ŚB 3.20.43
Devanagari
त आत्मसर्गं तं कायं पितर: प्रतिपेदिरे ।
साध्येभ्यश्च पितृभ्यश्च कवयो यद्वितन्वते ॥ ४३ ॥
साध्येभ्यश्च पितृभ्यश्च कवयो यद्वितन्वते ॥ ४३ ॥
Verse text
ta ātma-sargaṁ taṁ kāyaṁ
pitaraḥ pratipedire
sādhyebhyaś ca pitṛbhyaś ca
kavayo yad vitanvate
pitaraḥ pratipedire
sādhyebhyaś ca pitṛbhyaś ca
kavayo yad vitanvate
Synonyms
Translation
Os próprios Pitās tomaram posse do corpo invisível, a fonte de sua existência. É por intermédio desse corpo invisível que aqueles bem versados nos rituais oferecem oblações aos Sādhyas e Pitās [na forma de seus ancestrais falecidos] na ocasião de śrāddha.
Purport
Śrāddha é uma cerimônia ritualística observada pelos seguidores dos Vedas. Há uma ocasião anual de quinze dias em que os ritualistas religiosos seguem o princípio de oferecer oblações às almas falecidas. Assim, aqueles pais e ancestrais que, por capricho da natureza, talvez não tenham um corpo grosseiro para o desfrute material podem novamente ganhar tais corpos devido ao oferecimento de oblações śrāddha por parte de seus descendentes. A realização de śrāddha, ou oferecimento de oblações com prasāda, ainda é corrente na Índia, especialmente em Gayā, onde se oferecem oblações aos pés de lótus de Viṣṇu num templo famoso. Como o Senhor fica desse modo satisfeito com o serviço devocional dos descendentes, por Sua graça Ele liberta as almas condenadas de antepassados que não têm corpos grosseiros e os favorece, novamente concedendo-lhes um corpo grosseiro para o desenvolvimento do avanço espiritual.
Infelizmente, pela influência de māyā, a alma condicionada emprega o corpo que obtém para o gozo dos sentidos, esquecendo-se de que tal ocupação poderá levá-la a retornar a um corpo invisível. O devoto do Senhor, ou aquele que é consciente de Kṛṣṇa, contudo, não precisa realizar cerimônias ritualísticas tais como śrāddha porque está sempre satisfazendo o Senhor Supremo. Portanto, seus pais e ancestrais, que talvez estejam em dificuldade, são automaticamente aliviados. Exemplo vívido disso é Prahlāda Mahārāja. Prahlāda Mahārāja pediu ao Senhor Nṛsiṁhadeva que salvasse seu pai pecaminoso, que tantas vezes ofendera os pés de lótus do Senhor. O Senhor respondeu que, numa família onde nasce um vaiṣṇava como Prahlāda, não somente seu pai, mas também o pai de seu pai e seus pais – remontando ao décimo quarto pai – são todos automaticamente liberados. A conclusão, portanto, é que a consciência de Kṛṣṇa é o somatório de todo o bom trabalho para a família, para a sociedade e para todas as entidades vivas. No Caitanya-caritāmṛta, o autor diz que uma pessoa plenamente versada na consciência de Kṛṣṇa não executa ritual algum por saber que, simplesmente servindo a Kṛṣṇa em plena consciência de Kṛṣṇa, todos os rituais são automaticamente executados.