ŚB 6.1.9

श्रीराजोवाच
द‍ृष्टश्रुताभ्यां यत्पापं जानन्नप्यात्मनोऽहितम् ।
करोति भूयो विवश: प्रायश्चित्तमथो कथम् ॥ ९ ॥
śrī-rājovāca
dṛṣṭa-śrutābhyāṁ yat pāpaṁ
jānann apy ātmano ’hitam
karoti bhūyo vivaśaḥ
prāyaścittam atho katham

Synonyms

śrī-rājā uvācaParīkṣit Mahārāja respondeu; dṛṣṭavendo; śru­tābhyāmtambém ouvindo (descrição das escrituras ou dos livros de leis); yatuma vez que; pāpamação pecaminosa e criminosa; jānanconhecendo; apiembora; ātmanaḥa seu eu; ahitamprejudicial; karotiele age; bhūyaḥvezes e mais vezes; vivaśaḥincapaz de controlar-se; prāyaścittamexpiação; athoportanto; kathamqual o valor de.

Translation

Mahārāja Parīkṣit disse: Pode ser que alguém saiba que a atividade pecaminosa lhe é prejudicial, pois ele realmente vê que um criminoso é punido pelo governo e hostilizado pelas pessoas em geral e porque fica sabendo através das escrituras e dos sábios eruditos que quem comete atos pecaminosos é atirado em condições infernais na próxima vida. Entretanto, apesar de ter esse conhecimento, ele é impelido a cometer pecados vezes e mais vezes, mesmo após executar atos de expiação. Portanto, de que adianta tal expiação?

Purport

SIGNIFICADO—Em algumas seitas religiosas, o homem pecaminoso procura o sacerdote e confessa seus atos pecaminosos e recebe uma penitência, mas depois ele volta a cometer os mesmos pecados e vai confessá-los outra vez. Esta prática define os pecadores profissionais. As observações de Mahārāja Parīkṣit denotam que, mesmo há cinco mil anos, os criminosos costumavam expiar seus crimes, mas depois voltavam a cometer os mesmos crimes, como se algo os impelisse a agir assim. Portanto, devido à sua experiência prática, Parīkṣit Mahārāja obser­vou que o processo de repetidamente pecar e expiar é descabido. Não importa quantas vezes alguém seja punido; se ele estiver apegado ao gozo dos sentidos, ficará cometendo atos pecaminosos até que seja treinado a se restringir de satisfazer seus sentidos. Utiliza-se aqui a palavra vivaśa, indicando que, por hábito, alguém é impelido a cometer atos pecaminosos, mesmo não querendo adotar esse comportamen­to. Portanto, Parīkṣit Mahārāja considerou que o processo de ex­piação tem pouco valor em livrar alguém da prática de atos pecaminosos. No verso seguinte, ele continua explicando por que rejeita esse processo.