ŚB 3.27.17

देवहूतिरुवाच
पुरुषं प्रकृतिर्ब्रह्मन्न विमुञ्चति कर्हिचित् ।
अन्योन्यापाश्रयत्वाच्च नित्यत्वादनयो: प्रभो ॥ १७ ॥
devahūtir uvāca
puruṣaṁ prakṛtir brahman
na vimuñcati karhicit
anyonyāpāśrayatvāc ca
nityatvād anayoḥ prabho

Synonyms

devahūtiḥ uvācaDevahūti disse; puruṣama alma espiritual; prakṛtiḥnatureza material; brahmanó brāhmaṇa; nanão; vimuñcatialivia; karhicitem algum momento; anyonyauma à outra; apāśrayatvātda atração; cae; nityatvātda eternidade; anayoḥde ambas; prabhoó meu Senhor.

Translation

Śrī Devahūti perguntou: Meu querido brāhmaṇa, acaso a natureza material alguma vez deixa a alma espiritual partir? Uma vez que uma é atraída pela outra eternamente, como é possível a separação delas?

Purport

Devahūti, a mãe de Kapiladeva, faz aqui sua primeira pergunta. Embora se possa entender que a alma espiritual e a matéria são diferentes, não é possível separá-las realmente, nem pela especulação filosófica, nem pela compreensão adequada. A alma espiritual é a potência marginal do Senhor Supremo, e a matéria é a potência externa do Senhor. De alguma forma, as duas potências eternas têm-se combinado, e, já que é tão difícil separar uma da outra, como é possível que a alma individual se liberte? Pela experiência prática, podemos ver que, quando a alma se separa do corpo, o corpo não tem existência real, e, quando o corpo se separa da alma, não se pode perceber a existência da alma. Enquanto a alma e o corpo estão combinados, podemos compreender que existe vida. Porém, ao se separarem, não há existência manifesta do corpo nem da alma. Esta pergunta feita por Devahūti a Kapiladeva é mais ou menos motivada pela filosofia do niilismo. Os niilistas dizem que a consciência é produto de uma combinação de elementos materiais, e que, assim que a consciência parte, a combinação material se dissolve, de modo que, em última análise, não há nada além do vazio. Na filosofia māyāvāda, essa ausência da consciência se chama nirvāṇa.