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Returning to Our Natural Consciousness

Retornando à Nossa Consciência Original

apare vasudevasya
devakyāṁ yācito ’bhyagāt
ajas tvam asya kṣemāya
vadhāya ca sura-dviṣām
apare vasudevasya
devakyāṁ yācito ’bhyagāt
ajas tvam asya kṣemāya
vadhāya ca sura-dviṣām

Others say that since both Vasudeva and Devakī prayed for You, You have taken Your birth as their son. Undoubtedly You are unborn, yet You take Your birth for their welfare and to kill those who are envious of the demigods.

Outros dizem que, uma vez que tanto Vasudeva quanto Devakī oraram a Ti, Tu nasceste como filho deles. Sem dúvida, és não-nascido, mas nasces para o bem-estar deles e para matar aqueles que têm inveja dos semideuses.

Śrīmad-Bhāgavatam 1.8.33

Śrīmad-Bhāgavatam 1.8.33

It is also said that Vasudeva and Devakī, in their previous birth as Sutapā and Pṛśni, underwent a severe type of penance to get the Lord as their son, and as a result of such austerities the Lord appeared as their son. It is already declared in the Bhagavad-gītā that the Lord appears for the welfare of all people in the world and to vanquish the asuras, or the materialistic atheists.

Também se diz que Vasudeva e Devakī, em seu nascimento anterior como Sutapā e Pṛṣnī, submeteram-se a severas espécies de penitências para obter o Senhor como filho. Como resultado dessas austeridades, o Senhor apareceu, de fato, como seu filho. Já se declarou na Bhagavad-gītā que o Senhor aparece para o bem-estar de todas as pessoas do mundo e para exterminar os asuras, ou os ateus materialistas.

The Lord says:

O Senhor diz:

yadā yadā hi dharmasya
glānir bhavati bhārata
abhyutthānam adharmasya
tadātmānaṁ sṛjāmy aham
yadā yadā hi dharmasya
glānir bhavati bhārata
abhyutthānam adharmasya
tadātmānaṁ sṛjāmy aham

“Whenever and wherever there is a decline in religious practice, O descendant of Bharata, and a predominant rise of irreligion – at that time I descend Myself.” (Bhagavad-gītā 4.7) The words dharmasya glāniḥ mean “irregularities in religion.” When there are irregularities, religion becomes polluted.

“Sempre e onde quer que haja um declínio na prática religiosa, ó descendente de Bharata, e um aumento predominante de irreligião – aí, então, Eu próprio advenho” (Bhagavad-gītā 4.7). As palavras dharmasya glānir significam “irregularidades na religião”. Quando há discrepâncias, a religião fica poluída.

In human society there must be a proper balance between spirit and matter. We are actually spirit soul, but somehow or other we have been encaged within material bodies, and as long as we have these bodies we have to accept the bodily necessities of eating, sleeping, mating, and defending, although the soul itself does not need these things. The soul does not need to eat anything; whatever we eat is for the upkeep of the body. But a civilization that simply looks after these bodily necessities and does not care for the necessities of the soul is a foolish, unbalanced civilization. Suppose one merely washes one’s coat but does not take care of one’s body. Or suppose one has a bird in a cage but merely takes care of the cage, not the bird within it. This is foolishness. The bird is crying, “Ka, ka. Give me food, give me food.” If one only takes care of the cage, how can the bird be happy?

Na sociedade humana, tem de haver um equilíbrio apropriado entre espírito e matéria. Nós somos, na verdade, almas espirituais; mas, de uma forma ou outra, estamos aprisionados dentro de corpos materiais, e enquanto tivermos estes corpos, teremos de nos submeter às necessidades corpóreas de comer, dormir, defender-nos e reproduzir, embora a alma não precise dessas coisas. A alma não precisa comer nada; tudo o que comemos é para a manutenção do corpo. Todavia, uma civilização que se dedica apenas a essas necessidades corpóreas, e não se preocupa com as necessidades da alma, é uma civilização tola e desequilibrada. Suponhamos que alguém apenas lave seu casaco e se esqueça de banhar-se. Ou suponhamos que haja um pássaro em uma gaiola, mas que o dono só cuide da limpeza da gaiola e não dê alimento ao pássaro. Isto é tolice. O pássaro está chorando: “Piu, piu. Dê-me comida, dê-me comida”. Cuidando-se apenas da gaiola, como pode o pássaro ser feliz?

So why are we unhappy? In the Western countries there is no scarcity of wealth, no scarcity of food, no scarcity of cars, and no scarcity of sex. Everything is available in full abundance. Then why is there still a section of people who are frustrated and confused, like the hippies? They are not satisfied. Why? Because there is no balance. We are taking care of the necessities of the body, but we have no information of the soul and its necessities. The soul is the real substance, and the body is only a covering. Therefore neglect of the soul is a form of dharmasya glāniḥ, pollution of duty.

Então, por que estamos infelizes? Nos países ocidentais não há escassez de riqueza, nem escassez de comida, nem escassez de carros, nem escassez de sexo. Tudo é obtenível em abundância. Então, por que existe um grupo frustrado e confuso como os hippies? Eles não estão satisfeitos. Por quê? Porque não há equilíbrio. Estamos cuidando das necessidades do corpo, mas não temos informação sobre a alma e suas necessidades. A alma é a substância real, e o corpo apenas uma cobertura. Portanto, a negligência em relação à alma é uma forma de dharmasya glānir, poluição do dever.

The word dharma means “duty.” Although the word dharma is often translated as “religion” and religion is generally defined as a kind of faith, dharma is not in fact a kind of faith. Dharma means one’s actual constitutional duty. It is one’s duty to know the needs of the soul, but unfortunately we have no information of the soul and are simply busy supplying the necessities for bodily comfort.

A palavra dharma significa “dever”. Embora ela seja frequentemente traduzida como “religião”, e religião seja definida geralmente como um tipo de fé, dharma não é, na verdade, um tipo de fé. Dharma se refere ao verdadeiro dever constitucional de alguém. É dever da pessoa conhecer as necessidades da alma, mas, infelizmente, não temos informação sobre ela, e estamos ocupados simplesmente tentando suprir as necessidades para o conforto corpóreo.

Bodily comfort, however, is not enough. Suppose a man is very comfortably situated. Does it mean he will not die? Of course not. We speak of a struggle for existence and survival of the fittest, but bodily comforts alone cannot enable anyone to exist or survive permanently. Therefore, taking care of the body only is called dharmasya glāniḥ, or pollution of one’s duty.

O conforto corpóreo, entretanto, não é suficiente. Suponhamos que um homem esteja situado muito confortavelmente. Isto significa que ele não vai morrer? Claro que não. Nós falamos sobre a luta pela sobrevivência e a lei do mais forte, mas apenas confortos corpóreos não capacitam ninguém a existir ou sobreviver para sempre. Por conseguinte, cuidar somente do corpo é chamado de dharmasya glānir, ou poluição do dever de alguém.

One must know the necessities of the body and also the necessities of the soul. The real necessity in life is to supply the comforts of the soul, and the soul cannot be comforted by material adjustments. Because the soul is a different identity, the soul must be given spiritual food, and that spiritual food is Kṛṣṇa consciousness. When one is diseased, he must be given the proper diet and the proper medicine. Both are required. If he is simply given medicine but not a proper diet, the treatment will not be very successful. Therefore the Kṛṣṇa consciousness movement is meant to give both the proper medicine and the proper diet for the soul. The diet is kṛṣṇa-prasāda, food that has first been offered to Kṛṣṇa, and the medicine is the Hare Kṛṣṇa mantra.

A pessoa tem de conhecer as necessidades do corpo e, ao mesmo tempo, as da alma. A verdadeira necessidade na vida é suprir os confortos para a alma – e a alma não pode ser satisfeita através de ajustes materiais. Por ser uma identidade diferente, a alma precisa de alimento espiritual, e esse alimento espiritual é a consciência de Kṛṣṇa. Uma pessoa doente precisa de dieta e remédios apropriados. Ambos são necessários. Apenas consumir o remédio, sem a dieta, não será um tratamento bem-sucedido. Por isso, o propósito do movimento da consciência de Kṛṣṇa é dar o remédio e a dieta apropriada para a alma. A dieta é kṛṣṇa-prasāda, comida oferecida primeiramente a Kṛṣṇa, e o remédio é o mantra Hare Kṛṣṇa.

nivṛtta-tarṣair upagīyamānād
bhavauṣadhāc chotra-mano-’bhirāmāt
ka uttamaśloka-guṇānuvādāt
pumān virajyeta vinā paśu-ghnāt
nivṛtta-tarṣair upagīyamānād
bhavauṣadhāc chotra-mano-’bhirāmāt
ka uttamaśloka-guṇānuvādāt
pumān virajyeta vinā paśu-ghnāt

(Bhāgavatam 10.1.4)

(Bhāgavatam 10.1.4)

Parīkṣit Mahārāja said to the great sage Śukadeva Gosvāmī, “The discourses on Śrīmad-Bhāgavatam that you are giving me are not ordinary. These Bhāgavata discourses are relishable for persons who are nivṛtta-tṛṣṇa, free from hankering.” Everyone in this material world is hankering for enjoyment, but one who is free from this hankering can taste how relishable the Bhāgavatam is. The word bhāgavata refers to anything in relationship to Bhagavān, the Supreme Lord, and the Hare Kṛṣṇa mantra is also bhāgavata. Thus Parīkṣit Mahārāja said that the taste of the Bhāgavata can be relished by one who is free from hankering to satisfy material desires. And why should this Bhāgavata be tasted? Bhavauṣadhi: it is the medicine for our disease of birth and death.

Parīkṣit Mahārāja disse ao grande sábio Śukadeva Gosvāmī: “Os discursos do Śrīmad-Bhāgavatam que você está me dando não são comuns. Esses discursos Bhāgavata são agradáveis para pessoas que sejam nivṛtta-tṛṣṇa, livres de ansiedade. Todos neste mundo material estão ansiando por desfrute, mas quem está livre dessa ansiedade pode sentir como o Bhāgavatam é agradável. A palavra bhāgavata refere-se a qualquer coisa relacionada a Bhagavān, o Senhor Supremo, e o mantra Hare Kṛṣṇa também é bhāgavata. Assim, Mahārāja Parīkṣit disse que o sabor do Bhāgavata pode ser experimentado por quem esteja livre da ansiedade para a satisfação dos desejos materiais. E por que esse Bhāgavata deve ser provado? Bhavauṣadhi: ele é o remédio para nossa doença de nascimento e morte.

At the present moment, we are in a diseased condition. Materialists do not know what is disease and what is health. They do not know anything, but still they are posing as great scientists and philosophers. They do not inquire, “I do not want to die. Why is death enforced upon me?” Nor do they have any solution to this problem. But still they call themselves scientists. What kind of scientists are they? Advancement in science should bring about knowledge by which misery can be minimized. Otherwise, what is the meaning of science? Scientists may promise that they can help us in the future, but we may ask them, “What are you giving us right now, sir?” A real scientist will not say, “Just go on suffering as you are suffering now, and in the future we shall find some chemicals to help you.” No. Ātyantika-duḥkha-nivṛttiḥ. The word ātyantika means “ultimate,” and duḥkha means “sufferings.” The aim of human life should be to put an end to the ultimate sufferings, but people do not even know what these ultimate sufferings are. These sufferings are pointed out in Bhagavad-gītā as janma-mṛtyu-jarā-vyādhi: birth, death, old age, and disease. What have we done to nullify these sufferings? There is no remedy for them in the material world. The ultimate way to relinquish all kinds of suffering is stated in Bhagavad-gītā (8.15), where the Lord says:

Atualmente, estamos numa condição enferma. Os materialistas não sabem o que é doença e o que é saúde. Eles não sabem nada, mas, ainda assim, se fazem passar por grandes cientistas e filósofos. Eles não perguntam “Eu não desejo morrer. Por que sou forçado a morrer?” Eles também não têm nenhuma solução para esse problema. Mas, ainda assim, se chamam de cientistas. Que tipo de cientista são eles? Avanço da ciência deveria trazer conhecimento sobre como minimizar as misérias. De outra forma, para que serve a ciência? Os cientistas podem prometer que vão nos ajudar no futuro, mas, se lhes perguntássemos “O que vocês me estão dando agora, senhores?”, um verdadeiro cientista não diria: “Vá sofrendo como está sofrendo agora e, no futuro, encontrarei alguma combinação química para ajudá-lo”. Não. Atyantika-duḥkha-nivṛttiḥ. A palavra atyantika significa “final”, e duḥkha significa “sofrimentos”. O objetivo da vida humana deveria ser pôr um fim nesses sofrimentos últimos, mas as pessoas nem mesmo sabem que sofrimentos são esses. Estes sofrimentos estão declarados na Bhagavad-gītā como sendo janma-mṛtyu-jarā-vyādhi, nascimento, morte, velhice e doença. O que temos feito para anular esses sofrimentos? Não existe remédio para eles no mundo material. A fórmula perfeita para livrar-se de todos os tipos de sofrimento é dada na Bhagavad-gītā (8.15), onde o Senhor diz:

mām upetya punar janma
duḥkhālayam aśāśvatam
nāpnuvanti mahātmānaḥ
saṁsiddhiṁ paramāṁ gatāḥ
mām upetya punar janma
duḥkhālayam aśāśvatam
nāpnuvanti mahātmānaḥ
saṁsiddhiṁ paramāṁ gatāḥ

“After attaining Me, the great souls, who are yogīs in devotion, never return to this temporary world, which is full of miseries, because they have attained the highest perfection.”

“Depois de Me alcançar, as grandes almas, que são yogīs em devoção, nunca retornam a este mundo temporário, cheio de misérias, porque alcançam a mais elevada perfeição”.

Thus the Lord says that one should approach Him and go back to Him, back home, back to Godhead. But unfortunately people have no knowledge of what God is, whether one can go back home to Him or not, and whether or not it is practical. Because they have no knowledge, they are simply like animals. They pray, “O God, give us our daily bread.” But now suppose we ask them, “What is God?” Can they explain? No. Then whom are they asking? Are they merely praying into the air? If I submit some petition, there must be some person to whom the petition is submitted. But they do not know who that person is or where the petition is to be submitted. They say that God is in the sky. But there are also so many birds in the sky. Are they God? People have imperfect knowledge or no knowledge at all. Nonetheless, they pose as scientists, philosophers, writers, and great thinkers, although their ideas are all rubbish.

Por isso, o Senhor diz que uma pessoa deve aproximar-se dEle e voltar para Ele, de volta para casa, de volta ao Supremo. Mas, infelizmente, as pessoas não têm conhecimento de como é Deus, se podem ou não voltar para casa, para Ele, ou se isto é prático. Porque não têm conhecimento, elas são exatamente como animais. Elas oram: “Ó Deus, dê-nos o pão de cada dia”. Mas, se lhes perguntássemos “O que é Deus?”, saberiam explicar? Não. Então, a quem estão implorando? Estão orando para o ar? Se eu quiser fazer alguma petição, deve haver alguma pessoa para quem eu deva entregá-la. Mas elas não sabem quem é essa pessoa ou onde deve ser entregue a petição. Elas dizem que Deus está no céu. Mas também existem muitos pássaros no céu. Eles são Deus, por acaso? As pessoas têm conhecimento imperfeito, ou nenhum conhecimento. Apesar disto, colocam-se como cientistas, filósofos, escritores e grandes pensadores, embora todas as suas ideias sejam asneiras.

The only truly worthwhile books are those like Śrīmad-Bhāgavatam and Bhagavad-gītā. In the Bhāgavatam (1.5.10–11) it is said:

Os únicos livros verdadeiramente confiáveis são aqueles como o Śrīmad-Bhāgavatam e a Bhagavad-gītā. No Śrīmad-Bhāgavatam (1.5.10-11), declara-se:

na yad vacaś citra-padaṁ harer yaśo
jagat-pavitraṁ pragṛṇīta karhicit
tad vāyasaṁ tīrtham uśanti mānasā
na yatra haṁsā niramanty uṣik-kṣayāḥ
na yad vacaś citra-padaṁ harer yaśo
jagat-pavitraṁ pragṛṇīta karhicit
tad vāyasaṁ tīrtham uśanti mānasā
na yatra haṁsā niramanty uṣik-kṣayāḥ

“Those words which do not describe the glories of the Lord, who alone can sanctify the atmosphere of the whole universe, are considered by saintly persons to be like unto a place of pilgrimage for crows. Since the all-perfect persons are inhabitants of the transcendental abode, they do not derive any pleasure there.”

“As palavras que não descrevem as glórias do Senhor – que por si só podem santificar a atmosfera de todo o Universo – são consideradas pelas pessoas santas como se fossem um local de peregrinação para corvos. Uma vez que as pessoas todo-perfeitas são habitantes da morada transcendental, elas não obtêm aí nenhum prazer”.

tad-vāg-visargo janatāgha-viplavo
yasmin prati-ślokam abaddhavaty api
nāmāny anantasya yaśo-’ṅkitāni yat
śṛṇvanti gāyanti gṛṇanti sādhavaḥ
tad-vāg-visargo janatāgha-viplavo
yasmin prati-ślokam abaddhavaty api
nāmāny anantasya yaśo-’ṅkitāni yat
śṛṇvanti gāyanti gṛṇanti sādhavaḥ

“On the other hand, that literature which is full of descriptions of the transcendental glories of the name, fame, forms, pastimes, etc., of the unlimited Supreme Lord is a different creation, full of transcendental words directed toward bringing about a revolution in the impious lives of this world’s misdirected civilization. Such transcendental literatures, even though imperfectly composed, are heard, sung, and accepted by purified men who are thoroughly honest.”

“Por outro lado, a literatura repleta de descrições das glórias transcendentais do nome, fama, formas, passatempos e demais atributos do ilimitado Senhor Supremo, é uma criação diferente, plena de palavras transcendentais, destinadas a provocar uma revolução na vida ímpia da civilização desorientada deste mundo. Tais literaturas transcendentais, embora imperfeitamente compostas, são ouvidas, cantadas e aceitas por homens purificados, que são inteiramente honestos”.

Any literature that has no connection with God is just like a place where crows take enjoyment. Where do crows enjoy? In a filthy place. But white swans take pleasure in nice clear waters surrounded by gardens. So even among animals there are natural divisions. The crows will not go to the swans, and the swans will not go to the crows. Similarly, in human society there are men who are like crows and men who are like swans. The swanlike men will come to centers of Kṛṣṇa consciousness, where everything is clear, where there is good philosophy, good transcendental food, good education, good intelligence – everything good – whereas crowlike men will go to clubs, parties, naked dance shows, and so many other such things.

Qualquer livro que não tenha relação com Deus é como um lugar de divertimento para corvos. Onde se divertem os corvos? Em lugares nojentos. Mas cisnes brancos sentem prazer em águas cristalinas, rodeadas de jardins. Então, mesmo entre os animais, existem divisões naturais. Os corvos não vão aonde ficam os cisnes, nem os cisnes vão aonde estão os corvos. Analogamente, na sociedade humana existem homens que são como corvos e outros que são como cisnes. Os homens como cisnes irão aos centros da consciência de Kṛṣṇa, onde tudo é claro, onde há boa filosofia, boa comida transcendental, boa educação, boa inteligência – tudo bom – ao passo que os homens que são como corvos irão a clubes, festas, shows de nudismo e todas as outras coisas do gênero.

So the Kṛṣṇa consciousness movement is meant for swanlike men, not for men who are like crows. But we can convert the crows into swans. That is our philosophy. Those who were crows are now swimming like swans. That is the benefit of Kṛṣṇa consciousness.

Assim sendo, o movimento da consciência de Kṛṣṇa destina-se a homens como cisnes, e não aos que sejam como corvos. Mas nós podemos converter corvos em cisnes. Esta é a nossa filosofia. Aqueles que eram corvos estão agora nadando como cisnes. Este é o benefício da consciência de Kṛṣṇa.

The material world is the world where swans have become crows. In the material world the living entity is encaged in a material body, and he tries to gratify his senses in one body after another. But the reestablishment of dharma will gradually turn crows into swans. For example, a man may be illiterate and uncultured, but he can be converted into an educated, cultured man by training.

O mundo material é o mundo onde os cisnes se tornaram corvos. No mundo material, a entidade viva está aprisionada em um copo, e tenta gozar seus sentidos, corpo após corpo. Mas o restabelecimento do dharma gradualmente transformará corvos em cisnes. Por exemplo: um homem pode ser analfabeto e ignorante, mas, através de treinamento, pode ser transformado em um homem culto, educado.

This training is possible in the human form of life. I cannot train a dog to become a devotee. That is difficult. Of course, that also can be done, although I may not be powerful enough to do it. When Lord Caitanya Mahāprabhu was traveling through the jungles of Jhārikhaṇḍa the tigers, the snakes, the deer, and all the other animals became devotees. This was possible for Caitanya Mahāprabhu because He is God Himself and can therefore do anything. But although we cannot do that, we can work in human society. Regardless of how fallen a man is, if he follows the instructions of Kṛṣṇa consciousness he can return to his original position. Of course, there are degrees of understanding, but one’s original position is that one is part and parcel of God. Understanding of this position is called Brahman realization, spiritual realization, and it is this realization that Kṛṣṇa Himself comes to this world to reestablish.

Esse treinamento é possível na forma humana de vida. Eu não posso treinar um cachorro para ser um devoto. Isto é difícil. É claro, isso também pode ser feito, embora eu possa não ser poderoso o suficiente para fazê-lo. Quando o Senhor Caitanya Mahāprabhu estava viajando pelas florestas de Jhārikhaṇḍa, os tigres, as cobras, os veados e todos os outros animais se tornaram devotos. Isso foi possível para Caitanya Mahāprabhu, porque Ele é o próprio Deus, e, portanto, pode realizar qualquer coisa. Mas, embora não possamos fazer o mesmo, podemos trabalhar na sociedade humana. Sem importar o quão caído seja alguém, se seguir as instruções da consciência de Kṛṣṇa, poderá retornar à sua posição original. É claro, existem diferentes níveis de compreensão, mas a posição constitucional de uma pessoa é que ela é parte integrante de Deus. A compreensão dessa posição é chamada compreensão de Brahman, ou espiritual, e é essa compreensão que o próprio Kṛṣṇa vem restabelecer neste mundo.

Lord Kṛṣṇa came to this world at the request of His devotees Vasudeva and Devakī (vasudevasya devakyāṁ yācito ’bhyagāt). Although in their former lives Vasudeva and Devakī were married, they did not have any children. They engaged themselves in severe austerities, and when Kṛṣṇa came before them and asked them what they wanted, they said, “We want a son like You. That is our desire.” But how is it possible for there to be another God? Kṛṣṇa is God, and God is one; He cannot be two. So how could there be another God to become the son of Vasudeva and Devakī? Kṛṣṇa therefore said, “It is not possible to find another God, so I Myself shall become your son.” So some people say that it is because Vasudeva and Devakī wanted Kṛṣṇa as their son that He appeared.

O Senhor Kṛṣṇa veio a este mundo a pedido de Seus devotos Vasudeva e Devakī (vasudevasva devakyāṁi yācito ’bhyagāt). Embora em suas vidas anteriores Vasudeva e Devakī fossem casados, eles não tiveram filhos. Eles se ocuparam em austeridades severas, e quando Kṛṣṇa apareceu diante deles e perguntou o que desejavam, disseram: “Nós desejamos um filho como Você. Este é nosso desejo”. Mas como é possível que exista outro Deus? Kṛṣṇa é Deus, e Deus é um só. Ele não pode ser dois. Então, como poderia haver outro Deus para tornar-Se filho de Vasudeva e Devakī? Kṛṣṇa disse, portanto: “Não é possível encontrar outro Deus. Então, Eu mesmo serei seu filho”. Assim sendo, algumas pessoas dizem que foi porque Vasudeva e Devakī desejaram Kṛṣṇa como seu filho, que Ele apareceu.

Although Kṛṣṇa actually comes to satisfy His devotees like Vasudeva and Devakī, when He comes He performs other activities also. Vadhāya ca sura-dviṣām. The word vadhāya means “killing,” and sura-dviṣām refers to the demons, who are always envious of the devotees. Kṛṣṇa comes to kill these demons.

Embora, na verdade, Kṛṣṇa venha para satisfazer Seus devotos como Vasudeva e Devakī, quando Ele vem, realiza outras atividades também. Vadhāya ca sura-dviṣām. A palavra vadhāya significa “matando”, e sura-dviṣām refere-se aos demônios, que sempre têm inveja dos devotos. Kṛṣṇa vem para matar esses demônios.

An example of a demon is Hiraṇyakaśipu. Because Prahlāda Mahārāja was a devotee, his father, Hiraṇyakaśipu, was so envious that he was prepared to kill his own son, although the little boy’s only fault was that he was chanting Hare Kṛṣṇa. This is the nature of demons. Jesus Christ also was killed by the sura-dviṣām, those who were envious of him. What was his fault? His only fault was that he was preaching about God. Yet he had so many enemies, who cruelly crucified him. Therefore Kṛṣṇa comes to kill such sura-dviṣām.

Um exemplo de demônio é Hiraṇyakaśipu. Porque Prahlāda Mahārāja era um devoto, seu pai, Hiraṇyakaśipu, era tão invejoso que estava preparado para matar o próprio filho, embora o único erro do menino fosse cantar Hare Kṛṣṇa. Essa é a natureza dos demônios. Jesus Cristo também foi morto pelos sura-dviṣām, aqueles que o invejavam. Qual foi seu erro? Seu único erro foi pregar sobre Deus. Ainda assim, ele tinha tantos inimigos, que o crucificaram cruelmente. Portanto, Kṛṣṇa vem para matar tais sura-dviṣām.

This killing of the envious, of course, can be done without the presence of Kṛṣṇa. By setting to work the natural forces of war, pestilence, famine, and so on, Kṛṣṇa can kill millions of people. He does not need to come here to kill these rascals, for they can be killed simply by His direction, or nature’s law. Sṛṣṭi-sthiti-pralaya-sādhana-śaktir ekā (Brahma-saṁhitā 5.44). Nature has so much power that it can create, maintain, and annihilate everything. Sṛṣṭi means “creation,” sthiti means “maintenance,” and pralaya means “destruction.” Nature can create, maintain, and also destroy. This material cosmic manifestation is being maintained by the mercy of nature, by which we are getting sunlight, air, and rain by which to grow our food so that we can eat and grow nicely. But nature is so powerful that at any time it can destroy everything simply by one strong wind. Nature is working under the direction of Kṛṣṇa (mayādhyakṣeṇa prakṛtiḥ sūyate sa-carācaram). Therefore, if Kṛṣṇa wants demons killed, He can kill millions of them with merely one strong blast of nature’s wind.

Naturalmente, essa matança de invejosos pode ser realizada sem a presença de Kṛṣṇa. Colocando em funcionamento as forças naturais de guerra, peste, fome e assim por diante, Kṛṣṇa pode matar milhões de pessoas. Ele não precisa vir aqui para matar esses sujeitos sem caráter, porque podem ser mortos através de Sua orientação, pelas leis da natureza.

Sṛṣti-sthiti-pralaya-sādhana-śaktir eka (Brahma-saṁhitā 5.44). A natureza tem tanto poder que pode criar, manter e aniquilar tudo. Sṛṣti significa “criação”, sthiti significa “manutenção” e pralaya significa “destruição”. A natureza pode criar, manter e também destruir. Esta manifestação cósmica material está sendo mantida pela misericórdia da natureza, através da qual estamos obtendo a luz do Sol, ar e chuva, para que nossos alimentos cresçam e os comamos, e nos desenvolvamos satisfatoriamente. Mas a natureza é tão poderosa que pode destruir tudo, simplesmente por meio de um furacão. A natureza age sob a supervisão de Kṛṣṇa (mayādhyakṣeṇa prakṛtiḥ sūayte sa-carācam). Por conseguinte, se Kṛṣṇa desejar matar os demônios, poderá matar milhões deles meramente através de uma forte ventania.

So to kill the demons Kṛṣṇa does not need to come. When He comes, He does so because He is requested by His devotees like Vasudeva and Devakī, as Kuntīdevī indicates by using the word yācitaḥ, meaning “being prayed for.” Therefore the real cause of His coming is at the request of His devotees, but when He comes He simultaneously shows that He is prepared to kill anyone who is envious of His devotees. Of course, His killing and maintaining are the same because He is absolute. Those who are killed by Kṛṣṇa immediately attain salvation, which generally takes millions of years to get.

Então, para matar os demônios, Kṛṣṇa não tem necessidade de vir. Quando vem, Ele o faz a pedido de Seus devotos como Vasudeva e Devakī. Kuntīdevī indica isto, usando a palavra yācitaḥ que significa “tendo sido pedido por”. Por conseguinte, a verdadeira causa para Sua vinda é o pedido de Seus devotos. Mas, quando vem, Ele mostra simultaneamente que está preparado para matar qualquer um que tenha inveja de Seus devotos. Naturalmente, Seu matar ou manter são o mesmo, porque Ele é absoluto. Aqueles que são mortos por Kṛṣṇa alcançam a salvação imediatamente, o que geralmente leva milhões de anos para ser conseguido.

So people may say that Kṛṣṇa has come for this purpose or that purpose, but actually Kṛṣṇa comes for the benefit of His devotees. He always looks after the welfare of the devotees, and so from this instruction of Kuntī we should understand that we should always be concerned with how to become devotees. Then all good qualities will come upon us.

Assim sendo, as pessoas podem dizer que Kṛṣṇa veio para cumprir este ou aquele propósito, mas, na verdade, Kṛṣṇa vem para beneficiar Seus devotos. Ele sempre Se preocupa com o bem-estar dos devotos, e assim, por essa instrução de Kuntī, deveríamos entender que devemos estar sempre preocupados em como nos tornar devotos. Dessa forma, todas as boas qualidades virão a nós.

yasyāsti bhaktir bhagavaty akiñcanā
sarvais gunaiṣ tatra samāsate surāḥ
yasyāsti bhaktir bhagavaty akiñcanā
sarvais gunaiṣ tatra samāsate surāḥ

(Bhāgavatam 5.18.12)

(Bhāgavatam 5.18.12)

If one simply develops one’s dormant, natural devotion for Kṛṣṇa, one will develop all good qualities.

Se simplesmente desenvolver sua devoção natural por Kṛṣṇa, agora adormecida, a pessoa desenvolverá todas as boas qualidades.

Our devotion for Kṛṣṇa is natural. Just as a son has natural devotion to his father and mother, we have natural devotion to Kṛṣṇa. When there is danger, even materialistic scientists pray to God. Of course, when they are not in danger they defy God, and therefore danger is required in order to teach these rascals that there is God. Jīvera svarūpa haya—kṛṣṇera ‘nitya-dāsa’. Our natural position is to be dependent on God. Artificially we are trying to banish God, saying, “God is dead,” “There is no God,” or “I am God.” But when we give up this rascaldom, Kṛṣṇa will give us all protection.

Nossa devoção por Kṛṣṇa é natural. Exatamente como um filho tem afeição natural por seu pai e mãe, nós temos devoção natural por Kṛṣṇa. Quando há perigo, mesmo os cientistas materialistas oram a Deus. Naturalmente, quando não estão em perigo, eles O desafiam, em virtude do que o perigo é necessário para ensinar a esses sujeitos baixos que Deus existe. Jivera svarūpa haya—kṛṣṇera nitya-dāsa. Nossa posição natural é depender de Deus. Estamos tentando, artificialmente, banir Deus, dizendo “Deus está morto”, “Deus não existe” ou “Eu sou Deus”. Mas, quando abandonarmos essa patifaria, Kṛṣṇa nos dará toda a proteção.