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CHAPTER 63

Capítulo 63

Lord Kṛṣṇa Fights with Bāṇāsura

O Senhor Kṛṣṇa Luta com Bāṇāsura

When the four months of the rainy season passed and Aniruddha had still not returned home, all the members of the Yadu family became much perturbed. They could not understand how the boy was missing. Fortunately, one day the great sage Nārada came and informed the family about Aniruddha’s disappearance from the palace. He explained how Aniruddha had been carried to the city of Śoṇitapura, the capital of Bāṇāsura’s empire, and how Bāṇāsura had arrested him with the nāga-pāśa, even though Aniruddha had defeated his soldiers. This news was given in detail by Nārada, and the whole story was disclosed. Then the members of the Yadu dynasty, all of whom had great affection for Kṛṣṇa, prepared to attack the city of Śoṇitapura. Practically all the leaders of the family, including Pradyumna, Sātyaki, Gada, Sāmba, Sāraṇa, Nanda, Upananda and Bhadra, combined together and gathered twelve akṣauhiṇī military divisions into phalanxes. Then they all went to Śoṇitapura and surrounded it with soldiers, elephants, horses and chariots.

Quando os quatro meses da estação chuvosa haviam se passado e Aniruddha ainda não tinha voltado para casa, todos os membros da família Yadu ficaram muito perturbados. Eles não puderam entender a ausência do rapaz. Felizmente, certo dia, o grande sábio Nārada foi até lá e informou a família sobre o desaparecimento de Aniruddha. Ele explicou como Aniruddha fora levado para a cidade de Śoṇitapura, a capital do império de Bāṇāsura, e como esse o prendera com a naga-paśa embora Aniruddha tivesse derrotado os soldados dele. Essas notícias foram dadas em detalhes por Nārada, e a história inteira foi revelada. Então, os membros da dinastia Yadu, todos os quais nutriam uma grande afeição por Kṛṣṇa, prepararam-se para atacar a cidade de Śoṇitapura. Praticamente todos os líderes da família, inclusive Pradyumna, Sātyaki, Gada, Sāmba, Sāraṇa, Nanda, Upananda e Bhadra, reuniram-se e juntaram dezoito divisões militares akṣauhiṇī em falanges. Em seguida, todos eles partiram para Śoṇitapura e cercaram-na com soldados, elefantes, cavalos e quadrigas.

Bāṇāsura heard that the soldiers of the Yadu dynasty were attacking the whole city, tearing down various walls, gates and nearby gardens. Becoming very angry, he immediately ordered his soldiers, who were of equal caliber, to go and face them. Lord Śiva was so kind to Bāṇāsura that he personally came as the commander in chief of the military force, assisted by his heroic sons Kārttikeya and Gaṇapati. Nandīśvara, Lord Śiva, seated on his favorite bull, led the fighting against Lord Kṛṣṇa and Balarāma. We can simply imagine how fierce the fighting was – Lord Śiva with his valiant sons on one side, and Lord Kṛṣṇa, the Supreme Personality of Godhead, and His elder brother, Śrī Balarāmajī, on the other. The fighting was so fierce that those who saw the battle were struck with wonder, and the hairs on their bodies stood up. Lord Śiva was engaged in fighting directly with Lord Kṛṣṇa, Pradyumna was engaged with Kārttikeya, and Lord Balarāma was engaged with Bāṇāsura’s commander in chief, Kumbhāṇḍa, who was assisted by Kūpakarṇa. Sāmba, the son of Kṛṣṇa, fought the son of Bāṇāsura, and Bāṇāsura fought Sātyaki, commander in chief of the Yadu dynasty. In this way the fighting was waged.

Bāṇāsura ouviu que os soldados da dinastia Yadu estavam atacando toda a cidade, demolindo várias paredes, portões e jardins circunvizinhos. Ficando muito enfurecido, ele imediatamente ordenou que seus soldados, que eram de igual capacidade, fossem e enfrentassem o inimigo. O senhor Śiva era tão gentil com Bāṇāsura que ele veio pessoalmente como o comandante-em-chefe da força militar, auxiliado pelos seus heroicos filhos Kārttikeya e Gaṇapati. O senhor Śiva, sentado em seu touro favorito, liderou a luta contra o Senhor Kṛṣṇa e Balarāma. Pode-se simplesmente imaginar quão feroz foi o combate – o senhor Śiva com seus valorosos filhos de um lado, e o Senhor Kṛṣṇa, a Suprema Personalidade de Deus, e Seu irmão mais velho, Śrī Balarāmajī, do outro. O combate foi tão violento que aqueles que viram a batalha ficaram tomados de admiração, com os pelos de seus corpos arrepiados. O senhor Śiva ocupou-se em pelejar diretamente contra o Senhor Kṛṣṇa, Pradyumna assumiu a luta com Karttikeya, e o Senhor Balarāma Se propôs a enfrentar o comandante-em-chefe de Bāṇāsura, Kumbhāṇḍa, o qual estava sendo ajudado por Kūpakarna. Sāmba, o filho de Kṛṣṇa, lutou com o filho de Bāṇāsura, e Bāṇāsura lutou com Sātyaki, o comandante-em-chefe da dinastia Yadu. Foi assim que ocorreu a luta.

News of the fighting spread all over the universe. Demigods such as Lord Brahmā, from higher planetary systems, along with great sages and saintly persons, Siddhas, Cāraṇas and Gandharvas, all being very curious to see the fight between Lord Śiva and Lord Kṛṣṇa and their assistants, hovered over the battlefield in their airplanes. Lord Śiva is called Bhūta-nātha, because he is assisted by various types of powerful ghosts and denizens of the inferno – Bhūtas, Pretas, Pramathas, Guhyakas, Ḍākinīs, Piśācas, Kuṣmāṇḍas, Vetālas, Vināyakas and Brahma-rākṣasas. (Of all kinds of ghosts, the Brahma-rākṣasas are the most powerful. They are brāhmaṇas who after death have entered the ghostly species of life.)

Notícias da luta espalharam-se por todo o universo. Semideuses como o senhor Brahmā, provenientes dos sistemas planetários superiores, junto de grandes sábios e pessoas santas, siddhas, cāraṇas e gandharvas, todos muito curiosos para assistir à briga entre o senhor Śiva e o Senhor Kṛṣṇa e Seus auxiliares, sobrevoavam o campo de batalha em Seus aeroplanos. O senhor Śiva é chamado Bhūta-nātha porque ele é ajudado por várias espécies de fantasmas poderosos e habitantes do inferno – bhūtas, pretas, pramathas, guhyakas, ḍākinīs, piśācas, kusmāndas, vetālas, vināyakas e brahma-rākṣasas. (De todos os tipos de fantasmas, os brahma-rākṣasas são os mais poderosos. Eles são brāhmaṇas que, depois da morte, entraram na espécie fantasmagórica de vida.)

The Supreme Personality of Godhead, Śrī Kṛṣṇa, simply drove all these ghosts away from the battlefield with the arrows from His celebrated bow, Śārṅga-dhanur. Lord Śiva then began to release all his selected weapons against the Personality of Godhead. Lord Śrī Kṛṣṇa, without any difficulty, counteracted all these weapons with counterweapons. He counteracted the brahmāstra, similar to the atomic bomb, with another brahmāstra, and an air weapon with a mountain weapon. When Lord Śiva released a particular weapon bringing about a violent hurricane on the battlefield, Lord Kṛṣṇa presented just the opposing element, a mountain weapon, which checked the hurricane on the spot. Similarly, when Lord Śiva released his weapon of devastating fire, Kṛṣṇa counteracted it with torrents of rain.

A Suprema Personalidade de Deus, Śrī Kṛṣṇa, simplesmente dispersou todos esses fantasmas do campo de batalha com as flechas do Seu famoso arco, Śārṅga-dhanur. Assim, o senhor Śiva começou a lançar todas as suas armas selecionadas contra a Personalidade de Deus. O Senhor Śrī Kṛṣṇa, sem qualquer dificuldade, neutralizou todas essas armas com contra-armas. Ele neutralizou a brahmāstra, semelhante à bomba atômica, com outra brahmāstra, e uma arma de ar com uma arma de montanha. Quando o senhor Śiva atirou uma arma particular que provoca um furacão violento no campo de batalha, o Senhor Kṛṣṇa apresentou exatamente o elemento oposto, uma arma de montanha, que interrompeu o furacão naquele mesmo lugar. Semelhantemente, quando o senhor Śiva disparou sua arma de fogo devastador, Kṛṣṇa a desativou com torrentes de chuva.

At last, when Lord Śiva released his personal weapon, the Pāśupata-astra, Kṛṣṇa immediately counteracted it with the Nārāyaṇa-astra. Lord Śiva then became exasperated in fighting with Lord Kṛṣṇa. Kṛṣṇa then took the opportunity to release His yawning weapon. When this weapon is released, the opposing party becomes tired, stops fighting and begins to yawn. Consequently, Lord Śiva became so fatigued that he refused to fight anymore and began yawning. Kṛṣṇa was now able to turn His attention from the attack of Lord Śiva to the efforts of Bāṇāsura, and He began to kill Bāṇāsura’s personal soldiers with swords and clubs. Meanwhile, Lord Kṛṣṇa’s son Pradyumna was fighting fiercely with Kārttikeya, the commander in chief of the demigods. Kārttikeya was wounded, and his body was bleeding profusely. In this condition, he left the battlefield and, without fighting anymore, rode away on the back of his peacock carrier. Similarly, Lord Balarāma smashed Bāṇāsura’s commander in chief, Kumbhāṇḍa, with the strokes of His club. Kūpakarṇa was also wounded in this way, and both he and Kumbhāṇḍa fell on the battlefield, Kumbhāṇḍa being fatally wounded. Without guidance, all of Bāṇāsura’s soldiers scattered here and there.

Afinal, quando o senhor Śiva lançou sua arma pessoal chamada Pāśupata-astra, Kṛṣṇa a desativou imediatamente com a Nārāyaṇa-astra. O senhor Śiva, então, ficou exasperado na luta contra o Senhor Kṛṣṇa. Kṛṣṇa, então, aproveitou a oportunidade para lançar a Sua arma de bocejo. Quando essa arma é disparada, a parte adversária se cansa, deixa de lutar e começa a bocejar. Por conseguinte, o senhor Śiva ficou tão cansado que ele se recusou a lutar e começou a bocejar. Kṛṣṇa pôde, então, tirar Sua atenção do ataque ao senhor Śiva e dirigir os esforços para Bāṇāsura e, assim, começou a matar os soldados pessoais de Bāṇāsura com espadas e maças. Enquanto isso, Pradyumna, o filho do Senhor Kṛṣṇa, estava lutando ferozmente com Karttikeya, o comandante-em-chefe dos semideuses. Karttikeya estava ferido, e seu corpo estava sangrando profusamente. Nessa condição, ele deixou o campo de batalha e, sem lutar mais, partiu no dorso de seu pavão. Da mesma forma, o Senhor Balarāma esmagou o comandante-em-chefe de Bāṇāsura, Kumbhāṇḍa, com os Seus golpes de maça. Kūpakarṇa também foi ferido dessa forma, e ambos, ele e Kumbhāṇḍa, caíram no campo de batalha, Kumbhanda fatalmente ferido. Sem comando, todos os soldados de Bāṇāsura dispersaram-se a esmo em todas as direções.

When Bāṇāsura saw that his soldiers and commanders had been defeated, his anger only increased. He thought it wise to stop fighting with Sātyaki, Kṛṣṇa’s commander in chief, and instead directly attack Lord Kṛṣṇa. Now having the opportunity to use his one thousand arms, he rushed toward Kṛṣṇa, simultaneously working five hundred bows and two thousand arrows. Such a foolish person could never measure Kṛṣṇa’s strength. Immediately, without difficulty, Kṛṣṇa cut each of Bāṇāsura’s bows into two pieces and, to check him from going further, made the horses of his chariot lie on the ground so that the chariot broke to pieces. After doing this, Kṛṣṇa blew His conch shell, Pāñcajanya.

Quando Bāṇāsura viu que seus soldados e comandantes haviam sido derrotados, enfureceu-se ainda mais. Ele considerou prudente deixar de lutar com Sātyaki, o comandante-em-chefe de Kṛṣṇa, e, em vez dele, atacar o Senhor Kṛṣṇa diretamente. Tendo agora a oportunidade para usar seus mil braços, ele se arremeteu contra Kṛṣṇa manejando, simultaneamente, quinhentos arcos e duas mil flechas. Semelhante pessoa tola nunca é capaz de medir a força de Kṛṣṇa. Imediatamente, sem dificuldade, Kṛṣṇa cortou cada um dos arcos de Bāṇāsura em dois pedaços para impedi-lo de ir mais adiante e derrubou os cavalos da quadriga no chão, de forma que a quadriga se despedaçou. Depois de fazer isso, Kṛṣṇa soprou Seu búzio, o Pāñcajanya.

There was a demigoddess named Koṭarā who was worshiped by Bāṇāsura, and their relationship was as mother and son. Mother Koṭarā was upset that Bāṇāsura’s life was in danger, so she appeared on the scene. With naked body and scattered hair, she stood before Lord Kṛṣṇa. Śrī Kṛṣṇa did not like the sight of this naked woman, and to avoid seeing her He turned His face. Bāṇāsura, getting this chance to escape Kṛṣṇa’s attack, left the battlefield. All the strings of his bows had been broken, and there was no chariot or driver, so he had no alternative but to return to his city. He lost everything in the battle.

Havia uma semideusa chamada Koṭarā que era adorada por Bāṇāsura, e a relação deles era como de mãe e filho. Mãe Koṭarā irou-se porque a vida de Bāṇāsura estava em perigo; assim, ela apareceu em cena. Com corpo nu e cabelo solto, ela postou-se diante do Senhor Kṛṣṇa. Śrī Kṛṣṇa não gostou da visão dessa mulher desnuda e, para evitar vê-la, virou Seu rosto. Bāṇāsura, tendo essa oportunidade para escapar do ataque de Kṛṣṇa, abandonou o campo de batalha. Todas as cordas dos seus arcos tinham sido quebradas, e não havia nenhuma quadriga ou cocheiro, diante do que ele não teve qualquer alternativa a voltar à sua cidade. Ele perdera tudo na batalha.

Being greatly harassed by the arrows of Kṛṣṇa, all the associates of Lord Śiva – the hobgoblins and ghostly Bhūtas, Pretas and kṣatriyas – left the battlefield. Lord Śiva then took to his last resort. He released his greatest death weapon, known as the Śiva-jvara, which destroys by excessive heat. It is said that at the end of creation the sun becomes twelve times more scorching than usual. This twelve-times-hotter temperature is called Śiva-jvara. When the Śiva-jvara personified was released, he had three heads and three legs, and as he came toward Kṛṣṇa it appeared that he was burning everything to ashes. He was so powerful that he made blazing fire appear in all directions, and Kṛṣṇa observed that he was specifically coming toward Him.

Sendo intensamente hostilizados pelas flechas de Kṛṣṇa, todos os companheiros do senhor Śiva, os duendes e fantasmas bhūtas, pretas e kṣatriyas, abandonaram o campo de batalha. O senhor Śiva, então, fez uso de seu último recurso. Ele lançou sua maior arma de morte, conhecida como Śiva-jvara, a qual destrói por meio de temperatura excessiva. Afirma-se que, ao término da criação, o Sol se torna doze vezes mais abrasador do que o habitual. Essa temperatura doze vezes mais elevada é chamada Śiva-jvara. Quando o Śiva-jvara personificado foi atirado, ele tinha três cabeças e três pernas e, quando ele chegou até Kṛṣṇa, parecia que ele queimava tudo em cinzas. Ele era tão poderoso que fez fogo ardente aparecer em todas as direções, e Kṛṣṇa observou que ele estava indo especificamente em Sua direção.

As there is a Śiva-jvara weapon, there is also a Nārāyaṇa-jvara weapon, which is represented by excessive cold. When there is excessive heat, one can somehow or other tolerate it, but when there is excessive cold, everything collapses. This is actually experienced by a person at the time of death. At the time of death, the temperature of the body first of all increases to 107 degrees Fahrenheit, and then the whole body collapses and immediately becomes as cold as ice. To counteract the scorching heat of the Śiva-jvara, there is no other weapon but the Nārāyaṇa-jvara.

Assim como existe uma arma Śiva-jvara, também há uma arma Nārāyaṇa-jvara, que é representada por frio excessivo. Quando há calor excessivo, a pessoa pode, de uma maneira ou de outra, tolerar, mas, quando há frio excessivo, tudo entra em colapso. Isso é realmente experimentado por uma pessoa na hora da morte. Na hora da morte, a temperatura do corpo, em primeiro lugar, aumenta para 42 graus, após o que o corpo inteiro entra em colapso e, imediatamente, fica tão frio quanto gelo. Para neutralizar o calor abrasador do Śiva-jvara, não há nenhuma outra arma senão o Nārāyaṇa-jvara.

Therefore, when Lord Kṛṣṇa saw that the Śiva-jvara had been released by Lord Śiva, He had no recourse other than to release the Nārāyaṇa-jvara. Lord Śrī Kṛṣṇa is the original Nārāyaṇa and the controller of the Nārāyaṇa-jvara weapon. When the Nārāyaṇa-jvara was released, there was a great fight between the two jvaras. When excessive heat is counteracted by extreme cold, it is natural for the hot temperature to gradually reduce, and this is what occurred in the fight between the Śiva-jvara and the Nārāyaṇa-jvara. Gradually, the Śiva-jvara’s temperature diminished, and the Śiva-jvara began to cry for help from Lord Śiva, but Lord Śiva was unable to help him in the presence of the Nārāyaṇa-jvara. Unable to get any help from Lord Śiva, the Śiva-jvara could understand that he had no means of escape outside of surrendering unto Nārāyaṇa, Lord Kṛṣṇa Himself. Lord Śiva, the greatest of the demigods, could not help him, what to speak of the lesser demigods, and therefore the Śiva-jvara ultimately surrendered unto Kṛṣṇa, bowing before Him and offering a prayer so that the Lord might be pleased and give him protection.

Portanto, quando o Senhor Kṛṣṇa viu que o Śiva-jvara tinha sido disparado pelo senhor Śiva, Ele não teve recurso a atirar o Nārāyaṇa-jvara. O Senhor Śrī Kṛṣṇa é o Nārāyaṇa original e o controlador da arma Nārāyaṇa-jvara. Quando o Nārāyaṇa-jvara foi lançado, houve um titânico combate entre os dois jvaras. Quando o calor excessivo é neutralizado através do frio extremo, é natural que a temperatura quente seja gradualmente reduzida, e isso foi o que aconteceu no duelo entre o Śiva-jvara e o Nārāyaṇa-jvara. Aos poucos, a temperatura do Śiva-jvara diminuiu e ele começou a chorar, implorando pela ajuda do senhor Śiva, mas o senhor Śiva estava impossibilitado de ajudá-lo na presença do Nārāyaṇa-jvara. Sem condições de obter qualquer auxílio do senhor Śiva, o Śiva-jvara pôde entender que ele não dispunha de quaisquer meios de fuga, com exceção da rendição a Nārāyaṇa, o próprio Senhor Kṛṣṇa. O senhor Śiva, o maior dos semideuses, não podia ajudá-lo, o que falar dos semideuses menores, e, em vista disso, o Śiva-jvara se rendeu a Kṛṣṇa por fim, curvando-se diante dEle e oferecendo uma oração de forma que o Senhor Se agradasse e lhe desse proteção.

This incident of the fight between the ultimate weapons of Lord Śiva and Lord Kṛṣṇa proves that if Kṛṣṇa gives someone protection no one can kill him and if Kṛṣṇa does not give one protection no one can save him. Lord Śiva is called Mahādeva, the greatest of all the demigods, although sometimes Lord Brahmā is considered the greatest of all the demigods because he can create. However, Lord Śiva can annihilate the creations of Brahmā. Still, both Lord Brahmā and Lord Śiva act only in one capacity: Lord Brahmā can create, and Lord Śiva can annihilate. But neither of them can maintain. Lord Viṣṇu, however, not only maintains but creates and annihilates also. Factually, the creation is not effected by Brahmā, because Brahmā himself is created by Lord Viṣṇu. And Lord Śiva is created, or born, of Brahmā. The Śiva-jvara thus understood that without Kṛṣṇa, or Nārāyaṇa, no one could help him. He therefore rightly took shelter of Lord Kṛṣṇa and, with folded hands, began to pray as follows.

Este incidente da luta entre as armas supremas do senhor Śiva e do Senhor Kṛṣṇa prova que, se Kṛṣṇa der proteção a alguém, ninguém poderá matá-lo, e se Kṛṣṇa não der Sua proteção, ninguém poderá salvá-lo. O senhor Śiva é chamado Mahadeva, o maior de todos os semideuses, embora, às vezes, o senhor Brahmā seja considerado o maior de todos os semideuses porque ele pode criar. Por outro lado, o senhor Śiva pode aniquilar as criações de Brahmā. Não obstante, tanto o senhor Brahmā quanto o senhor Śiva agem meramente com uma capacidade: o senhor Brahmā pode criar e o senhor Śiva pode aniquilar. Todavia, nenhum deles pode manter. O Senhor Viṣṇu, em contraste, não apenas mantém, mas cria e também aniquila. Na verdade, a criação não é efetuada por Brahmā, porque o próprio Brahmā é criado pelo Senhor Viṣṇu. E o senhor Śiva é criado por Brahmā, ou nasce dele. Consequentemente, o Śiva-jvara entendeu que, sem Kṛṣṇa, ou Nārāyaṇa, ninguém poderia ajudá-lo. Assim, corretamente, Ele refugiou-se no Senhor Kṛṣṇa e, de mãos juntas, começou a proferir uma oração com as seguintes palavras:

“My dear Lord, I offer my respectful obeisances unto You because You have unlimited potencies. No one can surpass Your potencies, and thus You are the Lord of everyone. Generally people consider Lord Śiva the most powerful personality in the material world, but Lord Śiva is not all-powerful; You are all-powerful. This is factual. You are the original consciousness, or knowledge. Without knowledge, or consciousness, nothing can be powerful. A material thing may be very powerful, but without the touch of consciousness it cannot act. A material machine may be gigantic and wonderful, but without the touch of someone conscious and in knowledge, the material machine is useless for all purposes. My Lord, You are complete knowledge, and there is not a pinch of material contamination in Your personality. Lord Śiva may be a powerful demigod because of his specific power to annihilate the whole creation, and, similarly, Lord Brahmā may be very powerful because he can create the entire universe, but actually neither Brahmā nor Lord Śiva is the original cause of this cosmic manifestation. You are the Absolute Truth, the Supreme Brahman, and You are the original cause. The original cause of the cosmic manifestation is not the impersonal Brahman effulgence. That impersonal Brahman effulgence rests on Your personality.” As confirmed in the Bhagavad-gītā, the cause of the impersonal Brahman is Lord Kṛṣṇa. This Brahman effulgence is likened to the sunshine, which emanates from the sun globe. Therefore, impersonal Brahman is not the ultimate cause. The ultimate cause of everything is the supreme eternal form of Kṛṣṇa. All material actions and reactions take place in the impersonal Brahman, but in the personal Brahman, the eternal form of Kṛṣṇa, there is no action and reaction.

“Meu querido Senhor, ofereço-Lhe minhas respeitosas reverências porque Você tem potências ilimitadas. Ninguém pode ultrapassar Suas potências, e, assim, Você é o Senhor de todo o mundo. As pessoas consideram o senhor Śiva a personalidade mais poderosa no mundo material, mas o senhor Śiva não é onipotente; Você é todo-poderoso. Isso é fato. Você é a consciência original, ou o conhecimento. Sem conhecimento, ou consciência, nada pode ser poderoso. Uma coisa material pode ser muito poderosa, mas, sem o toque da consciência, ela não pode agir. Uma máquina material pode ser gigantesca e maravilhosa, mas, sem o toque de alguém consciente e sem conhecimento, a máquina material é inútil para todos os propósitos. Meu Senhor, Você é o conhecimento completo, e não há um único vestígio de contaminação material em Sua personalidade. O senhor Śiva pode ser um semideus poderoso por causa do seu poder específico de aniquilar a criação inteira, e, semelhantemente, o senhor Brahmā pode ser muito poderoso porque ele pode criar o universo inteiro, mas nem Brahmā nem o senhor Śiva são a causa original desta manifestação cósmica. Você é a Verdade Absoluta, o Brahmān Supremo e a causa original. A causa original da manifestação cósmica não é a refulgência do Brahman impessoal. Aquela refulgência do Brahman impessoal descansa em Sua personalidade”. Como confirma o Bhagavad-gītā, a causa do Brahman impessoal é o Senhor Kṛṣṇa. Essa refulgência Brahmān é comparada aos raios solares, que emanam do globo solar. Então, o Brahmān impessoal não é a causa última. A causa última de tudo é a forma eterna e suprema de Kṛṣṇa. Todas as ações e reações materiais acontecem no Brahmān impessoal, mas, no Brahmān pessoal, a forma eterna de Kṛṣṇa, não há nenhuma ação e reação.

The Śiva-jvara continued: “Therefore, my Lord, Your body is completely peaceful, completely blissful and devoid of material contamination. In the material body there are actions and reactions of the three modes of material nature. The time factor is the most important element, above all others, because the material manifestation is effected by the agitation of time. Thus natural phenomena come into existence, and as soon as phenomena appear, fruitive activities are visible. As the result of these fruitive activities, a living entity takes his form. He acquires a particular nature packed up in a subtle body and gross body formed by the life air, the ego, the ten sense organs, the mind and the five gross elements. These then create the type of body which later becomes the root cause of various other bodies, which are acquired one after another by means of the transmigration of the soul. All these phenomenal manifestations are the combined actions of Your material energy. You, however, are the cause of this external energy, and thus You remain unaffected by the action and reaction of the different elements. And because You are transcendental to such compulsions of material energy, You are the supreme tranquillity. You are the last word in freedom from material contamination. I therefore take shelter at Your lotus feet, giving up all other shelter.

O Śiva-jvara continuou: “Portanto, meu Senhor, Seu corpo é plenamente pacífico, plenamente feliz e destituído de contaminação material. No corpo material, há ações e reações dos três modos da natureza material. O fator tempo é o elemento mais importante, acima de todos os outros, porque a manifestação material é efetuada pela agitação do tempo. Dessa forma, os fenômenos naturais entram em existência e, assim que surgem os mesmos, as atividades fruitivas são visíveis. Como resultado dessas atividades fruitivas, uma entidade viva assume sua forma. Ela adquire uma natureza particular contida em um corpo sutil e em um corpo grosseiro formados pelo ar vital, o ego, os dez órgãos dos sentidos, a mente e os cinco elementos grosseiros. Em consequência, estes criam o tipo de corpo que, mais tarde, se tornará a causa raiz de vários outros corpos, que são adquiridos, um após o outro, por meio da transmigração da alma. Todas essas manifestações fenomenais são as ações combinadas de Sua energia material – Você, porém, é a causa dessa energia externa e, assim, permanece inalterado pela ação e pela reação dos diferentes elementos. E porque Você é transcendental a tais forças da energia material, Você é a tranquilidade suprema e a última palavra em liberdade da contaminação material. Por conseguinte, refugio-me aos Seus pés de lótus, abandonando todos os outros abrigos”.

“My dear Lord, Your appearance as the son of Vasudeva in Your role as a human being is one of the pastimes of Your complete freedom. To benefit Your devotees and vanquish the nondevotees, You appear in multi-incarnations. All such incarnations descend in fulfillment of Your promise in the Bhagavad-gītā that You appear as soon as there are discrepancies in the system of progressive life. When there are disturbances by irregular principles, my dear Lord, You appear by Your internal potency. Your main business is to protect and maintain the demigods and spiritually inclined persons and to maintain the standard of material law and order. Considering Your mission of maintaining such law and order, Your violence toward the miscreants and demons is quite befitting. This is not the first time You have incarnated; it is to be understood that You have done so many, many times before.

“Meu querido Senhor, Seu aparecimento como o filho de Vasudeva em Seu papel como um ser humano é um dos passatempos de Sua liberdade completa. Para beneficiar Seus devotos e derrotar os não-devotos, Você aparece em múltiplas encarnações. Todas essas encarnações descem em cumprimento de Sua promessa no Bhagavad-gītā, de que Você aparece assim que há discrepâncias no sistema de vida progressiva. Quando há perturbações devido aos princípios irregulares, meu querido Senhor, Você aparece, através de Sua potência interna. Seu interesse principal é proteger e manter os semideuses e as pessoas espiritualmente inclinadas e manter o padrão das leis e ordem materiais. Considerando Sua missão de manter tal lei e ordem, Sua violência para com os descrentes e demônios é bem apropriada. Essa não é a primeira vez que Você encarnou: deve-se entender que Você já o fez incontáveis vezes antes”.

“My dear Lord, I beg to submit that I have been very greatly chastised by the release of Your Nārāyaṇa-jvara, which is certainly very cooling yet at the same time severely dangerous and unbearable for all of us. My dear Lord, as long as one is forgetful of Kṛṣṇa consciousness, driven by the spell of material desires and ignorant of the ultimate shelter at Your lotus feet, one who has accepted this material body becomes disturbed by the three miserable conditions of material nature. Because one does not surrender unto You, he continues to suffer perpetually.”

“Meu querido Senhor, imploro que considere que já fui muitíssimo castigado pelo lançamento de Seu Nārāyaṇa-jvara, o qual é extremamente frio e, ao mesmo tempo, profundamente danoso e insuportável para todos nós. Meu querido Senhor, enquanto a pessoa permanece esquecida da consciência de Kṛṣṇa, dirigida pelo feitiço dos desejos materiais e ignorante do refúgio último aos Seus pés de lótus, ela, que aceitou este corpo material, é perturbada pelas três condições miseráveis da natureza material. Porque ela não se rende a Você, ela continua a sofrer perpetuamente”.

After hearing the Śiva-jvara, Lord Kṛṣṇa replied, “O three-headed one, I am pleased with your statement. Be assured that there will be no more suffering for you from the Nārāyaṇa-jvara. Not only are you now free from fear of the Nārāyaṇa-jvara, but anyone in the future who simply recollects this fight between you and the Nārāyaṇa-jvara will also be freed from all kinds of fear.” After hearing the Supreme Personality of Godhead, the Śiva-jvara offered respectful obeisances unto His lotus feet and left.

Depois de ouvir o Śiva-jvara, o Senhor Kṛṣṇa respondeu: “Ó ser de três cabeças, estou satisfeito com sua declaração. Tenha certeza de que não haverá mais sofrimento para você causado pelo Nārāyaṇa-jvara. Não apenas está agora livre do medo do Nārāyaṇa-jvara, mas qualquer pessoa que, no futuro, simplesmente recordar-se deste duelo entre você e o Nārāyaṇa-jvara também será libertada de todas as espécies de medo”. Após ouvir a Suprema Personalidade de Deus, o Śiva-jvara ofereceu suas respeitosas reverências aos Seus pés de lótus e partiu.

In the meantime, Bāṇāsura somehow or other recovered from his setbacks and, with rejuvenated energy, returned to fight. This time Bāṇāsura appeared before Lord Kṛṣṇa, who was seated on His chariot, with different kinds of weapons in his one thousand hands. Very much agitated, Bāṇāsura splashed his different weapons upon the body of Lord Kṛṣṇa like torrents of rain. When Lord Kṛṣṇa saw the weapons of Bāṇāsura coming at Him, like water coming out of a strainer, He took His sharp-edged Sudarśana disc and began to cut off the demon’s one thousand arms, one after another, just as a gardener trims the twigs of a tree with sharp cutters. When Lord Śiva saw that his devotee Bāṇāsura could not be saved even in his presence, he came to his senses and personally came before Lord Kṛṣṇa and began to pacify Him by offering the following prayers.

Enquanto isso, Bāṇāsura, de uma maneira ou de outra, se recuperou dos seus reveses e, com energia rejuvenescida, retornou à luta. Desta vez, Bāṇāsura, com diferentes espécies de armas nas suas mil mãos, apareceu diante do Senhor Kṛṣṇa, que estava sentado em Sua quadriga. Muito agitado, Bāṇāsura disparou diversas armas contra o corpo do Senhor Kṛṣṇa, como torrentes de chuva. Quando o Senhor Kṛṣṇa viu as armas de Bāṇāsura vindo em Sua direção como água jorrando de um coador, Ele pegou Seu afiadíssimo disco Sudarśana e começou a cortar os mil braços do demônio, um após o outro, da mesma maneira que um jardineiro apara os ramos de uma árvore com cortadores afiados. Quando o senhor Śiva viu que seu devoto Bāṇāsura não poderia ser salvo, nem mesmo em sua presença, ele recuperou sua consciência e pessoalmente foi diante do Senhor Kṛṣṇa e começou a apaziguá-lO, oferecendo as seguintes orações.

Lord Śiva said, “My dear Lord, You are the worshipable object of the Vedic hymns. One who does not know You considers the impersonal brahma-jyotir to be the ultimate Supreme Absolute Truth, without knowledge that You exist behind Your spiritual effulgence in Your eternal abode. My dear Lord, You are therefore called Para-brahman. Indeed, the words paraṁ brahman have been used in the Bhagavad-gītā to identify You. Saintly persons who have completely cleansed their hearts of all material contamination can realize Your transcendental form, although You are all-pervading like the sky, unaffected by any material thing. Only the devotees can realize You, and no one else. In the impersonalists’ conception of Your supreme existence, the sky is just like Your navel, fire is Your mouth, and water is Your semen. The heavenly planets are Your head, all the directions are Your ears, the earth (Urvī) is Your lotus feet, the moon is Your mind, and the sun is Your eye. As far as I am concerned, I act as Your ego. The ocean is Your abdomen, and the king of heaven, Indra, is Your arm. Trees and plants are the hairs on Your body, the clouds are the hair on Your head, and Lord Brahmā is Your intelligence. All the great progenitors, known as Prajāpatis, are Your symbolic representatives. And religion is Your heart. The impersonal feature of Your supreme body is conceived of in this way, but You are ultimately the Supreme Person. The impersonal feature of Your supreme body is only a small expansion of Your energy. You are likened to the original fire, and Your expansions are its light and heat.”

O senhor Śiva disse: “Meu querido Senhor, Você é o objeto adorável dos hinos védicos. Aquele que não O conhece, considera que o Brahmājyoti impessoal é a Verdade Absoluta Suprema última, sem conhecimento de que Você existe por trás de Sua refulgência espiritual em Sua morada eterna. Portanto, meu querido Senhor, Você é chamado Parabrahman. Na verdade, as palavras paraṁ brahman foram usadas no Bhagavad-gītā para identificá-lO. As pessoas santas que limparam completamente seus corações de toda a contaminação material podem perceber Sua forma transcendental, embora Você seja onipenetrante como o céu e inafetado por algo material. Somente os devotos, e ninguém mais, podem percebê-lO. Na concepção impersonalista de Sua existência suprema, o céu é como o Seu umbigo, o fogo é Sua boca e a água é Seu sêmen. Os planetas celestiais são Sua cabeça, todas as direções são Suas orelhas, o planeta Urvī é Seus pés de lótus, a Lua é Sua mente e o Sol é Seu olho. Quanto a mim, ajo como o Seu ego. O oceano é Seu abdome, e o rei dos céus, Indra, é Seu braço. As árvores e as plantas são os pelos em Seu corpo, as nuvens são o cabelo em Sua cabeça, e o senhor Brahmā é Sua inteligência. Todos os grandes progenitores, conhecidos como prajāpatis, são Seus representantes simbólicos. E a religião é Seu coração. A característica impessoal de Seu corpo supremo é concebida deste modo, mas Você é, em última análise, a Pessoa Suprema. A característica impessoal de Seu corpo supremo é somente uma diminuta expansão de Sua energia. Você é comparado ao fogo original, e Suas expansões são Sua luz e calor”.

Lord Śiva continued: “My dear Lord, since You are manifested universally, the different parts of the universe are the different parts of Your body, and by Your inconceivable potency You can simultaneously be both localized and universal. In the Brahma-saṁhitā we also find it stated that although You always remain in Your abode, Goloka Vṛndāvana, You are present everywhere. As stated in the Bhagavad-gītā, You appear in order to protect the devotees, and thus Your appearance indicates good fortune for all the universe. All of the demigods are directing different affairs of the universe by Your grace only. Thus the seven upper planetary systems are maintained by Your grace. At the end of this creation, all manifestations of Your energies, whether in the shape of demigods, human beings or lower animals, enter into You, and all immediate and remote causes of the cosmic manifestation rest in You without distinctive features of existence. Ultimately, there is no possibility of distinction between You and any other thing on an equal level with You or subordinate to You. You are simultaneously the cause of this cosmic manifestation and its ingredients as well. You are the Supreme Whole, one without a second. In the phenomenal manifestation there are three stages: the stage of consciousness, the stage of semiconsciousness in dreaming, and the stage of unconsciousness. But Your Lordship is transcendental to all these different material stages of existence. You exist, therefore, in a fourth dimension, and Your appearance and disappearance do not depend on anything beyond Yourself. You are the supreme cause of everything, but of You there is no cause. You Yourself cause Your own appearance and disappearance. Despite Your transcendental position, my Lord, in order to show Your six opulences and advertise Your transcendental qualities, You have appeared in Your different incarnations – fish, tortoise, boar, Nṛsiṁha, Keśava and others – by Your personal manifestation; and You have appeared as different living entities by Your separated manifestations. By Your internal potency You appear as the different incarnations of Viṣṇu, and by Your external potency You appear as the phenomenal world.

O senhor Śiva continuou: “Meu querido Senhor, visto que Você Se manifesta universalmente, as diferentes partes do universo são as diversas partes de Seu corpo, e, por Sua potência inconcebível, Você pode ser, simultaneamente, tanto localizado quanto universal. Na Brahmā-saṁhitā, também encontramos a declaração de que, embora Você sempre permaneça em Sua morada, Goloka Vṛndāvana, Você está presente em todos os lugares. Como declarado no Bhagavad-gītā, Você aparece para proteger os devotos, e, assim, Seu aparecimento indica boa fortuna para todo o universo. Todos os semideuses estão conduzindo as diferentes atividades do universo meramente por Sua graça. Assim, os sete sistemas planetários superiores são mantidos por Sua graça. Ao término desta criação, todas as manifestações de Suas energias, seja na forma de semideuses, seres humanos ou animais inferiores, entram em Você, e todas as causas imediatas e remotas da manifestação cósmica descansam em Você, sem características distintivas de existência. Em última análise, não há qualquer possibilidade de distinção entre Você e qualquer outra coisa em um nível de igualdade ou de subordinação a Você. Você é, simultaneamente, a causa desta manifestação cósmica e dos ingredientes. Você é o Todo Supremo, sem comparação. Na manifestação fenomenal, há três fases: a fase de consciência, a fase de semiconsciência no sonho e a fase de inconsciência. Não obstante, Sua Onipotência é transcendental a todas essas distintas fases materiais de existência. Então, Você existe em uma quarta dimensão, e Seu aparecimento e Seu desaparecimento não dependem de nada além de Você mesmo. Você é a causa suprema de tudo, mas, para Você, não há nenhuma causa, sendo a causa de Seu próprio aparecimento e desaparecimento. Apesar de Sua posição transcendental, meu Senhor, a fim de mostrar Suas seis opulências e anunciar Suas qualidades transcendentais, Você apareceu em Suas diferentes encarnações – peixe, tartaruga, javali, Nṛsiṁha, Keśava e outras – por Sua manifestação pessoal, e Você apareceu como inumeráveis entidades vivas mediante Suas manifestações separadas. Por Sua potência interna, Você apareceu como as diversas encarnações de Viṣṇu e, por Sua potência externa, Você apareceu como o mundo fenomenal”.

“On a cloudy day, to the common man’s eyes the sun appears to be covered. But the fact is that because the sunshine creates the cloud, the sun can never actually be covered, even though the whole sky may be cloudy. Similarly, less intelligent men claim that there is no God, but when the manifestation of different living entities and their activities is visible, enlightened persons see You present in every atom through the medium of Your external and marginal energies. Your unlimitedly potent activities are experienced by the most enlightened devotees, but those who are bewildered by the spell of Your external energy identify themselves with this material world and become attached to society, friendship and love. Thus they embrace the threefold miseries of material existence and are subjected to the dualities of pain and pleasure, sometimes drowning in the ocean of attachment and sometimes being taken out of it.

“Em um dia nublado, para os olhos do homem comum, o Sol parece estar encoberto. No entanto, o fato é que, porque o Sol cria a nuvem, ele nunca pode ser encoberto de verdade, ainda que o céu inteiro possa ficar nublado. Semelhantemente, os homens menos inteligentes reivindicam que não há nenhum Deus, mas, quando a manifestação de diferentes entidades vivas e suas atividades torna-se visível, as pessoas iluminadas O veem presente em todo átomo e através de Suas energias externa e marginal. Suas atividades ilimitadamente potentes são experimentadas pelos devotos iluminados; todavia, aqueles que estão confusos, em decorrência da ilusão de Sua energia externa, identificam-se com o mundo material e ficam atados a sociedade, amizade e amor. Assim, eles enredam-se nas três misérias da existência material e ficam sujeitos às dualidades de dor e prazer, ora imergindo no oceano de apego, ora emergindo dele”.

“My dear Lord, only by Your mercy and grace can the living entity get the human form of life, which is a chance to get out of the miserable condition of material existence. However, a person who possesses a human body but who cannot bring his senses under control is carried away by the waves of sensual enjoyment. As such, he cannot take shelter of Your lotus feet and thus engage in Your devotional service. The life of such a person is very unfortunate, and anyone living such a life of darkness is certainly cheating himself and thus cheating others also. Therefore, human society without Kṛṣṇa consciousness is a society of cheaters and the cheated.

“Meu querido Senhor, só por intermédio de Sua misericórdia e graça pode a entidade viva adquirir a forma humana de vida, que é uma oportunidade para sair da condição miserável da existência material. Contudo, uma pessoa que possui um corpo humano, mas que não pode controlar seus sentidos, fica à deriva em razão das ondas do desfrute dos sentidos. Como tal, ela não se refugia em Seus pés de lótus e, assim, não se ocupa em Seu serviço devocional. A vida de tal pessoa é muito desgraçada, e qualquer um que leve tal vida de escuridão está certamente enganando a si mesmo e também está ludibriando os outros. Então, sociedade humana sem consciência de Kṛṣṇa é uma sociedade de enganadores e enganados”.

“My Lord, You are actually the dearmost Supersoul of all living entities and the supreme controller of everything. The human being who is always illusioned is afraid of ultimate death. A man who is simply attached to sensual enjoyment voluntarily accepts the miserable material existence and thus wanders after the will-o’-the-wisp of sense pleasure. He is certainly the most foolish man, for he drinks poison and puts aside the nectar. My dear Lord, all the demigods, including myself and Lord Brahmā, as well as great saintly persons and sages who have cleansed their hearts of material attachment, have, by Your grace, wholeheartedly taken shelter of Your lotus feet. We have all taken shelter of You because we have accepted You as the Supreme Lord and the dearmost life and soul of all of us. You are the original cause of this cosmic manifestation, You are its supreme maintainer, and You are the cause of its dissolution also. You are equal to everyone, the most peaceful supreme friend of every living entity. You are the supreme worshipable object for every one of us. My dear Lord, let us always be engaged in Your transcendental loving service so that we may get free from this material entanglement.

“Meu Senhor, Você é, de fato, a mais querida Superalma de todas as entidades vivas e o controlador supremo de tudo. O ser humano que está sempre iludido tem medo da morte iminente. Alguém que está simplesmente apegado ao gozo dos sentidos, aceita voluntariamente a existência material miserável e, assim, vaga atrás do fogo-fátuo do desfrute sensorial. Ele é certamente o homem mais tolo, porque ele bebe veneno e rejeita o néctar. Meu querido Senhor, todos os semideuses, incluindo eu mesmo e o senhor Brahmā, assim como grandes pessoas santas e sábios que limparam seus corações do apego material, têm, por Sua graça, de todo o coração, se refugiado em Seus pés de lótus. Todos nós buscamos abrigo em Você porque O aceitamos como o Senhor Supremo e a mais querida vida e alma de todos nós. Você é a causa original desta manifestação cósmica, o supremo mantenedor dela e também a causa de sua dissolução. Você é equânime a todos, o amigo supremo mais pacífico de todas as entidades vivas e o objeto adorável supremo para todos nós. Meu querido Senhor, deixe-nos sempre estar ocupados em Seu transcendental serviço amoroso de forma que possamos nos libertar deste enredamento material”.

“Finally, my Lord, I may inform You that this Bāṇāsura is very dear to me. He has rendered valuable service unto me; therefore I want to see him always happy. Being pleased with him, I have assured him safety. I pray to You, my Lord, that as You were pleased with his forefathers King Prahlāda and Bali Mahārāja, You will also be pleased with him.”

“Por último, meu Senhor, permita-me informar-Lhe que este Bāṇāsura é muito querido a mim. Ele prestou-me valioso serviço, de modo que desejo vê-lo sempre feliz. Estando satisfeito com ele, eu lhe garanti segurança. Oro a Você, meu Senhor, que, assim como Você Se satisfez com os antepassados dele, o rei Prahlāda e Bali Mahārāja, Você também fique satisfeito com ele”.

After hearing Lord Śiva’s prayer, Lord Kṛṣṇa replied, “My dear Lord Śiva, I accept your statements, and I also accept your desire for Bāṇāsura. I know that this Bāṇāsura is the son of Bali Mahārāja, and as such I cannot kill him, for that is My promise. I gave a benediction to King Prahlāda that the demons who would appear in his family would never be killed by Me. Therefore, without killing this Bāṇāsura, I have simply cut off his arms to deprive him of his false prestige. The large number of soldiers he was maintaining became a burden on this earth, and I have killed them all to minimize the burden. Now he has four remaining arms, and he will remain immortal, unaffected by material pains and pleasures. I know that he is one of the chief devotees of Your Lordship, so you can now rest assured that henceforward he need have no fear of anything.”

Depois de ouvir a oração do senhor Śiva, o Senhor Kṛṣṇa respondeu: “Meu querido senhor Śiva, Eu aceito Suas declarações e também aceito seu desejo em relação a Bāṇāsura. Eu sei que esse Bāṇāsura é o filho de Bali Mahārāja e, como tal, Eu não o posso matar, pois essa é Minha promessa. Eu concedi uma bênção ao rei Prahlāda de que os demônios que aparecessem na família dele nunca seriam exterminados por Mim. Então, sem matar este Bāṇāsura, Eu cortei seus braços simplesmente para restringir seu falso prestígio. O grande número de soldados que ele estava mantendo se tornou um fardo para a Terra, e Eu os matei para minimizar o fardo. Agora, ele tem quatro braços restantes e permanecerá imortal, intocável por dores e prazeres materiais. Eu sei que ele é um dos principais devotos de Sua Onipotência, motivo pelo qual você pode descansar assegurado de que, daqui em diante, ele não precisará ter nenhum medo de coisa alguma”.

When Bāṇāsura was blessed by Lord Kṛṣṇa in this way, he came before the Lord and bowed down before Him, touching his head to the earth. Bāṇāsura immediately arranged to have his daughter Ūṣā seated with Aniruddha on a nice chariot, and then he presented them before Lord Kṛṣṇa. After this, Lord Kṛṣṇa took charge of Aniruddha and Ūṣā, who had become very opulent materially because of the blessings of Lord Śiva. Thus, keeping forward a division of one akṣauhiṇī of soldiers, Kṛṣṇa proceeded toward Dvārakā. In the meantime, all the people of Dvārakā, having received the news that Lord Kṛṣṇa was returning with Aniruddha and Ūṣā in great opulence, decorated every corner of the city with flags, festoons and garlands. All the big roads and crossings were carefully cleansed and sprinkled with sandalwood pulp mixed with water. Everywhere was the fragrance of sandalwood. All the citizens joined with their friends and relatives to welcome Lord Kṛṣṇa with great pomp and jubilation, and a tumultuous vibration of conch shells, drums and bugles received the Lord. In this way the Supreme Personality of Godhead, Kṛṣṇa, entered His capital, Dvārakā.

Quando Bāṇāsura foi deste modo abençoado pelo Senhor Kṛṣṇa, ele postou-se em frente ao Senhor e curvou-se diante dEle, tocando sua cabeça na terra. Bāṇāsura automaticamente arranjou para que sua filha Ūṣā se assentasse com Aniruddha em uma agradável quadriga e, em seguida, ele os apresentou ao Senhor Kṛṣṇa. Depois disso, o Senhor Kṛṣṇa encarregou-Se de Aniruddha e Ūṣā, os quais tinham ficado materialmente muito opulentos por causa das bênçãos do senhor Śiva. Portanto, mantendo uma divisão akṣauhiṇī de soldados, Kṛṣṇa prosseguiu adiante para Dvārakā. Enquanto isso, todas as pessoas de Dvārakā, tendo recebido as notícias de que o Senhor Kṛṣṇa estava regressando com Aniruddha e Ūṣā em grande opulência, decoraram todos os cantos da cidade com bandeiras, flâmulas e guirlandas. Todas as grandes estradas e cruzamentos foram cuidadosamente limpos e borrifados com polpa de sândalo misturada com água. Em toda parte, havia a fragrância de sândalo. Todos os cidadãos uniram-se aos seus amigos e parentes para dar as boas-vindas ao Senhor Kṛṣṇa com grande pompa e júbilo, e uma vibração tumultuosa de búzios, tambores e cornetas recebeu o Senhor. Dessa maneira, a Suprema Personalidade de Deus, Kṛṣṇa, entrou em Sua capital, Dvārakā.

Śukadeva Gosvāmī assured King Parīkṣit that the narration of the fight between Lord Śiva and Lord Kṛṣṇa is not at all inauspicious, like ordinary fights. On the contrary, if one remembers in the morning the narration of this fight between Lord Kṛṣṇa and Lord Śiva and takes pleasure in the victory of Lord Kṛṣṇa, he will never experience defeat anywhere in his struggle of life.

Śukadeva Gosvāmī assegurou ao rei Parīkṣit que a narração da luta entre o senhor Śiva e o Senhor Kṛṣṇa não é, de forma alguma, inauspiciosa como os duelos ordinários. Ao contrário, se a pessoa se lembrar de manhã cedo da narração desta luta entre o Senhor Kṛṣṇa e o senhor Śiva e sentir prazer com a vitória do Senhor Kṛṣṇa, ela nunca experimentará derrota em qualquer lugar em sua luta pela vida.

This episode of Bāṇāsura’s fighting with Kṛṣṇa and later being saved by the grace of Lord Śiva is confirmation of the statement in the Bhagavad-gītā that the worshipers of demigods cannot achieve any benediction without its being sanctioned by the Supreme Lord, Kṛṣṇa. Here in this narration we find that although Bāṇāsura was a great devotee of Lord Śiva, when he faced death by Kṛṣṇa, Lord Śiva was not able to save him. But Lord Śiva appealed to Kṛṣṇa to save his devotee, and this was sanctioned by the Lord. This is the position of Lord Kṛṣṇa. The exact words used in this connection in the Bhagavad-gītā are mayaiva vihitān hi tān. This means that without the sanction of the Supreme Lord, no demigod can award any benediction to his worshiper.

Este episódio da luta de Bāṇāsura com Kṛṣṇa, e, posteriormente, sua proteção pela graça do senhor Śiva, é uma confirmação da declaração no Bhagavad-gītā de que os adoradores de semideuses não podem alcançar nenhuma bênção sem a sanção do Senhor Supremo, Kṛṣṇa. Aqui nesta narração, nós encontramos que, conquanto Bāṇāsura fosse um grande devoto do senhor Śiva, quando enfrentou a morte diante de Kṛṣṇa, o senhor Śiva não foi capaz de salvá-lo. O senhor Śiva, todavia, apelou a Kṛṣṇa para salvar seu devoto, e isso foi sancionado pelo Senhor. Eis a posição do Senhor Kṛṣṇa. As palavras exatas usadas neste contexto no Bhagavad-gītā são mayaiva vihitān hi tān. Isso significa que, sem a sanção do Senhor Supremo, nenhum semideus pode conceder qualquer bênção ao seu adorador.

Thus ends the Bhaktivedanta purport of the sixty-third chapter of Kṛṣṇa, “Lord Kṛṣṇa Fights with Bāṇāsura.”

Neste ponto, encerram-se os significados Bhaktivedanta do capítulo sessenta e três de Kṛṣṇa, intitulado “O Senhor Kṛṣṇa Luta com Bāṇāsura”.