ŚB 10.51.12

स तावत्तस्य रुष्टस्य द‍ृष्टिपातेन भारत ।
देहजेनाग्निना दग्धो भस्मसादभवत् क्षणात् ॥ १२ ॥
sa tāvat tasya ruṣṭasya
dṛṣṭi-pātena bhārata
deha-jenāgninā dagdho
bhasma-sād abhavat kṣaṇāt

Synonyms

saḥele, Kālayavana; tāvatimediatamente; tasyadele, do homem acordado; ruṣṭasyaque estava irado; dṛṣṭido olhar; pāte­napelo lançar; bhārataó descendente de Bharata (Parīkṣit Mahā­rāja); deha-jenagerado em seu próprio corpo; agnināpelo fogo; dagdhaḥqueimado; bhasma-sātaté as cinzas; abhavatfoi; kṣaṇātem um momento.

Translation

O homem desperto estava irado e lançou seu olhar sobre Kālaya­vana, cujo corpo irrompeu em chamas. Em um momento, ó rei Pa­rīkṣit, Kālayavana foi reduzido a cinzas.

Purport

SIGNIFICADO—O homem que incinerou Kālayavana com seu olhar chamava-se Mucukunda. Conforme ele explicará ao Senhor Kṛṣṇa, ele lutara por muito tempo a favor dos semideuses, recebendo como bênção, por fim, o direito de dormir sem ser perturbado. O Hari-vaṁśa explica que ele obteve a bênção adicional de ser capaz de destruir qualquer um que perturbasse seu sono. O Ācārya Viśvanātha Cakravartī Ṭhākura cita o seguinte trecho do Śrī Hari-vaṁśa:
prasuptaṁ bodhayed yo māṁ
taṁ daheyam ahaṁ surāḥ
cakṣuṣā krodha-dīptena
evam āha punaḥ punaḥ
“Repetidas vezes, Mucukunda disse: ‘Ó semideuses, com olhos ar­dentes de ira, que eu possa incinerar qualquer um que me desperte do sono.’”
Śrīla Viśvanātha Cakravartī explica que Mucukunda fez esta exi­gência bastante mórbida para assustar o senhor Indra, que, de outro modo, pensava Mucukunda, poderia despertá-lo repetidamente para pedir ajuda no combate aos inimigos cósmicos de Indra. O consentimento de Indra ao pedido de Mucukunda está descrito como segue no Śrī Viṣṇu Purāṇa:
proktaś ca devaiḥ saṁsuptaṁ
yas tvām utthāpayiṣyati
deha-jenāgninā sadyaḥ
sa tu bhasmī-kariṣyati
“Os semideuses declararam: ‘Quem quer que te desperte do sono será subitamente reduzido a cinzas por um fogo gerado de seu próprio corpo.’”