ŚB 7.2.47

यावल्लिङ्गान्वितो ह्यात्मा तावत्कर्मनिबन्धनम् ।
ततो विपर्यय: क्लेशो मायायोगोऽनुवर्तते ॥ ४७ ॥
yāval liṅgānvito hy ātmā
tāvat karma-nibandhanam
tato viparyayaḥ kleśo
māyā-yogo ’nuvartate

Synonyms

yāvatenquanto; liṅga-anvitaḥcoberta pelo corpo sutil; hina verdade; ātmāa alma; tāvatneste período; karmade atividades fruitivas; nibandhanamcativeiro; tataḥdisto; viparyayaḥinverso (pensando erroneamente que o corpo é o eu); kleśaḥsofrimento; māyā-yogaḥuma forte relação com a energia externa ilusória; anuvartateestabelece-se.

Translation

Enquanto estiver coberta pelo corpo sutil, consistindo em mente, inteligência e falso ego, a alma espiritual ficará atada aos resultados de suas atividades fruitivas. Devido a essa cobertura, a alma espiritual estabelece um vínculo com a energia material e, nessas circunstâncias, deve submeter-se a condições e reveses materiais, continuamente, vida após vida.

Purport

SIGNIFICADO—A entidade viva está atada ao corpo sutil, que consiste em mente, inteligência e falso ego. Na hora da morte, portanto, o estado mental determina qual será o próximo corpo. Como se confirma na Bhagavad-gītā (8.6), yaṁ yaṁ vāpi smaran bhāvaṁ tyajaty ante kalevaram: no momento da morte, a mente estabelece o critério através do qual a alma espiritual será transferida a outro tipo de corpo. Se o ser vivo resiste aos ditames da mente e a ocupa no amoroso serviço ao Senhor, ela não conseguirá degradá-lo. Portanto, é dever de todos os seres humanos conservar a mente sempre ocupada nos pés de lótus do Senhor (sa vai manaḥ kṛṣṇa-padāravindayoḥ). Quando a mente está ocupada nos pés de lótus de Kṛṣṇa, a inteligência se purifica e, então, a inteligência obtém inspiração da Superalma (dadāmi buddhi yogaṁ tam). Dessa maneira, a entidade viva progride para, em seguida, libertar-se do cativeiro material. A alma viva individual está sujeita às leis da atividade fruitiva, mas a Superalma, Paramātmā, não é afetada pelas atividades fruitivas da alma individual. Como se confirma na Upaniṣad védica, o Paramātmā e a jīvātmā, que são comparados a dois pássaros, estão firmados no mesmo corpo. A jīvātmā está desfrutando ou sofrendo porque come os frutos das atividades corpóreas, mas o Paramātmā, que está livre desse cativeiro, testemunha e sanciona as atividades da alma individual, conforme essa deseja.