ŚB 10.83.41-42

न वयं साध्वि साम्राज्यं स्वाराज्यं भौज्यमप्युत ।
वैराज्यं पारमेष्ठ्यं च आनन्त्यं वा हरे: पदम् ॥ ४१ ॥
कामयामह एतस्य श्रीमत्पादरज: श्रिय: ।
कुचकुङ्कुमगन्धाढ्यं मूर्ध्ना वोढुं गदाभृत: ॥ ४२ ॥
na vayaṁ sādhvi sāmrājyaṁ
svārājyaṁ bhaujyam apy uta
vairājyaṁ pārameṣṭhyaṁ ca
ānantyaṁ vā hareḥ padam
kāmayāmaha etasya
śrīmat-pāda-rajaḥ śriyaḥ
kuca-kuṅkuma-gandhāḍhyaṁ
mūrdhnā voḍhuṁ gadā-bhṛtaḥ

Synonyms

nanão; vayamnós; sādhvió dama santa (Draupadī); sāmrā­jyandomínio sobre a Terra inteira; sva-rājyama posição do senhor Indra, o rei dos céus; bhaujyampoderes ilimitados de desfrute; api utanem mesmo; vairājyampoder místico; pārameṣṭhyama po­sição do senhor Brahmā, criador do universo; cae; ānantyamimortalidade; ou; hareḥdo Senhor Supremo; padama mora­da; kāmayāmahedesejamos; etasyadEle; śrī-matdivino; pāda­dos pés; rajaḥa poeira; śrīyaḥda deusa da fortuna; kucado seio; kuṅkumado pó cosmético; gandhapelo perfume; āḍhyamenriquecida; mūrdhnāsobre nossas cabeças; voḍhumcarregar; gadā-bhṛtaḥdo Senhor Kṛṣṇa, o manejador da maça.

Translation

Ó dama santa, não desejamos domínio sobre a Terra, a sobera­nia do rei dos céus, ilimitada facilidade para o desfrute, poder místico, a posição do senhor Brahmā, imortalidade, tampouco a entrada no reino de Deus. Desejamos apenas levar em nossas cabeças a gloriosa poeira dos pés do Senhor Kṛṣṇa, enriquecida pela fragrância do kuṅkuma dos seios de Sua consorte.

Purport

SIGNIFICADO—O verbo rāj quer dizer “governar”, e dele derivam as palavras sāmrājyam, que significa “domínio sobre a Terra inteira”, e svārā­jyam, que significa “soberania sobre os céus”. Bhaujyam vem do verbo bhuj, “desfrutar”, de modo que se refere à capacidade de desfrutar de qualquer coisa que se deseje. Śrīla Viśvanātha Cakravartī explica que virāṭ representa a frase vividhaṁ virājate (“desfrutam-se muitas espécies de opulência”) e indica especificamente as oito perfeições místicas: aṇimā e assim por diante.
Śrīla Śrīdhara Svāmī apresenta uma explicação alternativa desses termos, dizendo que, segundo o Bahv-ṛca Brāhmaṇa, esses quatro termos designam o poder de soberania sobre cada um dos quatro pontos cardeais: sāmrājya refere-se ao leste; bhaujya, ao sul; svārājya, ao oeste; e vairājya, ao norte.
As rainhas do Senhor Kṛṣṇa deixam claro que não desejam nenhum desses poderes, nem mesmo a posição de Brahmā, a liberação ou a entrada no reino de Deus. Elas querem apenas a poeira dos pés de Śrī Kṛṣṇa, a qual a própria deusa Śrī adora. Śrīla Viśvanātha Cakravartī nos diz que a deusa da fortuna que se menciona aqui não é Lakṣmī, a consorte de Nārāyaṇa. Afinal, o ācārya explica, a deusa Lakṣmī não pôde alcançar a associação direta com Kṛṣṇa nem mesmo depois de praticar demoradas austeridades, como declara Uddhava: nāyaṁ śrīyo ’ṅga u nitānta-rateḥ prasādaḥ. (Śrīmad-Bhāgavatam 10.47.60) Em vez disso, a Śrī a que se refere esta passagem é a suprema deusa da fortuna identificada pelo Bṛhad-gautamīya-tantra:
devī kṛṣṇa-mayī proktā
rādhikā para-devatā
sarva-lakṣmī-mayī sarva
kāntiḥ sammohinī parā
“A transcendental deusa Śrīmatī Rādhārāṇī é o complemento direto do Senhor Śrī Kṛṣṇa. Ela é a figura central de todas as deusas da fortuna. Possui todo o poder de atração para atrair a todo-atrativa Personalidade de Deus. É a primordial potência interna do Senhor.”