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CHAPTER 71

Capítulo 71

Lord Kṛṣṇa in Indraprastha City

O Senhor Kṛṣṇa na Cidade de Indraprastha

In the presence of the great sage Nārada and all the other associates of Lord Kṛṣṇa, Uddhava considered the situation and then spoke as follows: “My dear Lord, first of all let me say that the great sage Nārada Muni has requested You to go to Hastināpura to satisfy King Yudhiṣṭhira, Your cousin, who is making arrangements to perform the great sacrifice known as Rājasūya. I think, therefore, that Your Lordship should immediately go there to help the King in this great venture. However, although to accept the invitation offered by the sage Nārada as primary is quite appropriate, at the same time, my Lord, it is Your duty to give protection to the surrendered souls. Both purposes can be served if we understand the whole situation. Unless we are victorious over all the kings, no one can perform this Rājasūya sacrifice. In other words, it is to be understood that King Yudhiṣṭhira cannot perform this great sacrifice without gaining victory over the belligerent King Jarāsandha. The Rājasūya sacrifice can be performed only by one who has gained victory over all directions. Therefore, to execute both purposes, we first have to kill Jarāsandha. I think that if we can somehow or other gain victory over Jarāsandha, all our purposes will automatically be served. The imprisoned kings will be released, and with great pleasure we shall enjoy the spread of Your transcendental fame for having saved the innocent kings whom Jarāsandha has imprisoned. But King Jarāsandha is not an ordinary man. He has proved a stumbling block even to great warriors because his bodily strength is equal to the strength of ten thousand elephants. If there is anyone who can conquer this king, he is none other than Bhīmasena because he also possesses the strength of ten thousand elephants. The best thing would be for Bhīmasena to fight alone with him. Then there would be no unnecessary killing of many soldiers. In fact, Jarāsandha will be very difficult to conquer when he stands with his akṣauhiṇī divisions of soldiers. We may therefore adopt a policy more favorable to the situation. We know that King Jarāsandha is very much devoted to the brāhmaṇas and very charitably disposed toward them; he never refuses any request from a brāhmaṇa. I think, therefore, that Bhīmasena should approach Jarāsandha in the dress of a brāhmaṇa, beg charity from him and then personally engage in fighting him. And in order to assure Bhīmasena’s victory, I think that Your Lordship should accompany him. If the fighting takes place in Your presence, I am sure Bhīmasena will emerge victorious, for Your presence makes everything impossible possible. Indeed, Lord Brahmā creates this universe and Lord Śiva destroys it simply through Your influence.

Na presença do grande sábio Nārada e de todos os outros associados do Senhor Kṛṣṇa, Uddhava considerou a situação e, então, falou como segue: “Meu querido Senhor, em primeiro lugar, deixe-me dizer que o grande sábio Nārada Muni pediu-Lhe para ir a Hastināpura a fim de satisfazer o rei Yudhiṣṭhira, Seu primo, que está fazendo arranjos para executar o grande sacrifício conhecido como rājasūya. Então, penso que Sua Onipotência deveria ir imediatamente até lá para ajudar o rei nesse grande empreendimento. Porém, embora a aceitação do convite oferecido pelo sábio Nārada como essencial seja bastante apropriada, ao mesmo tempo, meu Senhor, é Seu dever dar proteção às almas rendidas. Ambos os propósitos podem ser servidos se nós entendermos a situação inteiramente. A menos que sejamos vitoriosos sobre todos os reis, ninguém poderá executar o sacrifício rājasūya. Em outras palavras, entende-se que o rei Yudhiṣṭhira não poderá executar esse grande sacrifício sem conquistar uma vitória sobre o rei agressor Jarāsandha. O sacrifício rājasūya só poderá ser executado por aquele que tenha obtido vitória em todas as direções. Portanto, para executar ambos os propósitos, teremos de matar Jarāsandha primeiro. Acredito que, se pudermos, de uma maneira ou de outra, lograr vitória sobre Jarāsandha, todos os nossos propósitos serão satisfeitos automaticamente. Os reis encarcerados serão libertos e, com grande prazer, desfrutaremos a expansão de Sua fama transcendental por Você ter salvado os reis inocentes que Jarāsandha encarcerou. Mas o rei Jarāsandha não é um homem comum. Ele demonstrou ser um grande empecilho até mesmo para grandes guerreiros, pois sua força física é igual à força de dez mil elefantes. Se houver alguém capaz de derrotar esse rei, não será outro senão Bhīmasena, porque ele também possui a força de dez mil elefantes. A melhor coisa seria Bhīmasena lutar sozinho com ele. Assim, não haveria nenhuma matança desnecessária de muitos soldados. De fato, será muito difícil vencer Jarāsandha quando ele se colocar com suas divisões akṣauhiṇī de soldados. Por conseguinte, poderemos adotar uma política mais favorável para a situação. Sabemos que o rei Jarāsandha é deveras dedicado aos brāhmaṇas e muito caridoso para com eles; ele nunca recusa qualquer pedido de um brāhmaṇa. Então, penso que Bhīmasena deveria aproximar-se de Jarāsandha vestido de um brāhmaṇa, implorar caridade dele e, então, lutar pessoalmente. E, para assegurar a vitória de Bhīmasena, acredito que Sua Majestade deveria acompanhá-lo. Se o combate acontecer em Sua presença, tenho certeza de que Bhīmasena sairá vitorioso, pois o impossível em Sua presença se torna possível. Na verdade, o senhor Brahmā cria este universo e o senhor Śiva o destrói simplesmente por Sua influência”.

“Actually, You create and destroy the entire cosmic manifestation; Lord Brahmā and Lord Śiva are only the superficially visible causes. Creation and destruction are actually performed by the invisible time factor, which is Your impersonal representation. Everything is under the control of this time factor. If Your invisible time factor can perform such wonderful acts through Lord Brahmā and Lord Śiva, will not Your personal presence help Bhīmasena conquer Jarāsandha? My dear Lord, when Jarāsandha is killed, the queens of all the imprisoned kings will be so joyful at their husbands’ being released by Your mercy that they will all sing Your glories, being as pleased as the gopīs were when released from the hands of Śaṅkhacūḍa. All the great sages; the king of the elephants, Gajendra; the goddess of fortune, Sītā; and even Your father and mother were all delivered by Your causeless mercy. We also have been thus delivered, and we always sing the transcendental glories of Your activities.

“De fato, Você cria e destrói a manifestação cósmica inteira; o senhor Brahmā e o senhor Śiva são apenas as causas superficialmente visíveis. Criação e destruição são executadas, na verdade, pelo invisível fator tempo, que é Sua representação impessoal. Tudo está sob o controle desse fator tempo. Se Seu invisível fator tempo pode executar tais atos maravilhosos por intermédio do senhor Brahmā e do senhor Śiva, Sua presença pessoal não ajudará Bhīmasena a conquistar Jarāsandha? Meu querido Senhor, quando Jarāsandha for morto, as rainhas de todos os reis aprisionados ficarão tão jubilosas com a libertação de seus maridos por Sua misericórdia que todas elas cantarão Suas glórias, ficando tão satisfeitas quanto as gopīs ficaram quando libertadas das mãos de Śaṅkhacūḍa. Todos os grandes sábios; o rei dos elefantes, Gajendra; a deusa da fortuna, Sitā, e até mesmo Seu pai e Sua mãe foram todos libertados por Sua misericórdia sem causa. Nós também fomos assim libertados e sempre cantamos as glórias transcendentais de Suas atividades”.

“Therefore, I think that if the killing of Jarāsandha is undertaken first, that will automatically solve many other problems. As for the Rājasūya sacrifice arranged in Hastināpura, it will be held, either because of the pious activities of the imprisoned kings or the impious activities of Jarāsandha.

“Consequentemente, acredito que, se o extermínio de Jarāsandha for empreendido primeiro, isso resolverá muitos outros problemas automaticamente. Quanto ao sacrifício rājasūya organizado em Hastināpura, ele será realizado, quer por causa das atividades piedosas dos reis encarcerados, quer por causa das atividades ímpias de Jarāsandha”.

“My Lord, it appears that You are to go personally to Hastināpura to conquer demoniac kings like Jarāsandha and Śiśupāla, to release the pious imprisoned kings, and also to perform the great Rājasūya sacrifice. Considering all these points, I think that Your Lordship should immediately proceed to Hastināpura.”

“Meu Senhor, parece que Você deve ir pessoalmente a Hastināpura para conquistar os reis demoníacos, como Jarāsandha e Śiśupāla, libertar os piedosos reis encarcerados e também executar o grande sacrifício rājasūya. Considerando todos esses pontos, julgo que Sua Majestade deveria prosseguir imediatamente para Hastināpura”.

This advice of Uddhava’s was appreciated by all who were present in the assembly; everyone considered that Lord Kṛṣṇa’s going to Hastināpura would be beneficial from all points of view. The great sage Nārada, the elder personalities of the Yadu dynasty, and the Supreme Personality of Godhead, Kṛṣṇa Himself, all supported the statement of Uddhava. Lord Kṛṣṇa then took permission from His father, Vasudeva, and grandfather, Ugrasena, and He immediately ordered His servants Dāruka and Jaitra to arrange for travel to Hastināpura. When everything was prepared, Lord Kṛṣṇa especially bid farewell to Lord Balarāma and the king of the Yadus, Ugrasena, and after dispatching His queens along with their children and sending their necessary luggage ahead, He mounted His chariot, which bore the flag marked with the symbol of Garuḍa.

Esse conselho de Uddhava foi apreciado por todos que estavam presentes na assembleia; todos consideraram que a ida do Senhor Kṛṣṇa para Hastināpura seria benéfica sob todos os aspectos. O grande sábio Nārada, as personalidades mais velhas da dinastia Yadu e a Suprema Personalidade de Deus, o próprio Kṛṣṇa, todos apoiaram a declaração de Uddhava. O Senhor Kṛṣṇa pediu permissão a Seu pai, Vasudeva, e a Seu avô, Ugrasena, e de imediato ordenou que Seus criados Dāruka e Jaitra fizessem os arranjos para a viagem a Hastināpura. Quando tudo estava preparado, o Senhor Kṛṣṇa deu especial adeus ao Senhor Balarāma e ao rei dos Yadus, Ugrasena, e, depois de despachar Suas rainhas junto com os filhos e enviar a bagagem necessária à frente, Ele montou em Sua quadriga, que porta a bandeira marcada com o símbolo de Garuḍa.

Before starting the procession, Lord Kṛṣṇa satisfied the great sage Nārada by offering him different kinds of articles of worship. Nāradajī wanted to fall at the lotus feet of Kṛṣṇa, but because the Lord was playing the part of a human being, he simply offered his respects within his mind, and, fixing the transcendental form of the Lord within his heart, he left the assembly house by the airways. Usually the sage Nārada does not walk on the surface of the globe but travels in outer space. After the departure of Nārada, Lord Kṛṣṇa addressed the messenger who had come from the imprisoned kings and told him that they should not be worried, for He would very soon arrange to kill the King of Magadha, Jarāsandha. Thus He wished good fortune to all the imprisoned kings and the messenger. After receiving this assurance from Lord Kṛṣṇa, the messenger returned to the imprisoned kings and informed them of the happy news of the Lord’s forthcoming visit. All the kings were joyful at the news and began to wait very anxiously for the Lord’s arrival.

Antes de começar a jornada, o Senhor Kṛṣṇa satisfez o grande sábio Nārada oferecendo-lhe diferentes tipos de artigos de adoração. Nāradajī quis prostrar-se aos pés de lótus de Kṛṣṇa, mas, porque o Senhor estava desempenhando o papel de um ser humano, ele ofereceu seus cumprimentos simplesmente dentro da mente e, fixando a forma transcendental do Senhor dentro do coração, ele deixou o salão de assembleias pelas rotas aéreas. Normalmente, o sábio Nārada não caminha sobre a superfície do globo, mas viaja através do espaço exterior. Depois da partida de Nārada, o Senhor Kṛṣṇa dirigiu-Se ao mensageiro que viera da parte dos reis encarcerados e disse-lhe que eles não deveriam ficar preocupados, porque Ele iria muito em breve fazer um arranjo para matar o rei de Magadha, Jarāsandha. Assim, Ele desejou boa fortuna a todos os reis aprisionados e ao mensageiro. Depois de receber essa garantia do Senhor Kṛṣṇa, o mensageiro retornou aos reis cativos e os informou das felizes notícias acerca da visita vindoura do Senhor. Todos os reis regozijaram-se com as novas e começaram a esperar muito ansiosamente pela chegada do Senhor.

The chariot of Lord Kṛṣṇa started for Hastināpura accompanied by many other chariots, along with elephants, cavalry, infantry and similar royal paraphernalia. Bugles, drums, trumpets, conch shells and horns all produced a loud auspicious sound, which vibrated in all directions. The sixteen thousand queens, headed by the goddess of fortune Rukmiṇī-devī, the ideal wife of Lord Kṛṣṇa, and accompanied by their respective sons, all followed behind Lord Kṛṣṇa. They were dressed in costly garments decorated with ornaments, and their bodies were smeared with sandalwood pulp and garlanded with fragrant flowers. Riding on palanquins nicely decorated with silks, flags and golden lace, they followed their exalted husband, Lord Kṛṣṇa. The infantry soldiers carried shields, swords and lances in their hands and acted as royal bodyguards to the queens. In the rear of the procession were the wives and children of all the other followers, and there were many society girls also following. Many beasts of burden like bulls, buffalo, mules and asses carried the camps, bedding and carpets, and the women who followed were seated in separate palanquins on the backs of camels. This panoramic procession was accompanied by the shouts of the people and was full with the display of different colored flags, umbrellas and whisks and different varieties of weapons, dress, ornaments, helmets and armaments. Shining in the sunlight, the procession appeared just like an ocean with high waves and sharks.

A quadriga do Senhor Kṛṣṇa partiu para Hastināpura acompanhada por muitas outras carruagens, junto de elefantes, cavalaria, infantaria e parafernália real semelhante. Cornetas, tambores, trompetes, búzios e chifres produziram um som auspicioso e alto que vibrou em todas as direções. As dezesseis mil rainhas, encabeçadas pela deusa da fortuna Rukmiṇī-devī, a esposa ideal do Senhor Kṛṣṇa, acompanhadas pelos seus respectivos filhos, seguiram atrás do Senhor Kṛṣṇa. Elas estavam vestidas com roupas valiosas, decoradas com ornamentos e com os corpos untados com polpa de sândalo e adornados com flores fragrantes. Bem acomodadas em palanquins decorados com sedas, bandeiras e cordões dourados, elas seguiram seu elevado marido, o Senhor Kṛṣṇa. Os soldados de infantaria levavam escudos, espadas e lanças nas mãos e agiam como guarda-costas reais das rainhas. Na retaguarda da procissão, estavam as esposas e filhos de todos os outros seguidores, e havia muitas meninas da sociedade que também seguiam. Muitos animais de tração, como touros, búfalos, mulas e asnos, carregavam os acampamentos, roupas de cama e tapetes, e as mulheres que seguiam estavam sentadas em palanquins nos dorsos dos camelos. Essa procissão panorâmica era acompanhada pelos gritos das pessoas e estava repleta de diferentes bandeiras coloridas, sombrinhas e abanos de iaque e diferentes variedades de armas, vestimentas, ornamentos, elmos e armamentos em exibição. Brilhando à luz do Sol, a procissão parecia exatamente com um oceano com altas ondas e tubarões.

In this way the procession of Lord Kṛṣṇa’s party advanced toward Hastināpura (New Delhi) and gradually passed through the kingdoms of Ānarta (Gujarat Province), Sauvīra (Surat), the great desert of Rājasthān, and then Kurukṣetra. Between those kingdoms were many mountains, rivers, towns, villages, pasturing grounds and mining fields. The procession passed through all these places in its advance. On His way to Hastināpura, the Lord crossed two big rivers, the Dṛṣadvatī and the Sarasvatī. Then He crossed the provinces of Pañcāla and Matsya. In this way, He ultimately arrived at Hastināpura, or Indraprastha.

Desse modo, a procissão da comitiva do Senhor Kṛṣṇa seguiu para Hastināpura (Nova Delhi), atravessando os reinos de Ānarta (província de Gujarat), Sauvīra (Surat), o grande deserto do Rajastão e, depois, Kurukṣetra. Entre esses reinos, havia muitas montanhas, rios, cidades, vilas, campos de pastagem e campos de minas. A procissão atravessou todos esses lugares em seu percurso para Hastināpura cruzando dois grandes rios, o Dṛṣadvatī e o Sarasvatī. Em seguida, Ele cruzou as províncias de Pañcalā e Matsya. Deste modo, chegou, por fim, a Hastināpura, ou Indraprastha.

The audience of the Supreme Personality of Godhead, Kṛṣṇa, is not at all commonplace. Therefore, when King Yudhiṣṭhira heard that Lord Kṛṣṇa had arrived in his capital city, Hastināpura, he became so joyful that all his bodily hairs stood on end in great ecstasy, and he immediately came out of the city to properly receive the Lord. He ordered the musical vibration of different instruments and songs, and the learned brāhmaṇas of the city began to chant the hymns of the Vedas very loudly. Lord Kṛṣṇa is known as Hṛṣīkeśa, the master of the senses, and King Yudhiṣṭhira went forward to receive Him exactly as the senses meet the consciousness of life. King Yudhiṣṭhira was the elder cousin of Kṛṣṇa. Naturally he had great affection for the Lord, and as soon as he saw Him, his heart became filled with great love and affection. He had not seen the Lord for many days, and therefore he thought himself most fortunate to see the Lord present before him. The king therefore embraced Lord Kṛṣṇa again and again in great affection.

A audiência da Suprema Personalidade de Deus, Kṛṣṇa, não é de forma alguma comum. Portanto, quando o rei Yudhiṣṭhira ouviu que o Senhor Kṛṣṇa chegara na sua importante cidade, Hastināpura, ele ficou tão feliz que todos os pelos do seu corpo arrepiaram-se em grande êxtase, e ele saiu imediatamente da cidade para receber o Senhor corretamente. Ele ordenou a vibração musical de diferentes instrumentos e canções, e os brāhmaṇas eruditos da cidade começaram a cantar bem alto os hinos dos Vedas. O Senhor Kṛṣṇa é conhecido como Hṛṣīkeśa, o mestre dos sentidos, e o rei Yudhiṣṭhira foi recebê-lO exatamente da maneira como os sentidos se encontram com a consciência da vida. O rei Yudhiṣṭhira era o primo mais velho de Kṛṣṇa. Naturalmente, ele nutria uma grande afeição pelo Senhor, e, assim que O viu, seu coração transbordou de amor e afeto. Ele não tinha visto o Senhor durante muitos dias e, então, considerou-se afortunadíssimo ao ver o Senhor apresentar-Se diante de si. Sendo assim, o rei abraçou o Senhor Kṛṣṇa com grande afeto e repetidas vezes.

The eternal form of Lord Kṛṣṇa is the everlasting residence of the goddess of fortune. As soon as King Yudhiṣṭhira embraced Him, he became free from all the contamination of material existence. He immediately felt transcendental bliss and merged in an ocean of happiness. There were tears in his eyes, and his body shook in ecstasy. He completely forgot that he was living in this material world. After this, Bhīmasena, the second brother of the Pāṇḍavas, smiled and embraced Lord Kṛṣṇa, thinking of Him as his own maternal cousin, and thus he also merged in great ecstasy. Bhīmasena was so filled with ecstasy that for the time being he forgot his material existence. Then Lord Śrī Kṛṣṇa Himself embraced the other three Pāṇḍavas, Arjuna, Nakula and Sahadeva. The eyes of all three brothers were inundated with tears, and Arjuna embraced Kṛṣṇa again and again because they were intimate friends. The two younger Pāṇḍava brothers, after being embraced by Lord Kṛṣṇa, fell down at His lotus feet to offer their respects. Lord Kṛṣṇa thereafter offered His obeisances to the brāhmaṇas present, as well as to the elder members of the Kuru dynasty, like Bhīṣma, Droṇa and Dhṛtarāṣṭra. There were many kings of different provinces such as Kuru, Sṛñjaya and Kekaya, and Lord Kṛṣṇa duly reciprocated greetings and respects with them. The professional reciters like the sūtas, māgadhas and vandīs, accompanied by the brāhmaṇas, offered their respectful prayers to the Lord. Performing artists like the Gandharvas, as well as the royal jokers, began to play their paṇava drums, conch shells, kettledrums, vīṇās, mṛdaṅgas and bugles, and they exhibited their dancing art to please the Lord. Thus the all-famous Supreme Personality of Godhead, Lord Kṛṣṇa, entered the great city of Hastināpura, which was opulent in every respect. While Lord Kṛṣṇa was entering the city, all the people talked amongst themselves about the glories of the Lord, praising His transcendental name, qualities, form and so on.

A forma eterna do Senhor Kṛṣṇa é a morada perpétua da deusa da fortuna. Logo que O abraçou, o rei Yudhiṣṭhira ficou livre de toda a contaminação da existência material. Ele imediatamente sentiu bem-aventurança transcendental e mergulhou em um oceano de felicidade. Havia lágrimas nos seus olhos, e seu corpo tremeu em êxtase. Ele esqueceu completamente que estava vivendo neste mundo material. Depois disso, Bhīmasena, o segundo irmão dos Pāṇḍavas, sorriu e abraçou o Senhor Kṛṣṇa, considerando-O como o seu próprio primo materno, e assim ele também mergulhou em grande êxtase. Bhīmasena estava tão cheio de êxtase que, naquele momento, esqueceu sua existência material. Então, o próprio Senhor Śrī Kṛṣṇa abraçou os outros três Pāṇḍavas, Arjuna, Nakula e Sahadeva. Os olhos de todos os três irmãos ficaram inundados com lágrimas, e Arjuna abraçou Kṛṣṇa inúmeras vezes, pois eles eram amigos íntimos. Os dois irmãos Pāṇḍavas mais jovens, depois que foram abraçados pelo Senhor Kṛṣṇa, prostraram-se aos pés de lótus dEle para oferecer cumprimentos. Depois disso, o Senhor Kṛṣṇa ofereceu Suas reverências aos brāhmaṇas presentes, como também aos associados mais velhos da dinastia Kuru, como Bhīṣma, Drona e Dhṛtarāṣṭra. Havia muitos reis de diversas províncias, tais como Kuru, Sṛñjaya e Kekaya, e o Senhor Kṛṣṇa retribuiu suas saudações e seus cumprimentos. Os recitadores profissionais, como os sūtas, māgadhas e vandīs, acompanhados pelos brāhmaṇas, ofereceram suas respeitosas orações ao Senhor. Artistas de teatro, como os gandharvas, bem como os bobos da corte, começaram a tocar seus tambores paṇavas, búzios, tímbales, vīṇās, mṛdaṅgas e cornetas, e exibiram a arte da dança para agradar o Senhor. Assim, o Senhor Kṛṣṇa, a Suprema Personalidade de Deus, aquele que é absolutamente famoso, entrou na grande cidade de Hastināpura, que era, sob todos os aspectos, muito opulenta. Enquanto o Senhor Kṛṣṇa entrava na cidade, todas as pessoas falavam entre si sobre as glórias do Senhor e louvavam Seus nomes, qualidades e forma transcendentais.

The roads, streets and lanes of Hastināpura were all sprinkled with fragrant water through the trunks of intoxicated elephants. In different places of the city there were colorful festoons and flags decorating the houses and streets. At important crossroads there were gates with golden decorations, and at the two sides of the gates there were golden water jugs. These beautiful decorations glorified the opulence of the city. Participating in this great ceremony, all the citizens gathered here and there, dressed in colorful new clothing and decorated with ornaments, flower garlands and fragrant scents. The houses were all illuminated by hundreds and thousands of lamps placed in different corners of the cornices, walls, columns, bases and architraves, and from far away the rays of the lamps appeared to be celebrating the festival of Dīpāvalī (a particular festival observed on the New Year’s Day of the Hindu calendar). Within the walls of the houses, fragrant incense was burning, and smoke rose through the windows, making the entire atmosphere very pleasing. On the top of every house, flags were flapping, and the golden waterpots kept on the roofs shone brilliantly.

As estradas, ruas e alamedas de Hastināpura haviam sido todas borrifadas com água aromatizada por meio das trombas de elefantes inebriados. Em diferentes lugares da cidade, havia estandartes e bandeiras coloridas, que decoravam as casas e as ruas. Em encruzilhadas importantes, havia portões com decorações douradas, e havia cântaros dourados nos dois lados dos portões. Essas belas decorações glorificavam a opulência da cidade. Participando dessa grande cerimônia, todos os cidadãos juntavam-se aqui e ali, vestidos com roupa nova e colorida, e decorados com ornamentos, guirlandas de flores e aromas fragrantes. As casas haviam sido todas iluminadas por centenas e milhares de lamparinas colocadas em distintos locais das cornijas, paredes, colunas, bases e arquitraves e, de longe, os raios das lamparinas pareciam estar celebrando o festival Dīpāvalī (um festival específico observado no dia de ano novo do calendário hindu). Incenso perfumado queimava no interior das casas, e a fumaça elevava-se pelas janelas, tornando toda a atmosfera muito aprazível. No topo de todas as casas, bandeiras tremulavam, e os cântaros dourados, mantidos nos telhados, brilhavam resplandecentemente.

Lord Kṛṣṇa thus entered the city of the Pāṇḍavas, enjoyed the beautiful atmosphere and slowly proceeded ahead. When the young girls in every house heard that Lord Kṛṣṇa, the only object worth seeing, was passing on the road, they were very eager to see this all-famous personality. Their hair loosened, and their tightened saris became slack due to their hastily rushing to see Him. They gave up their household engagements, and those who were lying in bed with their husbands immediately left them and came directly down onto the street to see Lord Kṛṣṇa. The procession of elephants, horses, chariots and infantry was very crowded; some of the girls, being unable to see properly in the crowd, got up on the roofs of the houses. Pleased to see Lord Śrī Kṛṣṇa passing with His thousands of queens, they showered flowers on the procession, embraced Lord Kṛṣṇa within their minds and gave Him a hearty reception. When they saw Him in the midst of His many queens, like the full moon situated amidst many luminaries, they began to talk amongst themselves.

Então, o Senhor Kṛṣṇa entrou na cidade dos Pāṇḍavas, desfrutou da primorosa atmosfera e lentamente procedeu à frente. Quando as mocinhas em cada casa ouviram que o Senhor Kṛṣṇa, o único objeto digno de ser visto, estava passando pela rua, ficaram muito ávidas para ver essa personalidade absolutamente famosa. Seus cabelos soltaram-se e seus apertados sáris afrouxaram-se devido à pressa para vê-lO. Elas deixaram seus compromissos domésticos, e aquelas que estavam deitadas na cama com seus maridos os deixaram imediatamente e foram para a rua para ver o Senhor Kṛṣṇa. A procissão de elefantes, cavalos, carruagens e infantaria estava muito apinhada; algumas das moças, estando impossibilitadas de ver apropriadamente por causa da multidão, subiram aos telhados das casas. Satisfeitas por ver o Senhor Śrī Kṛṣṇa passando com Suas milhares de rainhas, elas derramaram flores na procissão, abraçaram o Senhor Kṛṣṇa mentalmente e deram-Lhe uma recepção cordial. Quando elas O viram no meio de Suas muitas rainhas, como a Lua cheia situada entre muitos luzeiros, elas começaram a falar entre si.

One girl said to another, “My dear friend, it is very difficult to guess what kind of pious activities these queens have performed, for they are always enjoying the smiling face and loving glances of Kṛṣṇa.” While Lord Kṛṣṇa was thus passing on the road, at intervals some of the citizens, who were all rich, respectable and freed from sinful activities, presented auspicious articles to the Lord, just to offer Him a reception to the city. Thus they worshiped Him as humble servitors.

Uma das moças disse a outra: “Minha querida amiga, é muito difícil adivinhar que tipo de atividades piedosas executaram essas rainhas, porque elas sempre estão desfrutando a face sorridente e os olhares amorosos de Kṛṣṇa”. Enquanto o Senhor Kṛṣṇa passava pela estrada, alguns dos cidadãos, que eram todos ricos, respeitáveis e livres de atividades pecaminosas, apresentaram, a intervalos, artigos auspiciosos ao Senhor apenas para oferecer-Lhe boas-vindas enquanto entrava na cidade. Assim, eles adoraram-nO como servos humildes.

When Lord Kṛṣṇa entered the palace, all the ladies there were overwhelmed with affection just upon seeing Him. They immediately received Lord Kṛṣṇa with glittering eyes expressing their love and affection for Him, and Lord Kṛṣṇa smiled and accepted their feelings and gestures of reception. When Kuntī, the mother of the Pāṇḍavas, saw her nephew Lord Kṛṣṇa, the Supreme Personality of Godhead, she was overpowered by love and affection. She at once got up from her bedstead and appeared before Him with her daughter-in-law, Draupadī, and in maternal love and affection she embraced Him. As Mahārāja Yudhiṣṭhira brought Kṛṣṇa within the palace, the king became so confused in his jubilation that he practically forgot what he was to do at that time to receive Kṛṣṇa and worship Him properly. Lord Kṛṣṇa delightfully offered His respects and obeisances to Kuntī and other elderly ladies of the palace. His younger sister, Subhadrā, was also standing there with Draupadī, and both offered their respectful obeisances unto the lotus feet of the Lord. At the indication of her mother-in-law, Draupadī brought clothing, ornaments and garlands, and with this paraphernalia they received the queens Rukmiṇī, Satyabhāmā, Bhadrā, Jāmbavatī, Kālindī, Mitravindā, Lakṣmaṇā and the devoted Satyā. These principal queens of Lord Kṛṣṇa were first received, and then the other queens were also offered a proper reception. King Yudhiṣṭhira arranged for Kṛṣṇa’s rest and saw to it that all who came along with Him – namely His queens, soldiers, ministers and secretaries – were comfortably situated. He had arranged that they would experience a new feature of reception every day while staying as guests of the Pāṇḍavas.

Quando o Senhor Kṛṣṇa entrou no palácio, todas as senhoras ficaram subjugadas devido à afeição ao vê-lO. Elas imediatamente receberam o Senhor Kṛṣṇa com olhos reluzentes, que expressavam seu amor e afeto para com Ele, e o Senhor Kṛṣṇa sorriu e aceitou seus sentimentos e gestos de recepção. Quando Kuntī, a mãe dos Pāṇḍavas, viu seu sobrinho Kṛṣṇa, a Suprema Personalidade de Deus, ela ficou dominada por amor e ternura. Ela de imediato levantou-se de sua cama e colocou-se diante dEle com sua nora, Draupadī, e, com amor e carinho maternais, ela O abraçou. Quando Mahārāja Yudhiṣṭhira levou Kṛṣṇa para dentro do palácio, o rei ficou tão confuso em sua felicidade que praticamente esqueceu o que ele faria naquele momento para receber Kṛṣṇa e adorá-lO de forma correta. O Senhor Kṛṣṇa prazerosamente ofereceu Seus cumprimentos e reverências a Kuntī e às outras senhoras idosas do palácio. Sua irmã mais jovem, Subhadrā, também estava lá com Draupadī, e ambas ofereceram respeitosas reverências aos pés de lótus do Senhor. Por solicitação da sua sogra, Draupadī trouxe vestimentas, ornamentos e guirlandas, e, com essa parafernália, elas receberam as rainhas Rukmiṇī, Satyabhāmā, Bhadrā, Jāmbavatī, Kālindī, Mitravindā, Lakṣmaṇā e a devotada Satyā. Essas rainhas principais do Senhor Kṛṣṇa foram recebidas em primeiro lugar, e, posteriormente, as outras rainhas também ganharam uma recepção apropriada. O rei Yudhiṣṭhira fez arranjos para o repouso de Kṛṣṇa e providenciou que todos que haviam vindo com Ele – ou seja, Suas rainhas, soldados, ministros e secretários – estivessem confortavelmente alojados. Ele tinha providenciado para que experimentassem uma nova recepção a cada dia enquanto permanecessem como convidados dos Pāṇḍavas.

It was during this time that Lord Śrī Kṛṣṇa, with the help of Arjuna, allowed the fire god, Agni, to devour the Khāṇḍava forest for his satisfaction. During the forest fire, Kṛṣṇa saved the demon Mayāsura, who was hiding in the forest. Upon being saved, Mayāsura felt obliged to the Pāṇḍavas and Lord Kṛṣṇa, and he constructed a wonderful assembly house within the city of Hastināpura. To please King Yudhiṣṭhira, Lord Kṛṣṇa remained in the city of Hastināpura for several months. During His stay, He enjoyed strolling here and there. He used to drive on chariots with Arjuna, and many warriors and soldiers used to follow them.

Foi durante essa ocasião que o Senhor Śrī Kṛṣṇa, com a ajuda de Arjuna, permitiu que o deus do fogo, Agni, devorasse a floresta Khāṇḍava para a satisfação dele. Durante o incêndio florestal, Kṛṣṇa salvou o demônio Mayāsura, que estava escondido na floresta. Ao ser salvo, Mayāsura tornou-se devedor dos Pāṇḍavas e do Senhor Kṛṣṇa e, assim, construiu um maravilhoso salão de assembleias dentro da cidade de Hastināpura. Para agradar o rei Yudhiṣṭhira, o Senhor Kṛṣṇa permaneceu na cidade de Hastināpura durante vários meses e, durante Sua estada, Ele gostava de passear por toda a redondeza. Ele costumava dirigir quadrigas com Arjuna, e muitos guerreiros e soldados os seguiam.

Thus ends the Bhaktivedanta purport of the seventy-first chapter of Kṛṣṇa, “Lord Kṛṣṇa in Indraprastha City.”

Neste ponto, encerram-se os significados Bhaktivedanta do capítulo setenta e um de Kṛṣṇa, intitulado “O Senhor Kṛṣṇa na Cidade de Indraprastha”.