिषु युञ्जीत तथैव मृगशीर्षादीन्युदगयनानि दक्षिणपार्श्ववङ्क्रिषु प्रातिलोम्येन प्रयुञ्जीत शतभिषाज्येष्ठे स्कन्धयोर्दक्षिणवामयोर्न्यसेत् ॥ ६ ॥
Verse text
punarvasu-puṣyau dakṣiṇa-vāmayoḥ śroṇyor ārdrāśleṣe ca dakṣiṇa-vāmayoḥ paścimayoḥ pādayor abhijid-uttarāṣāḍhe dakṣiṇa-vāmayor nāsikayor yathā-saṅkhyaṁ śravaṇa-pūrvāṣāḍhe dakṣiṇa-vāmayor locanayor dhaniṣṭhā mūlaṁ ca dakṣiṇa-vāmayoḥ karṇayor maghādīny aṣṭa nakṣatrāṇi dakṣiṇāyanāni vāma-pārśva-vaṅkriṣu yuñjīta tathaiva mṛga-śīrṣādīny udagayanāni dakṣiṇa-pārśva-vaṅkriṣu prātilomyena prayuñjīta śatabhiṣā-jyeṣṭhe skandhayor dakṣiṇa-vāmayor nyaset.
Synonyms
punarvasu — a estrela chamada Punarvasu; puṣyau — e a estrela chamada Puṣyā; dakṣiṇa-vāmayoḥ — à direita e à esquerda; śroṇyoḥ — quadris; ārdrā — a estrela chamada Ārdrā; aśleṣe — a estrela chamada Aśleṣā; ca — também; dakṣiṇa-vāmayoḥ — à direita e à esquerda; paścimayoḥ — atrás; pādayoḥ — pés; abhijit-uttarāṣāḍhe — as estrelas chamadas Abhijit e Uttarāṣāḍhā; dakṣiṇa-vāmayoḥ — à direita e à esquerda; nāsikayoḥ — narinas; yathā-saṅkhyam — de acordo com a ordem numérica; śravaṇa-pūrvāṣāḍhe — as estrelas chamadas Śravaṇā e Pūrvāṣāḍhā; dakṣiṇa-vāmayoḥ — à direita e à esquerda; locanayoḥ — olhos; dhaniṣṭhā mūlam ca — e as estrelas chamadas Dhaniṣṭhā e Mūlā; dakṣiṇa-vāmayoḥ — à direita e à esquerda; karṇayoḥ — ouvidos; maghā-ādīni — as estrelas tais como Maghā; aṣṭa nakṣatrāṇi — oito estrelas; dakṣiṇa-āyanāni — que designam o curso meridional; vāma-pārśva — do lado esquerdo; vaṅkriṣu — nas costelas; yuñjīta — podem situar-se; tathā eva — igualmente; mṛga-śīrṣā-ādīni — tais como Mṛgaśīrṣā; udagayanāni — designando o curso setentrional; dakṣiṇa-pārśva-vaṅkriṣu — no lado direito; prātilomyena — na ordem inversa; prayuñjīta — podem situar-se; śatabhiṣā — Śatabhiṣā; jyeṣṭhe — Jyeṣṭhā; skandhayoḥ — nos dois ombros; dakṣiṇa-vāmayoḥ — direito e esquerdo; nyaset — devem situar-se.
Translation
Nos lados direito e esquerdo daquilo que corresponde aos quadris do Śiśumāra-cakra, constam as estrelas chamadas Punarvasu e Puṣyā. Ārdrā e Aśleṣā estão em seus pés direito e esquerdo, Abhijit e Uttarāṣāḍhā estão em suas narinas direita e esquerda, Śravaṇā e Pūrvāṣāḍhā estão em seus olhos direito e esquerdo, e Dhaniṣṭhā e Mūlā estão em seus ouvidos direito e esquerdo. As oito estrelas, de Maghā até Anurādhā, que designam o curso meridional, situam-se nas costelas do lado esquerdo do seu corpo, e as oito estrelas, de Mṛgaśīrṣā até Pūrvabhādra, que designam o curso setentrional, situam-se nas costelas do lado direito. Śatabhiṣā e Jyeṣṭhā estão nos ombros direito e esquerdo.
Devanagari
उत्तराहनावगस्तिरधराहनौ यमो मुखेषु चाङ्गारक: शनैश्चर उपस्थे बृहस्पति: ककुदि वक्षस्यादित्यो हृदये नारायणो मनसि चन्द्रो नाभ्यामुशना स्तनयोरश्विनौ बुध: प्राणापानयो राहुर्गले केतव: सर्वाङ्गेषु रोमसु सर्वे तारागणा: ॥ ७ ॥
Verse text
uttarā-hanāv agastir adharā-hanau yamo mukheṣu cāṅgārakaḥ śanaiścara upasthe bṛhaspatiḥ kakudi vakṣasy ādityo hṛdaye nārāyaṇo manasi candro nābhyām uśanā stanayor aśvinau budhaḥ prāṇāpānayo rāhur gale ketavaḥ sarvāṅgeṣu romasu sarve tārā-gaṇāḥ.
Synonyms
uttarā-hanau — nos maxilares superiores; agastiḥ — a estrela chamada Agasti; adharā-hanau — na mandíbula; yamaḥ — Yamarāja; mukheṣu — na boca; ca — também; aṅgārakaḥ — Marte; śanaiścaraḥ — Saturno; upasthe — nos órgãos genitais; bṛhaspatiḥ — Júpiter; kakudi — na nuca; vakṣasi — no peito; ādityaḥ — o Sol; hṛdaye — dentro do coração; nārāyaṇaḥ — Senhor Nārāyaṇa; manasi — na mente; candraḥ — a Lua; nābhyām — no umbigo; uśanā — Vênus; stanayoḥ — nas duas mamas; aśvinau — as duas estrelas chamadas Aśvin; budhaḥ — Mercúrio; prāṇāpānayoḥ — nos ares internos conhecidos como prāṇa e apāna; rāhuḥ — o planeta Rāhu; gale — no pescoço; ketavaḥ — cometas; sarva-aṅgeṣu — em todo o corpo; romasu — nos poros do corpo; sarve — todas; tārā-gaṇāḥ — as numerosas estrelas.
Translation
Nos maxilares superiores do śiśumāra, encontra-se Agasti; em sua mandíbula, Yamarāja; em sua boca, Marte; em seus órgãos genitais, Saturno; em sua nuca, Júpiter; em seu peito, o Sol; e no centro de seu coração, Nārāyaṇa. Dentro de sua mente, está a Lua; em seu umbigo, Vênus; e em suas mamas, os Aśvinī-kumāras. Dentro de seu ar vital, que é conhecido como prāṇāpāna, situa-se Mercúrio; em seu pescoço, está Rahu; em todo o seu corpo, estão os cometas, e em seus poros, figuram as numerosas estrelas.
Devanagari
एतदु हैव भगवतो विष्णो: सर्वदेवतामयं रूपमहरह: सन्ध्यायां प्रयतो वाग्यतो निरीक्षमाण उपतिष्ठेत नमो ज्योतिर्लोकाय कालायनायानिमिषां पतये महापुरुषायाभिधीमहीति ॥ ८ ॥
Verse text
etad u haiva bhagavato viṣṇoḥ sarva-devatāmayaṁ rūpam aharahaḥ sandhyāyāṁ prayato vāgyato nirīkṣamāṇa upatiṣṭheta namo jyotir-lokāya kālāyanāyānimiṣāṁ pataye mahā-puruṣāyābhidhīmahīti.
Synonyms
etat — isto; u ha — na verdade; eva — com certeza; bhagavataḥ — da Suprema Personalidade de Deus; viṣṇoḥ — do Senhor Viṣṇu; sarva-devatā-mayam — consistindo em todos os semideuses; rūpam — forma; ahaḥ-ahaḥ — sempre; sandhyāyām — de manhã, ao meio-dia e à noite; prayataḥ — meditando em; vāgyataḥ — controlando as palavras; nirīkṣamāṇaḥ — observando; upatiṣṭheta — deve-se adorar; namaḥ — respeitosas reverências; jyotiḥ-lokāya — ao lugar de repouso de todos os sistemas planetários; kālāyanāya — sob a forma do tempo supremo; animiṣām — dos semideuses; pataye — no mestre; mahā-puruṣāya — na Pessoa Suprema; abhidhīmahi — meditemos; iti — assim.
Translation
Meu querido rei, o corpo do śiśumāra, como foi descrito, deve ser considerado a forma externa do Senhor Viṣṇu, a Suprema Personalidade de Deus. De manhã, ao meio-dia e à noite, deve-se observar silenciosamente o Senhor sob a forma do Śiśumāra-cakra e adorá-lO com este mantra: “Ó Senhor que assumistes a forma do tempo! Ó lugar de repouso de todos os planetas que se movem em diferentes órbitas! Ó mestre de todos os semideuses, ó Pessoa Suprema, ofereço-Vos minhas respeitosas reverências e medito em Vós.”
Devanagari
ग्रहर्क्षतारामयमाधिदैविकं
पापापहं मन्त्रकृतां त्रिकालम् ।
नमस्यत: स्मरतो वा त्रिकालं
नश्येत तत्कालजमाशु पापम् ॥ ९ ॥
पापापहं मन्त्रकृतां त्रिकालम् ।
नमस्यत: स्मरतो वा त्रिकालं
नश्येत तत्कालजमाशु पापम् ॥ ९ ॥
Verse text
graharkṣatārāmayam ādhidaivikaṁ
pāpāpahaṁ mantra-kṛtāṁ tri-kālam
namasyataḥ smarato vā tri-kālaṁ
naśyeta tat-kālajam āśu pāpam
pāpāpahaṁ mantra-kṛtāṁ tri-kālam
namasyataḥ smarato vā tri-kālaṁ
naśyeta tat-kālajam āśu pāpam
Synonyms
graha-ṛkṣa-tārā-mayam — consistindo em todos os planetas e estrelas; ādhidaivikam — o líder de todos os semideuses; pāpa-apaham — o exterminador das reações pecaminosas; mantra-kṛtām — daqueles que cantam o mantra acima mencionado; tri-kālam — três vezes; namasyataḥ — oferecendo reverências; smarataḥ — meditando; vā — ou; tri-kālam — três vezes; naśyeta — destrói; tat-kāla-jam — nascidas naquele momento; āśu — muito rapidamente; pāpam — todas as reações pecaminosas.
Translation
O corpo do Senhor Supremo, Viṣṇu, que constitui o Śiśumāra-cakra, é o lugar onde repousam todos os semideuses e todas as estrelas e planetas. Todo aquele que canta este mantra para adorar a Pessoa Suprema três vezes por dia – de manhã, ao meio-dia e à noite – com certeza se livra de todas as reações pecaminosas. Se alguém simplesmente oferece suas reverências a esta forma ou se recorda dela três vezes por dia, todas as suas atividades pecaminosas recentes serão exterminadas.
Purport
SIGNIFICADO—Resumindo toda a descrição dos sistemas planetários do universo, Śrīla Viśvanātha Cakravartī Ṭhākura diz que alguém que é capaz de meditar nesse arranjo como o virāṭ-rūpa, ou viśva-rūpa, o corpo externo da Suprema Personalidade de Deus, e, através de meditação, adora-O três vezes por dia, sempre estará livre de todas as reações pecaminosas. Viśvanātha Cakravartī Ṭhākura calcula que Dhruvaloka, a estrela polar, fica a 3.800.000 yojanas acima do Sol. A 10.000.000 de yojanas acima de Dhruvaloka, encontra-se Maharloka; a 20.000.000 de yojanas, está Janaloka; acima de Maharloka, a 80.000.000 de yojanas acima de Janaloka, está Tapoloka, e, a 120.000.000 de yojanas acima de Tapoloka, encontra-se Satyaloka. Desse modo, a distância do Sol até Satyaloka é de 233.800.000 yojanas, ou 2.992.600.000 quilômetros. Os planetas Vaikuṇṭha começam a 26.200.000 yojanas (335.360.000 quilômetros) acima de Satyaloka. Assim, o Viṣṇu Purāṇa descreve que a cobertura do universo fica a 260.000.000 de yojanas (3.328.000.000 de quilômetros) distante do Sol. A distância entre o Sol e a Terra é de 100.000 yojanas, e, a 70.000 yojanas abaixo da Terra, localizam-se os sistemas planetários inferiores chamados Atala, Vitala, Sutala, Talātala, Mahātala, Rasātala e Pātāla. A 30.000 yojanas abaixo desses planetas inferiores, Śeṣa Nāga deita-Se no Oceano Garbhodaka. Esse oceano tem 249.800.000 yojanas de profundidade. Assim, o diâmetro total do universo é de aproximadamente 500.000.000 de yojanas, ou 6.400.000.000 de quilômetros.
Neste ponto, encerram-se os Significados Bhaktivedanta do quinto canto, décimo terceiro capítulo, do Śrīmad-Bhāgavatam, intitulado “O Sistema Planetário Śiśumāra”.