ŚB 4.23.22

विधाय कृत्यं ह्रदिनीजलाप्लुता
दत्त्वोदकं भर्तुरुदारकर्मण: ।
नत्वा दिविस्थांस्त्रिदशांस्त्रि: परीत्य
विवेश वह्निं ध्यायती भर्तृपादौ ॥ २२ ॥
vidhāya kṛtyaṁ hradinī-jalāplutā
dattvodakaṁ bhartur udāra-karmaṇaḥ
natvā divi-sthāṁs tridaśāṁs triḥ parītya
viveśa vahniṁ dhyāyatī bhartṛ-pādau

Synonyms

vidhāyaexecutando; kṛtyama função reguladora; hradinīna água do rio; jala-āplutātomando um banho completo; dattvā udakamoferecendo oblações de água; bhartuḥde seu esposo; udāra-karmaṇaḥque era tão liberal; natvāprestando reverên­cias; divi-sthānsituados no céu; tri-daśānos trinta milhões de semideuses; triḥtrês vezes; parītyacircundando; viveśaentrou; vahnimna fogueira; dhyāyatīenquanto pensava em; bhartṛde seu esposo; pādauos dois pés de lótus.

Translation

Depois disso, a rainha executou os funerais necessários e ofereceu oblações de água. Após se banhar no rio, ela prestou reverên­cias aos diversos semideuses situados no céu em diferentes sistemas planetários. Em seguida, ela circundou a fogueira e, enquan­to pensava nos pés de lótus de seu esposo, entrou em suas chamas.

Purport

SIGNIFICADO—O ato de uma esposa casta entrar nas chamas da pira de seu esposo morto chama-se saha-gamana, que significa “morrer com o esposo”. Esse sistema de saha-gamana vinha sendo praticado na civi­lização védica desde tempos imemoriais. Mesmo após o período bri­tânico na Índia, essa prática era rigidamente observada, mas logo se degradou a tal ponto que, mesmo quando a esposa não era forte o suficiente para entrar na pira de seu esposo morto, os parentes forçavam-na a fazê-lo. Deste modo, esta prática teve que ser sustada, mas, mesmo hoje em dia, ainda existem alguns casos isolados de esposas que voluntariamente entram no fogo e morrem com o esposo. Mesmo após 1940, tomamos conhecimento pessoalmente de uma esposa casta que morreu dessa maneira.