ŚB 10.69.1-6

श्रीशुक उवाच
नरकं निहतं श्रुत्वा तथोद्वाहं च योषिताम् ।
कृष्णेनैकेन बह्वीनां तद् दिद‍ृक्षु: स्म नारद: ॥ १ ॥
चित्रं बतैतदेकेन वपुषा युगपत्पृथक् ।
गृहेषु द्वय‍ष्टसाहस्रं स्‍त्रिय एक उदावहत् ॥ २ ॥
इत्युत्सुको द्वारवतीं देवर्षिर्द्रष्टुमागमत् ।
पुष्पितोपवनारामद्विजालिकुलनादिताम् ॥ ३ ॥
उत्फुल्ल‍ेन्दीवराम्भोजकह्लारकुमुदोत्पलै: ।
छुरितेषु सर:सूच्चै: कूजितां हंससारसै: ॥ ४ ॥
प्रासादलक्षैर्नवभिर्जुष्टां स्फाटिकराजतै: ।
महामरकतप्रख्यै: स्वर्णरत्नपरिच्छदै: ॥ ५ ॥
विभक्तरथ्यापथचत्वरापणै:
शालासभाभी रुचिरां सुरालयै: ।
संसिक्तमार्गाङ्गनवीथिदेहलीं
पतत्पताकध्वजवारितातपाम् ॥ ६ ॥
śrī-śuka uvāca
narakaṁ nihataṁ śrutvā
tathodvāhaṁ ca yoṣitām
kṛṣṇenaikena bahvīnāṁ
tad-didṛkṣuḥ sma nāradaḥ
citraṁ bataitad ekena
vapuṣā yugapat pṛthak
gṛheṣu dvy-aṣṭa-sāhasraṁ
striya eka udāvahat
ity utsuko dvāravatīṁ
devarṣir draṣṭum āgamat
puṣpitopavanārāma-
dvijāli-kula-nāditām
utphullendīvarāmbhoja-
kahlāra-kumudotpalaiḥ
churiteṣu saraḥsūccaiḥ
kūjitāṁ haṁsa-sārasaiḥ
prāsāda-lakṣair navabhir
juṣṭāṁ sphāṭika-rājataiḥ
mahā-marakata-prakhyaiḥ
svarṇa-ratna-paricchadaiḥ
vibhakta-rathyā-patha-catvarāpaṇaiḥ
śālā-sabhābhī rucirāṁ surālayaiḥ
saṁsikta-mārgāṅgana-vīthi-dehalīṁ
patat-patāka-dhvaja-vāritātapām

Synonyms

śrī-śukaḥ uvācaŚukadeva Gosvāmī disse; narakamo demônio Naraka; nihatammorto; śrutvāouvindo; tathātambém; udvāhamo casamento; cae; yoṣitāmcom mulheres; kṛṣṇenapelo Senhor Kṛṣṇa; ekenaum; bahvīnāmcom muitas; tataquilo; di­dṛkṣuḥquerendo ver; smade fato; nāradaḥNārada; citrammaravilhoso; bataah; etatisto; ekenacom um único; vapuṣācorpo; yugapatao mesmo tempo; pṛthakseparadas; gṛheṣuem residências; dviduas vezes; aṣṭaoito; sāhasrammil; striyaḥmulheres; ekaḥsozinho; udāvahatcasou; itiassim; utsukaḥávido; dvāravatīma Dvārakā; devados semideuses; ṛṣiḥo sábio, Nārada; draṣṭumver; āgamatfoi; puṣpitafloridos; upavanaem parques; ārāmae jardins de recreio; dvijade aves; alie abelhas; kulacom bandos e enxames; nāditāmressoando; utphullaexuberantes; indīvarade lótus azuis; ambhojalótus que desabrocham de dia; kahlāralótus brancos comestíveis; kumudalótus que desa­brocham ao luar; utpalaiḥe nenúfares; churiteṣucheios; saraḥsudentro de lagos; uccaiḥalto; kūjitāmcheia do grito; haṁsade cisnes; sārasaiḥe grous; prāsādacom palácios; lakṣaiḥcentenas de milhares; navabhiḥnove; juṣṭāmadornada; sphāṭikafeitos de cristal; rājataiḥe prata; mahā-marakatacom grandes esmeraldas; prakhyaiḥesplêndidos; svarṇade ouro; ratnae pedras precio­sas; paricchadaiḥcujos móveis; vibhaktadividida sistematicamente; rathyācom avenidas principais; pathaestradas; catvaraencruzilhadas; āpaṇaiḥe mercados; śālā-sabhābhiḥcom salões de assembleias; rucirāmencantadores; surados semideuses; ālayaiḥcom templos; saṁsiktaborrifados de água; mārgacujas estradas; aṅganaquintais; vīthiruas comerciais; dehalīme pátios; patatque tremulavam; patākacom estandartes; dhvajapelos mastros; vāritaaparado; ātapāmo calor do Sol.

Translation

Śukadeva Gosvāmī disse: Ao ouvir que o Senhor Kṛṣṇa matara Narakāsura e casara-Se com muitas noivas, Nārada Muni desejou ver o Senhor nessa situação. Ele pensou: “É muito surpreendente que, em um único corpo, o Senhor Kṛṣṇa tenha casado, ao mesmo tempo, com dezesseis mil mulheres, cada qual em um palácio separado.” Assim, o sábio dentre os semideuses, dirigiu-se avidamente para Dvārakā.

Purport

A cidade ressoava com o canto de aves e abelhas que voavam pelos parques e jardins de recreio, enquanto, em seus lagos, repletos de exuberantes lótus indīvara, ambhoja, kahlāra, kumuda e utpala, ecoavam os gorjeios de cisnes e grous. Dvārakā osten­tava novecentos mil palácios reais, todos construídos de cristal e prata e esplendorosamente decorados com esmeraldas enormes. No interior desses palácios, os móveis eram ornados com ouro e pedras preciosas. O tráfego fluía por um bem estabelecido siste­ma de bulevares, estradas, encruzilhadas e mercados, e muitos salões de assembleias e templos de semideuses adornavam a en­cantadora cidade. As estradas, quintais, ruas comerciais e pátios residenciais estavam todos borrifados com água e protegidos do calor do Sol por estandartes que tremulavam nos mastros.
SIGNIFICADO—Em Kṛṣṇa, Śrīla Prabhupāda faz a seguinte bela descrição da ci­dade de Dvārakā: “Curioso por saber como Kṛṣṇa estava tratando de Seus assuntos domésticos com tantas esposas, Nārada desejou ver esses passatempos e, por isso, partiu para visitar os diferentes lares de Kṛṣṇa. Quando chegou a Dvārakā, Nārada viu jardins e parques re­pletos de flores de diferentes cores e pomares sobrecarregados de di­versas frutas. Belas aves gorjeavam, e pavões cantavam com prazer. Havia lagoas e tanques cheios de flores de lótus azuis e vermelhas, e alguns desses lugares estavam repletos de variedades de lírios. Os lagos estavam cheios de belos cisnes e grous, cujo canto ressoava por toda parte. Na cidade, havia cerca de novecentos mil grandes palá­cios construídos de mármore de primeira qualidade, com portões e portas de prata. As colunas das casas e palácios eram incrustadas de pedras preciosas, tais como pedras filosofais, safiras e esmeraldas, e os as­soalhos emitiam um lindo brilho. As vias públicas, veredas, ruas, cruzamentos e mercados estavam todos belamente decorados. A ci­dade inteira estava cheia de residências, salões de assembleias e templos, todos de diferenciada beleza arquitetônica. Tudo isso fazia de Dvārakā uma cidade deslumbrante. As largas avenidas, cruzamen­tos, veredas e ruas, e também as soleiras de cada residência estavam muito limpos. Dos dois lados de cada caminho, havia arbustos, e, a intervalos regulares, havia grandes árvores que sombreavam as ave­nidas de modo que o Sol não incomodasse os transeuntes.”