ŚB 4.25.26
Devanagari
का त्वं कञ्जपलाशाक्षि कस्यासीह कुत: सति ।
इमामुप पुरीं भीरु किं चिकीर्षसि शंस मे ॥ २६ ॥
इमामुप पुरीं भीरु किं चिकीर्षसि शंस मे ॥ २६ ॥
Verse text
kā tvaṁ kañja-palāśākṣi
kasyāsīha kutaḥ sati
imām upa purīṁ bhīru
kiṁ cikīrṣasi śaṁsa me
kasyāsīha kutaḥ sati
imām upa purīṁ bhīru
kiṁ cikīrṣasi śaṁsa me
Synonyms
Translation
Minha querida donzela de olhos de lótus, por favor, explica-me de onde vens, quem és e de quem és filha. Pareces muito casta. Com que propósito vieste aqui? O que estás tentando fazer? Por favor, explica-me tudo isso.
Purport
SIGNIFICADO––O primeiro aforismo do Vedānta-sūtra é athāto brahma-jijñāsā. Na forma humana de vida, todos devem apresentar muitos questionamentos a si mesmos e à sua inteligência. Nas diversas formas de vida inferiores à vida humana, a inteligência não vai além do âmbito das necessidades primárias da vida – a saber, comer, dormir, acasalar-se e defender-se. Os cães, gatos e tigres estão sempre atarefados tentando encontrar algo para comer ou um lugar para dormir, tentando defender-se e ter intercursos sexuais exitosamente. Na forma humana de vida, entretanto, todos devem ter inteligência para indagar o que são eles, por que vieram a este mundo, qual é seu dever, quem é o controlador supremo, qual é a diferença entre a matéria inerte e a entidade viva etc. São muitas as perguntas, e a pessoa que é realmente inteligente deve simplesmente indagar acerca da fonte suprema de tudo: athāto brahma-jijñāsā. As entidades vivas estão sempre relacionadas com determinada quantidade de inteligência, mas, sob a forma humana de vida, a entidade viva deve indagar acerca de sua identidade espiritual. Isso é a inteligência humana verdadeira. Afirma-se que alguém consciente apenas do corpo é meramente um animal, muito embora possua uma forma humana. Na Bhagavad-gītā (15.15), Śrī Kṛṣṇa diz que sarvasya cāhaṁ hṛdi sanniviṣṭo mattaḥ smṛtir jñānam apohanaṁ ca: “Eu Me encontro no coração de todos, e de Mim vêm a lembrança, o conhecimento e o esquecimento.” Em sua forma animal, a entidade viva cai em esquecimento completo de sua relação com Deus. Isso se chama apohanam, ou esquecimento. Sob a forma humana de vida, contudo, a consciência se desenvolve em um grau maior, em consequência do que o ser humano tem a oportunidade de compreender sua relação com Deus. Sob a forma humana, deve-se utilizar a inteligência, fazendo todas essas perguntas, assim como Purañjana, a entidade viva, perguntou à mocinha desconhecida de onde ela vinha, qual era sua missão, por que estava ali etc. Essas são as perguntas sobre ātma-tattva – autorrealização. Concluindo, a não ser que a entidade viva seja inquisitiva acerca da autorrealização, ela é simplesmente um animal.