ŚB 5.9.18

भृशममर्षरोषावेशरभसविलसितभ्रुकुटिविटपकुटिलदंष्ट्रारुणेक्षणाटोपातिभयानकवदना हन्तुकामेवेदं महाट्टहासमतिसंरम्भेण विमुञ्चन्ती तत उत्पत्य पापीयसां दुष्टानां तेनैवासिना विवृक्णशीर्ष्णां गलात्स्रवन्तमसृगासवमत्युष्णं सह गणेन निपीयातिपानमदविह्वलोच्चैस्तरां स्वपार्षदै: सह जगौ ननर्त च विजहार च शिर:कन्दुकलीलया ॥ १८ ॥
bhṛśam amarṣa-roṣāveśa-rabhasa-vilasita-bhru-kuṭi-viṭapa-kuṭila-daṁṣṭrāruṇekṣaṇāṭopāti-bhayānaka-vadanā hantu-kāmevedaṁ mahāṭṭa-hāsam ati-saṁrambheṇa vimuñcantī tata utpatya pāpīyasāṁ duṣṭānāṁ tenaivāsinā vivṛkṇa-śīrṣṇāṁ galāt sravantam asṛg-āsavam atyuṣṇaṁ saha gaṇena nipīyāti-pāna-mada-vihvaloccaistarāṁ sva-pārṣadaiḥ saha jagau nanarta ca vijahāra ca śiraḥ-kanduka-līlayā.

Synonyms

bhṛśammuito altamente; amarṣacom intolerância com as ofensas; roṣacom ira; āveśade sua concentração; rabhasa-vilasitaexpandida pela força; bhru-kuṭide suas sobrancelhas; viṭapaas linhas; kuṭilacurvos; daṁṣṭradentes; aruṇa-īkṣaṇade olhos avermelhados; āṭopadevido à agitação; atimuitíssimo; bhayānakaamedrontadora; vadanātendo um rosto; hantu-kāmādesejoso de destruir; ivacomo se; idameste universo; mahā-aṭṭa-hāsamuma risada muito assustadora; atiintensa; saṁrambheṇadevido à ira; vimuñcantīescapando; tataḥdaquele altar; utpatyaadiantando-se; pāpīyasāmde todos os pecaminosos; duṣṭānāmgrandes ofensores; tena eva asinācom aquele mesmíssimo cutelo; vivṛkṇaseparou; śīrṣṇāmcujas cabeças; galātdos pescoços; sravantamesvaindo-se; asṛk-āsavamo sangue, comparado a uma bebida embriagadora; ati-uṣṇammuito quente; sahacom; gaṇenasuas associadas; nipīyabebendo; ati-pānade tanto beber; madapela embriaguez; vihvalādominadas; uccaiḥ-tarāmbem alto; sva-pārṣadaiḥsuas próprias associadas; sahacom; jagaucantava; nanartadançava; catambém; vijahāradivertia-se; catambém; śiraḥ-kandukausando as cabeças como bolas; līlayāpor diversão.

Translation

Não conseguindo tolerar as ofensas cometidas, a enfurecida deusa Kālī lançou chamas pelos olhos e exibiu seus ferozes dentes curvos. Seus olhos vermelhos brilhavam, e ela apresentou suas feições amedrontadoras. Ela assumiu um corpo assustador, como se estivesse pronta para destruir toda a criação. Pulando violentamente do altar, ela decapitou de imediato todos os ladrões e canalhas com a mesma espada com que eles haviam intencionado matar Jaḍa Bharata. Então, ela começou a beber o sangue quente que escorria do pescoço dos ladrões e patifes decapitados, como se esse sangue fosse uma bebida alcóolica. Na verdade, ela bebia esse líquido embriagador com suas associadas, que eram bruxas e demônias. Intoxicadas com o sangue, todas elas passaram a cantar bem alto e a dançar como se estivessem preparadas para aniquilar todo o universo. Ao mesmo tempo, elas começaram a divertir-se com as cabeças dos ladrões e assaltantes, jogando-as como se fossem bolas.

Purport

SIGNIFICADO—Fica bastante evidente neste verso que os devotos da deusa Kālī não são nem um pouco favorecidos por ela. Cabe-lhe punir e matar os demônios. A deusa Kālī (Durgā) ocupa-se em decapitar demônios, salteadores e muitos outros elementos nocivos à sociedade. Negligenciando a consciência de Kṛṣṇa, pessoas tolas tentam satisfazer a deusa oferecendo-lhe muitas coisas abomináveis, mas, no final, quando se detecta uma pequena falha nessa adoração, a deusa pune o adorador tirando-lhe a vida. Em busca de algum benefício material, pessoas demoníacas adoram a deusa Kālī, mas não recebem perdão pelos pecados cometidos em nome da adoração. Sacrificar um homem ou um animal diante da deidade é expressamente proibido.