Skip to main content

Capítulo Sete

Evidências Referentes aos Princípios do Serviço Devocional

Aceitar o refúgio de um mestre espiritual autêntico

No Śrīmad-Bhāgavatam (11.2.21), Prabuddha diz a Mahārāja Nimi: “Por favor, meu querido rei, esteja certo de que, no mundo material, não há felicidade. Pensar que existe felicidade aqui é simplesmente um engano, porque este lugar é repleto unicamente de condi­ções miseráveis. Qualquer pessoa que esteja seriamente desejosa de alcançar a verdadeira felicidade deve buscar um mestre espiritual autêntico e abrigar-se nele por meio da iniciação. A qualificação de um mestre espiritual é que ele deve ter compreendido a conclusão das escrituras, deliberando e argumentando, e, deste modo, ser capaz de con­vencer outras pessoas acerca dessas conclusões. Deve-se concluir que tais personalidades gran­diosas que se abrigaram na Divindade Suprema, negligenciando todas as considerações materiais, são mestres espirituais autênticos. Todos devem tentar encontrar um de tais mestres espirituais autênticos a fim de cumprir a missão de suas vidas, que é transfe­rir-se ao plano da bem-aventurança espiritual”.

O significado do verso é que não devemos aceitar como mestre espiritual alguém que seja o tolo número um, que não tenha nenhuma instrução em concordância com as injunções escri­turais, cujo caráter seja duvidoso, que não siga os princípios do serviço devocional ou que não tenha dominado a influência dos seis agentes do gozo dos sentidos. Os seis agentes do gozo dos sentidos são a língua, os órgãos genitais, o estômago, a ira, a mente e as palavras. Qualquer pessoa que tenha se habituado a controlar esses seis agentes pode fazer discípulos em todo o mundo. A aceitação de semelhante mestre espiritual é o ponto crucial para se avançar na vida espiritual. Não resta dúvida de que a pessoa que tiver a fortuna de se abrigar em um mestre espiritual autêntico certa­mente cruzará o caminho da salvação espiritual.

Aceitar iniciação do mestre espiritual e receber instruções dele

O sábio Prabuddha continuou falando ao rei como segue: “Meu querido rei, um discípulo tem que aceitar o mestre espiritual não somente como mestre espiritual, mas também como o representante da Suprema Personalidade de Deus e a Superalma. Em outras palavras, o discípulo deve aceitar o mestre espiritual como Deus, porque o mestre es­piritual é a manifestação externa de Kṛṣṇa”. Isto é confirmado em todas as escrituras, e o discípulo deve aceitar o mestre espiritual como tal. Deve-se aprender o Śrīmad-Bhāgavatam com seriedade e com todo respeito e veneração pelo mestre espiritual. Ouvir e falar o Śrīmad-Bhāgavatam é o processo religioso que nos eleva à plataforma de servir e amar a Suprema Personalidade de Deus.

O discípulo deve ter sempre a atitude de satisfazer o mestre espiritual autêntico, em consequência do que compreenderá com muita facilidade o conhecimento espiritual. Isto está con­firmado nos Vedas, e, mais adiante, Rūpa Gosvāmī explicará que tudo se revela muito fa­cilmente para uma pessoa que tenha fé inabalável em Deus e no mestre espiritual.

Servir o mestre espiritual com fé e confiança

Com respeito a aceitar iniciação do mestre espiritual, no Śrīmad-Bhāgavatam (11.17.27), o Senhor Kṛṣṇa declara: “Meu querido Uddhava, o mestre espiritual não deve ser aceito somente como Meu representante, mas também como Eu mesmo. Ele jamais deve ser considerado no mesmo nível que um ser humano comum. Jamais se deve ter inveja do mestre espiritual como às vezes se tem de um homem co­mum. O mestre espiritual deve sempre ser visto como o representante da Suprema Personalidade de Deus, e, servindo o mestre espiritual, poderemos servir todos os semideuses”.­

Seguir os passos de pessoas santas

No Skanda Purāṇa, aconselha-se que um devoto tome como modelo os ācāryas e as pessoas santas do passado, porque, caso procedamos dessa maneira, podemos alcançar os re­sultados desejados sem haver possibilidade de nos lamentarmos ou nos frustrarmos em nosso progresso.

Na escritura conhecida como Brahma-yāmala, declara-se o seguinte: “Se uma pessoa quiser fazer-se passar por um grande devoto sem seguir as autoridades das escrituras reveladas, suas atividades jamais a ajudarão a progredir em serviço devocional. Em vez disso, ela simplesmente criará distúrbios para aqueles que estudam sinceramente o serviço devocional”. Aqueles que não seguem estritamente os princípios das escrituras re­veladas são conhecidos geralmente como sahajiyās – os quais julgam que tudo é barato, os quais têm suas próprias concepções inventadas e os quais não seguem as injunções das escrituras. Tais indivíduos simplesmente criam distúrbios na execução do serviço devo­cional.

A este respeito, pode ser que aqueles que não prestam serviço devocional e que não se interessam pelas escrituras reveladas levantem objeção. Temos um exemplo disso na filosofia budista. O Senhor Buddha apareceu na família de um rei kṣatriya de alta classe, mas sua filosofia não estava de acordo com as conclusões védicas e, por isso, foi rejeitada. Sob o patrocínio de Mahārāja Aśoka, um rei hindu, a religião budista se espa­lhou por toda a Índia e pelos países vizinhos. Entretanto, após o aparecimento do eminente mestre Śaṅkarācārya, o budismo foi expulso das fronteiras da Índia.

Algumas vezes, os budistas ou outros religionários que não se interessam pelas escrituras revela­das dizem que muitos são os devotos do Senhor Buddha que manifestam serviço devocio­nal ao Senhor Buddha e que, em razão disso, devem ser considerados devotos. Em resposta a tal argumento, Rūpa Gosvāmī diz que os adeptos de Buddha não podem ser aceitos como devotos. Embora se aceite que o Senhor Buddha é uma encarnação de Kṛṣṇa, os adeptos de tal encarnação não são muito avançados no conhecimento que têm dos Vedas. Estu­dar os Vedas significa chegar à conclusão da supremacia da Personalidade de Deus. Por conseguinte, qualquer princípio religioso que negue a supremacia da Personalidade de Deus não é aceito e é considerado ateísmo. Ateísmo significa opor-se à autoridade dos Vedas e depreciar os grandes ācāryas que ensinam as escrituras védicas para o benefício das pessoas em geral.

No Śrīmad-Bhāgavatam, o Senhor Buddha é aceito como uma encarnação de Kṛṣṇa, mas, no mesmo Śrīmad-Bhāgavatam, declara-se que o Senhor Buddha apareceu para confundir a classe de homens ateístas. Portanto, como se destina a confundir os ateístas, a filosofia dele não deve ser aceita. Se alguém perguntar: “Por que haveria Kṛṣṇa de propagar princípios ateístas?”, a resposta é que a Suprema Personalidade de Deus desejava acabar com a violência que estava, à época, sendo cometida em nome dos Vedas. Os assim chamados religionários estavam aproveitando-se falsamente dos Vedas para justificar atos vio­lentos, como, por exemplo, o consumo de carne, e o Senhor Buddha veio de sorte a afastar as pessoas caídas de tal interpretação falsa dos Vedas. Ademais, o Senhor Buddha pregou para os ateus a doutrina ateísta de modo que o seguissem e, através de tal artimanha, fossem levados a prestar serviço devocional ao Senhor Buddha, ou Kṛṣṇa.

Indagar a respeito dos princípios religiosos eternos

No Nāradīya Purāṇa, afirma-se: “Se o indivíduo é realmente muito sério em relação ao serviço devocional, todos os seus objetivos serão alcançados sem demora alguma”.

Estar disposto a abandonar, para a satisfação de Kṛṣṇa, tudo o que é material

No Padma Purāṇa, afirma-se: “A opulência de Viṣṇuloka [o reino de Deus] aguarda aquele que abandonou seu gozo sensório material e aceitou os princípios do serviço devocional”.

Residir em um local sagrado

No Skanda Purāṇa, também se diz que a elevação aos Vaikuṇṭhalokas e todos os benefícios de sārūpya-mukti (o pri­vilégio de ter as mesmas características do corpo de quatro braços de Nārāyaṇa) estão aguardando aquele que tenha vivido em Dvārakā durante seis meses, um mês ou mesmo uma quinzena.

No Brahma Purāṇa, declara-se: “Não se pode descrever devidamente o significado trans­cendental de Puruṣottama-kṣetra, a área de duzentos quilômetros quadrados do Senhor Jagannātha. Mesmo os semideuses dos sistemas planetários superiores consideram que os habitantes de Jagannātha Purī possuem exatamente as mesmas características corpóreas que uma pessoa possui em Vaikuṇṭha. Isto é, os semideuses consideram que os habitantes de Jagannātha Purī têm quatro braços”.

Quando houve um encontro de grandes sábios em Naimiṣāraṇya, Sūta Gosvāmī esteve ali recitando o Śrīmad-Bhāgavatam e exprimiu a importância do Ganges como segue: “As águas do Ganges estão sempre transportando a fragrância da tulasī oferecida aos pés de lótus de Śrī Kṛṣṇa, em decorrência do que as águas do Ganges correm sempre a disseminar as glórias do Senhor Kṛṣṇa. Para onde quer que as águas do Ganges corram, tudo será santificado, tanto externa quanto internamente”.

Aceitar apenas o que é necessário

No Nāradīya Pūraṇa, indica-se: “O indivíduo não deve aceitar mais do que o necessá­rio caso seja sério no que diz respeito à prestação de serviço devocional”. Isto quer dizer que não deve­mos negligenciar os princípios do serviço devocional, nem devemos aceitar as regras do serviço devocional que sejam mais do que o que podemos executar facilmente. Pode-se, por exemplo, dizer que devemos cantar o mantra Hare Kṛṣṇa com nossas contas de japa pelo menos 100.000 vezes ao dia. Contudo, caso isso não seja possível, devemos reduzir o nosso cantar de acordo com nossa própria capacidade. Em geral, reco­mendamos que nossos discípulos cantem o mínimo de dezesseis voltas ao dia com suas contas de japa, e esta prescrição deve ser cumprida. Caso, entretanto, o indivíduo não seja capaz de cantar sequer dezesseis voltas, ele deve compensar no dia seguinte. Não devemos deixar de manter-nos fiéis ao nosso voto. Se não observarmos isto estritamente, não resta dúvida de que seremos negligentes. Isto é ofensivo no serviço ao Senhor. Se nós alentar­mos ofensas, não seremos capazes de progredir no serviço devocional. É melhor que fi­xemos um princípio regulador de acordo com nossa própria capacidade e, então, obser­vemos esse voto sem falta. Isto fará com que avancemos na vida espiritual.

Observar jejum em ekādaśī

No Brahma-vaivarta Purāṇa, afirma-se que aquele que observa jejum no dia de ekādaśī livra-se de todas as espécies de reações a atividades pecaminosas e avança na vida piedosa. O princípio básico não é simplesmente jejuar, mas sim aumentar nossa fé e nosso amor por Govinda, ou Kṛṣṇa. O verdadeiro motivo para se jejuar em ekādaśī é reduzir ao mínimo as exigências do corpo e ocupar nosso tempo no serviço ao Senhor, cantando ou execu­tando algum serviço similar. A melhor coisa a fazer em dias de jejum é se lembrar dos passatempos de Govinda e ouvir constantemente Seu santo nome.

Oferecer respeito às figueiras-de-bengala

No Skanda Purāṇa, indica-se que um devoto deve oferecer água à planta tulasī e às árvores āmalaka. Ele deve oferecer respeito às vacas e aos brāhmaṇas e deve servir os vaiṣṇavas oferecendo-lhes respeitosas reverências e meditando neles. Todos estes proces­sos ajudarão o devoto a reduzir as reações a suas atividades pecaminosas do passado.

Abandonar a companhia de não devotos

Certa vez, o Senhor Caitanya foi indagado por um de Seus devotos chefes de família sobre qual deve ser o comportamento geral de um vaiṣṇava. A este respeito, o Senhor Caitanya res­pondeu que um vaiṣṇava deve sempre abandonar a companhia de não devotos. Em seguida, Ele explicou que há duas classes de não devotos: uma é contra a supremacia de Kṛṣṇa, ao passo que a outra é excessivamente materialista. Em outras palavras, aqueles que buscam a gratificação material e aqueles que são contra a supremacia do Senhor são chamados avaiṣṇavas, sendo que devemos evitar estritamente a companhia deles.

No Kātyāyana-saṁhitā, afirma-se que, mesmo que uma pessoa seja obrigada a viver dentro de uma jaula de ferro ou no meio de um fogo ardente, é preferível ela aceitar semelhante condição a viver com não devotos que são completamente contra a supremacia do Senhor. De forma similar, no Viṣṇu-rahasya, há uma declaração cujo significado é que é preferível abraçar uma serpente, um tigre ou um crocodilo a se associar com pessoas que adoram di­versos semideuses e que são impelidas por desejos materiais.

Nas escrituras, instrui-se que podemos adorar determinado semideus caso deseje­mos alcançar algum benefício material. Aconselha-se, por exemplo, que adoremos o deus do Sol caso desejemos nos livrar de uma condição doente. Para se conseguir uma bela es­posa, pode-se adorar Umā, a esposa do Senhor Śiva, e, para se conseguir educação avança­da, pode-se adorar Sarasvatī. De forma similar, no Śrīmad-Bhāgavatam, há uma lista para os adoradores de todos os semideuses de acordo com diferentes desejos materiais. Porém, embora todos esses adoradores pareçam ser ótimos devotos dos semideuses, são considerados não devotos. Não é possível aceitá-los como devotos.

Os māyāvādīs (impersonalistas) dizem que se pode adorar qualquer forma do Se­nhor e que não há diferença porque, de qualquer maneira, alcança-se o mesmo destino. No Bhagavad-gītā, entretanto, afirma-se claramente que aqueles que adoram os semideuses alcançarão, por fim, apenas os planetas desses semideuses, ao passo que aqueles que são devo­tos do próprio Senhor serão promovidos à morada do Senhor, o reino de Deus. O Gītā, por conseguinte, condena os adoradores de semideuses. Descreve-se que, devido a seus desejos luxuriosos, perderam sua inteligência, em consequência do que caem no hábito de adorar os diferentes semideuses. Assim, os adoradores de semideuses são fortemente condenados no Viṣṇu-rahasya, onde se declara que é melhor viver com os mais pe­rigosos animais do que se associar com tais pessoas.

Não aceitar discípulos inaptos, construir muitos templos ou ler muitos livros

Outra censura é que um indivíduo pode ter muitos discípulos, mas não deve atuar de modo a ficar obrigado a algum deles por alguma ação particular ou algum favor. Ademais, não deve ser muito entusiasta por construir novos templos, tampouco deve ser entusiasta por ler vários tipos de livros, salvo obras que conduzem ao avanço no serviço devocional. Em termos práticos, se uma pessoa ler com muito cuidado o Bhagavad-gītā, o Śrīmad-Bhāgavatam, o Ensinamentos do Senhor Caitanya e este O Néctar da Devoção, isto lhe dará conhecimento suficiente para compreender a ciência da consciência de Kṛṣṇa. Não é preciso dar-se ao trabalho de ler outros livros.

No Śrīmad-Bhāgavatam (7.13.8), Nārada Muni, enquanto discute com Mahārāja Yudhiṣṭhira as variadas funções das diferentes ordens da sociedade, menciona especialmente as regras para os sannyāsīs, aqueles que renunciaram este mundo material. O indivíduo que tenha aceitado a ordem de vida sannyāsa está proibido de aceitar como discípulo alguém inapto. O sannyāsī deve, em primeiro lu­gar, examinar se o possível discípulo está buscando sinceramente a consciência de Kṛṣṇa. Caso não esteja, não se deve aceitá-lo. Contudo, a misericórdia sem causa do Senhor Caitanya é tão grande que Ele aconselhou que todos os mestres espirituais autên­ticos falassem sobre a consciência de Kṛṣṇa em toda parte. Assim, na linha do Senhor Caitanya, até os sannyāsīs podem falar sobre a consciência de Kṛṣṇa em todo lugar, e, caso haja alguém que se sinta seriamente inclinado a tornar-se discípulo, o sannyāsī sempre o aceita.

A questão é que, caso não se aumente o número de discípulos, não há propagação do culto da consciência de Kṛṣṇa. Algumas vezes, portanto, mesmo correndo riscos, um sannyāsī na linha de Caitanya Mahāprabhu poderá aceitar até mesmo um indivíduo que não esteja completamente apto a tornar-se discípulo. Mais tarde, pela misericór­dia desse mestre espiritual autêntico, o discípulo gradualmente se eleva. Se alguém, entretanto, aumenta o número de discípulos simplesmente em troca de algum prestígio ou honra falsa, certamente cairá no que diz respeito à execução da consciência de Kṛṣṇa.

Da mesma forma, um mestre espiritual autêntico não tem que ler muitos livros simplesmente para mostrar sua competência ou para ganhar popularidade fazendo conferên­cias em diferentes lugares. Todas essas coisas devem ser evitadas. Também se declara que um sannyāsī não deve ser entusiasta por construir templos. Podemos ver na vida de vários ācāryas na linha de Śrī Caitanya Mahāprabhu que eles não são muito entusiastas por construir templos. Contudo, se alguém se apresentar querendo oferecer algum serviço, os mesmos ācāryas relutantes incentivarão tais servos a construírem templos dispendiosos. Por exemplo, Mahārāja Mānsiṅgh, o comandante supremo do imperador Akbar, ofereceu um favor a Rūpa Gosvāmī, e este lhe instruiu que construísse um grande tem­plo para Govindajī, o qual foi imensamente dispendioso.

O mestre espiritual autêntico, portanto, não deve tomar pessoalmente para si nenhuma responsabilidade de construir templos, mas, se algum devoto tiver dinheiro e quiser despendê-lo no serviço a Kṛṣṇa, um ācārya como Rūpa Gosvāmī poderá utilizar o dinheiro do de­voto com o fim de construir um belo e suntuoso templo para o serviço do Senhor. Infe­lizmente, é costumeiro alguém inapto a tornar-se mestre espiritual aproximar-se de pessoas ricas pedindo que estas contribuam para a construção de templos. Se mestres espirituais incompetentes utilizam-se desse dinheiro para viver confortavelmente em templos suntuosos sem realmente fazer nenhum trabalho de pre­gação, isso é inaceitável. Em outras palavras, um mestre espiritual não precisa ser mui­to entusiasta por construir edifícios para templos simplesmente em nome de um assim chamado avanço espiritual. Sua primeira e mais importante atividade deve ser, antes de tudo, pre­gar. No atinente a isso, Śrīla Bhaktisiddhānta Sarasvatī Gosvāmī Mahārāja recomenda que um mestre espiritual publique livros. Caso se tenha dinheiro, em vez de construir templos dispendiosos, devem-se despender as finanças pessoais na publicação de livros autorizados em diferentes idiomas a fim de se propagar o movimento da consciência de Kṛṣṇa.

Honestidade nas relações ordinárias e equanimidade diante de ganhos e perdas

No Padma Purāṇa, está declarado: “Aqueles que se dedicam à consciência de Kṛṣṇa jamais devem se deixar perturbar por ganhos ou perdas materiais. Mesmo que o indivíduo sofra alguma perda material, ele não deve se deixar perturbar, mas deve, isto sim, pensar sempre em Kṛṣṇa no seu íntimo”. Isto quer dizer que toda alma condiciona­da está sempre absorta em pensar em atividades materialistas – ela tem que se livrar de tais pensamentos e transferir-se completamente para a consciência de Kṛṣṇa. Como já ex­plicamos, o princípio básico da consciência de Kṛṣṇa é pensar sempre em Kṛṣṇa. Não nos devemos deixar perturbar por perdas materiais, mas devemos, antes, concentrar nossa mente nos pés de lótus do Senhor.

Um devoto não deve se deixar dominar pela lamentação ou pela ilusão. No Padma Purāṇa, existe a seguinte declaração: “Não é possível que Kṛṣṇa Se manifeste dentro do coração de uma pessoa que esteja dominada pela lamentação ou pela ira”.

Os semideuses

Não devemos nos descuidar de oferecer os devidos respeitos aos semideuses. Pode ser que não sejamos devotos dos semideuses, mas isto não significa que devemos ser desrespei­tosos para com eles. Um vaiṣṇava, por exemplo, não é devoto do Senhor Śiva nem do Senhor Brahmā, mas ele tem a obrigação de oferecer todos os respeitos a esses semideuses que ocupam posições tão elevadas. Uma vez que, de acordo com a filosofia vaiṣṇava, deve-se oferecer res­peito até mesmo a uma formiga, qual é a necessidade então de se falar de pessoas tão elevadas como o Senhor Śiva e o Senhor Brahmā?

No Padma Purāṇa, alega-se: “Kṛṣṇa, ou Hari, é o Senhor de todos os semideuses, logo é sempre digno de adoração. Isto, todavia, não significa que não se deve oferecer respeito aos semideuses”.

Não causar dor a nenhuma entidade viva

Assim declara o Mahābhārata: “Não resta dúvidas de que uma pessoa que não perturba ou causa ações dolorosas à mente de nenhuma entidade viva, que trata a todos assim como um pai amoroso trata seus filhos e cujo coração é imensamente puro logo é favorecida pela Suprema Personalidade de Deus”.

Certas vezes, na assim chamada sociedade civilizada, faz-se campanha contra a crueldade para com os animais, porém, ao mesmo tempo, matadouros regulares são mantidos. O vaiṣṇava não procede de tal modo, senão que é inteiramente incapaz de apoiar a matança de animais ou mesmo causar dor a alguma entidade viva.